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segunda-feira, 20 de novembro de 2023

A Viagem do Louco - Aprofundando Conexões

Apresentei a viagem arquetípica do Louco no artigo Arcanos Maiores – O Mapa da Vida. Nesta viagem o arcano zero dos 22 trunfos (os arcanos maiores) aparece como uma alma prestes vir para este mundo e cumprir sua viagem evolutiva, o que tanto envolve seu desenvolvimento psicológico quanto espiritual na sua viagem de retorno à unidade divina, ou sagrada. O Louco é, em última instância, a representação de cada um de nós pelos caminhos desta vida, enfrentando os desafios e crescendo, ou não, com eles. Num movimento fluído seguir adiante é sinônimo de evolução! Algumas pessoas, entretanto, ficam como que presas à certas vivências arquetípicas. Reconhecer onde estamos na jornada e onde nos “enganchamos” ao longo dela é um trabalho fundamental dentro de uma perspectiva de crescimento e desenvolvimento pessoal. Vamos rever agora a linda jornada que fazemos usando a roupagem deste bufão encantado em busca da verdade Superior, mas desta vez aprofundando as relações numéricas entre os arcanos e seu entrelaçamento simbólico para a compreensão dos processos que impulsionam a consciência a se expandir. Vale registrar aqui que esses entrelaçamentos são minha experiência contemplativa do simbolismo dos trunfos, cada um fará a sua e, portanto, poderá chegar às suas próprias conclusões. Vamos à jornada:  

A Viagem do Louco

A Viagem de O Louco, uma busca
por si mesmo e a Sabedoria.

Para entendermos bem os arcanos maiores e sua representação como etapas vivenciais da existência, encarar as cartas como estágios de uma viagem pela vida é de imensa ajuda! O esquema que apresento aqui e utilizo em minhas iniciações foi apresentado por Sallie Nichols em seu livro Jung e o Tarot, de 1980. O esquema é organizado em três setenários que se dispõe de modo muito rico tanto simbólica quanto aritmeticamente. O Louco representa o próprio viajante que se coloca fora do grande esquema de 21 cartas. Ao ser colocado antes da carta de O Mago ele é o ignorante puro de coração, aquele que percebe sua falta de conhecimento e sabedoria e sai em busca delas.

Ao completar, porém, o longo trajeto arquetípico ele se vê mais uma vez fora do grande esquema. Mas agora não mais como um ignorante, mas sim um sábio iluminado que passou por tudo, e que apesar de compreender o esquema dos eventos da vida comum, não mais comunga com eles. A viagem, entretanto, nunca termina! Como o penúltimo arcano da caminhada, O Mundo, anuncia um fim e prenuncia simultaneamente um novo começo, O Louco prossegue mais instruído em seu trajeto. A busca da evolução nunca finda e continua em níveis cada vez mais elevados, pois o autoconhecimento é um caminho contínuo! E mesmo aqueles cuja evolução transcendeu os níveis da humanidade e não mais precisam do recurso reencarnatório, já que sua evolução não continua aqui na Terra, continuam em sucessivas peregrinações evolutivas em outras dimensões! A esses chamamos de muitos nomes, Mestres Ascensos, Iluminados, Avatares, são alguns deles.

Os arcanos como estágios
evolutivos da consciência

Os três níveis das cartas são divididos, como já disse, em setenários que vão de O Mago ao arcano de O Carro. Do arcano de A Justiça ao arcano de A Temperança. E, finalmente, do arcano de O Diabo ao arcano de O Mundo! Muitas visões diferentes sobre esta jornada já foram publicadas e cabe a cada neófito no estudo do tarot conhecer essas muitas versões e escolher a que mais faz sentido para si dentro do seu próprio processo evolutivo pessoal. Para mim o primeiro setenário fala do processo de formação do indivíduo, o segundo das leis ou princípios que regem a vida e o terceiro do caminho da transcendência que poucos trilharão com sucesso, muito embora tenham todos a oportunidade de fazê-lo! Apresento a seguir uma síntese de cada setenário e o significado resumido de cada carta passo a passo. Antes, porém, devo advertir que aqui O Louco será visto como uma criança recém-chegada a este mundo.

O Caminho do Indivíduo

O Mago, o Pai Cósmico,
a divindade interior.

Ainda no ventre da mãe o infante preserva a conexão com o poder criador do pai cósmico que realiza os milagres tanto naturais quanto sobrenaturais, e que para a maioria será esquecido ao longo da vida, e cujo resgate alude à volta à casa do Pai das escrituras sagradas (O Mago). Da mesma forma o acesso à sabedoria universal através da voz interior da grande mãe cósmica (A Sacerdotisa). Ao nascer a conexão com o mundo espiritual e transcendente é cortada e a mãe terrena o conecta ao corpo e ao mundo dos sentidos e do prazer físico (A Imperatriz). O pai terreno surge para apontar para o mundo concreto das realizações e das limitações, para que não se perca a vida em indolência (O Imperador). Ao crescer um pouco mais o infante vai à escolinha e receberá a partir de então uma série de iniciações que nunca mais findarão, se ele for de fato um buscador espiritual. Da alfabetização ao doutorado, das iniciações acadêmicas às iniciações espirituais, ele será iniciado nos mistérios que conduzem à realização maior, e que prosseguem a níveis cada vez mais refinados e sutis (O Hierofante). Com os colegas na escolinha, na universidade ou nas escolas de mistério, assim como na vida, o jovem aprenderá a ouvir outras visões e versões sobre a verdade, diferentes daquelas que ouviu de seus professores e Mestres e escolherá se ele se adaptará a alguma ou se seguirá a tradição (Os Amantes)! No fim, o jovem adulto se sente confiante para enfrentar o mundo. Aposta em suas formações, visão e escolhas e sai como um guerreiro pronto para a batalha do crescimento pessoal na jornada da vida (O Carro).

