quarta-feira, 5 de julho de 2017

Sobre a Frequência Terapêutica


Eis uma questão muito frequente em consultórios de qualquer tipo de modalidade terapêutica, sejam elas holístico-vibracionais, ou convencionais. E essa semana me deparei muito com essa indagação: Qual a regularidade mínima recomendada para um tratamento? Minha resposta é: Pelo menos uma vez por semana! Algumas terapias recomendam até duas vezes por semana, principalmente as psicanalíticas! As terapias vibracionais não precisam de toda essa regularidade por se valerem de práticas e técnicas que atuam por um tempo maior nas pessoas. O reiki, por exemplo, tem seus símbolos que funcionam como tatuagens energéticas que ficam vibrando no corpo físico e nos corpos sutis de quem o recebe por mais alguns dias após a aplicação. O bem estar que a renovação da energia ki proporciona se faz sentir ainda ao longo da semana. Com a terapia floral é a mesma coisa, as questões levantadas nas sessões de terapia, e tratadas com os florais adequados, vão desabrochando, por assim dizer, nos dias que se seguem. Outras questões, entretanto, surgem e por esse motivo encontros com regularidade mais curta, tipo semanal, se fazem necessários! A tese das sessões semanais pode ser dividida em duas partes:
1º) Encontros quinzenais ou mensais (que me parecem ser impensáveis para se obter resultados satisfatórios) são longos e acumulam muito “material” a ser trabalhado. Vivências passadas que podem refletir questões levantadas na sessão, e o resultado das técnicas terapêuticas empregadas, podem ser esquecidas, passar despercebidos, ou serem “filtrados” pelo cliente enquanto se encaminha para sua consulta e vai selecionando no caminho o que é mais importante de tratar com seu terapeuta! Muitas vezes o que o cliente não toma como relevante vai se mostrar com muito sentido lá adiante, mas quando não é comunicado ficará sem sentido e fora do contexto para a avaliação do terapeuta... Como conectar e tratar o que não foi dito?
Leituras de tarot, ampliação da consciência através
das chaves simbólico/arquetípicas da alma...
2º) Um processo terapêutico pode durar de alguns meses a alguns anos, dependendo das questões levantadas e das intenções apontadas pelo próprio cliente. Então imagine que num processo de tratamento regular a terapia fosse durar um ano, se a frequência diminuísse para quinzenal esse tempo poderia ser facilmente dobrado, e se for desmembrado para um encontro mensal então... É evidente que estou falando de uma probabilidade média, e que muitas vezes a compreensão do cliente dá saltos quânticos, e vários meses podem ser sintetizados em algumas semanas. Isso, porém, depende de uma série de variáveis tanto de quem se trata quanto de quem trata. Da parte do cliente depende do seu nível de autoconhecimento e da sua busca interna antes de chegar àquele momento, do quanto suas questões vem sendo ignoradas antes do tratamento, bem como da profundidade da sua influência. Da mesma forma, por parte do terapeuta, depende do seu feeling, ou seja de sua capacidade de percepção do cliente, ou mesmo se ele se utiliza de algo mais profundo e impessoal que suas percepções, como ferramentas do inconsciente, para captar as coisas não ditas nas sessões. Coisas como o tarot, a astrologia, a numerologia, o eneagrama, etc... E é claro, se ele tem conhecimento aprofundado na aplicação dessas linguagens do inconsciente. Afinal uma coisa é achar que sabe o que se pratica, outra é realmente saber...!


