domingo, 27 de setembro de 2026

Tarot Não é Bruxaria!


Muitos baralhos de Tarot criados
têm inspiração na magia ou bruxaria.

Tarot não é bruxaria! Volta e meia este esclarecimento é necessário, tanto para o bem do Tarot quanto da bruxaria! Esta expressão, de modo geral na cultura popular, se refere às leituras e aos leitores de Tarot como atuantes numa disciplina mágica, o que em parte é verdadeiro. Associar toda magia à bruxaria também é outro equívoco que se popularizou. Então vãos por partes:

Primeiro que o Tarot é um antigo jogo da realeza medieval, que se revelou um complexo e profundo sistema oracular descoberto por ocultistas da França e Inglaterra nos séculos XVIII e XIX. E foi no século XIX que a Hermética Ordem da Aurora Dourada, a inglesa Golden Dawn, o elevou ao status de instrumento oracular divinatório e mágico, bem como vivencial, da ordem. Assim vários experimentos e relações simbólicas com os arcanos foram feitos. As cartas receberam correspondências astrológicas, cabalísticas, angélicas e mágicas. Foram utilizadas para meditações guiadas através dos arcanos, e dentro de práticas rituais da magia cerimonial. Sim, o tarot foi também utilizado como instrumento mágico pelos membros da Golden.

Segundo, a magia aqui referida é a magia cerimonial que já era praticada por figuras eminentes como Martinez de Pasqually, Éliphas Lévi e Papus nos éculos XVIII e XIX. Foi no começo do século XX que nasceu o movimento neopagão conhecido como Wicca, fundado por Gerald Gardner (1884/1964) em 1954, e redesenhado por Alex Sanders (1926/1988). A Wicca se apropria de princípios da magia cerimonial, como círculos mágicos, evocação dos quadrantes, etc. Agregando também princípios da magia tradicional europeia, baseada em grande parte por tradições celtas propagadas por toda a Europa. E um culto a uma deusa e a um deus, que seriam os geradores de toda a vida, e do ciclo das estações em oito eventos sazonais de solstícios e equinócios, e das colheitas ao longo do ano.

Rituais mágicos que se utilizam do
Tarot são praticados ainda hoje!

Terceiro, ainda no século XX o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875/1961), em suas pesquisas, reconhece o Tarot como o descendente dos arquétipos da transformação da consciência. Tirando assim de vez a tarologia do arcabouço dos temas mágicos, seja cerimonial ou neopagão.

Portanto, nem todo tarólogo é bruxo ou magista, da mesma forma que nem todo magista ou bruxo é tarólogo, entendeu? Magos ou bruxos podem se utilizar de diversos outros sistemas oraculares. Bruxaria também não é a única forma de magia, e a Wicca especialmente é uma das formas mais recentes delas. Um tarólogo é um tradutor da linguagem simbólica contida nos arcanos, que em última instância são expressões da alma humana como um todo, que se revelam dentro de um enfoque individual no momento de uma consulta oracular.

O tarólogo pode estudar todas as relações contidas no imenso corpo simbólico do Tarot, sem se conectar especificamente a nenhuma. Da mesma forma que ninguém é magista ou bruxo só porque estuda ou faz leituras de Tarot! Qualquer uma destas associações automatizadas diminui e limita tanto o Tarot quanto a Magia e a Wicca... Por mais cultura espiritual, e menos ignorância e generalizações!


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O Eclipse no Tarot

O 8 de copas, do Thoth tarot.

Com a proximidade do segundo eclipse deste mês de agosto, que desta vez será um eclipse lunar em Peixes, no dia 28 após o eclipse solar em Leão do dia 12, ressurgiram, além das interpretações astrológicas deste evento, o debate sobre o eclipse eternizado na pintura de Pamela Colman Smith no 8 de copas. Este registro já havia sido discutido por outros autores como Rachel Pollack e Hajo Banzhaf. O elemento novo foi que em suas pesquisas para o livro “Secrets of the Waite-Smith Tarot” a também autora Mary K. Greer descobriu que houve, de fato, um eclipse real em 1909 que foi visível na região de Tenterden, onde Pamela estaria hospedada durante a criação das imagens deste tarot. Porém, para Greer, Pamela teria desenhado o eclipse não só no 8 de copas, mas também no 2 de espadas! Alto lá! Greer tem mesmo esta tendência de forçar a barra na interpretação dos símbolos para caber nas suas convicções. Isenção, definitivamente, não é com ela! Seus argumentos se baseiam na semelhança, segundo a percepção dela, das praias representadas em ambas as cartas. Então vamos por partes:

O eclipse do 8 de copas, do Rider-Waite tarot.

