sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Os 4 Estágios da Cura

Conhece-te a ti mesmo e conhecerás 
o universo e os deuses.
- Sócrates

A cura é um processo interior ou exterior de restauração do equilíbrio e da harmonia pessoal, nesta ordem, para a devolução do corpo ou da consciência ao seu estado natural de saúde e bem estar, ou a elevação ao próximo estado evolutivo. Portanto, a ideia de que a cura é um processo puramente físico e que trata basicamente de patologias é falsa!
Como todo o processo relacionado ao humano a cura pode ser dividia em quatro estágios diferentes, todos conectados entre si, mas que não levam um ao outro de modo automático. Cada etapa é uma conquista em si e depende muito do modo como cada pessoa encara seu próprio processo de cura interior e do comprometimento que tem com o mesmo. Apresento aqui uma síntese desses quatro estágios de cura interior ou exterior.
Vamos a eles:

1º Estágio – O Auto reconhecimento

Nesse ponto inicial há o reconhecimento da consciência sobre sua situação limitadora. Algo que surge com frases do tipo: “Tenho um problema!”, ou “Há algo errado comigo” de modo geral, ou uma percepção a cerca de suas limitações em um dado ponto da sua personalidade que limita sua atuação e realização social e individual. Para muitas pessoas esse ponto é o mais crítico, pois que muitos encaram esse reconhecimento como uma espécie de admissão do fracasso pessoal, e podem escolher “resolver por si mesmos” o que consideram um problema exclusivamente seu. Com muita frequência vemos os homens fazerem isso mais que as mulheres. A cultura machista ocidental alienou os homens de sua vida interior, de suas emoções, sentimentos e percepções mais profundas. Em troca ofertou-lhe a persona do senhor do mundo, do conquistador implacável (de mulheres e posses), e do eterno vencedor. Apresentou-lhe isso como sendo a essência verdadeira do masculino, e tudo o que não se encaixe nisso é fraqueza e o faz menos homem.
Enquanto isso as mulheres ao se livrarem da dominação patriarcal, aprenderam que ser fortes não compromete sua feminilidade, e muito menos fazer experimentos com sua consciência, percepção, sensibilidade e até com sua sexualidade. Costumo dizer que mulheres e homens foram vítimas do machismo.

2º Estágio – A Identificação


Nesta etapa da cura aprendemos a identificar o que nos causa sofrimento, e geralmente se trata de uma postura, atitude ou pensamento que se apresenta sempre que um conjunto de vivências importantes para nosso sentido de realização quer se manifestar. Uma pessoa sempre acusada de agressiva com os que ama, por exemplo, de repente percebe que diante de uma demonstração de amor sente um medo profundo que se manifesta como suspeita de falsidade, medo de cobrança ou de abandono que a faz reagir defensivamente.
Nesta fase, entretanto, ainda não se consegue interromper o fluxo reativo. É quase como se estivéssemos vendo nossa vida passar pela televisão. Apesar de ser uma conquista importante dentro do processo de autoconhecimento e cura, é também um tanto angustiante. Muito frequentemente as pessoas sentem culpa e vergonha do seu condicionamento.
Apesar disso é fundamental seguir adiante, aceitando que somos seres humanos, e que por isso mesmo nascemos mal acabados e vamos nos aprimorando ao longo de nossa existência.

3º Estágio – O Controle

Esta é uma valiosa conquista sobre si mesmo. Ao contrário da fase anterior, conseguimos interromper o fluxo reativo e paramos antes que ele se projeto sobre o outro ou os eventos externos. Então, seguindo nosso exemplo anterior, o indivíduo agressivo com os que ama sentirá dentro dos gestos de carinho confiança no que está vivendo naquele momento. Ao ouvir a voz do medo egoico dentro dele dirá a si mesmo: “É só medo, não é real! Estou seguro!”. Esta síntese que apresento não pretende insinuar que esses três estágios da cura interior são fáceis ou puramente psicológicos, eles se aplicam também como forma de curar sentimentos e emoções que se manifestam também como sintomas físicos. Todo e qualquer processo de terapia precisa de um profundo comprometimento interior com o propósito da cura. Para a maioria das teorias psicanalíticas este estágio é o final do processo de sanidade. O problema é que ainda existe uma identificação do ego com o desequilíbrio. Como quando um ex alcoólatra mesmo sem beber há mais de 30 anos se declara: “Eu sou alcoólatra!”. Ainda que pelo antagonismo ele continua preso ao seu distúrbio. Como alguém que metaforicamente vivia apenas de um lado da moeda de sua vida, e agora decide viver somente do outro lado.

4º Estágio – A Transmutação

Nesse estágio é comum a sensação de liberdade e totalidade. O indivíduo consegue olhar para sua limitação, condicionamento ou distúrbio de forma a não mais se identificar com ele. Não é mais necessário fazer nenhum esforço para o autocontrole, simplesmente se vê de fora do processo, que passa a ser estranho a ele. Ou seja ele se vê, mas não mais se identifica.  
Nem todos chegam a este estágio de cura pessoal, pois envolve muito mais do que uma abertura racional e inquiridora sobre si mesmo, envolve também uma ampliação da percepção espiritual e uma não identificação com a mente egoica. A mente não mais se fixa no que sabemos de nós porque nos falaram, o que sabemos de nós é o que reconhecemos no mais fundo do si mesmo! Nesses casos o desafio que se apresentou como um distúrbio, limitação, condicionamento ou mesmo enfermidade funciona como a ferida de Quíron, um sofrimento que o faz transcender, ou seja, ir além das experiências conhecidas até então em direção às alturas do espírito.
Assim a cura não é apenas um processo físico/mental, mas intrinsecamente espiritual para todos! Porém, poucos a percebem assim e a fazem um processo de ascensão da própria consciência. Não existe uma receita de como proceder para iniciar ou conduzir cada um dos quatro estágios, é um despertar interior, que para uns poderá levar uma vida inteira!

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