quarta-feira, 29 de maio de 2019

Astrologia e Tarot - O Naipe de Paus

O Ás de paus, do
Rider-Waite tarot.
O naipe de paus representa no tarot as forças criativas e luminosas da alma que correspondem simbolicamente ao fogo na relação alquímica dos elementos, a primavera no ciclo das estações, e aos signos de fogo na roda astrológica. Os ases de cada naipe correspondem a duas estações, não necessariamente análogas aos elementos de seus naipes, mas a grandes ciclos de começo e fim. Veremos que neste naipe o Ás de paus compreende um período de tempo entre o começo do verão e os limites do outono. Sempre é bom lembrar que essa correspondência leva em conta o ciclo das estações do Hemisfério norte do planeta, onde esse esquema foi concebido. A partir disso, das cartas de número 2 em diante, vai se formando correspondências astrológicas entre planetas e signos que melhor expressam as qualidades de cada arcano.
Cada signo ocupa um período de trinta dias no ano, e cada arcano corresponde a um período de dez dias dentro deste ciclo maior. Com exceção dos ases que correspondem ao período de duas estações. Essa roda anual foi proposta na antiga ordem inglesa Golden Dawn para melhor compreensão do simbolismo das cartas numeradas de cada naipe, mas que também serve como um mapeamento, através dos arcanos, de períodos do ano em que cada pessoa nasce e abre a perspectiva para as possíveis influências sobre a sua personalidade de cada nativo desse período do ano.

Falemos um pouco de cada signo antes de prosseguir:

Áries – O signo do começo da primavera, simboliza as forças aguerridas da existência para se firmar na vida, alegria, entusiasmo, impetuosidade, e impaciência. Por outro lado é também o signo do pioneirismo, da inventividade e da inspiração em todos os níveis.

Leão – O signo do auge do verão, da criatividade e da livre expressão de si mesmo. Simboliza a coragem, a valentia, a gentileza e a nobreza de alma. Representa a vontade da alma de se expressar nesse mundo e mostrar seus talentos, deixando sua marca e contribuição à vida.

Sagitário – O signo do fim do outono que representa o olhar que se eleva ao alto quando a luz da vida se enfraquece. É o positivismo que nos impulsiona a viver e buscar a compreensão e o sentido desta existência quer seja filosófica, científica ou espiritualmente.

Ás de paus – Primavera – 21/06 à 22/09

O desabrochar da primavera! O retorno da luz varrendo as sombras do inverno. Os novos começos intensos; energia, crescimento, fertilidade, força, ímpeto e vigor. O trinfo da luz sobre as trevas, uma disposição renovada e fortalecida pelo poder ígneo da alma.  A luz da divindade interior que ao despertar ilumina e reanima tudo! Acesso a uma fonte interna de energia e poder criativo capaz de transformar tudo, e de curar e inspirar a outros a sua volta!

Dois de paus – Marte em Áries - 21/03 à 30/03

A disposição marciana para atuar pronta e vigorosamente junta-se ao impulso ariano para avançar, combater e vencer rapidamente. Avançar a partir de um centro interno super energizado. Estar pleno de si mesmo, de suas capacidades, forças e disposição, e estar pronto para atuar inequivocamente e sem concessões. É uma força que ainda está no nascedouro e procura uma direção adequada, ou um campo mais apropriado para a sua manifestação.

Três de paus – Sol em Áries – 31/03 à 10/04

A disposição solar da consciência para explorar o novo, as possibilidades latentes, e conhecer a si mesmo através da experimentação. O pioneirismo ariano numa ação de crescimento através da exploração do inusitado, do diferente, ou do que ainda não foi testado. O surgimento do inesperado, de caminhos ousados, diferentes ou mesmo bizarros, conforme o caso. O encontro de todo um espectro novo de experiências, tanto no campo prático quanto sutil.

Quatro de paus – Vênus em Áries – 11/04 à 20/04

A ação romântica dá lugar a uma ação mais prática e interativa. Reunir esforços que se complementam com um objetivo em comum. O individualismo ariano dá espaço à troca de talentos, esforços e energias para a concretização de algo, quer seja um relacionamento, um empreendimento ou qualquer outra ação construtiva. Entretanto, essa falta de espaço individual pode virar uma invasão do senso de privacidade e livre arbítrio, conforme cada caso.

Cinco de paus – Saturno em Leão – 21/07 à 01/08

A força criativa de Leão é quase que esmagada, a energia criativa não pode se expandir livremente, criando bloqueios e atrasos, e trazendo consigo frustração, conflito e turbulências. Saturno traz sobriedade e regras para o que deveria ser espontâneo e natural, tirando assim a fluência e a leveza. As forças ígneas aqui atuam com dificuldade, e trazem resultados abaixo do desejado ou do necessário. Esforço vão ou inorganizado, atuação precária, deficiente, tosca.

