sexta-feira, 5 de abril de 2019

A Cruz Hermética e o Tarot...

A Cruz Hermética, ou Rosa Mundi.

A Rosa Mundi, ou Cruz Hermética, é um símbolo da Sociedade Rosa Cruz que também ilustra o verso de dois baralhos de uma outra ordem oculta, a Golden Dawn. Esses baralhos são o Tarot da Golden e o Thoth Tarot de Aleister Crowley. Independentemente das razões que levaram os autores desses dois tarots a colocarem esse símbolo em seus baralhos, eu só tenho de concordar de que é perfeita a junção desse símbolo à linguagem do tarot! A Rosa Mundi começa com seus dois braços cruzados, um vertical e o outro horizontal, sinalizando a entrada do homem na dualidade da matéria, onde tudo se divide em duas polaridades, como bem/mal. luz/sombra, consciente/inconsciente, macho/fêmea e assim por diante. Essa dualidade é o grande desafio que a alma enfrenta a cada nova incursão reencarnatória. A nossa incursão pelo mudo da matéria não se resume, entretanto, a viver esta dualidade e sofrer com ela, mas sim em harmonizá-la para se obter o máximo desta combinação. Como quando integramos em nossa essência a abordagem racional e a intuitiva, a mente analítica e a sintética, o amor e o rigor, e assim por diante. As leituras de tarot são, em última instância, um mergulho nessas dualidades geradoras de conflitos, cuja finalidade é justamente a de se achar um ponto de integração e harmonização para a resolução do conflito, através da compreensão do seu propósito para a consciência. Os quatro braços formados pela cruz central nos remetem aos quatro quadrantes da magia e das quatro estações, que por sua vez aludem à passagem do tempo dentro do processo reencarnatório. As quatro fases da vida, infância, juventude, maturidade e velhice que também se repetem nas estações indicando tanto que morremos um pouco a cada ciclo de um ano, quanto que a cada novo ciclo temos a oportunidade de renascimento através da expansão da consciência sobre nós mesmos e os fatos do mundo que nos cerca. É na interação entre esses dois processos da existência que cada homem tem um propósito a cumprir! 
Wang desenha nos braços da cruz do tarot da Golden os quatro símbolos alquímicos dos elementos. No modo como a cruz aparece no verso do tarot desenhado por Frieda Harris sob a direção de Crowley, há uma sucessão de pétalas que se interpenetram aprofundando-se no âmago da grande cruz até a rosa em seu centro. Esse simbolismo revela que a cada renascimento proposto pelos ciclos naturais o indivíduo aprofunda-se em si mesmo, na compreensão de sua essência, propósito e natureza até a libertação da roda reencarnatória. No tarot da Golden Robert Wang desenhou uma Árvore da Vida cabalística no centro da cruz, pois que na Rosa Mundi original aparecem as vinte e duas letras cabalísticas nas pétalas que envolvem a cruz central, indicando que o entendimento da relação homem/universo, ou homem/Deus é o epicentro de nossa viagem interior. Encontrar o propósito de nossas vivências individuais, e o seu papel dentro do grande quadro em que nos encontramos é, com certeza, uma das funções mais profundas da simbologia dos arcanos. Quando interpretadas por alguém com conhecimento e habilidade para extrair tais informações de suas imagens arquetípicas.
Dentro do hermetismo cristão, proposto pelo símbolo Rosa Cruz, esse cerne da cruz simbolizaria a Mônada individual, a presença da divindade em cada um de nós, também conhecida como a Divina Presença ou como o Cristo Interno. Ao nos aproximarmos dessa essência desvendando o significado de nossas vidas perfazemos o caminho que as antigas escrituras judaico-cristãs chamaram de “o retorno à casa do Pai”. Assim, o Juízo Final revelar-se-ia não como uma catástrofe para o julgamento de toda a humanidade, mas sim como uma consciência profunda do si mesmo em sua trajetória espiritual. A sequência de imagens dos arcanos do tarot simbolizam exatamente isso, a jornada de autodescoberta de toda a humanidade, tanto quanto de cada pessoa sobre este mundo. Ao retirarmos as cartas numa leitura estamos revelando em que ponto dessa jornada estamos individualmente, e em que desafios travamos nossa luta por esclarecimento e compreensão.
A Cruz Hermética do Golden Dawn
tarot, de Robert Wang.
A consideração dos quatro braços da cruz mais a Mônada nos remete ao símbolo do pentagrama, cuja representação mais antiga remonta à Mesopotâmia, há mais de três mil anos, e que aparece representado nos quatro braços da cruz hermética! Os pitagóricos o consideravam o símbolo do homem perfeito e em perfeito equilíbrio, com os pés bem plantados no chão (este mundo) e a cabeça apontando para os céus (o mundo transcendente). A inversão deste símbolo representaria a inversão do fluxo de crescimento e expansão da consciência, uma vez que o homem estaria com suas faculdades de percepção superiores embotadas por seus instintos inferiores de posse, cobiça e apego. Ou seja, seus olhos não conseguiriam enxergar nada para além deste mundo e seus apelos imediatistas. No braço inferior da cruz, acima do pentagrama, vemos a estrela de seis pontas, conhecida também como “Escudo Supremo”, representando a cosmologia da antiguidade, trazendo em si o Sol cercado dos outros seis outros corpos celestes conhecidos: Saturno, Júpiter, Vênus, Lua, Mercúrio e Marte. Esses planetas representam, segundo a Cabala, as sete sephirot inferiores da Árvore da Vida, onde se dá a maior parte do desenvolvimento humano na sua viagem rumo ao encontro com o divino em Kether.
A Cruz Hermética do Thoth tarot,
de Aleister Crowley.
Na cruz hermética aparece também os símbolos dos três elementos filosóficos da Alquimia, o enxofre (a criação), o mercúrio (a expansão), e o sal (a manutenção ou preservação). Indicando que os processos de transformação, representados pelo enxofre, movimentam energias subjacentes que acompanham a vida material, representadas pelo mercúrio, para revelar a essência eterna de toda criação, representada pelo sal. Podemos associar esse simbolismo à ideia de que toda crise, como a força transformadora que é, traz em si um significado mais profundo que tanto pode ser revelado quanto desvendado pelo simbolismo do tarot. Por fim, na Rosa Mundi original aparece também a palavra I.N.R.I que possui muitas interpretações, tanto no Hermetismo cristão quando nos textos alquímicos. Essa palavra teria sido escrita numa placa sobre a cabeça de Jesus como um deboche dos soldados romanos, e significaria “Jesus nazareno rei dos judeus”, mais tarde seria interpretada como “O Filho do Rei”, e essa seria uma interessante percepção dessa palavra, já que Kether é a sephira cabalística da divindade e da origem espiritual da vida, e é representada por uma coroa. Reforçando que toda busca do si mesmo é uma busca por comunhão com a divindade. Essa inscrição foi suprimida tanto por Wang quanto por Crowley, da mesma forma que a própria divindade é ignorada por muitos ocultistas, e também, é claro, por muitos tarólogos. Os séculos de deturpação dos ensinamentos do Cristo, que seguiram uma orientação muito mais dogmática-religiosa-institucional do que espiritual-libertária-individual ajudou a criar toda essa lamentável resistência e preconceito.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Cartas da Corte - Ampliando a Percepção...


