sexta-feira, 3 de junho de 2022

O Mestrado em Reiki

Após fazer os níveis 1, e 2 do Reiki, o aluno pode fazer o nível 3 – algumas alterações recentes na iniciação em Reiki dividiu o terceiro nível em 3A e 3B – Esse não é um nível acadêmico que vemos nas universidades, mas se trata de um mestrado numa prática tanto terapêutica quanto Espiritual, por isso também chamamos de Mestrado em Reiki. O Mestre em Reiki é, antes de tudo, um Mestre de si mesmo, e com esse mestrado estará mais apto a lecionar, palestrar e escrever artigos, bem como de transmitir a iniciação a outros e aplicar certas técnicas terapêuticas exclusivas do nível 3. Isso além de poder trazer mais conhecimento e clareza.

No entanto, é um engano pensar que ser mestre Reiki é apenas para aqueles que querem ensinar o Reiki. O curso pode ser feito apenas por alguém que quer divulgar a prática do Reiki como uma atividade espiritual de interiorização e meditação, escrever artigos sobre o tema ou mesmo aprimorar sua prática terapêutica, caso já atue como um curador. O Mestrado em Reiki é conhecido como “A Realização”, e neste nível o iniciado aprende não a só a sintonizar outras pessoas nos três níveis, como também a realizar sintonias de cura, um profundo e impactante método terapêutico para quando a pessoa não pode realizar um tratamento extensivo. A sintonia de cura acessa um poderoso fluxo de energia para revitalização dos corpos físico/energético de quem a recebe, de uma só vez. O novo

Mestre também aprende a realizar a cirurgia psíquica, onde aprenderá a remover os campos energéticos que criam os distúrbios físicos e emocionais para restabelecer seu equilíbrio... As técnicas do Mestrado também se alteram conforme a escola de iniciação (e há muitas atualmente!).

Os chakras são os vórtices que distribuem 
a energia ki pelos corpos sutis.

Há, é claro, os que abraçam o mestrado em Reiki como um propósito para si mesmos de oferecer bem-estar, uma possibilidade de relaxamento, qualidade de vida, ou de uma perspectiva de vida mais profunda para outros que queiram conhecer a técnica. Reiki é muito mais que prática terapêutica, é um estilo de vida! Reikianos costumam usar o Reiki antes de dormir, depois das refeições para auxiliar na digestão, enviam Reiki à distância para quem lhes pede, reúnem grupos para trocas coletivas, ou para doação da energia “ki” semanais ou mensais, e assim por diante...

O Mestrado de Reiki é um chamado para um próximo nível de experiência na senda da transformação pessoal e da realização Espiritual.


sábado, 14 de maio de 2022

Sonhos & Tarot - Entrevista com João Carlos Petronilho

A linguagem arquetípica dos símbolos são como faróis para
guiar a consciência pelas terras escuras do inconsciente.

Fiquei sabendo do trabalho de João Carlos Petronilho vendo o anúncio do 2º Congresso Brasileiro de Tarot de 2020, um evento on-line onde João aparecia dando um curso de interpretação dos sonhos com o tarot... Eu também desenvolvi uma técnica de interpretação utilizando a linguagem dos arcanos no início dos anos 2000, e é claro que fiquei curioso para conhecer um pouco mais deste tarólogo e terapeuta holístico de Santo André. O convidei para um bate papo com troca experiências e história de nossas trajetórias dentro deste “labirinto encantado”, como diria o poeta Mario Quintana, que para nós é o tarot. 

E eis o resultado de nossas trocas:

Jaime: Como você se iniciou no tarot?

João: O primeiro momento foi em meados da década de 1990, quando tive oportunidade de participar de uma vivência, um grupo que estudava e foi convidado e saber sobre o tarô, mas grande parte da minha formação foi com meu autodidatismo, muita leitura buscando forma de entender os significados e como trabalhar com o tarô.

Jaime: Comigo tudo começou com uma tia lendo cartas do baralho Lenormand para mim quando eu tinha 14 anos, e nessa leitura ela me via “trabalhando com cartas”, mas que dizia não serem as mesmas cartas dela (minha tia nunca tinha visto um baralho de tarot!), alguns anos depois uma prima apareceu com uma revista em que aparecia um artigo escrito: “Tarot, as Cartas que Podem Prever o Futuro”... E cá estou!

Jaime: Qual abordagem você utiliza nas suas leituras? Terapêutica, Oracular...?

João: As duas, sempre faço a leitura do método do Mandala como via oracular, trabalho como terapeuta holístico, e para os que entram nessa jornada comigo uso o tarô como ferramenta de suporte para orientar e identificar como conduzir cada processo, florais, meditação, Thetahealing, Constelação Sistêmica, etc...

Jaime: Acredito também que as leituras mistas, que mesclam a abordagem terapêutica e oracular, são mais realistas. Nada é só fora e nada é só dentro como digo para alunos e clientes. As vivências exteriores originam-se das interiores e vice-versa. Os acontecimentos compreendidos em sua profundidade podem nos ensinar muito sobre nossas programações inconscientes... Assim como fora dentro, como diz aquele axioma esotérico!

