quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Os Traumas e as Crises no Tarot...


O Tarot e o Trauma...

Um cliente veio para sua primeira leitura de tarot, fiz uma Cruz Celta e em seguida uma **Leitura Cabalística, e no mundo de Yetzirah ele tinha Rainha de copas em NetzachRei de copas em Hod e 3 de espadas em Yesod... E eu disse: “Tem uma ligação afetiva ferida aqui, uma conexão de amor sofrida e que ainda ecoa em vocês”... Ele acenou positivamente com a cabeça... Depois me relatando a história disse: “Há alguns anos terminou uma relação que durou sete anos, e que pensei ser para toda a vida. Nunca trai nem pensei noutra mulher nesse tempo e, de repente, ela termina tudo!”. Ele ficou sem saber o que fazer ou o que sentir (Rainha de copas), e nunca mais conseguiu se entregar a um único relacionamento (Rei de copas)... O 3 de espadas em Yesod (que simboliza as imagens do inconsciente) me passou a clara sensação de um trauma introjetado, e ele o pressentia não aceitando esse seu comportamento... Quando usei a palavra “trauma” ele acenou positivamente com a cabeça outra vez, mas dessa vez com ares de espanto, como se tivesse reconhecido que fazia todo o sentido o emprego da palavra. Eu falei que ele precisava de ajuda para tratar aquilo, e ele disse que finalmente tinha reconhecido isso. Estava em terapia desde janeiro deste ano...  Comentou sua vontade de usar o reiki como suporte do tratamento e pediu explicações. Indiquei também florais para auxiliar no processo de reconhecimento e tratamento do trauma... O tarot é mesmo mágico!

Crises são Necessárias...

Crises são necessárias, porque ninguém cria algo que seja necessário dentro de uma zona de conforto. O problema é quando deixamos a crise se esparramar pelo nosso emocional, e nos tornamos críticos demais. Essa semana atendi um rapaz que, de cara, trazia um Ás de copas (a vocação da alma) cruzado pelo arcano de A Torre (senhora das crises grandes)... Estava em conflito com a sua vocação de alma (a arte e o mundo da criação). Havia muitas cartas do naipe de copas (emocionalidade exacerbada), e uma Rainha de espadas no seu consciente que representava a porção impiedosa da psique dele para com ele mesmo, que era crítica demais, dura demais, e o fazia olhar para o futuro como um 5 de outros: invalidado, com medo da pobreza, e da perda do respeito e do amor daqueles que lhes eram caros... Felizmente A Imperatriz o esperava no fim da Cruz Celta, parecia lhe dizer: “Calma! A crise o faz querer ser melhor, o faz querer se aperfeiçoar”. A crise é o caminho da excelência, a menos quando nossa autoestima está precisando de reforços por causa de outras batalhas perdidas... A Morte marcava sua personalidade, estava entristecido, lúgubre, sem forças vitais. Em seguida ele confessou que andava tendo pensamentos suicidas! Perguntei se ele já havia feito terapia antes, ele disse que sim. Recomendei que voltasse, ia precisar de um empuxo extra pra transformar o combustível da crise num movimento de transmutação.

**Leia também: A Leitura Cabalística 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

As Gerações de Plutão...

Cinco gerações de Plutão que reformularam o mundo e influenciaram a vida de milhões de pessoas... Se Netuno inspita e traz a visão, Plutão traça o caminho... Qual é a sua geração?

Plutão em Leão – 1939/1957 – 
Bomba Atômica/Fascismo
Plutão em Leão, os divulgadores do autoconhecimento.

LUZ – Esta é geração dos líderes da transformação, são aqueles indivíduos que motivam um movimento a partir de dentro (Plutão), para acessar o poder pessoal e a transformação da vida, trazendo à luz da consciência todo o potencial latente (Leão). Nesse período nasceram os grandes magos e curadores que preparam o campo para a geração de Netuno em Escorpião alçar voos mais altos, e que popularizaram os termos autotransformação e autoconhecimento.
SOMBRA – Este aspecto regeu a propagação de todos os movimentos políticos totalitários e sectaristas da história da humanidade. Na personalidade humana exalta o controle, a manipulação e o autoritarismo. Um sentimento inato de superioridade que pode descambar para a arrogância e o desprezo por aqueles que considerem inferiores. Não favorecendo a empatia, a benevolência, e a generosidade, tão belas qualidades superiores do signo de Leão!

Plutão em Virgem – 1957/1971 – 
Alimentação e Saúde/Ecologia
LUZ – Essas pessoas possuem a percepção da estreita relação entre a natureza e a humanidade, e dos alimentos com a saúde física e até mental. Nesse período começa a macrobiótica, e posteriormente o vegetarianismo e veganismo. Essas são as pessoas com maior preocupação com a saúde, o bem estar do corpo e da mente através da nutrição do corpo, e também da necessidade da preservação da fauna e da flora em todo o planeta.
SOMBRA – A obsessão pelo trabalho e a produção, o desejo de fazer cada vez mais e melhor, o que mais tarde seria chamado de “workaholic”, um viciado em trabalho. Há obsessões com a saúde e a rotina, podendo ser um tipo hipocondríaco e catador de defeitos. Nesse período a humanidade teve avanços tecnológicos no campo e na indústria, e os direitos trabalhistas foram criados. A obsessão com a organização pode toldar a visão da amplitude da vida!

Plutão em Virgem, os iniciadores do movimento vegetariano e naturalista.

Plutão em Libra – 1971/1983 – 
O Divórcio/Guerra dos Sexos
LUZ – Esta é a geração das pessoas que entendem a necessidade de se transformar os tabus e os preconceitos sociais para a melhoria das relações interpessoais e até internacionais. E que lançam um olhar para o outro para apoiá-lo em seu crescimento e desenvolvimento, ou na luta por seus direitos. Nesse período que as terapias, sobretudo a psicanálise, se popularizaram como uma forma de dar suporte às transformações (Plutão) que as relações sofreram (Libra).
SOMBRA – Há uma obsessão por justiça e direitos que podem desestabilizar justamente o que é mais caro ao signo de Libra: a harmonia pessoal e nas relações como um todo. Por outro lado essa ânsia por justiça pode ser substituída por uma necessidade compulsiva de relacionar-se, o que traz dependência afetiva dos parceiros, ao mesmo tempo em que uma dificuldade imensa de ficar numa relação que demostre qualquer tipo de desigualdade, ou desarmonia.

Plutão em Escorpião – 1983/1995 – 
AIDS/Onda Esotérica
LUZ – Aqui Plutão traz à personalidade profundidade e complexidade. Atração pelo mistério e as coisas profundas. Nesse período o oculto ganhou a atenção da psicologia e psiquiatria mais que nunca, e proliferaram as terapias alternativas de transformação pessoal. Os nativos desse período são intensos reformadores da alma e dos conceitos que aprisionam a essência. Questionadores vorazes sobre o sentido da vida, apreciam todas as formas de transformação interior.
SOMBRA – Obsessão por dinheiro, por controle, e poder. Além de uma dificuldade imensa de se expor, essas pessoas possuem muitas fixações sobre temas obscuros, como a morte e o suicídio. Além de falta de esperança nas pessoas, no sistema e nas religiões. Foi a geração da AIDS, que em princípio foi considerada um castigo divino. Possuem uma grande repressão emocional que os pode inclinar para compulsões sexuais variadas, ou crises de identidade.

