segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Gatos - Os Oráculos Vivos

Oráculos do Passado

Dentre todas as artes divinatórias do passado algumas poucas sobreviveram ao teste do tempo, como o tarot, a astrologia, as runas, numerologia, cabala, quirologia, I Ching, cartomancia e radiestesia, para citar os exemplos mais bem sucedidos! E isso se deu porque elas mostraram toda sua profundidade, flexibilidade, e abrangência arquetípica ao inserir em seu corpo simbólico e filosófico o avanço humano nas áreas de psicologia, filosofia, ciência e saúde.
Embora a radiestesia não seja propriamente um oráculo ela é a descendente da rabdomancia, uma arte que se utiliza de varetas bifurcadas para encontrar água em lugares áridos, e que evoluiu para a captação das vibrações emitidas por nós seres humanos e deixadas em ambientes e objetos que influenciam a nós mesmos em nossa saúde e bem estar e aos demais! O termo radius vem do latim radiação, ou raios e aisthesis vem do grego e quer dizer sensibilidade. O que vem de encontro às modernas teorias sobre o campo bioelétrico magnético do corpo humano e a descoberta da foto da aura pelo casal de pesquisadores russos, os Kirlian, no diagnóstico de distúrbios físicos e emocionais. Os sistemas oraculares como o tarot e a astrologia tem sido abordados também à luz das teorias junguianas de arquétipo e sincronicidade, e em alguns conceitos da física quântica.
Todas as outras mancias (manteia em grego, arte), que serviam para coisas como descobrir se uma mulher estava grávida, ou qual seria o sexo do seu bebê caíram no esquecimento. Afinal já temos o ultrassom e os testes de gravidez das farmácias. As que se prestavam a predizer o futuro sem muita contemplação interior como a cleromancia, adivinhação pelos dados, cafeomancia, adivinhação pela borra do café, tasseomancia, também conhecida como teimancia que é a adivinhação pelas folhas de chá, e a mais fascinante, misteriosa e talvez já extinta, a cristalomancia, ou adivinhação na bola de cristal, caíram em desuso. 
A antiga arte da quiromancia está
inserida no estudo da quirologia.
Sua linguagem mais simples e por isso mesmo com poucas referências teóricas ficou relegada a uns poucos que eram iniciados por algum ancestral que já tinha o dom, palavra que soa como algo quase supersticioso hoje em dia. Alguns pesquisadores tentam torná-las acessíveis sistematizando-as, o que é no mínimo uma piada! Na cafeomancia, por exemplo, dizem: se aparecer um lobo é inveja ou perigo... Então eu pergunto: e se aparecer um lobo com cabeça de borboleta, ou uma borboleta com pernas humanas? É impossível catalogar tudo o que pode surgir na borra de café. Essas artes funcionam como o teste psicológico de manchas Rorschach, cada um vê o que sua visão interior delibera. E cada um terá um significado próprio para essa visão.
Bolas de cristal,
ampliando a visão interior.
E justamente essa dificuldade de catalogação racional de sua estrutura simbólica é também outro fator que causou o desinteresse por essas modalidades adivinhatórias nos tempos atuais. Elas que parecem simples por um lado, requerem uma visão interior muito apurada e livre da interferência da razão e da lógica. A possibilidade de sistematização e de investigação intelectual das artes divinatórias citadas no início deste texto fez com que as pesquisas sobre tarot, runas, astrologia, numerologia e cabala rendessem milhares de títulos de livros pelo mundo a fora. Enquanto os poucos sobre mancias antigas renderam alguns fiascos. O interesse crescente pelo primitivismo, sobretudo das culturas xamânicas, resgatou a aeromancia, que é a adivinhação através da fumaça do incenso. E os símbolos geomânticos também têm sido resgatados em círculos que estudam a magia. Tudo isso, porém, de modo tão rarefeito que creio que a maioria dos leitores não tem noção sobre o que eu estou falando!
De todas as artes ancestrais somente a cartomancia, da qual o tarot deriva, sobreviveu com dignidade e mantém o interesse do público tão vivo quanto no tempo das cartomantes *Évora e Esmeralda que moravam em cavernas da Ásia Menor e viviam de atender os viajantes que iam e vinham entre Europa e Ásia. Quer seja com as velhas cartas do **baralho comum ou com o baralho ***Lenormand, cartomantes continuam em voga! 
Também a quiromancia, que é o estudo das linhas da mão para o reconhecimento dos padrões do futuro, continua sendo uma parte fundamental da quirologia, que é o estudo dos traços da personalidade de uma pessoa através da estrutura da sua mão, como formato da mão, montes da palma, falanges dos dedos, unhas e até das digitais!  
Felidomancia - A Arte dos Gatos

