segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Estilos de Leitura e a Experiência Intuitiva...


A Alta Sacerdotisa, do Morgan-Greer tarot,
guardiã dos mistérios....
Uma cliente me disse ao final de uma leitura inicial de tarot que fiz para ela: ”Que bom jogar assim!”...  Assim como? Perguntei. Ao que ela respondeu: “Assim, sem me fazer nenhuma pergunta...” Logo me dei por conta do que ela falava, há tarólogos que perguntam coisas aos seus clientes antes ou durante o abrir as cartas, coisas tipo: “É casada? Tem quantos filhos? Trabalha com o quê? Gosta do que faz?”, e assim por diante. Acho tudo isso irrelevante, pois não me proponho a fazer uma adivinhação das características práticas do trabalho, e nem dos filhos... Eu digo aos meus clientes que faço as aberturas iniciais para colher as mensagens do tarot para eles, e que na verdade essas mensagens vêm da parte mais profunda da consciência de cada um. Já falei das carências afetivas de alguém sem, no entanto, seu relacionamento ser representado no tarot. Certa vez os arcanos mostraram que uma cliente procurava nesta vida um amor intenso e verdadeiro, o que ela confirmou acenando positivamente com a cabeça. No transcorrer da consulta quase caí para trás quando ela quis marcar o marido com quem era casada há quase trinta anos! Era uma união, como dizia ela, com um grande amigo, mas que nunca foi seu amor. Entendi desde então que não importa o que se está vivendo num determinado setor da vida, mas sim o que se está sentindo sobre aquele setor da vida ou área de interesse.
A maioria dos tarólogos se sente compelido a adivinhar fatos práticos dos seus consulentes nas leituras preliminares, parece que sentem a necessidade de corresponder ao papel estereotipado de oráculo que se espera habitualmente deles. Acho tudo isso uma tolice! Eu interpreto o que as cartas mostram, às vezes acontece de haver revelações que são surpreendentes, tanto para os clientes quanto para mim, mas não busco e nem prometo nada disso.
Minha relação com o tarot foi, desde sempre, intensamente intuitiva. Deixo que as cartas falem com suas imagens, e traduzo suas mensagens, ponto final! Claro que as orientações e discussões decorrentes das revelações apresentadas na sessão dependem sim de outras formações minhas, do meu próprio desenvolvimento pessoal e, portanto, também das minhas visões de vida. Todo o resto que antecede essa conversa é o espelho dos arquétipos refletindo a alma e as vivências das pessoas.


O tarot, um espelho que reflete vivências humanas,
e os sentimentos e emoções decorrentes dessas vivências...

Entendo a “aflição” dos tarólogos na sua busca por fazer a coisa certa perguntando coisas para confirmar percepções, tanto quanto entendo a desconfiança dos clientes com isso. Quando se procura uma consulta oracular se está, antes de tudo, na busca de uma outra versão de si mesmo e de suas vivências. Busca-se confirmar seus próprios sentimentos, pressentimentos e até mesmos suas desconfianças sobre o que se está vivendo, e sobre o que está se sentindo a respeito do que está sendo vivido. Insisto sempre que o consulente não vai buscar a opinião do tarólogo sobre esta ou aquela questão de sua vida. Ele vai dialogar com uma parte mais sábia e profunda de si mesmo que não consegue acessar conscientemente, e precisa dos símbolos para essa tarefa.
O que ocorre depois, como disse, é de se ouvir o ponto de vista do consultor sobre o que foi revelado, e nesse momento a sua capacidade de isenção, e o trabalho sobre si mesmo através do seu próprio autoconhecimento é que podem fazer toda a diferença... Uma amiga me contou que ouviu certa vez de uma cartomante que costuma frequentar: “Você precisa é achar um homem solteiro para casar minha filha...”, numa clara referência e crítica ao fato de ela estar se relacionando com um homem casado. Há dezenas, e talvez até centenas, de razões para alguém se relacionar com uma pessoa comprometida, da simples aventura inconsequente ao medo intrínseco de se entregar verdadeiramente num relacionamento com reciprocidade afetiva e comprometimento mútuo... Entre outras tantas razões, inclusive amor verdadeiro que surge de modo inconveniente do ponto de vista social!
A Alta Sacerdotisa, do Thoth tarot,
de Aleister Crowley. A visão interior
como um canal de acesso ao transcendente.
Costumo dizer que se alguém consulta dois tarólogos diferentes, é muito provável que essa pessoa ouça os mesmos fatos internos ou externos serem repetidos. O que mudará é o enfoque dado por cada leitor, aprofundando ou negligenciando os aspectos externos ou o internos, e é isso que fará com que esta pessoa fidelize ou abandone aquele leitor. Acreditem já ouvi coisas como: “Ah não gostei, ficou me dando datas de acontecimentos, mas não conversava comigo sobre a angústia que eu tava sentido.”, ou por outro lado: “Ela só me falava que eu tinha que me trabalhar, que aquilo ia continuar daquele jeito se não me curasse, mas não me falava dele!”. Tem de tudo, e a vida é assim mesmo! Tem de tudo para todo o tipo de gosto, e por isso acho que ninguém deve se sentir na obrigação de conquistar clientes. O trabalho que cada um faz tem uma assinatura específica, e tem pessoas que precisam exatamente daquele estilo de leitura e figuras de linguagem, que você leitor de tarot usa, para obterem aquela outra versão de si mesmas que falamos anteriormente. Então eu não gosto de obter informações antecipadas dos meus clientes porque isso pode excitar meu lado racional, e atrapalhar o que minha percepção intuitiva captou do que mostram os arcanos... Não tento mostrar poder ou nada do gênero, apenas sou fiel ao que aprendi com minha intuição e o tarot ao longo desses meus trinta anos de estudo e prática. Possuímos todos uma consciência julgadora e crítica, que se acentua e ameniza nesse ou naquele indivíduo, como aquela velha cartomante que atendia minha amiga, porém se nos atermos ao que as imagens da alma nos mostram, corremos menos riscos de sucumbir à nossa mente inferior, essa funcionária do nosso pequeno “eu”. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Como Está Minha Saúde?