Jaime: Qual método de leitura inicial você mais aprecia para as suas sessões?

João: Para todo consulente que chega até mim começamos com uma Mandala, depois abro para perguntas ajustando o método ao que a pessoa busca, Péladan, Cruz Celta ou outro jogo. Sempre ajusto o método ao tipo de questão a ser vista.

Jaime: Eu experimentei muitos métodos ao longo desses meus trinta e quatro anos, mas por sete anos me utilizei também da leitura da Mandala Astrológica, depois troquei pela leitura da Cruz Celta, numa adaptação que chamei de “O Jogo do Espelho”, que achei mais enxuta e pontual. Há um ano utilizo a “Descida de Inanna”, do Hajo Banzhaf, e tem me satisfeito muito sua profundidade tanto quanto sua precisão!

Jaime: Tem algum profissional do tarot, nacional ou internacional que o inspire?

João: Posso citar dois, o Roberto Caldeira com seu livro da Jornada do Caminho do Louco que me fez entrar nesse mundo, e o Nei Naiff com quem fez muitos cursos e ainda faço.

Jaime: Eu me considero fortemente influenciado pelos métodos do tarólogo e astrólogo alemão Hajo Banzhaf que citei antes. Suas abordagens mitológicas para métodos de disposição das cartas e para o aprofundamento do simbolismo dos arcanos são muito ricas. Também aprecio as explorações intuitivas e terapêuticas de Mary K. Greer e das aplicações dinâmicas de James Wanless. No Brasil o método intuitivo e metódico do Namur Gopalla de anotar jogadas e estuda-las depois percebendo a ampliação da nossa própria percepção me ajudou muito! Nunca estudei com ele, nem o conheci pessoalmente, mas conversei algumas vezes e tenho um pequeno livro que vinha com seu baralho nos anos 90, e tudo isso me inspirou muito...

Arcano de O Eremita do Tarot
of Dreams, de Ciro Marchetti.

Jaime: Quais baralhos de tarot você utiliza nas suas leituras?

João: Nas leituras do dia a dia uso Rider Waite, para os processos de Constelação ou questões energéticas uso o Marseille do Jodorowski/Camoin, para os processos terapêuticos (identificação das questões a serem trabalhadas) Mystical Tarot - Luigo Costa - Lo Scarabeo.

Jaime: Desde 2003 eu uso o Tarot Zen de Ma Deva Padma, ela conseguiu fazer uma boa síntese entre a linguagem do tarot com os ensinamentos do Zen como foram passados por Osho! Mas também uso o Thoth Tarot de Aleister Crowley e Frieda Harris, e o Motherpeace Tarot de Vicki Noble e Karen Vogel... Gosto de baralhos que mesclem o simbolismo hermético com abordagens culturais e filosóficas!

Jaime: Como surgiu a interpretação dos sonhos com as cartas do tarot?

João: Durante as consultas oraculares por muitas vezes ao ler as cartas o consulente se lembrava de um sonho e acabava me trazendo, aconteceu tantas vezes que comecei a prestar atenção. Quando tive um insight de juntar o mundo simbólico das cartas e o simbólico dos sonhos, criando dois métodos que permitissem uma ponte entre estes mundos, trazendo ao consulente uma percepção do seu momento e o que seu inconsciente está tentando mostrar.

Jaime: Comigo aconteceu do mesmo modo, mas meu método se baseia em tirar uma carta para o simbolismo geral do sonho e, em seguida e, tirar um arcano para cada símbolo marcante da representação onírica. Assim, carta por carta o sentido do sonho aparece, como num quebra cabeças.

Jaime: Quando você o utiliza? Nas terapias, ou numa leitura regular das cartas?

João: Utilizo durante meus processos terapêuticos ou com paciente que regularmente se consulta pela via oracular, não faço interpretação de sonhos para quem não passou por pelo menos uma consulta completa. Importante perceber o momento psicoemocional da pessoa antes de falar sobre interpretação...

Jaime: Sim, também faço isso. Na terapia com florais as pessoas sonham muito como resposta de certas essências, ou em certos momentos da terapia Reiki.

Jaime: Como é este método?

João: São dois métodos, a Casa de Morfeu, sobre perturbadores ou sonhos pontuais que de alguma forma causam impressão no consulente, um jogo de 5 cartas onde vemos o que está acontecendo no momento, um conselho para isso e como ele pode associar o sonho a realidade que vive.

E o Caminho de Oniros para sonhos que são recorrentes, não necessariamente iguais, mas que apresentam símbolos em comum várias vezes, aqui o olhar é para onde o consulente deve prestar atenção, o que deve se lembrar e esquecer deste sonho, incluindo uma casa que fala do momento espiritual dele.

João Carlos Petronilho, assim como eu, um
investigador das possibilidades terapêuticas do tarot!

Jaime: Como as pessoas reagem às suas interpretações dos sonhos através do tarot?