Por fim, a pergunta que ronda a cabeça das pessoas que leem ou ouvem narrativas assim é: Por que alguém quer interromper o tratamento de algo que o incomoda, e geralmente há vários anos? Também os motivos são variados! E vão desde o apego inconsciente ao mal conhecido, que mesmo sendo perturbador é algo comum e que se sabe como lidar, até o medo puro e simples de não dar conta da mudança, do que os outros vão pensar, de se desapontar com os resultados... Enfim, uma miríade de possibilidades!
É evidente que há casos em que não resta outra solução a não ser diminuir a periodicidade dos encontros quando, por exemplo, o cliente mora noutra cidade, e não se sente confortável com sessões online. Ou tem dificuldades físicas que o impedem de se dirigir até o encontro de terapeuta... Muitos alegam ainda que a terapia está ficando dispendiosa (o ego adora essa), a falta de dinheiro mexe com a necessidade egoica de autopreservação. Nesse caso sugiro uma mudança de perspectiva, o autoconhecimento é um investimento onde não se perde nada, e se tem a possibilidade de lucrar de inúmeras formas! Por ouro lado é algo que não se consegue fazer sozinho, ao mesmo tempo em que é um caminho que ninguém pode trilhar por você! 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Baralho Lenormand NÃO É Tarot Cigano!


O que tem de gente que vem me contar que marcou consulta com a taróloga fulana de tal, e ao chegar lá o que a mulher abriu foram as "cartas ciganas", e que a pessoa se constrangeu em dizer que não queria aquele atendimento, e que conhecia bem o que era tarot...! Que fiasco! Esse vício vem lá dos anos 90 quando a Kátia Bastos lança uma versão própria do baralho Lenormand, chamando a esse baralho de Tarot Cigano... Perpetrando assim um longo e incrível equívoco que ainda perdura, e que muitas vezes mais parece a má fé de certos profissionais. Nessa época a cartomancia andava meio em baixa, então os livreiros resolveram chamar todo baralho oracular de tarot, pois a tarologia era uma verdadeira febre! O Lenormand nem ao menos é cigano! É uma versão francesa que foi criada, levando o nome de Madame Lenormand, a partir de um baralho alemão anterior (o Jogo da Esperança, de Johann Kaspar Hechtel)... No mundo todo é conhecido como cartomancia Lenormand ou cartomancia francesa... No Brasil ficou conhecido como cartas ciganas. Ciganos são exímios em fazer leituras e prognósticos, mas não criaram um baralho seu. Foram sim os primeiros usar o tarot de modo divinatório, até onde se sabe, mas o único sistema oracular legitimamente cigano é a quiromancia, ou a leitura das linhas das mãos. Quem lê essas cartas é um cartomante, e não um tarólogo! O tarólogo é sim um cartomante também, mas que se utiliza de um baralho específico com mais desdobramentos arquetípicos, que é o tarot!
E como já disse na página "A História do Tarot" aqui do meu blog: O tarot é um conjunto de 78 cartas divididas entre 22 arcanos (segredos ou mistérios) maiores e 56 arcanos menores. Esses últimos têm ainda uma subdivisão de 16 cartas com figuras humanas de reis, rainhas, cavaleiros e valetes (A corte) e 40 cartas numeradas de 1 a 10 divididas em quatro naipes, como no baralho comum, paus, copas, espadas e ouros. Se um baralho tiver mais ou menos cartas, ou faltar qualquer uma das estruturas citadas, não é nem melhor, nem pior, apenas NÃO É TAROT! Não é um descendente do baralho medieval original, o que também não significa que não funcione nem seja bom!

Saiba mais sobre as origens do Baralho Lenormand 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Tarot & Florais - Uma Combinação Alquímica


