sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Dúvidas Sobre a Prática e a Conexão com os Arcanos

1) Devemos jogar para nós mesmos?

O tarot, mosaico de símbolos que traduzem
a experiência humana...

Considero muito importante para o desenvolvimento de nossa percepção e intimidade com o simbolismo dos arcanos, além do próprio exercício de autoconhecimento, que joguemos para nós mesmos. Porém, como toda e qualquer situação em que estejamos muito envolvidos emocionalmente, considero mais seguro e proveitoso que procuremos outro leitor para abrir os arcanos para nós. Como costumo dizer: "Como ver o que está nas minhas costas (inconsciente)?". Sem falar que exercitar a humildade de nos colocar na posição de consulentes pode ser bem prazeroso; soltar o controle, deixar que os arcanos nos traduzam dentro da perspectiva de outro leitor pode ser também interessante e enriquecedor do ponto de vista do crescimento pessoal! A prática de inverter os papéis quando precisamos de orientação pode funcionar como uma experiência de totalidade com o tarot. Possibilitando-nos vivenciá-lo sob todos os ângulos! Permite-nos aprender com o que ouvimos nas percepções e intuições de nossos colegas dentro de uma perspectiva intuitiva... Uma troca interativa de experiências para muito além do plano racional de troca de informações pragmáticas! Infelizmente muitos tarólogos ao receberem um colega tendem a achar que estão sendo ”testados” ou “espionados”, o que é realmente lamentável! Estamos vivendo uma Era onde as obsessões paranoicas do ego para saber quem sabe ou pode mais devem ser eliminadas, para que possamos de fato nos ver como irmãos.

2) Posso emprestar meu baralho?

A maioria dos tarólogos tem por costume criar um ritual de consagração das cartas. Costumo dizer que concordo com os que dizem de que o tarot não precisa de rituais para funcionar, e é verdade! Porém, nós precisamos sim! E muito! Ao consagrar as cartas ritualisticamente estamos nos despindo da mente concreta do dia a dia para entrarmos noutro nível de percepção das coisas. E pouco importa se você considera que este seja um momento de introspecção e mergulho no inconsciente, ou uma fusão espiritual com guias e mentores espirituais com quem você se coaduna. O fato é que se trata de um momento profundamente íntimo em que estará criando um vínculo psíquico importantíssimo com o seu instrumento oracular. Por isso digo que não há problema nenhum em você emprestar seu baralho para alguém com quem compartilhe do mesmo nível de intimidade. Afinal absolutamente tudo o que tocamos em nossa rotina fica impregnado de energia. Você quer seu baralho imantado com as energias de uma pessoa que não lhe faz bem, ou que pareça destoar completamente de suas crenças e forma de viver o simbolismo das cartas? 
Consagrar um baralho de tarot tem muitas
similaridades com a programação dos cristais.
Um baralho consagrado funciona exatamente como um cristal que foi programado! Ou seja, só pode ser manipulado por quem o programou. Eu já falei aqui também que se pode botar um nome mágico no seu baralho, como os magos de muitas tradições fazem com seus instrumentos mágicos. Isso torna possível dirigir intenções específicas para a leitura que se seguirá, e torna o trabalho com o tarot ainda mais parecido com a programação dos cristais para cura ou para funções oraculares! Então, apesar de acreditar que não há problema em emprestar seu baralho para uma pessoa amiga, creio que cada um deve ter seu próprio baralho, como cada um deve utilizar seus próprios cristais, pois foram programados para serem utilizados por você e ninguém mais. Não que as cartas deixarão de responder, mas com certeza fluirão melhor nas mãos de quem elas foram atreladas magicamente.

3) Como faço para consagrar as cartas?

