quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Consulta a um Tarólogo



"Faço meus pacientes entenderem que tudo o que lhes acontece contra a
vontade deles é fruto de uma vontade superior. (...) Deus nada mais é
do que essa força superior em nossa vida".



"Tudo o que aprendi levou-me, passo a passo, a uma inabalável convicção sobre a existência de Deus. Eu só acredito naquilo que sei. E isso elimina a crença. Portanto, não baseio Sua existência na crença (...) eu sei que Ele existe". 

C.G. Jung; "Entrevistas e Encontros". Ed. Cultrix.

É justamente nesses momentos em que nosso ego sofre com essas adversidades descritas por Jung, que a consulta ao tarot avulta-se como uma possibilidade. E com tantas ofertas no mercado, e com tanta gente curiosa para saber como funciona uma entrevista oracular, decidi escrever este texto sobre o trabalho com o tarot e passar umas dicas, aos que ainda não conhecem, como funciona um mergulho neste fascinante sistema simbólico!

Tarólogos e seus métodos

Isso é o mais importante se você ainda não consultou um profissional do tarot! Procure saber como ele(a), trabalha com as cartas. Hoje em dia há de tudo! Há profissionais (como eu) que gostam de fazer uma leitura geral antes de ir para as perguntas. Uma leitura prévia dos aspectos gerais da vida permite com que se monte o quebra-cabeça interior de quem se consulta. Para o tarólogo é o momento em que ele conhece o consulente mais profundamente, e para o próprio cliente é uma incrível oportunidade de autoconhecimento. Essa visão dos planos físico, emocional, mental, espiritual e ou energético no momento da entrevista, que se refletem pura e simplesmente pela sincronicidade que há no fato de se puxar as cartas, elimina o direcionamento do raciocínio para a situação, e a visão que se obtém é integrativa. Assim podemos ver do que trata o momento da psique e do mundo prático de quem se veio para a sessão!

Consulta ao tarot, uma possibilidade de reflexão sobre o momento,
autoconhecimento e de avaliação das probabilidades futuras.

Há também aqueles profissionais que gostam de trabalhar com perguntas formuladas previamente ao oráculo. Nesse caso os que operam dessa maneira alegam que se pode ir direto aos questionamentos sem “perder tempo” com sistemas que ampliam muito, e que podem levantar questões que o consulente não está disposto a ver ou trabalhar no momento. De fato isto pode acontecer, alguns sistemas de leitura falam de aspectos subjacentes como amigos, irmãos, viagens e comumente o cliente ao fim diz: “Isto tudo está certo, mas eu só vim para saber disto”, apontando para um tema específico da interpretação! Por um lado eu não considero isto uma perda de tempo, pois como já disse há a possibilidade de uma visão integrativa do cliente. Por outro lado é claro que cabe ao tarólogo escolher um método de leitura não tão evasivo! De qualquer forma leituras com perguntas podem tornar a consulta mais rápida e enxuta. Fique livre para experimentar!
Por fim há aqueles que transformam a consulta num bate papo, onde perguntas não são formuladas pura e simplesmente, o tarólogo ainda pede que o cliente conte um pouco da situação que o levou até aquele momento, quer ouvir um pouco da história da pessoa, ele mesmo faz perguntas ao cliente que acha necessárias... Lamento dizer que isso parece mais um enrolation nada intuitivo onde entram tanto a dedução lógica quanto o julgamento de quem está lendo as cartas! Não sei de ninguém que tenha experimentado uma sessão dessas, mas já vi isto nos blogs e sites pela internet a fora, e estou apenas relatando que existe!

Autoconhecimento ou Divinação?...

