terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A Cruz Celta Astrológica


Conhecer todos os significados e possíveis desdobramentos das posições do sistema que utilizamos é tão importante quanto conhecer profundamente o significado dos arcanos em suas muitas perspectivas. E mais uma vez pensando sobre as possíveis relações das dez posições originais da Cruz Celta com outros símbolos arquetípicos, me aproximo do simbolismo astrológico dos planetas. Já apresentei aqui as correlações entre as posições e os principais personagens míticos presentes em todas as mitologias, bem como em quase todos os contos de fadas memoráveis. Foi dessa reflexão que eu extraí a presente analogia, a estrutura da Cruz Celta e sua ligação com a simbologia dos planetas. Antes, porém, vamos entender melhor o que são os planetas e suas expressões.
Podemos começar dizendo que Sol e Lua não são planetas, o primeiro é uma estrela, e o segundo um satélite, mas são chamados de luminares, um emana luz e o outro a reflete, no entanto para efeitos de estudo do mapa astrológico natal eles têm o mesmo valor que os demais astros, e também são chamados de planetas. Os planetas pessoais são Mercúrio, Vênus, e Marte, eles são mais rápidos e representam as atuações do ego e da vontade na busca pelo que denominamos de nossas conquistas, e nos dão características bem específicas na personalidade. Júpiter e Saturno, são mais lentos e chamados de planetas sociais, pois que mostram nossa atuação no mundo, socialmente, e no modo como nos apresentamos, consciente e inconscientemente ao mesmo tempo. E, por fim, os três últimos planetas são conhecidos como transpessoais e, numa linguagem mais astrológica, de “transaturninos”, por estarem depois da órbita de Saturno no sistema solar. Eles são ainda mais lentos! Urano demora 84 anos para dar uma volta completa no zodíaco, e fica por cerca de 7 anos em cada signo. Netuno demora cerca de 164 anos para dar a mesma volta, e permanece cerca de 14 anos em cada signo zodiacal. Por fim Plutão demora em média 248 para contornar o sol e, por ter uma órbita irregular, se demora entre 12 a 32 anos em sua passagem por cada signo. Esses planetas atuam na nossa capacidade de transcendência e transformação, ou seja de ir além do que do que conhecemos ou do que se apresenta. Por serem tão lentos marcam toda a humanidade ao transitarem nos céus, e a toda uma geração que nasce com eles em seus mapas. 


A astrologia, relaciona o homem ao Universo na busca
por um significado cósmico para nossa existência!

Eu, por exemplo, e todos os que nasceram entre 1956 e 1970 somos filhos da geração de Netuno em Escorpião, que trouxe a cultura do Paz & Amor dos hippies, do sexo livre, das experiências de estados alterados de consciência para tanger outros planos e colher sabedoria, que aproximou a cultura do oriente do ocidente, e que resgatou a sabedoria de antigos sistemas simbólicos como o tarot e a astrologia, que agora eu cruzo nesse artigo como já o fiz em outros! Influência que como podemos ver mexeu com toda a vida na Terra quando Netuno passou por ali, e marcou profundamente os que nasceram com ele em suas cartas natais... Vide o meu caso!
É importante dizer também que os planetas diferem dos signos, eles são as energias que impulsionam e moldam as características que cada signo representa. Um exemplo é de que alguém com Marte em Áries terá características de agressividade e impulsividade bem mais acentuadas do que alguém que tiver esse mesmo planeta em Touro! O primeiro signo lida com a energia belicosa de Marte de uma forma mais explosiva, por assim dizer. Já os que possuem esse mesmo planeta com a influência taurina o farão de uma forma mais persistente e resistente do que agressiva. A energia marciana é expandida pelas características de um signo, e contida pelas características do outro.
A seguir apresento a relação entre os dez planetas e as dez posições originais da Cruz Celta, tanto em sua forma tradicional, como na adaptação feita por mim e que denominei de Jogo do Espelho. Verão que não me afasto tanto das origens, considero que as ampliei. Ao fim de cada explanação coloquei um pequeno texto com o objetivo de conectar a presente relação entre os planetas e as posições deste método de leitura com os personagens míticos que listo no artigo A Cruz Celta do Encantamento. O link para quem quiser ler (ou reler) este texto na íntegra está ao pé da página, bem como outros que considerei pertinente mostrar!