Seis de paus – Júpiter em Leão – 02/08 à 11/08

O planeta da realeza encontra o signo da nobreza! Sucesso, reconhecimento, fama. O fulgor de uma personalidade brilhante numa ação heroica ou revestida de grandes méritos. A vitória sobre os percalços do passado. Júpiter expande a autoconfiança de Leão, e sua força e grandeza interior. Vencer os medos, as demandas contrárias aos esforços pessoais, e as dúvidas sobre a própria capacidade. Pode também trazer orgulho e vaidade sem medidas.

Sete de paus – Marte em Leão – 12/08 à 22/08

Marte confere mais força a ação leonina por brilho, sucesso, autossuperação e reconhecimento. Vencer os próprios limites, vontade de agir e vencer acima da média. Fazer mais que todos, e provar o próprio valor. Empreender com toda força e sem tréguas. Atitude que se levada a extremos causa ansiedade, estresse, e a um desgaste do sistema nervoso e da saúde psíquica. Marte também confere uma ação invasiva, ainda que bem intencionada.

Oito de paus – Mercúrio em Sagitário – 23/11 a 02/12

A busca mercuriana por conhecimento e recursos rápidos que esclareçam, e ampliem a percepção e que, a partir disso, transformem não só a consciência, mas também a realidade. Sagitário aspira a realidades maiores, tanto conscienciais quanto práticas. Flexibilização e abertura dos conceitos estreitos da mente. Por esse motivo este é o arcano das transições e das viagens, e também da ruptura com padrões cristalizados de comportamento e de crenças.

Nove de paus – Sol em Sagitário – 03/12 a 12/12

O Sol vitaliza a disposição quase que inesgotável de Sagitário por movimentação, ação e empreendimento. Por esse motivo que muitos veem nesse arcano o acesso a forças quase que infinitas para se realizar o que se acredita e quer, outros veem nele um imenso montante de energia despendido num mesmo foco e atuação (o exagero é uma característica sagitariana), que acaba por exaurir as fontes vitais e psíquicas, trazendo o esgotamento das forças anímicas.

Dez de paus – Saturno em Sagitário – 13/12 a 21/12

Saturno limita e sufoca as forças idealistas e esperançosas de Sagitário com o peso de fatos inegáveis e esmagadores. Nenhum recurso escapista ou ideal pode resolver a situação, a não ser o ter de encará-la de frente e corrigir as falhas. O foco sagitariano, sempre alimentado por novas metas, acaba por suprimir outros aspectos da vida que agora reclamam por atenção; Tipo tudo para o trabalho e nada à vida pessoal. Saturno força a resolução, e não novos saltos.

Leia também: A Viagem da Alma nos Arcanos Menores 

domingo, 5 de maio de 2019

O Segundo Retorno de Saturno

Uma representação de Saturno
na astrologia medieval.
Nossa obsessão com a juventude é de tal ordem que mesmo nas disciplinas que visam o autoconhecimento e a compreensão dos ciclos da vida, como a astrologia, há pouco ou quase nenhum material sobre a terceira idade! Falamos quase que exaustivamente sobre o primeiro retorno de Saturno entre 29 e 31 anos, mas quase nada sobre seu segundo retorno entre 58 e 60, e nada sobre seu último e derradeiro ciclo entre 87 e 89 anos. Pois bem, vamos começar explicando aos leigos que o planeta Saturno demora em média 29 nos para dar uma volta completa no zodíaco. Atualmente Saturno está em Capricórnio, e a última vez que esteve nesse signo foi por volta de 30 anos atrás. Assim sendo, você que tem hoje entre 29 ou 30 anos é provável que tenha Saturno em Capricórnio no seu mapa natal, resta saber em que casa e que aspectos ele faz com os outros planetas para descobrir suas influências em sua psique e vida prática. O mesmo se dá com quem está hoje com idade em torno de 58 anos.
Sabemos que o primeiro ciclo de Saturno tem como característica a maturação dos objetivos de vida e a definição do próximo ciclo de 30 anos, algo que surge como um apelo do tipo “o que quero fazer da minha vida de verdade a partir de agora...?”, o “o que” pode ser substituído por “como”, ou “onde”, dependendo de cada caso! Quando então ele volta ao mesmo signo e casa em que esteve há 29 anos, ele nos pergunta através de nosso inconsciente coisas do tipo: “estou satisfeito com o que construí até agora?”, ou “quero continuar fazendo o que faço?”, ou como ou onde faço? É nessa época da vida que se pensa em aposentadoria, e não raramente as pessoas nesta faixa etária estão descobrindo novos interesses, dons, talentos, aptidões esquecidas ou negligenciadas que parecem exigir atenção. Também há, frequentemente, a sensação de não identificação com o que já foi elaborado, ou de profundo cansaço com tudo o que se construiu em torno do que foi escolhido, ou o ritmo que se imprimiu, e até mesmo o excesso de zelo e dedicação! 
Saturno, senhor do tempo e
dos ciclos de maturação da alma.
O velho de chinelas e roupão na frente da tevê não combina mais com os cidadãos e cidadãs da nova maturidade, isso ficou para trás. Porém, essas pessoas possuem amiúde dependentes com os quais se sentem na obrigação de amparar, ou orientar. Ou seja, eles estão servindo de suporte para aqueles que estão passando recém pelo primeiro ciclo de Saturno e que resistem ao processo de amadurecimento! É incrível o número de pessoas por volta dos 30 anos que ainda não sabem qual a sua vocação, ou meta de vida, e que andam em círculos como um cão perseguindo o próprio rabo, sendo sustentados ou empregados por pais e mães sessentões, e que veem isso com muita naturalidade. Fico imaginando o terrível segundo ciclo saturnino que essas pessoas terão, com certeza deverão sentir algo como um esbarrão do tempo sobre elas, como se a velhice fosse um evento súbito, e uma provável ânsia de correr atrás do tempo perdido! Até lá os sessentões terão de aprender a abdicar do passado e de todos os deveres que os assoberbaram para encontrar um espaço interior para a sua própria reinvenção. No afã de evitar para os filhos o sofrimento que eles experimentaram acabaram colocando-os em redomas de infantilização, criando seres sem objetivos definidos de vida, com pavor de quebrar a cara, enquanto eles mesmos foram perdendo os seus... O trabalho de autoconhecimento proposto pelo estudo astrológico pode nos auxiliar a compreender as demandas desse ciclo, como apontar os meios que podem servir para o resgate do foco na própria vida e jornada interior, além de revelar talentos potenciais, caso não tenham sido ainda reconhecidos pela consciência.
Felizmente nem todos os que atingem a maturidade se sentem desorientados sobre que caminhos seguir, ou o lugar e a importância de cada coisa e cada pessoa em sua vida. Certamente essas pessoas são consciências que amadureceram sem perder o foco interior, e que sempre estiveram bem alinhadas com seu propósito de vida. Entretanto, essas pessoas são raras, e muitas vezes estão de alguma forma ajudando ou orientando seus irmãos de jornada na mesma faixa etária, a sair do labirinto que criaram para si mesmos.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

