quarta-feira, 5 de abril de 2017

Lilith - A Senhora das Sombras

O texto que se segue foi publicado pela primeira vez no jornal Athame, de Porto Alegre, em Agosto de 1998. Um amigo o encontrou na internet nas "Melhores respostas do Yahoo" e então pude resgatá-lo! O apresento hoje sem nenhuma reedição ou retoque na ideia original, mas com apenas algumas correções ortográficas. Continuo concordando com o motivo central que exalta a urgência da transformação de uma arcaica consciência masculina ainda dominante, mas reconheço que um gigantesco passo já foi dado na direção dessa transformação, haja visto a grande quantidade de homens que tem me procurado para leituras de tarot e trabalhos terapêuticos; e mais do que isso, se envolvido ativamente na transformação planetária... 
Espero que os leitores de hoje o apreciem!  
Eva, a segunda esposa de Adão...

A Senhora das Sombras...

Pesquisar o mito de Lilith foi uma das experiências intelectuais mais instigantes e fascinantes de minha vida. Nesse mito encontrei muitas respostas para o comportamento humano, extremamente manifestado no sexo masculino, de temer o mundo oculto e perverter a sexualidade. No estudo, que conclui há três anos fiz questão na ocasião, como faço agora, de buscar uma analogia com parâmetros históricos na formação das grandes religiões mundiais e seus conceitos morais intrínsecos.
Lilith é mais abordada no Talmud, o sagrado Livro do Judaísmo. Lá encontramos um Adão diferente do que a cultura cristã nos fez acreditar. Seu nome era Adão-Enkidu, andrógino, meio animal e sem par. Esse Adão pouco aceitável para nós, mantinha relações sexuais com animais, andava nu e solto pelo mundo do Criador. Após um longo período de solidão ele sente falta de uma parceira, esta lhe aparece em sonhos e comunga com Adão nos impulsos bizarros para o sexo. Outra versão conta que Deus estava com sua criação quase pronta, então ele criou os répteis, os insetos e por ultimo os demônios, pois já era o fim do sexto dia. Assim sendo, Lilith nasceu no cair da noite de uma Sexta feira e dissipou-se da criação antes do raiar do dia de Sábado. Sua ruptura com a criação se deu devido a um fato insólito, aparentemente, mas com uma grande riqueza simbólica: Adão-Enkidu foi deitar-se com sua parceira tão sonhada. Na hora da cópula, ela recusou-se a submeter-se ao seu parceiro, o homem. Segundo as escrituras, a primeira mulher questionou porque deveria ficar por baixo durante o ato da cópula. "Não sou eu também filha dele, por que devo ficar por baixo e tu por cima?" E o primogênito de Deus retrucou: "Porque meu Pai assim o quis". Nesse momento nasceu a Senhora das Sombras, aquela que desejava ser igual ao primogênito do Senhor e não aceitava ser subjugada, nem por ele nem por ninguém. Aquela que desejou transgredir a ordem, que não aceitou as explicações dadas, nem os fatos apresentados.

Conflito Alma e Corpo

Este trecho da historia oferece mais do que aparenta. Entendo o ficar embaixo mais do que uma posição para o ato sexual; aparentemente trata-se da natureza animal do homem querendo tomar sua consciência espiritual. O mito de Lilith é uma figuração (em minha opinião) do eterno conflito entre a alma humana que busca a ascensão, por ser esse seu propósito maior, e o corpo primitivo, cheio de impulsos bestiais. Esse drama é inerente ao contexto humano e as religiões monoteístas apenas acentuaram esse ponto de discórdia.
Lilith, a representação mágica,
e bestial, da noite...
Conta-nos o Talmud que o Adão-Enkidu, antes do aparecimento de Lilith e posteriormente de Eva, mantinha relações sexuais com os animais. Deus por sentir-se repugnado com o comportamento daquele que deveria ser a sua maior obra, o proibiu de fazê-lo. Pessoalmente, duvido que uma forca criadora, responsável pela criação e manutenção de bilhões de estrelas e de mundos diferentes do nosso, estivesse preocupado com a estrutura moral de cada sociedade. A moral apenas é um conceito que mantém sob controle a besta em cada um. A mitologia em todas as culturas e religiões sempre segue o mesmo padrão: criar símbolos para comunicar um fato real adornado em todas as sensações que dele derivam. Os pastores nômades do Oriente Médio mantinham relações sexuais com animais quando não tinham condições de ter uma esposa. Esse impulso sem nenhum freio tornou-se uma compulsão.
Nenhum homem totalmente livre é administrável no plano físico; porém, se colocarmos a par dos desígnios superiores, de uma força ou Deus que tudo vê, ele irá refletir. No caso dos pastores, eles temeram. A moralidade é exatamente isso, um profundo sentimento de que esse ou aquele comportamento estão errados, não são normais. Normal é tudo aquilo que anda conforme as normas sociais. As normas de Deus na boca dos profetas antigos era igual a nossa.
A energia sexual, por seu enorme poder energético incontrolável fez do homem primitivo um ser grotesco, portanto penso que o lamentável evento da culpa sexual foi o meio mais próximo, na época, que os antigos lideres espirituais dos clãs encontraram para fazer parar a fúria dos fornicadores. Até que a humanidade encontrasse outra forma de trabalhar essa energia.

Não Somos Animais, 
Somos Homens!