Ace of Cups, do
Salvador Dali tarot.
Desde que comecei a atuar com o tarot, senti que faltava algo que auxiliasse a digerir, e posteriormente tratar, as revelações feitas pelos arcanos. Foi assim que em 1994 conheci a terapia floral. E até hoje não consigo imaginar combinação terapêutica melhor para uma leitura de tarot. Comecei a identificar na assinatura das flores características dos arcanos em determinadas situações. Não do modo como já vi em alguns livros, que dizem que para arcano tal indica-se floral tal... Simplesmente porque isso é muito variável! Os arquétipos são plásticos. O arcano de A Torre, por exemplo, pode tanto simbolizar uma experiência desestruturadora, como um empuxo para se livrar de sistemas opressores. Por isso a esse mesmo arcano podemos tanto associar Waratah, do sistema Bush (australiano), que nos dá forças para suportar crises devastadoras, quanto Cayenne do sistema FES (californiano), para mover a consciência da estagnação e da inércia evolutiva. Por isso entendo que não é um arcano que define uma essência floral, mas sim a situação indicada pelos arcanos conjuntamente numa leitura.
Com o tempo o processo de sintonizar florais à arcanos ficou tão introjetado que tenho dificuldade em explicar de modo metódico como o faço. Da mesma forma que ficou muito complicado indicar florais sem a leitura dos arcanos... Minha experiência tem demonstrado que quando interagem ativamente o processo é mais preciso. Certa vez uma mulher me procurou, havia sido indicada para fazer terapia... Como não citou a leitura de tarot me preparei para a anamnese usual da terapia com as flores. Perguntei o que a trazia a até mim, e ela se queixou de falta de foco nos estudos e da necessidade de concluir seu curso de direito. Como ficou só nisso perguntei sobre a vida familiar e afetiva, ao que ela respondeu que tinha uma família complicada com irmãos que haviam se dispersado, e uma mãe pouco afetuosa, mas que ela não ligava mais para isso apesar de ainda morar com a mãe. Sobre o amor disse que tinha terminado um relacionamento a pouco, e que não estava mais focada nisso, e na verdade até um pouco desacreditada dos afetos, e reforçou que precisava mesmo era tocar logo a carreira para seguir o seu caminho... Ou seja, tinha muito trabalho pela frente até ela se dar em conta que ia ser difícil de focar em algo com toda essa negação de sentimentos mal resolvidos e afetividade frustrada. 
Two of Vessels (copas) do
Alchemical tarot,
de Robert M. Place.
Pedi a ela um tempo para avaliar os florais, e disse que os mandaria por e-mail, pois aquele não era o meu procedimento usual para a terapia com florais... Ao que ela indagou quase que imediatamente: “Ah, não? E qual é seu método?”, falei que eu me utilizava da leitura do tarot. Prontamente ela complementou: “Então eu quero!”. Marcamos para o início da semana seguinte. Quando abri as cartas, o tarot mostrou de pronto que ela ainda sonhava com um novo relacionamento que a fizesse novamente acreditar e apostar no amor, como também sonhava com a reintegração da sua família, coisa aliás que não lhe saía da cabeça! Fiquei cheio de dedos para dizer que o que os arcanos me mostravam era o oposto do que ela havia me dito na nossa primeira sessão. Quando enfim falei, outra surpresa! Ela sorriu com um canto da boca e disse com um claro ar de admiração: “Como isso mostra mesmo as coisas, né?”. A negação havia cessado, os símbolos do inconsciente vieram à tona e mostraram o seu paradoxo, e então ela parou de relutar e, é claro, mudamos completamente o seu receituário floral... Ela não mentia para mim, mas para si mesma, e a intervenção dos símbolos arquetípicos desarmou isso! Sem o tarot essa fantasia autossugestionada demoraria meses para ser esclarecida!
Essa foi uma das muitas provas que tive de que eu devo mesmo é continuar sendo esse terapeuta-tarólogo, ou um tarólogo-terapeuta-floral, para alquimizar a pedra bruta que habita a alma humana... 

terça-feira, 16 de maio de 2017

Repetindo... O Tarot é um Espelho!