1) Os eclipses são verdadeiros recomeços astrais, são uma proposta de renovação onde a consciência é convidada a deixar para trás o velho, o obsoleto e tudo que de alguma forma passou a ser disfuncional. Seu título esotérico atribuído na Golden Dawn é “O Senhor do Abandono do Sucesso Ilusório”, ou seja, houve algum tipo de despertar ou conscientização que fez que seu personagem central deixasse a cena. Banzhaf salienta que as taças à beira mar estão dispostas de tal forma que parece que uma está faltando, e de fato não está. O naipe de copas é relacionado ao elemento água, o mundo dos sentimentos e dos sonhos, onde a alma expressa sua subjetividade através de percepções próprias. Esta falta é um sentimento de um esvaziamento de sentido, propósito, ou de uma conexão que se perdeu. Sob a orientação de Aleister Crowley Frieda Harris também desenhou uma imagem que remonta a este sentimento ou percepção de falta ou esgotamento. Um charco secou a ponto de seu fundo ficar exposto, atrás aparece um céu que não chove, como uma esperança vazia onde aquele que passa por este momento pode se iludir achando que vai acontecer. Crowley ao escrever sobre esta carta a renomeou de “Indolência”. Interessante como estes dois membros da Aurora Dourada viram por diferentes perspectivas este mesmo arcano. Enquanto Waite viu a retirada do plano ilusório, Crowley viu alguém estagnado, resistindo em sair dele. Quando as imagens do tarot começaram a ser ilustradas por autores este personalismo tomou mesmo conta de suas interpretações e figurações. Rico de possibilidades por um lado, perigosamente longe da sua tradição por outro, com um grande risco de se perder sua essência. Então, mais uma vez, fica a dica: estude o clássico, escolha depois o seu baralho, ocultista e artista preferido. Greer diz que o mesmo eclipse se repete no 2 de espadas, o que, segundo ela, faria todo o sentido devido às suas posições 2 e 8 na ordem numérica. Então “O Senhor da Paz Restaurada”, título esotérico do 2 de espadas, simbolizaria uma paz antes do momento certo da partida, representada no 8 de copas. Aqui está claro o tendencionismo desta autora. Ela ignora completamente que na Golden, sociedade oculta que tanto Waite quanto Crowley foram membros, os naipes obedeciam a uma ordem relacionada aos quatro mundos da Cabala onde o naipe de copas – relacionada ao mundo criativo de Briah – vem antes do naipe de espadas – relacionada ao mundo formativo de Yetzirah – não fazendo, portanto, nenhum sentido esta relação que ela apresenta. O que nos leva ao segundo ponto.

O crescente do 2 de espadas, do Rider-Waite tarot.

2) Não há eclipse nenhum representado no 2 de espadas. A autora, Pam Smith, pode ter se inspirado na mesma paisagem, mas definitivamente não repetiu o simbolismo do eclipse! No 8 de copas aparece claramente a clássica imagem da face solar, e ela está sendo toldada pela face lunar. O que aparece no céu do 2 de espadas é a imagem de um luar crescente, do modo como ele é visto no hemisfério norte do planeta. O crescente lunar é o símbolo de uma transição onde a lua, renascida das trevas de sua fase nova, se direciona para a fase cheia. O que também confere certa tensão e conflito a ser administrado. Assim esta paz restaurada terá de dar lugar a uma decisão e um subsequente posicionamento, daí este arcano representar tanto a busca da paz quanto incertezas de todo tipo, e indecisões que somente ao serem resolvidas conduzirão a este momento de paz. Além do que a sua relação astrológica de Lua em Libra reforça todos estes significados muito bem.


segunda-feira, 27 de julho de 2026

O Propósito do Trabalho com o Tarot

O Caminho do Tarot, uma jornada
de autodescoberta tanto para
quem lê, quanto para quem se consulta.
O 2 de ouros, do The Sealed Path Tarot.

Um fator importante para o direcionamento e criação de uma assinatura de trabalho com o tarot é a definição de um propósito interior para a atuação com as cartas. Observo que a grande maioria dos tarólogos não reflete sobre isso, ou demonstram pouco interesse no assunto. Na verdade todos possuem suas características intrínsecas de leitura, que são mais sentidas pelas pessoas que se consultam do que pelos leitores em si. Estar consciente destas características, de qual é seu estilo, pontos fortes, e efeito das leituras para os consulentes, permite o aprimoramento e o refinamento na arte da interpretação do tarot. Desde que me falaram que eu tinha um “jeito diferente de ler as cartas” eu imediatamente perguntei “como assim?”, e comecei a refletir sobre o assunto. Com o tempo, e na troca com outros leitores, percebi que eu tinha mesmo um enfoque natural em revelar como o cliente estava encarando a situação em que estava envolvido, bem como suas emoções e pensamentos referentes a este envolvimento, e quais lições e aprendizados estavam sendo requeridos. 