Existem muitos métodos, aqui vai o que me utilizo, mas deixo claro que não se trata de um método definitivo. Quem acompanha meus textos sabe que acredito que “certo é o que dá certo”, e isso é o que dá certo pra mim. Escolha uma fase da lua de exaltação do psiquismo (crescente ou cheia) e veja, se possível, que aspectos ela faz no céu. Eu costumo começar num dia de lua crescente e concluo num dia de lua cheia. Decida se serão 7 ou 9 dias os que deixará o baralho para a consagração, que além de serem números ligados ao ciclo lunar, são também os símbolos na numerologia do desenvolvimento psíquico e da percepção espiritual da vida. Feito isso escolha um pano preto (cor que neutraliza influências externas) de fibras naturais, como linho ou algodão. Fibras sintéticas criam muita eletricidade estática. Coloque as cartas na seguinte ordem: do Mago ao Mundo e O Louco no final, quando ele se torna o sábio ao fim da jornada. As cartas dos arcanos menores devem ser colocados com a corte primeiro, na ordem: ReiRainhaCavaleiro e Valete, e em seguida as cartas numerados de 1 a 10. A ordem dos naipes deverá ser a da manifestação: Primeiro Paus, do fogo criativo, depois Copas da intuição profunda sobre a criação, Espadas do discernimento e da verdade sobre a criação e, por fim, Ouros da concretização e estabilização do que foi criado! 
A Sacerdotisa II, do Tarot of Buffy.
Feito isso coloque sobre o pano e dando uma volta sobre o baralho mentalize numa frase clara a quem ou o quê você consagra o seu baralho. Por exemplo: “Consagro este baralho à minha Intuição Superior”, ou “Consagro este baralho às deusas lunares (pode dizer os nomes das de sua preferência se quiser) para que me guiem nas leituras”, e assim por diante. O número de voltas que dará no baralho com seu pano deverá ser o mesmo de dias em que o deixará envolvido, ou seja, 7 ou 9. Guarde o pano com o baralho de tarot num local onde você possa visualizá-lo durante este período. Pode ser no seu altar, caso tenha um, numa prateleira bem visível, ou numa gaveta que abra com frequência. Isso ajuda a reforçar o elo psíquico. Depois dos dias passados, retire o baralho abrindo cuidadosamente as dobras e a cada volta que desfizer agradeça às forças que evocou e saiba elas estão ali. Há pessoas que dormem com o baralho debaixo do travesseiro por esse período. Eu desaconselho, isso pode amassar as cartas ou as deixar caírem no chão... Mas se sente que assim será melhor, faça!

4) O que fazer quando não quero mais as cartas 
ou quero dá-las a alguém?

Se não deseja mais o seu baralho, o que acho particularmente estranho já que tenho baralhos de mais de 20 anos dos quais não consigo me desfazer, você pode dá-los a alguém ou queimá-los! Caso tenha feito alguma consagração há um elo feito entre vocês, neste caso coloque as cartas na ordem que citei anteriormente, pois devolver os símbolos à sua ordem original equivale a "zerar" o campo vibracional do baralho. Agradeça o tempo, a conexão e os trabalhos realizados e em seguida presenteie a outra pessoa ou coloque fogo! O fogo é um poderoso sutilizador e transformador de energias, e essa opção é especialmente válida quando se trata do baralho de alguém que já deixou esta vida sem repassar seus tarots a ninguém. 

Leia também: Espiritualidade & Tarot 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A Cruz Celta do Encantamento

Uma perspectiva mitológica do
sistema de leitura da Cruz Celta...