Já disse inúmeras vezes, mas se faz necessário repetir e repetir... O tarot é um maravilhoso instrumento de divinação, revelação de pronósticos, aconselhamento, orientação, e reflexão sobre o presente, como também sobre o passado, o futuro e sobre nós mesmos e nossas atitudes... Porém, não substitui a necessidade de se viver a própria vida e assumir para si a responsabilidade da própria existência! O que tem de pessoas que me escrevem dizendo que consultaram este e aquele tarólogo, e que as respostas mudavam, e que por isso concluíram de que o tarot estava confuso... Oi? Quer dizer então que uma pessoa não se contenta nunca com uma resposta, vai num profissional e ouve uma narrativa, mas mesmo sendo positivo o que ouviu, sente necessidade de  confirmação, e então vai noutro. A narrativa muda um pouco, o tarot é afinal um instrumento de revelação de um determinado momento da vida de quem retira as cartas, e um momento muda porque atuamos sobre ele, consciente ou inconscientemente. Sem falar na competência de cada intérprete, e na afinidade com a linguagem que ele desenvolve, o que são variáveis que sempre devem ser levadas em conta. A referida pessoa acha então que se algo mudou a revelação que ela ouviu não é consistente, e sai à procura de outro, e outro, e no fim conclui de que o tarot é que está confuso? Mas ela, é claro, não está nada confusa! Se o tarot é um espelho, de onde virá a confusão detectada, do reflexo ou do espelho? Usando outro exemplo, se você se vê gorda no espelho, o espelho é que a engordou?
Enquanto houver pessoas que insistam de que o que os oráculos revelam é algo fora delas, será impossível para essas pessoas extrair do trabalho de orientação com os sistemas simbólicos como o tarot, a astrologia, a numerologia, o I Ching, etc o seu melhor, e de crescer e de se desenvolver com isso...

terça-feira, 9 de maio de 2017

Mario Quintana e o Oculto...


Quintana e o Tarot... 

Pois é...! Achei este poema no livro "Aprendiz de Feiticeiro" de 1950, e me espantou o quanto os versos nos fazem lembrar do arcano Prince of Disks, do Thoth tarot de Aleister Crowley. No poema Mario fala em Rei de Ouros, e Crowley por questões cabalísticas renomeou o Reis do tarot para Príncipes... Com certeza isso não foi consciente por parte do poeta, pois que o poema é, como já disse, de 1950 e a primeira edição completa do Thoth tarot só aconteceu em 1962, e ainda assim em edição limitada. A sincronicidade e a força dos arquétipos se fez presente mesmo nesse encontro. O poema fala de poder e do ápice de uma situação. Justo o significado deste arcano que denota poder material, riqueza e realização. "Coincidentemente" o Rei de Ouros do tarot tem correspondência astrológica com o segundo signo do zodíaco, Touro... Leiam os versos e comparem com a imagem deste arcano... Por ser também uma das ferramentas do inconsciente a arte pode dar saltos surpreendentes...



PINO

Doze touros 
Arrastam a pedra terrível.

Doze touros
Os músculos vibram
Como cordas.

Nenhuma rosa
Nos cornos sonoros.
Nenhuma.

Nas torres que ficam acima das nuvens
Exausto de azul
Boceja o Rei de Ouros.

Do livro: Mario Quintana - Aprendiz de Feiticeiro,
seguido de Espelho Mágico.
Editora Objetiva. Rio de Janeiro, 2012.

Quintana e a Astrologia... 

Quem diria hein? Mas muitos de seus poemas falam em alquimia, magia, e em um de seus versos ele cita a palavra "quincúncio", que é um aspecto referente a um ângulo de 150º  entre dois planetas na mandala do mapa astral... E o presente soneto é uma prova escrachada de que o poeta tinha pendores,  ou pelo menos curiosidades astrológicas...

ASTROLOGIA

A minha estrela não é a de Belém:
A que, parada, aguarda o peregrino.
Sem importar-se com qualquer destino
A minha estrela vai seguindo além...

- Meu Deus, o que é que esse menino tem? -
Já suspeitavam desde eu pequenino.
O que eu tenho? É uma estrela em desatino...
E nos desentendemos muito bem!

E quando tudo parecia a esmo 
E nesses descaminhos me perdia
Encontrei muitas vezes a mim mesmo...

Eu temo é uma traição do instinto
Que me liberte, por acaso, um dia
Deste velho e encantado labirinto.

Do livro: Baú de Espantos;
Quintana de Bolso. L&PM Pocket.
Porto Alegre, 2010.
Seleção de Sergio Faraco.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Lilith - A Senhora das Sombras

O texto que se segue foi publicado pela primeira vez no jornal Athame, de Porto Alegre, em Agosto de 1998. Um amigo o encontrou na internet nas "Melhores respostas do Yahoo" e então pude resgatá-lo! O apresento hoje sem nenhuma reedição ou retoque na ideia original, mas com apenas algumas correções ortográficas. Continuo concordando com o motivo central que exalta a urgência da transformação de uma arcaica consciência masculina ainda dominante, mas reconheço que um gigantesco passo já foi dado na direção dessa transformação, haja visto a grande quantidade de homens que tem me procurado para leituras de tarot e trabalhos terapêuticos; e mais do que isso, se envolvido ativamente na transformação planetária... 
Espero que os leitores de hoje o apreciem!  
Eva, a segunda esposa de Adão...

