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terça-feira, 2 de agosto de 2022

Dez Perguntas para Entender a Cruz Celta

Um pequeno questionário para cada uma das dez estações psicológicas, vivenciais e espirituais do sistema de leitura mais usado no mundo todo, com o propósito de aprofundar cada vez mais sua perspectiva e aplicação! 

A Cruz Celta, uma síntese prática, psicológica e espiritual do momento.

1) O que está emanando de dentro de mim agora?

2) Como tenho vontade (ou necessidade) de responder ao que sinto? 3) Que apelo percebo dentro de mim, com profundidade, e que me apoia ou perturba? 4) Qual é meu limite neste momento? A que me sinto desafiado, e por quê? 5) Como vivo minha realidade material (dinheiro, trabalho, etc)? E como me mostro ao mundo (consciente ou inconscientemente)?

Cada posição como uma estação dos estágios da consciência, e dos mundos externo e interno simultaneamente.
6) Vivo e sinto minhas relações sociais (família/amigos) de que modo? E como isso me afeta? 7) Como reconheço a mim mesmo neste momento? 8) Como vivo ou expresso minha afetividade/sexualidade agora? 9) Que aprendizado me é requerido neste momento ? (ver também posições 3 e 4)
10) Que sentimento, ou vivência, resume meu momento? Para onde estou indo (conscientemente ou não)?

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A Cruz Celta Astrológica


Conhecer todos os significados e possíveis desdobramentos das posições do sistema que utilizamos é tão importante quanto conhecer profundamente o significado dos arcanos em suas muitas perspectivas. E mais uma vez pensando sobre as possíveis relações das dez posições originais da Cruz Celta com outros símbolos arquetípicos, me aproximo do simbolismo astrológico dos planetas. Já apresentei aqui as correlações entre as posições e os principais personagens míticos presentes em todas as mitologias, bem como em quase todos os contos de fadas memoráveis. Foi dessa reflexão que eu extraí a presente analogia, a estrutura da Cruz Celta e sua ligação com a simbologia dos planetas. Antes, porém, vamos entender melhor o que são os planetas e suas expressões.
Podemos começar dizendo que Sol e Lua não são planetas, o primeiro é uma estrela, e o segundo um satélite, mas são chamados de luminares, um emana luz e o outro a reflete, no entanto para efeitos de estudo do mapa astrológico natal eles têm o mesmo valor que os demais astros, e também são chamados de planetas. Os planetas pessoais são Mercúrio, Vênus, e Marte, eles são mais rápidos e representam as atuações do ego e da vontade na busca pelo que denominamos de nossas conquistas, e nos dão características bem específicas na personalidade. Júpiter e Saturno, são mais lentos e chamados de planetas sociais, pois que mostram nossa atuação no mundo, socialmente, e no modo como nos apresentamos, consciente e inconscientemente ao mesmo tempo. E, por fim, os três últimos planetas são conhecidos como transpessoais e, numa linguagem mais astrológica, de “transaturninos”, por estarem depois da órbita de Saturno no sistema solar. Eles são ainda mais lentos! Urano demora 84 anos para dar uma volta completa no zodíaco, e fica por cerca de 7 anos em cada signo. Netuno demora cerca de 164 anos para dar a mesma volta, e permanece cerca de 14 anos em cada signo zodiacal. Por fim Plutão demora em média 248 para contornar o sol e, por ter uma órbita irregular, se demora entre 12 a 32 anos em sua passagem por cada signo. Esses planetas atuam na nossa capacidade de transcendência e transformação, ou seja de ir além do que do que conhecemos ou do que se apresenta. Por serem tão lentos marcam toda a humanidade ao transitarem nos céus, e a toda uma geração que nasce com eles em seus mapas. 


A astrologia, relaciona o homem ao Universo na busca
por um significado cósmico para nossa existência!

Eu, por exemplo, e todos os que nasceram entre 1956 e 1970 somos filhos da geração de Netuno em Escorpião, que trouxe a cultura do Paz & Amor dos hippies, do sexo livre, das experiências de estados alterados de consciência para tanger outros planos e colher sabedoria, que aproximou a cultura do oriente do ocidente, e que resgatou a sabedoria de antigos sistemas simbólicos como o tarot e a astrologia, que agora eu cruzo nesse artigo como já o fiz em outros! Influência que como podemos ver mexeu com toda a vida na Terra quando Netuno passou por ali, e marcou profundamente os que nasceram com ele em suas cartas natais... Vide o meu caso!
É importante dizer também que os planetas diferem dos signos, eles são as energias que impulsionam e moldam as características que cada signo representa. Um exemplo é de que alguém com Marte em Áries terá características de agressividade e impulsividade bem mais acentuadas do que alguém que tiver esse mesmo planeta em Touro! O primeiro signo lida com a energia belicosa de Marte de uma forma mais explosiva, por assim dizer. Já os que possuem esse mesmo planeta com a influência taurina o farão de uma forma mais persistente e resistente do que agressiva. A energia marciana é expandida pelas características de um signo, e contida pelas características do outro.
A seguir apresento a relação entre os dez planetas e as dez posições originais da Cruz Celta, tanto em sua forma tradicional, como na adaptação feita por mim e que denominei de Jogo do Espelho. Verão que não me afasto tanto das origens, considero que as ampliei. Ao fim de cada explanação coloquei um pequeno texto com o objetivo de conectar a presente relação entre os planetas e as posições deste método de leitura com os personagens míticos que listo no artigo A Cruz Celta do Encantamento. O link para quem quiser ler (ou reler) este texto na íntegra está ao pé da página, bem como outros que considerei pertinente mostrar!