O sexo com animais manifestou o lado mais obscuro dessa força dentro de cada homem e mulher no planeta. Os que se acharam incomodados com esse comportamento não estavam sob o efeito de nenhum preconceito embutido pela sociedade em suas mentes, já que isso era inexistente. Muito provavelmente foram tomados por uma intuição: Não somos animais, somos homens! E quem de nós poderá afirmar que essa intuição tenha ou não vindo de uma mente superior? Somos almas que se individuaram do grande coração divino e não há nada de errado com o sexo, o erro está na perversão de qualquer força. O instinto e a animalidade começaram a ser temidos. No Antigo Egito os deuses com cabeças de animais podiam ser bem mais cruéis do que os representados em forma humana unicamente. A maior parte dos demônios (que eram entidades espirituais) eram representados por metade feras, metade homens.
Essas entidades amorais foram largamente adoradas na Arcádia e na Suméria. Propunham prazer, êxtase e poder a qualquer um e a qualquer custo. Essa era a manifestação do homem-besta, que vivia apenas externamente como quem luta pela sobrevivência. Obviamente surgiram aqueles que tentaram (e conseguiram) usar esse temor do Deus único como uma forma de extorsão de outra grande forca, a Fé. Assim sendo o homem foi deixando para trás sua natureza mais livre e sua profunda identificação com a natureza.


Muitas representações de animais simbolizam as experiências
internas do homem. O Cavalo alado assinala a ampliação
da consciência a um patamar superior.

Pouco a pouco seus deuses com formas animais deixaram de ser importantes, dando lugar à idolatria do próprio homem. Chegamos, então, a uma Era em que não mais nos sentimos irmanados com a natureza, e os animais, destruindo-os sem a consciência plena de que destruímos a nós mesmos.
Conta, ainda, a alegoria mítico-religiosa que logo após a rebelião Lilith fugiu para as praias do Mar Vermelho, e lá, dentro de cavernas paria cem demônios por dia. Lutou contra os anjos do Senhor e amaldiçoou a humanidade... Realmente, os conflitos e dramas gerados entre o espírito humano e seu veiculo físico foram uma verdadeira maldição por milhares de anos e talvez ainda o seja. Resta ainda aqui uma última indagação a qual não encontrei respostas: Lilith também foi criada só em espírito, não tendo lhe sido dado um corpo. Seria a questão da elevação da energia sexual uma questão inerente ao trabalho evolutivo do espírito? Ou somente uma inspiração da mente superior da atormentada raça humana que busca sensações em meio a rompantes profundamente destrutivos? A concepção de elevação da energia sexual mais perfeita nasceu na Índia e foi chamada Kundalini. Os iogues orientais comprovaram que, mais do que orgias, se podia também elevar a consciência a um ponto nunca alcançado pelo homem mediano, obtendo assim conhecimento superior.

O Feminino Incompreendido

Como pesquisador, uma duvida perseguiu-me por muito tempo: Por que a mulher foi de tal forma associada a todas as forças malignas do mundo? Lilith era um espírito feminino e, mesmo Eva encarnada teve como responsabilidade uma espécie de traição a Deus. Buscar apoio nas pesquisas históricas nem sempre é o que basta. Haja visto que a Historia não é um estudo de alta precisão dos fatos. Quando se busca um fato histórico deve-se tentar pensar sem o esclarecimento intelectual do agora, somente assim nos aproximamos da consciência, inúmeras vezes mais pura, do homem primitivo.
A alienação das experiências do feminino
fez com que por muitos séculos o
homem também se alienasse da
essência espiritual da vida.
Imaginemos esse homem em suas primeiras ações para formar uma sociedade. Com mais tempo com seus iguais e já possuidor de algumas faculdades intelectuais ele pode observar mais atentamente alguns fenômenos da vida. A gravidez, a menstruação, o aleitamento e o crescimento dos homens que saiam de dentro das mulheres, provavelmente o intrigava. Completamente inconsciente de sua participação nesse fenômeno, começou a atribuir as mulheres um poder mágico, uma faculdade secreta que lhe era negada. A presença do sangue na menstruação o apavorava, o sangue era visto nas caçadas e nas lutas tribais como signo da morte. A ideia do sangramento causava-lhe pânico. Como aquele ser podia sangrar sem morrer? Seria uma criatura aparentada com a morte, e mesmo assim possuidora de poderes sobre a vida? Em minha opinião esse era o inicio do patriarcado feroz. Mesmo nas sociedades embasadas no culto a uma Deusa como entidade maior, era o homem que regrava a disposição geral da família. Toda ideia da mulher traiçoeira, mentirosa e fútil nascia ai. Também de que os poderes místicos que elas possuíam eram exclusivamente femininos.
A imagem arquetípica do feminino passou por muitas projeções do homem que, afinal, sentia-se atraído por elas. Esse ser misterioso deveria ser domado antes de possuído. Mulheres, mães, prostitutas, bruxas e serpentes foram uma só; e assim foram esmagadas com sua beleza também. Hoje essas histórias mais parecem um retrato bizarro do passado, e realmente o é. A feminilidade está desmitificada e sabemos que seus poderes não funcionam sem os atributos masculinos e vice versa. A intuição e o psiquismo são atributos da mente cósmica, abertos a todos que desejarem comungar com essa poderosa força. A vida e a morte estão dentro de todos nos. As bruxas, místicas e feiticeiras tão renegadas ao papel de projeção do lixo emocional dos homens, hoje buscam sua faceta mais sagrada. Aos homens cabe encontrar o seu lugar nessa dança cósmica. A Mãe Misericordiosa do Universo os aguarda de braços abertos. Para finalizar quero sublinhar meu respeito à esse mito fantástico da Lilith que retrata com clareza o feminino incompreendido do mundo. 