Mais tarde percebi que esta perspectiva estava bem próxima das filosofias orientais, e da psicologia analítica de Jung, que só descobri mais tarde. O que quero dizer é que este viés natural já existe em cada leitor de tarot, porém, ele ou é ignorado ou deturpado para se encaixar naquilo que se pensa que um leitor de cartas tem de ser ou fazer... É neste momento que muitos abandonam o caminho. Tenho um artigo aqui no blog que enfoca nesta questão ao perguntar “Que Tipo de Tarólogo Você É?”. Deixarei o link no final deste artigo. No texto eu comento a relação apresentada por Cynthia Giles baseada nos quatro tipos psicológicos: o analítico, o psíquico, o intuitivo e o sensitivo. Por esta relação um tipo intuitivo está mais interessado em entender as origens da questão que trouxe o cliente até aquele momento, suas origens, e pretende com suas leituras proporcionar uma expansão de consciência que permita ao indivíduo ver sob outra perspectiva o seu sofrimento ou limitação. Geralmente sugerindo processos terapêuticos adequados. Este não é um tipo de leitor que está interessado em dar respostas do tipo sim ou não. Os leitores analíticos, estes sim mais cerebrais, é que costumam abordar o tarot como uma máquina de respostas, que aponta fatos e determina procedimentos. Para o leitor psíquico o tarot é um instrumento mágico que revela não só o futuro e o destino, mas as influências imateriais por trás de cada desafio. Por fim, o tipo sensitivo, também chamado de o tipo mágico, é aquele que percebe em cada vivência prática uma proposta de transformação pessoal. É chamado de mágico menos pelos interesses ocultos, como o tem o tipo psíquico, e mais pela tendência em desvendar e revelar o desafio e o subsequente aprendizado ou senda de evolução que ele contém. Estes leitores estão mais focados em compreender o momento e seus conflitos, e em achar os caminhos para que o cliente cresça e se desenvolva com eles, além de superá-los. Estão menos focados nos desígnios futuros ou psicológicos que possam estar se manifestando, e sim mais voltados para a compreensão e a superação prática. Misturam a perspectiva oracular e terapêutica com mais frequência que os outros leitores. Entendem o que digo da importância de cada um conhecer seu tipo de atuação? Todos são necessários, nenhum é melhor que o outro. Há leitores psíquicos, por exemplo, ajudando a encontrar pessoas desaparecidas em alguns estados americanos, como há leitores analíticos pesquisando a história e construção simbólica do tarot, bem como sua relação com os princípios da física teórica, e leitores intuitivos conectando o tarot a práticas terapêuticas inovadoras. Conhecer a si mesmo nesta atividade o liberta de paradigmas pré-estabelecidos por sua cultural local, seja familiar ou social.

Eu estabeleci, para minha própria definição e orientação, um propósito que verifico, reforço ou reavalio conforme eu mesmo me desenvolvo em minha jornada, e que compartilho agora.

O propósito do meu trabalho com o tarot – Ajudar as pessoas a compreenderem os eventos desafiadores de suas vidas como oportunidades de desenvolvimento e crescimento pessoal, tanto a nível psicológico quanto Espiritual – sou um leitor do tipo sensitivo.

O que minha experiência com as leituras de tarot me mostrou – O tarot revela o que acontece no momento, e todos os sentimentos, percepções e pensamentos envolvidos no processo, assim como todos os condicionamentos, complexos e programações que estão sendo ativados. Até mesmo sentimentos, ideias e inspirações que possam estar sendo diminuídas ou desconsideradas. As leituras tendem a ampliar perspectivas, unir sentidos, e revelar o propósito último dos eventos da vida comum com seus desafios, à luz de um escopo arquetípico.

Como eu mantenho isso ativo – Escolhi, ao longo da minha jornada, métodos de leitura que trouxessem em sua estrutura posições que definissem o desafio do momento, a mensagem reflexiva pertinente à situação, ou que revelassem a atuação da sombra, e o aprendizado superior proposto ao que é revelado.

Como isso se encaixa para você? O que o tarot faz por você que gostaria de proporcionar às outras pessoas? E, sobretudo, o que a essência da experiência fala de mais verdadeiro sobre essa relação com os arcanos? Lembre-se o tarot fala de modo diferente com diferentes pessoas. Descubra como ele fala com você!

Leia também: Que Tipo de Tarólogo Você É? 


segunda-feira, 29 de junho de 2026

A Ética na Prática do Tarot

A prática da tarologia requer mais do que só
sensibilidade psíquica e aptidões mediúnicas...
Estudo constante e diversificado, além de
leituras constantes e revisões do saber, são essenciais!

Eu não havia sentido, até aqui, a necessidade de escrever sobre a ética no tarot. Depois de encontros recentes com outros buscadores que estão, inclusive, se apresentando como profissionais da tarologia, achei que devia salientar alguns pontos sobre a prática. Vale lembrar que a ética é por definição, o reconhecimento de quais regras são corretas ou incorretas para a boa convivência entre as pessoas, tanto em contexto pessoal como social. E isso inclui desde a interação com vizinhos e colegas de trabalho, até o trato direto com clientes e alunos. A ética visa o convívio respeitoso e harmonioso entre as pessoas. Diferente da moral, que preserva um conjunto de valores, crenças e regras sociais pertinentes a uma sociedade ou cultura que são passados adiante por gerações. A moral se aplica a um todo, a ética e a um âmbito mais particular.  A *ética profissional, por sua vez, é o conjunto de regras de determinada categoria de trabalho que visa preservar o bom andamento de determinada prática para o bem-estar e preservação tanto de clientes quanto de profissionais. Então, baseado tanto em minhas trocas diretas com outros profissionais, mais o que tenho visto pelas redes sociais nos últimos tempos, este texto se faz mais do que urgente. Vamos aos tópicos que achei mais pertinentes à prática oracular, e sobretudo com o tarot, na atualidade:

1) Definitivamente não é ético cobrar por uma leitura, ainda que seja apenas uma tiragem, se não tem domínio do método de leitura escolhido ou do significado das cartas como um todo. A sintonização com o simbolismo dos arcanos demora um tempo, assim como a compreensão do seu próprio estilo ou viés de leitura. Como eu costumo dizer a quem está se iniciando, leva um tempo até descobrir o que o tarot quer de nós. Com a prática é que se descobre se nosso olhar revela mais vivências práticas, psicológicas ou espirituais. Se temos mais facilidade com sistemas e leituras mais complexos e elaborados ou mais simples e diretos... Tem um tempo de experimentação, auto-observação e autodescoberta que deve ser respeitado. Demorei quatro anos antes de me sentir apto para essa etapa. Antes de saber disso você simplesmente não está pronto! E cobrar por isto, assim como não avisar que você está treinado porque está no início da sua jornada é antiético, mercenário e desrespeitoso com o tarot e muito mais ainda com aquele que confiou em você!

2) Da mesma forma é simplesmente irresponsável e inconsequente, se utilizar de termos que desconhece! O Instagram e o TikTok estão cheios de vídeos de pessoas falando em Karma, sombra, egrégora, psique com definições totalmente erradas ou distorcidas. Esta obsessão ridícula e ignorante de achar que a “intuição sabe de tudo” faz com que muitos tarólogos não estudem outros campos teóricos da espiritualidade, do hermetismo, e mesmo das teorias psicológicas. Sem falar naqueles que têm uma evidente falta de cultura geral se predispondo a ler oráculos. Já ouvi cartomantes com vidência acurada dizendo coisas como “não estudo nada destas coisas para não atrapalhar minha vidência!”. Sim, isto existe. Como se a vidência de alguém desse  uma autorização para falar de coisas que a consciência não está habilitada. Aqui no estado teve o caso de um vidente que orientava as pessoas com câncer a fazer coisas como parar a medicação, parar de tomar água, e comer certos tipos de alimentos de modo mais contínuo, e até mesmo pingar limão no olho! Ele não tinha formação em nenhuma área médica ou da nutrição, era um praticante do veganismo há muitos anos, que se achou pronto para estas recomendações por causa das suas visões... Pessoas com vidência, mais que as intuitivas, podem cair neste tipo de “viagem do ego”, mas todos devemos ter cautela com este tipo de fantasia. Quem não tem alguma base de autoconhecimento, preparo e um mínimo de auto-observação não discerne sobre o que é intuitivo ou mediúnico de uma ilusão da mente. Repetir palavras de efeito não ajuda ninguém, e pode causar mais danos. É desonesto. Não é demérito dizer que não sabe, ou de que não pode ajudar. Tem vezes que é preciso indicar terapias, médicos, fisioterapeutas, psiquiatras, isso é responsabilidade e cuidado legítimo com o outro. Reconhecer os próprios limites é infinitamente mais honroso, e muito menos danoso, que dar uma resposta genérica que não esclarece nada, não acolhe o sofrimento do outro, e nem aponta caminho nenhum para a libertação!

3) Não permita que sua opinião pronta sobre determinado assunto interfira na nitidez e honestidade da sua interpretação! Tenho dito sempre, e terei de dizer até que se compreenda, que a leitura não é sobre você e sua vida. Além de assuntos morais, como relações homo afetivas, ou extraconjugais, ou mesmo o aborto,  tem temas da própria senda espiritual que podem evocar preconceitos intrínsecos como o uso da ayahuasca ou recursos de magia. Pessoas com enfoques mais conscienciais, baseados em filosofias como zen budismo ou taoísmo, tendem a não ver com bons olhos o uso de enteógenos, ou de quaisquer abordagens tidas como mágicas, e vice-versa! Para ambos os casos vale a mesma regra: isto não é sobre você!

4) Evite sempre jogar para pessoas muito próximas, como familiares ou parentes, isso afasta o desejo de intervenção que muitas vezes é motivado por um instinto de proteção, de ajudar ou poupar o outro. Nem preciso dizer que abrir as cartas para alguém com quem você já se relacionou, ou para a pessoa com quem ele ou ela está se relacionando no momento, é impensável! Suas respostas, ainda que totalmente honestas com as revelações do tarot, podem soar para o outro como intervenção, opinião, ressentimento ou experiência própria sendo relembrada. Para evitar este tipo de constrangimento diga que isso o compromete eticamente, e que ficará mais confortável se ela ou ele procurar outro intérprete para se orientar. Da mesma forma evite os namorados ou namoradas de amigos ou parentes. Muitas pessoas usam recursos manipulativos do tipo: “o seu amigo(a) disse isso do nosso relacionamento”...

5) Por fim, a mais básica das recomendações, mas não menos importante: mantenha absoluto sigilo de tudo o que lhe é confiado na hora da sessão. Essa é uma postura que muitos seguem mais pelas implicações sociais que qualquer outra coisa. É comum se contar casos de clientes para ilustrar aulas e palestras, sem nunca citar o nome de ninguém, é claro! Porém, é importante também cuidar para não contar a história perto de alguém que conheça a pessoa e que poderá a reconhecer pelo relato apresentado. Este pode ser justamente aquele alguém que o consulente não gostaria que soubesse nada de seu.