João: Sempre com surpresa, quando elas ouvem o que as cartas falam sobre o momento que estão vivendo e como isso tem ressonância no cotidiano, por vezes mais tranquilas, por vezes apreensivas de saber se o sonho narrado vai de alguma forma se desdobrar no mundo físico.

Jaime: No geral comigo também há surpresa, mas também um sentimento de “faz todo sentido”, de compreensão com coisas que estão acontecendo interna e externamente. É muito satisfatório quando esse momento ocorre tanto para mim enquanto leitor quanto para quem foi buscar o auxílio das cartas para entender as mensagens do seu inconsciente!

Jaime: Algum processo terapêutico já foi iniciado em função da leitura de sonhos usando os arcanos?

João: Até esse momento não, eu uso os métodos nos processos terapêuticos, uma leitura de sonhos não foi esse início, porque o que leva ao início desse trabalho é o Método da Mandala.

Jaime: Concordo totalmente! Uma visão preliminar integrativa do todo é fundamental!

Jaime: E como consegue distinguir o sonho psicológico do sonho espiritual nas leituras que realiza?

João: Até este momento, os sonhos espirituais eu identifiquei como sonhos recorrentes. No método do Caminho de Oniros há uma casa que fala da espiritualidade, no método de sonhos perturbadores (cada de Morfeu) na casa número 2 pode aparecer algo nesse sentido, mas ainda não tenho muitos relatos que levam a essa causa espiritual.

Jaime: Eu só consigo fazer essa distinção é intuitivamente mesmo; com o tempo observei que certos arcanos maiores como A Estrela, A Lua e A Sacerdotisa e alguns dos naipes de copas sinalizam sonhos Espirituais, ou mediúnicos...

Contato com João Carlos Petronilho:

escolaoraculuz.com 

www.facebook.com/oraculuztaro 



 

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Os Doze Signos Astrológicos no Tarot

 

ÁRIES — O Imperador (21 de março a 19 de abril)

O correspondente tarológico de Áries é o Imperador, que encarna liderança, ambição, conquista e poder, bem como o impulso para a inovação e a vitória, típicos de Áries. Tanto o arcano quanto o signo são os melhores em definir uma visão e um plano para a realização do que desejam, e ainda ajudar os outros a alcançar os seus também. É seu papel criar estrutura e estabelecer limites para si e para o mundo que os cerca.

TOURO — O Hierofante (20 de abril a 20 de maio)

O Touro e o Hierofante estão ambos ligados a uma maior sabedoria coletiva e têm a capacidade de ajudar suas comunidades nutrindo-as com seu amor pela família e pela tradição. Com sua grande resiliência e força interior silenciosa, eles acabam se tornando grandes professores, nos quais muitos buscam orientação. É através de seu trabalho que um maior senso de segurança e identidade da comunidade é preservado.

GÊMEOS — Os Amantes (21 de maio a 20 de junho)

O correspondente tarológico de Gêmeos é a carta dos Amantes, pois os dois se concentram muito no poder da comunicação e no que ela pode criar não apenas entre dois corpos, mas entre todos os humanos. Tanto Gêmeos quanto Os Amantes são suscetíveis às influências exteriores e têm de aprender a usar do seu arbítrio! Esta carta também retrata a união de opostos e as possibilidades quando entidades de natureza dual criam um todo maior, ou um novo caminho.

CÂNCER — O Carro (21 de junho a 21 de julho)

Como o Cavaleiro deste arcano, o foco de Câncer está em definir o curso, e traçar o próximo destino. São visionários e sonhadores. Suas vidas interiores são emotivas, passionais e com instintos conflitantes e, como O Carro, eles devem aprender a dirigi-la para atingir seus sonhos. Eles devem traçar uma linha cuidadosa entre suas naturezas opostas, representadas pelos dois cavalos/esfinges, e entre o interior macio do caranguejo (sua sensibilidade afetiva e psíquica) e sua casca dura (a dureza de suas defesas exteriores).

LEÃO — A Força (22 de julho a 22 de agosto)

O equivalente tarológico de Leão é a carta de A Força, e aqui é onde vemos o poder bruto fluindo através da espiritualidade. Ou de uma força sutil (a Alma) mudando o mundo bruto dos fatos (o Leão). Tanto Leão quanto o arcano de A Força aprenderam a transformar suas naturezas agressivas e selvagens em amor, compaixão e vontade disciplinada. Por meio dessa habilidade, eles aprenderam sobre confiança e autoconfiança. Dentro deles está a união sagrada entre o corpo e o espírito.

O Eremita, correspondente
arcanológico de Virgem.

VIRGEM – O Eremita (23 de agosto a 22 de setembro)

O correspondente tarológico de Virgem é o Eremita, cuja jornada solitária em suas profundezas é aquela que é realizada para explorar o que é negligenciado pelo mundo comum, e encontrar um propósito autêntico em uma sociedade que pode se concentrar demais no que é superficial. A busca virginiana pela pureza é uma busca pela face oculta de Deus! Para o topo da montanha ele viaja, em busca de um tempo para introspecção e de descoberta da sua verdadeira voz, e nesse topo da montanha é onde ele inspirará os outros a segui-lo.