Apaixonado como sempre fui pela linguagem dos símbolos, acho que foi mesmo a mitologia a que encontrei primeiro pela boca do meu pai, e que abriu para mim o mundo mágico das linguagens simbólicas, que se resumiriam mais tarde no estudo dos arcanos do tarot. O Minotauro, a Caixa de Pandora e o Voo de Ícaro são as primeiras histórias mitológicas de que me lembro. Muitos anos depois o tarot entrou na minha vida, e foi paixão à primeira vista! Sua imensa flexibilidade arquetípica aliada à força de suas imagens abriu uma senda infinita de maravilhamento na qual trilho até hoje. Meus estudos não terminam, e quando penso que já tirei tudo de meus estudos e da observação das leituras para meus clientes e para mim mesmo, surge um novo ângulo inexplorado, uma nova perspectiva que enriquece minha compreensão da linguagem simbólica dos arcanos na sua interação com os sistemas de leitura que mais aprecio e pratico. E foi exatamente isso que aconteceu, mais uma vez, ao observar as posições da Cruz Celta dentro da adaptação feita por mim do significado de suas posições originais. Percebi nas dez posições desse método os dez personagens centrais de toda a trama mitológica, quer seja ela milenar como a grega, quer seja medieval como a do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Ao relacionar esses personagens aos palcos de atuação da psique, representados pelos dez posicionamentos desse método, foi possível criar um cenário de mitologia pessoal ao abrir as cartas. Via de regra estamos todos escrevendo nossas lendas pessoais neste mundo. Apenas alguns terão essas lendas influenciando a vida de milhares, ou milhões, de pessoas, e marcando a história de uma comunidade ou de toda a humanidade. Entretanto, isso não diminui o relato e nem a importância de nenhuma lenda pessoal. Andar por essa vida significa influenciar os outros com nossas trajetórias e ser influenciado por outras igualmente. Porém, compreender nossa trajetória e as lições que cada vivência traz em si é que pode agregar qualidade à nossa existência, e impulsionar a evolução e a transformação de nossa personalidade ao máximo de sua expressão. Essa é uma das funções dos sistemas oraculares, e ainda mais do tarot! Os personagens míticos são as representações de partes da consciência que todos acessamos em diversos momentos de nossa jornada. Mesmo os mais dramáticos como a escolha de Páris, que teve de escolher qual dentre as deusas Hera, Athena e Afrodite era a mais bela do Olimpo, e que ao escolher Afrodite, teve as outras duas deusas derrotadas a tramar contra ele no que culminaria na longa e sangrenta Guerra de Tróia. E quem nesta vida não faz escolhas que se não forem feitas com cuidado desembocam em consequências inalienáveis?
Da mesma forma os sistemas de leitura também apresentam os palcos onde todos nós desenvolvemos interesses em comum com todos os nossos irmãos de caminhada neste planeta. E, exatamente como ocorre nos mitos, os arcanos ali colocados mostrarão o modo particular como cada um de nós vive aquele setor da vida!
Dragões, símbolo dos grandes
desafios na senda evolutiva.
Os dez personagens míticos a que me referi na presente analogia são: o rei, a rainha, o mago conselheiro, o dragão, o reino, os súditos, o jovem guerreiro, a donzela, o mensageiro, e por fim, o encantamento ou maldição que permeia toda a história mítica. O rei como o centro do reino representa o centro da trama, e dos temas que empoderamos com nossa atenção. A rainha por sua vez é seu complemento amoroso, ou sua sina opressora como no casamento de Zeus e sua raivosa consorte, Hera. O mago é a personificação da sabedoria espiritual, ou inconsciente se preferir, que se manifesta em momentos críticos como uma ideia vaga, uma percepção sutil, mas persistente, ou uma forte intuição. Os magos são habitantes de um mundo superior, como Merlin ou Gandalf da obra de J.R.R. Tolkien, ou eram representados como humanos com habilidades superiores, como o sábio profeta cego Tirésias. O dragão, por sua vez, é uma figura mais persistente nos mitos medievais, e representa os desafios que parecem intransponíveis num dando momento de nossas vidas. Para os gregos os “dragões” tiveram muitas e assustadoras formas e poderes. Jasão enfrentou um dragão que não dormia para poder recuperar o Velocino de ouro. A Hidra de Lerna, uma fera cujo sangue era um veneno tão letal que nem os deuses escapariam. A Quimera, um animal com duas cabeças, uma de leão e outra de cabra, sendo que a cabeça caprina tinha um hálito venenoso... Possuía também patas de águia e uma cauda que na verdade era uma serpente peçonhenta. Serpentes também compunham os cabelos da Medusa, que transformava em pedra todos que a encarassem nos olhos. Uma clara alusão ao desafio de termos de encarar nossos temores. E assim por diante. De qualquer modo os dragões são a personificação mais recente dos obstáculos que nos atormentam, ao mesmo tempo em que engrandecem, ao serem vencidos, a nossa existência! O reino é a síntese de tudo o que se construiu no mundo concreto, a relação com o dinheiro e a vida material como um todo. Os súditos nos relatos míticos não são apenas uma massa de manobra, mas o suporte para as decisões do rei e suas ações. O jovem guerreiro aparece sob muitas formas, forte e consciencioso como Hércules, sensível e espiritual como Orfeu, beligerante como os gêmeos Pólux e Castor, ou nobre e honrado como Lancelot, que foi tão fiel ao seu amor por Guinevere quanto por sua amizade por Arthur. A donzela que na Idade Média teria de ser salva do dragão, ou de um monstro marinho como o foi Andrômeda pelo herói grego Perseu, que mais tarde a desposou. As donzelas são a vivência transformadora do Amor. É interessante observar que a figura do mensageiro perdeu significativa importância nos mitos medievais, o que não ocorre nos mitos gregos onde um deus (Hermes grego, ou Mercúrio romano), era designado para esta função. Seus alertas não podiam ser ignorados, pois que eram um aviso do próprio deus dos deuses, Zeus (ou de seu equivalente para os romanos, Júpiter). Por fim o encantamento é a chave para a compreensão de tudo o que ocorre na trama mitológica, revela o porquê das coisas acontecerem e o provável desfecho se nada for feito...