O Rei de ouros, do
Druid Craft tarot.
Dentre os arcanos do tarot as cartas da corte são as que costumam representar maior dificuldade para quem está se iniciando. A maioria das pessoas não sabe quando devem encará-las como pessoas que participam da vida de quem está se consultando, ou como posturas que o consulente vem assumindo em sua vida, ou ainda como eventos que estão ocorrendo a sua volta... Pois bem, aqui vão três exercícios imaginativos que ampliarão a capacidade de flexibilização arquetípica desses arcanos, e aprofundarão sua percepção intuitiva. Como já disse outras vezes eu nunca tive problemas ao interpretar as cartas da corte! Sempre as tomei num primeiro momento como uma postura interior de quem se consultava comigo, e deixava minha intuição me guiar, e ela sempre me levou na direção certa quando esses arcanos marcavam pessoas dos relacionamentos dos clientes, ou eventos pontuais em suas trajetórias. De qualquer forma tive de elaborar estes exercícios  imagéticos quando decidi ensinar tarologia para outras pessoas, e me deparei com essa dificuldade na maioria dos meus alunos. Recomendo que para cada um desses exercícios se utilize o velho método da anotação manual. Escrever suas percepções com o próprio punho faz com que elas fiquem gravadas em você. O que antes era uma crença mágica muito difundida, hoje é um fato comprovado pela neurologia. Então tenha caneta e caderno na mão antes de começar. Aqui vão eles:

1º) Estude o mais minuciosamente possível o significado das cartas da corte, sempre tendo em mente que são personalidades humanas com características bem marcadas. Quando suas dúvidas minimizarem suficientemente escreva num bloco de notas suas lembranças de quando você mesmo agiu como um desses personagens do tarot. Em que momento você foi amoroso, envolvente ou sensual como uma Rainha de paus? Ou em que momento de sua vida você foi planejador, racional e organizado como o Rei de ouros? E assim por diante, com todas as dezesseis cartas da corte... Anote também, depois de cada descrição, em que situações você estava envolvido e que estimularam ou requisitaram essa postura de sua parte. Esse é um exercício que tanto estimula a percepção das cartas da corte como posturas psicológicas que assumimos diante dos eventos da vida, criando personas, quanto as situações práticas que cada uma delas pode simbolizar numa leitura...


A construção do conhecimento
é um trabalho contínuo, e que envolve 

muito empenho, observação e prática
como nos ensina o Cavaleiro de ouros
(Thoth tarot).