A Cruz Celta com sua formação simples... Cada posição
guarda em si uma vastidão de correlações arquetípicas.

Posição 1 – Sol

A vontade pessoal, solar e egoica, que carrega a noção de quem eu sou e de quem quero ser. As forças vitais envolvidas num processo específico de interesse ou atuação. A essência através da qual outras formas de consciência se manifestam. O guia para o nosso propósito principal de vida... Atributos do Sol astrológico que combinam muito bem com a primeira posição da Cruz Celta que representa o mundo interior no momento na minha versão desse sistema de leitura. Na versão original é chamada de a situação do momento.

Na versão mitológica:
O Rei, o soberano que outorga leis e diz para onde as coisas se encaminham naquele momento.

Posição 2 – Plutão

É o planeta da ação transformadora, o influxo das correntes interiores do ser que se elevam e moldam a realidade a partir do que é emanado de dentro. Um astro de grande abertura para as forças superiores do espírito, mas que também pode simbolizar a negação do mesmo, e a fixação nos aspectos mais brutos da consciência, como o apego, o egoísmo e o controle. Na Cruz Celta tradicional é essa a posição que cruza a carta 1, apoiando-a ou restringido-a. Eu a chamo de as ações, e elas podem vir ao encontro, ou se opor, ao que o mundo interior apresenta ou requer.

Na versão mitológica:
A Rainha, aquela a quem o rei ama, e que o apoia ou que conspira contra ele de alguma forma.

Posição 3 – Lua

Símbolo da sensibilidade profunda e da percepção intuitiva de verdades não reconhecidas, em princípio, pela mente racional/consciente. Este é o astro mais próximo da Terra e o regente do inconsciente coletivo, que se expressa através dos símbolos como os arcanos do tarot, os números, etc. Simboliza os sentimentos e as intuições mais profundas da alma. Na tradição é a posição da base, como algo que é pressentido sobre o momento. Eu a chamo de o apelo do ser interno, como as intuições sobre o momento que devem ser ouvidas. O guia sábio da consciência.

Na versão mitológica:
A casa do mago conselheiro, a cabana do sábio dentro da floresta escura (o si mesmo), onde o rei se dirige para se aconselhar.

Posição 4 – Saturno

O planeta das restrições e dos obstáculos que surgem como um desafio à mente consciente de superar a si mesmo. Os limites incrustados na personalidade, pela cultura social ou a formação familiar, que se revelam nos embates da alma para atingir sua realização, características bem saturninas que expressam bem a essência dessa posição que na Cruz Celta original representa o passado (a origem de todos os condicionamentos), e que eu chamo de desafios e obstáculos, não importando se desta vida (infância, juventude, etc) ou de outras vidas (encarnações).

Na versão mitológica:
A toca do dragão, o lugar dos desafios que limitam os poderes do rei, e que devem ser superados.

O heroico Lancelot, um dos personagens míticos
mas lembrados nas Lendas do Rei Arthur. Um

representante fiel do arquétipo do guerreiro!

Posição 5 – Júpiter

Simboliza a ânsia do ego para conhecer muitas coisas, expandir seu mundo e experimentar a si mesmo. É o grande captador e explorador das oportunidades que a vida oferece. Seu glifo é o oposto do de Saturno, simbolizando a libertação das limitações de quem quer crescer e prosperar livremente, e em todos os sentidos. Na tradição é a posição do consciente, do que é reconhecido da situação. Eu a chamo de objetivos conscientes e a vida material, e representa as direções tomadas na vida material/financeira e de como isso aparece para o mundo.

Na versão mitológica:
O reino, a síntese de tudo o que se possui no momento, e de como podemos ou iremos prosperar.  

Posição 6 – Urano

É o planeta da renovação e do rompimento com tudo o que é obsoleto. Representa também a força da comunidade, dos grupos, e dos amigos que sustentam ou desmantelam com as suas influências os objetivos pessoais para o futuro. É o planeta da família no sentido mais amplo e universal, e dos amigos que se apresentam como Mestres por seus exemplos de vida. Na Cruz Celta original essa é a posição do futuro próximo, e que eu adaptei para o significado de objetivos futuros e vida social, que envolve tanto amigos quanto família e suas influências no momento.