Bem, vamos à relação:

Posição 1 – O Rei: O soberano dentro de nós; representa o conjunto de vivências que tomam nossa atenção no momento. O tema que foi coroado por nós com nossa atenção e que reflete o panorama do nosso mundo interior, e que revela que espécie de rei afinal somos nós!

Posição 2 – A Rainha: Cruzada sobre a carta do rei, essa rainha pode estar sendo carregada por ele como num enlace romântico, ou como um fardo. Assim ela pode estar contribuindo para a expressão do seu rei, ou oprimindo-a.

Posição 3 – A Casa do Mago Conselheiro: O Conselho do Mago é a voz interior que fala-nos o tempo todo, a impressão mais funda de nossa consciência, ou a vontade mais urgente do nosso coração, e que nos soa como a verdade! Dependendo do resto do jogo se revelará se esta voz sábia está sendo de algum modo ouvida ou ignorada.

Posição 4 – A Toca do Dragão: Aqui mora o nosso desafio do momento, ele pode se apresentar como um problema real ou como a constatação de algo que tem de ser resolvido ou encarado de algum modo. Pode também representar o monstro interior, forjado por condicionamentos culturais e familiares, e que tem de ser superado!

Posição 5 – O Reino: Essa posição mostra a relação do indivíduo com o seu mundo material, seu trabalho, carreira, finanças, posses e tudo o que pode ser chamado de “seu reino”, suas conquistas, e como elas aparecem para o mundo! 

A Cruz Celta como um palco síntese 
dos mitos gregos e medievais.

Posição 6 – Os Súditos: Como nos reinos da antiguidade os súditos eram influenciados, mas também influenciavam, seus reis sobre as decisões do reino. Os súditos na vida moderna são representados pela família e os amigos, sobre os quais nos sentimos responsáveis, e para os quais nos voltamos para obter apoio sobre decisões importantes que poderão moldar nosso futuro.

Posição 7 – O Jovem Guerreiro: O jovem guerreiro vive dentro de nós e se apresenta toda vez que levantamos de manhã para enfrentar as demandas do dia a dia. Aqui é justamente esta sua função, mostrar como se está enfrentando a situação no momento.

Posição 8 – A Casa da Donzela (ou A Casa do Amor): A donzela em apuros aparece sempre que o amor irá se manifestar na trama dos mitos. Normalmente os heróis se apaixonam por ela, e ocupando esta posição da Cruz Celta ela indica a vida amorosa do consulente, ou se a possui; ou como encara a vida afetiva e sexual.

Posição 9 – O Mensageiro: Esta posição mostra uma indicação de algo que deve ser observado, como uma reflexão, ou o aprendizado de algo, que ao ser absorvido e apreendido ajudará a realizar a orientação do Mago Conselheiro e a vencer o Dragão. O mensageiro aponta uma perspectiva que não deve ser ignorada.

Posição 10 – O Encantamento: Todo o reino nas histórias míticas está sob a influência de algum tipo de encantamento, que ao ser revelado, explica muito do que ocorre na trama do mito. Seria a síntese, ou do que se trata o conjunto de vivências apresentadas pelos outros arcanos na leitura. A carta nessa posição revelará se estamos falando de um encantamento benigno a ser reforçado e apoiado, ou de uma maldição a ser superada!

Veja a redefinição original da Cruz Celta feita por mim lendo os seguintes artigos:
Tarot Terapêutico - O que é? 
Por Trás da Cruz Celta  
A Cruz Celta Astrológica 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Tarot - Vivência & Magia


Mais uma vez apresento um trabalho vivencial com o tarot, que também é, com certeza um ritual mágico com os arcanos. Como já disse noutro artigo sobre o tema, o preconceito que muitos possuem com a magia vem dos estereótipos criados pela ignorância, quando não pelo medo, popular. Como também já disse aqui a magia tem o mesmo valor que os modernos trabalhos vivenciais. Mobilizam-se símbolos arquetípicos e intensas emoções interiores, dirigidas por um propósito ou intenção, focados numa direção determinada. Com o uso das cartas do tarot essas forças arquetípicas ficam mais bem representadas, e mais bem embasadas na psique de quem vai se utilizar do ritual. Acrescentaremos a esta vivência de hoje o uso da chama, representada pelas velas. O fogo é um antigo símbolo de cura, iluminação e elevação que tem atravessado a história com a humanidade. As velas como suas representantes têm feito parte de inúmeras cerimônias e culturas ao longo dos tempos em todo o planeta. Um casamento mágico e simbólico perfeito! Para a execução deste trabalho cerimonial nos utilizaremos apenas dos arcanos maiores. Outro aspecto importante de se observar é a fase da lua em que se está, e se a presente fase corresponde ao que pretendemos manifestar. Eu costumo trabalhar apenas com as três fases lunares que aparecem na coroa tríplice da deusa Ísis. Que são:

Crescente – Uma fase de crescimento, expansão e conquista, ajuda a nutrir, sustentar e fortalecer os sonhos e os projetos pessoais. Está miticamente relacionada com a Deusa caçadora Ártemis (grega), ou Diana (romana). Também é uma lua que abre a psique para as influências sutis da natureza e do Cosmo. Utilizamo-nos dela para adquirir e manifestar objetivos. Auxilia nos rituais para fazer crescer, evoluir, prosperar, e desenvolver.

Cheia – Esta é a fase da plenitude lunar, por isso excelente para rituais de proteção e fertilidade. Amplia intensamente ainda os poderes extrassensoriais como intuição, clarividência, clariaudiência, cura psíquica etc. Durante esta fase todos os rituais de magia branca são favoráveis, como a consagração de objetos e nomes mágicos. Favorável também às iniciações, e de se fazer pedidos a Deidades específicas. Está relacionada com a deusa Selene.


Lua cheia, plenitude do poder lunar!

Minguante – Esta é a fase lunar da limpeza das energias densas e dos términos. Uma fase favorável para rituais de cura, purificação. Também de banimento e desobsessão de forças obscuras. Ajuda a romper vínculos indesejados, quer sejam afetivos, energéticos ou físicos. Está relacionada com a deusa lunar do submundo Hècate.

Escolha qual dessas fases lunares correspondem melhor ao que deseja manifestar em seu ritual. Em seguida selecione entre os 22 arcanos maiores aqueles que representam os três níveis de identificação e resolução da questão. Como no esquema que se segue:


Na posição 1 está o arcano que mostra a questão como se apresenta, ou como você a percebe. Na posição 2 está o modo como gostaria que a questão se resolvesse. E na posição 3 o resultado que deseja obter a partir desse ritual. Lembre-se de não cair na tentação de querer manipular a vontade e o desejo de outra pessoa. Você tem o direto de fazer a sua vontade, e não de obrigar outros a terem a mesma vontade, sim? Este é o princípio de toda a magia branca, que também é conhecida como Teurgia. Num relacionamento amoroso não se preocupe em desejar que o outro o ame, apenas peça que a energia do amor flua entre vocês dois. O Universo cuidará dos detalhes! Toda vez que suas intenções estiverem pendendo para o “eu” e o “meu” em relação ao outro, é um sinal para que você pare e reveja a prática, pois estará se distanciando da Luz. Recomendo que se tenha um baralho específico para leituras e outro para rituais. Isso ajuda a fortalecer a egrégora do baralho para uma e outra função respectivamente. Feito isso, passemos para a preparação da vela. Escolha uma vela que tenha a cor de um dos quatro quadrantes:

Norte – Elemento terra. Cor: Verde, arcanjo Uriel – Para a manifestação da riqueza, aquisição de bens, prosperidade, abundância, progresso em todas as suas expressões.

Sul – Elemento fogo. Cor: Vermelho, arcano Miguel – Para rituais de proteção e de amor. Para eliminar, transformar ou transmutar todas as energia densas e obscuras. Traz a Luz.


Os quatro elementos, forças ambiantes e interativas,
tanto no mundo interior quanto exterior.

Leste – Elemento ar. Cor: Amarelo, arcanjo Rafael – Para rituais de cura, e esclarecimento. Para a manifestação da verdade e do entendimento. Traz clareza e amplia a percepção consciente.

Oeste – Elemento água. Cor: Azul, arcanjo Gabriel – Para ampliar os dons psíquicos, e a sensibilidade espiritual aos planos superiores. Purifica sentimentos e percepções sutis.

