quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Sobre a Formação do Tarólogo



Tarologia não é achologia! Só estudar o simbolismo dos arcanos quanto ao seu significado divinatório não torna alguém um tarólogo decente! É preciso estudar mitologia, psicologia, princípios herméticos, teosofia, cabala e relacionar isso com o simbolismo das cartas. Os arcanos do tarot são cosmogônicos, em seu arcabouço cabem todos esses conhecimentos que permitem abordar a multiplicidade das vivências humanas de modo preciso e profundo... A formação de um tarólogo não se concluiu em um ano ou dois, mas segue continuamente até que se sinta o sinal interior de que se está pronto para abrir as cartas para outra pessoa, e nosso estudo e formação segue pela vida a fora... Cursos de tarot são INICIAÇÕES, a formação é um processo atemporal e até mesmo vitalício!


- Jaime E. Cannes.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Revisando o Reiki...


Deparei-me, para minha total surpresa, com essas perguntas num site americano sobre temas holísticos. Não houve resposta a nenhuma delas. Era um entrevista onde um praticante de xamanismo questionava a eficiência do reiki como um tratamento terapêutico da Nova Era. Decidi compartilhar isso com os meus leitores, e responder a essas perguntas tendo como base meus exatos vinte anos de prática reiki.

O método de tratamento e iniciação Reiki não é simples demais?

Não entendo porque a simplicidade seria motivo para a desconfiança da eficiência da técnica reiki de terapia. A simplicidade é o fluxo das coisas. Quando tudo parece correr bem, costumamos dizer que foi simples... Não no sentido de medíocre, mas no sentido de natural, fácil, ou bom... Ou tudo isso junto! Por que uma técnica terapêutica de relaxamento, centramento e abastecimento de energia vital deveria ser complexa? Isso lhe daria mais seriedade? No taoismo se diz que quanto mais próximos estamos do fluxo da natureza mais estamos centrados no Tao (o Todo). A simplicidade é o fluxo da natureza, e a natureza é simples em sua expressão, não importando o quão complexa seja sua estrutura interior. O reiki é assim.

O fluxo da energia Ki presente em todo o Universo é contínuo,
livre e simples em sua expressão e manifestação.

Parece-me que as pessoas que só se sentem aptas depois de muitos meses, ou anos de preparação, estão mais preocupadas com a recepção dos outros, com o que vão dizer... Ou seja, estão dominadas pelo ego! Querem bater no peito dizendo “eu sou habilitado porque suei para ter isso!”... Para muitos isso é incrível, não? Nossa cultura dá muita importância ao esforço e ao sofrimento. Mas será mesmo que precisa tanto esforço para se tocar sinceramente alguém e compartilhar com ele a energia vital do Universo? A simplicidade da prática reiki é que viabiliza que ele seja também um caminho meditativo e espiritual. O reiki não envolve a compreensão de complexos sistemas simbólicos, aforismos milenares, cálculos e interpretação de nada! Reiki é a troca de energia vital Universal entre duas pessoas de modo eficiente e seguro para ambos. A sintonização, ou iniciação, reiki cria condições para essa eficiência e segurança desde que praticada por um Mestre habilitado.

As iniciações em Reiki não são “rápidas” demais?

Exatamente por ser de natureza simples o reiki não requer longos ritos de iniciação. Por isso que seus procedimentos iniciáticos também são chamados de “sintonizações”, o que significa que o iniciado é sintonizado ao fluxo da corrente Universal de energia Ki que percorre o nosso mundo assim como todo o Universo. E é, a partir disso, capaz de compartilhar essa energia com outras pessoas, ou mesmo de iniciá-las, no caso de ele ter sido iniciado no Mestrado.

Justamente a simplicidade do reiki é que faz com que
o seu nível I seja acessível até mesmo a crianças!
Qualquer um pode se tornar um terapeuta Reiki logo após a iniciação no nível básico?

Sim, pode sim. No nível I de reiki (básico) o iniciado não recebe símbolos, mas os têm colocados em seu campo energético. Assim ele pode transmitir a energia vital a partir do toque de suas mãos. Ele precisa estar presente para passar a energia Ki Universal. Somente após a iniciação no nível II é que será possível mover essa energia através do tempo e do espaço, podendo assim enviar reiki para pessoas distantes ou para situações no passado ou no futuro. A prática constante é que torna um reikiano mais habilitado e alinhado com o processo terapêutico desse sistema de tratamento. Quanto mais prática, mais centramento, serenidade interior, domínio sobre a própria mente, abertura íntima e ampliação da percepção intuitiva.