2º) Ainda seguindo nesta linha, escreva em seu caderno de anotações que pessoas em sua vida representam cada uma das dezesseis cartas da corte. Diga também que características se evidenciam e que fazem você associar o comportamento delas a esse ou aquele arcano. Não deixe, é claro, de anotar qual o arcano que define você mesmo na maior parte do seu dia a dia. No exercício anterior você já terá aprendido que nossa personalidade é mutável na maioria das vezes, assumimos posturas diferentes conforme cada situação que vivemos. Agora você terá de avaliar nas pessoas com quem convive, assim como em si mesmo, qual dessas personas (máscaras) elas e você se utilizam mais frequentemente em suas rotinas diárias. Em minha vida, por exemplo, reconheço minha irmã como uma Rainha de espadas: racional, crítica e socialmente reservada e polida, tanto quanto reconheço a mim mesmo como um Rei de copas, que combina sua intuição profunda com sua orientação racional, e que aprendeu a tomar certa distância das próprias emoções para evitar julgamentos ao realizar o trabalho que amo, que é o de intérprete do simbolismo do tarot! Caso não consiga relacionar certos arcanos a pessoas do seu convívio, reflita sobre isso também. Esses arcanos que faltam representam o quê? Qualidades que você despreza, não valoriza ou tem dificuldade de reconhecer ou expressar? Uma das coisas fascinantes que ocorre ao estudarmos o tarot, é que se o fizermos de modo correto, o crescimento que adquirimos no processo é inevitável e muito gratificante para o nosso próprio autoconhecimento.

Dentro de um contexto de leitura as cartas da corte
possuem muitas atribuições possíveis; posturas 

que se assume, pessoas que cercam o consulente, 
ou fatos objetivos do momento... (Osho Zen tarot).

3º) O terceiro exercício amplia ainda mais essa capacidade perceptiva. Procure reconhecer em filmes e peças de teatro que arcanos da corte estão ali representados! Numa obra clássica como Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, a dimensão sonhadora e idealista do Cavaleiro de copas é mais que evidente. Do mesmo modo que a dimensão feminina de sofisticação, sensualidade refinada, e ao mesmo tempo exuberante, da Rainha de ouros estão muito bem representadas em outra obra clássica, A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas. Não é preciso se limitar às obras consagradas da literatura, embora os clássicos possam, por também estarem muito presentes em nosso inconsciente, oferecer referências importantíssimas nesse estudo. Qual carta da corte você daria à Scarlett O’Hara de E o Vento Levou? Ou para O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald? Mais uma vez esse exercício de flexibilização da percepção arquetípica pode ser imensamente útil, não só para ampliar e facilitar o processo imaginativo intuitivo nas leituras de tarot, como para alargar a capacidade de se reconhecer a personalidade das pessoas socialmente com alguma observação! Faça o mesmo com os filmes de sua preferência; quer seja os dramas policiais, quer seja os filmes da Marvel de super heróis. Não há limites!

Para quem possa estar se perguntado se o estudo do tarot seria sempre então uma atividade incessante e em permanente construção eu digo: sim, é! Quanto mais o estudo do tarot sair dos livros e partir para a prática da observação viva dos arquétipos, mais fluente se tornará o seu entendimento, bem como a compreensão e a transmissão de suas mensagens em sessões de leitura. Considerar que já se sabe tudo, ou que se “domina” um sistema de interpretação simbólica tão complexo quanto o tarot é, com certeza, o início da petrificação de conceitos. O que fará com que aos poucos sua visão da vida refletida nos arcanos se torne limitada, arcaica e desconectada do mundo e do tempo em que vive.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Dois Métodos Clássicos de Leitura...


Existem centenas de modos de se dispor as cartas para uma leitura de tarot hoje em dia, e eu trago hoje aqui dois que utilizo sempre em minhas sessões. Um bem antigo e outro mais moderno, que trazem uma excelente perspectiva de uma situação ou conjunto de vivências. Eu os considero especialmente eficientes por oferecerem não só um vislumbre do porvir como uma reflexão sobre o que está conduzindo a situação, e no caso do segundo método, até como se pode intervir nesse momento, e no desfecho da trama.

- O Método Péladan -

Um dos métodos de leitura mais conhecidos do mundo, e um dos mais antigos em uso até hoje. A grande contribuição deste sistema de leitura é justamente a ideia de síntese, ou pano de fundo de uma questão, revelando assim o grande potencial que o tarot tem de revelar motivações subjacentes a uma situação ou conjunto de vivências. O método Péladan se utiliza de 5 cartas arranjadas da seguinte forma:

Péladan, simples e profundo. Introduziu a 
ideia de síntese no tarot, e o conceito de arcano oculto... 

Esse sistema é utilizado para responder perguntas sobre um tem específico, ao mesmo tempo em que pode mostrar o “clima” que envolve este tema no momento de modo genérico. Esse modo de disposição das cartas foi criado por Joséphin Péladan (1858/1918), ocultista e romancista francês que o passou para Stanilas de Guaita que por usa vez passou a Oswald Wirth, que escreveu assim em seu livro *Tarot des Imagier du Moyen Age:

1) O primeiro arcano tirado é visto como afirmativo, que fala a favor de uma causa e indica de uma maneira geral o que está a favor.
2) Em oposição, o segundo arcano é negativo e representa o que está contra.
3) O terceiro arcano retirado representa o Juiz que discute a causa e determina a sentença.
4) A sentença é anunciada no arcano retirado em último lugar.
5) O quinto arcano esclarece o oráculo que ele sintetiza, pois depende dos quatro arcanos retirados. Cada um destes traz o número que marca sua posição na série do tarot (O Louco não numerado é contado como 22). Basta adicionar estes números inscritos para obter, seja diretamente, seja por redução teosófica, o número do quinto arcano. Isso só e aplica, é claro, se você se utilizar apenas dos arcanos maiores na tiragem.