LIBRA – A Justiça (23 de setembro a 22 de outubro)

Equilíbrio e equanimidade são simbolizados pela Justiça e seu correspondente astrológico, Libra. Ambos são buscadores da verdade e do equilíbrio em situações complexas, e buscam uma compreensão profunda de cada questão antes de tomar decisões e agir. Seus papéis são eliminar ilusões e obter uma visão clara de si mesmos e de seus mundos com clareza, discernimento e aceitação.

ESCORPIÃO – A Morte (23 de outubro a 22 de novembro)

Dinâmico e transformador, tanto Escorpião quanto seu equivalente tarológico, A Morte, incorporam o conceito das mudanças transformadoras. Encontrar o sentido mais profundo dessas mudanças que causam tanto reformas quanto perdas irreparáveis, e aprender a aceitar, deixar ir e liberar-se... É para isso que encontraremos esses dois símbolos. É através dessa constante transformação, desse ciclo infinito de morte e renascimento, que A Morte/Escorpião encontra sua verdadeira liberdade e individualidade, e abre a necessidade do novo.

SAGITÁRIO – A Temperança (23 de novembro a 21 de dezembro)

Tanto Sagitário quanto seu correspondente tarológico, A Temperança, são Buscadores no sentido mais profundo da palavra. Buscadores de melhoria da vida, do crescimento, e do desenvolvimento. Como o anjo na carta (um símbolo de proteção), ambos são guardiões da humanidade e estão equipados com as forças e a visão de planos maiores. A Temperança mostra como Sagitário encontrará seu pico, que será aprendendo a misturar os fluxos de energia (matéria/espírito) para encontrar um centro, pois o verdadeiro significado da Temperança é encontrar a perfeição através do refinamento e da integração.

O tarot (ou tarô para quem prefere) tem
múltiplas correlações simbólicas.

CAPRICÓRNIO — O Diabo (22 de dezembro a 19 de janeiro)

Quando se encontra acorrentado e ligado ao mundo terreno mais baixo o Capricórnio está em sua vibração mais bruta e selvagem, e por isso não realizado, exatamente como se apresenta na a carta de O Diabo. Representa também nesta imagem a relação da humanidade com sua sombra, pois quando Capricórnio aprende que suas correntes são sustentadas apenas pelos medos e ilusões do mudo material e secular, eles deixam de dominá-lo. Pois quando esses fardos que carregam são removidos, seu verdadeiro “eu” de criatura brincalhona e sensual, que pode manifestar força e estabilidade, se apresenta.

AQUÁRIO — A Estrela (20 de janeiro a 18 de fevereiro)

O correspondente tarológico de Aquário é a Estrela, duas luzes que se orientam com seus vórtices de esperança e visão amplificada quando as noites da alma se tornam muito escuras. Tanto Aquário quanto A Estrela contam a história daqueles que retornam à sua própria verdade, e que se reconectam ao seu propósito interior, de formas estranhas, amplas e belas. É através da consciência humanitária do Aquário/Estrela que as verdades são questionadas e renovadas, e assim eles trazem a esperança de um novo amanhecer para a humanidade.

PEIXES – A Lua (19 de fevereiro a 20 de março)

Como o correspondente no tarot de Peixes, a Lua é um representante da evolução através de uma união das forças primordiais com a compreensão Espiritual. A confiança na guiança interior em meio às obscuridades da vida é um aprendizado para ambos. E é sob a luz bruxuleante do luar que os sonhos e as fantasias se tornam reais, tanto quanto é onde a consciência pode se perder para sempre! Nas sombras representadas pelo arcano de A Lua e pela casa XII de Peixes, é onde a sabedoria inconsciente, e sua conexão com os planos superiores, pode surgir.


quinta-feira, 17 de março de 2022

As Conexões Invisíveis

Um cliente me disse essa semana ao término da leitura inicial: “Tudo o que apareceu aí é verdade! Como pode isso? Não era eu quem tinha de tirar as cartas?”. Esse mesmo rapaz havia insistido muito anteriormente para uma leitura presencial de tarot. Tive de explicar, mais uma vez, de que entendi melhor com o tempo de pandemia as conexões invisíveis que alguns estudiosos da tarologia e do ocultismo em geral já mencionavam, e que resumidamente cabe na sentença: “Os arquétipos vivem dentro de nós, não precisam de interação física para acontecer”. Usei, inclusive, essa declaração num dos meus Destaques do Instagram, intitulado “Dúvidas Comuns”. Os campos de energia e consciência são unificados pela intenção de fazer a conexão com o outro, simples assim.

Leituras de tarot independem da presença física
para serem eficientes, pois os arquétipos vivem
dentro de nós, também não precisam
de interação física para acontecer.