Leia também: Anjos & Demônios no Tarot   


Observação: Na astrologia Lilith é um aspecto que revela nosso poder oculto, e também as vivências infantis não desenvolvidos! É conhecida como Lua Negra. No tarot tem relação com os arcanos de O Diabo XV, e de A Lua XVIII que, respectivamente, representam a sexualidade primal da psique, os medos inconscientes e os temas não resolvidos da alma. Na numerologia relaciona-se com o número 11, que tanto rege a aspiração da alma às alturas quanto seu aspecto transgressor, já que o 11 é a cifra que decidiu existir após o 10, que representa a perfeição do Deus Criador!

quinta-feira, 9 de março de 2017

Os Cinco Mundos Interiores

Os naipes do tarot são os representantes simbólicos das quatro estações,
bem como dos quatro tipos básicos de temperamento humano.

Os quatro naipes do tarot simbolizam, esotericamente, os quatro níveis da alma humana, bem como os quatro elementos da natureza que correspondem a esses níveis. As cartas da corte – as quatro figuras de cada naipe – representam as posturas que assumimos diante dos acontecimentos da vida. As cartas numeradas de cada naipe simbolizam aquilo que estamos tratando. Os arcanos maiores, por sua vez, são os próprios eventos principais que todos os seres humanos no planeta estão sujeitos, bem como as qualidades superiores a serem desenvolvidas ao longo de sua caminhada de desenvolvimento pessoal. 
Podemos considerar, então, que temos no tarot os cinco elementos da vida. No naipe de paus, o fogo. No naipe de copas, a água. No naipe de espadas, o ar. No naipe de ouros, a terra e por fim nos arcanos maiores o espírito e as leis do KarmaNuma leitura de cartas, quando um determinado número de naipes predomina, podemos dizer que um dos cinco mundos interiores veio à tona e nos “possui”. Do mesmo modo, quando um certo elemento não é representado, pode significar a falta de sua qualidade específica ou de sua atitude no nosso momento de vida.Numa leitura com a técnica da Cruz Céltica, por exemplo, se dentre as dez cartas saírem três de um determinado naipe, isso terá grande relevância. Assim, quanto maior for o número de cartas de um naipe, maior sua influência no momento representado.

- No Mundo do Fogo

Com muitas cartas do naipe de paus, estamos possuídos por nossos desejos, ansiosos por iniciar coisas novas ou essas coisas novas surgem de modo quase impositivo. Com o naipe de paus estamos cheios de paixão, ou de alegria e tudo o que é velho não nos interessa. O movimento, a mudança, as viagens, o afã de tornar tudo melhor, o êxito, o sucesso brilhante e o ímpeto de crescimento e expansão são a tônica. Do mesmo modo a impaciência, a irritabilidade, a precipitação, o excesso de passionalidade e a dependência de reconhecimento externo se fazem presentes.

- No Mundo da Água

O excesso de naipe de copas denota muita emocionalidade, sentimentos intensos e envolventes, amor, romantismo, idealização, imaginação, memória e interiorização. Há um favorecimento dos assuntos românticos e espirituais, pois o amor físico dos homens, tanto quanto as experiências de cunho transcendente, são de puro arrebatamento para a alma. Com copas há a busca de sentido na vida, de sentimento de pertencer a algo, instituição, relacionamento, família, religião, corrente ou tendência, sempre de modo ideal. As fantasias enganosas e escapistas, as confusões emocionais, o aprisionamento ao passado ou o excesso de idealização do futuro, bem como um excesso de interiorização que cria indiferença ao mundo exterior também são atributos deste naipe.

- No Mundo do Ar

Com muitas espadas numa leitura entramos na dimensão da mente, que por sua natureza é sempre dual, traz conflitos e exige decisões, mudanças, posicionamentos e um discernimento claro do que fazemos ou devemos fazer. A mente, assim como os ventos, sopra em muitas direções e é influenciada pela coletividade; neste naipe encontramos as heranças culturais. Tudo o que nos foi dito, por pais, professores e a sociedade entra, num dado momento, em conflito com o que somos em essência. O naipe de espadas também traz foco e direcionamento para a mente, ajuda esclarecer situações complicadas e dá coragem para defender posicionamentos.

- No Mundo da Terra

Com ênfase no naipe de ouros estamos mudando de valores, ou valorizando coisas novas, criando as bases para nossa estabilidade, conforto e prosperidade. De algum modo temos de olhar mais atentamente para nossa realidade e rever como estamos nos relacionando com nosso corpo e o meio ambiente. A maneira como estamos cuidando da nossa saúde, das nossas finanças e do mundo prático, no geral, também são temas importantes. A sensualidade e a sexualidade evidenciam-se com este naipe. Por outro lado o apego e a resistência à mudança, a inflexibilidade, a avareza e o materialismo surgem como a sombra deste elemento que sintetiza muitos aspectos dos outros três.

- No Mundo dos Arcanos Maiores (Espírito)

Com a predominância de arcanos maiores estamos, com certeza, vivendo um tempo em que muitas qualidades são requeridas de nós e somos chamados a responder com muitos talentos ao mesmo tempo. Há forças maiores atuando em nossas vidas e aquilo que chamamos de destino, que nada mais é que o retorno de nossas ações nesta e em muitas outras vidas, se interpõe imperativamente. Também se trata de um tempo em que podemos nos sentir esmagados pelos eventos, sem ver como nós os criamos e sem saber, assim, como interagir com essas forças que movimentam nossas vidas.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O Eremita e a Busca de Diógenes...