A postura ética nas leituras de tarot preserva a prática e enaltece o trabalho do leitor. Muitas pessoas tiveram experiências de tal modo desagradáveis com as leituras de tarot que as fizeram rechaçar novas consultas. Um mau profissional não detona somente a sua reputação, mas a do próprio sistema que ele utiliza, e de todos que seguem o mesmo caminho. A tarologia praticada com seriedade, conhecimento profundo, e clareza intuitiva, mais prática e o estudo continuados, aliados a uma conduta ética apropriada pode ser, além de eficaz, reveladora, iluminadora e transformadora!

*Não existe um código de ética profissional legal para a categoria de cartomantes, bem como tarólogos, astrólogos, e outros intérpretes oraculares. Porém, a sua existência para outras categorias também não impediu golpistas, fraudadores e toda sorte de profissionais despreparados de se infiltrarem em todas as atividades humanas. Este artigo é uma sugestão de reflexão e não, obviamente, uma regra!


terça-feira, 21 de abril de 2026

Interpretando um Sonho

Os sonhos, complexos simbólicos que
resumem as vivências da alma.

Uma amiga está passando por um luto que desencadeou uma série de reflexões, revisões e ressignificações da sua trajetória tanto pessoal quanto profissional. Ela me conta que está sonhando muito e um destes sonhos a deixou especialmente intrigada e quis compartilhar comigo, disse que me enviaria por áudio. Falei a ela que eu usava o tarot para a interpretação de sonhos, e que os resultados sempre foram muito surpreendentes e satisfatórios! Ela me enviou seu relato e depois retornei os áudios com as fotos das cartas e seus respectivos significados.

O sonho: Estava em casa e na porta de entrada, que tem uma saída para uma praça, e duas janelas por onde entra sol na entrada – detalhe real que ela acha muito bonito na sua residência – então entra um colega de profissão de quem ela gostava muito, uma pessoa querida que entra para lhe pedir dinheiro, e ela disse não ter para lhe dar. Eles desconversam e assim que ele sai ela observa que na praça em frente está cheio de meninos de todas as idades, de pequenos à adolescentes, e eles começam a atirar pedras na sua casa. Ela pede a eles que parem com aquilo, pois não era certo, e parecia que eles estavam brigando entre sim, ela os enfrentava sem medo. Quando volta para dentro de casa encontra um tapete verde cheio de joias que se põe a juntar, eis que surge uma apresentadora, que também era uma influencer, e diz que aquilo tudo era dela! Ela diz que tem debaixo do guarda roupa – e este móvel ficava no quarto que era do ente que ela acabara de perder – um colar de pedras preciosas que minha amiga se põe a puxar, porém ele parece não ter fim! E ela comunica isso à apresentadora e sugere que ela termine de retirar a peça. Quando ela volta para a sala, mais uma vez, ela encontra uma amiga de faculdade de muito tempo atrás, e de quem tinha se afastado, e esta amiga conta que estava indo para São Paulo encontrar o grupo de faculdade. Já faziam mais de 15 anos que haviam se formado, e diz que não a convidou porque ela não participava do grupo, o que minha amiga encarou bem e concordou, pois de fato, não participava mais do grupo. Essa sua amiga conta em seguida que tinha um podcast para o qual ela a convida a participar. Porém, minha amiga é levada a um outro lugar, um palco onde pedem a ela que fale seu trabalho. Ao sair deste lugar ela vai tomar café com outra pessoa quando descobre que esta amiga de faculdade, a que tinha um podcast, tinha também uma loja! Ela se sentiu muito feliz em descobrir que a amiga tinha se dado bem em sua jornada, e então acorda.

Sobre o rapaz que pede dinheiro: 9 de paus e 6 de ouros.

O 9 de paus representa uma exaustão de energia oriunda das muitas concessões que fez e que nem sempre foram espontâneas ou fáceis de realizar, coisa do 6 de ouros. Essa disposição em ajudar, ouvir e dar suporte às pessoas, tanto na vida pessoal quanto profissional, tem esgotado suas energias psíquicas. Há uma clara dificuldade em dizer não e impor limites, mas depois desta perda recente uma nova consciência surge, representada pelo “não” que conseguiu dar no sonho a uma pessoa muito estimada.

São as inúmeras possibilidades do tarot para trazer
compreensão sobre si mesmo, a vida e o tempo!

Sobre as crianças da praça apedrejando sua casa: A Temperança, Valete de paus e 6 de espadas.

As crianças são representadas primeiramente com A Temperança, simbolizando cura e reintegração da espontaneidade, atributo do Valete de paus. Porém, a ideia de ser espontânea como pede este Valete está carregada de pensamentos negativos, pesados de se lidar. Como   se a ideia de autonomia e autenticidade fosse impregnada de negativismo quanto a essas posturas naturais, o 6 de espadas. A brincadeira das crianças cria preocupação e apreensão. Essa atuação das crianças a tira da casa, como um convite selvagem da vida para ela cruzar as próprias fronteiras. A Temperança também simboliza viagem e movimentação.