A Cruz Hermética e o Tarot...

A Cruz Hermética, ou Rosa Mundi.

A Rosa Mundi, ou Cruz Hermética, é um símbolo da Sociedade Rosa Cruz que também ilustra o verso de dois baralhos de uma outra ordem oculta, a Golden Dawn. Esses baralhos são o Tarot da Golden e o Thoth Tarot de Aleister Crowley. Independentemente das razões que levaram os autores desses dois tarots a colocarem esse símbolo em seus baralhos, eu só tenho de concordar de que é perfeita a junção desse símbolo à linguagem do tarot! A Rosa Mundi começa com seus dois braços cruzados, um vertical e o outro horizontal, sinalizando a entrada do homem na dualidade da matéria, onde tudo se divide em duas polaridades, como bem/mal. luz/sombra, consciente/inconsciente, macho/fêmea e assim por diante. Essa dualidade é o grande desafio que a alma enfrenta a cada nova incursão reencarnatória. A nossa incursão pelo mudo da matéria não se resume, entretanto, a viver esta dualidade e sofrer com ela, mas sim em harmonizá-la para se obter o máximo desta combinação. Como quando integramos em nossa essência a abordagem racional e a intuitiva, a mente analítica e a sintética, o amor e o rigor, e assim por diante. As leituras de tarot são, em última instância, um mergulho nessas dualidades geradoras de conflitos, cuja finalidade é justamente a de se achar um ponto de integração e harmonização para a resolução do conflito, através da compreensão do seu propósito para a consciência. Os quatro braços formados pela cruz central nos remetem aos quatro quadrantes da magia e das quatro estações, que por sua vez aludem à passagem do tempo dentro do processo reencarnatório. As quatro fases da vida, infância, juventude, maturidade e velhice que também se repetem nas estações indicando tanto que morremos um pouco a cada ciclo de um ano, quanto que a cada novo ciclo temos a oportunidade de renascimento através da expansão da consciência sobre nós mesmos e os fatos do mundo que nos cerca. É na interação entre esses dois processos da existência que cada homem tem um propósito a cumprir! 
Wang desenha nos braços da cruz do tarot da Golden os quatro símbolos alquímicos dos elementos. No modo como a cruz aparece no verso do tarot desenhado por Frieda Harris sob a direção de Crowley, há uma sucessão de pétalas que se interpenetram aprofundando-se no âmago da grande cruz até a rosa em seu centro. Esse simbolismo revela que a cada renascimento proposto pelos ciclos naturais o indivíduo aprofunda-se em si mesmo, na compreensão de sua essência, propósito e natureza até a libertação da roda reencarnatória. No tarot da Golden Robert Wang desenhou uma Árvore da Vida cabalística no centro da cruz, pois que na Rosa Mundi original aparecem as vinte e duas letras cabalísticas nas pétalas que envolvem a cruz central, indicando que o entendimento da relação homem/universo, ou homem/Deus é o epicentro de nossa viagem interior. Encontrar o propósito de nossas vivências individuais, e o seu papel dentro do grande quadro em que nos encontramos é, com certeza, uma das funções mais profundas da simbologia dos arcanos. Quando interpretadas por alguém com conhecimento e habilidade para extrair tais informações de suas imagens arquetípicas.
Dentro do hermetismo cristão, proposto pelo símbolo Rosa Cruz, esse cerne da cruz simbolizaria a Mônada individual, a presença da divindade em cada um de nós, também conhecida como a Divina Presença ou como o Cristo Interno. Ao nos aproximarmos dessa essência desvendando o significado de nossas vidas perfazemos o caminho que as antigas escrituras judaico-cristãs chamaram de “o retorno à casa do Pai”. Assim, o Juízo Final revelar-se-ia não como uma catástrofe para o julgamento de toda a humanidade, mas sim como uma consciência profunda do si mesmo em sua trajetória espiritual. A sequência de imagens dos arcanos do tarot simbolizam exatamente isso, a jornada de autodescoberta de toda a humanidade, tanto quanto de cada pessoa sobre este mundo. Ao retirarmos as cartas numa leitura estamos revelando em que ponto dessa jornada estamos individualmente, e em que desafios travamos nossa luta por esclarecimento e compreensão.
A Cruz Hermética do Golden Dawn
tarot, de Robert Wang.
A consideração dos quatro braços da cruz mais a Mônada nos remete ao símbolo do pentagrama, cuja representação mais antiga remonta à Mesopotâmia, há mais de três mil anos, e que aparece representado nos quatro braços da cruz hermética! Os pitagóricos o consideravam o símbolo do homem perfeito e em perfeito equilíbrio, com os pés bem plantados no chão (este mundo) e a cabeça apontando para os céus (o mundo transcendente). A inversão deste símbolo representaria a inversão do fluxo de crescimento e expansão da consciência, uma vez que o homem estaria com suas faculdades de percepção superiores embotadas por seus instintos inferiores de posse, cobiça e apego. Ou seja, seus olhos não conseguiriam enxergar nada para além deste mundo e seus apelos imediatistas. No braço inferior da cruz, acima do pentagrama, vemos a estrela de seis pontas, conhecida também como “Escudo Supremo”, representando a cosmologia da antiguidade, trazendo em si o Sol cercado dos outros seis outros corpos celestes conhecidos: Saturno, Júpiter, Vênus, Lua, Mercúrio e Marte. Esses planetas representam, segundo a Cabala, as sete sephirot inferiores da Árvore da Vida, onde se dá a maior parte do desenvolvimento humano na sua viagem rumo ao encontro com o divino em Kether.
A Cruz Hermética do Thoth tarot,
de Aleister Crowley.
Na cruz hermética aparece também os símbolos dos três elementos filosóficos da Alquimia, o enxofre (a criação), o mercúrio (a expansão), e o sal (a manutenção ou preservação). Indicando que os processos de transformação, representados pelo enxofre, movimentam energias subjacentes que acompanham a vida material, representadas pelo mercúrio, para revelar a essência eterna de toda criação, representada pelo sal. Podemos associar esse simbolismo à ideia de que toda crise, como a força transformadora que é, traz em si um significado mais profundo que tanto pode ser revelado quanto desvendado pelo simbolismo do tarot. Por fim, na Rosa Mundi original aparece também a palavra I.N.R.I que possui muitas interpretações, tanto no Hermetismo cristão quanto nos textos alquímicos. Essa palavra teria sido escrita numa placa sobre a cabeça de Jesus como um deboche dos soldados romanos, e significaria “Jesus nazareno rei dos judeus”, mais tarde seria interpretada como “O Filho do Rei”, e essa seria uma interessante percepção dessa palavra, já que Kether é a sephira cabalística da divindade e da origem espiritual da vida, e é representada por uma coroa. Reforçando que toda busca do si mesmo é uma busca por comunhão com a divindade. Essa inscrição foi suprimida tanto por Wang quanto por Crowley, da mesma forma que a própria divindade é ignorada por muitos ocultistas, e também, é claro, por muitos tarólogos. Os séculos de deturpação dos ensinamentos do Cristo, que seguiram uma orientação muito mais dogmática-religiosa-institucional do que espiritual-libertária-individual ajudou a criar toda essa lamentável resistência e preconceito.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Cartas da Corte - Ampliando a Percepção...

O Rei de ouros, do
Druid Craft tarot.
Dentre os arcanos do tarot as cartas da corte são as que costumam representar maior dificuldade para quem está se iniciando. A maioria das pessoas não sabe quando devem encará-las como pessoas que participam da vida de quem está se consultando, ou como posturas que o consulente vem assumindo em sua vida, ou ainda como eventos que estão ocorrendo a sua volta... Pois bem, aqui vão três exercícios imaginativos que ampliarão a capacidade de flexibilização arquetípica desses arcanos, e aprofundarão sua percepção intuitiva. Como já disse outras vezes eu nunca tive problemas ao interpretar as cartas da corte! Sempre as tomei num primeiro momento como uma postura interior de quem se consultava comigo, e deixava minha intuição me guiar, e ela sempre me levou na direção certa quando esses arcanos marcavam pessoas dos relacionamentos dos clientes, ou eventos pontuais em suas trajetórias. De qualquer forma tive de elaborar estes exercícios  imagéticos quando decidi ensinar tarologia para outras pessoas, e me deparei com essa dificuldade na maioria dos meus alunos. Recomendo que para cada um desses exercícios se utilize o velho método da anotação manual. Escrever suas percepções com o próprio punho faz com que elas fiquem gravadas em você. O que antes era uma crença mágica muito difundida, hoje é um fato comprovado pela neurologia. Então tenha caneta e caderno na mão antes de começar. Aqui vão eles:

