quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Formulando Perguntas ao Tarot

Eis uma prática bem usual nas leituras de tarot, e que ainda assim pode ser vista sob uma perspectiva bem enganosa. Podemos perguntar qualquer coisa ao tarot? Sim, minha experiência tem mostrado que sim. *Hajo Banzhaf diz que qualquer pergunta pode ser formulada às cartas, mas assinala também que uma coisa que o tarot não pode fazer é responder sucintamente SIM ou NÃO a uma indagação. Pois que seu simbolismo sempre se desdobra em reflexões ou revelações de motivos ou sentimentos subjacentes às vivências do momento. Eu concordo, mas o que aparentemente soa como uma limitação, a mim parece mesmo uma boa vantagem.
Há necessidade de formular com clareza uma pergunta ao tarot? Bem, aí começa um ponto que controvérsias se farão presentes. Uns dirão que não há necessidade disso, de que a inteligência que opera no tarot é a da Inconsciente Coletivo, e de que tudo está revelado em algum nível da consciência (ou do subconsciente) de quem indaga ao oráculo! Em parte concordo com tudo isso, porém, destaco dois fatores bem importantes: 1º) É preciso que o consulente exerça sua confiança no leitor, este também é um trabalho de entrega do consulente, e um tempo para ele ouvir a si mesmo, e é no momento de trazer as perguntas que essa ouvidoria própria se dá. 2º) É fundamental que o intérprete dos arcanos exercite a sua percepção intuitiva, aliando-a a tudo o que ele estudou ao longo de sua jornada formativa, simples assim! Faz-se fundamental que ele ajuste a pergunta ao simbolismo dos arcanos retirados no processo, e os conecte intuitivamente ao significado das casas das diferentes disposições que são utilizadas à medida que a entrevista avança. Cada disposição escolhida representa o aprofundamento numa questão, seja de autoconhecimento, prognósticos, orientação estratégica e aconselhamento, relacionamentos etc. Costumo dizer que nas minhas consultas vale a regra: quanto mais precisa a pergunta, mais precisa a resposta. Por outro alado, quando mais ampla a questão formulada tanto mais ampla, e, portanto difusa, será a resposta obtida.
Certa vez fui chamado para fazer um evento esotérico num clube grande da cidade, era um sábado inteiro de atividades, e com a presença de profissionais de várias áreas do holismo e da interpretação de oráculos. Como não podia estar presente recusei, mas a organizadora que contatou comigo perguntou se eu tinha alguém de minha confiança que pudesse indicar, e eu o fiz. Tinha um aluno meu com longos anos de estudo da tarologia, antes mesmo de fazer um curso comigo, e que estava mais do que disposto a testar suas habilidades interpretativas com pessoas totalmente estranhas num evento como esse. Ele aceitou de pronto, e ao retornar perguntei como havia sido a experiência. Parecia bem frustrado, e confessou que achava não ter feito um bom trabalho. Trouxe o relato de uma senhora que pediu para ele abrir os arcanos porque ela queria saber dos filhos. Ele então pediu para ela tirar as cartas e quando abriu a leitura disse que claramente o tarot indicava que aquela mulher estava vivendo demais a vida dos filhos, e que estava na hora de voltar-se mais para sua própria vida e ocupar-se de si. Prontamente a senhora reagiu dizendo: “Mas não foi isso que perguntei!”. 
A Cruz Celta, um método bem flexível,
que tanto serve para leitura geral,
quanto para responder questões
formuladas ao tarot.
Entendem o que digo quanto a importância de se deixar bem claro o que se deseja saber? Eu o confortei dizendo que na verdade ele tinha feito, muito provavelmente, uma leitura bem acertada. Convenhamos que não estava evidente o que ela queria saber, e ao deixar ampliada a sua pergunta ela acabou abrindo espaço para que a sabedoria do seu inconsciente se manifestasse, e ela ouviu o que precisava e não o que queria! E, quase sempre, o que se precisa ouvir não corresponde exatamente ao que se quer ouvir! A necessidade de se dirigir objetivamente ao um oráculo parece bem clara para mim. A dubiedade que algumas pessoas dizem haver nos oráculos, e imortalizada na obra MacBeth de William Shakespeare, mora na verdade é dentro de quem formula a pergunta e não de quem responde, desde que seja este alguém realmente talhado e experimentado nesse ofício. Somos intérpretes, lemos o que se apresenta, e exatamente por isso que devemos orientar as pessoas que nos procuram a como formular uma questão ao tarot. Muitas vezes só cabe mesmo uma avaliação mais panorâmica, tipo ver o plano geral de um setor da vida. Isso ajuda a se ter uma ideia abrangente de onde a pessoa veio e para onde se dirige em linhas gerais. Algo como saber a situação da vida econômica e ou financeira etc. Entretanto, ao se buscar orientações estratégicas ou de autoconhecimento para se lidar com as situações, é importante que se seja claro e, mais ainda, específico!