Confesso que quando me utilizo dos significados das posições deste sistema de leitura, não faço uso da redução teosófica para se obter o quinto arcano, que é também conhecido como arcano oculto, e que tem o mesmo objetivo até hoje; revelar o pano de fundo que envolve uma determinada situação! Portanto, eu não me utilizo da forma original do método Péladan. Eu peço ao consulente que retire cinco cartas do maço de cartas, e a última é então a síntese ou quintessência dos fatos.

- A Elipse de Sete Cartas -

Esse método de disposição das cartas é apresentado por Gerd Ziegler em seu livro Tarot Espelho da Alma, e mostra de modo ainda mais amplo que o método Péladan um determinado tema da vida por envolver os três tempos, passado, presente e futuro, e ainda indicar uma atuação adequada para o momento, revelar também as interferências externas e a atuação dos medos e das esperanças sobre o desfecho final. As cartas são dispostas assim:

A Elipse, grande abrangência
com poucos arcanos à mesa.

O significado de suas posições são esses:

1) O passado, o que ficou para trás.
2) O presente, o que se esta vivendo agora.
3) O futuro, ou o que vai acontecer se nada for feito.
4) O que fazer, indica a atuação mais indicada dentro do momento.
5) As influências externas, os encontros e desencontros dentro da situação, quem apoia ou obstrui o fluir dos acontecimentos.
6) Medos e esperanças, revela as expectativas que se guarda sobre o tema e que podem interferir no desfecho fomentando crenças internas, positivas ou negativas.
7) O que acontece, ou onde as coisas desembocam.

A riqueza desse sistema é justamente a de mostrar um panorama tão amplo com tão poucas cartas. É um sistema perfeito para sessões em que o consulente prefira apenas fazer perguntas, sem uma leitura geral preliminar como a Cruz Celta, ou a Mandala Astrológica.

Para saber mais sobre o 
arcano oculto leia também: Lendo com 3 Cartas 

*Pesquisa de Constantino K. Riemma.

A Estrela e a Ecologia...

Existe um Arcano que Simbolize a Ecologia no Tarot?

A Estrela, do tarot Namur.
Sim, tem um arcano que representa a ecologia no tarot, e este arcano é A Estrela! A sua protagonista é a única no baralho clássico que aparece totalmente nua. O movimento naturista defende que justamente uma ausência de roupas permite uma integração maior com a natureza. Na literatura sobre o tarot essa nudez alude à sua abertura aos planos superiores de consciência. A sua volta há um campo onde duas árvores aparecem, e numa delas vê-se um pássaro pousado. Este arcano nos lembra de que somos parte dos elementos e que nossa sobrevivência depende da preservação dos mesmos, bem como da fauna (o pássaro ao fundo) e a flora (toda a vegetação que a cerca). Ela tem duas ânforas as quais derrama sobre a terra e a água, indicando a necessidade não só de equilibrar corpo e alma como aparece na descrição usual desta simbologia, mas também a de preservar a terra e as águas, e as vidas que nelas habitam, pois lembremos que sua nudez é uma clara referência à sua participação neste mundo e de sua dependência dele.
A Estrela do
tarot de Marselha.
A sua cabeça está apontando as estrelas, mas da cintura para baixo ela está integrada com a terra, o que faz lembrar a máxima dos ensinamentos zen budista que dizem que é aqui neste mundo que se dá toda a evolução humana, e que este possui inúmeras metáforas que possibilitam a evolução da consciência e do espírito do homem pela simples observação dos ciclos naturais! Bem como nos diz a definição de ecologia, que seria o estudo das relações recíprocas entre os seres vivos, e o ambiente em que vivem, assim como a influência mútua que exercem entre si. E o homem está inserido nesse grande quadro de sobrevivência interativa, embora prefira muitas vezes ignorar este fato. Sem insetos, por exemplo, para polinizar as plantas morreríamos de fome, mas a maioria das pessoas só pensará nisso o dia que lhes faltar o que comer na mesa. Até lá a maioria seguirá consumindo desenfreadamente, poluído e jogando lixo nas florestas e mares, e caçando esportivamente... Não é à toa também que o décimo sétimo arcano do tarot refere-se a uma abertura de consciência. A Donzela antes encastelada no alto da sua torre (símbolo do arcano anterior, A Torre), agora percebe que fazia parte desse mundo, mas infelizmente só depois que tudo ruiu... Que o trabalho de todos nós que seguimos a senda da Luz seja o de auxiliar nesse despertar, antes que seja tarde demais.