Qualquer um pode se tornar um Mestre Reiki?

A única coisa que uma pessoa precisa para se tornar um Mestre Reiki é querer isso! Porém, seria ideal que ela tivesse um propósito maior nesse Mestrado. Seria interessante que suas intenções tivessem como suporte o desejo de divulgar a técnica tendo como motivação interior a confiança absoluta na prática como um sistema de harmonização, energização, relaxamento e desenvolvimento interior ou espiritual, tanto para si mesmo quanto para outros. O Mestrado de reiki não significa virar um Mestre para o mundo, mas sim para si próprio. Significa ser capaz de responder a seguinte questão: “O quanto o reiki acrescentou de fato à sua vida?”. Quanto mais essa resposta for verdadeira para o aspirante ao Mestrado mais apto ele se sentirá a assumir essa responsabilidade, a encarar os questionamentos, as dúvidas alheias e, sobretudo, às suas próprias dúvidas ao longo do caminho. Então respondendo mais objetivamente a essa pergunta... Sim, qualquer um pode ser sintonizado para se tornar um Mestre (nível III de reiki), mas poucos o serão de fato, e menos ainda de modo contínuo e persistente. 

domingo, 12 de junho de 2016

Tarot - Uma Janela para a Consciência



"Ler o tarot para alguém é abrir uma janela para dentro da vida do outro, e mais do que isso, é vislumbrar lá dentro o que faz as coisas acontecerem aqui fora... Por isso ler o tarot é uma oportunidade para quem se consulta de olhar a própria vida sob outro prisma, e para quem lê uma oportunidade de ampliar a sua própria percepção sobre a existência."


- Jaime E. Cannes.

terça-feira, 31 de maio de 2016

O Arcano Regente


A vida vista pelo tarot, um grande ciclo evolutivo
composto de muitos ciclos menores de desenvolvimento...
Uma das aplicações mais comuns na relação entre o tarot e a numerologia é o cálculo do ano de crescimento interior, ou arcano regente do ano. Que vem a ser a soma da data de nascimento de uma pessoa mais o ano do seu último aniversário. Um ciclo que dura exatamente um ano inteiro. Assim uma pessoa que fez aniversário em 14 de novembro de 2015 deverá proceder a seguinte soma 1+4+1+1+2+0+1+5 = 15 = 1+5 = 6. Nesse caso o arcano regente do tarot desta pessoa é O Diabo. Outro exemplo é a data 28 de dezembro de 2015 veja o que acontece de novo: 2+8+1+2+2+0+1+5 = 21 que corresponde ao vigésimo primeiro arcano do tarot, O Mundo! Entretanto, ainda existe, mais uma vez, a possibilidade de reduzir ainda mais esse número e 21 = 2+1 =3, que corresponde ao arcano de A Imperatriz. Então eis a questão? Qual dos dois arcanos vale afinal? Ao que respondo... Os dois! Nesses casos eu vejo o primeiro arcano como a grande proposta ou direção que o novo ciclo tomará, e o arcano resultante da soma final seria a essência ou causa última de todo o processo. No caso de O Mundo seria o fechamento de um ciclo onde grandes coisas seriam acabadas para dar espaços a outras de maior significado e relevância, seja interna ou factualmente. A Imperatriz nos diz que o novo ciclo teria como finalidade abrir possibilidades de expressão criativa, afetiva e, sobretudo, de encontro do prazer puro e simples como uma exaltação da vida! E no caso de O Diabo as vivências de paixão, poder e materialidade que a carta propõe são, na verdade, oportunidades para que se faça escolhas a partir da afetividade e das afinidades interiores, e se possa definir os verdadeiros caminhos para a sua realização, e quem são os verdadeiros aliados nessa senda... Representado aqui pelo arcano da essência Os Amantes, pois que 15 = 1+5 = 6. É evidente que essas análises que fiz aqui são frias e não dentro de um contexto real de leitura, onde poderiam tomar outras conotações!
O arcano regente indica a direção
que a consciência seguirá 
ao longo do novo ciclo. 
A Estrela XVII, do Maroon tarot.
Alguns tarólogos têm como costume somar o arcano regente antes da leitura ou mesmo antes da vinda do cliente. Eu prefiro calcular no final das leituras iniciais porque a mim parece que sua interpretação dá um fechamento interessante a tudo o que foi dito, complementando significativamente o sentido de todo o conjunto das vivências como foram relatadas através dos arcanos via o inconsciente do indivíduo!
O que fazer quando o arcano regente é “desdobrável” como, por exemplo, uma pessoa que fez aniversário em 9 de janeiro de 2016?  Veja que 9+1+2+0+1+6 = 19, arcano de O Sol. Este é um arcano que pode se desdobrar mais duas vezes, 19 = 1+9 = 10 e 10 = 1+0 = 1. Ou seja, O Sol pode ser desdobrado nos arcanos de A Roda da Fortuna e de O Mago. Como fica? Nesses casos eu não interpreto o arcano que fica no meio, A Roda da Fortuna (número 10), como sendo a essência do momento! Isso é uma revelação exclusiva dos arcanos de algarismos simples de 1 a 9 e ponto final. Essa sequência simples representa não só a origem de todos os outros números, como a base psíquica do homem em todas as suas demais manifestações. E também porque em outro momento esta pessoa poderá ser regida pelo próprio arcano da Roda sem intercalar com O Sol novamente! Então que fique claro que O Mago, nesse caso, é a essência para onde a direção dos eventos do ano levam o indivíduo na senda do seu ciclo de desenvolvimento pessoal!