Na versão mitológica:
Os súditos, os que seguem o rei apoiando-o em seus planos ou restringindo as suas atuações.

Posição 7 – Marte

O planeta da afirmação de si mesmo, do ego e da vontade, acima do espírito. É a força da agressividade não só no sentido de violência, mas do modo como nos colocamos diante dos desafios e das demandas que se apresentam. O belicoso planeta Marte representa o modo com que nos apresentamos diante do mundo, e de que recursos (internos e externos) nós lançamos mão para as lutas diárias. É a personalidade que se afirma. Na tradição é a relação do cliente com a situação, e que eu renominei para a personalidade.

Na versão mitológica:
O jovem guerreiro, aquela porção da personalidade que se ergue para enfrentar a situação.

Posição 8 – Vênus

É o planeta da valorização do amor e da beleza, e da capacidade de atrair, seduzir e encantar de todas as formas. Simboliza também as aspirações mais elevadas do espírito, bem como a inspiração artística que o outro e o mundo ao redor nos trazem. Corresponde bem, a meu ver, ao significado original dessa posição na Cruz Celta onde é vista como o meio ambiente, ou seja, as coisas e pessoas que cercam o consulente no momento. Chamo esta posição de relações íntimas e a expressão do afeto, que combina os atributos venusianos com os do significado original.

Na versão mitológica:
A casa da donzela, ou a casa do amor, onde o amor se expressa na trama do momento, e o modo como se apresenta.

Posição 9 – Mercúrio

Planeta que leva o nome do antigo mensageiro dos deuses, e que rege as funções elementares do intelecto, como a fala, a escrita, e todas as formas de comunicação que estão sob sua égide. O ensino e o aprendizado também são regidos por ele que assinala a ânsia da mente em aprender, e partir para o próximo estágio levando consigo o que apreendeu de sua lição. Na origem essa posição é a dos medos e esperanças, o que combina bem com o idealismo mercuriano e o seu medo de perdê-lo! Renominei para o aprendizado, visando a absorção da consciência das lições do momento, o que impulsionará seu crescimento.

Na versão mitológica:
O mensageiro, algo a ser observado e apreendido para vencer a crise que se apresenta (o dragão).

Posição 10 – Netuno

Com o nome do deus dos mares romano, Netuno simboliza a dissolução das crenças do ego para que a consciência perceba a sua conexão com um plano maior das coisas, da vida ou mesmo de Deus. É o planeta onde todos os caminhos se encontram, e onde a conexão entre tudo se faz, mas só uns poucos místicos recebem essa visão! Na tradição é a posição do desfecho, da resposta à questão. Eu a renominei como a síntese, ou seja, a ideia ou o contexto intrínseco que une o sentido de todas as vivências, e ao ser absorvida supera as crises e dá significado ao momento.

Na versão mitológica:
O encantamento, é a magia ou a maldição que envolve o momento, e que deve ser abraçada ou desfeita.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Que Tipo de Tarólogo Você É?

O tarot e as múltiplas formas de percepção de
suas imagens arquetípicas...