A Cruz Celta com sua formação simples... Cada posição
guarda em si uma vastidão de correlações arquetípicas.

Posição 1 – Sol

A vontade pessoal, solar e egoica, que carrega a noção de quem eu sou e de quem quero ser. As forças vitais envolvidas num processo específico de interesse ou atuação. A essência através da qual outras formas de consciência se manifestam. O guia para o nosso propósito principal de vida... Atributos do Sol astrológico que combinam muito bem com a primeira posição da Cruz Celta que representa o mundo interior no momento na minha versão desse sistema de leitura. Na versão original é chamada de a situação do momento.

Na versão mitológica:
O Rei, o soberano que outorga leis e diz para onde as coisas se encaminham naquele momento.

Posição 2 – Plutão

É o planeta da ação transformadora, o influxo das correntes interiores do ser que se elevam e moldam a realidade a partir do que é emanado de dentro. Um astro de grande abertura para as forças superiores do espírito, mas que também pode simbolizar a negação do mesmo, e a fixação nos aspectos mais brutos da consciência, como o apego, o egoísmo e o controle. Na Cruz Celta tradicional é essa a posição que cruza a carta 1, apoiando-a ou restringido-a. Eu a chamo de as ações, e elas podem vir ao encontro, ou se opor, ao que o mundo interior apresenta ou requer.

Na versão mitológica:
A Rainha, aquela a quem o rei ama, e que o apoia ou que conspira contra ele de alguma forma.

Posição 3 – Lua

Símbolo da sensibilidade profunda e da percepção intuitiva de verdades não reconhecidas, em princípio, pela mente racional/consciente. Este é o astro mais próximo da Terra e o regente do inconsciente coletivo, que se expressa através dos símbolos como os arcanos do tarot, os números, etc. Simboliza os sentimentos e as intuições mais profundas da alma. Na tradição é a posição da base, como algo que é pressentido sobre o momento. Eu a chamo de o apelo do ser interno, como as intuições sobre o momento que devem ser ouvidas. O guia sábio da consciência.

Na versão mitológica:
A casa do mago conselheiro, a cabana do sábio dentro da floresta escura (o si mesmo), onde o rei se dirige para se aconselhar.

Posição 4 – Saturno

O planeta das restrições e dos obstáculos que surgem como um desafio à mente consciente de superar a si mesmo. Os limites incrustados na personalidade, pela cultura social ou a formação familiar, que se revelam nos embates da alma para atingir sua realização, características bem saturninas que expressam bem a essência dessa posição que na Cruz Celta original representa o passado (a origem de todos os condicionamentos), e que eu chamo de desafios e obstáculos, não importando se desta vida (infância, juventude, etc) ou de outras vidas (encarnações).

Na versão mitológica:
A toca do dragão, o lugar dos desafios que limitam os poderes do rei, e que devem ser superados.

O heroico Lancelot, um dos personagens míticos
mas lembrados nas Lendas do Rei Arthur. Um

representante fiel do arquétipo do guerreiro!

Posição 5 – Júpiter

Simboliza a ânsia do ego para conhecer muitas coisas, expandir seu mundo e experimentar a si mesmo. É o grande captador e explorador das oportunidades que a vida oferece. Seu glifo é o oposto do de Saturno, simbolizando a libertação das limitações de quem quer crescer e prosperar livremente, e em todos os sentidos. Na tradição é a posição do consciente, do que é reconhecido da situação. Eu a chamo de objetivos conscientes e a vida material, e representa as direções tomadas na vida material/financeira e de como isso aparece para o mundo.

Na versão mitológica:
O reino, a síntese de tudo o que se possui no momento, e de como podemos ou iremos prosperar.  

Posição 6 – Urano

É o planeta da renovação e do rompimento com tudo o que é obsoleto. Representa também a força da comunidade, dos grupos, e dos amigos que sustentam ou desmantelam com as suas influências os objetivos pessoais para o futuro. É o planeta da família no sentido mais amplo e universal, e dos amigos que se apresentam como Mestres por seus exemplos de vida. Na Cruz Celta original essa é a posição do futuro próximo, e que eu adaptei para o significado de objetivos futuros e vida social, que envolve tanto amigos quanto família e suas influências no momento.

Na versão mitológica:
Os súditos, os que seguem o rei apoiando-o em seus planos ou restringindo as suas atuações.

Posição 7 – Marte

O planeta da afirmação de si mesmo, do ego e da vontade, acima do espírito. É a força da agressividade não só no sentido de violência, mas do modo como nos colocamos diante dos desafios e das demandas que se apresentam. O belicoso planeta Marte representa o modo com que nos apresentamos diante do mundo, e de que recursos (internos e externos) nós lançamos mão para as lutas diárias. É a personalidade que se afirma. Na tradição é a relação do cliente com a situação, e que eu renominei para a personalidade.

Na versão mitológica:
O jovem guerreiro, aquela porção da personalidade que se ergue para enfrentar a situação.

Posição 8 – Vênus

É o planeta da valorização do amor e da beleza, e da capacidade de atrair, seduzir e encantar de todas as formas. Simboliza também as aspirações mais elevadas do espírito, bem como a inspiração artística que o outro e o mundo ao redor nos trazem. Corresponde bem, a meu ver, ao significado original dessa posição na Cruz Celta onde é vista como o meio ambiente, ou seja, as coisas e pessoas que cercam o consulente no momento. Chamo esta posição de relações íntimas e a expressão do afeto, que combina os atributos venusianos com os do significado original.