O Sol, do tarot Namur.
Uma amiga que não vejo há anos me ligou ontem marcando uma consulta de tarot para semana que vem, porém pediu que eu colhesse antes disso uma mensagem sobre a sua saúde, pois estava muito aflita, não me dando nenhuma pista do que se tratava. Foi o que fiz, me concentrei na minha amiga e puxei três cartas, somente dos arcanos maiores, pois é assim que leio o tarot quando a consulta é à distância. As cartas que saíram foram as seguintes: O Sol, que apareceu na situação, mostrando proteção à integridade da sua saúde física e ao fluxo de energia vital também. Parecia ser mesmo um bom augúrio. Na oposição apareceu o arcano de O Diabo, e aí comecei a entender o motivo da pressa na avaliação do seu quadro de saúde. Este arcano revelou um acúmulo de sentimentos pesados e negativos que estavam em ebulição dentro dela. Coisas como raiva, mágoa, e uma profunda angústia, e isso parecia a estar afetando fisicamente, de modo psicossomático. Ficou evidente para mim também de que ela não estava sabendo lidar com tais sentimentos, e que isso estava sendo “engolido” todos os dias. 
O Diabo, do tarot Namur.
Na síntese do jogo de três cartas, como resposta final, apareceu A Torre, um arcano que expressa dores físicas, e geralmente associadas a ossos, coluna e músculos, numa expressão de tensões acumuladas. O que fazia todo o sentido, tendo em vista o arcano anterior. A Torre também me transmitiu a ideia de topo (cabeça) e me fez intuir que ela devia estar sofrendo de dores de cabeça, e provavelmente também de insônia, com pensamentos repetitivos e indesejáveis! Ao calcular o arcano oculto da leitura, que é a soma de todos os números dos arcanos maiores que estavam na mesa, 19+15+16 = 50 = 5 + 0... O resultado foi 5, o número de O Hierofante. Este arcano está associado a todo tipo de terapeutas, do xamã ao médico alopata, o que me fez crer que minha amiga estava sob cuidados especializados, ou na iminência de fazê-lo. 
A Torre, do tarot Namur.
Via mensagem de texto descrevi todo o resultado dessa breve leitura para ela, e a resposta foi um contundente sim! Ela contou que esteve em tratamento para o tabagismo e isso desencadeou entre outras coisas, insônia, enxaquecas e depressão. Com isso sua sensibilidade emocional ficou extrema, causando a tal ebulição que eu descrevi, e que de fato ela não sabia o que fazer com todas aquelas emoções. Procurou um psiquiatra para tratar a depressão, e o remédio indicado desencadeou violentos efeitos colaterais. Tensões musculares e dores nas articulações se fizeram presente de modo perturbador. Ela revelou que nos últimos anos sofria de dores ósseas que se originaram de degenerações na coluna, que sob o efeito do tal remédio pioraram e muito! 
O Hierofante,
do tarot Namur.
O motivo da pergunta antecipada sobre sua saúde era saber se isso passaria logo, pois havia trocado de médico, e esse havia suspendido a medicação... O que deixou mais claro ainda para mim a proteção representada pelo arcano de O Sol no início da leitura. Eu disse que ela podia relaxar, pois apesar de ainda estar sofrendo os efeitos revelados, e confirmados por ela, o restabelecimento do seu bem estar estava a caminho. Ela me agradeceu aliviada dizendo que tinha muito mais coisas para ver no tarot, e para me contar. Mandamos beijos e abraços virtuais, nos veremos semana que vem...

Leia também: Lendo com 3 Cartas 

Obs: Para ver os arcanos em tamanho natural clique nas imagens.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Astrologia & Tarot

Este texto foi inserido na minha página de Consultas, porque passa a integrar as modalidades de atendimento que ofereço a clientes e leitores. Espero que gostem, e venham conhecer...!

- É possível misturar as técnicas?

É possível sim misturar tarot e astrologia numa única leitura. Entretanto, devemos ter clareza sobre as duas técnicas, e saber o que podemos extrair delas!
Astrologia, uma imersão na
personalidade humana através
da interação entre o macro
e o micro cosmo.
astrologia é um estudo detalhado da personalidade, e de ciclos mais amplos, como períodos de anos a meses ou semanas. Já o tarot é uma avaliação de um determinado período de tempo que geralmente é a síntese de anos, meses, ou semanas e dias, refletidos dentro desse momento, mas que costuma incluir a descrição das reações aos eventos, tanto dentro de uma perspectiva prática quanto psicológica. Ou seja, ele mostra o que está rolando bem como o que se está sentindo com tudo o que está rolando!  A astrologia é mais precisa em termos temporais, e o tarot é mais preciso em termos práticos e psicológicos.
Há duas formas para uma boa aplicação combinada desses dois fascinantes sistemas simbólicos: o primeiro é na leitura do mapa astrológico natal, que relata a proposta da alma para a presente encarnação, e depois se utilizar das cartas para elucidar como lidar melhor com os desafios propostos pelos aspectos ali representados. Se, por exemplo, uma pessoa tiver Marte oposição Lua, o que pode representar grande agressividade, podemos então usar o tarot para descobrir como e para onde canalizar essa agressividade, e descobrir o que se obterá em termos de qualidade de vida ao completar essa tarefa!  Assim a tarologia opera como um mapa com rotas estratégicas para facilitar a jornada pessoal.
Tarot, divinação e autoconhecimento a partir
de um determinado momento que reflete o todo,
como a parte de um holograma
.
Outro modo interessante é o de mesclar a astrodinâmica, que vem a ser a leitura dos ciclos astrológicos individuais, como a revolução solar e dos trânsitos dentro do período de um ano, e no caso desses últimos sondar as respectivas influências dos planetas e seus aspectos no céu. Com a integração dos arcanos do tarot na sessão, pode se revelar o modo como isso ocorrerá. Assim como sondar meios estratégicos de lidar com os aspectos desafiadores desses planetas. Se Saturno estiver em quadratura com Vênus na casa VII, um outro exemplo, com certeza o período demarcado por este aspecto será de tensão nas relações amorosas e de negócio, e de não fluência no trato com o outro. É nesse momento que as imagens arquetípicas do tarot podem mostrar de que modo isso ocorrerá, e de como podemos atuar para aproveitar a energia dessa tensão e transformá-la positivamente, quer seja para o desenlace de conflitos, quer seja para o engrandecimento da relação em si...
Combinar dois sistemas com essa magnitude de revelação e perspectiva pode ser incrivelmente elucidativo, enriquecedor e profundo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

