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quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Entrevista Com Jussara Bohrer

O Tarot Como um Caminho...

Com mais de cinquenta anos de jornada Jussara Bohrer é com certeza a taróloga mais antiga ainda em atividade no Rio Grande do Sul. Além de especialista em tarot ela é terapeuta floral, uma das percussoras dessa prática terapêutica no estado, e também facilitadora de dinâmicas grupais. Depois de muito ouvir falar no seu trabalho a convidei em 2023 para o GITA – Grupo Interdisciplinar de Tarot – projeto que iniciei em 2023 na fundação F.E.E.U de Porto Alegre, onde conheci sua perspectiva prática e muito estratégica de abordar a simbologia do tarot. Aplicando-o realmente como um guia ou bússola para os dilemas da vida comum. Tive desde sempre vontade de registrar suas ideias sobre tarologia, e eis que lhe mandei algumas perguntas que ela respondeu de forma clara e direta como ela mesma o é no seu trabalho.

O Hierofante, do Golden Tarot,
de Kat Black

1) Como, e com quem, começou a sua trajetória com o tarot?

J – Eu ganhei um tarot quando tinha 17 anos, da minha madrinha, ela jogava baralho cigano, eu não conhecia, mas já tinha pesquisado nas monografias do Rosacruz.

2) O que motiva a continuar seu trabalho com os Arcanos mesmo depois de tantos anos?

J – O tarot já faz parte de mim, apesar do tempo sempre surge situações novas e interessantes.

3) Como começa, normalmente, a sua consulta? Tem algum método de abertura das cartas de sua preferência?

J – Sempre gosto de falar no geral sobre energia, chakras, astrologia, cristais... Eu gosto de iniciar sempre pela saúde. Jogo de forma direta e objetiva.

4) O que torna sua abordagem do tarot diferente, digo qual é a marca que procura deixar com seu trabalho nas pessoas que lhe procuram?

J  Eu utilizo tarot somente para orientação das situações que são mais prementes, incentivo as pessoas a terem iniciativas, para não ficarem dependentes.

5) Como vê o desenvolvimento da cultura do tarot nos dias atuais? Quais pontos positivos e negativos percebe na divulgação do tarot hoje em dia?

J – A partir dos anos 90 ele deixou de ser marginalizado para ser "cult". Mas, percebo muita desinformação, exagero, uso indevido, enfim, ficou banalizado.

Jussara Bohrer, dedicação e competência;
um exemplo de dedicação à cultura do tarot!

6) Existe algo que acredite ser importante de fazer para reduzir ou eliminar esta banalização?

J – Eu tento, sempre aconselho as pessoas que procuram conhecer melhor estes assuntos a buscar livros, cursos, revistas dos anos 70 até o final dos anos 80, que têm estudos mais aprofundados.

7) Neste momento tão difícil, da nossa história qual seria a contribuição que o estudo e o desenvolvimento da tarologia pode dar à humanidade?

J – O entendimento que se pode adquirir através deste estudo minimiza muitas dúvidas e principalmente evitam possíveis manipulações.

8) Tem algum recado que gostaria de deixar aos buscadores da via espiritual ou aos estudantes do tarot do nosso tempo?

J  Sempre que eu posso eu estimulo as pessoas que buscam, ativar sua intuição e principalmente respeitá- lá. O tarot que é uma tradição lunar tem que ser regido pela intuição e não por métodos.

9) Existe algum exercício adicional que recomende para o desenvolvimento intuitivo ou a prática do tarot já é este exercício?

J – Técnicas de expansão de consciência, meditação, dinâmicas de percepção dos sentidos, dos elementos. E o entendimento do próprio tarot sem sensor é um ótimo exercício.

Contato com Jussara Bohrer: WhatsApp: 51 98411-9853


sábado, 14 de maio de 2022

Sonhos & Tarot - Entrevista com João Carlos Petronilho

A linguagem arquetípica dos símbolos são como faróis para
guiar a consciência pelas terras escuras do inconsciente.

Fiquei sabendo do trabalho de João Carlos Petronilho vendo o anúncio do 2º Congresso Brasileiro de Tarot de 2020, um evento on-line onde João aparecia dando um curso de interpretação dos sonhos com o tarot... Eu também desenvolvi uma técnica de interpretação utilizando a linguagem dos arcanos no início dos anos 2000, e é claro que fiquei curioso para conhecer um pouco mais deste tarólogo e terapeuta holístico de Santo André. O convidei para um bate papo com troca de experiências e história de nossas trajetórias dentro deste “labirinto encantado”, como diria o poeta Mario Quintana, que para nós é o tarot. 

E eis o resultado de nossas trocas:

Jaime: Como você se iniciou no tarot?