Essa surpresa do rapaz me fez refletir sobre a oportunidade que o evento desastroso da pandemia trouxe para todos nós que migramos, integral ou parcialmente, para o mundo digital; de que estamos todos sim conectados como as teorias esotéricas mais antigas sempre anunciaram. Que nossas atividades são eficazes mesmo à distância, da mesma forma que a distância não impede que nossas orações e intenções cheguem a qualquer pessoa, ou grupo de pessoas, no planeta. Que, enfim, isso corrobora com a teoria da existência de uma mente global. Ela existe, e devemos ter mais cuidado com os pensamentos que espalhamos nas redes sociais. Que tipo de sintonia queremos criar para nós mesmos, nossa comunidade, país ou mesmo para o mundo?

Os campos de energia e consciência são unificados
pela intenção de fazer a conexão com o outro. 
De um modo
estranho e misterioso existimos uns nos outros,
ao mesmo tempo que também individualmente.

Então é fato de que estamos sim todos conectados, e cuidar dos pensamentos, imagens, ideias e ideais que divulgamos é também uma forma de cuidarmos uns dos outros, e desse mundo em que vivemos. Curiosa e contraditoriamente há pessoas que assumiram para si a divulgação e o trabalho dos ideais da Nova Era e que ainda resistem imensamente a esse modo de exercer suas atividades. Uma espécie de prisão egoica na terceira dimensão, embora divulguem acreditar que já estamos capacitados a atuar a partir da quarta dimensão! Eu tive a mesma resistência, porém hoje me encanta poder atender pessoas em todas as partes do mundo. E mais do que isso, ter a liberdade de estar onde eu quiser podendo fazer o que amo fazer. Recentemente estive de férias em Florianópolis, e segui atendendo nos horários mais próximos da noite sem que nenhum dos clientes que atendi soubessem onde eu estava. Liberdade e conexão são temas bem aquarianos que somos incitados a desenvolver neste momento da humanidade, embora a maioria os considere difíceis de conciliar, eu acho que aprendi uma parte importante desta lição!


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

A Descida de Inanna - Um Método de Leitura

Depois de dezenove anos utilizando a Cruz Celta em minhas leituras diárias, eis que me senti fortemente compelido a acrescentar um sistema mais profundo, e focado no mergulho da alma humana, numa abordagem inicial das minhas leituras diárias de tarot! O sistema de Cruz Celta – também conhecido como Cruz Céltica – presta um lindo serviço ao integrar mundo prático e psíquico com inteireza, síntese e precisão! Entretanto senti necessidade de mergulhar mais fundo na Luz e nas Sombras daqueles que me procuram, e a disposição de “A Descida de Inanna”, um método de leitura desenvolvido pelo tarólogo e astrólogo alemão Hajo Banzhaf com o título original de "A Descida de Inanna ao Inferno", caiu como uma luva. Eu já havia me utilizava dessa leitura em ocasiões específicas, em situações eventuais como nos solstícios e equinócios, quando convidava os clientes a obter um olhar mais profundo sobre a própria jornada. Esses períodos do ano servem como portais sazonais tanto dentro de nós quanto na natureza, e a proposta sempre foi bem acolhida. Agora inaugurando uma nova fase do meu trabalho, coloco o sistema de “A Descida de Inanna” como um convite de pronto a este olhar para além da superfície desse mundo e, paradoxalmente, como uma forma de se estar mais bem situado nele! Apresento aqui este complexo e maravilhoso método, uma abordagem oracular profunda e intensamente reflexiva:

O Mito:

Inanna a Rainha do Céu, da cidadela onde nasce o Sol, desce do Grande alto a fim de visitar sua irmã mais velha e amargurada inimiga Ereshkigal, a misteriosa Rainha do Grande Embaixo, país de onde não se pode retornar.

Inanna, uma deusa celeste que
desce ao submundo e ao
encontro de sua própria sombra!

Antes de partir, ela se enfeita, vestindo os trajes imperiais e colocando suas joias. Dá instruções ao seu vizir, Ninschubur (o vizir das sábias palavras, seu cavaleiro das palavras da verdade); no caso de ela não retornar depois de três dias, ele deverá organizar harmonicamente os gritos de dor junto às ruínas. Depois disso, ele deverá pedir ajuda ao majestoso deus Enlil, em Nippur, caso este lhe negue ajuda, o vizir terá de pedi-lo ao deus da Lua, Nanna, em Ur, caso este também se recuse a ajudá-lo, deverá dirigir-se ao deus da sabedoria Enki, pois com essa ajuda poderá contar.

Logo a seguir, Inanna vai à montanha feita de lápis-lazúli, o portal do inferno, e solicita entrada ao porteiro Neti. Assim que este entende que a Rainha do Grande Alto quer entrar no inferno pergunta, confuso: “Se és a rainha do céu, da cidadela onde nasce o Sol, por que, em nome dos céus, vieste à região onde não há retorno?”.

Diante dessa pergunta, Inanna confessa que deseja participar do funeral de Gugallanna, falecido marido de sua irmã mais velha, Ereschkigal.