Plutão em Sagitário – 1995/2008 – 
Crise na Igreja/Guerra Oriente X Ocidente
Plutão em Sagitário, os reformadores sociais.

LUZ – Essas pessoas são filosóficas e naturalmente idealizadoras. Querem aprender e ver um mundo novo sem demora. Desafiam as convenções e as questionam com a ideia de desconstrução do que é velho. Possuem uma mente ousada, dada a fazer experimentos e avançar sobre os temas com certa facilidade, pois conseguem ver de modo amplo (Sagitário) e profundo (Plutão) ao mesmo tempo todas as questões a que se propõe estudar ou investigar.
SOMBRA – A desconstrução constante pode torná-los incapazes de discernir entre o que ainda é útil e válido em suas vidas ou nos costumes sociais. Podem facilmente se tornar indivíduos que amam ter contra o que se contrapor, rebeldes sem causa ou conteúdo que realmente contribua para o desenvolvimento da comunidade humana. A sua ânsia pelo embate muitas vezes oculta uma profunda insatisfação consigo mesmo que não conseguem localizar ou resolver.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

As Gerações de Netuno

Três importantes gerações de Netuno... 
E seu legado para um novo mundo. 
Qual é a sua geração?

NETUNO EM ESCORPIÃO (1956/1970) 
- Movimento Hippie -
Netuno em Escorpião - Em busca da
Transcendência.
Essa é a geração que nasceu com a busca pelo transcendente incrustrada na alma, que querem ir além das experiências comuns, e que percebem a vida sob uma perspectiva única. Consideram o mundo tridimensional imitado demais, e buscam novas formas de vivê-lo... Seja do ponto de vista real ou conceitual. São intensos, intuitivos e suas inclinações místicas os aproxima mais da exploração da intuição profunda, do ocultismo, da mediunidade, da magia e do ritualismo (influência de Escorpião), do que a típica confiança devocional, profundamente empírica, tão comum às vibrações netunianas. Esses nativos trazem essa ânsia pelo mais amplo, o mais intenso e o mais profundo em todas as atividades a que se dediquem. Os que não captaram as melhores vibrações desta posição de Netuno, e caíram em sua sombra, se entregaram à obscuridade, à drogadição e vícios de todo tipo; sentimentos sombrios e autodestrutivos e se perderam literalmente na sua jornada sem nunca saciar a sua sede pelo transcendente.
TEMAS DE INTERESSE: Psicologia, psiquiatria, sexologia; magia, ocultismo, autoconhecimento, oráculos, meditação, estados alterados de consciência, curas, medicina alternativa, sexo transcendente. Conexão com espíritos ou entidades superiores, xamanismo e ancestralidade, e também sociedades alternativas.

NETUNO EM SAGITÁRIO (1970/1984) 
- Globalização -
Netuno em Sagitário - Em busca de um mudo para todos!  
Essa é a geração que busca uma visão engrandecedora da vida, sentem um impulso por descobrir fronteiras, internas e externas, e de vencer os limites pessoais. São levados pelo impulso interno de ampliar conhecimentos, relações e atuações em vários níveis. Essa geração se interessa por temas globais e unificação dos povos e das culturas. Bem como as temáticas de cunho social como direitos humanos, e cuidado ambiental. São compelidos a realizar suas visões de vida em todas as atividades a que se dediquem. Quando não bem direcionadas as vibrações desse Netuno tendem a ficar escapistas demais, e também tendem a experiências sem retorno no uso de alucinógenos, e a busca desenfreada e sem sentido de aventuras. O idealismo mutante e sem propósito definido também pode ser uma das sombras dessa geração, ou sentir que tem “algo grande a fazer”, mas sem ter certeza do que é, ou mesmo por onde começar. Além de ter dificuldade de separar o que é possível do que é impraticável!
TEMAS DE INTERESSE: Viagens de exploração, turismo, esporte, competições de todo tipo, arte multicultural, ambientalismo, diplomacia, política, e todo tipo de militância social. Práticas corporais transcendentes como yoga, quigong, ou artes marciais; do in, acupuntura, e a saúde holística como um todo.

NETUNO EM CAPRICÓRNIO (1984/1998) 
- Geração Yuppie -
Netuno em Capricórnio - Em busca de um mundo
mais funcional e humano.
Embora a geração yuppie tenha sido marcada pela imagem do jovem que “se entregou ao sistema”, ao contrário da geração hippie que buscava uma alternativa ao sistema, essa geração de Netuno em Capricórnio foi a que levou um ambiente mais humanizado às grandes empresas. É a geração que incorpora os versos da banda brasileira Titãs quando eles cantam: “a gente não quer só dinheiro/a gente quer dinheiro e felicidade”. Entre as suas aspirações está o desejo de tornar o mundo mais funcional e também mais humano. O lucro limpo, o negócio humanizado, a conjugação simultânea do velho e do novo para o crescimento de todos. Essas pessoas não desprezam as tradições, elas preferem sua releitura para a continuidade de suas aplicações. Buscam o sentimento de prazer e realização com o trabalho, e também sua missão de vida. Se não se utilizam bem desse aspecto viram mesmo só materialistas que adoram o sucesso material para se sentirem poderosos, respeitados ou amados.
TEMAS DE INTERESSE: Administração, direito, economia, politica, e todo tipo de profissões de poder e legislação. Suas inclinações espirituais se voltam para a integralidade no mundo material, tipo yoga e meditação (também em seu uso laboral); astrologia, a numerologia e o eneagrama como sistemas “mais cerebrais" de autoconhecimento, e também o uso empresarial/financeiro desses sistemas ancestrais.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

A Leitura Cabalística

As Sephiroth
O caminho da Serpente na Árvore da Vida,
uma viagem simbólica por todos os seus
caminhos (letras/sons), e sephiroth (números).