A lição do Eremita...

Há inúmeras similaridades entre a vida e a obra do filósofo grego Diógenes de Sínope e este nono arcano do tarot, em sua busca pela verdade e o saber com o exercício constante da humildade e da simplicidade. Sem a ânsia por estimulações excessivas aos instintos. Assim como o filósofo Diógenes o arcano de O Eremita nos fala da busca introspectiva pela verdade. Uma busca que não procura julgar o outro, mas viver o que se prega e assim, talvez, inspirar com o exemplo da própria busca. Não se trata de uma crítica aos movimentos exteriores, mas uma observação feita com o próprio estilo de vida... Uma lenda conta que certa noite, voltando para o barril onde vivia, Diógenes com sua lanterna avista ao longe o vulto de um homem que lhe parece, ainda assim, o de um homem digno. Um homem com o porte firme dos que estão em sintonia com sua essência... Ao se aproximar o que ele vê é seu próprio reflexo num espelho deixado na rua... Milhares de anos depois Mahatma Gandhi diria: "Temos de nos tornar a mudança que queremos ver.", então, por esta perspectiva mais profunda e espiritual, O Eremita não é somente alguém que se isola do mundo exterior e seus apelos, mas sim também uma pessoa que tem os olhos voltados para si mesmo antes de tecer qualquer julgamento sobre os outros, e que procura sinceramente viver conforme suas convicções e verdade sem cristalizar certezas, pois que está sempre disposto a adquirir mais sabedoria, e isso só é possível a uma mente flexível e aberta...

- Sobre Diógenes de Sínope (413 - 323 a.C.)

"Diógenes foi aluno de Antístenes, fundador da escola cínica. Em sua época Diógenes foi destaque e símbolo do cinismo pois tornou sua filosofia uma forma de viver radical. Diógenes expressava seu pensamento através da frase "procuro um homem". Conforme relatos históricos ele andava durante o dia em meio às pessoas com uma lanterna acessa pronunciando ironicamente a frase. Buscava um homem que vivesse segundo a sua essência. Procurava um homem que vivesse sua vida superando as exterioridades exigidas pelas convenções sociais como comportamento, dinheiro, luxo ou conforto. Ele buscava um homem que tivesse encontrado a sua verdadeira natureza, que vivesse conforme ela e que fosse feliz."(...)
"Diógenes pôs em pratica seus pensamentos e passou a viver perambulando pelas ruas na mais completa miséria tomando por moradia um barril o que se tornou um ícone do quão pouco os homens precisam para viver. Alimentava-se do que conseguia recolher em sua cuia. Tinha por proteção um manto que usava para dormir e usava os espaços públicos para fazer tudo mais que precisava. Segundo ele esse modo de viver o deixava livre para ser ele mesmo, pois eliminava a necessidade de coisas supérfluas. Ele acreditava atingir essa liberdade cansando o corpo para se habituar a dominar os prazeres até desprezá-los por completo, pois para os cínicos os prazeres enfraquecem o corpo e a alma, pondo em perigo a liberdade do homem, pois o torna escravo dos mesmos." (...)

Fonte: filosofia.com.br 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Dúvidas Sobre a Prática e a Conexão com os Arcanos

1) Devemos jogar para nós mesmos?

O tarot, mosaico de símbolos que traduzem
a experiência humana...

Considero muito importante para o desenvolvimento de nossa percepção e intimidade com o simbolismo dos arcanos, além do próprio exercício de autoconhecimento, que joguemos para nós mesmos. Porém, como toda e qualquer situação em que estejamos muito envolvidos emocionalmente, considero mais seguro e proveitoso que procuremos outro leitor para abrir os arcanos para nós. Como costumo dizer: "Como ver o que está nas minhas costas (inconsciente)?". Sem falar que exercitar a humildade de nos colocar na posição de consulentes pode ser bem prazeroso; soltar o controle, deixar que os arcanos nos traduzam dentro da perspectiva de outro leitor pode ser também interessante e enriquecedor do ponto de vista do crescimento pessoal! A prática de inverter os papéis quando precisamos de orientação pode funcionar como uma experiência de totalidade com o tarot. Possibilitando-nos vivenciá-lo sob todos os ângulos! Permite-nos aprender com o que ouvimos nas percepções e intuições de nossos colegas dentro de uma perspectiva intuitiva... Uma troca interativa de experiências para muito além do plano racional de troca de informações pragmáticas! Infelizmente muitos tarólogos ao receberem um colega tendem a achar que estão sendo ”testados” ou “espionados”, o que é realmente lamentável! Estamos vivendo uma Era onde as obsessões paranoicas do ego para saber quem sabe ou pode mais devem ser eliminadas, para que possamos de fato nos ver como irmãos.

2) Posso emprestar meu baralho?