Na versão mitológica:
A casa da donzela, ou a casa do amor, onde o amor se expressa na trama do momento, e o modo como se apresenta.

Posição 9 – Mercúrio

Planeta que leva o nome do antigo mensageiro dos deuses, e que rege as funções elementares do intelecto, como a fala, a escrita, e todas as formas de comunicação que estão sob sua égide. O ensino e o aprendizado também são regidos por ele que assinala a ânsia da mente em aprender, e partir para o próximo estágio levando consigo o que apreendeu de sua lição. Na origem essa posição é a dos medos e esperanças, o que combina bem com o idealismo mercuriano e o seu medo de perdê-lo! Renominei para o aprendizado, visando a absorção da consciência das lições do momento, o que impulsionará seu crescimento.

Na versão mitológica:
O mensageiro, algo a ser observado e apreendido para vencer a crise que se apresenta (o dragão).

Posição 10 – Netuno

Com o nome do deus dos mares romano, Netuno simboliza a dissolução das crenças do ego para que a consciência perceba a sua conexão com um plano maior das coisas, da vida ou mesmo de Deus. É o planeta onde todos os caminhos se encontram, e onde a conexão entre tudo se faz, mas só uns poucos místicos recebem essa visão! Na tradição é a posição do desfecho, da resposta à questão. Eu a renominei como a síntese, ou seja, a ideia ou o contexto intrínseco que une o sentido de todas as vivências, e ao ser absorvida supera as crises e dá significado ao momento.

Na versão mitológica:
O encantamento, é a magia ou a maldição que envolve o momento, e que deve ser abraçada ou desfeita.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A Cruz Celta do Encantamento

Uma perspectiva mitológica do
sistema de leitura da Cruz Celta...

Apaixonado como sempre fui pela linguagem dos símbolos, acho que foi mesmo a mitologia a que encontrei primeiro pela boca do meu pai, e que abriu para mim o mundo mágico das linguagens simbólicas, que se resumiriam mais tarde no estudo dos arcanos do tarot. O Minotauro, a Caixa de Pandora e o Voo de Ícaro são as primeiras histórias mitológicas de que me lembro. Muitos anos depois o tarot entrou na minha vida, e foi paixão à primeira vista! Sua imensa flexibilidade arquetípica aliada à força de suas imagens abriu uma senda infinita de maravilhamento na qual trilho até hoje. Meus estudos não terminam, e quando penso que já tirei tudo de meus estudos e da observação das leituras para meus clientes e para mim mesmo, surge um novo ângulo inexplorado, uma nova perspectiva que enriquece minha compreensão da linguagem simbólica dos arcanos na sua interação com os sistemas de leitura que mais aprecio e pratico. E foi exatamente isso que aconteceu, mais uma vez, ao observar as posições da Cruz Celta dentro da adaptação feita por mim do significado de suas posições originais. Percebi nas dez posições desse método os dez personagens centrais de toda a trama mitológica, quer seja ela milenar como a grega, quer seja medieval como a do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Ao relacionar esses personagens aos palcos de atuação da psique, representados pelos dez posicionamentos desse método, foi possível criar um cenário de mitologia pessoal ao abrir as cartas. Via de regra estamos todos escrevendo nossas lendas pessoais neste mundo. Apenas alguns terão essas lendas influenciando a vida de milhares, ou milhões, de pessoas, e marcando a história de uma comunidade ou de toda a humanidade. Entretanto, isso não diminui o relato e nem a importância de nenhuma lenda pessoal. Andar por essa vida significa influenciar os outros com nossas trajetórias e ser influenciado por outras igualmente. Porém, compreender nossa trajetória e as lições que cada vivência traz em si é que pode agregar qualidade à nossa existência, e impulsionar a evolução e a transformação de nossa personalidade ao máximo de sua expressão. Essa é uma das funções dos sistemas oraculares, e ainda mais do tarot! Os personagens míticos são as representações de partes da consciência que todos acessamos em diversos momentos de nossa jornada. Mesmo os mais dramáticos como a escolha de Páris, que teve de escolher qual dentre as deusas Hera, Athena e Afrodite era a mais bela do Olimpo, e que ao escolher Afrodite, teve as outras duas deusas derrotadas a tramar contra ele no que culminaria na longa e sangrenta Guerra de Tróia. E quem nesta vida não faz escolhas que se não forem feitas com cuidado desembocam em consequências inalienáveis?
Da mesma forma os sistemas de leitura também apresentam os palcos onde todos nós desenvolvemos interesses em comum com todos os nossos irmãos de caminhada neste planeta. E, exatamente como ocorre nos mitos, os arcanos ali colocados mostrarão o modo particular como cada um de nós vive aquele setor da vida!
Dragões, símbolo dos grandes
desafios na senda evolutiva.
Os dez personagens míticos a que me referi na presente analogia são: o rei, a rainha, o mago conselheiro, o dragão, o reino, os súditos, o jovem guerreiro, a donzela, o mensageiro, e por fim, o encantamento ou maldição que permeia toda a história mítica. O rei como o centro do reino representa o centro da trama, e dos temas que empoderamos com nossa atenção. A rainha por sua vez é seu complemento amoroso, ou sua sina opressora como no casamento de Zeus e sua raivosa consorte, Hera. O mago é a personificação da sabedoria espiritual, ou inconsciente se preferir, que se manifesta em momentos críticos como uma ideia vaga, uma percepção sutil, mas persistente, ou uma forte intuição. Os magos são habitantes de um mundo superior, como Merlin ou Gandalf da obra de J.R.R. Tolkien, ou eram representados como humanos com habilidades superiores, como o sábio profeta cego Tirésias. O dragão, por sua vez, é uma figura mais persistente nos mitos medievais, e representa os desafios que parecem intransponíveis num dando momento de nossas vidas. Para os gregos os “dragões” tiveram muitas e assustadoras formas e poderes. Jasão enfrentou um dragão que não dormia para poder recuperar o Velocino de ouro. A Hidra de Lerna, uma fera cujo sangue era um veneno tão letal que nem os deuses escapariam. A Quimera, um animal com duas cabeças, uma de leão e outra de cabra, sendo que a cabeça caprina tinha um hálito venenoso... Possuía também patas de águia e uma cauda que na verdade era uma serpente peçonhenta. Serpentes também compunham os cabelos da Medusa, que transformava em pedra todos que a encarassem nos olhos. Uma clara alusão ao desafio de termos de encarar nossos temores. E assim por diante. De qualquer modo os dragões são a personificação mais recente dos obstáculos que nos atormentam, ao mesmo tempo em que engrandecem, ao serem vencidos, a nossa existência! O reino é a síntese de tudo o que se construiu no mundo concreto, a relação com o dinheiro e a vida material como um todo. Os súditos nos relatos míticos não são apenas uma massa de manobra, mas o suporte para as decisões do rei e suas ações. O jovem guerreiro aparece sob muitas formas, forte e consciencioso como Hércules, sensível e espiritual como Orfeu, beligerante como os gêmeos Pólux e Castor, ou nobre e honrado como Lancelot, que foi tão fiel ao seu amor por Guinevere quanto por sua amizade por Arthur. A donzela que na Idade Média teria de ser salva do dragão, ou de um monstro marinho como o foi Andrômeda pelo herói grego Perseu, que mais tarde a desposou. As donzelas são a vivência transformadora do Amor. É interessante observar que a figura do mensageiro perdeu significativa importância nos mitos medievais, o que não ocorre nos mitos gregos onde um deus (Hermes grego, ou Mercúrio romano), era designado para esta função. Seus alertas não podiam ser ignorados, pois que eram um aviso do próprio deus dos deuses, Zeus (ou de seu equivalente para os romanos, Júpiter). Por fim o encantamento é a chave para a compreensão de tudo o que ocorre na trama mitológica, revela o porquê das coisas acontecerem e o provável desfecho se nada for feito...

