quinta-feira, 18 de julho de 2013

O Enforcado - Arcano XII

Título Esotérico – O Espírito das Poderosas Águas (A água, o solvente universal que dilui tudo e torna as coisas uma só, tirando-lhes a identidade única e imprimindo-lhe um caráter universal ou transcendente, por um lado, mas disforme e irreconhecível por outro).


Analogia Astrológica –       Netuno (Regente de Peixes), regente da mente inconsciente. O diluidor das crenças cristalizadas do ego para que ele se abra para a perspectiva do espírito. Traz para a consciência a dimensão do não físico e das profundezas da alma humana, onde a ligação com o mundo imaginativo, espiritual e sagrado aguarda a remissão da nossa essência longe da visão obtusa de instituições, convenções ou valores sociais arcaicos.

Analogia Numerológica – A consciência unificada (1) encontra a dualidade da vida (2) e a percebe sob outro enfoque. Surge então para o olhar racional (1), a perspectiva espiritual ou afetiva (2). Para o masculino invasivo e intransigente (1), abre-se a perspectiva do feminino receptivo e adaptativo (2), e assim por diante! A fusão entre eles resulta na síntese criativa de uma nova realidade (3). Por 1 e 2 serem números radicais o processo de fusão é longo e penoso!

O Arcano – Um homem se encontra pendurado pelo pé esquerdo num tronco sustentado por dois outros em que aparecem brotos podados. Suas mãos estão para trás, o que impede o espectador de ver se estão amarradas ou simplesmente cruzadas nas costas! Sua perna livre passa por trás da esquerda desenhando o número quatro. Sua expressão não transparece nenhum tipo de emoção reconhecível, e chama a atenção o fato de seus bolsos estarem abertos como se tudo o que ali esteve agora jaz extraviado.

Significado – Depois de toda a exaltação da vontade, da força pessoal e do próprio ego no arcano anterior A Força, o arcano de O Enforcado é uma parada súbita, que pode ser forçada ou voluntária, em toda esta exaltação! E é este justamente o significado dos brotos cortados. Essa pausa é forçada quando o ego depara-se com o imponderável e é obrigado a reconhecer que nem tudo está aí para ceder a sua vontade e satisfação! As coisas não “andam” mais como se quer. O ritmo das coisas muda motivando uma parada para adequação e causando espera e desconforto interno. Esse momento é profundamente chocante e até, em alguns casos, traumatizante para a consciência. Há o confronto com a realidade “Eu não posso tudo!”, ou pelo menos “Isso eu não posso!”. Toda uma perspectiva de vida, realizações, relacionamentos e aspirações é mudada abruptamente, tornado este o arcano das desilusões e frustrações da alma. A crise interna proposta pelo décimo segundo arcano do tarot é justamente isso, uma possibilidade de se ver por outro ângulo uma situação ou problema. Os bolsos vazios simbolizam a necessidade de desapegar-se de antigos valores e crenças para a realização deste processo. Enquanto houver resistência ao aprendizado que se apresenta, o sofrimento persistirá! O Enforcado lembra a passagem de O Pequeno Príncipe de Saint Exupéry, em que o pequeno chora por reconhecer que viveu iludido, achando que amou a mais linda das flores, mas que na verdade ela não passava de só uma simples rosa como tantas outras! Então surge a raposa que o faz olhar para o que havia de especial em sua rosa que o fez amá-la. Ao encontrar isso o sofrimento cessa e uma profunda gratidão e alegria tomam conta do menino. Sua rosa enfim torna-se única! Sendo assim desiludir-se é até certo ponto bom, pois significa deixar de ser iludido por si mesmo ou pelos outros. A perna esquerda alude ao lado mais receptivo da psique, intuitivo, afetivo e espiritual. É dali que vem a agonia, e é justo dali que pode ocorrer sua libertação. A perna em cruz remete a crucificação do espírito na matéria. A cruz também é outra representação do quadrado, indicando uma consciência esmagada pelos fatos reais ou incontestáveis. Ao contrário do arcano de O Imperador, que também cruza as pernas, mas tem seu mundo ordenado conforme sua própria vontade, O Enforcado vive uma desordem, ou até mesmo uma inversão entre o que de fato vive e o que tem vontade. Desta situação poderá sair uma percepção incomum ou um complexo de vitimização que só piorará tudo!
Essa reversão profunda na perspectiva interior pode também ser voluntária. Fruto de uma súbita percepção de que a consciência andou ocupada demais com coisas insignificantes ou irrelevantes para a alma. Ou ainda uma rendição a algo maior do que tudo que foi vivido tanto prática quanto empiricamente. Nesse caso vemos o nascimento do místico ou do humanitário. Aquele que sai do transe de só olhar para si mesmo e olha as alturas (de cabeça para baixo é mais fácil de se fazer isso) e vê o mundo com outros olhos. É bem comum que isso se dê depois de se contatar com a própria limitação, como numa doença, ou depois de um grande trauma afetivo.