Sobre a joias do tapete, a apresentadora e o colar: Cavaleiro de paus, 7 de ouros, Roda da Fortuna e O Eremita.

As cartas que representam as joias no tapete têm a ver com todo o foco e empenho de longa data da minha amiga em conquistar sua ascensão material e profissional, representados pelo Cavaleiro de paus. Este empenho nunca é coroado com um êxito à altura de seu esforço e expectativa, o 7 de ouros, como se lhe fugisse o tempo todo com golpes inesperados do destino, representados pela apresentadora que subitamente invade sua casa, e simbolizados no tarot pelo arcano de A Roda da Fortuna, que representa a referida apresentadora. O colar, por fim é representado pelo arcano de O Eremita, mostrando essa longa labuta e jornada solitária em busca deste ponto de destaque no seu desenvolvimento que, porém, nunca se realiza. O topo nunca é atingido!

Sobre a amiga do podcast: Rei de ouros, 4 e ouros e Valete de copas.

A amiga é representada como o sucesso financeiro, a prosperidade, o Rei de ouros. O convite para participar do podcast – tanto quanto para falar do seu trabalho – representa a busca por mais suporte e segurança, o 4 de ouros, já que sua jornada tem sido erma. A reclusão também é um atributo do 4 de ouros. E isso tem pesado muito, como também nos mostrou anteriormente O Eremita. O Valete de copas vem mostrar essa busca por este lugar de mais fluência, leveza, e esse contato com outras pessoas na mesma sintonia. Este valete também nos fala não só de socializar, mas conhecer outras realidades que proporcionam crescimento em todos os âmbitos. A amiga a convida para alguma coisa fora da casa onde vive. Fica claro aqui, outra vez, que a casa simboliza os limites em que minha amiga confinou a si mesma.

A perda recente da minha amiga foi de uma pessoa que sempre a impulsionou para a vida, seus estudos e trabalho. Com a perda deste ente, que era além de um ser querido também um motivador, a sua psique se moveu no sentido de ressignifcar propósitos e direções em sua vida. Além de, finalmente, vencer limitações e desvendar o enigma que a afasta dos seus objetivos mais elevados! Ela reconheceu estas mensagens como representantes fidedignos dos seus embates internos e os desafiadores do seu crescimento pessoal.

Leia também: Sonhos & Tarot


terça-feira, 31 de março de 2026

A Casa Interior

A Casa de Deus, do Tarot
de Marselha (1499/1859).

A casa é a mais perfeita representação da estrutura psíquica. Seus cômodos são análogos aos setores da consciência e suas funções. Todos nós possuímos uma parte espiritual/filosófica, político/ideológica, sexual, sociável, cultural/intelectual, artística/criativa, científica e assim por diante. O que muda de pessoa para pessoa são os tamanhos destes cômodos psíquicos e a intensidade com que nos envolvemos com eles. Para alguns os setores espiritual/filosófico são muito importantes e evocativos para a alma. Para outros os temas político/ideológico ocupam este lugar de importância. Entretanto, todos os demais setores ou cômodos da psique, por assim dizer, continuam existindo, porém com menor intensidade ou importância. A casa enquanto elemento arquetípico, como aparece na carta 4 do baralho Lenormand, traz segurança, estabilidade emocional, pertencimento, e equilíbrio. O envolvimento e o desenvolvimento de setores específicos da psique movimentam a vida tanto do indivíduo quanto de todos aqueles que cruzam seu caminho. Esses setores trazem para a consciência as qualidades antes citadas de estabilidade, segurança, pertencimento... A casa interior é vitalizada e harmonizada quando sabemos, internamente, o lugar de cada coisa e suas respectivas importâncias. No tarot aparece o arcano de número 16, La Maison Dieu, ou A Casa de Deus como aparece nos baralhos franceses, e que depois se popularizou com o nome de A Torre. Era uma referência, na Idade Média, aos hospitais e presídios, lugares onde a casa interior foi desrespeitada ou deturpada. Brincando com os números é interessante notar que no Lenormand a carta 4 mostra a casa interna em plena funcionabilidade, e no tarot o arcano 16 (4 x 4) mostra suas funções sendo extrapoladas ou pervertidas. Existe entre os arcanos menores do tarot uma outra carta que mostra a casa interior perfeitamente íntegra e funcional, e este arcano é o 10 de copas.

A Casa de Deus do Tarot Cabalístico,
de Oswald Wirth (1889).

