terça-feira, 11 de setembro de 2012

As Aplicações do Tarot

Aqui algumas das possibilidades de aplicação das cartas do tarot que encontramos nos dias de hoje à disposição tanto de quem aprecia as orientações dos arcanos, quanto para os estudiosos da simbologia esotérica do tarot como um todo


OráculoA mais fascinante e conhecida aplicação dos arcanos é, com certeza, a de instrumento oracular! De fato o tarot pode fornecer uma descrição impressionantemente detalhada dos eventos, e também dos sentimentos e pensamentos envolvidos num dado momento do presente, revelando tanto influências passadas quanto tendências futuras. Os arcanos nos possibilitam a avaliação de uma questão por muitos ângulos, quer seja emocional, intelectual, prático, energético ou espiritual, respondendo qualquer questão dirigida às cartas. Da mesma forma o tarot pode também revelar se há a influência e ou a participação de terceiros num determinado evento e a intensidade com isso se dá. Todas essas peculiaridades fizeram com que seus prognósticos e orientações se tornassem extremamente populares! Assim sendo muitos leitores do tarot se especializaram em fazer previsões, e com resultados bem detalhados e precisos, que instigam os estudiosos e pesquisadores da alma humana e incomodam os céticos! A excessiva exploração oracular do tarot entretanto, acabou criando uma tendência das pessoas de ou o temerem, ou se tornarem dependentes de suas orientações e previsões para levar suas rotinas adiante, ou seja, meros expectadores passivos da própria vida!

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Autoconhecimento & Terapia – Com o tempo percebeu-se que as cartas podiam fazer mais do que descrever e prever, podiam também revelar tendências inconscientes projetadas nas vivências que se espelhavam nos arcanos. Com isso nascia a abordagem terapêutica do tarot. Fundamentada sobretudo nas teorias junguianas, essa nova visão se propunha a olhar mais profundamente os eventos que motivavam a consulta com o propósito de auxiliar o consulente a reconhecer, para em seguida superar, programações inconscientes que criavam condicionamentos restritivos no comportamento. As cartas do tarot logo se tornaram parceiras de muitas terapias complementares, como renascimento, reiki, terapia floral, terapias corporais, terapia de vidas passadas etc. Vale lembrar que a abordagem terapêutica do tarot não exclui sua aplicação oracular, apenas inclui uma nova perspectiva, de maior responsabilidade sobre a própria vida, para a construção do que chamamos de destino. Infelizmente houve uma excessiva psicologização da linguagem terapêutica no tarot, o que enfatizou demais o viés racional do oráculo e comprometeu a abordagem de cunho mais profundo e espiritual.

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O Tarot e as Terapias Complementares

Dinâmica de Grupo – Outra aplicação mais recente para o tarot é a de dinâmica ou vivência grupal! Professores de tarot como Vicki Noble e James Wanless sugerem as leituras coletivas como uma forma de interação simbólica entre as pessoas, promovendo o desenvolvimento intuitivo e a capacidade de olhar por trás de nossas próprias máscaras sociais. Esse tipo de experiência nos permite avaliar melhor as mensagens que passamos de modo inconsciente ao mundo e reformular o que nos incomoda ou que expressa padrões disfuncionais nas nossas relações pessoais e profissionais, por exemplo. Eu mesmo desenvolvi um conjunto de leituras coletivas com os mesmos objetivos antes citados, que denominei de Tarot Circular. Outras vivências como a desenvolvida pela taróloga e facilitadora de danças circulares sagradas, Maria Aché, chamada por ela de Danças do Tarot propõe uma “entrada” no simbolismo de cada arcano para viver e desenvolver suas qualidades.

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Meditação – As meditações com o tarot seguem os mesmos princípios da Raja Yoga, imagens mentais são usadas para acalmar e dirigir a mente para ações mais construtivas. Essas meditações se parecem também com as visualizações criativas tão populares nos tratamentos da Nova Era. Podem ser usadas com objetivos diversos, desde o relaxamento, até a obtenção de respostas para dilemas pessoais, o desenvolvimento gradual de determinadas habilidades, ou reflexões profundas para o autoconhecimento!
Em seu livro *Setenta e Oito Graus de Sabedoria, Rachel Pollack conta que numa meditação para o encontro com o arcano de A Força, ela avistou a moça com o leão, a fera veio em sua direção e a atacou! Rachel diz que muitas vezes a meditação não irá além de uma conscientização da carta ou de uma descoberta de ideias novas a respeita dela ou de você mesmo. Por outro lado pode auxiliar no desenvolvimento de um sentimento mais profundo e mais pessoal de alguma carta, o que pode ser um grande ganho no autoconhecimento e crescimento interior. Existem inúmeras técnicas meditativas a escolher. Procure autores ou instrutores experientes para conhecê-las e escolher pelo menos uma.
Magia – Muitas vezes o tarot tem sido usado em rituais mágicos para representar forças que se deseja invocar, dons ou qualidades que se pretende alcançar, ou mesmo como símbolos dos objetivos desejados. Essa prática teve seu ápice na antiga Golden Dawn e se mantém em uso até hoje! Se você estiver fazendo um ritual de cura, por exemplo, poderá se utilizar do arcano XX, O Julgamento, para representar o restabelecimento desejado! Do mesmo modo como poderá usar outros arcanos que representarão o caminho para a cura desejada, como O Hierofante, a sabedoria do curador. A Sacerdotisa, a sabedoria intuitiva que guiará os curadores envolvidos no tratamento. A Força, o poder da vontade tonificada e dirigida para vencer as próprias limitações. Por fim um arcano que não poderia faltar é O Sol, a luz da vitalidade, a ativação da energia vital do universo dentro de você. Isso tudo é apenas uma sugestão bem genérica, outros rituais, incluindo os arcanos menores, são possíveis.
Qualquer bruxo ou bruxa que estiver lendo este artigo sabe que cada caso é um caso e que deve ser estudado com atenção. Como sabem também que qualquer atividade mágica de cura é um suporte terapêutico que não substitui nenhum recurso, quer seja ele da medicina convencional ou alternativa!
Na maioria das vezes escolhemos uma ou duas das aplicações dos arcanos do tarot para nos “especializarmos”, por assim dizer. E dificilmente desenvolveremos todas, simplesmente porque elas exigem aspectos diferentes de nós mesmos e cada variação no modo de usar as cartas se adaptará a um modo de sermos. Mais intuitivos, ou mais místicos, mais filosóficos ou mais corpóreos e práticos, e assim por diante. O maravilhoso disso tudo é estaremos todos usando o mesmo instrumento e usando cada um a sua maneira!

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* Vol I e II. Editora Nova Fronteira, São Paulo, 1991


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