A Leitura Cabalística é meu segundo método de leitura de tarot preferido, e muitas vezes chego a usá-la como um desdobramento da Cruz Celta Inicial. Dez cartas nas posições relacionadas logo abaixo serão dispostas ocupando a posição de cada sephira cabalística, e essas emprestarão suas atribuições ao significado de cada arcano que a estiver ocupando. Este método de leitura é bem difícil, e até desaconselhável, para iniciantes. Seu simbolismo complexo reflete a visão mística da interação homem/universo e procura refletir cada experiência humana como um portal para um aprendizado mais profundo que o eleve, e que novamente o una a sua condição superior. De forma alguma isso exclui a visão prática da vida, pelo contrário, dá para a vivência comum uma conotação superior, como uma chave para a elevação do ser e do seu nível de percepção da existência. Os arcanos deverão ser lidos como símbolos conectados uns aos outros, como normalmente ocorre nas leituras usuais. Aqui, entretanto, há o convite para que se veja as cartas também como um conjunto harmônico, o que poderá ampliar as interpretações iniciais... Enfim, é propício que se tenha noções razoáveis de cabala, astrologia e um bom envolvimento com a simbologia do próprio tarot, é claro.
Este sistema de leitura, assim como a Cruz Celta, funciona como um método de leitura geral. Eu costumo abrir a Cruz Celta inicialmente para colher mensagens para o cliente, depois dessa interpretação eu misturo as mesmas cartas já retiradas e as disponho na forma da Leitura Cabalística, assim a minha leitura inicial confirma os pontos já levantados e, não raras vezes, me dá novos ângulos sobre o que foi dito ou revela outros tópicos que eu não havia apreendido inicialmente. Assim sendo eu uso os dois sistemas conjuntamente, mas a Leitura da Árvore da Vida, ou Cabalística pode ser feita de modo direto! Apenas quis compartilhar minha experiência, que tem sido maravilhosa!
Apresento esse sistema de leitura como um incentivo ao estudo da cabala esotérica, mais do que à judaica. A cabala esotérica foi apresentada ao mundo no século XV pelo renascentista italiano Pico della Mirandolla (1463/1494), que viu na cabala relações simbólicas que, segundo ele, comprovavam a própria santidade de Cristo. Isso incomodou a Igreja na ocasião, pois os judeus eram mal vistos na sociedade da época, e a sua morte talvez tenha sido mesmo encomendada. Porém, a relação tarot cabala só ocorre cerca de quatro séculos depois, pela intervenção de outro sábio do ocultismo, o mago e tarólogo francês Éliphas Lévi (1810/1875) no século XIX.
A cabala é, como já disse antes, um complexo sistema simbólico e místico, e o sistema de leitura que apresento não engloba todo seu cabedal simbólico, mas sim aqueles que me pareceram mais adequados a uma leitura. Aqui, além do significado de cada sephira, também exploro o simbolismo dos quatro mundos da manifestação nos quais as dez sephiroth estão contidas. Cada posição será apresentada com o nome da sephira em hebraico, sua tradução, os símbolos correspondentes, os seus muitos títulos, que expresam sua natureza mais profunda e, por fim, o significado de cada poisção para uma aplicação oracular! 
Vamos à disposição das cartas:

1) KETHER – Coroa – Símbolos: Coroa, o ponto, a suástica (que é símbolo do poder solar).
Títulos: A fonte de energia do infinito invisível. A inspiração daquilo que não existe. A origem daquilo que existe. De onde viemos e para onde voltaremos.
Na leitura – A questão que origina o momento com suas buscas e angústias, o que move a pessoas a buscar respostas para seus conflitos ou anseios, o que a orienta nas suas buscas no momento da leitura.

2) CHOKMAH – Sabedoria – Símbolos: O falo/lingam (o falo arquetípico do grande pai), a linha, o yod (primeira letra hebraica), o zodíaco.
Títulos: O pai celestial. Desejo de poder. Fluxo da energia dinâmica. O grande estimulador. O primeiro positivo.
Na leitura – A direção para onde se dirige o foco, o que se pretende fazer ou os primeiros mapas mentais do que se fazer a partir do reconhecimento do que temos de enfrentar. A perspectiva com que encaramos o que se apresenta.

3) BINAH – Compreensão – Símbolos: A vagina/yoni (a vagina arquetípica da grande mãe), o triângulo, a taça, o planeta Saturno.
Títulos: Mãe suprema. O desejo de criar. Organizadora e compensadora. O grande mar.
Na leitura – Os primeiros movimentos tomados a partir da estratégia elaborada anteriormente, os recursos que movimentamos. As primeiras ações, contatos. O que se faz ou se deixa de fazer.

4) CHESED – Misericórdia – Símbolos: A pirâmide, o quadrado, o cetro, o planeta Júpiter.
Títulos: O construtor. O pai amoroso que é rei. Receptáculo dos poderes. Estrutura de manifestação.
Na leitura – A estrutura básica que nos mantém, coisas como segurança, vida material e econômica. As coisas materiais ou psicológicas que nos sustentam e nos apoiam. O que temos de bem resolvido ou já estabelecido em nossas vidas no momento.



5) GEBURAH
– Força – Símbolos: O pentágono, a espada, a lança, o açoite, o planeta Marte.
Títulos: O destruidor. Rei guerreiro. Capacidade de julgamento. Clarificador. Eliminador do inútil.
Na leitura – Aspecto crítico do momento, o tema sensível, ou a questão não resolvida e que incomoda ou fere. O que se sente como um limite ou incômodo. A coisa (sentimento, fato ou evento) que confronta o indivíduo, o desequilibra e o desafia a ser superada.

6) TIPHARETH – Beleza – Símbolos: A rosa-cruz, a cruz da cavalaria, o cubo, o Sol.
Títulos: Consciência do Eu Superior e dos Grandes Mestres. A visão da harmonia das coisas. Cura e redenção. Os reis elementares.
Na leitura – O reconhecimento dos sentimentos mais profundos sobre o que se está vivendo no momento. A força interior, e como ela se manifesta. Um arcano negativo aqui poderá mostrar sua face mais construtiva. É a conexão com o sagrado interior e como ela se dá!

7) NETZACH – Vitória – Símbolos: O cinto, a rosa, a lâmpada, o planeta Vênus.
Títulos: Amor. Sentimentos e instintos. A mente grupal. A natureza. As artes.
Na leitura – O âmbito dos relacionamentos, a expressão da afetividade interior. O modo de se relacionar ou como se encara essa faceta da vida no momento. Revela também como mantemos a qualidade dos nossos relacionamentos.

8) HOD – Esplendor – Símbolos: Nomes e versículos, o avental do mago, o planeta Mercúrio.
Títulos: A razão. A mente individual. Sistemas, a magia e a ciência. Ponto de contato com os Mestres. Linguagem e imagens visuais.
Na leitura – A comunicação com o mundo. Como mantemos nosso entendimento com as pessoas das nossas relações. E de que modo tornamos nossas relações estáveis ou desequilibradas com nossa forma de comunicação, e como apresentarmos nossas ideias ou posições pessoais.

9) YESOD – O Alicerce – Símbolos: O perfume, as sandálias que se usa no templo, a Lua.
Títulos: A luz astral. O depósito de imagens. As energias cíclicas subjacentes à matéria.
Na leitura – As energias que trocamos ou apreendemos com o meio ambiente ou com as pessoas com quem nos relacionamos. A energia vital, e também a libido - no sentido de força de vida - que poderá ou não ter conotação sexual.

10) MALKUTH – O Reino – Símbolos: O altar de dois cubos sobrepostos, a cruz grega (de braços iguais), o círculo, o triângulo, e o último he do nome sagrado de Deus.
Títulos: A Terra em que caminhamos. Kether inferior. O complemento. A mãe inferior.
Na leitura – A base sobre a qual se está apoiado no agora, para onde convergem todas as vivências do momento. Uma síntese que reforçará ou obstruirá o andamento das vivências apresentadas pelos arcanos anteriores.

