Desde que teve o grande boom
entre os anos 80 e 90 o reiki virou a prática terapêutica complementar mais
aplicada do mundo! Em 2007 a ONU, através da OMS, reconheceu o reiki como uma
prática complementar de saúde que se mostrou eficiente no tratamento da dor, do
estresse e da ansiedade. É o único sistema de imposição das mãos que conquistou
este reconhecimento, o que tornou possível que fosse disponibilizado e aplicado
nos sistemas públicos de saúde no mundo todo! Mais uma vez sua perspectiva
terapêutica foi exaltada e, paradoxalmente, sua essência espiritual colocada
mais de lado. Milhões de pessoas no mundo todo tiveram acesso à técnica
desenvolvida pelo Dr. Mikao Usui (1865/1926) de imposição das mãos. Seu legado de cuidado e
desenvolvimento humano. Em sua origem o reiki veio mesmo do desejo do Dr. Usui
de curar as enfermidades dos doentes e dos desvalidos socialmente. Para todos
que conhecem a história do reiki sabem que logo ele percebeu que as pessoas não
valorizam aquilo que vem como caridade e destituído de propósito ou reflexão.
Assim nasceu, inspirado pelos versos e reflexões do Imperador Meiji (1852/1912),
os cinco princípios reiki. Já falei deles aqui e vou deixar o link no final
deste artigo. Com a aplicação do sistema do Dr. Usui o reiki mostrou possuir
outras perspectivas de crescimento e desenvolvimento pessoal e espiritual, que
passaram batido por aqueles que estavam mais interessados em ensinar a técnica
do que em desenvolver um despertar interior.
De todas as técnicas modernas de
imposição das mãos o reiki é a mais simples, difundida e totalmente livre de
dogmas religiosos. Também está livre do controle e da exploração comercial da
marca de copyright, que garante direitos exclusivos de uso da marca, suas metodologias
e cobranças. Sem falar que os praticantes do copyright “espiritual” nunca são
de fato iniciados por direito. Muitos dos atuais métodos requerem revalidação a
cada ciclo de quatro a cinco anos. O que é no mínimo confuso, como pode ser
tirado de alguém algo que lhe foi ensinado, sintonizado ou aberto, seja
intelectual ou energeticamente? Nem preciso dizer que as técnicas copyright são
norte-americanas... Não ter proteção de exclusividade comercial, por outro
lado, deixou o reiki à mercê de todo tipo de maluquice, exploração e enganação.
Não pretendo entrar neste tema neste momento, seriam muitos itens a serem
analisados, mas o maior de todos os engodos é o da formação a distância. Isso
simplesmente não existe! Não foi apresentado nada parecido com isto pelo Dr
Usui, e tem constituído como a maior e mais propagada mentira sobre o reiki.
Uma mentira dessa natureza só se espalha desta forma porque quem a divulga e se
beneficia – o “iniciador” – tanto quem a compra para seu benefício comercial –
o “terapeuta” – estão unidos para propagar uma farsa para o simples e descarado
lucro pessoal. O que denota a total de falta de comprometimento com a
preservação da cultura reiki, quer seja como um método terapêutico, quer seja
como uma prática espiritual! Não à toa ouvirmos com certa frequência relatos de
pessoas que se trataram com reiki e não sentiram diferença... Com pessoas
obtendo suas formações a quilômetros de distância não é exatamente de se
surpreender!
O Zen
O reiki como prática espiritual
tem princípios muito parecidos tanto com o Taoísmo chinês quanto com o Zen
budismo japonês. O Zen surge na China no século VII levado pelo monge indiano Bodhidharma
que enfatiza a prática do Zazen. Chega ao Japão somente no século XII, e cria
ali raízes profundas. Lembrando que nenhuma dessas práticas eram aplicadas pelo
Dr. Usui, ele e sua família eram afiliados ao Budismo Tendai. Enquanto o
budismo Tendai como filosofia crê no Sutra do Lótus como o ensinamento supremo
do Buda, e toda sua verdade, o Zen budismo, por outo lado, acredita que a
prática direta e pessoal está acima de qualquer escritura ou ritual. O Zen acredita
também que todas as coisas no universo estão interconectadas. Todos os seres,
fenômenos, e elementos são uma unidade. Esta interconexão e experiência de
unidade seria obtida através do Zazen, a meditação sentada, que seria o centro
e a essência da própria prática búdica. No século XX o trabalho do grande
Mestre Zen vietnamita Thich Nhat Hanh (1926/2022) nos mostrou que além do Zazen
podemos extrair momentos de meditação – através da atenção plena – no nosso
dia-a-dia. Caminhadas, lidas da rotina como varrer a casa, cozinhar, etc
estariam a serviço de uma presença plena. O reiki fala exatamente dessa
presença plena, um momento para deixar a mente, entrar em sintonia com o todo e
fluir com a prática, sentindo e alargando com esta percepção tanto do fluxo da
energia Ki universal, animadora de tudo, quanto a interconexão com a
existência!
O Tao
Embora de origem chinesa, e bem
mais antigo que o Zen, o Taoísmo sustenta conceitos que também se aplicam bem à
prática reiki. A sua origem está associada ao filósofo Lao Tzu, autor do Tao Te
Ching. Ele viveu no século VI a.C. um tempo onde viveram também outros grandes
filósofos e iluminados da história como Pitágoras na Grécia e Buda na Índia. O
Taoísmo tem uma vertente filosófica e outra religiosa, que surgiu bem depois.