Obs: Para ver os arcanos em tamanho natural clique nas imagens.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Em Defesa da Cartomancia

A Arte das Cartas

O Eremita, simbolo da pesquisa e da
experiência na construção do saber.
Do Tarot of The Ages.
A cartomancia é uma modalidade antiga e muito popular de adivinhação e aconselhamento através das cartas. A mais antiga, e que talvez tenha dado origem a todas as outras, é a cartomancia comum, feita com as cartas de baralho para jogo. Popularizaram-se na Europa entre os soldados que retornaram das duas Cruzadas do século XII, a de 1147/1149 e a de 1189/1192. Trouxeram o baralho das suas interações com o povo árabe que se utilizava das cartas tanto para jogos quanto predição. Isso dá à cartomancia uma idade por volta de mil anos! Embora o tarot tenha mais de seiscentos anos, o seu uso oracular só se torna imensamente difundido graças ao trabalho intenso de divulgação tanto prática (dando consultas), quanto teórica (proferindo palestras e cursos) do ocultista francês Etteilla (1738/1791) por volta de 1750, o que faz do tarot um senhor quase tricentenário na divinação. Por fim, o mais novo membro desta família, o baralho Lenormand, nasce de um engano. As cartas originais pertencem a um jogo de lazer que foi criado por um alemão chamado Johann Kaspar Hechtel (1771/1799), e foram publicadas com o nome de “Jogo da Esperança”. Por volta de 1840 as cartas foram lançadas na França em nome de Madame Lenormand, que veio a falecer em 1843. Portanto, as cartas nunca foram ciganas, e nem de Madame Lenormand (1772/1843)! O mais provável é que ela se utilizasse mesmo do tarot clássico, e de leituras astrológicas e das mãos (quirologia) em suas consultas. Ainda assim as cartas chegam ao Brasil por volta de 1929 com o nome de “Cartas Ciganas”, dando início a uma fantasiosa confusão que só é aumentada quando a cartomante Kátia Bastos resolve lançar uma versão nacional do baralho com o nome de Tarot Cigano! Nem por isso o poder divinatório do baralho Lenormand, também chamado de cartomancia francesa, ficou ofuscado, pelo contrário! Grandes leitores mudaram vidas se utilizando desse baralho. Assim sendo as "cartas de Madame Lenormand", as mais jovens da cartomancia, são senhoras quase bicentenárias.
Uma cartomante com cartas
do baralho comum...
Dentre todas as formas de cartomancia o tarot foi a que se popularizou de modo mais grandioso, com inúmeras e belas versões artísticas, como o tarot de Salvador Dali. Estudado por psicólogos, antropólogos e historiadores, os arcanos (ou mistérios) do tarot, como ficaram conhecidas as suas cartas, parecem ser a síntese mais perfeita de muitos conhecimentos ocultos numa única obra. Em seu simbolismo percebe-se analogia com disciplinas muito mais antigas como a cabala, a astrologia, a magia e a mitologia de muitos povos! E isso se deu de tal modo que o estudo do tarot ergueu-se da denominação cartomancia, que literalmente quer dizer “a arte das cartas”, para criar uma nomenclatura própria, a tarologia, que significa “o conhecimento do tarot”. Mas como disse o cartomante, tarólogo e historiador Emanuel J. Santos: “Nem todo cartomante é um tarólogo, mas com certeza todo tarólogo é um cartomante”, ao que eu digo com certeza! Somos todos membros de uma grande família espiritual, a família dos cartomantes. E o que explicaria o imenso sucesso da cartomancia em todas as suas manifestações no mundo de hoje? Creio que por ser de todas as mancias a mais jovem, as cartas resumem em seu simbolismo o significado de muitas outras práticas mânticas mais antigas. Isso sem falar na imensa facilidade de sua aplicação. Com um baralho nas mãos, quer seja o comum, o Lenormand, ou o tarot, podemos realizar uma leitura para alguém em qualquer lugar. Acrescenta-se a isso a capacidade inspiradora de suas imagens de nos fazer intuir com precisão situações, pensamentos, sentimentos, medos e até esperanças de pessoas com quem não temos contato algum, a não ser por aquele breve instante. Só quem trabalha com as cartas sabe o poder de fascínio e arrebatamento que isso proporciona para quem é atendido, tanto quanto para nós que lemos suas mensagens...
A Lua, do baralho Lenormand.
Versão de Ciro Marchetti.
Infelizmente a cartomancia tem sido vista com desdém e desconfiança quer seja por alguns ocultistas, quer seja pelo público leigo e, cá entre nós, nem sempre é à toa! As famosas “lives” do Facebook têm sido a prova de onde se origina tanta má vontade. Pessoas vestidas de forma suspeita, não raro falando com erros de português, dão respostas das mais obscuras as mais vagas possíveis! Numa dessas transmissões uma mulher que fumava sem parar respondia questões feitas a ela usando um Lenormand. Uma pessoa então diz que tem andado muito estressada e gostaria de saber o porquê. A referida cartomante embaralha, tira três cartas do maço e diz que a cliente tem estado muito agitada com muitas coisas do mundo prático dela, mas que o seu stress era mesmo espiritual. E enquanto dizia isso balançava com ares de gravidade os dedos, indicador e médio, onde segurava o cigarro. Logo após recolhe as cartas, e parte para outra pergunta de outro consulente virtual... Bem, não sei para vocês, mas essa me pareceu a resposta mais vaga, obscura e mal fundamentada que se podia dar. O stress, ou estresse em português, é causado por uma sobrecarga de estímulos ou demandas internas e externas que sobrecarregam o sistema nervoso, causando o aumento da produção de um hormônio conhecido como adrenalina, que causa entre outras coisas aumento da pressão arterial, insônia, ansiedade, e muitas outras perturbações sistêmicas. Como seria isso tendo uma origem espiritual? Ela estaria falando de quê? Obsessores? Mediunidade mal trabalhada? Influência mágica dirigida a consulente? Enfim, a lista de possibilidades é imensa, e quanto mais a lista cresce mais absurda parece a resposta da cartomante. Convenhamos que foi uma resposta que não esclarece coisa alguma!
A cartomancia não tem a ver apenas com entender de um certo sistema simbólico e ter intuições precisas, é também sobre orientar pessoas a partir de uma perspectiva interior mais profunda! Por isso recomendo que você ou não fale do que desconhece ou conhece pouco, que é o mínimo da decência, ou que vá ampliar seu cabedal de conhecimentos gerais... Por favor! 
A intuição, um poderoso guia
que se complementa bem com as 