Os Três Triângulos

As dez sephiroth cabalísticas estão distribuídas por quatro mundos que filtram a manifestação das coisas, do mais sutil ao mais denso. Da alta emanação inspiradora de Deus, e todas as inspirações são divinas, até a concretização na base da Árvore da Vida. Esse percurso sofre as influências do homem em seu processo cultural, e mesmo de amadurecimento espiritual. Numa leitura isso fica muito evidente ao observarmos a predominância de um ou outro naipe na disposição das cartas que foram retiradas. Eis como ficam:

As sephiroth estão dispostas em
quatro mundos de manifestação ao longo da Árvore.

ATZILUTH – O Puro Espírito – Elemento fogo

É formado pelas cartas na posição de Kether, Chokmah e Binah e representa as ideias ou inspirações que estão impulsionando o indivíduo naquele momento. Pode também representar ideias formatadas como um mapa mental das ações no momento. As três cartas nessa posição devem ser interpretadas separadamente, e em seguida conjuntamente, para que se possa perceber como está funcionando a harmonia entre elas.

BRIAH – Mundo Criativo – Elemento Água

É formado pelas cartas nas posições de Chesed, Geburah, e Tiphareth e representa as emoções mais profundas que estão sendo evocadas pelas presentes vivências, e de certa forma movendo-as. A presença de conflitos aqui podem “travar” a execução as ações antevistas no mudo de Atziluth. Essas cartas também devem ser interpretadas separadamente, e em seguida conjuntamente para se ter uma visão ampla de sua interação simbólica.

YETZIRAH – Mundo Formativo – Elemento Ar

É formado pelas cartas que ocupam as posições de Netzach, Hod e Yesod, e representa as ideias que estamos formando e divulgando ao nosso meio, e como isso afeta nossas relações pessoais mais diretamente. Esse conjunto de cartas também dever ser analisado individual e separadamente como as outras para se obter a visão específica e geral simultaneamente. Isso ajuda muito a dar uma ideia clara das vivências internas e de seus reflexos exteriores.
Considero esse o único sistema de leitura que permite esse olhar!

ASSIAH – Mundo Ativo – Elemento Terra

As emanações dos três triângulos superiores (Mundos) desembocam nesse como um rio no mar, e reforçam ou desestabilizam essa base/síntese sobre a qual as vivências se sustentam. Se o arcano for negativo nessa posição, no sentido de desafiador, há de se resgatar o simbolismo construtivo dos arcanos posicionados em Kether e Tiphareth.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Tarot, Astrologia e a Pandemia...

O Tarot e a Pandemia

O tarot, um instrumento de investigação da vida,
do tempo e do nosso processo evolutivo pessoal...
Uma amiga me perguntou sobre o que o tarot diz a respeito dessa crise, e se haveria de fato uma conspiração contra o sistema financeiro mundial... Partes da minha resposta estão aqui, esditadas no sentido de deixar o mais claro possível! Não uso o tarot para coisas genéricas como mensagens para os signos e a única vez que o fiz foi a convite do Clube do Tarot, ou para ver a situação política do país. os arcanos são, a meu ver, uma nave simbólica para sondagens particulares... Mas essa éa minha opinão, e não uma verdade absoluta para o tarot. Há aqueles que fazem previsões anuais e mudiais e se saem muiotbem!
Eis minha resposta:

Não uso o tarot para questões globais, não acredito que ele sirva para isto. O tarot é para consultas individuais, para se aprofundar na essência de cada um numa investigação íntima de si mesmo, do tempo, e sobre o sentido da própria existência. Serve para que cada pessoa extraia o melhor de uma situação para o seu crescimento. Numa crise dessas, por exemplo, que é a mesma para todos, cada um reagirá de um modo diferente, porque são universos diferentes. Uns crescerão, outros ruirão! 
A astrologia se presta melhor pra isto, aí sim Plutão (transformação) em Capricórnio (governo) nos fala, entre outras coisas, de lutas pelo poder e de um abalo em governos autoritários. Urano (renovação) em Touro (valores morais e materiais) fala, por sua vez, de mudanças na forma como nos relacionamos com o dinheiro e o meio ambiente. Então se há ou não golpe ou conspiração contra o sistema financeiro global, não importa muito... A proposta é mudar e renovar nossa relação com a Terra, e rever a sociedade que estruturamos sobre ela...

Não se Esqueçam de Netuno

O mundo da astrologia parece estar vidrado na passagem de Plutão em Capricórnio, e de Urano em Touro, e suas respectivas influências nos governos conservadores pelo mundo afora, e na mudança da nossa relação com o trabalho, o dinheiro e o consumo! Todos parecem, entretanto, se esquecer de que Netuno entrou em Peixes em 2012 e ficará ali até 2026... Aliás, lembram-se daquele prometido fim dos tempos do calendário maia entre 21 e 23 de dezembro de 2012? Mal interpretado, e explorado do modo mais burro e sensacionalista possível? Pois é, nunca foi fim o dos tempos, mas o nascimento de uma nova forma de relacionamento com a Terra e a natureza! Isso soa familiar agora por acaso? Foi dessas conexões que veio nos falar Netuno em Peixes. As conexões transcendentes, e essas não se limitam ao mundo extra físico. Assim como dentro fora, o mundo manifesto espelha o mundo transcendente. Não é à toa que muitas meditações ocorrem em meio à natureza. E que os grandes Mestres do passado buscaram o ambiente natural para meditar, obter revelações ou se iluminar. Buda o fez debaixo de uma figueira, Moisés no deserto e na presença de uma sarça em chamas, Jesus também foi meditar no deserto...

Netuno em Peixes, uma possibilidade de integração
espiritual entre a comunidade terrena e o planeta. 

Bem, Netuno em Peixes está nos lembrando de nossa unidade com o todo, ou seja, uns com os outros e com este mundo. A imagem do signo de Peixes é justamente a de dois peixes que abocanham um mesmo cordão e estão ligados a ele, apesar de se dirigirem a lados opostos. Esse abocanhar o cordão também pode estar simbolizando a dor de ser “capturado” pelo destino ou o Karma. Essa ampliação de consciência pode se dar pela via dolorosa, mas na verdade até se torna mais fluente pela perspectiva espiritual da vida, o que para muitas pessoas só se dá depois de alguma tragédia ou infortúnio. Essa pandemia foi um infortúnio para todos nós! E o que mais fez foi estimular as pessoas a rezarem, meditarem e mergulharem em si mesmas... Claro que para aqueles que não tinham o hábito isso está sendo a antessala da depressão, da ansiedade, e das fobias. O “si mesmo” pode ser um lugar bem assustador para quem não quer esse confronto. Essa posição de Netuno vem nos mostrar justamente que a perspectiva espiritual da vida não pode ser ignorada. Ela facilita a compreensão de certos aspectos da nossa existência tanto como indivíduos quanto como sociedade. O suicídio essa semana do querido ator Flávio Migliaccio, que deixou uma carta dizendo que “a humanidade não deu certo”, é o testemunho da percepção que ele colheu ao fazer esse mergulho em si mesmo. Sem nenhum questionamento de valor, não há certo ou errado, há aquilo com que estamos conectados. Na mesma cara ele cita “esse tipo de gente que acabei encontrando”... No fim tudo se resume ao que nos conectamos, ou a quem. Mas de qualquer forma é sempre uma escolha. As conexões que fazemos e as perspectivas com que olhamos a vida é uma escolha nossa, e suas consequências também.
Peixes, o signo da espiritualidade e das
conexões invisíveis que nos unem...
Netuno também favorece as contaminações, os contágios que advém destas conexões, pois como foi dito a pouco, dentro de uma mesma experiência pessoas se conectam a diferentes aprendizados, tiram conclusões totalmente diferentes umas das outras e atuam a partir delas...  Então um vírus traz essa pandemia e consequente quarentena para que cada um de nós descubra o trabalho a ser feito sobre si mesmo. Uns já o estão fazendo, outros descobrirão, e há também aqueles que não têm noção do que, afinal, eu estou falando!
Netuno em Peixes fala, entre outras coisas, das conexões da família humana com este planeta, e que nunca deveriam ser esquecidas ou desrespeitadas. Fala também da conexão com o transcendente em nós, e nas manifestações físicas desse nosso lindo mundo onde ele se reflete, bem como das conexões que faremos com as coisas e as pessoas que nos rodeiam, e que são fruto de nossas escolhas, vivências e amadurecimento espiritual. Todas essas coisas interagem simultaneamente e moldam nossas vidas e destino. Tudo o que nos resta a fazer é estar conscientes desse processo, daí a importância do autoconhecimento.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