Antes ou Depois?

Resta então a pergunta: O que é mais válido, conhecer o regente do ano antes ou depois da leitura? Bem, como sempre defendo, essa é uma questão muito pessoal e depende muito do processo intuitivo de cada um. Informações antecipadas do cliente me atrapalham, gosto de ir montando o quebra cabeça dos símbolos tarológicos com minha visão interior. Há, com certeza, aqueles para quem o reconhecimento antecipado do regente traz a assinatura de tudo o que o consulente traz em sua vida naquele momento e, para essas pessoas, isso pode representar um caminho mais seguro na interpretação dos arcanos, e na orientação a ser dada para quem o procura!  

sexta-feira, 15 de abril de 2016

No que o Tarot Pode e Não Pode Auxiliar Você...


O que o tarot PODE fazer por você:

- Relacionar questões que pareciam desconexas e revelar o propósito último dos acontecimentos.

- Sintetizar as principais vivências do momento e apontar as origens da crise!

- Sondar as influências do passado, desta e de outras vidas, e a lição a ser tirada dessas influências.

- Revelar as tendências para o futuro, e os caminhos para a conquista daquilo que se deseja realizar, ou os meios para evitar aquilo que não se deseja...

- Apontar as melhores técnicas terapêuticas para vencer seus desafios pessoais.

O que o tarot NÃO PODE fazer por você:

- Apontar soluções onde elas não existem.

- Revelar caminhos fáceis onde é preciso muito trabalho!

- Anular o fato de que você é responsável por sua vida e, portanto, o coautor da sua realidade, e que por isso pode ajudar a construir ou destruir as possibilidades de concretização de qualquer prognóstico.

- E, acima de tudo, as leituras de tarot não podem substituir a necessidade de você correr atrás dos seus sonhos, e colaborar consigo mesmo para que eles se tornem reais!

quinta-feira, 17 de março de 2016

Qual Tarot Você Usa?