O Simbolismo da Rosa nos Arcanos do Tarot

A Rainha de espadas, do
Morgan-Greer tarot.
A rosa está para a o ocidente como o lótus está para o oriente. Ela representa a primeira manifestação que de dentro das águas primordiais se eleva e desabrocha, como a rosa cósmica Tripura Sundari, da cultura indiana, que faz referência à beleza da Mãe Divina. Não é à toa que no rosacrucianismo a rosa é representada no centro da cruz, ou seja no lugar do coração do Cristo. Na iconografia cristã representa a transmutação do seu sangue, ou de suas chagas. A rosa mística do cristianismo é também um simbolismo atribuído à Virgem Maria, e mais especificamente em suas inúmeras aparições, sendo a mais marcante a de 1947 para a enfermeira italiana Pierina Gilli, e outras aparições com os mesmos símbolos se estenderam até 1984. Em sua primeira aparição Nossa Senhora da Rosa Mística aparece segurando em seus braços três espadas, e depois passa a ser representada trazendo junto ao peito três rosas, uma branca, uma vermelha e outra, dourada. A rosa branca simboliza a abertura à oração como uma forma de comunhão com o Divino, e o encontro da vocação interior. A vermelha representa a purificação dos pecados através do sacrifício feito amorosamente. E, por fim, a rosa dourada simbolizaria a penitência de todos aqueles que deveriam representar os preceitos cristãos, mas que traíram a Igreja, seus sacerdotes e monges, e a necessidade de corrigi-los! Curiosamente as rosas aparecem, com uma grande frequência, associadas ao simbolismo do naipe de espadas, que traz em seu escopo de significados a ideia de sofrimento, correção, a busca da verdade, da justiça e a potência da razão. 
A rosa, símbolo de beleza e também
de elevação espiritual.
A rosa também aparece como uma roda, devido ao arranjo de suas pétalas, e que se evidencia na forma da rosa dos ventos, indicando que evolução é movimento! E como tanto na tradição católica quanto muçulmana, e também pagã, as rosas são associadas ao sangue derramado, seu simbolismo está fortemente ligado ao conceito de renascimento espiritual. Sua imagem parece mesmo traduzir isto tudo! De uma haste espinhenta e, portanto dolorosa, ergue-se uma linda flor delicada e de perfume embriagador. Como a alma que se eleva de seus sofrimentos com a beleza do entendimento, a sabedoria, que exala para todos os que a cercam, encantando e instruindo pelo exemplo. Um símbolo de crescimento interior e de amadurecimento espiritual. A deusa grega Hécate, uma deusa do submundo e arauto dos aspectos sombrios da consciência, era por vezes representada portando uma guirlanda de rosas de cinco folhas. O número cinco representa a mudança e o movimento que vêm do quatro, que é a cifra da ordem em vigência. Isso associado ao simbolismo de Hécate deixa claro que não existe nenhum tipo de renascimento ou despertar espiritual sem um mergulho nas próprias sombras. O que costuma ser doloroso de algum modo!
Mais tarde a rosa seria associada ao amor, pois que uma vez associada ao Cristo em sua missão e sacrifício por amor à humanidade, passa a representar o amor puro ou ideal que todos os homens buscam. Mais uma vez vemos uma referência à idealização humana, um claro atributo da mente racional (naipe de espadas), mais do que da afetividade fantasiosa (naipe de copas).
O 9 de espadas, do Rider-Waite.
Foi nos baralhos criados por alguns dos membros da Hermética Ordem da Aurora Dourada, a Golden Dawn, que se originou a conexão entre o simbolismo das rosas e as imagens arquetípicas do tarot. O primeiro foi Arthur Edward Waite em seu Rider-Waite de 1910, que apresenta o arcano de O Louco segurando uma rosa branca na mão esquerda, simbolizando uma consciência pura, livre de conceitos enrijecidos e aberta a novas inspirações. Depois rosas vermelhas aparecem rodeando o personagem central do arcano de O Mago, e nas vestes do arcano de A Imperatriz. O primeiro representando o influxo poderoso de uma energia superior, e o segundo a manifestação criativa no mundo exterior desse mesmo influxo. Mais adiante as rosas vermelhas aparecem ao lado de símbolos astrológicos bordados nas cobertas da atormentada figura do arcano do 9 de espadas. Quem sabe numa alusão a se extrair um propósito maior do sofrimento? 
O 2 de espadas do Thoth tarot,
de Alesiter Crowley. Rosas do vento

aparecem ao fundo...
Aleister Crowley faz o mesmo em vários arcanos do naipe de espadas em seu Thoth Tarot, de 1943. Como no 2, 3, 4 e 6 de espadas. O 2 de espadas de Crowley alude a uma paz delicada que não pode ser mantida para sempre, e algo tem de ser decidido, por isso aparecem as duas espadas atravessando o centro de uma mítica rosa azul (um sonho de perfeição da Idade Média). O 3 de espadas mostra uma rosa sendo destruída por três espadas de tamanhos diferentes, simbolizando o sofrimento que é inerente às escolhas que fazemos. O 4 de espadas mostra quatro espadas que se encontram no centro de uma rosa fantástica de quarenta e nove pétalas, simbolizando a trégua depois do enfrentamento. E, por fim, o 6 de espadas mostra a rosa-cruz como a conquista de um novo patamar de consciência (Ciência) sobre os sofrimentos passados. 
O 6 de espadas do Golden Dawn
tarot, de Robert Wang.
O mesmo ocorre no tarot da Golden Dawn, desenhado por Robert Wang em 1978, que segue as instruções contidas no Liber T, e que também serviu de base aos criadores antes citados para os seus respectivos baralhos. Esse texto era utilizado para as meditações e práticas rituais que se utilizavam do tarot. Os iniciados nessa ordem eram incentivados a estudar, praticar e desenhar seus próprios baralhos como uma forma de imersão profunda no simbolismo dos arcanos. Não se admira que tantos baralhos influentes até hoje tenham derivado desses adeptos. O que também deu, por outro lado, origem a todas as distorções criadas no simbolismo clássico do tarot que vemos hoje. Reza a lenda que o baralho original da Golden teve seus esboços desenvolvidos por MacGregor Matthers, um de seus lideres mais influentes.
No baralho desenhado por Wang, sob a orientação de Israel Regardie, outro membro da Golden, o naipe de espadas tem rosas representadas nos seus arcanos numerados do 2 ao 8. Já mencionei em outro artigo meu A Viagem da Alma nos Arcanos Menores, que as cartas de naipe no tarot, assim como os arcanos maiores, mostram uma trajetória da consciência, mas desta vez por cada um dos quatro níveis específicos de manifestação da vida: energético/criativo (paus), psíquico/afetivo (copas), mental/racional (espadas), e prático/físico (ouros). A sequência dos desenhos mostram nessa obra a mente movida por altos ideais em sua busca por elevação e compreensão das mazelas vividas, começando por suas decisões no 2 de espadas, até ser superada por si mesma, quando nos arcanos 9 e 10 de espadas a rosa desaparece. Então o ideal da nossa áspera mente julgadora e crítica fenece e abre, depois de muito sofrimento, espaço para uma nova forma de percepção, uma que vá além da mente, e integre as outras partes do ser. Qualidade representada pelo próximo naipe, ouros, que vem a seguir encerrando a série dos quatro mundos manifestos.
O Louco do Osho Zen tarot segura
a rosa branca, assim como seu irmão
do Rider-Waite...
Mais recentemente, no Morgan-Greer tarot, a lúcida mas exigente Rainha de espadas é representada, ao que parece, num belo jardim cercada de lindas rosas vermelhas enquanto empunha majestosamente a sua espada a frente, entre si mesma e o expectador. Parece lembrar-nos de que a mente e suas capacidades de análise, discernimento, julgamento e discriminação são extremamente úteis e necessárias sim, mas que devem estar embasadas em ideais o mais libertadores e flexíveis possíveis. Caso contrário encontraremos a sombra dessa rainha, que é justamente o preconceito, a visão estreita e nada inclusiva de certo e errado, e a crítica devastadora a tudo que não se encaixe dentro desta visão! O que poderíamos resumir citando aquela máxima que diz que a mente é uma ótima serva, mas uma péssima anfitriã.