Dito isto vem à mente a pergunta: o que seria a perversão ou extrapolação das funções da casa interna? Para responder isso temos de voltar ao simbolismo da casa em si. Imaginemos uma construção com dois pisos, em geral os cômodos superiores são onde se encontram os quartos de dormir, as bibliotecas particulares, e o sótão onde se guardam as coisas que se aprecia, onde se observam as paisagens ou vistas que nos agradam. Os cômodos inferiores é onde se localizam as peças em que usamos para as lidas da vida cotidiana, a cozinha onde preparamos os alimentos, a sala onde recebemos os amigos e convidados, a copa onde comemos todos juntos. Enfim, os temas comuns, sociais e básicos estão na parte inferior da casa e os íntimos e mais “elevados” na sua porção superior.  Se nunca descemos à sala de estar, ou de visitas como dizem alguns, porque preferimos viver no sótão com nossos livros, e janelas para luares ou copas de árvores à luz do sol, isso indica uma incapacidade interior de se relacionar com os outros, mas não significa uma não atuação ou contribuição para a vida. O exemplo de Arthur Schopenhauer (1788/1860) mostra bem isso, viveu uma vida solitária até o fim, sem praticamente nenhuma socialização, e ainda assim seu trabalho foi de grande influência e impacto sobre o mundo moderno. Ele dizia que a solidão era a mais elevada condição para o desenvolvimento intelectual. Isso, com certeza, deve ter tido um grande custo emocional.

A Casa, numa das muitas versões
do baralho Lenormand (1840).

Outro bom exemplo que o simbolismo da casa nos traz é o de que no local onde defecamos não é onde fazemos nossas refeições, ou o local onde dormimos não é onde recebemos nossas visitas, e assim por diante. Quando algo assim ocorre é sinal de que alguma coisa está indo muito mal! Da mesma forma há um delicado equilíbrio entre aproximar áreas distintas da psique relacionando-as, e misturá-las sem respeitar suas diferenças e funções. Quando como, por exemplo, envolvemos assuntos político/ideológicos na senda da espiritualidade, ou quando sexualizamos todas as nossas relações sociais. Isso é sinal de que valores foram mal desenvolvidos, ignorados ou pervertidos. E esse comportamento cria uma desordem em nós mesmos e naqueles com quem nos relacionamos! Então, como bem nos mostra o arcano de A Torre, a casa de Deus explode. Essa casa somos nós, o lugar onde a divindade interna habita, e merece toda nossa atenção, cuidado e reverência.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

O Tarot e o Tempo

Três arcanos do tarot falam claramente sobre o tempo, e nossa relação com ele. O primeiro deles é O Eremita. Hoje este arcano nos remonta à imagem de um velho sábio, e da disposição de aprender com os eventos desafiadores de nossas vidas. O nome Eremita só aparece mais tardiamente nos baralhos franceses, como ‘l’Ermite”, no tarot de Marselha. Entre os séculos XV e XVI era chamado de “il Gobbo”, o Corcunda, como no baralho Minchiate de 1534. Já no “Strambotti di Triunphi”, ou Canção do Tarot, de 1500 e no Tarot Bolonhês era chamado de “il Vecchio” ou “Vechiarello”, o Velho. Nos sonetos de Teófilo Folengo de 1527 era chamado de “il Tempo”, o Tempo. Antes era representado segurando uma ampulheta, simbolizando a passagem do tempo. A imagem do velho segurando uma ampulheta nos remete à Cronos, o senhor do tempo dos gregos, que para os romanos era Saturno, senhor da colheita e também da passagem do tempo! Como o Eremita antecede a carta de A Morte na sequência dos arcanos maiores, fica claro a ideia de que ele não nos fala do tempo como um conceito abstrato, mas sim do efeito do tempo sobre nosso corpo, vitalidade e desenvolvimento pessoal. A ampulheta foi substituída por uma lanterna, ou seja: “o tempo está passando, ilumine-se!”. O termo corcunda talvez seja o mais deslocado de seu simbolismo. Os corcundas eram considerados de certa forma mágicos, e dizia-se que dava sorte passar a mão em sua corcova. A sorte como um recurso para se desviar ou transformar um destino indesejado, e o destino é um conceito muito relacionado ao tempo! Da mesma forma muitos velhos acabavam ficando curvados ou corcundas! O Eremita está nos falando de aproveitar o tempo que nos é dado para aprender, e compreender a vida e o sentido próprio de crescer, encontrar seu propósito de ser e de existir. O que mais tarde Jung chamaria de individuação. A igreja católica teve muitos de seus santos vivendo como eremitas, e que ficaram conhecidos por suas reflexões, penitências, caridade e uma elevação de si mesmos nesta busca de comunhão com Deus. Entre eles São Paulo de Tebas, que viveu 113 anos, e é venerado tanto na Igreja Católica quanto na Ortodoxa e Copta como santo. São Leonardo de Noblat, devotado à oração e ao auxílio aos necessitados na França. Santo Arsênio, conhecido por sua profunda sabedoria, viveu no deserto do Egito. São Marino, que se retirou à uma floresta, e há muitos relatos lendários da sua relação espiritual com a natureza. No local onde ele morreu ergueu-se a República de San Marino. Retiro, a procura por profundidade, solidão, o encontro das dificuldades, restrição, e também da sabedoria, resiliência e a busca por iluminação em suas vidas expressam muito bem os atributos superiores e inferiores do arcano de O Eremita que conhecemos hoje!

O Eremita, do Visconti-Sforza Tarot
(1440-1470) segurando a ampulheta.