O Diabo XV, Condicionamento, 
do Osho Zen tarot 
de Ma Deva Padma.
Por mais que se tenha explicado isso, e por mais irritante que seja essa pergunta, ainda há aqueles que a façam, e mais do que isto, a fazem com ares professorais! Como se quem não soubesse de nada é quem está sendo inquirido! Embora essa pergunta impertinente pareça merecer uma resposta assertiva do tipo: "O que interessa que baralho eu uso se afinal quem vai fazer a leitura sou eu?", a questão é mais profunda. Bem, então vamos lá... Exploro esse tema melhor no meu livro Tarot para a Autotransformação e a Cura, mas posso começar dizendo que todos os baralhos de tarot se originam de um mesmo baralho, concebido provavelmente na Idade Média, e que representava toda a sociedade e o mundo da época. Essa despretensão em tornar esse baralho um oráculo fez com que ele funcionasse como um instrumento projetivo das imagens do inconsciente de toda a humanidade em todos os tempos! O tarot de Marselha é o remanescente mais próximo desse conceito original de todos os baralhos que vieram a seguir. Mais adiante suas imagens foram “modernizadas” e também a expressão do seu simbolismo. 
O 5 de ouros do
1JJ Swiss tarot.
O 5 de ouros do
Rider-Waite tarot.
Uma excelente contribuição nesse sentido foi dada por Arthur Edward Waite ao lançar em 1910 o seu o Rider-Waite em que foram modificadas as representações usuais dos arcanos menores dos jogos medievais, como no cinco de ouros, por exemplo, que era apresentado friamente com cinco moedas desenhadas na carta. Foi então substituído por uma imagem dramática em que um casal de mendigos vaga pela neve sem sequer o amparo espiritual ou altruísta da igreja. De fato uma imagem mais condizente com os significados de perda, carência e debilidade deste arcano. A partir disso inúmeros baralhos de tarot começam a carregar em si as “releituras” de seus autores dos símbolos tradicionais dos tarots ancestrais, e do próprio trabalho de Waite. Inicia então a confusão! Os autores passam a enfatizar os significados que lhes parecem mais pertinentes ao simbolismo dos arcanos. Em meados do século XX o tarot ganha nuances psicológicas e logo há os que afirmam que ele é apenas um instrumento de investigação do inconsciente mais do que de divinação... Surgem os baralhos que são "destinados" ao trabalho de autoconhecimento.


A Saída das Sombras

As muitas releituras do simbolismo do tarot ampliaram as possibilidades
de interpretação de seus significados sem, no entanto, ter o poder
de fazer qualquer uma delas se tornar a visão definitiva, "verdadeira"
ou a única a ser considerada ou aceita.

Por um lado esse movimento ajuda a tirar do tarot os ares obscuros a que ele vinha sendo associado nos séculos anteriores, mas mudou muito da sua representação. Os autores ao enfatizar os significados aos quais eram mais simpáticos mudavam também sua representação artística. O que acabou fazendo com que muitos baralhos ao serem comparados entre si, ou a uma imagem clássica do tarot, não lembrassem em nada seu ancestral da Idade Média. Com a demanda do mercado por cada vez mais novidades na área da tarologia, que teve uma explosão nos anos 70 e 80 do século XX, aparecem os baralhos temáticos e multiculturais como o Xultún, o primeiro transcultural na verdade, o Mitológico, o Nórdico, Xamânicos de toda a espécie, Xintoísta, etc. Os livreiros para venderem seus produtos começam a descrever na capa de apresentação dos seus lançamentos coisas como: “O verdadeiro tarot da tradição”, “Um jogo transcendental”, “O tarot sagrado da Deusa”, e coisas assim. Aumentando ainda mais a confusão na cabeça de leigos tanto quanto na dos interessados no tema. Dias desses uma mulher me ligou pedindo informações sobre meus atendimentos (embora esteja tudo explicado no meu blog na página “Consultas”). Na verdade ela queria saber qual o baralho que eu usava nas minhas sessões. Respondi que usava já há muitos anos o tarot Zen, ao que ela complementou, “do Osho”? Sim respondi, ela seguiu com seu desfile de ignorância, mas com a entonação de uma grande conhecedora: “Mas esse tarot é mais para reflexão, não é? Não trabalha com o Crowley?”. Respirei fundo e tentei explicar para ela que eu já tinha trabalhado com uma miríade de baralhos diferentes, e que isso não interferia na leitura. Ela concluiu com um ar jocoso dizendo: “Ah tá, depois te ligo então pra marcar”. E nunca mais...! O mesmo tarot de Crowley que ela preferia é justo um dos que tem mais resistência das pessoas pelo mesmo tipo de ignorância quanto à linguagem simbólica.

O Thoth tarot, alvo constante tanto de ataques
quando de adoração... Ambas reações exageradas!

Conversando com uma pessoa interessada em tarot ela me disse que se sentia muito atraída por esse baralho, mas que amigos e conhecidos diziam para ela o evitar porque ele era denso, que o mago que o fez era um louco, viciado e devasso, e de fato era! Mas e daí? Todos os símbolos que compõem o Thoth tarot de Aleister Crowley não são dele. Crowley parecia obcecado pela ideia da grande Besta e das sombras, todos conceitos que nasceram com o monoteísmo e com a Inquisição. Os símbolos do pentagrama, dos chifres e do cetro, por exemplo, que aprecem inúmeras vezes nesse tarot, são pré-cristãos e, portanto, politeístas. Foram os inquisidores que viram no pentagrama invertido os chifres do diabo. Muito antes disso Pitágoras via nesse mesmo símbolo o homem em desequilíbrio. O que Crowley fez foi dar a sua visão sobre esse símbolo, o que não o limita de modo algum. Isso é impossível! O inconsciente reconhece os seus símbolos e responde a eles. O que pode ocorrer é o leitor se limitar por sua própria consciência obstruída por seus conceitos críticos equivocados, o que já não tem nada a ver com a tarologia!