Gatos, para alguns bruxos
servem até como oráculos!
A mais deliciosa das mancias sumiu na neblina do tempo, a felidomancia. Essa arte consistia em observar o comportamento dos gatos para, por exemplo, prever se ia chover ou nevar. Hoje se sabe que os gatos possuem ao longo da coluna um acúmulo de gordura muito sensível à umidade, o que faz com essa gordura funcione como um barômetro. Assim quando vai haver chuva ou nevasca a umidade relativa do ar aumenta e os gatos sentem isso. Nas regiões da terra onde faz frio os bichanos deitam em frente a lareiras ou estufas. Se deitarem de frente para a fonte de calor, tudo bem! Vai fazer frio, mas nada de chuva. Caso virem de costas para ela então se prepare, vai chover ou nevar. O seu barômetro natural funciona fazendo com eles sintam mais frio nessa região e tentam então aquecê-la. Meu gato tem medo de chuva e toda a vez que vai chover ele se esconde debaixo da minha cama ou atrás do meu sofá seja verão ou inverno! Não importa o que diga a meteorologia, ele não falha! Observei que no Brasil nas regiões mais quentes ou secas nem todos os gatos reagem assim, mas aqui na região Sul onde no verão temos até +39º C e no inverno vamos à -1º C em Porto Alegre e à -7º C na Serra, os felinos são bem mais sensíveis a essas mudanças. Creio também que gatos que vivam em ambientes aquecidos por calefação não tenham tanto desta sensibilidade apurada.
Bóris, meu filho felino.
Sensível à chuva.
Nos USA alguns médicos estão estudando a capacidade dos felinos de farejar a morte. Parece que eles sempre sabem quando um moribundo vai desencarnar! No Japão tem se observado o capacidade do gato de prever terremotos. Eles conseguem prever isso com uma antecipação maior até que a dos modernos equipamentos, mas os especialistas não entendem como isso acontece! Alguns bruxos afirmam que é possível fazer predições olhando para os olhos do gato que funcionam como um portal para a visão interior assim como as bolas de cristal. Eu simplesmente adoraria ver isso!
Essas e outras coisas misteriosas envolvem os gatos, como a sua ligação com o tarot! Desde que escrevi Os Gatos & o Tarot muitos tarólogos me escreveram, e alguns até deixaram comentários na postagem com outros relatos sobre essa ligação. Ao que tudo indica eles gostam de ambientes mágicos, mas dentre todos os oráculos é o tarot que parece atraí-los mais! Cheguei a pensar que o que os atraía era o movimento de embaralhar as cartas ou dispô-las em leque para que o cliente retire o número de cartas requerido, mas com o tempo só atestei que nada disso se sustentava. Muitos apenas ficavam na sala e não pareciam se interessar pelo processo em si, outros saltavam da indiferença para um interesse apaixonado deitando-se sobre as cartas enquanto o consulente era encaminhado até a saída!... Uma aluna chegou a lembrar da história criada por Court de Gébelin de que o tarot seria um legado de sabedoria do antigo Egito, onde os gatos foram adorados mais que em qualquer outra cultura da antiguidade! Embora saiba que nada disso tem embasamento histórico, ela exaltou que esse tipo de coincidência alimenta a fantasia da gente... O que é verdade!