Eis a questão! O cisma está formado e embora eu ache que o melhor é andar sempre no caminho do meio, há aqueles que vivem na divisão e a perpetuam! É importante você saber da filosofia que rege o trabalho do tarólogo que você escolheu.
Os adivinhos dizem que as pessoas precisam mesmo é de direções práticas para seguir na vida, e que o tarot pode sim desvendar os desígnios futuros, além das vivências passadas e presentes, como também aconselhar com sabedoria. De fato, nem mesmo Jung e seus seguidores desabonaram as previsões. Falando sobre os sonhos ele diz: "Os sonhos algumas vezes podem revelar certas situações muito antes de elas realmente acontecerem".
O fato é que um enfoque demasiado nas previsões entorpece a capacidade de se tomar decisões baseadas no próprio arbítrio, que é justo de onde podemos extrair forças para mudar o que nos desagrada. Os que fazem previsões com frequência, e com grande número de acertos, acabam se convencendo de que as coisas são o que são! Ou seja, viram fatalistas! Sem falar dos egos de alguns desses adivinhos que tendem a se inflamar ao ponto de se considerarem senhores do destino, da vida e da morte.
Os que acolhem a abordagem de autoconhecimento preferem avaliar mais o presente e sondar possibilidades de ação. Se fizer isso dá naquilo, e assim por diante. Não gostam de perguntas sobre o futuro nem de “marcar” outras pessoas na leitura. Acumulam as teorias de outras abordagens psicológicas, como a freudiana, e sondam a influência de pai e da mãe no comportamento e nas vivências do presente. Sobre isso posso dizer que o pêndulo pode ir longe demais quando toda essa análise feita através do símbolo cria o mesmo vício cerebral das técnicas psicoterapêuticas, de se buscar explicações para tudo, muito com base em conclusões sobre o passado, afundando cada vez mais o indivíduo na mente e na estrutura do ego. Psicologia é para psicólogos! De modo geral a psicologia como sistema de cura mostrou-se falha ao estimular as pessoas a centrarem-se muito em si mesmas e tornarem-se demasiadamente críticas a tudo o que não é do “eu”, estimulando pouca capacidade de empatia afetiva ou espiritual. Sem falar que toda essa postura “científica” oculta, muitas vezes, a própria incapacidade de certos tarólogos de confiar ou acessar o manancial intuitivo interior, e ou o seu medo arraigado do ilógico e do inexplicável! A capacidade de lidar com o desconhecido é da natureza dos místicos, e vemos que o próprio Dr. Jung lidava bem com isso, como mostra a citação que inicia este texto!
Aos adivinhos resta perguntar: “Não viram o salto que a humanidade deu em termos de evolução cultural-espiritual onde tudo aponta para a autorresponsabilidade na criação de muitas partes do que conhecíamos como destino?” Aos tarot-terapeutas resta perguntar: “Se até indivíduos como C.G Jung aceitam o místico, o sagrado e o incognoscível da vida, por que há tarólogos  que o negam ou resistem a eles?” e, por fim, a ambos cabe perguntar: “Se o tarot é tudo isso que vimos acima, por que não vencer os próprios limites pessoais e explorar essas duas possibilidades de aplicação?”.

Como saber?

Sim, eu sei que todas essas sugestões e informações podem ter deixado você aturdido, mas aqui vale o conselho mais antigo do mundo: sempre procure um profissional por indicação de alguém em que você confie. Outro caminho que costuma não falhar nesses tempos de mídia eletrônica é o de procurar um profissional que tenha um site ou blog onde é de hábito se explicar detalhadamente como funciona as sessões de leitura, horários, tempo de atendimento e até, em alguns casos, valores. O mais positivo disso tudo é que quer você concorde ou não com os tópicos abordados aqui, ou com a maneira como foram abordados, o fato é que encontrará exatamente o que precisa, pois a diversidade, que é a marca registrada da vida, se expressa muito bem no tarot e nos serviços que derivam dele.
Reflita sobre isso e boa sorte!

O que há para ler?

Jung, o Místico. De Gary Lachman.
Editora Cultrix. São Paulo, 2012.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Por Trás da Cruz Celta