A maioria dos tarólogos tem por costume criar um ritual de consagração das cartas. Costumo dizer que concordo com os que dizem de que o tarot não precisa de rituais para funcionar, e é verdade! Porém, nós precisamos sim! E muito! Ao consagrar as cartas ritualisticamente estamos nos despindo da mente concreta do dia a dia para entrarmos noutro nível de percepção das coisas. E pouco importa se você considera que este seja um momento de introspecção e mergulho no inconsciente, ou uma fusão espiritual com guias e mentores espirituais com quem você se coaduna. O fato é que se trata de um momento profundamente íntimo em que estará criando um vínculo psíquico importantíssimo com o seu instrumento oracular. Por isso digo que não há problema nenhum em você emprestar seu baralho para alguém com quem compartilhe do mesmo nível de intimidade. Afinal absolutamente tudo o que tocamos em nossa rotina fica impregnado de energia. Você quer seu baralho imantado com as energias de uma pessoa que não lhe faz bem, ou que pareça destoar completamente de suas crenças e forma de viver o simbolismo das cartas? 
Consagrar um baralho de tarot tem muitas
similaridades com a programação dos cristais.
Um baralho consagrado funciona exatamente como um cristal que foi programado! Ou seja, só pode ser manipulado por quem o programou. Eu já falei aqui também que se pode botar um nome mágico no seu baralho, como os magos de muitas tradições fazem com seus instrumentos mágicos. Isso torna possível dirigir intenções específicas para a leitura que se seguirá, e torna o trabalho com o tarot ainda mais parecido com a programação dos cristais para cura ou para funções oraculares! Então, apesar de acreditar que não há problema em emprestar seu baralho para uma pessoa amiga, creio que cada um deve ter seu próprio baralho, como cada um deve utilizar seus próprios cristais, pois foram programados para serem utilizados por você e ninguém mais. Não que as cartas deixarão de responder, mas com certeza fluirão melhor nas mãos de quem elas foram atreladas magicamente.

3) Como faço para consagrar as cartas?

Existem muitos métodos, aqui vai o que me utilizo, mas deixo claro que não se trata de um método definitivo. Quem acompanha meus textos sabe que acredito que “certo é o que dá certo”, e isso é o que da certo pra mim. Escolha uma fase da lua de exaltação do psiquismo (crescente ou cheia) e veja, se possível, que aspectos ela faz no céu. Eu costumo começar num dia de lua crescente e concluo num dia de lua cheia. Decida se serão 7 ou 9 dias os que deixará o baralho para a consagração, que além de serem números ligados ao ciclo lunar, são também os símbolos na numerologia do desenvolvimento psíquico e da percepção espiritual da vida. Feito isso escolha um pano preto (cor que neutraliza influências externas) de fibras naturais, como linho ou algodão. Fibras sintéticas criam muita eletricidade estática. Coloque as cartas na seguinte ordem: do Mago ao Mundo e O Louco no final, quando ele se torna o sábio ao fim da jornada. As cartas dos arcanos menores devem ser colocados com a corte primeiro, na ordem: ReiRainhaCavaleiro e Valete, e em seguida as cartas numerados de 1 a 10. A ordem dos naipes deverá ser a da manifestação: Primeiro Paus, do fogo criativo, depois Copas da intuição profunda sobre a criação, Espadas do discernimento e da verdade sobre a criação e, por fim, Ouros da concretização e estabilização do que foi criado! 
A Sacerdotisa II, do Tarot of Buffy.
Feito isso coloque sobre o pano e dando uma volta sobre o baralho mentalize numa frase clara a quem ou o quê você consagra o seu baralho. Por exemplo: “Consagro este baralho à minha Intuição Superior”, ou “Consagro este baralho ás deusas lunares (pode dizer os nomes das de sua preferência se quiser) para que me guiem nas leituras”, e assim por diante. O número de voltas que dará no baralho com seu pano deverá ser o mesmo de dias em o deixará envolvido, ou seja, 7 ou 9. Guarde o pano com o baralho de tarot num local onde você possa visualizá-lo durante este período. Pode ser no seu altar, caso tenha um, numa prateleira bem visível, ou numa gaveta que abra com frequência. Isso ajuda a reforçar o elo psíquico. Depois dos dias passados, retire o baralho abrindo cuidadosamente as dobras e a cada volta que desfizer agradeça às forças que evocou e saiba elas estão ali. Há pessoas que dormem com o baralho debaixo do travesseiro por esse período. Eu desaconselho, isso pode amassar as cartas ou as deixar caírem no chão... Mas se sente que assim será melhor, faça!

4) O que fazer quando não quero mais as cartas 
ou quero dá-las a alguém?

Se não deseja mais o seu baralho, o que acho particularmente estranho jê que tenho baralhos de mais de 20 anos dos quais não consigo me desfazer, você pode dá-los a alguém ou queimá-los! Caso tenha feito alguma consagração há um elo feito entre vocês, neste caso coloque as cartas na ordem que citei anteriormente, pois devolver os símbolos à sua ordem original equivale a "zerar" o campo vibracional do baralho. Agradeça o tempo, a conexão e os trabalhos realizados e em seguida presenteie a outra pessoa ou coloque fogo! O fogo é um poderoso sutilizador e transformador de energias, e essa opção é especialmente válida quando se trata do baralho de alguém que já deixou esta vida sem repassar seus tarots a ninguém. 

Leia também: Espiritualidade & Tarot 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A Cruz Celta do Encantamento

Uma perspectiva mitológica do
sistema de leitura da Cruz Celta...