Testando o Tarot


Algumas pessoas têm por hábito testar as próprias habilidades interpretativas de ler tarot com um estranho teste. Costumam pedir para que amigos e pessoas de sua convivência formulem perguntas mentalmente, mas sem lhes dizer do que se trata, a partir disso pedem para se retirar algumas cartas, algo entre 1 e 3. Passam então a interpretar a simbologia dos arcanos em suas combinações, enquanto aquele que faz a consulta fica encaixando o que é dito com o que de fato acontece na sua vida, ou de como percebe o momento e os possíveis desenlaces. Algumas vezes isso funciona tão precisamente que assusta a todos, outras vezes ficam com a sensação de que chegou bem perto, o que também soa de modo espantoso! Não vejo nenhuma vantagem nesse processo, ao contrario! Vejo muitas desvantagens. A primeira delas é que o leitor fica tateando no escuro, dissertando sobre os muitos possíveis significados da carta na posição em que caiu, sem exercitar aquele encaixe intuitivo do arcano com sua posição no jogo, e mais as próprias percepções intuitivas do tarólogo. Isso é a arte de ler tarot. Sem falar que a tentação de se deixar a tarologia de lado para se utilizar da “achologia” é bem grande! Logo se começa a querer encaixar coisas que se sabe sobre a pessoa em consulta, ainda que vagas, com o significado das cartas... Ou seja, um lado embusteiro da personalidade pode se manifestar, ainda que de modo inconsciente! Outro aspecto que considero potencialmente perigoso é o de deixar que aquele que se consulta encaixe ao seu bel prazer e disposição as respostas obtidas. As pessoas possuem a tendência a direcionar informações subjetivas conforme suas próprias crenças. Essa prática pode facilitar em muito a projeção de fantasias escapistas, autoengrandecedoras, ou mesmo mórbidas nas respostas. O leitor, por não saber o que foi perguntado, deixa livre o campo da fantasia e das invencionices do ego para se manifestarem na consulta... 

*As Chaves do Tarot
Editora Pensamento. 
São Paulo, 1995.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Cuidados com o Baralho II

Lembrando que: Um baralho energizado não é igual a um baralho imundo...!

Olhem o estado dessas cartas...! Costumo perguntar aos meus alunos, que possuem faixa etária próxima da minha, se eles se lembram das antigas cartomantes que passavam uma vida toda com o mesmo baralho, e pergunto se lembram do fato de a grande maioria delas ter pelo menos uma das unhas dos dedos acinzentada... E, sim a maioria lembra! Adivinha? Era fungo! Papel é material orgânico, junta bactérias e elas podem sim dar fungos, por isso todo cuidado é pouco. É possível manter um baralho com as marcas do tempo, que afinal são os testemunhos da sua jornada, mas inteiramente limpo! Uso o mesmo baralho nas minhas leituras há 11 anos, e nem de longe se parece com as imagens que apresento a seguir.
Como eu digo no meu artigo anterior:
"Os baralhos, assim como nós, envelhecem. Não há como evitar que fiquem amarelados ou que suas cores descasquem, isso é natural! A própria fricção causada pelo ato de embaralhar mais a umidade natural do ambiente causam isso. Porém, como nós, ele podem e devem envelhecer com dignidade!"