A leitura da Cruz Celta preserva o influxo cristão
(À esq.) e o do paganismo celta (À dir.).
A Cruz Celta tem origem, sobretudo na Irlanda e Grã Bretanha e é assim chamada por ter seus quatro braços envoltos por um círculo, evocando a antiga crença celta de que tudo no mundo está interligado ou conectado de algum modo. Com o advento do cristianismo algumas cruzes passaram a ser adornadas com imagens em alto e baixo relevo sobre passagens bíblicas do velho e do novo testamento, e o círculo em volta da cruz passou a representar a união do espírito com a matéria. Em seu livro *Tarot for Your Self Mary K. Greer cita como exemplo a cruz de Muireadach (No alto à esq.) no monastério de Monasterboice no condado de Louth, na Irlanda, que data do século X. Ela era usada como auxílio visual em sermões ao ar livre. Essas cruzes foram os substitutos cristãos dos megálitos que representavam a união da terra com o céu, ou o falo criador do Grande Deus e o caminho, ou escada, que nos leva às alturas do céu espiritual. Segundo Greer o jogo da Cruz Celta parece unir os dois influxos, celta e cristão, ao colocar a cruz circundada ladeada pelo pilar ou megálito. O primeiro é o símbolo do conflito humano e o segundo do impulso espiritual descendo à terra impregnado-a e impulsionando-a a evolução. Citando Juan Eduardo Cirlot em seu Dicionário de Símbolos ela lembra que a cruz é como “um nó mágico unindo alguma particular combinação de elementos para formar uma individuação”. A seguir apresento algumas percepções minhas sobre a Cruz Celta na obra de Mary K. Greer que espero os auxiliem a ampliar sua visão interior como fizeram com a minha:
  

Olhe para a figura da Cruz Celta logo acima (à esq.), imagine que por sobre as cartas de posição 1, 2, 3, 4, 5, 6 está a imagem de uma pessoa sentada de costas para o expectador, como numa posição de meditação (Como aparece à dir.). Nesse caso do lado do seu braço direito estaria a posição 6, na base de sua coluna estaria a posição 3, do seu lado esquerdo a posição 4, e no topo de sua cabeça a posição 5. Por consequência, as posições 1 e 2 ficariam bem no meio das costas, na altura do coração, indicando o ponto central da leitura e das questões que estão sendo vividas por aquele que procura as cartas do tarot.