A Senhora das Sombras...

Pesquisar o mito de Lilith foi uma das experiências intelectuais mais instigantes e fascinantes de minha vida. Nesse mito encontrei muitas respostas para o comportamento humano, extremamente manifestado no sexo masculino, de temer o mundo oculto e perverter a sexualidade. No estudo, que conclui há três anos fiz questão na ocasião, como faço agora, de buscar uma analogia com parâmetros históricos na formação das grandes religiões mundiais e seus conceitos morais intrínsecos.
Lilith é mais abordada no Talmud, o sagrado Livro do Judaísmo. Lá encontramos um Adão diferente do que a cultura cristã nos fez acreditar. Seu nome era Adão-Enkidu, andrógino, meio animal e sem par. Esse Adão pouco aceitável para nós, mantinha relações sexuais com animais, andava nu e solto pelo mundo do Criador. Após um longo período de solidão ele sente falta de uma parceira, esta lhe aparece em sonhos e comunga com Adão nos impulsos bizarros para o sexo. Outra versão conta que Deus estava com sua criação quase pronta, então ele criou os répteis, os insetos e por ultimo os demônios, pois já era o fim do sexto dia. Assim sendo, Lilith nasceu no cair da noite de uma Sexta feira e dissipou-se da criação antes do raiar do dia de Sábado. Sua ruptura com a criação se deu devido a um fato insólito, aparentemente, mas com uma grande riqueza simbólica: Adão-Enkidu foi deitar-se com sua parceira tão sonhada. Na hora da cópula, ela recusou-se a submeter-se ao seu parceiro, o homem. Segundo as escrituras, a primeira mulher questionou porque deveria ficar por baixo durante o ato da cópula. "Não sou eu também filha dele, por que devo ficar por baixo e tu por cima?" E o primogênito de Deus retrucou: "Porque meu Pai assim o quis". Nesse momento nasceu a Senhora das Sombras, aquela que desejava ser igual ao primogênito do Senhor e não aceitava ser subjugada, nem por ele nem por ninguém. Aquela que desejou transgredir a ordem, que não aceitou as explicações dadas, nem os fatos apresentados.

Conflito Alma e Corpo

Este trecho da historia oferece mais do que aparenta. Entendo o ficar embaixo mais do que uma posição para o ato sexual; aparentemente trata-se da natureza animal do homem querendo tomar sua consciência espiritual. O mito de Lilith é uma figuração (em minha opinião) do eterno conflito entre a alma humana que busca a ascensão, por ser esse seu propósito maior, e o corpo primitivo, cheio de impulsos bestiais. Esse drama é inerente ao contexto humano e as religiões monoteístas apenas acentuaram esse ponto de discórdia.
Lilith, a representação mágica,
e bestial, da noite...
Conta-nos o Talmud que o Adão-Enkidu, antes do aparecimento de Lilith e posteriormente de Eva, mantinha relações sexuais com os animais. Deus por sentir-se repugnado com o comportamento daquele que deveria ser a sua maior obra, o proibiu de fazê-lo. Pessoalmente, duvido que uma forca criadora, responsável pela criação e manutenção de bilhões de estrelas e de mundos diferentes do nosso, estivesse preocupado com a estrutura moral de cada sociedade. A moral apenas é um conceito que mantém sob controle a besta em cada um. A mitologia em todas as culturas e religiões sempre segue o mesmo padrão: criar símbolos para comunicar um fato real adornado em todas as sensações que dele derivam. Os pastores nômades do Oriente Médio mantinham relações sexuais com animais quando não tinham condições de ter uma esposa. Esse impulso sem nenhum freio tornou-se uma compulsão.
Nenhum homem totalmente livre é administrável no plano físico; porém, se colocarmos a par dos desígnios superiores, de uma força ou Deus que tudo vê, ele irá refletir. No caso dos pastores, eles temeram. A moralidade é exatamente isso, um profundo sentimento de que esse ou aquele comportamento estão errados, não são normais. Normal é tudo aquilo que anda conforme as normas sociais. As normas de Deus na boca dos profetas antigos era igual a nossa.
A energia sexual, por seu enorme poder energético incontrolável fez do homem primitivo um ser grotesco, portanto penso que o lamentável evento da culpa sexual foi o meio mais próximo, na época, que os antigos lideres espirituais dos clãs encontraram para fazer parar a fúria dos fornicadores. Até que a humanidade encontrasse outra forma de trabalhar essa energia.