Apaixonado como sempre fui pela linguagem dos símbolos, acho que foi mesmo a mitologia a que encontrei primeiro pela boca do meu pai, e que abriu para mim o mundo mágico das linguagens simbólicas, que se resumiriam mais tarde no estudo dos arcanos do tarot. O Minotauro, a Caixa de Pandora e o Voo de Ícaro são as primeiras histórias mitológicas de que me lembro. Muitos anos depois o tarot entrou na minha vida, e foi paixão à primeira vista! Sua imensa flexibilidade arquetípica aliada à força de suas imagens abriu uma senda infinita de maravilhamento na qual trilho até hoje. Meus estudos não terminam, e quando penso que já tirei tudo de meus estudos e da observação das leituras para meus clientes e para mim mesmo, surge um novo ângulo inexplorado, uma nova perspectiva que enriquece minha compreensão da linguagem simbólica dos arcanos na sua interação com os sistemas de leitura que mais aprecio e pratico. E foi exatamente isso que aconteceu, mais uma vez, ao observar as posições da Cruz Celta dentro da adaptação feita por mim do significado de suas posições originais. Percebi nas dez posições desse método os dez personagens centrais de toda a trama mitológica, quer seja ela milenar como a grega, quer seja medieval como a do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Ao relacionar esses personagens aos palcos de atuação da psique, representados pelos dez posicionamentos desse método, foi possível criar um cenário de mitologia pessoal ao abrir as cartas. Via de regra estamos todos escrevendo nossas lendas pessoais neste mundo. Apenas alguns terão essas lendas influenciando a vida de milhares, ou milhões, de pessoas, e marcando a história de uma comunidade ou de toda a humanidade. Entretanto, isso não diminui o relato e nem a importância de nenhuma lenda pessoal. Andar por essa vida significa influenciar os outros com nossas trajetórias e ser influenciado por outras igualmente. Porém, compreender nossa trajetória e as lições que cada vivência traz em si é que pode agregar qualidade à nossa existência, e impulsionar a evolução e a transformação de nossa personalidade ao máximo de sua expressão. Essa é uma das funções dos sistemas oraculares, e ainda mais do tarot! Os personagens míticos são as representações de partes da consciência que todos acessamos em diversos momentos de nossa jornada. Mesmo os mais dramáticos como a escolha de Páris, que teve de escolher qual dentre as deusas Hera, Athena e Afrodite era a mais bela do Olimpo, e que ao escolher Afrodite, teve as outras duas deusas derrotadas a tramar contra ele no que culminaria na longa e sangrenta Guerra de Tróia. E quem nesta vida não faz escolhas que se não forem feitas com cuidado desembocam em consequências inalienáveis?
Da mesma forma os sistemas de leitura também apresentam os palcos onde todos nós desenvolvemos interesses em comum com todos os nossos irmãos de caminhada neste planeta. E, exatamente como ocorre nos mitos, os arcanos ali colocados mostrarão o modo particular como cada um de nós vive aquele setor da vida!
Dragões, símbolo dos grandes
desafios na senda evolutiva.
Os dez personagens míticos a que me referi na presente analogia são: o rei, a rainha, o mago conselheiro, o dragão, o reino, os súditos, o jovem guerreiro, a donzela, o mensageiro, e por fim, o encantamento ou maldição que permeia toda a história mítica. O rei como o centro do reino representa o centro da trama, e dos temas que empoderamos com nossa atenção. A rainha por sua vez é seu complemento amoroso, ou sua sina opressora como no casamento de Zeus e sua raivosa consorte, Hera. O mago é a personificação da sabedoria espiritual, ou inconsciente se preferir, que se manifesta em momentos críticos como uma ideia vaga, uma percepção sutil, mas persistente, ou uma forte intuição. Os magos são habitantes de um mundo superior, como Merlin ou Gandalf da obra de J.R.R. Tolkien, ou eram representados como humanos com habilidades superiores, como o sábio profeta cego Tirésias. O dragão, por sua vez, é uma figura mais persistente nos mitos medievais, e representa os desafios que parecem intransponíveis num dando momento de nossas vidas. Para os gregos os “dragões” tiveram muitas e assustadoras formas e poderes. Jasão enfrentou um dragão que não dormia para poder recuperar o Velocino de ouro. A Hidra de Lerna, uma fera cujo sangue era um veneno tão letal que nem os deuses escapariam. A Quimera, um animal com duas cabeças, uma de leão e outra de cabra, sendo que a cabeça caprina tinha um hálito venenoso... Possuía também patas de águia e uma cauda que na verdade era uma serpente peçonhenta. Serpentes também compunham os cabelos da Medusa, que transformava em pedra todos que a encarassem nos olhos. Uma clara alusão ao desafio de termos de encarar nossos temores. E assim por diante. De qualquer modo os dragões são a personificação mais recente dos obstáculos que nos atormentam, ao mesmo tempo em que engrandecem, ao serem vencidos, a nossa existência! O reino é a síntese de tudo o que se construiu no mundo concreto, a relação com o dinheiro e a vida material como um todo. Os súditos nos relatos míticos não são apenas uma massa de manobra, mas o suporte para as decisões do rei e suas ações. O jovem guerreiro aparece sob muitas formas, forte e consciencioso como Hércules, sensível e espiritual como Orfeu, beligerante como os gêmeos Pólux e Castor, ou nobre e honrado como Lancelot, que foi tão fiel ao seu amor por Guinevere quanto por sua amizade por Arthur. A donzela que na Idade Média teria de ser salva do dragão, ou de um monstro marinho como o foi Andrômeda pelo herói grego Perseu, que mais tarde a desposou. As donzelas são a vivência transformadora do Amor. É interessante observar que a figura do mensageiro perdeu significativa importância nos mitos medievais, o que não ocorre nos mitos gregos onde um deus (Hermes grego, ou Mercúrio romano), era designado para esta função. Seus alertas não podiam ser ignorados, pois que eram um aviso do próprio deus dos deuses, Zeus (ou de seu equivalente para os romanos, Júpiter). Por fim o encantamento é a chave para a compreensão de tudo o que ocorre na trama mitológica, revela o porquê das coisas acontecerem e o provável desfecho se nada for feito...