Obs: Clique nas imagens para vê-las em tamanho natural


Esse deve ter sido passado inúmeras na fumaço do incenso para 
limparas vibrações densas, e com isso o carvão do incenso 
entranhou deixando essa aparência nojenta. 
Com certeza nunca foi limpo
com um pano úmido.


Esse tá impregnado com a sujeira do tempo mesmo, também 
nunca foi lavado com um pano umedecido em água mineral 
como faço com os meus... O resultado é esse!


Nem precisaria de legenda, essa imagem fala por si mesma...


Esse baralho é o mesmo que vimos em forma de mandala,
aqui vemos as imagens (e a sujeira) sob outro ângulo!

Leia também o texto original: Cuidados com o Baralho

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

A Interpretação do Tarot...


"...É uma arte intuitiva que pode ser desenvolvida e aprimorada, mas não pode ser "criada"! Sim, temos todos intuição, mas nem por isso todos conseguem pensar abstrata ou simbolicamente. Assim como todos temos razão, e nem por isso todos são capazes de pensar lógica ou cientificamente..."

- Jaime E. Cannes 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Aviso aos Navegantes...


Eis dois textos que postei no Facebook nos dias 09/07/2017 e 10/07/2017, sobre a doutrina do "modo certo e errado" de ler o Tarot, que ainda persiste nas redes sociais pelo Brasil a fora...

I

Ninguém é "meio tarólogo" só porque prefere fazer leituras se utilizando apenas dos arcanos maiores...! Isso vem do processo intuitivo de cada um e, portanto, é profundo, pessoal e intransferível! Já vi tarólogos fazerem descrições profundas usando este método, enquanto outros experts na utilização de todas as lâminas não chegaram nem perto...
Atualmente utilizo os setenta e oito arcanos misturados nas sessões presenciais de Tarot, mas por muitos anos fiz leituras só com os maiores, porque era apaixonado por um certo baralho que tinha mesmo apenas os vinte e dois trunfos. E, nas consultas online, ainda prefiro proceder deste modo!
Claro que aconselho a quem assumir o papel de professor de Tarot, que tenha sim um bom conhecimento e prática na interpretação dos dois conjuntos (maiores e menores) na lida com a tarologia. Afinal, você não pode levar o outro, com segurança, onde você mesmo nunca esteve, não é verdade?
II

Em função das respostas, dúvidas e colocações sobre a postagem do dia anterior, achei pertinente citar três princípios que considero fundamentais para quem está estudando o Tarot:

1° Entenda que NÃO EXISTE o jeito certo ou errado de se ler Tarot. E tão pouco o melhor método de leitura. Portanto se seu professor o ensinou que o melhor método de disposição das cartas é o americano, que mistura os arcanos maiores e menores, ou pelo contrário, que o melhor mesmo é o método europeu que separa arcanos maiores e menores nas leituras, e que um bom tarólogo usa sempre todos os arcanos sobre a mesa... Ou pelo contrário, se ele diz que não existe isso de arcanos menores, que toda a verdade está apenas nos vinte e dois trunfos, entenda que isso NÃO É uma verdade absoluta sobre o Tarot! Trata-se da visão do seu professor, baseada nas experiências e vivências dele. Elas devem ser consideradas sim, mas não devem inibir você de fazer suas experiências, e testar todas as formas e métodos de leitura! Você tem o direito de formar sua própria visão de tarologia!