Bem, vamos à relação:

Posição 1 – O Rei: O soberano dentro de nós; representa o conjunto de vivências que tomam nossa atenção no momento. O tema que foi coroado por nós com nossa atenção e que reflete o panorama do nosso mundo interior, e que revela que espécie de rei afinal somos nós!

Posição 2 – A Rainha: Cruzada sobre a carta do rei, essa rainha pode estar sendo carregada por ele como num enlace romântico, ou como um fardo. Assim ela pode estar contribuindo para a expressão do seu rei, ou oprimindo-a.

Posição 3 – A Casa do Mago Conselheiro: O Conselho do Mago é a voz interior que fala-nos o tempo todo, a impressão mais funda de nossa consciência, ou a vontade mais urgente do nosso coração, e que nos soa como a verdade! Dependendo do resto do jogo se revelará se esta voz sábia está sendo de algum modo ouvida ou ignorada.

Posição 4 – A Toca do Dragão: Aqui mora o nosso desafio do momento, ele pode se apresentar como um problema real ou como a constatação de algo que tem de ser resolvido ou encarado de algum modo. Pode também representar o monstro interior, forjado por condicionamentos culturais e familiares, e que tem de ser superado!

Posição 5 – O Reino: Essa posição mostra a relação do indivíduo com o seu mundo material, seu trabalho, carreira, finanças, posses e tudo o que pode ser chamado de “seu reino”, suas conquistas, e como elas aparecem para o mundo! 

A Cruz Celta como um palco síntese 
dos mitos gregos e medievais.

Posição 6 – Os Súditos: Como nos reinos da antiguidade os súditos eram influenciados, mas também influenciavam, seus reis sobre as decisões do reino. Os súditos na vida moderna são representados pela família e os amigos, sobre os quais nos sentimos responsáveis, e para os quais nos voltamos para obter apoio sobre decisões importantes que poderão moldar nosso futuro.

Posição 7 – O Jovem Guerreiro: O jovem guerreiro vive dentro de nós e se apresenta toda vez que levantamos de manhã para enfrentar as demandas do dia a dia. Aqui é justamente esta sua função, mostrar como se está enfrentando a situação no momento.

Posição 8 – A Casa da Donzela (ou A Casa do Amor): A donzela em apuros aparece sempre que o amor irá se manifestar na trama dos mitos. Normalmente os heróis se apaixonam por ela, e ocupando esta posição da Cruz Celta ela indica a vida amorosa do consulente, ou se a possui; ou como encara a vida afetiva e sexual.

Posição 9 – O Mensageiro: Esta posição mostra uma indicação de algo que deve ser observado, como uma reflexão, ou o aprendizado de algo, que ao ser absorvido e apreendido ajudará a realizar a orientação do Mago Conselheiro e a vencer o Dragão. O mensageiro aponta uma perspectiva que não deve ser ignorada.