1º) Estude o mais minuciosamente possível o significado das cartas da corte, sempre tendo em mente que são personalidades humanas com características bem marcadas. Quando suas dúvidas minimizarem suficientemente escreva num bloco de notas suas lembranças de quando você mesmo agiu como um desses personagens do tarot. Em que momento você foi amoroso, envolvente ou sensual como uma Rainha de paus? Ou em que momento de sua vida você foi planejador, racional e organizado como o Rei de ouros? E assim por diante, com todas as dezesseis cartas da corte... Anote também, depois de cada descrição, em que situações você estava envolvido e que estimularam ou requisitaram essa postura de sua parte. Esse é um exercício que tanto estimula a percepção das cartas da corte como posturas psicológicas que assumimos diante dos eventos da vida, criando personas, quanto as situações práticas que cada uma delas pode simbolizar numa leitura...


A construção do conhecimento
é um trabalho contínuo, e que envolve 

muito empenho, observação e prática
como nos ensina o Cavaleiro de ouros
(Thoth tarot).

2º) Ainda seguindo nesta linha, escreva em seu caderno de anotações que pessoas em sua vida representam cada uma das dezesseis cartas da corte. Diga também que características se evidenciam e que fazem você associar o comportamento delas a esse ou aquele arcano. Não deixe, é claro, de anotar qual o arcano que define você mesmo na maior parte do seu dia a dia. No exercício anterior você já terá aprendido que nossa personalidade é mutável na maioria das vezes, assumimos posturas diferentes conforme cada situação que vivemos. Agora você terá de avaliar nas pessoas com quem convive, assim como em si mesmo, qual dessas personas (máscaras) elas e você se utilizam mais frequentemente em suas rotinas diárias. Em minha vida, por exemplo, reconheço minha irmã como uma Rainha de espadas: racional, crítica e socialmente reservada e polida, tanto quanto reconheço a mim mesmo como um Rei de copas, que combina sua intuição profunda com sua orientação racional, e que aprendeu a tomar certa distância das próprias emoções para evitar julgamentos ao realizar o trabalho que amo, que é o de intérprete do simbolismo do tarot! Caso não consiga relacionar certos arcanos a pessoas do seu convívio, reflita sobre isso também. Esses arcanos que faltam representam o quê? Qualidades que você despreza, não valoriza ou tem dificuldade de reconhecer ou expressar? Uma das coisas fascinantes que ocorre ao estudarmos o tarot, é que se o fizermos de modo correto, o crescimento que adquirimos no processo é inevitável e muito gratificante para o nosso próprio autoconhecimento.

Dentro de um contexto de leitura as cartas da corte
possuem muitas atribuições possíveis; posturas 

que se assume, pessoas que cercam o consulente, 
ou fatos objetivos do momento... (Osho Zen tarot).

3º) O terceiro exercício amplia ainda mais essa capacidade perceptiva. Procure reconhecer em filmes e peças de teatro que arcanos da corte estão ali representados! Numa obra clássica como Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, a dimensão sonhadora e idealista do Cavaleiro de copas é mais que evidente. Do mesmo modo que a dimensão feminina de sofisticação, sensualidade refinada, e ao mesmo tempo exuberante, da Rainha de ouros estão muito bem representadas em outra obra clássica, A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas. Não é preciso se limitar às obras consagradas da literatura, embora os clássicos possam, por também estarem muito presentes em nosso inconsciente, oferecer referências importantíssimas nesse estudo. Qual carta da corte você daria à Scarlett O’Hara de E o Vento Levou? Ou para O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald? Mais uma vez esse exercício de flexibilização da percepção arquetípica pode ser imensamente útil, não só para ampliar e facilitar o processo imaginativo intuitivo nas leituras de tarot, como para alargar a capacidade de se reconhecer a personalidade das pessoas socialmente com alguma observação! Faça o mesmo com os filmes de sua preferência; quer seja os dramas policiais, quer seja os filmes da Marvel de super heróis. Não há limites!

Para quem possa estar se perguntado se o estudo do tarot seria sempre então uma atividade incessante e em permanente construção eu digo: sim, é! Quanto mais o estudo do tarot sair dos livros e partir para a prática da observação viva dos arquétipos, mais fluente se tornará o seu entendimento, bem como a compreensão e a transmissão de suas mensagens em sessões de leitura. Considerar que já se sabe tudo, ou que se “domina” um sistema de interpretação simbólica tão complexo quanto o tarot é, com certeza, o início da petrificação de conceitos. O que fará com que aos poucos sua visão da vida refletida nos arcanos se torne limitada, arcaica e desconectada do mundo e do tempo em que vive.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Dois Métodos Clássicos de Leitura...