Livros para ler:

- A Golden Dawn - A Aurora Dourada
De: Israel Regardie
Editora: Madras

- Dicionário de Símbolos
De: Jean Chevalier & Alain Gheerbrant 
Editora: José Olympio

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

As Muitas Faces do Arcano XVIII - A Lua...

The Moon, Old Tarot Card.
O Oculto

O oculto é onde habita todo o conhecimento inorganizado da mente consciente, os sonhos, as intuições, as experiências mediúnicas... Mas também os medos, as sombras da alma e suas assombrações... Oculto é o nome que damos ao absoluto desconhecido!

As Muitas Faces da Lua

Muito mais sobre a Lua... Mistério, sonhos, imaginação. Mediunidade espontânea e inorganizada, coisas obscuras, mal resolvidas. O Karma.
O ocultismo, a magia e todas as atividades que fogem à compreensão da mente racional e objetiva. Pode também ser a superstição!
Ligação mágica com as forças da lua. Conexão com a figura da mãe, porém, nunca de forma harmoniosa. Gravidez complicada ou indesejada. Problemas na gestação, ou de fertilidade. Pode simbolizar o trauma profundamente inserido na psique... No mundo concreto são s negócios feitos em surdina, tipo "na calada da noite". Alguns tarólogos veem ainda neste arcano o romantismo exacerbado, ou a melancolia frequente... Tudo uma questão do olhar!

The Moon, by xwocketx on DevianArt.
Leitura das quatro Fases da Lua

Como estamos todos conectados ao poder e à influência da Lua, trago hoje esse pequeno método para uma leitura reflexiva e de autoconhecimento baseado nas suas quatro fases.
Depois de embaralhar o maço de cartas com a mente limpa, corte-o em dois, junte novamente as duas partes em um monte com a porção inferior cobrindo a superior, espalhe as cartas em leque na sua frente e retire 4 arcanos. O primeiro ficará à sua esquerda e representará a Lua nova, o segundo ficará em cima e representará a lua crescente, o terceiro ficara à sua direita e será a fase cheia da Lua, e embaixo fica então a carta da Lua minguante.

1) À Lua nova pergunte: O que está adormecido em mim, e vire a carta (e que pode estar consciente ou inconsciente)?

2) À Lua crescente pergunte: O que está crescendo em mim dia a dia (positivo ou negativo)?

3) À Lua cheia pergunte: O que hoje me preenche e me toma completamente (positivo ou negativo)?

4) À Lua minguante pergunte: O que eu preciso deixar para trás para seguir o meu caminho evolutivo (simboliza a cura)?


Essa ilustração de Yulia Volchok, se assemelha
ou menos com o arranjo das cartas como eu o faço...
O arcano oculto (se houver) fica no centro.

Se sair mais de um arcano maior na leitura some-os para descobrir o arcano oculto. Por exemplo, se saiu A Justiça VIII, e a Roda da Fortuna X, some 8 + 10 = 18 = 1 + 8 = 9. Nesse caso O Eremita é o arcano oculto e o seu guia nesse momento de sua vida. Essa carta deverá então ser colocada no centro da leitura . Se utilizar apena os arcanos maiores some todos os quatro com o mesmo fim...

Observação: Para este método de leitura mesmo os arcanos compostos deverão ser reduzidos a um único dígito final, como no exemplo acima, em que 18 que corresponde ao arcano de A Lua foi reduzido a 9, de O Eremita. Os arcanos de 1 a 9 representam a essência e, portanto, a alma humana.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Sobre Reiki e as Outras Terapias...