A Roda do Ano da Golden Dawn

A roda do ano da Golden Dawn e suas relações entre cartas da corte,
arcanos menores, os decanatos zodiacais, os signos e as estações do ano...

Os arcanos maiores do tarot parecem definitivamente atrelados aos caminhos das sephirot da cabala e são, de modo determinante a espinha dorsal da compreensão do simbolismo do tarot. Muito embora em termos cabalísticos as sephirot sejam mais importantes que os caminhos, eles acabaram se destacando por representarem poderosas forças de transição que criam eventos que por sua vez levam a novos estágios de consciência representados por cada uma das dez sephirot. O tarólogo, cabalista e escritor Robert Wang diz que: “o Tarot é um mecanismo de aprendizado projetado para facilitar a viagem subjetiva da consciência de um para outro centro objetivo de energia.”. E enquanto os arcanos maiores se conectam às 22 letras cabalísticas, ou sons primordiais, os arcanos menores se tornam mais compreensíveis à luz dos elementos astrológicos. Os quatro ases relacionam-se com os Elementos Primordiais, que também estão em Kether, e também à própria origem do Tetragrammaton. Embora eles não sejam os próprios elementos, mas sim sua origem projetada sobre o mundo físico. Ou seja, mais uma lembrança de que o mundo simbólico nada mais é do que a representação de planos mais abstratos. Quando representamos a Árvore da Vida, por exemplo, no mundo físico os Ases ficam no pólo norte, acima dos valetes ou princesas, que ficam no pólo sul e que são chamadas de os “Tronos dos Ases”, e por isso foi-lhes atribuída como morada a sephira de Malkuth, o mundo em que habitamos. A Golden Dawn diz que os quatro Ases governam a evolução do Universo, por conectarem o plano formativo ao plano material onde vivemos. Na roda da Golden observa-se que os ases de cada naipe regem o mesmo período de tempo que dos valetes correspondentes. As demais cartas dos arcanos menores foram arranjadas pelos magos da Golden numa roda zodiacal com decanatos. Esse arranjo astrológico foi criado pelo matemático grego Ptolomeu no antigo Egito. Assim a roda do zodíaco com 360º é dividida em 36 sessões de 10º cada, o que faz com que cada uma das doze casas zodiacais tenha três decanatos, e cada um desses decanatos corresponde a um dos arcanos menores do tarot. Essas divisões correspondem também a dias do ano, e assim podemos atribuir a cada pessoa uma das cartas dos arcanos menores conforme a sua data de aniversário!
O zodíaco tem como simbologia básica as casas e os planetas, as casas são divisões de 30º do zodíaco, cada uma das quais correspondem a um dos doze signos legado a ela. Áries na casa I, Touro na II e assim por diante. Sendo assim cada signo tem três decanatos, sendo cada um deles governado por um planeta diferente. Os planetas são pontos emissores de energias específicas, que nos decanatos permeiam a qualidade de cada signo, mais ou menos o contrário do que ocorre na interpretação do mapa astral e na leitura dos trânsitos, onde os signos é que qualificam a energia dos planetas! Essa energia é de tal forma específica a ponto de poder ser representada por uma carta do tarot.


Outra imagem que relaciona os arcanos maiores correspondentes aos signos,
as cartas da corte, e as cartas numeradas de dentro pra fora da roda...

A Golden rejeitava o início do zodíaco em 0º de Áries por considera-lo arbitrário! Retomaram assim ao um velho sistema que coloca o início do zodíaco em 0º de Leão, que corresponde ao 5 de paus. Uma carta cheia de energia combativa...! O grau 0 de Leão está associado com a estrela Regulus (Cor Leonis), ou o Coração do Leão, considerada uma das cinco estrelas sagradas da antiga astrologia pelos persas, e que simboliza honra, coragem, força e determinação! Também foi associada aos reis, pois que essas qualidades eram tidas como imprescindíveis para um bom soberano... Curiosamente, o último arcano da série das cartas numeradas, o 10 de ouros, corresponde ao último decanato de Virgem, o signo que sucede Leão e que é regido por Mercúrio!  Este arcano fala da cocriação da realidade, e parece haver aqui claramente a ideia de que o poder tem de se colocar de algum modo ao serviço do mundo e do próximo, já que Virgem é o signo da excelência em servir. O esquema da Golden também só leva em consideração os sete velhos planetas da astrologia antiga: Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.  

Regulus, uma das estrelas da constelção de Leão!


No Liber T* encontra-se a seguinte declaração: “Havendo 36 decanatos e apenas sete planetas, segue-se que um dos últimos deve governar um decanato a mais do que os outros. Este planeta é Marte, ao qual é atribuído o último decanto de Peixes (10 de copas) e o primeiro de Áries (2 de paus), porque a superação do prolongado frio do inverno e o início da primavera requerem uma grande quantidade de energia”.
Na relação simbólica da Golden Dawn a cada decanato e arcano menor é atribuído um par de anjos, um dos quais reina sobre o dia e outro sobre a noite, ou seja, representando a dualidade de cada carta em seu aspecto tanto de luz quanto de sombra! Essa relação angélica, que não exploro aqui, deriva de uma ideia constante de que as cartas derivam de Yetzirah, o mundo dos anjos, em oposição aos arcanjos de Briah, ou aos deuses de Atziluth. As cartas seriam então imagens astrais que ilustrariam o mundo da matéria, situado abaixo, e refletindo simbolicamente os mundos da mente e do espírito que ficam acima. Yetzirah é o mundo formativo na cabala, através do qual os princípios superiores são transmitidos às vidas humanas. Um universo que é formado por imagens refletidas de acima e de baixo, o que explicaria o tarot ser tão eficaz na predição, e tão profundo como instrumento de autoconhecimento!