Bem, vamos à relação:

Posição 1 – O Rei: O soberano dentro de nós; representa o conjunto de vivências que tomam nossa atenção no momento. O tema que foi coroado por nós com nossa atenção e que reflete o panorama do nosso mundo interior, e que revela que espécie de rei afinal somos nós!

Posição 2 – A Rainha: Cruzada sobre a carta do rei, essa rainha pode estar sendo carregada por ele como num enlace romântico, ou como um fardo. Assim ela pode estar contribuindo para a expressão do seu rei, ou oprimindo-a.

Posição 3 – A Casa do Mago Conselheiro: O Conselho do Mago é a voz interior que fala-nos o tempo todo, a impressão mais funda de nossa consciência, ou a vontade mais urgente do nosso coração, e que nos soa como a verdade! Dependendo do resto do jogo se revelará se esta voz sábia está sendo de algum modo ouvida ou ignorada.

Posição 4 – A Toca do Dragão: Aqui mora o nosso desafio do momento, ele pode se apresentar como um problema real ou como a constatação de algo que tem de ser resolvido ou encarado de algum modo. Pode também representar o monstro interior, forjado por condicionamentos culturais e familiares, e que tem de ser superado!

Posição 5 – O Reino: Essa posição mostra a relação do indivíduo com o seu mundo material, seu trabalho, carreira, finanças, posses e tudo o que pode ser chamado de “seu reino”, suas conquistas, e como elas aparecem para o mundo!


A Cruz Celta como um palco síntese 
dos mitos gregos e medievais.

Posição 6 – Os Súditos: Como nos reinos da antiguidade os súditos eram influenciados, mas também influenciavam, seus reis sobre as decisões do reino. Os súditos na vida moderna são representados pela família e os amigos, sobre os quais nos sentimos responsáveis, e para os quais nos voltamos para obter apoio sobre decisões importantes que poderão moldar nosso futuro.

Posição 7 – O Jovem Guerreiro: O jovem guerreiro vive dentro de nós e se apresenta toda vez que levantamos de manhã para enfrentar as demandas do dia a dia. Aqui é justamente esta sua função, mostrar como se está enfrentando a situação no momento.

Posição 8 – A Casa da Donzela (ou A Casa do Amor): A donzela em apuros aparece sempre que o amor irá se manifestar na trama dos mitos. Normalmente os heróis se apaixonam por ela, e ocupando esta posição da Cruz Celta ela indica a vida amorosa do consulente, ou se a possui; ou como encara a vida afetiva e sexual.

Posição 9 – O Mensageiro: Esta posição mostra uma indicação de algo que deve ser observado, como uma reflexão, ou o aprendizado de algo, que ao ser absorvido e apreendido ajudará a realizar a orientação do Mago Conselheiro e a vencer o Dragão. O mensageiro aponta uma perspectiva que não deve ser ignorada.

Posição 10 – O Encantamento: Todo o reino nas histórias míticas está sob a influência de algum tipo de encantamento, que ao ser revelado, explica muito do que ocorre na trama do mito. Seria a síntese, ou do que se trata o conjunto de vivências apresentadas pelos outros arcanos na leitura. A carta nessa posição revelará se estamos falando de um encantamento benigno a ser reforçado e apoiado, ou de uma maldição a ser superada!

Veja a redefinição original da Cruz Celta feita por mim lendo os seguintes artigos:

Tarot Terapêutico - O que é? 

Por Trás da Cruz Celta  

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Tarot - Vivência & Magia


Mais uma vez apresento um trabalho vivencial com o tarot, que também é, com certeza um ritual mágico com os arcanos. Como já disse noutro artigo sobre o tema, o preconceito que muitos possuem com a magia vem dos estereótipos criados pela ignorância, quando não pelo medo, popular. Como também já disse aqui a magia tem o mesmo valor que os modernos trabalhos vivenciais. Mobilizam-se símbolos arquetípicos e intensas emoções interiores, dirigidas por um propósito ou intenção, focados numa direção determinada. Com o uso das cartas do tarot essas forças arquetípicas ficam mais bem representadas, e mais bem embasadas na psique de quem vai se utilizar do ritual. Acrescentaremos a esta vivência de hoje o uso da chama, representada pelas velas. O fogo é um antigo símbolo de cura, iluminação e elevação que tem atravessado a história com a humanidade. As velas como suas representantes têm feito parte de inúmeras cerimônias e culturas ao longo dos tempos em todo o planeta. Um casamento mágico e simbólico perfeito! Para a execução deste trabalho cerimonial nos utilizaremos apenas dos arcanos maiores. Outro aspecto importante de se observar é a fase da lua em que se está, e se a presente fase corresponde ao que pretendemos manifestar. Eu costumo trabalhar apenas com as três fases lunares que aparecem na coroa tríplice da deusa Ísis. Que são:

Crescente – Uma fase de crescimento, expansão e conquista, ajuda a nutrir, sustentar e fortalecer os sonhos e os projetos pessoais. Está miticamente relacionada com a Deusa caçadora Ártemis (grega), ou Diana (romana). Também é uma lua que abre a psique para as influências sutis da natureza e do Cosmo. Utilizamo-nos dela para adquirir e manifestar objetivos. Auxilia nos rituais para fazer crescer, evoluir, prosperar, e desenvolver.