Existem centenas de modos de se dispor as cartas para uma leitura de tarot hoje em dia, e eu trago hoje aqui dois que utilizo sempre em minhas sessões. Um bem antigo e outro mais moderno, que trazem uma excelente perspectiva de uma situação ou conjunto de vivências. Eu os considero especialmente eficientes por oferecerem não só um vislumbre do porvir como uma reflexão sobre o que está conduzindo a situação, e no caso do segundo método, até como se pode intervir nesse momento, e no desfecho da trama.

- O Método Péladan -

Um dos métodos de leitura mais conhecidos do mundo, e um dos mais antigos em uso até hoje. A grande contribuição deste sistema de leitura é justamente a ideia de síntese, ou pano de fundo de uma questão, revelando assim o grande potencial que o tarot tem de revelar motivações subjacentes a uma situação ou conjunto de vivências. O método Péladan se utiliza de 5 cartas arranjadas da seguinte forma:

Péladan, simples e profundo. Introduziu a 
ideia de síntese no tarot, e o conceito de arcano oculto... 

Esse sistema é utilizado para responder perguntas sobre um tem específico, ao mesmo tempo em que pode mostrar o “clima” que envolve este tema no momento de modo genérico. Esse modo de disposição das cartas foi criado por Joséphin Péladan (1858/1918), ocultista e romancista francês que o passou para Stanilas de Guaita que por usa vez passou a Oswald Wirth, que escreveu assim em seu livro *Tarot des Imagier du Moyen Age:

1) O primeiro arcano tirado é visto como afirmativo, que fala a favor de uma causa e indica de uma maneira geral o que está a favor.
2) Em oposição, o segundo arcano é negativo e representa o que está contra.
3) O terceiro arcano retirado representa o Juiz que discute a causa e determina a sentença.
4) A sentença é anunciada no arcano retirado em último lugar.
5) O quinto arcano esclarece o oráculo que ele sintetiza, pois depende dos quatro arcanos retirados. Cada um destes traz o número que marca sua posição na série do tarot (O Louco não numerado é contado como 22). Basta adicionar estes números inscritos para obter, seja diretamente, seja por redução teosófica, o número do quinto arcano. Isso só e aplica, é claro, se você se utilizar apenas dos arcanos maiores na tiragem.

Confesso que quando me utilizo dos significados das posições deste sistema de leitura, não faço uso da redução teosófica para se obter o quinto arcano, que é também conhecido como arcano oculto, e que tem o mesmo objetivo até hoje; revelar o pano de fundo que envolve uma determinada situação! Portanto, eu não me utilizo da forma original do método Péladan. Eu peço ao consulente que retire cinco cartas do maço de cartas, e a última é então a síntese ou quintessência dos fatos.

- A Elipse de Sete Cartas -

Esse método de disposição das cartas é apresentado por Gerd Ziegler em seu livro Tarot Espelho da Alma, e mostra de modo ainda mais amplo que o método Péladan um determinado tema da vida por envolver os três tempos, passado, presente e futuro, e ainda indicar uma atuação adequada para o momento, revelar também as interferências externas e a atuação dos medos e das esperanças sobre o desfecho final. As cartas são dispostas assim:

A Elipse, grande abrangência
com poucos arcanos à mesa.

O significado de suas posições são esses:

1) O passado, o que ficou para trás.
2) O presente, o que se esta vivendo agora.
3) O futuro, ou o que vai acontecer se nada for feito.
4) O que fazer, indica a atuação mais indicada dentro do momento.
5) As influências externas, os encontros e desencontros dentro da situação, quem apoia ou obstrui o fluir dos acontecimentos.
6) Medos e esperanças, revela as expectativas que se guarda sobre o tema e que podem interferir no desfecho fomentando crenças internas, positivas ou negativas.
7) O que acontece, ou onde as coisas desembocam.

A riqueza desse sistema é justamente a de mostrar um panorama tão amplo com tão poucas cartas. É um sistema perfeito para sessões em que o consulente prefira apenas fazer perguntas, sem uma leitura geral preliminar como a Cruz Celta, ou a Mandala Astrológica.

Para saber mais sobre o 
arcano oculto leia também: Lendo com 3 Cartas 

*Pesquisa de Constantino K. Riemma.

A Estrela e a Ecologia...

Existe um Arcano que Simbolize a Ecologia no Tarot?