Sobre as Cartas da Corte

MacGregor Mathers disse que as cartas da corte não estariam nas sephirot (centros de consciência), mas além delas. Assim cada cavaleiro representaria, por exemplo, as forças elementares do Tetragrammaton nos quatro mundos da Cabala: Atziluth, Briah, Yetzirah e Assiah, que correspondem respectivamente aos quatro elementos do mundo concreto, tanto quanto da magia; o fogo, a água, o ar e a terra. Por esse motivo essas cartas podem representar pessoas numa predição, essas pessoas representariam qualidades dos elementos com que teríamos de lidar, ou aspectos da personalidade que se evidenciam em nós mesmos diante de determinadas situações. Situações práticas também podem ser representadas por essas cartas, situações que nos fariam lidar com energias elementares específicas dentro e fora de nós mesmos. Há ainda a afirmação de que as cartas da corte podem representar decisões, da nossa parte ou de outras pessoas, que colocam em ação as forças cegas representadas nas cartas numeradas de 1 a 10 dos arcanos menores. Como digo aos meus alunos, os arcanos maiores são os grandes acontecimentos arquetípicos, as cartas da corte as atitudes (ou decisões) que tomamos diante de tais acontecimentos, e os arcanos menores numerados as consequências disso tudo no mundo prático visível...


Cartas dos arcanos menores e da corte do Visconti-Sforza tarot:
da esquerda pra direita o 3 de paus, o cavaleiro de paus e o 2 de copas.

Citando mais uma vez Robert Wang: “Os Trunfos (arcanos maiores) geralmente representam forças kármicas que também influenciam as cartas menores numeradas. Repetindo: Na adivinhação as Cartas Reais são as escolhas dos homens, os Trunfos são as escolhas dos Deuses (embora num nível mais complexo, estas escolhas são também nossas) e as cartas pequenas são as forças postas em jogo”.
As cartas da corte, ou Cartas Reais como descreveu Wang, têm também correspondências astrológicas, os reis, rainhas e cavaleiros ficam atrás dos decanatos, enquanto os valetes ou princesas fariam a ligação entre os signos, como o fazem os quatro Ases, embora com significados bem distintos entre si.
Com tudo o que vimos não é a toa que as cartas da corte costumam representar maior dificuldade para os iniciantes em suas práticas, mas seguindo pelo mesmo exemplo pode se dizer que é justamente isso que torna o seu estudo, assim como o estudo do tarot como um todo, tão arrebatador e envolvente!

Obs
1) Clique nas imagens para ver em tamanho original.
2) Lembre-se que esta ordem inglesa deu grande contribuição ao estudo do tarot, mas também cometeu muitas arbitrariedades. Uma delas é que o aparece na roda da Golden como reis são na verdade os cavaleiros do tarot tradicional, assim como os príncipes são, na verdade, os reis da tradição clássica. Já comentei essa inversão em outros artigos, e ela se deu em função da relação que eles fizeram entre as cartas da corte com as quatro letras sagradas do nome de Deus (o Tetragrammaton), e a ordem dos elementos como aparecem nele!

*O Liber T, é o livro que continha o guia de estudos sobre o tarot na antiga ordem inglesa Golden Dawn.

O que há para se ler:

- O Tarot Cabalístico - Um Manual de Filosofia Mística
De: Robert Wang
Editora Pensamento

- A Golden Dawn - A Aurora Dourada
De: Israel Regardie
Editora Madras

- O Livro de Thoth - O Tarot
De: Aleister Crowley
Editora Madras

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Astrologia & Tarot - As Cartas da Corte


As cartas da corte como são colocadas
na roda astrológica anual da Golden.
E finalmente chegamos às cartas da corte e sua correspondência na roda astrológica do ano da Golden Dawn. Diferente das cartas numeradas, que correspondem a um decanato (dez dias) dentro do período de um mês, as cartas da realeza correspondem à trinta dias num ciclo de um ano, ou seja, a um mês inteiro! Sendo assim cada uma das três primeiras cartas da corte de cada naipe corresponde aos doze signos do zodíaco, e os valetes a todo o período de uma estação, ou seja, três meses. Igual aos quatro ases das cartas numeradas, você deve estar se perguntando, e tem razão em fazer isso, de qual seria o motivo dessa mesma compreensão de tempo no calendário? Isso ocorre porque na antiga ordem Golden Dawn a relação tarot/cabala era muito aplicada para definir o simbolismo das cartas do tarot. E dentro dessa relação os quatro ases se originariam de Kether, a Coroa, a sephira de Deus/Pai/Mãe criador de todas as coisas. Por esse motivos os ases do tarot simbolizam novos começos ou influxos poderosos e transformadores. Os valetes por sua vez estão relacionados à Malkuth, a sephira do mundo material, e de todas as forças manifestas. Representa o solo em que pisamos. Muitos cabalistas chamam Malkuth de o “trono de Kether”, ou ainda de “Kether inferior”. Por esse motivo que os quatro valetes também simbolizam novos começos, mas que requerem cuidados e ou observação para que frutifiquem. Uma analogia muito frequente é de se relacionar os valetes à sementes que foram lançadas no solo de Malkuth. Assim sendo ases e valetes possuem o mesmo tempo de duração e correspondem ao mesmo período do ano no calendário, mas podem ser sentidos de formas diferentes um do outro...

Os ritmos astrológicos

Os “ritmos” astrológicos é o nome que damos a energia que distingue os signos entre si, suas formas de atuação diante das adversidades da vida. O modo como lidam com a rotina, os conflitos, e como constroem as bases de seus mundos tanto interna quanto externamente.
Na relação das cartas da corte do tarot com o zodíaco os reis de cada naipe representam os signos fixos, assim chamados porque estão no meio das suas respectivas estações, simbolizando ações mais conservadoras e resistentes, como os nativos desses signos diante de dificuldades. Esperam, planejam e depois reagem, ou seja, suas ações são primeiro internas. Assim sendo o Rei de paus é Leão, o Rei de copas é Escorpião, o Rei de espadas é Aquário, e o Rei de ouros é Touro.

As rainhas, por sua vez, são representadas pelos signos cardinais, que são os signos que iniciam as estações. Ou seja, os signos que correspondem a esses ritmos agem sempre de modo a resolver as questões que se apresentam, são espontâneos, suas ações são exteriores e perceptíveis. Assim as rainhas usufruem do universo estável de seus reis. Por essa analogia a Rainha de paus é Áries, a Rainha de copas é Câncer, a Rainha de espadas é Libra, e a Rainha de ouros é Capricórnio.

As cartas da corte do Visconti-Sforza tarot.
Rainha, cavaleiro e Valete de espadas.
Baralho clássico do séc. XV.

Os cavaleiros, por fim, são representados pelos signos mutáveis, que são os signos do final de suas respectivas estações. Sua principal característica é a adaptação e a disponibilidade para a mudança e a renovação. São aqueles que expandem os domínios dos reis, e por isso, ampliam as possibilidades de desfrute de suas rainhas. Os cavaleiros estão sempre em busca de novas ideias, e novas formas de expressão. Assim o Cavaleiro de Paus é Sagitário, o Cavaleiro de copas é Peixes, o Cavaleiro de espadas é Gêmeos e o Cavaleiro de ouros é Virgem.