Posição 10 – O Encantamento: Todo o reino nas histórias míticas está sob a influência de algum tipo de encantamento, que ao ser revelado, explica muito do que ocorre na trama do mito. Seria a síntese, ou do que se trata o conjunto de vivências apresentadas pelos outros arcanos na leitura. A carta nessa posição revelará se estamos falando de um encantamento benigno a ser reforçado e apoiado, ou de uma maldição a ser superada!

Veja a redefinição original da Cruz Celta feita por mim lendo os seguintes artigos:
Tarot Terapêutico - O que é? 
Por Trás da Cruz Celta  
A Cruz Celta Astrológica 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Por Trás da Cruz Celta



A leitura da Cruz Celta preserva o influxo cristão
(À esq.) e o do paganismo celta (À dir.).
A Cruz Celta tem origem, sobretudo na Irlanda e Grã Bretanha e é assim chamada por ter seus quatro braços envoltos por um círculo, evocando a antiga crença celta de que tudo no mundo está interligado ou conectado de algum modo. Com o advento do cristianismo algumas cruzes passaram a ser adornadas com imagens em alto e baixo relevo sobre passagens bíblicas do velho e do novo testamento, e o círculo em volta da cruz passou a representar a união do espírito com a matéria. Em seu livro *Tarot for Your Self Mary K. Greer cita como exemplo a cruz de Muireadach (No alto à esq.) no monastério de Monasterboice no condado de Louth, na Irlanda, que data do século X. Ela era usada como auxílio visual em sermões ao ar livre. Essas cruzes foram os substitutos cristãos dos megálitos que representavam a união da terra com o céu, ou o falo criador do Grande Deus e o caminho, ou escada, que nos leva às alturas do céu espiritual. Segundo Greer o jogo da Cruz Celta parece unir os dois influxos, celta e cristão, ao colocar a cruz circundada ladeada pelo pilar ou megálito. O primeiro é o símbolo do conflito humano e o segundo do impulso espiritual descendo à terra impregnado-a e impulsionando-a a evolução. Citando Juan Eduardo Cirlot em seu Dicionário de Símbolos ela lembra que a cruz é como “um nó mágico unindo alguma particular combinação de elementos para formar uma individuação”. A seguir apresento algumas percepções minhas sobre a Cruz Celta na obra de Mary K. Greer que espero os auxiliem a ampliar sua visão interior como fizeram com a minha:
Olhe para a figura da Cruz Celta logo acima (à esq.), imagine que por sobre as cartas de posição 1, 2, 3, 4, 5, 6 está a imagem de uma pessoa sentada de costas para o expectador, como numa posição de meditação (Como aparece à dir.). Nesse caso do lado do seu braço direito estaria a posição 6, na base de sua coluna estaria a posição 3, do seu lado esquerdo a posição 4, e no topo de sua cabeça a posição 5. Por consequência, as posições 1 e 2 ficariam bem no meio das costas, na altura do coração, indicando o ponto central da leitura e das questões que estão sendo vividas por aquele que procura as cartas do tarot.
As posições restantes 7, 8, 9 e 10 formariam uma imagem parecida com os antigos megálitos, ou um pilar ou ainda uma escada, ao lado do nosso meditador. Voltaremos a essas posições mais tarde.
Agora que localizamos as posições da Cruz Celta no corpo humano exploremos um pouco de seu significado metafísico. O lado direito do corpo, dominante, representa as coisas que nos influenciam diretamente e que nos permitem atuar sobre elas de modo direto e consciente. Na base da coluna, onde segundo a tradição védica mora a kundalini, estão as forças inconscientes que esperam para ser elevadas ou reconhecidas. Essas forças, assim como a kundalini, ao subirem transformam o estado físico e mental do homem, sutilizando-o e elevando-o. No lado esquerdo, não dominante, temos aquelas coisas que nos influenciam indiretamente e que não são fáceis de serem modificadas, a não ser de modo interno e subjetivo (ou simbólico). No topo da cabeça temos o mundo material concreto e visível. Por fim o coração é o símbolo da morada da alma, o centro da essência do ser.
A partir disso podemos localizar essa pessoa nos quatro quadrantes do mundo. Veremos que o seu lado direito estará para o leste, suas costas, onde estaria a base da sua coluna, ao sul. Seu lado esquerdo ao oeste e à sua frente, para onde aponta sua cabeça, o norte. Para ampliar ainda mais as possibilidades interpretativas que pretendo relacionar nessas seis primeiras posições da Cruz Celta veja agora alguns dos muitos significados atribuídos a cada um destes quadrantes na visão esotérica, e mágica:
 Leste
Ar, primavera, pensamentos, planos, novos começos, relações (família, amigos), o futuro, alianças, apoio.
Signos: Gêmeos, Libra e Aquário. Cor, amarelo. Anjo Rafael.
Sul
Fogo, verão, emoções, instintos, ação, impulso, o inconsciente espiritual, o outro lado da personalidade que quer se manifestar.
Signos: Áries, Leão, Sagitário. Cor, vermelho. Anjo Miguel.