2° Da mesma forma saiba que NÃO HÁ o melhor sistema de disposição das cartas! Não importa se disseram a você que a Mandala Astrológica é o mais abrangente, ou de que a Cruz Celta é o mais preciso... As leituras de Tarot são formas de ampliação da consciência tanto para leitores quanto para consulentes. A forma de disposição das cartas é o caminho pelo qual essa experiência se dará, portanto não pode ser imposta por regras ou convenções, simplesmente porque não faz sentido! Todo o trabalho dentro do mundo dos símbolos é de cunho intuitivo, e como já disse antes, é, portanto pessoal, profundo e intransferível! Daí vem o terceiro conselho...

3° Aprenda TUDO sobre Tarot, teste tudo também! Uma coisa é você deixar de fazer porque é um ignorante sobre o tema, ou que se deixou levar pela experiência, ou mesmo pela ignorância ou visão estreita de um outro professor ou autor. Outra coisa é ser alguém que explorou todas as possibilidades e acabou escolhendo as que melhor se adaptavam à sua visão de vida, intelectual e espiritual. No futuro, se escolher se tornar um professor de tarologia, lembre-se de dar a mesma liberdade ao seu aluno, estimule-o a testar outros métodos e sistemas conjuntamente aos que você ensinou. Afinal, não se trata mais só de você, mas da trajetória de outra pessoa... Seu dever é dar sim uma formação consistente e completa, mas também o de estimular a pesquisa interior e intuitiva, tanto quanto a racional e objetiva.

sábado, 22 de julho de 2017

O Tratamento Reiki à Distância...

Como Funciona?

1) O tratamento Reiki à distância substitui um tratamento presencial?

De forma alguma. O tratamento presencial permite uma interação psíquica e energética muito maior entre o terapeuta e o cliente, por isso deve sempre haver, de preferência, uma troca direta de transmissão da energia Ki.

2) Como isso é possível?

A energia Ki permeia todo o Universo, e o nosso mundo com todos os seus habitantes. Somos todos compostos dessa energia que sustenta a vida em todas as suas manifestações. Assim, ao enviarmos a força Ki para uma pessoa, através da utilização dos símbolos Reiki de tratamento, estamos movimento essa energia. Frequentemente eu a comparo com o próprio ar, nós não o podemos ver, e só o sentimos em ventanias ou quando acionamos os meios criados pelo nosso engenho para essa tarefa, como circuladores de ar e condicionadores que o movimentam e temperam respectivamente. Acontece algo semelhante ao nos utilizarmos dos símbolos dos níveis II e III para efetuar tratamentos à distância com o Reiki!

3) Quando posso me utilizar de um tratamento à distância?

Geralmente quando a pessoa não pode vir até o consultório, ou em casos de emergência, ou ainda quando ela nem sabe que precisa de ajuda por estar passando por algum momento de muita dificuldade...

4) Mas nesse caso isso não seria uma intervenção no livre arbítrio de uma pessoa que não nos pediu ajuda?

Não! É importante salientar que ninguém "controla" a energia Ki Universal, nós a canalizamos e a enviamos às pessoas interessadas, ela é uma energia inteligente que atua conjuntamente com nossos canais superiores de consciência. Temos todos uma parte superior de nossa consciência, que é conhecida como "Eu Superior", esta parte do nosso ser está sempre atenta a tudo o que serve ou não ao nosso processo evolutivo. Ela não está submetida à nossa mente egoica inferior. Quando recebemos a sintonização em Reiki nível I, é bem comum que os Mestres nos digam que cada um recebe apenas a quantidade de Reiki que estiver aberto a receber. O que é verdade...! Uns absorvem 100% da energia Ki emitida, outros 50%, outros ainda 10%... Por que então seria diferente num tratamento à distância?

5) É correto se cobrar pelo tratamento à distância?