Há algum tempo publiquei um texto onde falo dos equívocos criados ao se confundir a obra de Aleister Crowley, e mais especificamente o seu Thoth tarot, com a sua própria vida e personalidade. Há quem diga que o seu baralho é uma obra do “mal” porque o próprio Crowley era uma figura obcecada pelo poder, e o lado escuro, por assim dizer da magia. Esse tipo de engano é muito comum mesmo no meio dos estudiosos e pesquisadores de temas ocultos ou de ordem espiritual. O ego entra nesse embate muitas vezes fazendo que os buscadores se esqueçam de que o caminho evolutivo é de integração e não de divisão. Toda vez que definimos que “isso é bom e isto é mau” criamos exclusão, e afastamos de nós mesmos a possibilidade de aprender e crescer com aquilo que chamamos de sombrio, ou derivado do mal. A velha fórmula Luz x Sombra, ou Bem x Mal, gerou todo o conflito imaginável sobre a Terra! Ou seja, não serviu pra nada!
Eis que agora me deparo com uma declaração de uma amiga que ouviu de uma praticante de outra técnica terapêutica que está em moda atualmente (não vou citar o nome porque acho que não é o caso) de que esta técnica é “mais eficiente” de que o Reiki. Pois bem, não vou entrar aqui no mérito de que se a referida terapeuta está certa ou errada! Parece-me que esta pessoa, entretanto, ignora seriamente do que se trata o trabalho com a energia! Não é a técnica em si que detém o poder de abrir as portas da percepção e da conexão interior com fontes maiores de consciência, e mesmo de energia. Essa possibilidade mora dentro de cada pessoa, e depende exclusivamente de alguns fatores intransferíveis, como o grau evolutivo interior de cada um, e o comprometimento kármico com a questão que gera o desequilíbrio. Nenhum terapeuta ou terapia pode medir ou contornar isso. Sendo assim, uma pessoa que esteja pronta para se libertar de um processo kármico em sua vida, e que tenha evoluído suficientemente nesta, ou desde muitas outras vidas, poderá atingir os insights necessários para que sua compreensão liberte sua realidade, e que todas as energias e crenças limitantes se dissolvam. E isso pode se dar até a partir de uma técnica de incursão mais física num primeiro momento, e menos energética como a massagem ayurveda, por exemplo! Ao passo que outra pessoa que não esteja no mesmo ciclo evolutivo poderá contatar com uma das modernas terapias de dissolução de memórias e programações destrutivas ou densas, ou de acesso aos registros akáshicos, e tudo o que poderá obter é um alívio nos sintomas ou sofrimento. Isso ocorre porque NADA substitui o trabalho interno de desenvolvimento. A própria palavra “desenvolver” já diz, deixar de envolver-se com, assim sendo depende de uma atuação consciente e amadurecida. E esse é um caminho que ninguém pode percorrer por cada um de nós, não importa a eficiência da técnica ou a tarimba do terapeuta envolvido. 
Acredito que considerar esses fatores é fundamental para se levar adiante um trabalho holístico de terapia energética ou vibracional da Nova Era. Como também é fundamental que se entenda que cada terapia atua em diferentes faixas de frequência vibracional, assim como as pessoas segundo os já citados graus de evolução espiritual individual e envolvimento kármico com a situação geradora do desequilíbrio. Obtêm-se mais resultado quando se escolhe uma técnica terapêutica que atue na mesma faixa frequencial em que se está! E o único modo possível de se descobrir isso é testando e observando a si mesmo durante o processo. Por esse motivo considero mais saudável o caminho da experiência pessoal do que a pesquisa pela opinião alheia, que como vimos não raramente é saturada de desinformação ou preconceito!
Sobre o Reiki o que posso dizer é que se trata do reabastecimento do corpo físico e dos corpos sutis da energia “Ki” Universal, processo a partir do qual muitas curas ou reequilíbrios físicos e sutis podem ocorrer, mas nunca de modo programável ou previsível e é justamente isso que me encanta na prática Reiki nesses quase 20 anos de trabalho. O que não me faz desacreditar ou minimizar, de modo algum, a necessidade e a eficiência de quaisquer outras práticas energéticas e integrativas de consciência e cura.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Oráculos... Qual Faz o Quê?

TAROT - Seus arcanos proporcionam uma visão ampla
sobre o momento presente e as influências que se recebe,
tanto temporais, quanto psíquicas, e até mesmo espirituais.

Tarot - Descendente da ancestral arte da cartomancia a tarologia destacou-se de sua ancestralidade por ser capaz de aprofundar, com mais precisão e de modo mais incisivo, as questões que movem o momento de quem se consulta. Adaptou-se perfeitamente bem as modernas teorias sobre os arquétipos e a sincronicidade de C. G. Jung, e as relações de tempo/espaço da física quântica, sem perder a objetividade no trato com o mundo prático, o que ampliou imensamente sua popularidade e aplicação. 
É um oráculo que revela um período de tempo mais próximo, ou o "momento" de quem retira as cartas. Esse período de tempo pode compreender desde dias e semanas, a meses ou mesmo os últimos anos, como também é capaz de revelar influências do passado e antever prognósticos sobre o futuro. Enfim, fala de como estamos, de como fomos, e de como podemos ficar, ajudando a ponderar nossas escolhas.
Outros sistemas oraculares que seguem a mesma linha temporal, embora nem sempre com a mesma profundidade, são: cartomancia, runas, e o jogo de búzios.


I CHING - O Livro das Mutações, revela as melhores atuações
estratégicas diante dos dilemas da vida no caminho evolutivo.

I Ching - É o mais peculiar dos sistemas oraculares, assim como o Tarot ele também trata de um determinado período tempo, mas de modo mais específico. É um oráculo que requer uma pergunta feita previamente, e as peças lançadas a mesa levam a respostas incrivelmente detalhadas nos hexagramas desse livro milenar. O I Ching tem cerca de 3 mil anos, ou seja, é mais antigo que o novo testamento, sendo capaz de revelar atuações estratégicas dentro de um tema ou setor da vida. Suas mensagens se parecem muito com reflexões sobre o que se está vivendo num primeiro momento, mas ao se consultar as linhas móveis é surpreendente ver como as suas mensagens nos guiam a atitudes bem definias, e nos alertam para o que pode acontecer se optarmos pela inércia.
O I Ching não possui outros sistemas oraculares que sejam semelhantes a ele, e muito poucas pessoas se interessam por ele, pois que lhes parece suspeito ter de ler o significado dos hexagramas no livro... Como se interpretar estes textos fosse coisa fácil...!


ASTROLOGIA - Considerada por muitos como a nova psicologia, 
é um vislumbre da proposta do ser para esta vida. 
Um guia sobre os desafios e potenciais latentes contidos na psique.

Astrologia - Uma das mais antigas artes oraculares, a astrologia é um profundo sistema de estudo da personalidade humana e dos seus ciclos evolutivos, como também de avaliação de prognósticos sobre o porvir. Assim como a tarologia absorveu bem as novas visões sobre a psicologia e a física moderna. 
Erroneamente muitas pessoas entendem a interpretação astrológica como sendo um processo puramente racional, o que em parte é verdade, de todos os sistemas aqui mostrados é o que mais se presta à investigação e padronização racional do homem, entretanto, somente com uma abordagem intuitiva dos símbolos astrológicos é que se é capaz de obter todo o seu potencial de revelação quanto de autoconhecimento. A Astrologia horária é uma aplicação do estudo dos astros para coisas bem específicas, como organizar eventos, programar partos, e antever o risco de grandes empreendimentos que envolvam muitas pessoas. É das formas oraculares a que melhor se presta para revelar as tendências na formação de uma família, escolha de parceiros e sócios, e na orientação vocacional, pois que revela a proposta do ser ao longo de toda a vida, e não apenas num determinado momento no transcurso dessa jornada como o Tarot e o I Ching.
Outros sistemas oraculares que desempenham uma função parecida com a da astrologia são: a numerologia (tanto pitagórica, quanto cabalística e caldeia), e a milenar arte da quirologia (leitura das mãos).