Oeste
Água, outono, sentimentos, passado, memória, traumas e condicionamentos, profundidade (abismos), colheita (karma), infância, desafios à fluidez do ser.
Signos: Câncer, Escorpião e Peixes. Cor, azul. Anjo Gabriel.
Norte
Terra, inverno, a soma dos valores e conquistas materiais, bens, finanças, dinheiro, trabalho, carreira, imagem pública.
Signos: Touro, Virgem, Capricórnio. Cor verde. Anjo Uriel.
Agora relacione isso com o significado das posições da Cruz Celta na adaptação criada por mim chamada de O Jogo do Espelho: 
Posição 1
O Mundo Interior no Momento – As vivências mais significativas no momento presente de quem se consulta, o tema mais importante e que emoções e sentimentos ele acarreta.
Posição 2
As Ações - Essa carta cruza a primeira e indica que ações estão sendo tomadas a partir do momento interior e que podem estar obstaculizando-o ou reforçando-o.
Posição 3
O Apelo do Ser Interno – Revela algo que pede para ser atendido ou superado de dentro do indivíduo, quer seja um sentimento, pensamento, ou qualidade. Pode ser também uma forte intuição a cerca da situação que pede para ser considerada.
Posição 4
Desafios e Obstáculos – É a posição que revela os condicionamentos adquiridos nesta ou em outras vidas. Algo que deve ser vencido para que o sentimento de realização e plenitude seja alcançado.
Posição 5
Objetivos Conscientes e a Vida Material – Essa posição revela como está a relação do indivíduo com suas finanças, carreira, trabalho, vida material e como o mundo o vê!
Posição 6
Objetivos Futuros, e a Vida Social – Os planos que são tecidos para o futuro, bem como as alianças que formamos para realizar esses planos são mostrados aqui. O apoio ou a intervenção que sofremos por parte da família e ou dos amigos é revelado assim como o modo como nos relacionamos com esses dois grupos. Locais e modos de lazer e eventos sociais também são mostrados nessa posição.
Agora veja isso:
Ao somarmos os números 1+ 2 + 3 + 4 + 5 + 6 obtemos 21, que corresponde ao 21º arcano do tarot, O Mundo.
Observe que os quatro animais que cercam a dançarina do mundo representam, o mesmo que as quatro cartas que cercam a cruz central na leitura da Cruz Celta: os quatro elementos, os quatro quadrantes da magia, as quatro estações etc. O corpo da dançarina é por excelência o “cruzamento” do binário espírito-matéria, ou do yn e do yang. Ou seja, seu corpo é a cruz central deste arcano. Observe a posição das pernas. Ocupando, portanto, a mesma posição da cruz central na leitura da Cruz Celta.
O arcano de O Mundo simboliza a unidade do homem com o todo em estado natural. Somos todos um, mas isso se torna um processo consciente apenas mediante o despertar espiritual, o que no oriente é conhecido como samadhi, por isso ele também é o arcano que simboliza a transcendência espiritual. Da mesma forma as posições de 1 a 6 da Cruz Celta descrevem o mundo imediato do consulente, suas ações e interações com esse mundo, e dependendo de suas vivências é que haverá ou não a possibilidade de transcendência. Assim as experiências indicadas pelas cartas nessas posições se transformarão em maturidade e evolução espiritual. Para fins de análise oracular podemos dizer que o conflito, representado pelas posições 1 e 2, irradia reflexos nas quatro posições circundantes, 3,4,5 e 6, evocando mais do que resolução, mas também evolução.
Bem, o que eu quero dizer com tudo isso? Quero apenas salientar que todas essas similaridades são, sincronicidades maravilhosas entre os símbolos em suas muitas vertentes! Nada disso foi colocado aí intencionalmente por mim! Eu mesmo só relacionei essas coisas muito tempo depois.  Ao nos conectarmos com essas diversas possibilidades interpretativas e múltiplas analogias, ampliamos nosso escopo de compreensão simbólica interior, o que com certeza enriquecerá em muito a interpretação dos arcanos numa leitura oracular.
Curiosidades 
Numerológicas
O número dez é o símbolo da totalidade. Nele vemos os quatro pontos cardeais e os quatro pontos colaterais, acrescidos da altura mais a profundidade. O que  cria a forma esférica do todo. O dez é o um que percorreu todos os outros números e volta dignificado em sua importância. Ele é o resultado da soma dos quatro primeiros números que compõe a estrutura da realidade! O 1 + 2 + 3 + 4 = 10. E nesses quatro algarismos podemos ver os quatro elementos, direções, estações, enfim... A ordem da vida tal como a conhecemos! É o dígito dos ciclos perfeitos e segundo os cabalistas é o número que expressa a perfeição de Deus. A própria Cruz Celta se parece com um dez invertido. O que simbolicamente se refere a uma "olhada" dentro do todo de quem se consulta expresso naquele momento do seu ciclo evolutivo (0-zero), convocando-o a elevar-se à perfeição do seu modelo interior de realização (1).