Ninguém cobra pelo trabalho em si, seja ele qual for! A maioria dos profissionais leva em conta o tempo que despendido para tal tarefa. Eu não cobrava até bem pouco tempo, mas isso mudou quando os pedidos de Reiki para outras pessoas começaram a aumentar consideravelmente, e isso começou a me tomar cada vez mais tempo... Como não me utilizo de técnicas como a do caderno, ou da caixa Reiki, onde o nome de várias pessoas são colocadas conjuntamente, e assim é enviado periodicamente Reiki a todas elas... Eu trato pessoa a pessoa, escrevendo seus nomes num pedaço de papel e deixando entre as minhas mãos por um tempo entre 10 a 15 minutos de cada vez, por quatro dias. Costumo perceber coisas no campo energético e sutil enquanto transmito a energia Ki, que eu anoto e em seguida envio com as datas das transmissões via e-mail, numa espécie de relatório breve das aplicações... Costumo cobrar o valor de uma única sessão por esses quatro dias de aplicação de Reiki. Contudo, cada um deve estipular seu próprio método de trabalho e sentir se deve ou não cobrar por isso.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Sobre a Frequência Terapêutica

Eis uma questão muito frequente em consultórios de qualquer tipo de modalidade terapêutica, sejam elas holístico-vibracionais, ou convencionais. E essa semana me deparei muito com essa indagação: Qual a regularidade mínima recomendada para um tratamento? Minha resposta é: Pelo menos uma vez por semana! Algumas terapias recomendam até duas vezes por semana, principalmente as psicanalíticas! As terapias vibracionais não precisam de toda essa regularidade por se valerem de práticas e técnicas que atuam por um tempo maior nas pessoas. O reiki, por exemplo, tem seus símbolos que funcionam como tatuagens energéticas que ficam vibrando no corpo físico e nos corpos sutis de quem o recebe por mais alguns dias após a aplicação. O bem estar que a renovação da energia ki proporciona se faz sentir ainda ao longo da semana. Com a terapia floral é a mesma coisa, as questões levantadas nas sessões de terapia, e tratadas com os florais adequados, vão desabrochando, por assim dizer, nos dias que se seguem. Outras questões, entretanto, surgem e por esse motivo encontros com regularidade mais curta, tipo semanal, se fazem necessários! A tese das sessões semanais pode ser dividida em duas partes:
1º) Encontros quinzenais ou mensais (que me parecem ser impensáveis para se obter resultados satisfatórios) são longos e acumulam muito “material” a ser trabalhado. Vivências passadas que podem refletir questões levantadas na sessão, e o resultado das técnicas terapêuticas empregadas, podem ser esquecidas, passar despercebidos, ou serem “filtrados” pelo cliente enquanto se encaminha para sua consulta e vai selecionando no caminho o que é mais importante de tratar com seu terapeuta! Muitas vezes o que o cliente não toma como relevante vai se mostrar com muito sentido lá adiante, mas quando não é comunicado ficará sem sentido e fora do contexto para a avaliação do terapeuta... Como conectar e tratar o que não foi dito?
Leituras de tarot, ampliação da consciência através
das chaves simbólico/arquetípicas da alma...
2º) Um processo terapêutico pode durar de alguns meses a alguns anos, dependendo das questões levantadas e das intenções apontadas pelo próprio cliente. Então imagine que num processo de tratamento regular a terapia fosse durar um ano, se a frequência diminuísse para quinzenal esse tempo poderia ser facilmente dobrado, e se for desmembrado para um encontro mensal então... É evidente que estou falando de uma probabilidade média, e que muitas vezes a compreensão do cliente dá saltos quânticos, e vários meses podem ser sintetizados em algumas semanas. Isso, porém, depende de uma série de variáveis tanto de quem se trata quanto de quem trata. Da parte do cliente depende do seu nível de autoconhecimento e da sua busca interna antes de chegar àquele momento, do quanto suas questões vem sendo ignoradas antes do tratamento, bem como da profundidade da sua influência. Da mesma forma, por parte do terapeuta, depende do seu feeling, ou seja de sua capacidade de percepção do cliente, ou mesmo se ele se utiliza de algo mais profundo e impessoal que suas percepções, como ferramentas do inconsciente, para captar as coisas não ditas nas sessões. Coisas como o tarot, a astrologia, a numerologia, o eneagrama, etc... E é claro, se ele tem conhecimento aprofundado na aplicação dessas linguagens do inconsciente. Afinal uma coisa é achar que sabe o que se pratica, outra é realmente saber...!