Feito isso escolha um óleo aromático de sua preferência. Importante que seja natural, muitas vezes óleos sintéticos causam reações alérgicas. Se você conhece pouco sobre as propriedades mágicas e terapêuticas dos óleos essenciais recomendo que procure adquirir a essência de lavanda, que costuma funcionar como um coringa na aplicação da aromaterapia, use-a, serve pra todos os casos. Óleo puro de oliva também serve. Ele servirá para untar a vela magnetizando-a com o seu desejo. Sempre tomando o cuidado de mover os dedos untados do pavio em direção à base se deseja manifestar ou adquirir algo, e da base para o pavio se desejar curar, banir, afastar ou romper com algo. Enquanto faz isso reafirme sua intenção. A vela deverá ser colocada acima do triângulo formado pelas três cartas como no esquema acima. E ao acender a chama consagre-a às forças purificadoras e transformadoras do fogo e, se assim desejar, ao arcanjo do quadrante correspondente às suas intenções. E, claro, procurar estar direcionado a este quadrante é igualmente importante.
Ao acender a vela faça uma oração de sua preferência e peça para que tudo o que foi ali desejado seja por fim manifestado para o bem de todos os envolvidos. Depois disso faça uma entrega devocional. Não pense mais no que foi pedido. Deixe que as forças, suas e da existência, se manifestem. Por incrível que pareça essa costuma ser a parte mais difícil. Deixe-a queimar até o fim. Quando terminar recolha as cartas, agradeça mentalmente às forças invocadas, e encerre o ato mágico.

A cora de Ísis, símbolo do poder lunar. 

Quem conhece a magia cerimonial deve ter notado que não incluí na lista de relações de cada quadrante os nomes sagrados de Deus em hebraico, e nem os nomes dos reis e rainhas elementais. Primeiro porque estou a apresentar este ritual como uma vivência simbólica, e essas relações aqui mostradas possuem força arquetípica suficiente para este propósito! Em segundo lugar não pretendo fazer desse um texto introdutório na magia cerimonial, mas apenas mostrar outra forma de aplicação dos arcanos como um meio de interiorização e manifestação de objetivos. Tenho me utilizado deste e de outros rituais com o tarot de forma vivencial para o crescimento e o desenvolvimento de potenciais interiores como também abordei no texto Tarot & Magia, e com ótimos resultados.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

HQ Ancestral...



"O Tarot é uma história em quadrinhos da alma."


- Jaime E. Cannes.

O Tarot - O Porta Voz da Alma Humana




"O tarot é um alfabeto pictórico para descrever a realidade como a percebemos, e revelar soluções estratégicas dentro de nossos recursos e potencias íntimos."


- Jaime E. Cannes.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O Tarot - E o Dialeto Psíquico da Alma




"O tarot atua sobre a alma - o âmago de uma vida vivida dentro de cada um - de acordo com o grau de sua força de imaginação; quanto mais cheio de imaginação o tarot, tanto maior sua tendência para falar com exatidão o dialeto psíquico da alma."


- Antero Alli, no prefácio do livro "O Tarot da Criança Interior", de Isha e Mark Lerner.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Espiritualidade & Tarot...

Por que isso me interessa?

