quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Reiki - Resgatando a Conexão Espiritual

Desde que teve o grande boom entre os anos 80 e 90 o reiki virou a prática terapêutica complementar mais aplicada do mundo! Em 2007 a ONU, através da OMS, reconheceu o reiki como uma prática complementar de saúde que se mostrou eficiente no tratamento da dor, do estresse e da ansiedade. É o único sistema de imposição das mãos que conquistou este reconhecimento, o que tornou possível que fosse disponibilizado e aplicado nos sistemas públicos de saúde no mundo todo! Mais uma vez sua perspectiva terapêutica foi exaltada e, paradoxalmente, sua essência espiritual colocada mais de lado. Milhões de pessoas no mundo todo tiveram acesso à técnica desenvolvida pelo Dr. Mikao Usui (1865/1926) de imposição das mãos. Seu legado de cuidado e desenvolvimento humano. Em sua origem o reiki veio mesmo do desejo do Dr. Usui de curar as enfermidades dos doentes e dos desvalidos socialmente. Para todos que conhecem a história do reiki sabem que logo ele percebeu que as pessoas não valorizam aquilo que vem como caridade e destituído de propósito ou reflexão. Assim nasceu, inspirado pelos versos e reflexões do Imperador Meiji (1852/1912), os cinco princípios reiki. Já falei deles aqui e vou deixar o link no final deste artigo. Com a aplicação do sistema do Dr. Usui o reiki mostrou possuir outras perspectivas de crescimento e desenvolvimento pessoal e espiritual, que passaram batido por aqueles que estavam mais interessados em ensinar a técnica do que em desenvolver um despertar interior.

De todas as técnicas modernas de imposição das mãos o reiki é a mais simples, difundida e totalmente livre de dogmas religiosos. Também está livre do controle e da exploração comercial da marca de copyright, que garante direitos exclusivos de uso da marca, suas metodologias e cobranças. Sem falar que os praticantes do copyright “espiritual” nunca são de fato iniciados por direito. Muitos dos atuais métodos requerem revalidação a cada ciclo de quatro a cinco anos. O que é no mínimo confuso, como pode ser tirado de alguém algo que lhe foi ensinado, sintonizado ou aberto, seja intelectual ou energeticamente? Nem preciso dizer que as técnicas copyright são norte-americanas... Não ter proteção de exclusividade comercial, por outro lado, deixou o reiki à mercê de todo tipo de maluquice, exploração e enganação. Não pretendo entrar neste tema neste momento, seriam muitos itens a serem analisados, mas o maior de todos os engodos é o da formação a distância. Isso simplesmente não existe! Não foi apresentado nada parecido com isto pelo Dr Usui, e tem constituído como a maior e mais propagada mentira sobre o reiki. Uma mentira dessa natureza só se espalha desta forma porque quem a divulga e se beneficia – o “iniciador” – tanto quem a compra para seu benefício comercial – o “terapeuta” – estão unidos para propagar uma farsa para o simples e descarado lucro pessoal. O que denota a total de falta de comprometimento com a preservação da cultura reiki, quer seja como um método terapêutico, quer seja como uma prática espiritual! Não à toa ouvirmos com certa frequência relatos de pessoas que se trataram com reiki e não sentiram diferença... Com pessoas obtendo suas formações a quilômetros de distância não é exatamente de se surpreender!

O Zen

O reiki como prática espiritual tem princípios muito parecidos tanto com o Taoísmo chinês quanto com o Zen budismo japonês. O Zen surge na China no século VII levado pelo monge indiano Bodhidharma que enfatiza a prática do Zazen. Chega ao Japão somente no século XII, e cria ali raízes profundas. Lembrando que nenhuma dessas práticas eram aplicadas pelo Dr. Usui, ele e sua família eram afiliados ao Budismo Tendai. Enquanto o budismo Tendai como filosofia crê no Sutra do Lótus como o ensinamento supremo do Buda, e toda sua verdade, o Zen budismo, por outo lado, acredita que a prática direta e pessoal está acima de qualquer escritura ou ritual. O Zen acredita também que todas as coisas no universo estão interconectadas. Todos os seres, fenômenos, e elementos são uma unidade. Esta interconexão e experiência de unidade seria obtida através do Zazen, a meditação sentada, que seria o centro e a essência da própria prática búdica. No século XX o trabalho do grande Mestre Zen vietnamita Thich Nhat Hanh (1926/2022) nos mostrou que além do Zazen podemos extrair momentos de meditação – através da atenção plena – no nosso dia-a-dia. Caminhadas, lidas da rotina como varrer a casa, cozinhar, etc estariam a serviço de uma presença plena. O reiki fala exatamente dessa presença plena, um momento para deixar a mente, entrar em sintonia com o todo e fluir com a prática, sentindo e alargando com esta percepção tanto do fluxo da energia Ki universal, animadora de tudo, quanto a interconexão com a existência!

O Tao

Embora de origem chinesa, e bem mais antigo que o Zen, o Taoísmo sustenta conceitos que também se aplicam bem à prática reiki. A sua origem está associada ao filósofo Lao Tzu, autor do Tao Te Ching. Ele viveu no século VI a.C. um tempo onde viveram também outros grandes filósofos e iluminados da história como Pitágoras na Grécia e Buda na Índia. O Taoísmo tem uma vertente filosófica e outra religiosa, que surgiu bem depois. Aqui nos interessa a filosofia taoísta. O Tao é em si um conceito misterioso, seria a própria essência cósmica que rege todas as coisas, e que se expressa nos ritmos e ciclos da natureza. Nos ensinamentos taoístas são feitas muitas alusões aos movimentos naturais, como o das estações e ao fluxo do tempo. Aquele que atinge sua harmonia interior atinge o Tao. No reiki a energia ki pode ser considerada como parte deste todo, já que sua definição natural é a de força animadora de tudo que existe! O “ki” japonês tem sua origem no “chi” dos chineses. E a ideia de integração com todas as coisas, assim como no Zen, se dá através desta consciência de que estamos imersos num mesmo fluxo de vida, o mar da energia ki universal.