Aqui nos interessa a filosofia taoísta. O Tao é em si um conceito misterioso,
seria a própria essência cósmica que rege todas as coisas, e que se expressa
nos ritmos e ciclos da natureza. Nos ensinamentos taoístas são feitas muitas
alusões aos movimentos naturais, como o das estações e ao fluxo do tempo. Aquele
que atinge sua harmonia interior atinge o Tao. No reiki a energia ki pode ser
considerada como parte deste todo, já que sua definição natural é a de força
animadora de tudo que existe! O “ki” japonês tem sua origem no “chi” dos chineses.
E a ideia de integração com todas as coisas, assim como no Zen, se dá através
desta consciência de que estamos imersos num mesmo fluxo de vida, o mar da
energia ki universal.
Outro conceito taoísta que se
adequa muito bem à prática reiki é Wu-wei, que seria um fazer sem fazer.
Basicamente significa que tudo o que é feito sem a ideia de esforço, sacrifício
ou pesar está dentro do Tao. Seria a sintonia do empenho humano com a
espontaneidade, a fluência e a leveza. Tudo o que exige demais, ou altera o que
somos em essência, não vale a jornada. Segundo o Taoísmo uma vida em harmonia tem
de observar três pilares: a simplicidade, a modéstia e a afetividade. Nada me
parece mais conectado à prática reiki do que isso. O reiki é uma ação sem
esforço ou empenho extenuante, e isso para muitas pessoas é um problema. Nossa
cultura valoriza tudo o que custou horas e anos de dedicação e construção –
embora tudo isso possa ser feito sem sofrimento quando em sintonia com o que
somos – e isso não é exatamente o que se espera de qualquer atividade, seja ela
qual for! Inúmeros praticantes do reiki como terapia já ouviram coisas como
“mas faz só isso?”, “tá, mas além do reiki faz mais o quê?”. Há muitos dos
próprios terapeutas que sintonizam com esta lógica e saem buscando algo que
“complemente” o reiki. Estamos vivendo a Era da insegurança terapêutica,
pessoas que fazem uma variada gama de formações confundindo formação com
graduação espiritual, e assim seguem sem nunca entender exatamente sobre
discipulado espiritual, campos de consciência e energia, e acabam misturando
muitas técnicas numa mesma sessão. Por fim vão ficando todos muito iguais, com
os mesmos recursos e sem nenhum diferencial, e muito menos conteúdo e reflexão
sobre o que fazem. A cultura ocidental como um todo tem sérios problemas com a
simplicidade. A afetividade é um dos primeiros planos de consciência a
despertar na prática reiki, ficamos cada vez mais compassivos com a entrega
daqueles que se põe sobre nossos cuidados e, se nos sintonizamos mesmo com este
sentimento, nos tornamos mais despojados e humildes com o tempo. Para isso,
porém, há de se ter dedicação, entrega e observação. Lembre-se que o reiki
começa dentro.
Reiki – Além da Terapia
São inúmeros os relatos de a terapia reiki ser um recurso valioso no tratamento dos distúrbios da vida moderna como ansiedade, estresse, déficit de atenção... A prática reiki tem sido aplicada também nos processos de cicatrização, e de convalescença, como tem sido aplicada com eficiência como tratamento complementar tanto para pré quanto pós-operatórios. O reiki, entretanto, vai além disso. Com os exemplos que citei anteriormente espero que tenha deixado claro que a prática reiki funciona como uma forma de meditação, e introspecção. Assim como funciona como um purificador natural de nossa mente e campo energéticos, podendo ser autoaplicado todo os dias pela manhã ou ao anoitecer, antes de dormir. Um exercício que gosto de praticar, e que se utiliza do princípio da Haja Yoga, de usar as imagens da mente para doutrinar apropria mente, é o de ao realizar a autoaplicação imagino estar sendo sintonizado com as árvores, pássaros, nuvens, espaço, sol, estrelas... Outras vezes me imagino sendo conectado às águas, e outras vezes ainda às montanhas, florestas, pedras preciosas e às águas tranquilas do fundo do chão. Essa vivência tem me ajudado muito a melhorar meu foco, a me centrar em momentos difíceis, a experimentar aquela conexão com o todo que afasta toda a sensação de desorientação que por vezes nos toma em certos momentos. Faça a sua experiência, descubra como você pode se relacionar com o reiki de uma forma íntima, profunda e espiritual. Não há fórmulas prontas!
Use o reiki para tratar seus
animais de estimação, para mandar para pessoas queridas distantes que sente que
precisam. Use o reiki na sua horta ou jardim. Aplique a energia reiki à sua
agenda da semana, ou à alguma situação tensa do futuro, como uma conversa
difícil com alguém. Reiki é para a vida! Uma aluna contou que o filho, que é
músico e reikiano nível II, envia reiki antecipadamente para seus locais de
apresentação. Com o tempo começou a se sentir mais tranquilo e confiante nos
seus shows. Quando dificuldades de entrosamento com os membros da banda
surgiram passou a enviar reiki para eles e logo se realinharam. Soube de uma
reikiana que organizou com um grupo de amigos uma prática coletiva de envio de
reiki para o planeta, estados e cidades que tomavam conhecimento de estarem
passando por problemas. Em seguida começaram a enviar coletivamente para
pessoas enfermas e ou familiares em dificuldades. Faziam isso em reuniões
quinzenais com até 3 horas de duração que acabavam virando eventos sociais e
espirituais entre eles. Todos alegavam, segundo ela, que as coisas pareciam
fluir melhor em suas próprias vidas depois que deram início às reuniões. É
sempre bom lembrar que parte da energia ki que enviamos em tratamentos
terapêuticos, ou não, fica conosco para que possamos nos autoaplicarmos para
nosso próprio equilíbrio pessoal.




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