Deve-se observar duas questões antes de seguirmos na relação da roda do ano com as cartas da corte:

Observaremos que em cada carta das doze relacionadas com os signos do zodíaco haverá sempre a abrangência do último decanato do signo anterior, o que dará uma interessante nuance na composição da interpretação da personalidade de cada carta da realeza. Nunca havendo a influência pura de um elemento, mas sempre a pitada de um outro que contradiz e complementa simultaneamente, de alguma forma, a natureza do elemento/naipe dominante. Por isso veremos que toda a carta da corte do naipe de paus envolverá o último decanato do signo anterior, e veremos que os signos de fogo são todos antecedidos por signos de água. Enriquecendo muito as descrições de suas personalidades. Da mesma forma os signos de água são antecedidos por signo de ar, os de ar pelos signos de terra e os de terra pelos signos de fogo! Essa distribuição feita pelos magos da Golden foi simplesmente brilhante, pois que enriquece muito as possibilidades de interpretação desses arcanos.

Eis o o exemplo da alteração feita
na ordem dos arcanos da corte
pela Golden Dawn, o cavaleiro
de copas está claramente nominado
de "Rei de copas" no tarot
da Golden Dawn, de
Robert Wang.
O aspecto confuso, e não tão legal assim, era a insistência dos membros da Golden em alterar a ordem dos arcanos em função da ordem das letras cabalísticas. Já falei isso aqui antes, mas vamos lá mais uma vez: as quatro primeiras letras do o nome sagrado de Deus, yod, he, vau e he (também conhecidas como Tetragrammaton) foram relacionadas com os quatro elementos gregos de composição do universo, fogo (yod), água (o primeiro he), ar (vau) e terra (o último he).
Os cavaleiros foram associados à yod, e ao elemento fogo, as rainhas ao segundo he e ao elemento água, os reis a vau e ao elemento ar, e os valetes ao último he e ao elemento terra. Até aqui está tudo bem. O problema começa quando os magos da ordem acham que há algo de errado na ordem das cartas da corte (da realeza ou reais conforme outras versões), e colocam o cavaleiro à frente do rei que, afinal, representa a primeira letra do nome sagrado... Então decidem que os reis serão os cavaleiros, e os reis de antes seriam os príncipes de uma nova realeza dos arcanos. Essa arbitrariedade não se justifica nem se sustenta. Na relação tradicional os reis conservam, as rainhas trazem a plenitude, os cavaleiros expandem e os valetes trazem a semente do novo. Na nova proposta não há transição entre o príncipe e o valete, esse príncipe, aliás, atrapalha até a energia da rainha, que do desfrute teria de rumar naturalmente para a expansão... Esse arranjo é inaceitável também porque subjuga a ordem simbólica do tarot a um outro sistema simbólico mais antigo, no caso a cabala. E sempre é bom repetir que a associação tarot/cabala é outra arbitrariedade de alguns magos do século XIX, e se por um lado é brilhante e surpreende pela similaridade entre os dois, não invalida nem um e nem outro porque não há NENHUMA comprovação histórica da conexão entre eles, a não ser a da mera similaridade arquetípica.

O nascimento das princesas

A Princesa de discos
(Valete de ouros),
do Thoth tarot
de Aleister Crowley.
O aspecto positivo dessa proposta, que se apresenta nos baralhos de Crowley e da Golden Dawn, que seguem essa inversão nas cartas da corte, é de que transformaram os valetes em princesas, ou personagens jovens do gênero feminino, o que foi uma inovação bem vinda e que não fere o simbolismo estrutural do tarot. O elemento terra, assim como a água é um elemento feminino. Essa alteração trouxe uma representante imatura para o gênero feminino nos arcanos, e isso é bem interessante! Os reis sempre tiveram os cavaleiros como representação pueril, e as rainhas não tinham nada disso.

Antes de concluir aviso aos que conhecem a roda do ano da Golden que não adiro a essa inversão na roda zodiacal dos arcanos do tarot. Lá se escreve “Reis” para se referir a cavaleiros, e “Príncipes” para se referir aos reis da antiga ordem clássica do baralho. Nem preciso dizer que, obviamente, lá os cavaleiros é que são relacionados com os signos fixos, e os reis (príncipes) aos signos mutáveis.

Sempre lembrando que esta roda anual foi proposta na antiga ordem inglesa Golden Dawn para a melhor compreensão do simbolismo tanto das cartas numeradas quanto das cartas da realeza, ou da corte, de cada naipe. Mas que também serve como um mapeamento, através dos arcanos, de períodos do ano em que cada pessoa nasce, e abre a perspectiva para as possíveis influências sobre a personalidade de cada nativo desse período do ano.

Eis aqui então a tabela de relações que considero mais correta, verdadeira e justa com o simbolismo do tarot, esse maravilhoso instrumento simbólico de compreensão da vida e da essência humana ao qual dediquei minha vida a compreender, ensinar e divulgar:

Família do Fogo

Rei de paus – 12/07 à 11/08 –
Último decanato de Câncer, dois primeiros decanatos de Leão.

O aspecto canceriano da personalidade deste rei é o que o torna gentil, benévolo e, sobretudo, empático com aqueles que o cercam ou estão sob seu comando. Sua natureza, porém, é leonina, o que o torna generativo, magnânimo, forte, autoconfiante, líder, e capaz de se sobrepor às adversidades com tenacidade e autoconfiança. Este é o líder carismático que angaria simpatizantes e seguidores, e se responsabiliza de modo amoroso por seus apoiadores.

Rainha de paus – 11/03 à 10/04 –
Último decanato de Peixes, dois primeiros decanatos de Áries.

A parte pisciana da sua natureza é que a torna compassiva com o sofrimento do outro, e a faz querer abraçar um serviço para a humanidade, tornando-se uma cuidadora do bem estar de alguns, ou de muitos, conforme cada caso. Sua natureza, porém, é de uma ariana, por isso ela é altamente sensitiva, impulsiva, e envolvente. E também sensual com esse aporte de água em sua psique. Assim como briguenta e intrometida quando se trata de defender aqueles que ama.


O Rei de paus (O Criador),
do Osho Zen tarot.

Cavaleiro de paus – 13/11 à 12/12 –
Último decanato de Escorpião, dois primeiros decanatos de Sagitário.

A influência escorpiana nesse cavaleiro é que o torna intenso, passional e profundo ao mesmo tempo. Aspira as transformações da matéria e da alma, mas sempre de modo positivo, entusiasta e engrandecedor, já que sua natureza é de um sagitariano. Não crê em limites e é focado em mudar, melhorar e fazer crescer as coisas as quais dedica sua atenção. Pouco afeito a detalhes e sentimentalismos. É sem paciência com o pessimismo e os ritmos mais lentos que o dele.

Valete de paus – 21/06 à 22/9 – Primavera –

Incorpora em si os movimentos de despertar e desabrochar da primavera. O entusiasmo com as coisas novas, o desejo de criar e explorar as possibilidades com total liberdade de experimentação. Como uma criança recém-nascida descobre o mundo através do ambiente que a cerca. Esse arcano denota o despertar da luz dessa estação, e por isso guarda em si grande energia física, desejo de movimentação, criação e expressão das suas emoções de modo livre.