Em seu livro O Tarot – Uma História Crítica, Cynthia Giles cita outra autora, Mary K. Greer, em seu livro Tarot Mirrors em que identifica quatro processos fundamentais numa de leitura do tarot sugerindo que cada leitor recorrerá a dois ou três deles em mais ou menos grau, geralmente com o predomínio de um deles, que são:
Analítico: Análise das correspondências entre símbolos e significados para determinar a sua relevância.
Psíquico: Uso intuitivo da “visão” interior e de “sentimentos” sensoriais sutis para conhecer as coisas.
Terapêutico: Ajuda o consulente a descobrir os significados, opções e objetivos pessoais.
Mágico: Afirma a habilidade do consulente de criar o que ele considera de valor.
Segundo Greer o leitor analítico seria o mais dependente das cartas utilizando-as como se fosse uma linguagem simbólica ou um alfabeto psíquico. O leitor terapêutico também tem uma estreita relação com as cartas, mas as utiliza como uma forma de entabular um diálogo com o cliente, algo como: “O que esta carta lembra a você?”. Os leitores psíquicos são os que menos se utilizam das cartas diretamente, e costumam se utilizar do processo de embaralhamento e de distribuição das cartas como um meio pelo qual acessam seu próprio psiquismo interior. Já o leitor que se utiliza do método mágico usa as cartas no que Giles chamou de um meio parcial, porque sua organização é colocada sob um ponto de vista específico, onde as cartas são selecionadas e arrumadas em termos de revelar oportunidades de mudança e crescimento. Por essa visão de Greer eu seria um leitor predominantemente analítico e mágico... Esses modos de se ver a leitura do tarot são todos psicológicos e intimamente ligados aos quatro tipos básicos da psicologia junguiana. O método analítico corresponderia ao tipo pensamento, o método psíquico ao tipo sensibilidade, o terapêutico ao tipo intuição e o método mágico ao tipo sensação. Bem, com todo o respeito ao trabalho de Greer e mais ainda ao de Giles, acho que essas breves relações não explicam quase nada e pouco te a ver conosco, habitantes do Hemisfério Sul deste planeta, tão influenciado pelo sensível elemento água. A partir disso fiz uma relação dos quatro métodos de leitura que considero mais consistentes com tudo que vi e conheci através de colegas e, sobretudo, de alunos que se entregaram em leituras para outras pessoas na minha presença durante as práticas em grupos de estudo ou em casos que me trouxeram devidamente apontados em suas agendas ou cadernos de estudo! A própria Giles diz que o estilo de leitura está muito além de uma questão de escolha ou de personalidade como sugere Greer, já que o tarot possui um inegável componente metafísico que torna sua aplicação algo para além do controle da vontade humana. O que concordo plenamente.
Apresento a seguir uma avaliação minha dos quatro métodos possíveis de leitura do tarot segundo minha própria experiência como leitor e professor, e também como estudante em troca permanente com outros tarólogos:


Cada intérprete do simbolismo dos arcanos possui uma
"assinatura" própria no modo como traduz suas mensagens,
e isso se de modo muito fluente e com frequência

fora do controle do próprio leitor...

1º O Tipo Analítico (Elemento Ar): Esse é o tal que enterra a cara nos livros, que sabe citar autores e datas de publicação, e que defende com argumentações bem fundamentadas as abordagens do tarot, em suas muitas e possíveis aplicações. O leitor analítico desconfia da própria intuição, pois considera o processo psíquico instável e altamente influenciado pelo ambiente que cerca o próprio leitor, como as oscilações da vida pessoal e familiar, a movimentação e o humor de pessoas ao redor dele, etc. Ele confia nos seus estudos, e faz deles seu principal suporte nas leituras. Por possuir uma intensa carga mental, é bem comum que as sessões de leitura do tarot sejam bem desgastantes para eles, geralmente falam demais, exemplificam, e fazem muitas e inúmeras recomendações, desde as terapêuticas às literárias. Não é incomum também que eles tenham a tendência a tornar as leituras algo “controlável”, trabalhando com significados bem definidos dos arcanos e refletindo, por exemplo, sobre as possíveis interpretações dos significados de cada arcano em determinada posição de um sistema de jogo de sua preferência! Sua análise depende totalmente de sua interação com as cartas.

2º O Tipo Psíquico (Elemento Água): Esse costuma ser o que mais impressiona as pessoas por conseguir “ver coisas” que não são necessariamente sugeridas pelo simbolismo das cartas como nomes, datas precisas de acontecimentos, descrições físicas exatas de pessoas, etc. O tipo psíquico possui pouca relação ou conhecimento do simbolismo do tarot, as suas imagens arquetípicas servem apenas para despertar nesse leitor o seu psiquismo interno, e talentos mediúnicos como clarividência e ou clariaudiência, alguns até amparados por entidades espirituais. As leituras psíquicas costumam girar em torno de coisas e fatos exteriores ao consulente, como pessoas do seu meio comum de convivência, no trabalho, na família, amigos, e também viagens, propostas, promoções... É muito comum também que esse tipo de leitor não se atenha muito ao que cada pessoa pode fazer para mudar sua situação, muitos parecem crer com sua experiência e observação que as coisas simplesmente acontecem, e que cabe a nós tirar o melhor de cada evento... Tem aqueles que se utilizam de recursos mágicos, místicos e ou mesmo espirituais para tentar auxiliar seus clientes a passar pelo que lhes reserva o futuro. Coisas como orações, magias e rituais de todo tipo.