A Sacerdotisa II, do Cosmic tarot.
Símbolo arquetípico da vivência
espiritual profunda.
Quando comecei minha jornada com o tarot me pareceu muito natural que o descobrir-se com o auxílio das mensagens dos arcanos era intimamente ligado à ideia de evolução espiritual! As imagens do tarot em sua sequência simbólica, tanto nos arcanos maiores quanto menores, remontam pictoricamente aos processos iniciáticos descritos nas grandes escolas de mistério, e nos ensinamentos de grandes Mestres, tanto da Magia quanto da Espiritualidade! Com o desenvolvimento do meu aprendizado, e da própria tarologia no Brasil e no mundo, observei que a tendência era, cada vez mais, a de se associar o tarot a uma linguagem psicológica. As teorias de Jung, sobretudo, ganharam força no estudo, na prática, e no ensino do tarot. Esse processo foi de importância fundamental para tirar o tarot de uma aura quase supersticiosa, por um lado. Por outro lado toda a abordagem espiritual começou a ser encarada como obscura e, de certa forma, ultrapassada. Bem, esse é um daqueles casos em que o pêndulo foi para longe demais do centro!
Houve dentro do estudo da tarologia literalmente um processo de desmistificação do tarot. Santo Agostinho dizia que o místico é aquele que busca uma experiência pessoal com Deus. Desmistificar é, portanto, tirar Deus, deuses ou as experiências místicas de contato com a divindade, e de sua interação numa atividade ou conhecimento. Assim sendo determina-se que o tarot não precisa da crença em Deus, ou deuses, para funcionar. É um instrumento de leitura do inconsciente que revela os fatos do momento presente como são sentidos e vividos por quem se consulta. Mostra também as possíveis influências do passado dentro desse momento, e as projeções do inconsciente para além do tempo reconhecível, ou seja, o tarot pode realizar prognósticos para o futuro. 
Dentro deste escopo de definições foram acrescidas às funções oraculares do tarot possibilidades de aplicações terapêuticas. As revelações dos arcanos desvelam programações profundas na psique, que ao serem trazidas à tona abrem campo para a libertação do programa, e a sua resolução. Não por acaso tantos terapeutas de abordagem convencional, como psicólogos e psiquiatras, tanto quanto do holismo se aproximaram da tarologia. Como disse esse movimento foi importante, e mais do que necessário. As muitas escolas de magia, por exemplo, acabavam colocando suas próprias crenças como verdades absolutas na prática e no estudo desse sistema simbólico. Eu mesmo ouvi coisas como: “O tarot flui melhor se for lido sobre uma mesa redonda de vidro”, “Ah, as cartas têm de ser consagradas a alguma entidade egípcia, devido as suas origens”, ou ainda “Tem de se consagrar o tarot ao povo cigano, pois fortalece sua prática de leitura”, e assim por diante. Isso tudo é verdade sim, mas para cada uma dessas pessoas que desenvolveram suas práticas espirituais dentro de doutrinas específicas, mas não é uma verdade absoluta para todos os que se interessam pelo estudo dos arcanos. Isso não significa, de modo algum, que se deva descartar essas possibilidades. A experiência pessoal é quem define o que chamamos de sabedoria. Por isso experimente, não descarte.

Uma experiência interessante

Eu mesmo fiz uma experiência muito comum no estudo do magia, a de se nominar objetos mágicos. Em seu livro O Tarot da Criança Interior os autores Isha e Mark Lerner nos lembram de que é possível fazer isso com o seu baralho de tarot! Escolha um nome dentro da mitologia, ou de inspiração própria, para seu baralho. Se quiser, e tiver quem conheça a numerologia, poderá fazer um estudo vibracional do nome escolhido. Esse nome não deve ser pronunciado na presença de qualquer um! Segundo a tradição esse segredo torna o elo psíquico entre você o objeto mágico em questão mais intenso e profundo. Fiz o experimento e o resultado foi bem perceptível. Evoco o nome silenciosamente enquanto embaralho as cartas e teço minhas intenções para aquela leitura. Desde então minha interpretação se tornou mais fluente e a sensação de que as cartas “falam comigo” é quase palpável, ou melhor, dizendo, audível!
Com isso quero dizer que sim, o tarot não depende de nada disso para funcionar, mas tanto essa quanto outras práticas, tanto mágicas quanto espirituais, reforçam e refinam o canal psíquico do leitor! Pessoas que começaram a praticar a meditação, para citar outro exemplo, observaram que sua clareza de interpretação e comunicação, e o foco nos principais pontos da leitura, aumentaram em muito! Cada pessoa obterá resultados diferentes das diferentes possibilidades, o que é muito natural. Somos individualidades, pequenos universos com funcionamentos distintos. Como astrólogo lembro que as influências de cada mapa natal respondem a isso muito bem! Exemplificando mais uma vez, uma pessoa com Netuno bem dignificado no mapa, e muitos planetas em signos do elemento ar, poderá sentir uma grande abertura psíquica no simples ato de acender um bom incenso ou aspergir uma essência aromaterápica no ambiente de uma leitura.