As posições restantes 7, 8, 9 e 10 formariam uma imagem parecida com os antigos megálitos, ou um pilar ou ainda uma escada, ao lado do nosso meditador. Voltaremos a essas posições mais tarde.
Agora que localizamos as posições da Cruz Celta no corpo humano exploremos um pouco de seu significado metafísico. O lado direito do corpo, dominante, representa as coisas que nos influenciam diretamente e que nos permitem atuar sobre elas de modo direto e consciente. Na base da coluna, onde segundo a tradição védica mora a kundalini, estão as forças inconscientes que esperam para ser elevadas ou reconhecidas. Essas forças, assim como a kundalini, ao subirem transformam o estado físico e mental do homem, sutilizando-o e elevando-o. No lado esquerdo, não dominante, temos aquelas coisas que nos influenciam indiretamente e que não são fáceis de serem modificadas, a não ser de modo interno e subjetivo (ou simbólico). No topo da cabeça temos o mundo material concreto e visível. Por fim o coração é o símbolo da morada da alma, o centro da essência do ser.
A partir disso podemos localizar essa pessoa nos quatro quadrantes do mundo. Veremos que o seu lado direito estará para o leste, suas costas, onde estaria a base da sua coluna, ao sul. Seu lado esquerdo ao oeste e à sua frente, para onde aponta sua cabeça, o norte. Para ampliar ainda mais as possibilidades interpretativas que pretendo relacionar nessas seis primeiras posições da Cruz Celta veja agora alguns dos muitos significados atribuídos a cada um destes quadrantes na visão esotérica, e mágica:
 Leste
Ar, primavera, pensamentos, planos, novos começos, relações (família, amigos), o futuro, alianças, apoio.
Signos: Gêmeos, Libra e Aquário. Cor, amarelo. Anjo Rafael.
Sul
Fogo, verão, emoções, instintos, ação, impulso, o inconsciente espiritual, o outro lado da personalidade que quer se manifestar.
Signos: Áries, Leão, Sagitário. Cor, vermelho. Anjo Miguel.
Oeste
Água, outono, sentimentos, passado, memória, traumas e condicionamentos, profundidade (abismos), colheita (karma), infância, desafios à fluidez do ser.
Signos: Câncer, Escorpião e Peixes. Cor, azul. Anjo Gabriel.
Norte
Terra, inverno, a soma dos valores e conquistas materiais, bens, finanças, dinheiro, trabalho, carreira, imagem pública.
Signos: Touro, Virgem, Capricórnio. Cor verde. Anjo Uriel.
Agora relacione isso com o significado das posições da Cruz Celta na adaptação criada por mim chamada de O Jogo do Espelho: 
Posição 1
O Mundo Interior no Momento – As vivências mais significativas no momento presente de quem se consulta, o tema mais importante e que emoções e sentimentos ele acarreta.
Posição 2
As Ações - Essa carta cruza a primeira e indica que ações estão sendo tomadas a partir do momento interior e que podem estar obstaculizando-o ou reforçando-o.
Posição 3
O Apelo do Ser Interno – Revela algo que pede para ser atendido ou superado de dentro do indivíduo, quer seja um sentimento, pensamento, ou qualidade. Pode ser também uma forte intuição a cerca da situação que pede para ser considerada.
Posição 4
Desafios e Obstáculos – É a posição que revela os condicionamentos adquiridos nesta ou em outras vidas. Algo que deve ser vencido para que o sentimento de realização e plenitude seja alcançado.
Posição 5
Objetivos Conscientes e a Vida Material – Essa posição revela como está a relação do indivíduo com suas finanças, carreira, trabalho, vida material e como o mundo o vê!
Posição 6
Objetivos Futuros, e a Vida Social – Os planos que são tecidos para o futuro, bem como as alianças que formamos para realizar esses planos são mostrados aqui. O apoio ou a intervenção que sofremos por parte da família e ou dos amigos é revelado assim como o modo como nos relacionamos com esses dois grupos. Locais e modos de lazer e eventos sociais também são mostrados nessa posição.
Agora veja isso:
Ao somarmos os números 1+ 2 + 3 + 4 + 5 + 6 obtemos 21, que corresponde ao 21º arcano do tarot, O Mundo.
Observe que os quatro animais que cercam a dançarina do mundo representam, o mesmo que as quatro cartas que cercam a cruz central na leitura da Cruz Celta: os quatro elementos, os quatro quadrantes da magia, as quatro estações etc. O corpo da dançarina é por excelência o “cruzamento” do binário espírito-matéria, ou do yn e do yang. Ou seja, seu corpo é a cruz central deste arcano. Observe a posição das pernas. Ocupando, portanto, a mesma posição da cruz central na leitura da Cruz Celta.
O arcano de O Mundo simboliza a unidade do homem com o todo em estado natural. Somos todos um, mas isso se torna um processo consciente apenas mediante o despertar espiritual, o que no oriente é conhecido como samadhi, por isso ele também é o arcano que simboliza a transcendência espiritual. Da mesma forma as posições de 1 a 6 da Cruz Celta descrevem o mundo imediato do consulente, suas ações e interações com esse mundo, e dependendo de suas vivências é que haverá ou não a possibilidade de transcendência. Assim as experiências indicadas pelas cartas nessas posições se transformarão em maturidade e evolução espiritual. Para fins de análise oracular podemos dizer que o conflito, representado pelas posições 1 e 2, irradia reflexos nas quatro posições circundantes, 3,4,5 e 6, evocando mais do que resolução, mas também evolução.
Bem, o que eu quero dizer com tudo isso? Quero apenas salientar que todas essas similaridades são, sincronicidades maravilhosas entre os símbolos em suas muitas vertentes! Nada disso foi colocado aí intencionalmente por mim! Eu mesmo só relacionei essas coisas muito tempo depois.  Ao nos conectarmos com essas diversas possibilidades interpretativas e múltiplas analogias, ampliamos nosso escopo de compreensão simbólica interior, o que com certeza enriquecerá em muito a interpretação dos arcanos numa leitura oracular.
Curiosidades 
Numerológicas
O número dez é o símbolo da totalidade. Nele vemos os quatro pontos cardeais e os quatro pontos colaterais, acrescidos da altura mais a profundidade. O que  cria a forma esférica do todo. O dez é o um que percorreu todos os outros números e volta dignificado em sua importância. Ele é o resultado da soma dos quatro primeiros números que compõe a estrutura da realidade! O 1 + 2 + 3 + 4 = 10. E nesses quatro algarismos podemos ver os quatro elementos, direções, estações, enfim... A ordem da vida tal como a conhecemos! É o dígito dos ciclos perfeitos e segundo os cabalistas é o número que expressa a perfeição de Deus. A própria Cruz Celta se parece com um dez invertido. O que simbolicamente se refere a uma "olhada" dentro do todo de quem se consulta expresso naquele momento do seu ciclo evolutivo (0-zero), convocando-o a elevar-se à perfeição do seu modelo interior de realização (1).