Com o arcano de O Mundo, com sua dançarina central representando a humanidade, temos a ideia dos ciclos setenários nos quais nos desenvolvemos tanto biológica quanto psicologicamente. Aos sete anos saímos da primeira infância e exploramos o mundo, aos 14 entramos na adolescência e ampliamos esta exploração, e aos 21 somos seres humanos legal e biologicamente aptos a viver e nos posicionar neste mundo! Assim sendo sucessivos ciclos de crescimento e de desenvolvimento se desenrolam. Estes ciclos terão diferentes tempos e serão carregados, cada um, do seu próprio significado! Muitos questionam porque a Morte, com sua foice análoga à Saturno, o senhor da colheita e do tempo, não aparece nesta relação de arcanos que representam a passagem do tempo e nossa relação com ele. Isto acontece simplesmente porque vivemos muitas mortes (perdas) antes de nossa própria morte. Parentes, empregos, amores, locais que amamos ou nos identificamos, e na maioria esmagadora das vezes tudo isso é involuntário! Haja visto o tanto que a história está pontilhada de sinfonias e teoremas inacabados. Seus autores não puderam completar seus ciclos de realização com essas obras. A Morte não fala da possibilidade de interação com o tempo, e sim da realidade de que estamos morrendo todos os dias, e de que o modo e a hora exata do momento final não estão sob nosso controle. Assim o tempo é a esteira onde esta morte, diária e regular, acontece aos poucos em nós, e subitamente em coisas e pessoas ao nosso redor. O Mundo nos fala do fechamento perfeito de ciclos que marcam nossa passagem terrena, e nosso próprio processo evolutivo, seja em toda uma vida, seja em uma obra. É um momento em que tempo, função e propósito se fecham em si, e por isso mesmo este arcano encerra a jornada dos 22 arcanos maiores do tarot! Sua associação com o planeta Saturno, atribuída na antiga ordem inglesa Golden Dawn, é perfeita. Ele era o antigo deus da semeadura e da colheita, do trabalho bem executado que resultava em bons frutos. Ao fim de cada colheita uma nova colheita se pressupõe, com todo um novo ciclo de semeadura, cultivo e colhimento. Assim O Mundo fala de um fechamento que leva a outro nível de amadurecimento, realização e novo engajamento em outros processos de evolução, até a transcendência. A evolução não tem fim, seus ciclos se refinam e se elevam, do mais básico ao sagrado ou divino. É o arcano da excelência no aproveitamento do tempo que nos é dado nesta vida, e neste mundo. A morfologia da palavra desenvolvimento é “deixar de envolver-se com”. Com o quê? Com tudo que é inferior, denso, limitante e incompatível com nossa proposta evolutiva, de realização e autorrealização.

O Universo (O Mundo) do Thoth Tarot, os
ciclos evolutivos da vida ao longo do tempo.

O 7 de ouros encerra essa tríade. Sua regência, segundo a Hermética Ordem da Aurora Dourada, é de Saturno em Touro. O senhor do tempo encontra o signo mais fixo e conservador do zodíaco! Se no Eremita somos chamados a aprender com o tempo e o envelhecimento, e no Mundo vamos passando por suas etapas significando, ressignificando e evoluindo com os ciclos temporais, e elevando a nós mesmos no processo, no 7 de ouros temos de aprender com o ritmo da passagem do tempo em nós e nos outros. Existe um tempo de agir e outro de esperar, de fazer e de descansar, de agarrar e soltar, de persistir e outro de se retirar. Muita sabedoria advém de saber distinguir entre eles, mas essa sabedoria nunca vem sem algum tipo de sofrimento. Este é um aprendizado que decorre da conscientização de nossa limitação – atributo saturnino de medidor do tempo e do destino e o definidor de tudo o que nos delimita, desde a cronologia ao Karma, até pele, ossos e dentes na relação física – e de nossa resistência – atributo taurino que representa a proteção da terra que envolve a semente até que ela brote, mas que ao fazê-lo terá de lutar com a própria resistência da terra em liberá-la. Touro representa o medo da mudança, o apego ao já conhecido que nos mantém na inércia, o lugar onde a evolução não acontece! Não é à toa que o título esotérico atribuído a esta carta na antiga Golden é de o Senhor do Fracasso, não como um vaticínio, mas como a consequência natural daqueles que se recusam a considerar o tempo das coisas, e o respeito ao própria tempo e ritmo em relação a elas. Nos atributos superiores deste arcano constam a paciência e a tolerância, e nos inferiores a condescendência e a resignação.

O 7 de ouros do Zen Tarot de Osho, e o
tempo intrínseco de todas as coisas.

Ao considerarmos os números, os símbolos arquetípicos mais antigos, dos respectivos arcanos temos o 9 do Eremita, dígito da sabedoria, da amplitude de perspectiva, da sabedoria transcendente, e do serviço ao mundo. O 21, de O Mundo, onde a dualidade da consciência (2) encontra a grande unidade do espírito (1), o que resulta na expansão de si mesmo, e na expressão de uma nova realidade que possibilita novas realizações (3). E, por fim, o 7 da profundidade, do discernimento, da reflexão e da análise crítica e autocrítica relacionada à terra, o símbolo do mundo manifesto, concreto e real, e do plano físico (naipe de ouros). O elemento onde a passagem do tempo é mais visível, transformável e possível de averiguação.