Ampliando horizontes

Quando falo em espiritualidade não me refiro apenas a práticas mágicas ou meditativas, mas à própria percepção filosófica do leitor. A diferença entre um materialista e um espiritualista é de que o primeiro acha que toda a melhora que faz em si mesmo serve ao próximo, e ao meio a que ele pertence. Um espiritualista também crê nisso, mas percebe que, além disso, evolui para si mesmo em suas sucessivas encarnações. Dentro de uma visão puramente materialista e mental da vida (onde se acham grande parte das teorias psicológicas), todas as vivências são moldadas na relação do indivíduo com o meio ambiente, familiar e social, e do que ele apreende dessas vivências, consciente e, sobretudo inconscientemente. A visão psicológica nos põe diante do fato do que somos fruto do meio e de que repetiremos a grande maioria dos programas implantados por nossas vivências e os condicionamentos decorrentes desses programas. 
A ideia de inconsciente até o presente
momento ignora o conceito de alma,
e a experiência reencarnatória.
O próprio doutor Freud dizia que “para todo o evento consciente há sempre um inconsciente que o determina”, e que a psicanálise não tem por objetivo trazer a felicidade, mas sim aliviar as cargas (no máximo) da nossa psique. Assim todo o desequilíbrio ou enfermidade da alma passa por três estágios de resolução: 1º) Você reconhece que tem um problema, a partir disso vai buscar ajuda. 2º) Há o reconhecimento de como se manifesta esse problema, que pode se apresentar na forma de complexos, suas origens, e do que o detona. Nesse momento você reconhece o funcionamento do condicionamento, mas não consegue interrompê-lo. 3º) Nesse último estágio você é capaz de reconhecer os mecanismos inconscientes e conter sua manifestação. Exatamente como diz o lema dos alcoólicos anônimos: “Só pó hoje não”. Ou seja, o problema é diminuído ou contido significativamente, mas não de todo superado! Até aqui descrevi como operam os processos terapêuticos convencionais de modo geral e sintético. Os procedimentos das terapias complementares, bem como as leituras de tarot, percorrem esse mesmo caminho. Uma leitura dos arcanos pode mostrar um ou dois problemas pontuais, revelar suas origens e apontar os caminhos para sua resolução através de orientações táticas. Entretanto, sem a compreensão intrínseca do que gerou esses problemas, muito provavelmente, eles se repetirão! Tudo isso, até aqui, pode ocorrer sem uma perspectiva espiritual da existência.
Práticas mágicas nem
sempre definem uma
vivência espiritual

verdadeira.
Ao incorporarmos uma perspectiva espiritual das leituras de tarot, e dos processos de terapia holística, entendemos que a vida não é estanque. Que existem os chamados momentos evolutivos, onde cada um de nós passa por um processo próprio de maturação espiritual. São esses momentos que fazem com que duas pessoas passando pelas mesmas condições de educação, ou enfermidade, ou desenvolvimento social tenham reações completamente diferentes uma da outra diante de tal situação. Os momentos evolutivos são definidos pelo Karma ao longo de sucessivas encarnações. A perspectiva espiritual traz ao trabalho oracular e terapêutico do tarot, e das terapias da Nova Era, a possibilidade de um quarto estágio de cura, a transcendência. Transcender é ir além do que é reconhecido ou tido como possível. Os ensinamentos de Sidarta Gautama, o Buda, definiram o ápice desse momento como Nirvana. Os indianos chamaram de Samadhi, e os japoneses de Satori. Iluminação, compreensão e elevação são alguns dos significados pertinentes a esses termos.
A meu ver uma abordagem focada unicamente nos aspectos terapêuticos do tarot serve apenas como um acelerador no reconhecimento dos processos psicológicos que motivam a psique, e moldam a personalidade. Por sua vez uma abordagem puramente oracular fica vazia, é se utilizar dos símbolos arquetípicos dos arcanos para “espionar as cenas dos próximos capítulos” do drama pessoal de quem se consulta. Somente abraçando uma perspectiva espiritual da vida é que as mensagens do tarot ganham significado e conotação mais amplosÉ possível perceber através dessa ótica que estamos o tempo todo interagindo com nossa porção interior da divindade em nós mesmos e nos outros, e de que planos maiores de consciência e inteligência estão atuando em nossas vidas e nos dirigindo para a nossa evolução pessoal e coletiva, e a cada um dentro do seu próprio momento evolutivo. Estamos entrelaçados em nossos relacionamentos que não são, de modo algum, casuais, mas sim carregados de significados e propósitos que são invisíveis a uma consciência focada na casualidade. Essa percepção pode despontar numa única leitura, ou em sucessivas leituras regulares. E isso não é teoria não, é observação!
Para concluir acho importante destacar que Espiritualidade não tem relação direta com Religiosidade. A primeira bebe na essência que nutre as muitas vertentes do saber espiritual, inclusive na dos fundadores das inúmeras religiões. A segunda baseia-se na doutrina de seus fundadores e nos dogmas decorrentes das interpretações feitas por profetas e sábios que vieram depois. Ou seja, a Religião limita-se em si. A Espiritualidade abraça o todo!