Neti fica visivelmente atrapalhado, e pede a Inana que espere um pouco. Corre até sua rainha, Ereschkigal, para ouvir o que esta decide fazer. A misteriosa rainha do Grande Embaixo fica terrivelmente nervosa ao ouvir a notícia da visita de sua luminosa irmã (tão enfurecida, de fato, que morde a própria coxa, de raiva). Apesar disso, ela diz a Neti que deixe Inanna entrar. Mas, como todos os mortais comuns, ela terá de entregar todas as suas roupas e joias, parte por parte, em cada um dos sete portais do inferno, até que afinal, entre nua e curvada no aposento em que Ereschkigal, rainha das profundezas, a espera, juntamente com os annunaki, os temidos sete juízes do submundo, que decidem sobre o destino dos recém-chegados. Eles dirigem o olhar da morte para Inanna – e ela morre.

Seu confiável vizir, Ninschubur, seu fel aliado no céu, cumpre rigorosamente as instruções da patroa. Eleva os gritos de dor junto às ruínas e, logo depois, pede ajuda aos deuses, na ordem recomendada; primeiro ao grande deus Enlil, em Nippur; depois ao deus da Lua, Nanna, em Ur, e, finalmente, ao bondoso deus da sabedoria, Enki, em Eridu. Quando Enki ouve o que aconteceu com sua amada Inanna (com a sujeira que tem embaixo das unhas) ele cria duas criaturas assexuadas, Kurgarru e Kalaturru, que são mandadas ao inferno com o alimento e a água da vida.

Kurgarru e Kalaturru conquistaram a simpatia da rainha do grande embaixo e, com isso, a permissão de despertar Inanna para uma nova vida. Inana depois de renascer, abandona o reino das profundezas. Todavia, não há exceção à regra nesse país: ninguém que tenha atravessado o portal do inferno poderá voltar ao país da luz sem deixar um representante, que terá de ficar no reino dos mortos em seu lugar. Como a regra vale também para ela, Inanna parte seguida por uma horda de seres demoníacos horrorosos que têm a incumbência de aprisionar e levar consigo o condenado ao inferno. Em sua busca por uma vítima apropriada, Inanna percorre os países, e todos os seres vivos que encontra fogem assustados, tanto por sua causa como devido aos demônios que a acompanham. Quando chega ao lar, ela vê, com grande raiva, que seu filho e amante, Dumuzi, visivelmente não sentiu sua falta, instalando-se, além disso, confortavelmente, em seu trono. É sobre ele que Inana lança o olhar da morte: os demônios caem sobre sua presa e arrastam a atemorizada vítima, que suplica por ajuda e perdão, ao escuro e sombrio reino dos mortos.

O encontro com sua sombra (a irmã Ereschkigal) fez de Inana uma Rainha ainda mais poderosa e lúcida de suas antigas máscaras e ilusões. Nascida e renascida sobre si mesma.

As Etapas do Mito Dentro de 

Cada Posição da Leitura:

I – Inana, rainha do céu.

2 – Neti, porteiro-mor do inferno.

3 - 9 – Os sete portais do inferno, onde Inanna teve de deixar as joias e trajes que havia vestido. Isoladamente são:

1- A Schugurra, a coroa do plano.

2- O bastão de medição de lápis-lazúli e a fita métrica.

3- O colar de lápis-lazúli ao redor do seu pescoço.

4- As pedras Numuz sobre seu peito.

5- O anel de ouro em sua mão.

6- O escudo peitoral: “Venha, homem, venha”.

7- As vestes imperiais.

X – Ereschkigal, rainha do inferno.

11 – Ninschubur, o vizir de Inanna.

XII – O alimento da vida.

XIII – A água da vida.

XIV – Inana ressuscitada.

15 – Dumuzi, a vítima destinada ao inferno.

Modo de Ler:

Joga-se com 15 cartas; 15 é o número da Lua Cheia, Ishtar, a sucessora babilônica de Inanna, venerava a Lua. Antes do jogo, as cartas dos Arcanos Maiores são separadas das dos Arcanos Menores. O consulente tira 5 cartas dos Arcanos Maiores e 10 dos Arcanos Menores. As posições determinadas na ilustração com algarismos romanos devem ser cobertas com as cartas dos Arcanos Maiores, ao passo que as cartas dos Arcanos Menores devem ser colocadas nos lugares marcados com números arábicos.

Antigo relevo sumeriano que retrata
o casamento de Inanna com Dumuzi.

A mensagem deste mito que eu gostaria de reproduzir aqui diz o seguinte: “A caminho do inferno, Inanna tem de desistir de muitas coisas que até aquele momento haviam sido muito importantes e valiosas para ela. Curvada e completamente nua, ela encontra ali seu lado de sombra. Nesse encontro ela morre. Isso significa que sua antiga identidade se desfez. Com a ajuda do seu aliado, ela desperta para uma nova vida e volta ao mundo luminoso como uma nova Inanna. Por desistir de sua velha identidade e por solucionar o seu lado sombrio, ela tornou-se totalmente nova, inteira e sã. Para tanto, ela ainda tem de fazer um sacrifício (de gratidão) ao chegar ao mundo superior, na medida em que (temporariamente) renuncia a algo a que dá importância”.