informações da mente racional...
A figura da cartomante com linguagem de jargão do tipo “por noites vejo uma mudança em tua vida”, ou “cuidado, vão te fazer uma ursada minha filha!” está mais do que ultrapassada! Muitos conhecimentos foram agregados à moderna cartomancia, eles podem servir de base quando se precisar dar um nome àquilo que a percepção intuitiva estiver captando. O que acontece é que na carência de conhecimento de um termo exato usa-se o mais conhecido, e que quase sempre é o que se tem o conhecimento menos aprofundado, simplesmente porque não se teve o trabalho de pesquisar. O que parece ter sido exatamente o que ocorreu no caso da cartomante que acabei de citar.
Conheci uma pessoa que possuía imensa vidência com as cartas de baralho comum, mas que não lia nada sobre espiritualidade, esoterismo ou comportamento humano porque acreditava que isso atrapalharia sua visão interior... Pois é! Não preciso dizer que ela perdeu inúmeros clientes, pois que na ausência de um conhecimento mínimo que fosse sobre a alma humana, e numa vaidade imensa de conseguir dizer muitas vezes nomes e datas com precisão, ela caía no “achismo” do seu próprio ponto de vista. Disparando de vez em quando pérolas do tipo: ”que feio isso que você faz!” ou “nossa só arranja mulher feia pra namorar!”. Vaidade e falta de conhecimento é, como vimos, uma combinação mortal. Além de essas pessoas aumentarem exponencialmente o preconceito que as cartas já têm sofrido ao longo dos séculos.
Este exemplo ilustra bem que agregar conhecimentos não só enriquece o vocabulário, mas melhora em muito a postura do leitor, dando-lhe isenção de perspectiva. Em resumo, se você tem resistência com certos temas humanos como infidelidade, drogadição, homossexualidade etc, e nenhuma vocação para aprofundar seu conhecimento com novos aprendizados, ou de aprender com o que cada pessoa lhe traz, então você não tem condições nenhuma de fazer esse trabalho. Não importa o quão intuitivo ou mediúnico você seja.

Leia também: Espiritualidade & Tarot 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Que Tipo de Reikiano Você é?


Escrevi há algum tempo atrás, em dezembro de 2017, um artigo intitulado Que Tipo de Tarólogo Você É? sobre os tipos de tarólogos, segundo a tipologia psicológica junguiana, em que dividia os leitores de tarot em analíticos, relativos ao tipo pensamento, em psíquicos que são relativos ao sentimento. Os intuitivos, que são relativos ao tipo intuição e os sensitivos que se relacionam ao tipo sensação de Jung. O link para que você possa ler este texto na íntegra está no pé da página! Trago hoje essa mesma análise das quatro personalidades definidas pelo psicólogo suíço aos terapeutas reiki em suas atuações. Esse texto está baseado na minha própria experiência com meus alunos, nos relatos de clientes que frequentaram sessões de reiki com outros profissionais, bem como na troca com outros reikianos. Apresento também possíveis problemas que essa caracterização pode ocasionar quando for excessiva. Mostro também o que acontece quando o praticante reiki abre um canal mediúnico nas suas práticas. Muitos mestres e terapeutas não aprovam isso e dizem que o a riqueza da reiki é a sua simplicidade, e eu concordo! Entretanto, sabemos que há um elemento transcendente dentro de toda a atividade de terapia energética, assim como na oracular, e isso é algo que está além do controle da personalidade. É uma coisa que simplesmente acontece!


Então os reikianos do tipo pensamento são do Ar, os psíquicos da Água, os intuitivos do Fogo e os sensitivos da Terra. Fazendo assim o mesmo elo entre os elementos alquímicos e as características psicológicas de cada tipo. Como disse no artigo sobre tarot eu não creio que por me identificar com um determinado trabalho realizado por um dos tipos psicológicos que esse seja o meu no dia a dia! Acessamos diferentes partes de nós mesmos ao realizar determinadas atividades. Nas leituras de tarot eu me conecto totalmente com os tipos sensitivos (tipo sensação/terra). Já na prática terapêutica do reiki eu me identifico com os tipos intuitivos (tipo intuição/fogo). Agora vamos a eles:

Reikiano do Ar - São aqueles experimentalistas do reiki, sempre curiosos com os sistemas derivados do sistema original, eles se interessam por todas as versões e vertentes de aplicação de reiki e também por sua perspectiva científica. São os que mais frequentemente associam a linguagem científica à espiritual e acreditam que ambas podem coexistir e, inclusive, que se encontram na prática reiki. Sua imensa busca cerebral, porém, faz com que mudem muitas vezes as formas com que realizam o seu trabalho, pois parecem estar em constante investigação e experimentação das possibilidades de cura do sistema reiki e de si próprios. Acreditam que estão em constante evolução, o que justificaria as mudanças constantes. O problema é que aqueles que recebem seus cuidados podem não ver assim algumas vezes. Os reikianos do tipo pensamento são os que têm mais dificuldade em construir um trabalho e fidelizar público. A sua troca constante no estilo de trabalho passa a estranha impressão de inconsistência. Quando o cliente está se acostumando ao tratamento ele pode repentinamente mudar tudo! Ao desenvolverem um canal mediúnico na aplicação da energia ki, são os que costumam receber mensagens para as pessoas, como orientações para o seu bem estar.