3º O Tipo Intuitivo (Elemento Fogo): Assim como o tipo analítico o intuitivo tira todo o seu processo de análise da relação com as cartas, menos de uma perspectiva racional e mais de uma interação com o cliente, e na observação das reações deste aos arcanos e suas respostas emocionais a eles. Nesse processo não é nada incomum que o significado das cartas deem “saltos” de abrangência para esse leitor. Para ele o simbolismo das cartas é plástico, e se molda a cada experiência de leitura conforme cada pessoa que se consulta com ele. Suas sessões de tarot se parecem muito com uma consulta a um psicoterapeuta ou a um filósofo espiritualista. A sua atenção muito comumente está voltada para que o cliente veja a sua experiência sob outro enfoque ou perspectiva, geralmente mais interior e psicológica, e que cresça com ela. É bem pouco interessado em previsões sobre o futuro. O tipo intuitivo de intérprete do tarot geralmente é simpático a práticas terapêuticas de autotransformação intensa, como Regressão de Memória, Meditação Dinâmica, Renascimento, Constelação Familiar, entre outras! Isso quando ele mesmo não se torna um terapeuta dessas técnicas holísticas.

4º O Tipo Sensitivo (Elemento Terra): Esse também se utiliza das cartas com uma perspectiva de crescimento ou desenvolvimento. Dentro dos sistemas de disposição de leitura que escolhem sempre há posições do jogo que simbolizam aconselhamento, aprendizado, desafios, crescimento, etc. De modo geral ele não exclui os eventos práticos da vida comum, e nem descarta a aplicabilidade da divinação. Percebem que na interação com os eventos mundanos revelam-se potenciais de grande relevância para o processo evolutivo de cada pessoa. Mesclam intuitivamente com mais frequência o trabalho oracular ao terapêutico, mas sempre visando uma aplicação prática das revelações feitas através das cartas do tarot. Podemos dizer, comparativamente, que este leitor está menos interessado nas influências culturais e do passado sobre a psique do consulente do que o tipo intuitivo, e menos focado nos eventos do futuro que o leitor psíquico. Sua análise parece mais dirigida para o agora e as possibilidades de atuação e transformação desse período de tempo na vida de cada indivíduo, baseado numa forte crença interior da possibilidade de se mudar a realidade através da compreensão dos eventos e da atuação sobre eles.

Olhando para essa relação eu me identifico fortemente com alguns aspectos do tipo analítico, como em sua pesquisa e definição do simbolismo dos arcanos. Encontro-me totalmente identificado com o tipo sensitivo, e com o leitor intuitivo apenas na abordagem terapêutica dos arcanos. Atualmente não possuo nada, ou muito pouco, de um leitor psíquico... E você, que tipo de tarólogo você é?

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

De Onde Vem as Revelações do Tarot...?


Um tarólogo só revela aquilo que as cartas mostram, são elas as mensageiras do seu inconsciente na conexão com o Grande Inconsciente Coletivo da humanidade! O tarólogo é um intérprete sensitivo que alia ao seu conhecimento dos arcanos a sua intuição, para aprofundar a conexão simbólica entre as imagens arquetípicas ali representadas e traduzi-las, mas não vem dele as revelações...! Quem consegue ver para além do que mostram os arcanos são os videntes, que poderão, ou não, se utilizar de um sistema oracular! Ainda assim ele mesmo, o vidente, é só um canal por onde passam essas informações...