Cheia – Esta é a fase da plenitude lunar, por isso excelente para rituais de proteção e fertilidade. Amplia intensamente ainda os poderes extrassensoriais como intuição, clarividência, clariaudiência, cura psíquica etc. Durante esta fase todos os rituais de magia branca são favoráveis, como a consagração de objetos e nomes mágicos. Favorável também às iniciações, e de se fazer pedidos a Deidades específicas. Está relacionada com a deusa Selene.


Lua cheia, plenitude do poder lunar!

Minguante – Esta é a fase lunar da limpeza das energias densas e dos términos. Uma fase favorável para rituais de cura, purificação. Também de banimento e desobsessão de forças obscuras. Ajuda a romper vínculos indesejados, quer sejam afetivos, energéticos ou físicos. Está relacionada com a deusa lunar do submundo Hècate.

Escolha qual dessas fases lunares correspondem melhor ao que deseja manifestar em seu ritual. Em seguida selecione entre os 22 arcanos maiores aqueles que representam os três níveis de identificação e resolução da questão. Como no esquema que se segue:


Na posição 1 está o arcano que mostra a questão como se apresenta, ou como você a percebe. Na posição 2 está o modo como gostaria que a questão se resolvesse. E na posição 3 o resultado que deseja obter a partir desse ritual. Lembre-se de não cair na tentação de querer manipular a vontade e o desejo de outra pessoa. Você tem o direto de fazer a sua vontade, e não de obrigar outros a terem a mesma vontade, sim? Este é o princípio de toda a magia branca, que também é conhecida como Teurgia. Num relacionamento amoroso não se preocupe em desejar que o outro o ame, apenas peça que a energia do amor flua entre vocês dois. O Universo cuidará dos detalhes! Toda vez que suas intenções estiverem pendendo para o “eu” e o “meu” em relação ao outro, é um sinal para que você pare e reveja a prática, pois estará se distanciando da Luz. Recomendo que se tenha um baralho específico para leituras e outro para rituais. Isso ajuda a fortalecer a egrégora do baralho para uma e outra função respectivamente. Feito isso, passemos para a preparação da vela. Escolha uma vela que tenha a cor de um dos quatro quadrantes:

Norte – Elemento terra. Cor: Verde, arcanjo Uriel – Para a manifestação da riqueza, aquisição de bens, prosperidade, abundância, progresso em todas as suas expressões.

Sul – Elemento fogo. Cor: Vermelho, arcano Miguel – Para rituais de proteção e de amor. Para eliminar, transformar ou transmutar todas as energia densas e obscuras. Traz a Luz.


Os quatro elementos, forças ambiantes e interativas,
tanto no mundo interior quanto exterior.

Leste – Elemento ar. Cor: Amarelo, arcanjo Rafael – Para rituais de cura, e esclarecimento. Para a manifestação da verdade e do entendimento. Traz clareza e amplia a percepção consciente.

Oeste – Elemento água. Cor: Azul, arcanjo Gabriel – Para ampliar os dons psíquicos, e a sensibilidade espiritual aos planos superiores. Purifica sentimentos e percepções sutis.

Feito isso escolha um óleo aromático de sua preferência. Importante que seja natural, muitas vezes óleos sintéticos causam reações alérgicas. Se você conhece pouco sobre as propriedades mágicas e terapêuticas dos óleos essenciais recomendo que procure adquirir a essência de lavanda, que costuma funcionar como um coringa na aplicação da aromaterapia, use-a, serve pra todos os casos. Óleo puro de oliva também serve. Ele servirá para untar a vela magnetizando-a com o seu desejo. Sempre tomando o cuidado de mover os dedos untados do pavio em direção à base se deseja manifestar ou adquirir algo, e da base para o pavio se desejar curar, banir, afastar ou romper com algo. Enquanto faz isso reafirme sua intenção. A vela deverá ser colocada acima do triângulo formado pelas três cartas como no esquema acima. E ao acender a chama consagre-a às forças purificadoras e transformadoras do fogo e, se assim desejar, ao arcanjo do quadrante correspondente às suas intenções. E, claro, procurar estar direcionado a este quadrante é igualmente importante.
Ao acender a vela faça uma oração de sua preferência e peça para que tudo o que foi ali desejado seja por fim manifestado para o bem de todos os envolvidos. Depois disso faça uma entrega devocional. Não pense mais no que foi pedido. Deixe que as forças, suas e da existência, se manifestem. Por incrível que pareça essa costuma ser a parte mais difícil. Deixe-a queimar até o fim. Quando terminar recolha as cartas, agradeça mentalmente às forças invocadas, e encerre o ato mágico.

A cora de Ísis, símbolo do poder lunar. 

Quem conhece a magia cerimonial deve ter notado que não incluí na lista de relações de cada quadrante os nomes sagrados de Deus em hebraico, e nem os nomes dos reis e rainhas elementais. Primeiro porque estou a apresentar este ritual como uma vivência simbólica, e essas relações aqui mostradas possuem força arquetípica suficiente para este propósito! Em segundo lugar não pretendo fazer desse um texto introdutório na magia cerimonial, mas apenas mostrar outra forma de aplicação dos arcanos como um meio de interiorização e manifestação de objetivos. Tenho me utilizado deste e de outros rituais com o tarot de forma vivencial para o crescimento e o desenvolvimento de potenciais interiores como também abordei no texto Tarot & Magia, e com ótimos resultados.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016