Reikianos da Água – Esses são os que mergulham mais profundamente na aplicação do reiki, como se entrassem em transe! Suas sessões costumam ser longas e eles se conectam com as emoções dos clientes intensamente e conseguem perceber emoções profundas, mesmo aquelas que parecem superadas. Por estarem ligados ao tipo sentimento de Jung suas aplicações fluem no sentido de acolher as dores daquele que se trata com eles. A linguagem espiritual e emocional, muito mais que a científica, os interessa. Podem incluir certas práticas místicas em suas sessões como mantras, preces e yantras de cura. Quando desenvolvem um canal mediúnico durante a prática são aquele tipo que pode ter revelações sobre a doença a nível físico, ou sobre as emoções que estão associadas à enfermidade. Em casos extremos há reikianos da água que conseguem até prever eventos futuros ou obter revelações sobre os temas práticos da vida dos seus clientes. O grande problema aqui é que as pessoas podem acabar se tornando dependentes dele, ou apenas curiosas com a capacidade do terapeuta de ver coisas, o que pode além de tirar o foco do viés terapêutico, causar também uma inflação do ego desses reikianos. Atenção redobrada no próprio crescimento é o que se sugere a esse tipo de reikiano.

Reikianos do Fogo – De todos os tipos de reikianos os do fogo, ou do tipo intuição, são os que estão mais interessados em usar o reiki como um caminho espiritual de autodesenvolvimento, meditação e, portanto, de introspecção. Suas sessões costumam ter uma parte de conversa terapêutica e de práticas meditativas mais longas que a da maioria, e podem agregar outras técnicas terapêuticas como florais, cristais e cromoterapia em suas aplicações de energia ki nos clientes. Quando abrem um canal mediúnico em seus atendimentos eles conseguem perceber as emoções adjacentes ao momento ou enfermidade do cliente, assim como os tipos da água, mas não são focados em fatalismos ou predições. Há dentre os tipos do fogo uma tendência a serem puristas, rejeitando as técnicas alternativas de reiki, e em casos extremos há até mesmo aqueles que rejeitam os outros sistemas complementares como os florais e os cristais antes citados... O problema pode ser justo esse, como esses praticantes tem um propósito muito claro em sua atividade, para algumas pessoas suas sessões podem parecer “sérias” demais. Não parecendo muito com um colinho de cura e aconchego, como parecem ser as sessões dos reikianos da água, por exemplo.

Reikianos da Terra - Esses, a exemplo dos reikianos do ar, gostam de uma abordagem mais cientifica ou técnica e muito comumente tendem a empregar terapias corporais que aliam às suas sessões ou intercalam com elas. Eles acreditam que é muito importante empregar uma técnica mais física na pratica reiki para assim tornar a resposta mais “eficiente”. Não que duvidem dos benefícios do reiki, mas de alguma forma eles percebem que a energia ki flui mais livre e profundamente assim. Quando desenvolvem um canal mediúnico durante as sessões de reiki eles são do tipo que localizam dores e outros desconfortos físicos logo após mal terem tocado no corpo. Normalmente não conseguem captar intuitivamente suas origens emocionais mais profundas, como os do tipo água e fogo, mas para compensar isso recorrem ao conhecimento da psicossomática e da linguagem corporal que não raro eles são versados! O problema que pode surgir aqui é que a terapia corporal pode soar invasiva em certos momentos, ainda mais se o cliente quer relaxar mais que qualquer outra coisa. Por isso se lembrar de perguntar o que a pessoa quer ao invés de impor o que se acha certo, é um caminho que tende a ser mais eficiente!
E você, que tipo de reikiano você é?

Leia também: Que Tipo de Tarólogo Você É?  

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Estilos de Leitura e a Experiência Intuitiva...