- Jaime E. Cannes

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Formulando Perguntas ao Tarot

Eis uma prática bem usual nas leituras de tarot, e que ainda assim pode ser vista sob uma perspectiva bem enganosa. Podemos perguntar qualquer coisa ao tarot? Sim, minha experiência tem mostrado que sim. *Hajo Banzhaf diz que qualquer pergunta pode ser formulada às cartas, mas assinala também que uma coisa que o tarot não pode fazer é responder sucintamente SIM ou NÃO a uma indagação. Pois que seu simbolismo sempre se desdobra em reflexões ou revelações de motivos ou sentimentos subjacentes às vivências do momento. Eu concordo, mas o que aparentemente soa como uma limitação, a mim parece mesmo uma boa vantagem.
Há necessidade de formular com clareza uma pergunta ao tarot? Bem, aí começa um ponto que controvérsias se farão presentes. Uns dirão que não há necessidade disso, de que a inteligência que opera no tarot é a da Inconsciente Coletivo, e de que tudo está revelado em algum nível da consciência (ou do subconsciente) de quem indaga ao oráculo! Em parte concordo com tudo isso, porém, destaco dois fatores bem importantes: 1º) É preciso que o consulente exerça sua confiança no leitor, este também é um trabalho de entrega do consulente, e um tempo para ele ouvir a si mesmo, e é no momento de trazer as perguntas que essa ouvidoria própria se dá. 2º) É fundamental que o intérprete dos arcanos exercite a sua percepção intuitiva, aliando-a a tudo o que ele estudou ao longo de sua jornada formativa, simples assim! Faz-se fundamental que ele ajuste a pergunta ao simbolismo dos arcanos retirados no processo, e os conecte intuitivamente ao significado das casas das diferentes disposições que são utilizadas à medida que a entrevista avança. Cada disposição escolhida representa o aprofundamento numa questão, seja de autoconhecimento, prognósticos, orientação estratégica e aconselhamento, relacionamentos etc. Costumo dizer que nas minhas consultas vale a regra: quanto mais precisa a pergunta, mais precisa a resposta. Por outro alado, quando mais ampla a questão formulada tanto mais ampla, e, portanto difusa, será a resposta obtida.
Certa vez fui chamado para fazer um evento esotérico num clube grande da cidade, era um sábado inteiro de atividades, e com a presença de profissionais de várias áreas do holismo e da interpretação de oráculos. Como não podia estar presente recusei, mas a organizadora que contatou comigo perguntou se eu tinha alguém de minha confiança que pudesse indicar, e eu o fiz. Tinha um aluno meu com longos anos de estudo da tarologia, antes mesmo de fazer um curso comigo, e que estava mais do que disposto a testar suas habilidades interpretativas com pessoas totalmente estranhas num evento como esse. Ele aceitou de pronto, e ao retornar perguntei como havia sido a experiência. Parecia bem frustrado, e confessou que achava não ter feito um bom trabalho. Trouxe o relato de uma senhora que pediu para ele abrir os arcanos porque ela queria saber dos filhos. Ele então pediu para ela tirar as cartas e quando abriu a leitura disse que claramente o tarot indicava que aquela mulher estava vivendo demais a vida dos filhos, e que estava na hora de voltar-se mais para sua própria vida e ocupar-se de si. Prontamente a senhora reagiu dizendo: “Mas não foi isso que perguntei!”. 
A Cruz Celta, um método bem flexível,
que tanto serve para leitura geral,
quanto para responder questões
formuladas ao tarot.
Entendem o que digo quanto a importância de se deixar bem claro o que se deseja saber? Eu o confortei dizendo que na verdade ele tinha feito, muito provavelmente, uma leitura bem acertada. Convenhamos que não estava evidente o que ela queria saber, e ao deixar ampliada a sua pergunta ela acabou abrindo espaço para que a sabedoria do seu inconsciente se manifestasse, e ela ouviu o que precisava e não o que queria! E, quase sempre, o que se precisa ouvir não corresponde exatamente ao que se quer ouvir! A necessidade de se dirigir objetivamente ao um oráculo parece bem clara para mim. A dubiedade que algumas pessoas dizem haver nos oráculos, e imortalizada na obra MacBeth de William Shakespeare, mora na verdade é dentro de quem formula a pergunta e não de quem responde, desde que seja este alguém realmente talhado e experimentado nesse ofício. Somos intérpretes, lemos o que se apresenta, e exatamente por isso que devemos orientar as pessoas que nos procuram a como formular uma questão ao tarot. Muitas vezes só cabe mesmo uma avaliação mais panorâmica, tipo ver o plano geral de um setor da vida. Isso ajuda a se ter uma ideia abrangente de onde a pessoa veio e para onde se dirige em linhas gerais. Algo como saber a situação da vida econômica e ou financeira etc. Entretanto, ao se buscar orientações estratégicas ou de autoconhecimento para se lidar com as situações, é importante que se seja claro e, mais ainda, específico!