A Estrela, do tarot Namur.
Sim, tem um arcano que representa a ecologia no tarot, e este arcano é A Estrela! A sua protagonista é a única no baralho clássico que aparece totalmente nua. O movimento naturista defende que justamente uma ausência de roupas permite uma integração maior com a natureza. Na literatura sobre o tarot essa nudez alude à sua abertura aos planos superiores de consciência. A sua volta há um campo onde duas árvores aparecem, e numa delas vê-se um pássaro pousado. Este arcano nos lembra de que somos parte dos elementos e que nossa sobrevivência depende da preservação dos mesmos, bem como da fauna (o pássaro ao fundo) e a flora (toda a vegetação que a cerca). Ela tem duas ânforas as quais derrama sobre a terra e a água, indicando a necessidade não só de equilibrar corpo e alma como aparece na descrição usual desta simbologia, mas também a de preservar a terra e as águas, e as vidas que nelas habitam, pois lembremos que sua nudez é uma clara referência à sua participação neste mundo e de sua dependência dele.
A Estrela do
tarot de Marselha.
A sua cabeça está apontando as estrelas, mas da cintura para baixo ela está integrada com a terra, o que faz lembrar a máxima dos ensinamentos zen budista que dizem que é aqui neste mundo que se dá toda a evolução humana, e que este possui inúmeras metáforas que possibilitam a evolução da consciência e do espírito do homem pela simples observação dos ciclos naturais! Bem como nos diz a definição de ecologia, que seria o estudo das relações recíprocas entre os seres vivos, e o ambiente em que vivem, assim como a influência mútua que exercem entre si. E o homem está inserido nesse grande quadro de sobrevivência interativa, embora prefira muitas vezes ignorar este fato. Sem insetos, por exemplo, para polinizar as plantas morreríamos de fome, mas a maioria das pessoas só pensará nisso o dia que lhes faltar o que comer na mesa. Até lá a maioria seguirá consumindo desenfreadamente, poluído e jogando lixo nas florestas e mares, e caçando esportivamente... Não é à toa também que o décimo sétimo arcano do tarot refere-se a uma abertura de consciência. A Donzela antes encastelada no alto da sua torre (símbolo do arcano anterior, A Torre), agora percebe que fazia parte desse mundo, mas infelizmente só depois que tudo ruiu... Que o trabalho de todos nós que seguimos a senda da Luz seja o de auxiliar nesse despertar, antes que seja tarde demais.

Obs: Para ver os arcanos em tamanho natural clique nas imagens.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Em Defesa da Cartomancia

A Arte das Cartas

O Eremita do tarot de Marselha,
ilustração de Claude Burdel.
A cartomancia é uma modalidade antiga e muito popular de adivinhação e aconselhamento através das cartas. A mais antiga, e que talvez tenha dado origem a todas as outras, é a cartomancia comum, feita com as cartas de baralho para jogo. Popularizaram-se na Europa entre os soldados que retornaram das duas Cruzadas do século XII, a de 1147/1149 e a de 1189/1192. Trouxeram o baralho das suas interações com o povo árabe que se utilizava das cartas tanto para jogos quanto predição. Isso dá à cartomancia uma idade por volta de mil anos! Embora o tarot tenha mais de seiscentos anos, o seu uso oracular só se torna imensamente difundido graças ao trabalho intenso de divulgação tanto prática (dando consultas), quanto teórica (proferindo palestras e cursos) do ocultista francês Etteilla (1738/1791) por volta de 1750, o que faz do tarot um senhor quase tricentenário na divinação. Por fim, o mais novo membro desta família, o baralho Lenormand, nasce de um engano. As cartas originais pertencem a um jogo de lazer que foi criado por um alemão chamado Johann Kaspar Hechtel (1771/1799), e foram publicadas com o nome de “Jogo da Esperança”. Por volta de 1840 as cartas foram lançadas na França em nome de Madame Lenormand, que veio a falecer em 1843. Portanto, as cartas nunca foram ciganas, e nem de Madame Lenormand (1772/1843)! O mais provável é que ela se utilizasse mesmo do tarot clássico, e de leituras astrológicas e das mãos (quirologia) em suas consultas. Ainda assim as cartas chegam ao Brasil por volta de 1929 com o nome de “Cartas Ciganas”, dando início a uma fantasiosa confusão que só é aumentada quando a cartomante Kátia Bastos resolve lançar uma versão nacional do baralho com o nome de Tarot Cigano! Nem por isso o poder divinatório do baralho Lenormand, também chamado de cartomancia francesa, ficou ofuscado, pelo contrário! Grandes leitores mudaram vidas se utilizando desse baralho. Assim sendo as "cartas de Madame Lenormand", as mais jovens da cartomancia, são senhoras quase bicentenárias.