Nota:
* Elas são citadas no livro de São Cipriano, onde é revelado inclusive o modo como dispunham as cartas.
** Esse tipo de cartomancia também é chamado de cartomancia árabe e é justamente o tipo de cartomancia praticada pelas afamadas  Évora e Esmeralda.
*** Erroneamente chamado de "cartas ciganas", foi criado pela vidente e cartomante francesa Madame Lenormand. Por isso é mais apropriado chamá-lo de cartomancia francesa.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Tarot & Reiki - Integrando as Artes

Rei de copas no Osho
Zen Tarot, o curador e a cura..
Quando conheci o tarot fiquei encantando com suas revelações, tanto práticas quanto psicológicas, do momento vivido por quem procurava as cartas! Sua precisão e profundidade me causaram forte impressão, tanto quanto nas pessoas para quem eu lia suas mensagens. Com o tempo, e diante de tantas dores da alma que expunham suas feridas diante de mim, comecei a sentir falta de algo que auxiliasse para além das palavras aquelas pessoas que buscavam meu auxílio.  A terapia floral me pareceu a mais próxima e acessível dentre todas as técnicas terapêuticas à disposição na época. Era fácil passar um receituário orientado paras as principais questões levantadas na sessão com os arcanos. Da mesma forma era bem fácil as pessoas não se comprometerem com seus florais, tomando-os de vez em quando ou simplesmente perdendo a receita. Em 1992 conheci pelas mãos de uma grande curadora e amiga o reiki. Essa pessoa havia se dedicado às artes de cura depois de ter se curado de um câncer e tinha um carinho especial pelo reiki, pois dizia que gostava muito da aplicação dos seus símbolos, que ficavam atuando no campo energético das pessoas pelo tempo que o Eu Superior de cada um permitisse.
Tarot, o mapa da alma.
Quatro anos se passaram até que finalmente me iniciasse no reiki, e depois mais quatro para que eu o incluísse como um dos meus serviços de terapia complementar. Hoje, quando olho para trás, vejo o quão foi válida a inclusão desta técnica nos meus cuidados terapêuticos com os clientes. O reiki requer um nível considerável de comprometimento com a cura pessoal, já que envolve sessões regulares pré-agendadas. 
O tarot continua sendo o grande aparelho de raio-x simbólico que me revela como as coisas estão “por dentro”, um mapa da alma que me mostra por onde seguir. Depois de escolhido o número de tratamentos, aconselho aos clientes para darem mais uma espiadinha no espelho claro dos arcanos para ver como ficou o ambiente interno depois do tratamento completo. Ou seja, uma consulta antes e outra depois das aplicações serve como um check-up do campo vibracional e de consciência daquele que recebeu as aplicações de reiki. A melhora do quadro emocional é impressionante! Sem falar no revigoramento psíquico e físico que se seguem!
O Hierofante (Quíron) 
no Tarot Mitológico,
sábio e curador! 
Com o tempo notei que para mim mesmo as mudanças foram significativas e profundas. As sessões reiki apaziguaram a minha mente, aquietaram minhas próprias emoções e me trouxeram uma profunda compaixão por aquelas pessoas que se colocavam sob meus cuidados. Algumas, inclusive, dormiam profundamente! Como Quíron, vi no caminho da dor do outro um atalho para curar a ambos.
Costumava ver a mim mesmo como o condutor de uma fantástica locomotiva de setenta e oito vagões que conduzia as pessoas a um passeio incrível por sua própria história. Vendo paisagens que passaram desapercebias e revendo outras com mais atenção e profundidade, e que ao final da jornada juntava significados e revelava prognósticos. Desde que o reiki entrou em minha vida, porém, eu vi essa viagem estender-se mais um pouco, até o tratamento, que é oferecido como um abrigo depois da árdua jornada. Um momento para sentar, conversar, refletir, meditar, repor as forças e receber a dádiva maravilhosa da energia ki através do toque suave da cura reiki. A aventura que começou no ano 2000, quando me tornei Mestre reiki, hoje dá frutos maduros na seara de minha vida e do meu trabalho. Criou-se uma conexão intensa entre as duas práticas e não consigo imaginar como seria uma sem o recurso da outra. Claro que há pessoas que preferem o tarot sem nenhum tratamento posterior. A interpretação dos arcanos parece ser curativa o bastante para essas pessoas. Aqueles, porém, que se aventuram a ir mais fundo e aceitam o tratamento, dizem ter aproveitado melhor assim os temas levantados na consulta.
Por isso tudo, deixo aqui meu profundo agradecimento aos meus Mestres reiki Gislaine de Simoni, Laura Larangeira e Upanishad Kessler por me iniciarem neste caminho mágico e gratificante, bem como à minha amiga e curadora Lenise Ramya por ter me apontado a direção! Vocês foram luzes brilhantes em minha estrada.
Obrigado e Namastê!