Nota: "Existem diferenças interessantes na maneira desses três sistemas de sabedoria operarem. Claro que o I Ching pode também trazer reflexões sobre um determinado período de tempo mais amplo, da mesma forma que o tarot pode responder uma pergunta com muita profundidade e implicações filosóficas e reflexivas. Assim também a astrologia pode descrever um tempo mais breve da vida de uma pessoa... O que eu quero dizer para você é que essa não é a melhor aplicação desses oráculos. Eles possuem enormes qualidades, mas também limitações como o tudo o mais nesse mundo! Além de características bem próprias, como uma espécie de assinatura. O êxito ao se tentar inverter suas aplicações, pode ter mais a ver com o talento do intérprete do que com as tendências intrínsecas de cada sistema. O funcionamento acima descrito é o mais preciso, e o que se coaduna melhor com as características de cada um desses instrumentos oraculares... E se duvidar, faça a sua experiência!". (...)

TRECHO EXTRAÍDO do artigo Devemos Considerar as Cartas Invertidas?  
Publicado em 15/08/2011.

terça-feira, 12 de junho de 2018

O Enforcado Invertido...

O Enforcado XII,
do Illuminati tarot.
A lição do homem pendurado... 

"Perspectiva é tudo! Onde um vê o caos, o outro vê uma nova ordem. Onde um vê precariedade, o outro vê o essencial. E não adianta, ninguém pode forçar ninguém a mudar de perspectiva, esse é um processo pessoal e intransferível, geralmente acompanhado de alguma dor..."
Assinado: O Enforcado...!

Uma cliente tira O Enforcado invertido na posição 8, dos relacionamentos, na Cruz Celta... Muitos ignoram as cartas invertidas, com um variado repertório de justificativas! Eu Não! Observei tempo demais o aparecimento dessas cartas e posso afirmar que são absolutamente relevantes. 
Na posição que se encontra (amarrado e de cabeça pra baixo) O Enforcado nos fala dos desconfortos que esta vida proporciona, seus reveses íntimos, e decepções de toda sorte! Como disse Guilherme Arantes: "Quando fui ferido, vi tudo mudar das verdades que eu sabia...". É disso que nos fala O Enforcado, a súbita percepção de uma verdade, um desapontamento doloroso que muda nosso olhar sobre as coisas... Observamos, porém, que ele olha para o céu, o que tanto pode significar a sua dificuldade de olhar para a realidade dos fatos, quanto uma súbita epifania sobre o momento!
O Enforcado do Rider-Waite tarot, na
posição usual (esq.), e invertido (dir.).
Ao sair invertido ele continua amarrado pelo pé, mas pode iludir-se nutrindo a crença de que sai quando quiser dessa situação, ou de que ela não é tão ruim assim... Exatamente como a minha cliente, num casamento de 30 anos, o qual já havia "acabado" segundo ela há uns 10 ou 12 anos, mas do qual ela não conseguia sair, e nem se ver fora dele dizendo coisas como: "Mas ele é bom...". É, O Enforcado invertido é dose! Alertei sobre o risco da autoilusão (o que ela admitiu poder estar mesmo havendo), indiquei terapia com florais... Vamos ver como fica!

quarta-feira, 16 de maio de 2018

A Viagem da Alma nos Arcanos Menores...

Foi Arthur Edward Waite que ao lançar em 1910 o seu Rider-Waite, quem insinuou nas imagens desenhadas por Pamela Colman Smith sob sua orientação, que havia um caminho evolutivo dentro dos arcanos numerados de 1 a 10 de cada naipe. Não há como saber se isso foi consciente ou não, mas com certeza foi uma contribuição de imensa importância para o estudo, o desenvolvimento e a compreensão da tarologia como um todo. Igualmente importante, embora menos valorizada, foi a contribuição da parceria entre a taróloga Juliet Sharman-Burke e a astróloga Liz Greene. Setenta e seis anos após o lançamento do tarot Rider elas "explicitaram", por assim dizer, a existência de uma clara sequência evolutiva ao criar uma correspondência mitológica entre cada um dos quatro naipes do tarot com a viagem mítica de diferentes heróis gregos em seu Tarot Mitológico de 1986, com imagens de Tricia Newell.

A Viagem de O Louco continua nas cartas numeradas
dos arcanos menores (O Louco - Dioniso - do Tarot Mitológico).

Assim como nos arcanos maiores, onde revela-se claramente uma viagem evolutiva da consciência ao percorrer os 22 trunfos, que representam as experiências arquetípicas fundamentais da alma, também nas cartas numeradas dos quatro naipes ocorre uma jornada evolutiva dentro do escopo de experiências delimitadas por suas atribuições no mundo prático, em sua busca por manifestação na sequência de 1 a 10
Sendo 1 a vibração mais livre e expansiva e 10 a mais densa e condensada, veremos que os naipes de elementos yang ou masculinos, paus/fogo e espadas/ar, terminam suas jornadas de forma mais dramática, pois que suas naturezas voláteis requerem uma dinâmica e renovação constantes. Já os naipes que correspondem a elementos yn ou femininos, copas/água e ouros/terra, encerram suas trajetórias harmoniosamente, pois que suas naturezas mais plásticas e densas se coadunam melhor com o processo de manifestação, realização e estabilização.
Em paus vemos a força da ação criativa. Em copas a vivência dos sentimentos e da espiritualidade humana. Em espadas a busca pela verdade, e o confronto com inúmeros contraditórios nessa busca. Em ouros vemos o envolvimento com o mundo físico e dos sentidos, e o desenvolvimento dentro daquilo que conhecemos como a realidade!