Voltemos agora para o pilar formado pelas cartas 7, 8, 9 e 10. Vamos relembrar seus significados na leitura do Jogo do Espelho.
Posição 7
A Personalidade – Que aspectos da personalidade estão sendo requeridos neste momento? Que face está emergindo da psique?
Posição 8
Relacionamentos Íntimos e a Expressão do Afeto – A visão da vida amorosa e como se encara as relações privadas e a intimidade. Também mostra o relacionamento, caso o tenha.
Posição 9
O Aprendizado – O que há para ser aprendido, ou apreendido, nas vivências do momento e que pode proporcionar um salto quântico na evolução do indivíduo.
Posição 10
A Síntese – Ou a essência, esta é a posição que nos revela o resumo de tudo o que se está vivendo, é o clima que cerca uma situação como um todo. Mostra muitas vezes o motivo último dos acontecimentos. É simultaneamente o porquê e o para quê.
Observe o que acontece quando eu somo o valor numérico da posição da personalidade (7) com o valor da posição essencial da jogada (10): 7 + 10 = 17. Ao somar o valor da posição dos relacionamentos íntimos (8) com a posição do aprendizado superior (9) o resultado também é 17.  Se fizermos esse cálculo mudando as posições como juntando a 8 e a 10 ou a 7 e a 9 obteremos números diversos. Ateremos-nos ao número 17 porque ele representa no tarot o arcano de A Estrela, o 17º arcano, o que faz conexões interessantes.
O arcano de A Estrela é aquele que saído do arcano anterior A Torre, vê que o mundo é muito maior que as paredes ao qual se estava acostumado. Subitamente a percepção cresce e uma incrível abertura interior, simbolizada pela nudez da mulher, permite com que se possa aprender com os eventos a nossa volta. A consciência se torna muito receptiva às demandas externas e aos movimentos sociais e culturais. A Estrela é por isso o arcano dos movimentos de massa, da coletividade e dos agrupamentos, tanto quanto da ampliação da percepção interior em termos psicológicos e espirituais, simbolizado pelas estrelas ao seu redor.
Relacionando o 7 com o 10 me parece que o ser individual está sendo convidado a perceber a quintessência do que ele está vivendo, e para isso é solicitado a olhar para o alto. Do mesmo modo comparando a 8 com a 9 parece haver um convite para que ele se abra para o outro, não apenas pela ótica da união amorosa, mas também pela possibilidade de aprendizado que as relações possuem intrinsecamente. A comparação entre essas quatro posições assinala para que se abandone a visão individualizada do ser e se abra para influências maiores e exteriores a nós mesmos. Interessante notar que o megálito ou pilar, forma que assume a ordem da numeração 7, 8. 9. e 10, é o símbolo da elevação da densidade da terra para a leveza e abrangência do céu! Por imitar a forma e o movimento das árvores, que se elevam vigorosamente às alturas, é um tradicional símbolo da ascensão do homem a uma condição superior. Essa série de coincidências sincronísticas são mesmo cheias de significado, e todos esses significados parecem exortar o progresso interior.
Compartilho essas minhas reflexões com vocês, e espero que elas possam inspirar muitas outras reflexões posteriores sobre o intrincado simbolismo do tarot e suas variadas relações no mundo arquetípico. Para mim o tarot é muito mais que um oráculo, é a ambiciosa tentativa do homem de encontrar a chave da coesão universal através do símbolo.
*Tarot for Your Self, a Workbook for Personal Transformation.
Carmel (USA). Newcastle, 1984.

Leia também:
A Cruz Celta do Encantamento 
A Cruz Celta Astrológica