A Alta Sacerdotisa, do Morgan-Greer tarot,
guardiã dos mistérios....
Uma cliente me disse ao final de uma leitura inicial de tarot que fiz para ela: ”Que bom jogar assim!”...  Assim como? Perguntei. Ao que ela respondeu: “Assim, sem me fazer nenhuma pergunta...” Logo me dei por conta do que ela falava, há tarólogos que perguntam coisas aos seus clientes antes ou durante o abrir as cartas, coisas tipo: “É casada? Tem quantos filhos? Trabalha com o quê? Gosta do que faz?”, e assim por diante. Acho tudo isso irrelevante, pois não me proponho a fazer uma adivinhação das características práticas do trabalho, e nem dos filhos... Eu digo aos meus clientes que faço as aberturas iniciais para colher as mensagens do tarot para eles, e que na verdade essas mensagens vêm da parte mais profunda da consciência de cada um. Já falei das carências afetivas de alguém sem, no entanto, seu relacionamento ser representado no tarot. Certa vez os arcanos mostraram que uma cliente procurava nesta vida um amor intenso e verdadeiro, o que ela confirmou acenando positivamente com a cabeça. No transcorrer da consulta quase caí para trás quando ela quis marcar o marido com quem era casada há quase trinta anos! Era uma união, como dizia ela, com um grande amigo, mas que nunca foi seu amor. Entendi desde então que não importa o que se está vivendo num determinado setor da vida, mas sim o que se está sentindo sobre aquele setor da vida ou área de interesse.
A maioria dos tarólogos se sente compelido a adivinhar fatos práticos dos seus consulentes nas leituras preliminares, parece que sentem a necessidade de corresponder ao papel estereotipado de oráculo que se espera habitualmente deles. Acho tudo isso uma tolice! Eu interpreto o que as cartas mostram, às vezes acontece de haver revelações que são surpreendentes, tanto para os clientes quanto para mim, mas não busco e nem prometo nada disso.
Minha relação com o tarot foi, desde sempre, intensamente intuitiva. Deixo que as cartas falem com suas imagens, e traduzo suas mensagens, ponto final! Claro que as orientações e discussões decorrentes das revelações apresentadas na sessão dependem sim de outras formações minhas, do meu próprio desenvolvimento pessoal e, portanto, também das minhas visões de vida. Todo o resto que antecede essa conversa é o espelho dos arquétipos refletindo a alma e as vivências das pessoas.


O tarot, um espelho que reflete vivências humanas,
e os sentimentos e emoções decorrentes dessas vivências...

Entendo a “aflição” dos tarólogos na sua busca por fazer a coisa certa perguntando coisas para confirmar percepções, tanto quanto entendo a desconfiança dos clientes com isso. Quando se procura uma consulta oracular se está, antes de tudo, na busca de uma outra versão de si mesmo e de suas vivências. Busca-se confirmar seus próprios sentimentos, pressentimentos e até mesmos suas desconfianças sobre o que se está vivendo, e sobre o que está se sentindo a respeito do que está sendo vivido. Insisto sempre que o consulente não vai buscar a opinião do tarólogo sobre esta ou aquela questão de sua vida. Ele vai dialogar com uma parte mais sábia e profunda de si mesmo que não consegue acessar conscientemente, e precisa dos símbolos para essa tarefa.
O que ocorre depois, como disse, é de se ouvir o ponto de vista do consultor sobre o que foi revelado, e nesse momento a sua capacidade de isenção, e o trabalho sobre si mesmo através do seu próprio autoconhecimento é que podem fazer toda a diferença... Uma amiga me contou que ouviu certa vez de uma cartomante que costuma frequentar: “Você precisa é achar um homem solteiro para casar minha filha...”, numa clara referência e crítica ao fato de ela estar se relacionando com um homem casado. Há dezenas, e talvez até centenas, de razões para alguém se relacionar com uma pessoa comprometida, da simples aventura inconsequente ao medo intrínseco de se entregar verdadeiramente num relacionamento com reciprocidade afetiva e comprometimento mútuo... Entre outras tantas razões, inclusive amor verdadeiro que surge de modo inconveniente do ponto de vista social!
A Alta Sacerdotisa, do Thoth tarot,
de Aleister Crowley. A visão interior
como um canal de acesso ao transcendente.
Costumo dizer que se alguém consulta dois tarólogos diferentes, é muito provável que essa pessoa ouça os mesmos fatos internos ou externos serem repetidos. O que mudará é o enfoque dado por cada leitor, aprofundando ou negligenciando os aspectos externos ou o internos, e é isso que fará com que esta pessoa fidelize ou abandone aquele leitor. Acreditem já ouvi coisas como: “Ah não gostei, ficou me dando datas de acontecimentos, mas não conversava comigo sobre a angústia que eu tava sentido.”, ou por outro lado: “Ela só me falava que eu tinha que me trabalhar, que aquilo ia continuar daquele jeito se não me curasse, mas não me falava dele!”. Tem de tudo, e a vida é assim mesmo! Tem de tudo para todo o tipo de gosto, e por isso acho que ninguém deve se sentir na obrigação de conquistar clientes. O trabalho que cada um faz tem uma assinatura específica, e tem pessoas que precisam exatamente daquele estilo de leitura e figuras de linguagem, que você leitor de tarot usa, para obterem aquela outra versão de si mesmas que falamos anteriormente. Então eu não gosto de obter informações antecipadas dos meus clientes porque isso pode excitar meu lado racional, e atrapalhar o que minha percepção intuitiva captou do que mostram os arcanos... Não tento mostrar poder ou nada do gênero, apenas sou fiel ao que aprendi com minha intuição e o tarot ao longo desses meus trinta anos de estudo e prática. Possuímos todos uma consciência julgadora e crítica, que se acentua e ameniza nesse ou naquele indivíduo, como aquela velha cartomante que atendia minha amiga, porém se nos atermos ao que as imagens da alma nos mostram, corremos menos riscos de sucumbir à nossa mente inferior, essa funcionária do nosso pequeno “eu”.