Não Somos Animais, 
Somos Homens!

O sexo com animais manifestou o lado mais obscuro dessa força dentro de cada homem e mulher no planeta. Os que se acharam incomodados com esse comportamento não estavam sob o efeito de nenhum preconceito embutido pela sociedade em suas mentes, já que isso era inexistente. Muito provavelmente foram tomados por uma intuição: Não somos animais, somos homens! E quem de nós poderá afirmar que essa intuição tenha ou não vindo de uma mente superior? Somos almas que se individuaram do grande coração divino e não há nada de errado com o sexo, o erro está na perversão de qualquer força. O instinto e a animalidade começaram a ser temidos. No Antigo Egito os deuses com cabeças de animais podiam ser bem mais cruéis do que os representados em forma humana unicamente. A maior parte dos demônios (que eram entidades espirituais) eram representados por metade feras, metade homens.
Essas entidades amorais foram largamente adoradas na Arcádia e na Suméria. Propunham prazer, êxtase e poder a qualquer um e a qualquer custo. Essa era a manifestação do homem-besta, que vivia apenas externamente como quem luta pela sobrevivência. Obviamente surgiram aqueles que tentaram (e conseguiram) usar esse temor do Deus único como uma forma de extorsão de outra grande forca, a Fé. Assim sendo o homem foi deixando para trás sua natureza mais livre e sua profunda identificação com a natureza.


Muitas representações de animais simbolizam as experiências
internas do homem. O Cavalo alado assinala a ampliação
da consciência a um patamar superior.

Pouco a pouco seus deuses com formas animais deixaram de ser importantes, dando lugar à idolatria do próprio homem. Chegamos, então, a uma Era em que não mais nos sentimos irmanados com a natureza, e os animais, destruindo-os sem a consciência plena de que destruímos a nós mesmos.
Conta, ainda, a alegoria mítico-religiosa que logo após a rebelião Lilith fugiu para as praias do Mar Vermelho, e lá, dentro de cavernas paria cem demônios por dia. Lutou contra os anjos do Senhor e amaldiçoou a humanidade... Realmente, os conflitos e dramas gerados entre o espírito humano e seu veiculo físico foram uma verdadeira maldição por milhares de anos e talvez ainda o seja. Resta ainda aqui uma última indagação a qual não encontrei respostas: Lilith também foi criada só em espírito, não tendo lhe sido dado um corpo. Seria a questão da elevação da energia sexual uma questão inerente ao trabalho evolutivo do espírito? Ou somente uma inspiração da mente superior da atormentada raça humana que busca sensações em meio a rompantes profundamente destrutivos? A concepção de elevação da energia sexual mais perfeita nasceu na Índia e foi chamada Kundalini. Os iogues orientais comprovaram que, mais do que orgias, se podia também elevar a consciência a um ponto nunca alcançado pelo homem mediano, obtendo assim conhecimento superior.