João: O primeiro momento foi em meados da década de 1990, quando tive oportunidade de participar de uma vivência, um grupo que estudava e foi convidado e saber sobre o tarô, mas grande parte da minha formação foi com meu autodidatismo, muita leitura buscando forma de entender os significados e como trabalhar com o tarô.

Jaime: Comigo tudo começou com uma tia lendo cartas do baralho Lenormand para mim quando eu tinha 14 anos, e nessa leitura ela me via “trabalhando com cartas”, mas que dizia não serem as mesmas cartas dela (minha tia nunca tinha visto um baralho de tarot!), alguns anos depois uma prima apareceu com uma revista em que aparecia um artigo escrito: “Tarot, as Cartas que Podem Prever o Futuro”... E cá estou!

Jaime: Qual abordagem você utiliza nas suas leituras? Terapêutica, Oracular...?

João: As duas, sempre faço a leitura do método do Mandala como via oracular, trabalho como terapeuta holístico, e para os que entram nessa jornada comigo uso o tarô como ferramenta de suporte para orientar e identificar como conduzir cada processo, florais, meditação, Thetahealing, Constelação Sistêmica, etc...

Jaime: Acredito também que as leituras mistas, que mesclam a abordagem terapêutica e oracular, são mais realistas. Nada é só fora e nada é só dentro como digo para alunos e clientes. As vivências exteriores originam-se das interiores e vice-versa. Os acontecimentos compreendidos em sua profundidade podem nos ensinar muito sobre nossas programações inconscientes... Assim como fora dentro, como diz aquele axioma esotérico!

Jaime: Qual método de leitura inicial você mais aprecia para as suas sessões?

João: Para todo consulente que chega até mim começamos com uma Mandala, depois abro para perguntas ajustando o método ao que a pessoa busca, Péladan, Cruz Celta ou outro jogo. Sempre ajusto o método ao tipo de questão a ser vista.

Jaime: Eu experimentei muitos métodos ao longo desses meus trinta e quatro anos, mas por sete anos me utilizei também da leitura da Mandala Astrológica, depois troquei pela leitura da Cruz Celta, numa adaptação que chamei de “O Jogo do Espelho”, que achei mais enxuta e pontual. Há um ano utilizo a “Descida de Inanna”, do Hajo Banzhaf, e tem me satisfeito muito sua profundidade tanto quanto sua precisão!

Jaime: Tem algum profissional do tarot, nacional ou internacional que o inspire?

João: Posso citar dois, o Roberto Caldeira com seu livro da Jornada do Caminho do Louco que me fez entrar nesse mundo, e o Nei Naiff com quem fez muitos cursos e ainda faço.

Jaime: Eu me considero fortemente influenciado pelos métodos do tarólogo e astrólogo alemão Hajo Banzhaf que citei antes. Suas abordagens mitológicas para métodos de disposição das cartas e para o aprofundamento do simbolismo dos arcanos são muito ricas. Também aprecio as explorações intuitivas e terapêuticas de Mary K. Greer e das aplicações dinâmicas de James Wanless. No Brasil o método intuitivo e metódico do Namur Gopalla de anotar jogadas e estuda-las depois percebendo a ampliação da nossa própria percepção me ajudou muito! Nunca estudei com ele, nem o conheci pessoalmente, mas conversei algumas vezes e tenho um pequeno livro que vinha com seu baralho nos anos 90, e tudo isso me inspirou muito...

Arcano de O Eremita do Tarot
of Dreams, de Ciro Marchetti.

Jaime: Quais baralhos de tarot você utiliza nas suas leituras?

João: Nas leituras do dia a dia uso Rider Waite, para os processos de Constelação ou questões energéticas uso o Marseille do Jodorowski/Camoin, para os processos terapêuticos (identificação das questões a serem trabalhadas) Mystical Tarot - Luigo Costa - Lo Scarabeo.

Jaime: Desde 2003 eu uso o Tarot Zen de Ma Deva Padma, ela conseguiu fazer uma boa síntese entre a linguagem do tarot com os ensinamentos do Zen como foram passados por Osho! Mas também uso o Thoth Tarot de Aleister Crowley e Frieda Harris, e o Motherpeace Tarot de Vicki Noble e Karen Vogel... Gosto de baralhos que mesclem o simbolismo hermético com abordagens culturais e filosóficas!

Jaime: Como surgiu a interpretação dos sonhos com as cartas do tarot?

João: Durante as consultas oraculares por muitas vezes ao ler as cartas o consulente se lembrava de um sonho e acabava me trazendo, aconteceu tantas vezes que comecei a prestar atenção. Quando tive um insight de juntar o mundo simbólico das cartas e o simbólico dos sonhos, criando dois métodos que permitissem uma ponte entre estes mundos, trazendo ao consulente uma percepção do seu momento e o que seu inconsciente está tentando mostrar.