Naipe de Paus


O Às de paus (A Fonte),
do Osho Zen tarot.
O baralho que, na minha opinião, melhor expressa as qualidades criativas e lúdicas do naipe de paus, regido pelo fogo, é o Tarot Zen de Ma Deva Padma. Inclusive nesse baralho o naipe de paus se chama “Fogo”.
A expressão do mundo criativo irrompe furiosamente no Às de paus, lançando luz, força e energia para todos os lados. Renovando, iluminando e revitalizando tudo! A partir do 2 de paus essa energia saturada de si mesma, procura uma atuação mais específica onde possa descarregar sua força acumulada. No 3 de paus essa força, plena e confiante de si mesma, começa a fazer experimentos testando a si e seus limites. No 4 de paus a energia criativa busca apoio e complementação para que possa se expressar harmoniosamente, mas acaba encontrando as frustrações naturais de todo processo criativo no 5 de paus, o que pode bloquear o processo, embora na maioria das vezes só o que faz é atrasar um pouco. 
No 6 de paus a vitória se dá, a força criativa atinge seu ápice, e o reconhecimento inevitável por todo o empenho realizado vem intensa e naturalmente... Um momento de puro regozijo! Mas a força dinâmica do fogo não para! Sua atuação segue adiante e no 7 de paus há o apelo para superar os próprios feitos, investir com toda a força, e nessa postura logo se chega aos limites de suas próprias forças, causando estresse e gerando um energia bruta que todos percebem, mas que poucos apreciam! De repente no 8 de paus o mecanismo criativo ilumina a si mesmo, e o que vemos é um súbito esclarecimento que faz sumir toda a tensão, traz um reconhecimento interno do extremo da própria situação mudando perspectivas ou a realidade externa, ou a ambos. 
Chegamos então ao 9 de paus, ou seja, uma completa exaustão das forças vitais, uma percepção de “eu não aguento mais”, embora ao redor tudo continue exigindo o emprego de grandes quantidades de energia... No 10 de paus não há mais possibilidades de se seguir adiante, a força criativa extingue a si mesma, pois como no movimento de A Roda da Fortuna, a roda do tempo girou e a contribuição de cada um foi dada, agora abre-se espaço para que outras formas de expressão e criação se manifestem e sigam o mesmo itinerário que se seguiu, retornando a força pujante e renovadora do Às de paus.

Naipe de Copas

O 3 de copas, do Rider-Waite.
Aqui eu percebo que a natureza emocional do naipe de copas foi bem captada pelo Rider-Waite Tarot, já a natureza mística desse naipe regido pela água, foi mais bem captada tanto pelo Tarot Zen quanto pelo Motherpeace Tarot.
No naipe de copas a força do sentimento mais profundo se esparrama sobre toda a criação, no Às de copas um místico sentimento de comunhão com toda a humanidade, a vida, os seres vivos, ou o propósito de uma atividade se dá (o encontro da vocação da alma), sem nenhuma necessidade de reconhecimento exterior. Só o que se sente basta. Nas experiências espirituais mais profundas esse sentimento de comunhão acontece em todos os níveis antes citados, e um canal de conexão com forças espirituais superiores se abre... No 2 de copas esse amor transbordante se polariza para que seja vivido no âmbito mais mundano e terreno do amor recíproco e companheiro, e assim chega-se ao 3 de copas com a sensação de que a vida é só júbilo, tudo o que nos vem é grato, e celebra-se todos os resultados por mais simplórios que pareçam aos olhos alheios. Mas, como o movimento da água é para baixo e para o centro, no 4 de copas nos recolhemos com nossos sentimentos como numa profunda meditação, e nos purificamos das influências exteriores. E então, subitamente percebemos que tudo que vivemos até aquele momento ou não representa mais nada, ou não traz mais satisfação, e despertamos desapontados no 5 de copas
Dentro da natureza da água sonhar e rememorar é inevitável, e passamos a idealizar um outro encontro ou a alegria em algo vindouro, mas com as expectativas do passado, e esse é o mundo do 6 de copas. Então, no 7 de copas, nossa busca por prazer e alegria nos leva a um mundo de confusões emocionais, buscas ilusórias e muitas vezes escapistas, falta de perspectiva e direcionamento, quando não de vícios e devassidão. 
Na dimensão lúcida do 8 de copas, assim como no arcano de A Justiça, despertamos para o que realmente estamos fazendo, e saímos em busca de algo que faça mais sentido e que soe mais verdadeiro a nossa alma, o que poderá envolver, ou não, algum sofrimento. Isso depende do nível de envolvimento com as ilusões vividas. 
No 9 de copas reconhecemos então que tudo o que precisamos sempre esteve ao nosso alcance, e que podemos desfrutar de tudo desde que não tentemos nos apegar a nada, entendendo que a evolução continua e que muitos mundos esperam por nós. Assim evitamos a indolência, vício típico do elemento água. Então encontramos a experiência de máxima satisfação e reconhecimento interior do 10 de copas, onde reconhecemos que toda a felicidade no aqui e no agora. A dualidade cessa, e estamos plenos na situação em que nos encontramos, como um Mestre em seu Nirvana.

Naipe de Espadas

O 10 de espadas (Ruína),
do Thoth tarot.
Tanto o Thoth Tarot de Aleister Crowley, quanto o Rider Waite, mostram muito bem como a mente opera em sua busca pela verdade, e no exercício da vontade e do arbítrio para empreender tal busca.
No mundo dual e conflituoso da mente, o Às de espadas traz um reconhecimento súbito, mas profundo, da verdade. Todas as dúvidas se dissipam e avançamos com ela como um sol a nos guiar em meio à escuridão. Clareza e perfeição sem máculas emanam de nossa consciência. Entretanto, como permanecer nesse nível, e em perfeita harmonia com ele, é para uns poucos iluminados, a dualidade da mente emerge no 2 de espadas se perguntando: “será mesmo?”. A verdade pessoal ao se confrontar com a do outro se estilhaça, ou pelo menos se divide em duas partes, e requer remissão e decisão. No 3 de espadas o impasse não pode mais ser protelado, e somos compelidos a agir segundo a nova perspectiva que se apresenta, o que sempre é doloroso! Não se abandona um aspecto da verdade que serviu como guia sem se viver uma espécie de luto... E no 4 de espadas a mente precisa de repouso e reflexão, como um doente convalescendo, ou alguém que se recupera de um luto... Dividir e comparar é da natureza da mente, e nesse momento de reflexão emerge o arcano do 5 de espadas, onde comparamos nossos resultados com os de outras pessoas, ou os nossos próprios planos e as expectativas criadas com o que de fato conseguimos realizar, e muitas vezes a sensação é de derrota pessoal e tempo perdido. Por ser muito influenciada pelo meio em que vive, a mente muitas vezes escolhe a opção de servir às demandas exteriores e se sobrecarrega de responsabilidades que imagina serem suas, o que faz a experiência do 6 de espadas ser sufocante. 
No 7 de espadas já não somos mais nós mesmos, mas um acúmulo de papéis sociais e conquistas que visam manter uma posição de status, muitas vezes forjada com mentiras, e tendo como válvula de escape uma vida secreta mantida com constrangimento. A lucidez se debate no 8 de espadas entre tudo o que considerou-se verdadeiro até o momento, autocobranças e autocríticas fazem-nos sentirmos culpados por não termos vivido nossas vidas por um lado, e por outro por ter de abandonar tudo e todos que nos seguiram na senda trilhada até o momento. No 9 de espadas não há uma solução clara para o impasse, é preciso mergulhar na dor para encontrar nela o antídoto contra o veneno que nós mesmos criamos.
Por fim, no 10 de espadas, a morte dos conceitos seguidos é inevitável! A mente anseia por renovar a si mesma, pois a sua busca é pela verdade, uma verdade que possibilite uma explicação para a vida! Por isso seus processos serem sempre tortuosos e dilacerantes, pois a mente cria mecanismos e se apega a eles, e assim é até que as dúvidas dilacerantes cessem e a mente iluminada se abasteça de si mesma, leve e flexível, observando o fluxo do todo ao retornar e permanecer na clareza do Às de espadas!

