quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A Imperatriz - Arcano III


Título Esotérico - A Filha dos Poderosos (A herdeira dos poderes da terra e da vida).

Analogia Astrológica Vênus (regente de Touro e Libra), planeta que rege os relacionamentos humanos, bem como a amor, a beleza, as artes e a criatividade. Seu movimento de rotação é da esquerda para direita (Sentido horário) enquanto os outros corpos celestes se movimentam da direita para a esquerda (Sentido anti-horário) o que faz parecer com que ele vai de encontro aos seus irmãos celestes! É a estrela D’alva da manhã, e a estrela Vésper do entardecer. Na Babilônia era uma divindade guerreira e brutal ao amanhecer, pois era influenciada pelo sol. Ao anoitecer tornava-se uma divindade da fertilidade, do amor e dos prazeres da vida, pois que passava a receber a influência da lua! Ela aparece alternadamente no oriente e no ocidente dos dois modos, o que a fez um símbolo de morte e renascimento.

Analogia Numerológica – O 3 é o número das divindades tríplices da antiguidade, como as três deusas do destino que na mitologia nórdica eram as nórnias, ou nornes, Urd, Verdandi e Skuld. Na Grécia eram as moiras Cloto, Láquesis e Átropos, e em Roma as três Parcas. Geralmente elas se referiam às três fases da lua, crescente, cheia e minguante que por sua vez simbolizam a própria roda do tempo que rege a vida, e os destinos da humanidade. Por ser o número que une os opostos (1) masculino e (2) feminino, o três é tido como a cifra da multiplicação, da criatividade e da inovação. Já que em síntese tudo o que é novo surge da união, ou da tensão, entre os opostos!

O Arcano – Uma mulher coroada está sentada num trono cujo espaldar lembra duas asas semiabertas! Ela segura em sua mão direita um escudo que possui o emblema de uma águia que olha para o lado esquerdo (na perspectiva do próprio pássaro). Na mão esquerda ela segura o cetro encimado pelo globo com a cruz. Ela olha na mesma direção que a ave em seu escudo. Em seu ar imponente ela mantém as pernas abertas. Usa um vestido azul que lhe cai até mais ou menos nos joelhos, e por baixo, ela usa uma toga vermelha.

Significado – A mulher coroada representa a expressão máxima dos domínios femininos que se oporá, de modo complementar, a expressão máxima dos domínios masculinos de O Imperador. Ela se refere às emoções, à liberdade criativa sem compromisso com a utilização prática, mas apenas com a beleza e o deslumbramento. A ligação com os aspectos sensoriais da vida e do corpo. A natureza, as artes, a beleza, a inspiração, a comunicação, e a própria moda como uma comunicação não verbal de status social e estado de espírito. A posição de pernas abertas remonta a uma sensualidade clara, ao mesmo tempo em que nos lembra de que na antiguidade as mulheres davam à luz numa posição em que se colocavam sentadas, e que se erguiam em cordas ou vigas para dar à luz. Por isso ela encarna a maternidade e a criatividade em todas as suas expressões! A águia é uma ave de rapina e apesar de olhar para a esquerda, o lado das emoções, indica que essa Imperatriz sabe se impor quando preciso. Defende os que ama com intensidade, mas apega-se a eles tanto quanto ao seu escudo, podendo ser possessiva e muito ciumenta. Não é incomum A Imperatriz ser taxada de controladora. Ela indica o poder feminino ou mulheres que sobem ao poder imprimindo um ritmo próprio e diferente de governar. O cetro na mão esquerda assinala que seu poder preserva a família e a união com o clã ou a comunidade em que vive. As “asas” que seu trono ostenta lembram que ela é por natureza uma experimentalista, disposta a expandir horizontes e, sobretudo, relações e oportunidades de criação e desenvolvimento! Por estar sentada sua ação é relaxada, o vestido azul assinala suas expressões afetivas, mas a toga vermelha indica as paixões intensas às quais ela é capaz de viver e provocar.

A Imperatriz no Osho Zen tarot.
Divinação – A mãe e a maternidade quer seja ela biológica ou não! A musa inspiradora, as artes e o artista. A criatividade, a sensualidade, a beleza física e os cuidados com a aparência, o corpo e a saúde. Rege também as relações humanas mais aprazíveis e envolventes. Nas artes inclui sob sua influência desde as expressões mais simples como o artesanato, que se utiliza de materiais mais comuns e naturais, passando pela moda como uma forma de arte popular, indo até às artes plásticas mais requintadas como pintura e escultura. O contato com a natureza em suas expressões de beleza. A nutrição tanto física quanto afetiva e cultural. A abundância, o progresso e o franco desenvolvimento. A alegria e o prazer de viver a vida, festas e celebrações. Ama também a sua casa e as coisas que possui. Cuidar ou ser cuidado de modo amoroso, “materno”. O cuidado e a lida com a terra e seus ciclos, da jardinagem à agricultura. Aliás, o ritmo de A Imperatriz é o mesmo da terra. Aberta ao novo, mas sempre de modo prudente e autopreservado. Afetiva com todos, mas sempre segura do que sente por cada um e cada coisa individualmente! Negativamente ela seria o oposto disto tudo! A sensualidade vulgar, tipo “periguete”, perdulária, materialista, superficial, a escrava da moda e das tendências, a arrogante social. Do tipo “sabe quem sou eu?”. As mães possessivas que castram emocionalmente os filhos para os manterem sob seus cuidados, são aspectos sombrios de A Imperatriz! Também pode assinalar, em casos extremos de perversão das suas qualidades, aqueles indivíduos sem refinamento que não dão à mínima para a própria aparência, higiene e saúde.


Personagem do Cinema – Diana Sullivam, interpretada por Jill Clayburgh no filme Gente Diferente (Shy People, original em inglês) de 1987 do diretor russo Andrei Konchalovsky. Diana é uma jornalista da revista Cosmopolitan que lida de um modo moderno (na verdade quase indiferente) com o estilo de vida rebelde, e viciado, de sua filha Grace. Ela decide fazer uma reportagem sobre um ramo isolado de sua família que há décadas vive nos pântanos da Louisiana. Lá ela conhece sua prima Ruth (interpretada por Barbara Hershey), uma mulher possessiva com sua família que ignora um dos filhos que foi viver na cidade, e cultua a figura do marido morto. O encontro das duas é um verdadeiro choque cultural que transforma tanto a vida quanto a forma de maternidade dessas mulheres. A filha de Diana, Grace, distribui cocaína para os primos num dia em que a sua mãe e Ruth se ausentam. Faz sexo com um dos seus primos que vivia preso, é quase estuprada por outro. Refugia-se no pântano onde é resgatada pela mãe. Depois disso Diana e Grace voltam mais unidas para a cidade, mas com Diana mais presente e entendendo que cuidar e amar envolve também presença e rigor. Deixam Ruth que finalmente compreende que amar também é respeitar diferenças e manter certa distância da individualidade dos filhos. Um filme primoroso onde os aspectos sombrios e luminosos de A Imperatriz são reconhecíveis num e noutro lado das personagens centrais no desenrolar da trama.

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