Jaime: Comigo aconteceu do mesmo modo, mas meu método se baseia em tirar uma carta para o simbolismo geral do sonho e, em seguida e, tirar um arcano para cada símbolo marcante da representação onírica. Assim, carta por carta o sentido do sonho aparece, como num quebra cabeças.

Jaime: Quando você o utiliza? Nas terapias, ou numa leitura regular das cartas?

João: Utilizo durante meus processos terapêuticos ou com paciente que regularmente se consulta pela via oracular, não faço interpretação de sonhos para quem não passou por pelo menos uma consulta completa. Importante perceber o momento psicoemocional da pessoa antes de falar sobre interpretação...

Jaime: Sim, também faço isso. Na terapia com florais as pessoas sonham muito como resposta de certas essências, ou em certos momentos da terapia Reiki.

Jaime: Como é este método?

João: São dois métodos, a Casa de Morfeu, sobre perturbadores ou sonhos pontuais que de alguma forma causam impressão no consulente, um jogo de 5 cartas onde vemos o que está acontecendo no momento, um conselho para isso e como ele pode associar o sonho a realidade que vive.

E o Caminho de Oniros para sonhos que são recorrentes, não necessariamente iguais, mas que apresentam símbolos em comum várias vezes, aqui o olhar é para onde o consulente deve prestar atenção, o que deve se lembrar e esquecer deste sonho, incluindo uma casa que fala do momento espiritual dele.

João Carlos Petronilho, assim como eu, um
investigador das possibilidades terapêuticas do tarot!

Jaime: Como as pessoas reagem às suas interpretações dos sonhos através do tarot?

João: Sempre com surpresa, quando elas ouvem o que as cartas falam sobre o momento que estão vivendo e como isso tem ressonância no cotidiano, por vezes mais tranquilas, por vezes apreensivas de saber se o sonho narrado vai de alguma forma se desdobrar no mundo físico.

Jaime: No geral comigo também há surpresa, mas também um sentimento de “faz todo sentido”, de compreensão com coisas que estão acontecendo interna e externamente. É muito satisfatório quando esse momento ocorre tanto para mim enquanto leitor quanto para quem foi buscar o auxílio das cartas para entender as mensagens do seu inconsciente!

Jaime: Algum processo terapêutico já foi iniciado em função da leitura de sonhos usando os arcanos?

João: Até esse momento não, eu uso os métodos nos processos terapêuticos, uma leitura de sonhos não foi esse início, porque o que leva ao início desse trabalho é o Método da Mandala.

Jaime: Concordo totalmente! Uma visão preliminar integrativa do todo é fundamental!

Jaime: E como consegue distinguir o sonho psicológico do sonho espiritual nas leituras que realiza?

João: Até este momento, os sonhos espirituais eu identifiquei como sonhos recorrentes. No método do Caminho de Oniros há uma casa que fala da espiritualidade, no método de sonhos perturbadores (cada de Morfeu) na casa número 2 pode aparecer algo nesse sentido, mas ainda não tenho muitos relatos que levam a essa causa espiritual.

Jaime: Eu só consigo fazer essa distinção é intuitivamente mesmo; com o tempo observei que certos arcanos maiores como A Estrela, A Lua e A Sacerdotisa e alguns dos naipes de copas sinalizam sonhos Espirituais, ou mediúnicos...

Contato com João Carlos Petronilho:

escolaoraculuz.com 

www.facebook.com/oraculuztaro 



 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Entrevista com o Tarólogo Jaime E. Cannes

Entrevista concedida o jornal VIVA BEM de Porto Alegre em Julho de 2010.


1. Jaime, como começou sua caminhada espiritual, e sua escolha pelo trabalho com a espiritualidade?


Iniciou por intermédio de meu pai, que intrigado com minhas perguntas existencialistas, resolveu me introduzir na filosofia espírita da qual, ele já era adepto havia muitos anos. Foi maravilhoso encontrar um conjunto de ideias que abarcava o conceito de um plano transcendente para a vida. Com o tempo, porém, eu me afastei por possuir mais afinidades com a filosofia esotérica e menos com os dogmas religiosos que também existem no espiritismo.