Testando o Tarot


Algumas pessoas têm por hábito testar as próprias habilidades interpretativas de ler tarot com um estranho teste. Costumam pedir para que amigos e pessoas de sua convivência formulem perguntas mentalmente, mas sem lhes dizer do que se trata, a partir disso pedem para se retirar algumas cartas, algo entre 1 e 3. Passam então a interpretar a simbologia dos arcanos em suas combinações, enquanto aquele que faz a consulta fica encaixando o que é dito com o que de fato acontece na sua vida, ou de como percebe o momento e os possíveis desenlaces. Algumas vezes isso funciona tão precisamente que assusta a todos, outras vezes ficam com a sensação de que chegou bem perto, o que também soa de modo espantoso! Não vejo nenhuma vantagem nesse processo, ao contrario! Vejo muitas desvantagens. A primeira delas é que o leitor fica tateando no escuro, dissertando sobre os muitos possíveis significados da carta na posição em que caiu, sem exercitar aquele encaixe intuitivo do arcano com sua posição no jogo, e mais as próprias percepções intuitivas do tarólogo. Isso é a arte de ler tarot. Sem falar que a tentação de se deixar a tarologia de lado para se utilizar da “achologia” é bem grande! Logo se começa a querer encaixar coisas que se sabe sobre a pessoa em consulta, ainda que vagas, com o significado das cartas... Ou seja, um lado embusteiro da personalidade pode se manifestar, ainda que de modo inconsciente! Outro aspecto que considero potencialmente perigoso é o de deixar que aquele que se consulta encaixe ao seu bel prazer e disposição as respostas obtidas. As pessoas possuem a tendência a direcionar informações subjetivas conforme suas próprias crenças. Essa prática pode facilitar em muito a projeção de fantasias escapistas, autoengrandecedoras, ou mesmo mórbidas nas respostas. O leitor, por não saber o que foi perguntado, deixa livre o campo da fantasia e das invencionices do ego para se manifestarem na consulta... 

*As Chaves do Tarot
Editora Pensamento. 
São Paulo, 1995.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Cuidados com o Baralho II

Lembrando que: Um baralho energizado não é igual a um baralho imundo...!

Olhem o estado dessas cartas...! Costumo perguntar aos meus alunos, que possuem faixa etária próxima da minha, se eles se lembram das antigas cartomantes que passavam uma vida toda com o mesmo baralho, e pergunto se lembram do fato de a grande maioria delas ter pelo menos uma das unhas dos dedos acinzentada... E, sim a maioria lembra! Adivinha? Era fungo! Papel é material orgânico, junta bactérias e elas podem sim dar fungos, por isso todo cuidado é pouco. É possível manter um baralho com as marcas do tempo, que afinal são os testemunhos da sua jornada, mas inteiramente limpo! Uso o mesmo baralho nas minhas leituras há 11 anos, e nem de longe se parece com as imagens que apresento a seguir.
Como eu digo no meu artigo anterior:
"Os baralhos, assim como nós, envelhecem. Não há como evitar que fiquem amarelados ou que suas cores descasquem, isso é natural! A própria fricção causada pelo ato de embaralhar mais a umidade natural do ambiente causam isso. Porém, como nós, ele podem e devem envelhecer com dignidade!"

Obs: Clique nas imagens para vê-las em tamanho natural


Esse deve ter sido passado inúmeras na fumaço do incenso para 
limparas vibrações densas, e com isso o carvão do incenso 
entranhou deixando essa aparência nojenta. 
Com certeza nunca foi limpo
com um pano úmido.


Esse tá impregnado com a sujeira do tempo mesmo, também 
nunca foi lavado com um pano umedecido em água mineral 
como faço com os meus... O resultado é esse!


Nem precisaria de legenda, essa imagem fala por si mesma...


Esse baralho é o mesmo que vimos em forma de mandala,
aqui vemos as imagens (e a sujeira) sob outro ângulo!