Diante deste plano subjacente, é assim que interpreto as cartas:

O Significado das Posições da Leitura:

– O (pretenso) lado da luz, que só depois do encontro com o lado da sombra e de sua aceitação (X) torna-se um todo e fica são.

2 – A recepção diante do portal do inferno.

– – Os bens, os modos de comportamento, os hábitos, os desejos, as perspectivas, etc, dos quais se tem de desistir.

X – O lado da sombra, que deve ser solucionado, a irmã misteriosa, o ouro negro, que tem de ser elevado.

O encontro de Inanna (I) e de Ereschkigal (X) significa a morte da antiga identificação com o “eu” (nenhuma carta).

11 – A força que auxilia, o aliado no mundo superior.

XII – A primeira força reanimadora.

XIII – A segunda força reanimadora.

XIV – A recém-adquirida identidade.

15 – A vítima. Literalmente, aquilo a que se tem de renunciar, temporariamente: Dumuzi é o deus da primavera, o deus do ano crescente, que todos os anos tem de ser sacrificado no outono e que renasce na primavera.

Extraído do Livro: “As Chaves do Tarô”, de: Hajo Banzhaf.

Editora Pensamento.  São Paulo, 1990.


sábado, 4 de dezembro de 2021

Seguindo o Fluxo

Dança sagrada, uma das formas
de conexão com a Fonte.

Estamos num momento de intensa busca Espiritual, e também de muitas possibilidades de caminhos para trilhar nesta busca. O desejo de percorrer esta estrada interior faz parte de um processo Espiritual que ficou conhecido como “despertar”... Mas seria despertar do quê? De muitas coisas! Seria acordar do sono que a materialidade da vida nos traz, que nos resume numa ânsia por consumir para ser e viver. Vivemos num mundo material, mas ele não é a única verdade ou finalidade. Acordar também para a realidade de que há outros planos de consciência, e campos vibracionais que moldam nossa realidade física e mental. Que nos conectam a uma fonte maior de percepção e entendimento da vida. Acordar do medo intrínseco da morte, para aceitar que existem ciclos de vidas e vidas (reencarnações) e muitas outras dimensões onde podem ocorrer nosso processo evolutivo essencial... Esse é o longo caminho que culmina na iluminação. Que nunca é um objetivo em si, pois isso não importa, o que se conquista ao longo da caminhada é igualmente precioso!

Meu despertar se deu através do estudo do tarot, ver as sábias respostas que passam por mim sem serem minhas, e que iluminam de entendimento a minha compreensão, e a de muitas pessoas que obtém uma experiência profunda com os arquétipos nas leituras, me fez sentir conectado a uma fonte maior de Sabedoria, e me causou aquilo que a psicologia moderna define como flow (fluxo em inglês). O flow é quando realizamos algo que na iminência de fazê-lo ficamos cheios de entusiasmo (do grego pleno de Deus), no momento de sua realização o tempo não existe, e ao seu término encontramos imensa satisfação! Pois bem, não acredito, de modo algum que só o estudo e a aplicação de leituras dos arcanos do tarot, ou de oráculos como um todo, possa proporcionar esse tipo de experiência. Há pessoas que o encontrarão fazendo massagem, reiki, lendo mapas astrológicos, estudos numerológicos, fazendo pães, artesanato, cantando ou tocando, dançando, interagindo com a natureza, cuidando de animais, plantando, pintando... Não importa! O que importa é encontrar a atividade que nos proporcione essa conexão. Quanto mais conscientes de se estar nesse fluxo, mais transformador ele se torna. O flow nada mais é do que o momento da nossa conexão com a sacralidade interior que nos conecta com a Fonte Maior.

Leituras de tarot, portais entre 
os mundos consciente e inconsciente.

A importância disso é fundamental, pois que toda a atividade que nos proporcione conexão inspirará aos que nos cercam. Essa inspiração poderá transformar vidas, além da vida que quem experimenta essa conexão. Poderá causar admiração em muitos – uma armadilha para o ego, pois estamos aqui para iluminar a nós mesmos, e servir a quem precisar do que temos a oferecer – e também a inveja em alguns, mas isso é com eles, não é mesmo? Outro tópico importante é: NENHUM CAMINHO OU CAMINHAR É MAIS VERDADEIRO QUE O OUTRO! Os tempos também estão muito chatos, com todo mundo tendo a certeza que encontrou a verdade e está querendo a empurrar goela abaixo do outro.