Voltemos agora para o pilar formado pelas cartas 7, 8, 9 e 10. Vamos relembrar seus significados na leitura do Jogo do Espelho.
Posição 7
A Personalidade – Que aspectos da personalidade estão sendo requeridos neste momento? Que face está emergindo da psique?
Posição 8
Relacionamentos Íntimos e a Expressão do Afeto – A visão da vida amorosa e como se encara as relações privadas e a intimidade. Também mostra o relacionamento, caso o tenha.
Posição 9
O Aprendizado – O que há para ser aprendido, ou apreendido, nas vivências do momento e que pode proporcionar um salto quântico na evolução do indivíduo.
Posição 10
A Síntese – Ou a essência, esta é a posição que nos revela o resumo de tudo o que se está vivendo, é o clima que cerca uma situação como um todo. Mostra muitas vezes o motivo último dos acontecimentos. É simultaneamente o porquê e o para quê.
Observe o que acontece quando eu somo o valor numérico da posição da personalidade (7) com o valor da posição essencial da jogada (10): 7 + 10 = 17. Ao somar o valor da posição dos relacionamentos íntimos (8) com a posição do aprendizado superior (9) o resultado também é 17.  Se fizermos esse cálculo mudando as posições como juntando a 8 e a 10 ou a 7 e a 9 obteremos números diversos. Ateremos-nos ao número 17 porque ele representa no tarot o arcano de A Estrela, o 17º arcano, o que faz conexões interessantes.
O arcano de A Estrela é aquele que saído do arcano anterior A Torre, vê que o mundo é muito maior que as paredes ao qual se estava acostumado. Subitamente a percepção cresce e uma incrível abertura interior, simbolizada pela nudez da mulher, permite com que se possa aprender com os eventos a nossa volta. A consciência se torna muito receptiva às demandas externas e aos movimentos sociais e culturais. A Estrela é por isso o arcano dos movimentos de massa, da coletividade e dos agrupamentos, tanto quanto da ampliação da percepção interior em termos psicológicos e espirituais, simbolizado pelas estrelas ao seu redor.
Relacionando o 7 com o 10 me parece que o ser individual está sendo convidado a perceber a quintessência do que ele está vivendo, e para isso é solicitado a olhar para o alto. Do mesmo modo comparando a 8 com a 9 parece haver um convite para que ele se abra para o outro, não apenas pela ótica da união amorosa, mas também pela possibilidade de aprendizado que as relações possuem intrinsecamente. A comparação entre essas quatro posições assinala para que se abandone a visão individualizada do ser e se abra para influências maiores e exteriores a nós mesmos. Interessante notar que o megálito ou pilar, forma que assume a ordem da numeração 7, 8. 9. e 10, é o símbolo da elevação da densidade da terra para a leveza e abrangência do céu! Por imitar a forma e o movimento das árvores, que se elevam vigorosamente às alturas, é um tradicional símbolo da ascensão do homem a uma condição superior. Essa série de coincidências sincronísticas são mesmo cheias de significado, e todos esses significados parecem exortar o progresso interior.
Compartilho essas minhas reflexões com vocês, e espero que elas possam inspirar muitas outras reflexões posteriores sobre o intrincado simbolismo do tarot e suas variadas relações no mundo arquetípico. Para mim o tarot é muito mais que um oráculo, é a ambiciosa tentativa do homem de encontrar a chave da coesão universal através do símbolo.
*Tarot for Your Self, a Workbook for Personal Transformation.
Carmel (USA). Newcastle, 1984.

Leia também:
A Cruz Celta do Encantamento 
A Cruz Celta Astrológica 

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Tarot Terapêutico

O que é?

Os oráculos têm sofrido uma transformação profunda tanto na redefinição da sua aplicação quanto na maneira com que vêm sendo encarados ao longo dos tempos. Uma abordagem cada vez mais profunda dos símbolos tarológicos e astrológicos, por exemplo, tem ganhado espaço na literatura sobre o tema de modo cada vez mais expressivo. Tanto o tarot quanto a astrologia hoje são vistos como meios de aplicação terapêutica. Suas imagens podem fazer muito mais do que revelar tendências futuras ou situações passadas. Os arcanos do tarot, especificamente, podem revelar com detalhes situações práticas de um dado momento, bem como todo o conjunto emocional envolvido na situação O momento apresentado pelos arcanos se refere a um período de anos, meses, semanas ou dias (Conforme cada caso), que se encontram no presente!
Com o passar do tempo foi possível observar que o que se projetava através dos arcanos era, muitas vezes, condicionamentos antigos, muitos vindos da infância, que revelavam bloqueios, traumas e padrões de comportamento subjacentes à programação condicionada da psique. Dentro de uma situação prática, e que geralmente era o que motivava a consulta, espelhava-se níveis mais profundos do subconsciente. Possibilitando assim não só um reconhecimento, mas também uma transformação da consciência e de toda a vida de quem estivesse se consultando se esse desejasse, é claro, fazer uso dessas informações!
Enquanto a astrologia trabalha a psique estanque, com suas principais características pessoais que se reproduzirão por toda a vida, o tarot mostra a dinâmica do inconsciente no dia a dia. A astrologia pode mostrar as tendências de uma personalidade, mas não pode revelar a intensidade dessas tendências, nem se estão sendo vividas ou não. Os arcanos em sua simbologia profunda e detalhada revelam todas as emoções, sentimentos e pensamentos implicados numa ação ou conjunto de vivências. Em termos psicológicos é o momento em que os complexos interiores estão ativados e atuantes, e onde é possível pegar a si mesmo no “flagra”, por assim dizer! Fazendo desse momento muito produtivo e revelador!
Tarot: um instrumento de investigação,
tanto quanto de revelação, do incognoscível.