2. Como se deu a descoberta de sua aptidão pelo Tarot?

Foi um por acaso, como todas as coisas realmente geniais da vida! Uma prima me trouxe uma revista com uma matéria especial sobre tarologia, tinha um pequeno baralho de tarot de Marselha com os 78 arcanos, maiores e menores, e um livro. Comecei a estudar, treinar jogadas e anotar tudo! Com o tempo, algumas previsões se confirmaram e os parentes começaram a me procurar... Com a prática observei que a tarologia vai além das previsões, ela induz a uma profunda reflexão sobre nós mesmos, nos permitindo avaliar exatamente onde estamos e que programações ou condicionamentos nos fizeram chegar até esse momento, oferecendo-nos a oportunidade de mudar isso através do uso do livre-arbítrio.

3. Na sua opinião qual é a maior contribuição da tarologia para esse momento planetário de transformação da consciência?

É justamente essa: a de impulsionar essa transformação ainda mais! Hoje o trabalho com os arcanos nos oferece a possibilidade de fazer escolhas quanto ao nosso futuro, sem as programações sociais arcaicas que carregamos desde o berço. Há um velho axioma que diz: “Mude que o mundo mudará!” Pessoas com mentalidade renovada são mais capazes de assimilar as mudanças necessárias para alterar a relação que temos com o planeta, a natureza e a nossa própria comunidade humana. Deixamos de ser o gado da sociedade de consumo e passamos a ser seres pensantes. Nisso a tarologia vai além da psicologia, pois ela abarca a consciência do espírito em suas muitas vidas, o conceito de karma e evolução interior bem como as mais modernas teorias psicológicas!


4. Fale-nos um pouco de seu Livro “Tarot para a Autotransformação e a Cura”


O livro nasceu do incentivo de alunos e de amigos como a *Kátia Escobar, eles acharam que eu tinha de colocar algumas visões das minhas aulas e consultas que seriam uma contribuição para o estudo tarológico, como a interpretação dos sonhos com o tarot, a aplicação das cartas em tratamentos de cura como reiki, massoterapia, etc. E conceitos bem próprios como o da carta sintoma, a relação do tarot com o karma humano, as leituras em grupo (um lindo trabalho vivencial com o tarot) e assim por diante! Tenho recebido ótimos retornos dos meus leitores aqui no estado e pelo país!

5. Estamos passando por modificações planetárias seja pelas forças da natureza, seja pelo desenvolvimento de novas tecnologias e pela busca do conhecimento espiritual. Que caminho você vê que o homem precisa seguir para a sua harmoniza com o planeta?

Não existe outro caminho que não seja o do autoconhecimento! Quando você começa a se responsabilizar por si mesmo entende melhor o absurdo do consumismo que vivemos hoje e que está acabando com os recursos naturais. A mãe natureza é infinitamente pródiga sim, mas não significa que todos nós possamos ou devamos, morar numa casa com vinte cômodos, para quê? Costumo perguntar: onde uma Ferrari pode nos levar que um carro utilitário, ou mesmo uma bicicleta, não possa? Através do autoconhecimento nos livramos da papagaiada dos familiares, dos amigos e da sociedade que nos fez acreditar que temos de ter para ser. O autoconhecimento nos liberta para apenas sermos, essa é toda a maravilha da existência! Somos perfeitos como somos, não necessitamos de apetrechos materiais títulos ou graduações acadêmicas para isso.


6. Estamos atualmente em meio a eventos que distanciam as pessoas, seja pela rivalidade política local, seja pela rivalidade esportiva, o meio global. O que isso traz para o coletivo social?


A total alienação da nossa natureza humana e amorosa! Somos os únicos seres que entendem o conceito de amar. Creio profundamente que os animais também amem, mas não entendem o conceito de amar, não são tão conscientes! Por isso alguém passa por um mendigo moribundo no meio da rua e não se dá por conta que ele está prestes a morrer, ou um homem é capaz de fazer um programa com uma prostituta menor de idade sem remorso algum, pois ambos creem que “não foram eles que fizeram aquilo”! Isso é o que ocorre quando as pessoas não são autorresponsáveis, quando não tem nenhuma reflexão! Todos nós ajudamos a fazer essas coisas justamente com a nossa indiferença. Não somos todos culpados, mas sim responsáveis! Um mundo melhor é responsabilidade de todos nós!

7. Ao leitor do Viva Bem, deixe um recado para esse período. 

Cuidado com ideias que vendam a você e que você compra. Muitas boas ideias se transformaram em movimentos radicais e até violentos. Não creia em nada que o coloque à parte dos demais. Tudo o que pode fazer você parecer estar totalmente certo. Ninguém está! Todas as verdades são as faces múltiplas da verdade, cujo corpo imenso permanece um mistério, assim uma única pessoa jamais a verá, a menos que se junte às verdades de todas as outras pessoas desse planeta. Nascemos para viver de mãos dadas e não atadas! Pense nisso! 

* Fundadora do Jornal  Em Aquarius