Os daimistas (não dá para generalizar, mas muitos fazem isso) quando perguntam se uma pessoa já tomou ou se quer experimentar a ayahuasca, e recebem um não como resposta, afirmam ou perguntam: é medo? Ora, uma colocação que traz implícito um sentido de “sou mais corajoso que você”, ou “você está fugindo de algo” que tem como único propósito coagir o outro a fazer o que ele acredita ser o melhor ou o único caminho... Isso é profundamente egoico, desrespeitoso e invasivo. Cada pessoa tem o seu tempo e seus próprios veículos de despertar. O que poucos daimistas admitem é que inúmeras pessoas que cederam a essa coação, e experimentaram, tiveram péssimas ou confusas experiências que as desestimularam totalmente a continuar! E não porque a experiência com a ayahuasca não seja válida, mas simplesmente porque não era o instrumento para o despertar daquele indivíduo. Pessoas que dizem estar num caminho de despertar interior e que agem assim estão, na verdade, numa viagem do ego! Não se apegue a nenhum instrumento que o faz entrar no fluxo, é só um instrumento, seja grato por tê-lo encontrado e respeite o caminho e o instrumento ou instrumentos de quem também percorre a senda. O contrário disso é fanatismo, e ele não leva a lugar algum! O caminho é longo e infinito para todos. Não se pegue a nada, não imponha nada, só siga o fluxo!


terça-feira, 26 de outubro de 2021

Se Tudo Morre, Vivemos para Quê?

Para esta questão, olha a reflexão que oferece o simbolismo, em sequência, do segundo setenário do conjunto de cartas do tarot que eu chamo de “o caminho ético”, ou de “o caminho das leis que regem a vida”:

O Caminho de Santiago de Compostela,
um análogo físico e simbólico ao mesmo tempo,
do que fazemos internamente a vida toda!

Ao longo da jornada o ser humano consciente aprenderá pela observação, estudo ou experiência que a vida é regida por leis ou princípios. Que vão do código penal à constituição, das leis naturais, como a lei da gravidade, às leis espirituais, como a lei do Karma que é justamente a que define como e quando nascemos e morremos. Vem daí a associação do arcano de A Justiça com o signo de Libra, o buscador da verdade em todas as áreas do saber humano. Aprenderá também que a solidão é a regra desta existência e que ele estará sempre só em sua dor ou êxtase nas experiências mais profundas e significativas de sua vida. E que quer ele faça o bem ou o mal, ele será o maior responsável por suas ações e as receberá de volta, por isso que O Eremita está relacionado com o signo de Virgem. Este é o signo dos servidores e do aperfeiçoamento do caráter através do aprendizado com a experiência. A Vida vem em ciclos, tudo vem com um propósito na existência de cada um, e se afasta depois de cumpri-lo, pois que a mudança é a lei da vida, tudo muda sempre, mas que também tudo é cíclico! Tudo muda, e se repete, mas nada é exatamente igual, como um verão não é igual ao outro. Aprenderá também que ciclos similares que se reptem com insistência evocam a evolução da consciência. Por isso que A Roda da Fortuna se relaciona com o planeta Júpiter, o senhor das mudanças súbitas e também da generosidade da existência.

O Arcano de A Temperança,
o desabrochar da visão interior
para o propósito da Vida!

Descobrir-se-á que o poder para mudar nosso próprio destino jaz dentro de cada um de nós, mas requer força de vontade, empenho, coragem e muita energia.... Uma lição que o arcano de A Força nos traz, e que por esse motivo representa a vontade e o poder pessoal do signo de Leão. Porém, para que nosso ego não enlouqueça de vaidade, aprenderemos que na vida há o imponderável que nos torna impotentes! Que por mais fortes e saudáveis que sejamos, envelheceremos e morreremos. Que por mais que amemos alguém, não podemos livrá-lo da dor e do sofrimento. A entrega nesse momento é um convite para a contemplação do transcendente, como bem o mostra O Enforcado. Esse décimo segundo símbolo arcanológico está conectado com o simbolismo do planeta Netuno, o senhor da visão transcendente da vida. E, por fim, a lei irrefutável é que tudo morre, e morremos um pouco a cada dia e cada vez que deixamos para trás um aspecto de nós ao qual nos apegávamos, até a morte definitiva nesta existência, que é a forma mais radical da transcendência, que como diz o nome, é um ir além das experiências e formas conhecidas até então. Como bem nos mostra o arcano de A Morte. O interessante é de que o limite da morte é justo um dos maiores conspiradores para a abertura da consciência na busca por objetivos amplos de vida e de significado filosófico ou espiritual. Daí a conexão com o signo de Escorpião, que representa a morte do velho para a transformação e o renascimento da personalidade. Esse é o real “tempero da vida” como nos sugere A Temperança com seus vasos que revezam entre si seus conteúdos! Ou seja, tudo o que vive morre, e se vive o faz por um propósito que se revela ao longo da vida, ou no momento do desabrochar da consciência, como a flor no meio da testa deste anjo mostrado na carta. Por isso o visionário, mutável e filosófico signo de Sagitário está associado a este décimo quarto arcano de tarot! Descobrir este propósito é a meta do autoconhecimento e uma das mais belas aplicações do tarot.

Estudar o tarot é um caminho infinito de possibilidades de compreensão da vida, de nós mesmos e dos outros! Fica a dica.