Família da Água

Rei de copas – 13/10 à 12/11 –
Último decanato de Libra, dois primeiros decanatos de Escorpião.

A porção libriana de sua personalidade é que o faz querer se relacionar com as pessoas, ouvi-las, e de alguma forma ajudar. Mas sua natureza essencial é escorpiana, o que o torna introspectivo, observador e cioso de sua intimidade e privacidade, como também temeroso de se abrir e ser ferido no processo. Por outro lado isso o torna um observador arguto, isento e profundo da natureza humana; um sábio da alma e, portanto, um notável e sensível conselheiro ou curador.

Rainha de copas – 11/06 à 11/07 –
Último decanato de Gêmeos, dois primeiros decanatos de Câncer.

A parte geminiana da sua psique é que a faz sensível às energias do seu meio ambiente, e suscetível a elas. Por ser em essência uma canceriana, sua sensibilidade psíquica fica ainda mais aguçada, intensamente intuitiva, mística e profunda. Percebe sentimentos e intenções ocultas, assim como sente o que os outros querem dela, e corre o risco de sempre corresponder às expectativas perdendo sua identidade. É amorosa, receptiva, e não julgadora.


A Rainha de copas (Receptividade),
do Osho Zen Tarot.


Cavaleiros de copas – 09/02 à 10/03 –
Último decanato de Aquário, dois primeiros decanatos de Peixes.

O viés aquariano de sua personalidade é que o torna idealista, visionário e ousado em suas buscas. Mas por ser pisciano possui imensa credulidade na vida e nas pessoas, confiança nos seus sentimentos e em suas intuições. É um paranormal que antevê desfechos que os outros nem supõe; descobre caminhos e respostas sem saber como chegou a elas. É um devoto, um místico ou um romântico, alguém que se lança de todo coração. Puro. É confiável e confiante.

Valete de copas – 23/09 à 21/12 – Verão –

A estação do calor traz as pessoas e os seres da natureza pra fora da toca, enfatiza a confraternização, a proximidade, a sensualidade, o acolhimento e as comemorações. Casamentos e ritos de fertilidade eram celebrados nessa estação. Esse movimento de aproximação rompe com fronteiras, aproxima vizinhos, famílias e tribos distantes. Essa abertura pode não ter muita profundidade e confiança reais, mas tende a ser bem fluente e prazerosa.

Família do Ar

Rei de espadas – 10/01 à 08/02 –
Último decanato de Capricórnio, dois primeiros decanatos de Aquário.

A porção capricorniana desse rei é o que o torna firme, tenaz, autoritário, controlado e controlador, bem como contido em suas expressões afetivas. A sua personalidade, entretanto, é aquariana o que o torna ainda mais frio e inexpressivo do ponto de vista afetivo, mas amplia sua perspectiva lógica e científica da vida. Adora o conhecimento organizado e racionalizado, a padronização do saber, o planejamento e a ordem sistêmica na elaboração e execução das coisas.

Rainha de espadas – 12/09 à 12/10 –
Último decanato de Virgem, dois primeiros decanatos de Libra.

A parcela virginiana dessa rainha é que a torna uma crítica organizadora, uma idealista dos valores de ética, e da transparência. Uma entusiasta do discernimento lúcido das questões da vida. A sua natureza é de uma libriana, o que a faz empenhada em garantir a justiça e a verdade, e de que os valores que sustentam as relações como um todo vibrem dentro desses princípios éticos. Professora, escritora, divulgadora ou uma orientadora de valores de correção moral.


O Cavaleiro de espadas (Lutando),
do Osho Zen tarot.

Cavaleiro de espadas – 11/05 à 10/06 –
Último decanato de Touro, dois primeiros decanatos de Gêmeos.

O aspecto taurino deste cavaleiro é o que faz focado, conciso e resoluto em seus objetivos, e um tanto materialista em sua percepção de realização pessoal. Sua personalidade geminiana é que o torna um esgrimista intelectual. É alguém que usa toda sua máquina intelectual e física para atingir suas metas, como um soldado em uma missão especial, ou um lutador de artes marciais mistas, que usa todas as suas habilidades e conhecimentos para obter aquilo que quer, sem tréguas.

Valete de espadas – 22/12 à 20/03 –  Outono –

A estação da colheita e do desabrochar das cores ocultas das folhas.
Era no outono que o resultado dos trabalhos de um ano todo eram revelados e medidos; se pagavam os impostos sobre a terra com os próprios frutos da terra ou com os seus dividendos. Um período de se confrontar com as falhas do passado, avaliar ideias, possibilidades e tendências, e se pensar no futuro. Renovar padrões e conceitos, reinventar a si mesmo e abrir-se para novas perspectivas de vida.

Família da Terra

Rei de ouros – 11/04 à 10/05 –
Último decanato de Áries, dois primeiros decanatos de Touro.

A influência ariana em sua psique é que o faz um líder absoluto, sem concessões sobre limites ou limitações, e firmeza na vontade de chegar ao topo. Mas como se trata de um taurino por excelência, ele não permite que essa energia se dissipe nem esmoreça. Mantém a constância, a disciplina e o foco nos seus valores primordiais. Pode ser que se torne só um acumulador de riquezas e bens, mas sua alta valorização da vida tende a torná-lo alguém que preserva o todo (holos).

Rainha de ouros – 13/12 à 09/01 –
Último decanato de Sagitário, dois primeiros decanatos de Capricórnio.

A nuance sagitariana em sua personalidade é que a torna otimista, livre e, acima de tudo, uma hedonista. Mas como capricorniana que é valoriza os frutos do seu trabalho, sua trajetória de vida e as suas construções, sejam elas materiais, intelectuais, afetivas ou mesmo espirituais. A rainha de ouros valoriza a vida. Ama os prazeres sensoriais sem, no entanto, desprezar o fator humano por trás disso. Claro que, mal dignificada numa leitura, pode ter tudo isso pervertido.


O Valete de ouros (Aventura),
do Osho Zen tarot.

Cavaleiro de ouros – 11/08 à 11/09 –
Último decanato de Leão, dois primeiros decanatos de Virgem.

As emanações leoninas na personalidade desse cavaleiro o fazem digno, orgulhoso e altivo na execução de suas atividades, pois vê um propósito no que faz. Mas como se trata de um virginiano ele nunca permite que sua ambição extrapole os limites da decência, dos valores humanos de civilidade, respeito e boa convivência, quer seja por padrões morais, quer seja por uma alta percepção espiritual da vida. Almeja a excelência. É um mestre que se forma com a prática.

Valete de ouros – 21/03 à 21/06 – Inverno –

A estação onde as posses estavam estabelecidas e a riqueza ou a pobreza contemplavam aqueles que as amealharam. O tempo em que a semente descansa no fundo da terra com a promessa de uma nova vida. Acreditava-se que o sol também descasava no ventre da terra guardando novas possibilidades e oportunidades até retornar em sua plenitude. Essa era a estação da gestão de novas ideias e empreendimentos, e de espera de um novo ciclo para prosperar!