terça-feira, 14 de abril de 2015

Sobre Salas de Cartomante


Diante da observação de uma aluna que disse que minha sala de atendimento era "bem masculina", comecei a refletir o motivo de eu tê-la transformado assim. Eu a considero um ambiente agradável, e meus clientes também o acham, por outro lado sei que ela é destituída da aparência de grande parte das salas tradicionais, por assim dizer, das cartomantes. Não há fumaça de incenso pairando pelo ar, nem almoçadas nas cadeiras para recostar os clientes, pequenas mesas redondas, e muito menos velas, pedras ou bolas de cristal em cima da mesa de consulta, ou ainda mini caldeirões para queimar energias negativas antes e depois das leituras, como o fazem alguns cartomantes wiccanos. Minha sala de fato parece mesmo um escritório! Na minha mesa (grande e retangular) de um lado fica um aparelho de telefone e uma secretária eletrônica, do outro minha agenda, alguns blocos de anotações, canetas, uma caixa rúnica e um exemplar do I Ching para minhas orientações pessoais. Somente nas leituras de tarot é que eu uso sobre ela um pano violeta feito no tear para deitar as cartas em cima durante a interpretação, e o meu baralho de tarot propriamente dito. Nos atendimentos de numerologia e astrologia nem isso eu uso!


Eu sempre evitei esta exposição de acessórios por considerar que minhas crenças e práticas quer sejam espirituais, ou simplesmente meditativas, são minhas e de mais ninguém! Além de acreditar que isso poderia gerar ou temor ou muita resistência por parte de quem viesse a se consultar comigo, embora saiba que ambas as atitudes sejam fruto do mais puro preconceito, que invariavelmente é apoiado na mais pura ignorância sobre o assunto! Muitas vezes o preconceito das pessoas as impedem de chegar até um consultor desses. Por outro lado creio muito firmemente que nós devemos ser o que somos e que só chegará a nós quem tem de vir e ouvir o que tem de ouvir através do que amadurecemos ao longo de nossa caminhada. Ou seja, pessoas que se coadunam com tudo o que criamos com nossa experiência ao longo da vida. E lembro-me da sala de atendimento da minha já falecida tia Lourdes, com uma pequena mesa onde suas cartas de baralho Lenormand ficavam ao lado de uma sineta que ela tocava enquanto orava para abrir o trabalho de leitura. Ou da mesa com cristais e símbolos egípcios de minha querida amiga e Mestra Laura. Eu me sentia, e sinto, muito aconchegado nesses ambientes. 
Fui procurar na internet as salas de cartomante mundo afora e me deparei com o mais variado tipo de argumento para que cada um atendesse no ambiente em que atende. Desde a vibração energética, aos preceitos de culto religioso e espiritual que cada um professa. 
Por fim concluí que minha sala é do que jeito que é porque gosto de ambientes claros e de aparência limpa e organizada, e também porque sou discreto com minha vida espiritual como sou com minha vida privada. Não são temas de domínio universal e sim de cunho privado e prefiro que continuem assim, muito embora apoie integralmente os que pensam o contrário a seguir suas convicções. Nossos ambientes de trabalho refletem o que somos, não tem jeito! Além do que, a vida sem a expressão de sua pluralidade é que não faz o menor sentido!

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