Uma cartomante com cartas
do baralho comum...
Dentre todas as formas de cartomancia o tarot foi a que se popularizou de modo mais grandioso, com inúmeras e belas versões artísticas, como o tarot de Salvador Dali. Estudado por psicólogos, antropólogos e historiadores, os arcanos (ou mistérios) do tarot, como ficaram conhecidas as suas cartas, parecem ser a síntese mais perfeita de muitos conhecimentos ocultos numa única obra. Em seu simbolismo percebe-se analogia com disciplinas muito mais antigas como a cabala, a astrologia, a magia e a mitologia de muitos povos! E isso se deu de tal modo que o estudo do tarot ergueu-se da denominação cartomancia, que literalmente quer dizer “a arte das cartas”, para criar uma nomenclatura própria, a tarologia, que significa “o conhecimento do tarot”. Mas como disse o cartomante, tarólogo e historiador Emanuel J. Santos: “Nem todo cartomante é um tarólogo, mas com certeza todo tarólogo é um cartomante”, ao que eu digo com certeza! Somos todos membros de uma grande família espiritual, a família dos cartomantes. E o que explicaria o imenso sucesso da cartomancia em todas as suas manifestações no mundo de hoje? Creio que por ser de todas as mancias a mais jovem, as cartas resumem em seu simbolismo o significado de muitas outras práticas mânticas mais antigas. Isso sem falar na imensa facilidade de sua aplicação. Com um baralho nas mãos, quer seja o comum, o Lenormand, ou o tarot, podemos realizar uma leitura para alguém em qualquer lugar. Acrescenta-se a isso a capacidade inspiradora de suas imagens de nos fazer intuir com precisão situações, pensamentos, sentimentos, medos e até esperanças de pessoas com quem não temos contato algum, a não ser por aquele breve instante. Só quem trabalha com as cartas sabe o poder de fascínio e arrebatamento que isso proporciona para quem é atendido, tanto quanto para nós que lemos suas mensagens...
A Lua, do baralho Lenormand.
Versão de Ciro Marchetti.
Infelizmente a cartomancia tem sido vista com desdém e desconfiança quer seja por alguns ocultistas, quer seja pelo público leigo e, cá entre nós, nem sempre é à toa! As famosas “lives” do Facebook têm sido a prova de onde se origina tanta má vontade. Pessoas vestidas de forma suspeita, não raro falando com erros de português, dão respostas das mais obscuras as mais vagas possíveis! Numa dessas transmissões uma mulher que fumava sem parar respondia questões feitas a ela usando um Lenormand. Uma pessoa então diz que tem andado muito estressada e gostaria de saber o porquê. A referida cartomante embaralha, tira três cartas do maço e diz que a cliente tem estado muito agitada com muitas coisas do mundo prático dela, mas que o seu stress era mesmo espiritual. E enquanto dizia isso balançava com ares de gravidade os dedos, indicador e médio, onde segurava o cigarro. Logo após recolhe as cartas, e parte para outra pergunta de outro consulente virtual... Bem, não sei para vocês, mas essa me pareceu a resposta mais vaga, obscura e mal fundamentada que se podia dar. O stress, ou estresse em português, é causado por uma sobrecarga de estímulos ou demandas internas e externas que sobrecarregam o sistema nervoso, causando o aumento da produção de um hormônio conhecido como adrenalina, que causa entre outras coisas aumento da pressão arterial, insônia, ansiedade, e muitas outras perturbações sistêmicas. Como seria isso tendo uma origem espiritual? Ela estaria falando de quê? Obsessores? Mediunidade mal trabalhada? Influência mágica dirigida a consulente? Enfim, a lista de possibilidades é imensa, e quanto mais a lista cresce mais absurda parece a resposta da cartomante. Convenhamos que foi uma resposta que não esclarece coisa alguma!
A cartomancia não tem a ver apenas com entender de um certo sistema simbólico e ter intuições precisas, é também sobre orientar pessoas a partir de uma perspectiva interior mais profunda! Por isso recomendo que você ou não fale do que desconhece ou conhece pouco, que é o mínimo da decência, ou que vá ampliar seu cabedal de conhecimentos gerais... Por favor! 
A intuição, um poderoso guia
que se complementa bem com as 