O Feminino Incompreendido

Como pesquisador, uma duvida perseguiu-me por muito tempo: Por que a mulher foi de tal forma associada a todas as forças malignas do mundo? Lilith era um espírito feminino e, mesmo Eva encarnada teve como responsabilidade uma espécie de traição a Deus. Buscar apoio nas pesquisas históricas nem sempre é o que basta. Haja visto que a Historia não é um estudo de alta precisão dos fatos. Quando se busca um fato histórico deve-se tentar pensar sem o esclarecimento intelectual do agora, somente assim nos aproximamos da consciência, inúmeras vezes mais pura, do homem primitivo.
A alienação das experiências do feminino
fez com que por muitos séculos o
homem também se alienasse da
essência espiritual da vida.
Imaginemos esse homem em suas primeiras ações para formar uma sociedade. Com mais tempo com seus iguais e já possuidor de algumas faculdades intelectuais ele pode observar mais atentamente alguns fenômenos da vida. A gravidez, a menstruação, o aleitamento e o crescimento dos homens que saiam de dentro das mulheres, provavelmente o intrigava. Completamente inconsciente de sua participação nesse fenômeno, começou a atribuir as mulheres um poder mágico, uma faculdade secreta que lhe era negada. A presença do sangue na menstruação o apavorava, o sangue era visto nas caçadas e nas lutas tribais como signo da morte. A ideia do sangramento causava-lhe pânico. Como aquele ser podia sangrar sem morrer? Seria uma criatura aparentada com a morte, e mesmo assim possuidora de poderes sobre a vida? Em minha opinião esse era o inicio do patriarcado feroz. Mesmo nas sociedades embasadas no culto a uma Deusa como entidade maior, era o homem que regrava a disposição geral da família. Toda ideia da mulher traiçoeira, mentirosa e fútil nascia ai. Também de que os poderes místicos que elas possuíam eram exclusivamente femininos.
A imagem arquetípica do feminino passou por muitas projeções do homem que, afinal, sentia-se atraído por elas. Esse ser misterioso deveria ser domado antes de possuído. Mulheres, mães, prostitutas, bruxas e serpentes foram uma só; e assim foram esmagadas com sua beleza também. Hoje essas histórias mais parecem um retrato bizarro do passado, e realmente o é. A feminilidade está desmitificada e sabemos que seus poderes não funcionam sem os atributos masculinos e vice versa. A intuição e o psiquismo são atributos da mente cósmica, abertos a todos que desejarem comungar com essa poderosa força. A vida e a morte estão dentro de todos nos. As bruxas, místicas e feiticeiras tão renegadas ao papel de projeção do lixo emocional dos homens, hoje buscam sua faceta mais sagrada. Aos homens cabe encontrar o seu lugar nessa dança cósmica. A Mãe Misericordiosa do Universo os aguarda de braços abertos. Para finalizar quero sublinhar meu respeito à esse mito fantástico da Lilith que retrata com clareza o feminino incompreendido do mundo. 

Leia também: Anjos & Demônios no Tarot   


Observação: Na astrologia Lilith é um aspecto que revela nosso poder oculto, e também as vivências infantis não desenvolvidos! É conhecida como Lua Negra. No tarot tem relação com os arcanos de O Diabo XV, e de A Lua XVIII que, respectivamente, representam a sexualidade primal da psique, os medos inconscientes e os temas não resolvidos da alma. Na numerologia relaciona-se com o número 11, que tanto rege a aspiração da alma às alturas quanto seu aspecto transgressor, já que o 11 é a cifra que decidiu existir após o 10, que representa a perfeição do Deus Criador!

quinta-feira, 9 de março de 2017

Os Cinco Mundos Interiores

Os naipes do tarot são os representantes simbólicos das quatro estações,
bem como dos quatro tipos básicos de temperamento humano.