Naipe de Ouros

O 9 de ouros (O Zênite),
do Tarot of the Spirit.
Tanto Crowley quanto Waite trabalham neste naipe a ideia de trabalho e construção, bem como da ciclicidade da terra, enquanto as autoras Pamela Eakins em seu Tarot of the Spirit, Vicki Noble em seu Motherpeace Tarot, e Ma Deva Padma em seu Tarot Zen, trabalham o conceito de que neste mundo, e na comunhão com ele, é que se dá todo o desenvolvimento e amadurecimento da jornada espiritual.
A natureza da terra é concreta e cíclica, além de cheia de possibilidades, e no Às de ouros as possibilidades guardadas dentro de nós mesmos (a terra de nossas vidas) se expressam fluentemente, e tornam possíveis a concretização de qualquer coisa! Mas, lembrando que a natureza da terra e da realidade são cíclicas, o 2 de ouros vem nos mostrar que adaptabilidade à vida e aos ciclos da vida e da natureza são fundamentais. O que não significa abandonar conceitos e valores próprios, mas adaptá-los para se extrair o máximo de cada experiência e de nós mesmos. 
Com isso a dimensão do progresso, do crescimento, e da construção sólida e precisa se manifesta no 3 de ouros, e avançamos em sintonia com os ritmos da terra e da existência, e totalmente guiados por esses ritmos. Então encontramos no 4 de ouros a maravilhosa sensação de segurança que nossa criança interna tanto necessita, mas quase que invariavelmente essa segurança torna-se excludente, pois nos apegamos a ela, e evitamos a aproximação de outros que possam ameaçar ou roubar o que conquistamos. Passamos então a sentir muito medo. A vida é dinâmica, e a segurança de todos os 4 é uma ameaça a esse dinamismo. É preciso avançar! Logo entramos no 5 de ouros e podemos viver um inexplicável sentimento de menos valia, como se tudo o que somos só tivesse sentido pelo que possuímos. Se não se possui nada ou muito pouco então, isso só se agrava. E se perdemos tudo o que conquistamos passamos a ver a nós mesmos como uma criatura de menor importância e de pouco merecimento... 
No 6 de ouros aprendemos então a fazer concessões, a ver outras perspectivas, a ouvir quem não ouvíamos, e se isso for verdadeiro, e não uma manobra para a aceitação dos outros, então é simplesmente transformador. Entramos na dimensão do 7 de ouros onde entendemos que tudo tem um ritmo próprio, uma hora certa para tudo, inclusive nós mesmos, e que não chegamos a lugar algum avançando sobre esses ritmos. Como todos os 7 têm uma propensão ao exagero, a condescendência permissiva é uma perigosa possibilidade! 
Na dimensão lúcida do 8 de ouros o trabalho de reconstrução de si mesmo recomeça, com a simplicidade do “menos é mais”, com a disposição de reaprender com toda a humildade e devoção... Há, porém, o risco da subserviência, o que pode fazer com que o discípulo nem perceba quando já tiver se transformado num Mestre. No 9 de ouros, a consciência brilha com tudo o que amadureceu ao longo da sua jornada, houve grandes vitórias sobre si mesmo. Não somos mais vistos como uma estrela ou um fenômeno como no 6 de paus, mas como um Mestre ou um Sábio reconhecido que viveu e venceu a luta contra o pequeno “eu”. 
No 10 de ouros a consciência agora sabe que é a cocriadora da vida, e que pode manifestar o que desejar sem ignorar a natureza divina de tudo, nem as leis naturais, mas em sintonia com essas forças, fluindo com seus ciclos e em sintonia com suas essências. Descobre-se então que Deus/Consciência/Natureza são a trindade de que falam os mitos de todas as grandes civilizações, e as divindades de todas as religiões do homem!

Leia também:

O Naipe de Paus - A Energia do Fogo 

O Naipe de Copas - A Sensibilidade da Água 

O Naipe de Espadas - A Inteligência do Ar 

O Naipe de Ouros - O Poder da Terra 


sexta-feira, 13 de abril de 2018

A Magia do Dez de Copas

O Dez e copas, do
Osho Zen tarot. 
O ultimo arcano do naipe de copas corre para a manifestação do mundo físico no número 10. Como sendo um naipe de um elemento feminino (água) é no mundo físico que toma forma, que repousa, e encontra abrigo no fundo da terra. Assim, os desejos são todos realizados, os sonhos viram reais, e a sede incessante dos desejos acaba! Tudo é bom aqui e agora! Tudo está manifestado e é bom! Nada mais é preciso nem dentro e nem fora, nada está noutro lugar, tudo está no momento presente!
O Dez de copas,
do Connolly tarot.
Quando meus alunos me perguntam qual seria o aspecto negativo do 10 de copas, eu digo que sua negatividade consiste em não aparecer para nós pelo menos uma vez durante a leitura... Espiritualmente é o encontro da mente com o coração e o fim das dualidades dilacerantes... 
É o sucesso completo, a família no seu sentido mais profundo, o que não envolve somente laços de sangue, mas, sobretudo afetivos e espirituais, pois o naipe de copas é o que corresponde ao mundo da subjetividade da alma e das emoções. É o sentimento de se estar plenamente integrado, quer seja a uma família, relacionamento, caminho espiritual, grupo, nação, etc.
Na Cabala é Malkuth em Briah, ou seja, o Reino no Mundo Criativo e misericordioso de Deus, onde as formas primordiais são criadas.

O nome do Dez de copas em alguns baralhos modernos: 

Saciedade, do Thoth tarot, de Aleister Crowley. 
Harmonia, do Osho Zen tarot, de Ma Deva Padma. 
Paixão, do Voyager tarot, de James Wanless. 
Fonte de Amor, do Tarot of the Spirit, de Pamela Eakins.