informações da mente racional...
A figura da cartomante com linguagem de jargão do tipo “por noites vejo uma mudança em tua vida”, ou “cuidado, vão te fazer uma ursada minha filha!” está mais do que ultrapassada! Muitos conhecimentos foram agregados à moderna cartomancia, eles podem servir de base quando se precisar dar um nome àquilo que a percepção intuitiva estiver captando. O que acontece é que na carência de conhecimento de um termo exato usa-se o mais conhecido, e que quase sempre é o que se tem o conhecimento menos aprofundado, simplesmente porque não se teve o trabalho de pesquisar. O que parece ter sido exatamente o que ocorreu no caso da cartomante que acabei de citar.
Conheci uma pessoa que possuía imensa vidência com as cartas de baralho comum, mas que não lia nada sobre espiritualidade, esoterismo ou comportamento humano porque acreditava que isso atrapalharia sua visão interior... Pois é! Não preciso dizer que ela perdeu inúmeros clientes, pois que na ausência de um conhecimento mínimo que fosse sobre a alma humana, e numa vaidade imensa de conseguir dizer muitas vezes nomes e datas com precisão, ela caía no “achismo” do seu próprio ponto de vista. Disparando de vez em quando pérolas do tipo: ”que feio isso que você faz!” ou “nossa só arranja mulher feia pra namorar!”. Vaidade e falta de conhecimento é, como vimos, uma combinação mortal. Além de essas pessoas aumentarem exponencialmente o preconceito que as cartas já têm sofrido ao longo dos séculos.
Este exemplo ilustra bem que agregar conhecimentos não só enriquece o vocabulário, mas melhora em muito a postura do leitor, dando-lhe isenção de perspectiva. Em resumo, se você tem resistência com certos temas humanos como infidelidade, drogadição, homossexualidade etc, e nenhuma vocação para aprofundar seu conhecimento com novos aprendizados, ou de aprender com o que cada pessoa lhe traz, então você não tem condições nenhuma de fazer esse trabalho. Não importa o quão intuitivo ou mediúnico você seja.

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