Os quatro naipes do tarot simbolizam, esotericamente, os quatro níveis da alma humana, bem como os quatro elementos da natureza que correspondem a esses níveis. As cartas da corte – as quatro figuras de cada naipe – representam as posturas que assumimos diante dos acontecimentos da vida. As cartas numeradas de cada naipe simbolizam aquilo que estamos tratando. Os arcanos maiores, por sua vez, são os próprios eventos principais que todos os seres humanos no planeta estão sujeitos, bem como as qualidades superiores a serem desenvolvidas ao longo de sua caminhada de desenvolvimento pessoal. 
Podemos considerar, então, que temos no tarot os cinco elementos da vida. No naipe de paus, o fogo. No naipe de copas, a água. No naipe de espadas, o ar. No naipe de ouros, a terra e por fim nos arcanos maiores o espírito e as leis do KarmaNuma leitura de cartas, quando um determinado número de naipes predomina, podemos dizer que um dos cinco mundos interiores veio à tona e nos “possui”. Do mesmo modo, quando um certo elemento não é representado, pode significar a falta de sua qualidade específica ou de sua atitude no nosso momento de vida.Numa leitura com a técnica da Cruz Céltica, por exemplo, se dentre as dez cartas saírem três de um determinado naipe, isso terá grande relevância. Assim, quanto maior for o número de cartas de um naipe, maior sua influência no momento representado.

- No Mundo do Fogo

Com muitas cartas do naipe de paus, estamos possuídos por nossos desejos, ansiosos por iniciar coisas novas ou essas coisas novas surgem de modo quase impositivo. Com o naipe de paus estamos cheios de paixão, ou de alegria e tudo o que é velho não nos interessa. O movimento, a mudança, as viagens, o afã de tornar tudo melhor, o êxito, o sucesso brilhante e o ímpeto de crescimento e expansão são a tônica. Do mesmo modo a impaciência, a irritabilidade, a precipitação, o excesso de passionalidade e a dependência de reconhecimento externo se fazem presentes.

- No Mundo da Água

O excesso de naipe de copas denota muita emocionalidade, sentimentos intensos e envolventes, amor, romantismo, idealização, imaginação, memória e interiorização. Há um favorecimento dos assuntos românticos e espirituais, pois o amor físico dos homens, tanto quanto as experiências de cunho transcendente, são de puro arrebatamento para a alma. Com copas há a busca de sentido na vida, de sentimento de pertencer a algo, instituição, relacionamento, família, religião, corrente ou tendência, sempre de modo ideal. As fantasias enganosas e escapistas, as confusões emocionais, o aprisionamento ao passado ou o excesso de idealização do futuro, bem como um excesso de interiorização que cria indiferença ao mundo exterior também são atributos deste naipe.

- No Mundo do Ar

Com muitas espadas numa leitura entramos na dimensão da mente, que por sua natureza é sempre dual, traz conflitos e exige decisões, mudanças, posicionamentos e um discernimento claro do que fazemos ou devemos fazer. A mente, assim como os ventos, sopra em muitas direções e é influenciada pela coletividade; neste naipe encontramos as heranças culturais. Tudo o que nos foi dito, por pais, professores e a sociedade entra, num dado momento, em conflito com o que somos em essência. O naipe de espadas também traz foco e direcionamento para a mente, ajuda esclarecer situações complicadas e dá coragem para defender posicionamentos.

- No Mundo da Terra

Com ênfase no naipe de ouros estamos mudando de valores, ou valorizando coisas novas, criando as bases para nossa estabilidade, conforto e prosperidade. De algum modo temos de olhar mais atentamente para nossa realidade e rever como estamos nos relacionando com nosso corpo e o meio ambiente. A maneira como estamos cuidando da nossa saúde, das nossas finanças e do mundo prático, no geral, também são temas importantes. A sensualidade e a sexualidade evidenciam-se com este naipe. Por outro lado o apego e a resistência à mudança, a inflexibilidade, a avareza e o materialismo surgem como a sombra deste elemento que sintetiza muitos aspectos dos outros três.

- No Mundo dos Arcanos Maiores (Espírito)

Com a predominância de arcanos maiores estamos, com certeza, vivendo um tempo em que muitas qualidades são requeridas de nós e somos chamados a responder com muitos talentos ao mesmo tempo. Há forças maiores atuando em nossas vidas e aquilo que chamamos de destino, que nada mais é que o retorno de nossas ações nesta e em muitas outras vidas, se interpõe imperativamente. Também se trata de um tempo em que podemos nos sentir esmagados pelos eventos, sem ver como nós os criamos e sem saber, assim, como interagir com essas forças que movimentam nossas vidas.