Leia também o texto original: Cuidados com o Baralho

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

A Interpretação do Tarot...


"...É uma arte intuitiva que pode ser desenvolvida e aprimorada, mas não pode ser "criada"! Sim, temos todos intuição, mas nem por isso todos conseguem pensar abstrata ou simbolicamente. Assim como todos temos razão, e nem por isso todos são capazes de pensar lógica ou cientificamente..."

- Jaime E. Cannes 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Aviso aos Navegantes...


Eis dois textos que postei no Facebook nos dias 09/07/2017 e 10/07/2017, sobre a doutrina do "modo certo e errado" de ler o Tarot, que ainda persiste nas redes sociais pelo Brasil a fora...

I

Ninguém é "meio tarólogo" só porque prefere fazer leituras se utilizando apenas dos arcanos maiores...! Isso vem do processo intuitivo de cada um e, portanto, é profundo, pessoal e intransferível! Já vi tarólogos fazerem descrições profundas usando este método, enquanto outros experts na utilização de todas as lâminas não chegaram nem perto...
Atualmente utilizo os setenta e oito arcanos misturados nas sessões presenciais de Tarot, mas por muitos anos fiz leituras só com os maiores, porque era apaixonado por um certo baralho que tinha mesmo apenas os vinte e dois trunfos. E, nas consultas online, ainda prefiro proceder deste modo!
Claro que aconselho a quem assumir o papel de professor de Tarot, que tenha sim um bom conhecimento e prática na interpretação dos dois conjuntos (maiores e menores) na lida com a tarologia. Afinal, você não pode levar o outro, com segurança, onde você mesmo nunca esteve, não é verdade?
II

Em função das respostas, dúvidas e colocações sobre a postagem do dia anterior, achei pertinente citar três princípios que considero fundamentais para quem está estudando o Tarot:

1° Entenda que NÃO EXISTE o jeito certo ou errado de se ler Tarot. E tão pouco o melhor método de leitura. Portanto se seu professor o ensinou que o melhor método de disposição das cartas é o americano, que mistura os arcanos maiores e menores, ou pelo contrário, que o melhor mesmo é o método europeu que separa arcanos maiores e menores nas leituras, e que um bom tarólogo usa sempre todos os arcanos sobre a mesa... Ou pelo contrário, se ele diz que não existe isso de arcanos menores, que toda a verdade está apenas nos vinte e dois trunfos, entenda que isso NÃO É uma verdade absoluta sobre o Tarot! Trata-se da visão do seu professor, baseada nas experiências e vivências dele. Elas devem ser consideradas sim, mas não devem inibir você de fazer suas experiências, e testar todas as formas e métodos de leitura! Você tem o direito de formar sua própria visão de tarologia!

2° Da mesma forma saiba que NÃO HÁ o melhor sistema de disposição das cartas! Não importa se disseram a você que a Mandala Astrológica é o mais abrangente, ou de que a Cruz Celta é o mais preciso... As leituras de Tarot são formas de ampliação da consciência tanto para leitores quanto para consulentes. A forma de disposição das cartas é o caminho pelo qual essa experiência se dará, portanto não pode ser imposta por regras ou convenções, simplesmente porque não faz sentido! Todo o trabalho dentro do mundo dos símbolos é de cunho intuitivo, e como já disse antes, é, portanto pessoal, profundo e intransferível! Daí vem o terceiro conselho...

3° Aprenda TUDO sobre Tarot, teste tudo também! Uma coisa é você deixar de fazer porque é um ignorante sobre o tema, ou que se deixou levar pela experiência, ou mesmo pela ignorância ou visão estreita de um outro professor ou autor. Outra coisa é ser alguém que explorou todas as possibilidades e acabou escolhendo as que melhor se adaptavam à sua visão de vida, intelectual e espiritual. No futuro, se escolher se tornar um professor de tarologia, lembre-se de dar a mesma liberdade ao seu aluno, estimule-o a testar outros métodos e sistemas conjuntamente aos que você ensinou. Afinal, não se trata mais só de você, mas da trajetória de outra pessoa... Seu dever é dar sim uma formação consistente e completa, mas também o de estimular a pesquisa interior e intuitiva, tanto quanto a racional e objetiva.