Os avanços dos termos psicológicos criaram uma facilidade maior em se explicar os processos internos a um leigo. Os estudos de Jung sobre astrologia e tarot facilitaram ainda mais para se verificar a similaridade entre a linguagem oracular e psicológica. As linguagens da alma são sempre as mesmas, os caminhos é que mudam, bem como sua finalidade. Vale lembrar, porém, que tarot e psicologia não são a mesma coisa! Psicólogos aprendem um conjunto de definições e terminologias que limitam seu entendimento da vida. Eles mesmos se definem junguianos, freudianos, lacanianos e assim por diante... Ou seja, limitam sua introvisão a um pesquisador ou pensador específico. 
O tarot visto sob uma perspectiva terapêutica teve seu maior marco com a publicação em 1980 do livro Jung e o Tarot: Uma Jornada Arquetípica de Sallie Nichols. De lá para cá a tarologia ficou muito associada à linguagem junguiana, o que foi interessante para tirar o tarot da obscuridade, mas que de modo algum resume o que ele é! O tarot terapêutico é uma matéria recente, com pouco mais de trinta anos e ainda em desenvolvimento, e a tendência é de que esse ranço psicoterápico junguiano diminua e se amplie para outras abordagens interiores e mais espirituais.

O mapa astrológico natal, um guia da
proposta da alma para toda a vida.
Os tarólogos que fazem o mesmo (Que se resumem a certas correntes da psicologia) estão copiando um modelo que já mostrou não levar a nada! O mundo não ficou melhor por causa disso, é um modelo falido! Um tarologista deve ter em sua mente e no seu coração a visão de muitas formas de expressão da psique humana, o que pode sim envolver a psicologia, tanto quanto o xamanismo, a reencarnação, as filosofias orientais e tudo o que possa ampliar a visão de quem se consulta sobre sua própria vida. A grande beleza do tarot está justamente em recontar a biografia de quem procura suas lâminas com uma perspectiva completamente nova, abrangente e integradora que possibilita a união dos vários aspectos da alma na formação de um ser inteiro e curado!
Aproximar uma consulta tarológica de uma sessão de psicologia, com o intuito de lhe dar um caráter mais “sério” é uma ação pejorativa com relação à própria tarologia, pois a coloca numa posição inferior. A linguagem do tarot é superior ao que conhecemos como a moderna psicologia, transcende os temas abordados numa psicoterapia por encarar assuntos como o Karma, a reencarnação e a influência de outros planos de consciência e energia no momento presente! Sem falar que o tarot preserva sempre seu caráter oracular, permitindo sondagens sobre o futuro e esclarecimentos sobre o passado para muito além das aplicações da psicoterapia.

Como funciona?

Cada tarólogo se utiliza de um método de leitura e abordagem das cartas que o permitem acessar a linguagem dos símbolos bem como a biografia de quem procura as orientações do tarot. Eu particularmente costumo abrir a Cruz Celta, numa adaptação criada por mim dos significados das casas, com o intuito de obter as informações que considero mais importantes para a orientação prática e interior de quem se consulta. A disposição e o significado são a seguinte:

1) É a posição do Mundo interior no momento, e representa os temas mais importantes no momento, e os sentimentos e pensamentos que despertam.
2) As ações, essa posição mostra que atitudes estão sendo tomadas a partir do momento presente no mundo interior, e que podem estar em acordo ou desacordo com ele (No caso de contradizer, trata-se da velha ambiguidade humana).
3) Os apelos da alma. Nessa posição inicia-se um círculo em torno da cruz principal formada pela posição 1 e 2 que mostrarão a totalidade do ser nos quatro planos; O plano espiritual na posição 3, o plano psicológico na posição 4, o material na posição 5 e o plano social na posição 6. A posição 3 fala das percepções intuitivas do indivíduo que podem ter sido ignoradas, ou não, até aqui.
4) Desafios, eles representam os problemas que se mostram no momento e que podem ter origem psicológica em condicionamentos e bloqueios infantis ou mesmo forjados em outras vidas.
5) O mundo consciente e a vida material. É a relação com o mundo material, trabalho, dinheiro, finanças e segurança. É a imagem que o eu “vende” ao mundo.
6)Vida social e objetivos futuros. Mostra as relações como um todo, amigos, família e o modo como o eu vive as relações genericamente. Isso define também onde se encontra, ou não, os aliados para os planos futuros e revela quais são esses planos!

A Cruz Celta, um antigo método de leitura
que funciona como um diagrama da história
pessoal de quem retira as cartas.

7) A personalidade, que face do ser está emergindo, vindo à tona para o trabalho desse momento? Essa posição revela isso.
8) Relacionamentos íntimos e a expressão do afeto. Mostra as relações amorosas, se é que existem, e como se vive a afetividade e a sexualidade.
9) O aprendizado, a carta nessa posição mostra o que há para ser apreendido no conjunto de vivências do momento, revela algo com que podemos crescer se o acolhermos integralmente.
10)A síntese, essa última posição nos dá uma visão mais clara do que se trata afinal o todo expresso nas cartas. Podendo mostrar a finalidade última dos acontecimentos.

Depois dessa leitura, costumo indicar florais que ajudarão no processo de desdobramento das atitudes condicionadas, primeiramente por intermédio da autoconsciência, e depois da mudança das atitudes. Explicado assim parece muito fácil, mas na verdade é um processo que requer um alto nível de comprometimento, dedicação, e empenho interno. Sessões regulares para o acompanhamento das essências florais e aplicação de outras técnicas de suporte como o reiki, a meditação e técnicas respiratórias são recomendados.
Leituras regulares de tarot auxiliam a verificar o quanto se caminhou no conjunto de temas revelados na primeira sessão. O tarot opera assim como um revelador e um regulador do processo interior de crescimento.