A Linguagem Simbólica 
em sua Totalidade

A liberdade artística na criação de
baralhos foi tão longe que muitos
não lembram em nada o simbolismo
original do tarot como este: A Sacerdotisa II, 

do Wooden tarot de A.L. Swartz.
No Osho Zen tarot sua criadora, Ma Deva Padma, apresenta o arcano de O Diabo como um leão com pele de ovelha. Essa imagem se refere a uma antiga história zen em que um leão é criado com um rebanho de ovelhas e assim vive por anos, até que um dia um leão mais velho vendo aquilo se choca. Avança sobre aquele iludido que berra como uma ovelha assustada. O leão velho então o coloca de cara a um espelho d’água e o faz olhar para seu reflexo, dizendo: “Olha, você é isso, um leão! Não uma ovelha!”. Essa história alude aos condicionamentos em que muitos vivem, negando sua real natureza e potencial intrínsecos. Uma linda história e simbologia que nos faz ver que O Diabo do tarot tradicional também tem um lado lúdico e divertido que devemos explorar e brincar com ele. Que precisamos de nossa fera interior para realizar coisas, e que ela pode nos trazer muito prazer e diversão. Nem por isso deixo de ver nas leituras que O Diabo também representa muitas vezes servidão aos instintos inferiores, abuso de poder, malícia e maldade. O mesmo leão que simboliza força e nobreza, também é a imagem arquetípica dos instintos brutais da natureza humana, tão bem representado em histórias míticas mais antigas que a da tradição zen, como a do Leão de Nemeia da mitologia grega. Uma fera violenta e implacável que habitava uma caverna escura. A leitura feita por Deva Padma traz a tona um viés luminoso desse símbolo, mas de modo algum elimina sua totalidade arquetípica! E se eu me limitasse a ver esse arcano apenas como a autora o apresenta, faria também leituras limitadas!
Romper com os próprios
paradigmas pode ser
perturbador, mas também
libertador. A Torre XVI,
do Soprafino tarot.
Sendo assim reitero mais uma vez que NÃO IMPORTA O TAROT QUE VOCÊ USA, ou que qualquer tarólogo use, o que importa mesmo é o uso que se faz dele e a afinidade com suas imagens! Você pode fazer uma leitura puramente psicológica usando o tarot de Marselha, por exemplo. Como pode fazer previsões usando o Osho Zen tarot! Quem define isso é você, e não o autor do baralho e muito menos o livreiro que só queria mesmo é criar uma frase de efeito para vender seu produto. A propósito, eu mesmo faço prognósticos com o tarot Zen! Voltando ao exemplo do Thoth tarot, veja que seu criador era um homem obcecado pelo lado obscuro da magia e do poder. Curiosamente seu baralho foi usado como base para a abordagem terapêutica do tarot por autores como Gerd Ziegler, Veet Vivarta e Veet Pramad em seus respectivos livros: Tarot – Espelho da Alma, O Caminho do Mago – Uma Visão Contemporânea do Tarot e Curso de Tarot e seu Uso Terapêutico.  Todos excelentes, e que não possuem absolutamente nada da obscuridade de Crowley porque seus autores se detiveram na totalidade da visão simbólica, e não nas releituras do seu criador!
Por esse motivo é que muitos autores e professores de tarot, como eu, insistem para que se inicie a aprendizagem do tarot por sua linguagem clássica original, e depois se vá explorando as reinterpretações feitas por criadores de outros baralhos. Suas releituras sempre são enriquecedoras, mas não podem ser alienadas da origem simbólica do tarot do qual, enfim, todos descendem.  E você, que acha inteligente saber que tarot um tarólogo usa em seu trabalho, saiba que isso é um atestado de pura ignorância e preconceito que só mostra o quanto você ainda precisa estudar, refletir e ampliar sua visão interior sobre a simbologia, tanto quanto sobre as linguagens do saber oculto.