Por fim, a pergunta que ronda a cabeça das pessoas que leem ou ouvem narrativas assim é: Por que alguém quer interromper o tratamento de algo que o incomoda, e geralmente há vários anos? Também os motivos são variados! E vão desde o apego inconsciente ao mal conhecido, que mesmo sendo perturbador é algo comum e que se sabe como lidar, até o medo puro e simples de não dar conta da mudança, do que os outros vão pensar, de se desapontar com os resultados... Enfim, uma miríade de possibilidades!
É evidente que há casos em que não resta outra solução a não ser diminuir a periodicidade dos encontros quando, por exemplo, o cliente mora noutra cidade, e não se sente confortável com sessões online. Ou tem dificuldades físicas que o impedem de se dirigir até o encontro de terapeuta... Muitos alegam ainda que a terapia está ficando dispendiosa (o ego adora essa), a falta de dinheiro mexe com a necessidade egoica de autopreservação. Nesse caso sugiro uma mudança de perspectiva, o autoconhecimento é um investimento onde não se perde nada, e se tem a possibilidade de lucrar de inúmeras formas! Por ouro lado é algo que não se consegue fazer sozinho, ao mesmo tempo em que é um caminho que ninguém pode trilhar por você! 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Baralho Lenormand NÃO É Tarot Cigano!


O que tem de gente que vem me contar que marcou consulta com a taróloga fulana de tal, e ao chegar lá o que a mulher abriu foram as "cartas ciganas", e que a pessoa se constrangeu em dizer que não queria aquele atendimento, e que conhecia bem o que era tarot...! Que fiasco! Esse vício vem lá dos anos 90 quando a Kátia Bastos lança uma versão própria do baralho Lenormand, chamando a esse baralho de Tarot Cigano... Perpetrando assim um longo e incrível equívoco que ainda perdura, e que muitas vezes mais parece a má fé de certos profissionais. Nessa época a cartomancia andava meio em baixa, então os livreiros resolveram chamar todo baralho oracular de tarot, pois a tarologia era uma verdadeira febre! O Lenormand nem ao menos é cigano! É uma versão francesa que foi criada, levando o nome de Madame Lenormand, a partir de um baralho alemão anterior (o Jogo da Esperança, de Johann Kaspar Hechtel)... No mundo todo é conhecido como cartomancia Lenormand ou cartomancia francesa... No Brasil ficou conhecido como cartas ciganas. Ciganos são exímios em fazer leituras e prognósticos, mas não criaram um baralho seu. Foram sim os primeiros usar o tarot de modo divinatório, até onde se sabe, mas o único sistema oracular legitimamente cigano é a quiromancia, ou a leitura das linhas das mãos. Quem lê essas cartas é um cartomante, e não um tarólogo! O tarólogo é sim um cartomante também, mas que se utiliza de um baralho específico com mais desdobramentos arquetípicos, que é o tarot!
E como já disse na página "A História do Tarot" aqui do meu blog: O tarot é um conjunto de 78 cartas divididas entre 22 arcanos (segredos ou mistérios) maiores e 56 arcanos menores. Esses últimos têm ainda uma subdivisão de 16 cartas com figuras humanas de reis, rainhas, cavaleiros e valetes (A corte) e 40 cartas numeradas de 1 a 10 divididas em quatro naipes, como no baralho comum, paus, copas, espadas e ouros. Se um baralho tiver mais ou menos cartas, ou faltar qualquer uma das estruturas citadas, não é nem melhor, nem pior, apenas NÃO É TAROT! Não é um descendente do baralho medieval original, o que também não significa que não funcione nem seja bom!

Saiba mais sobre as origens do Baralho Lenormand