O Enforcado no Osho Zen tarot.
Divinação – Decepções amorosas ou com familiares e amigos. Frustrações, atrasos, estar ou sentir-se estagnado, parado. Perplexidade. Estar de mãos atadas. Sofrimento intenso, que sempre começa com as emoções e pode desembocar em reações físicas (somatização). Doenças agudas. Estar se sentindo uma vítima da situação, indefeso ou com pena de si mesmo. Em casos extremos isso pode funcionar como uma manipulação para que os outros resolvam o que o próprio indivíduo não consegue, ou para angariar qualquer tipo de ajuda. Estar em estado de choque sobre alguma coisa que viu, ouviu, sentiu, ou percebeu. Problemas de comunicação, não se sentir compreendido, ou dificuldade de ver pela perspectiva do outro. É a síndrome do “estranho no ninho”, onde o indivíduo se encontra dentro de uma situação na qual não se reconhece, não gosta ou não sabe lidar! Positivamente é o nascimento de uma nova percepção que tanto enleva quanto atordoa. A capacidade de se dedicar a alguém, algo ou alguma coisa com total entrega. Apaixonar-se ou devotar-se sem reservas, mas estar consciente dos sacrifícios inerentes a esta entrega. Renúncia e sacrifício voluntários. O místico, o pregador devotado, o filantropo, militante político ou ambientalista, o defensor dos direitos humanos, dos animais... Aquele que dá horas, dias ou até mesmo a vida toda para uma causa. O desaparecimento de uma noção de ego individual para o surgimento de uma consciência abarcante, humana, planetária ou até mesmo cósmica! Nas palavras de Madre Tereza de Calcutá: “Eu sou apenas um lápis nas mãos de Deus. É ele que escreve”.

Personagem do Cinema – Nicholas Van Orton interpretado por Michael Douglas no filme Vidas em Jogo de 1997. O personagem é um banqueiro milionário, mas muito solitário que no dia do seu 48º aniversário recebe do irmão Conrad (Sean Penn) um cartão que lhe dá acesso a um divertimento inusitado, proporcionado por uma empresa chamada “Serviços de Recreação do Consumidor”. Daí por diante sua vida vira de cabeça pra baixo, todos parecem estar seguindo-o e conspirando para matá-lo. Não consegue o apoio de ninguém, nem mesmo da polícia que parece não compreender o caso! O dia que começa com a triste lembrança de que seu pai cometera suicídio com a mesma idade que Nicholas completa, acaba em situações em que ele tem de lutar para se manter vivo! Ao final as sucessivas e inexplicáveis reviravoltas na sua rotina além de torná-lo totalmente impotente, pois não sabe como agir o tempo todo, trazem uma nova visão sobre o modo como ele estava vivendo sua vida!

4 comentários:

  1. Oi Jaimão,

    Adoro esta carta do osho zen e o filme.

    Os significados estão muito bem, porque é normalmente isso que acontece.

    Grande abraço!

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    1. Oi meu querido! Obrigado por deixar seu comentário!... E, por favor, me visite sempre!

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  2. Estava eu usando um metodo chamado arcano pessoal e me deparo com este post que fez todo sentido pra que eu compreendesse minha personalidade, coisas que trago nesta vida.Gratidão!

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    1. Gratidão minha também, por compartilhar isso! Um grande abraço!

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