Outro conceito taoísta que se adequa muito bem à prática reiki é Wu-wei, que seria um fazer sem fazer. Basicamente significa que tudo o que é feito sem a ideia de esforço, sacrifício ou pesar está dentro do Tao. Seria a sintonia do empenho humano com a espontaneidade, a fluência e a leveza. Tudo o que exige demais, ou altera o que somos em essência, não vale a jornada. Segundo o Taoísmo uma vida em harmonia tem de observar três pilares: a simplicidade, a modéstia e a afetividade. Nada me parece mais conectado à prática reiki do que isso. O reiki é uma ação sem esforço ou empenho extenuante, e isso para muitas pessoas é um problema. Nossa cultura valoriza tudo o que custou horas e anos de dedicação e construção – embora tudo isso possa ser feito sem sofrimento quando em sintonia com o que somos – e isso não é exatamente o que se espera de qualquer atividade, seja ela qual for! Inúmeros praticantes do reiki como terapia já ouviram coisas como “mas faz só isso?”, “tá, mas além do reiki faz mais o quê?”. Há muitos dos próprios terapeutas que sintonizam com esta lógica e saem buscando algo que “complemente” o reiki. Estamos vivendo a Era da insegurança terapêutica, pessoas que fazem uma variada gama de formações confundindo formação com graduação espiritual, e assim seguem sem nunca entender exatamente sobre discipulado espiritual, campos de consciência e energia, e acabam misturando muitas técnicas numa mesma sessão. Por fim vão ficando todos muito iguais, com os mesmos recursos e sem nenhum diferencial, e muito menos conteúdo e reflexão sobre o que fazem. A cultura ocidental como um todo tem sérios problemas com a simplicidade. A afetividade é um dos primeiros planos de consciência a despertar na prática reiki, ficamos cada vez mais compassivos com a entrega daqueles que se põe sobre nossos cuidados e, se nos sintonizamos mesmo com este sentimento, nos tornamos mais despojados e humildes com o tempo. Para isso, porém, há de se ter dedicação, entrega e observação. Lembre-se que o reiki começa dentro.

Reiki – Além da Terapia

São inúmeros os relatos de a terapia reiki ser um recurso valioso no tratamento dos distúrbios da vida moderna como ansiedade, estresse, déficit de atenção... A prática reiki tem sido aplicada também nos processos de cicatrização, e de convalescença, como tem sido aplicada com eficiência como tratamento complementar tanto para pré quanto pós-operatórios. O reiki, entretanto, vai além disso. Com os exemplos que citei anteriormente espero que tenha deixado claro que a prática reiki funciona como uma forma de meditação, e introspecção. Assim como funciona como um purificador natural de nossa mente e campo energéticos, podendo ser autoaplicado todo os dias pela manhã ou ao anoitecer, antes de dormir. Um exercício que gosto de praticar, e que se utiliza do princípio da Haja Yoga, de usar as imagens da mente para doutrinar apropria mente, é o de ao realizar a autoaplicação imagino estar sendo sintonizado com as árvores, pássaros, nuvens, espaço, sol, estrelas... Outras vezes me imagino sendo conectado às águas, e outras vezes ainda às montanhas, florestas, pedras preciosas e às águas tranquilas do fundo do chão. Essa vivência tem me ajudado muito a melhorar meu foco, a me centrar em momentos difíceis, a experimentar aquela conexão com o todo que afasta toda a sensação de desorientação que por vezes nos toma em certos momentos. Faça a sua experiência, descubra como você pode se relacionar com o reiki de uma forma íntima, profunda e espiritual. Não há fórmulas prontas! 

Use o reiki para tratar seus animais de estimação, para mandar para pessoas queridas distantes que sente que precisam. Use o reiki na sua horta ou jardim. Aplique a energia reiki à sua agenda da semana, ou à alguma situação tensa do futuro, como uma conversa difícil com alguém. Reiki é para a vida! Uma aluna contou que o filho, que é músico e reikiano nível II, envia reiki antecipadamente para seus locais de apresentação. Com o tempo começou a se sentir mais tranquilo e confiante nos seus shows. Quando dificuldades de entrosamento com os membros da banda surgiram passou a enviar reiki para eles e logo se realinharam. Soube de uma reikiana que organizou com um grupo de amigos uma prática coletiva de envio de reiki para o planeta, estados e cidades que tomavam conhecimento de estarem passando por problemas. Em seguida começaram a enviar coletivamente para pessoas enfermas e ou familiares em dificuldades. Faziam isso em reuniões quinzenais com até 3 horas de duração que acabavam virando eventos sociais e espirituais entre eles. Todos alegavam, segundo ela, que as coisas pareciam fluir melhor em suas próprias vidas depois que deram início às reuniões. É sempre bom lembrar que parte da energia ki que enviamos em tratamentos terapêuticos, ou não, fica conosco para que possamos nos autoaplicarmos para nosso próprio equilíbrio pessoal.