O Caminho das Leis

A Justiça, o regulador da Balança.

Logo O Louco, agora travestido de O Carro, aprenderá pela observação, estudo ou experiência que a vida é regida por leis ou princípios. Que vão do código penal à constituição, das leis naturais, como a lei da gravidade, às leis espirituais, como a lei do Karma (A Justiça). Aprenderá que a solidão é a regra desta existência e que ele estará sempre só em sua dor ou êxtase nas experiências mais profundas e significativas de sua vida. E que quer ele faça o bem ou o mal, ele será o maior responsável por suas ações e pagará por elas (O Eremita)! Verá também que a mudança é a lei da vida, que tudo muda sempre, mas que também tudo é cíclico! Tudo muda, mas se repete porque nada é exatamente igual, como um verão não é igual ao outro. Aprenderá também que ciclos similares que se reptem com insistência evocam a evolução da consciência (A Roda da Fortuna). Descobrirá que o poder para mudar nosso próprio destino jaz dentro de cada um de nós, mas requer força de vontade, empenho, coragem e muita energia (A Força). Porém, para que nosso ego não enlouqueça de vaidade, aprenderemos que na vida há o imponderável que nos torna impotentes! Que por mais fortes e saudáveis que sejamos, envelheceremos e morreremos. Que por mais que amemos alguém, não podemos livrá-lo da dor e do sofrimento. A entrega nesse momento é um convite para a contemplação do transcendente (O Enforcado). Outra lei irrefutável é que tudo morre, mas que a morte não é um fim, e sim uma transcendência, que como diz o nome, é um ir além das experiências e formas conhecidas até então (A Morte). E que a morte é uma das maiores conspiradoras para a abertura e a busca por objetivos de maior amplitude e significado filosófico ou espiritual (A Temperança).

O Caminho da Transcendência

O Diabo, o desafio de se ver
além da matéria.

Na entrada do caminho da transcendência encontramos aquele que faz de tudo para nos fazer crer que além deste mundo que vemos a vida não tem nenhum sentido! Que não há transcendência espiritual! Ele nos propõe transcendências físicas, e algumas bem biológicas tais como poder material, sexo e drogas que nos prendem ainda mais a este mundo (O Diabo). Somente uma libertação consciente das amarras do ego ilusório, que poderá ser voluntária ou resultante de uma crise de grandes proporções, nos faz despertar deste sono, ou maya como dizem os indianos (A Torre). A ruptura nos faz ver para além de nós mesmos, e pela primeira vez vislumbramos nossa comunidade humana como uma família, e esse universo como nossa casa (A Estrela). Mas logo após essa revelação o ego insufla o medo da própria destruição e pensamentos de pânico como “Vou me perder”, “Estou ficando louco”, ou “Ah, é só minha imaginação!” podem nos fazer voltar atrás e abandonar o caminho da evolução (A Lua). Ao resistirmos e atravessarmos os mares dos nossos fantasmas a consciência antes adquirida se consolida, e um imenso esclarecimento sobre nosso propósito interior advém e se reforça, trazendo clareza, êxito, força interior e foco (O Sol). Então, ao revermos nossa viagem pela vida, todos os fatos que aparentemente não possuíam conexão entre si entrelaçam-se e o sentido último de nossa existência se revela (O Julgamento). A dança cósmica se completa em nós, e um profundo sentimento de satisfação e comunhão com todas as coisas deste mundo e do universo se realiza dentro de nós com perfeição e regozijo. Saímos então da roda das encarnações (O Mundo).

Curiosidades Aritméticas

Neste arranjo das cartas dos arcanos maiores algumas reflexões podem ser feitas com os números nesta disposição. Por exemplo: Se somarmos verticalmente a primeira carta da primeira fileira (O Mago I) com a primeira carta da terceira fileira (O Diabo XV), obteremos o número 16. Observamos então que a carta que fica entre os dois arcanos é o primeiro arcano da segunda fileira (A Justiça VIII). Curioso, não? Parece haver uma sugestão simbólica aqui, algo mais ou menos assim: O grande poder da divindade interior (O Mago I) pode ser corrompido ao ponto de perverter-se completamente (O Diabo XV)! Por isso é preciso manter a crítica, a autocrítica, o bom senso e o discernimento consciente para equilibrar “os pratos da balança” (A Justiça VIII). O mesmo ocorre entre a Sacerdotisa II e a Torre XVI, cuja soma 18, encontra seu equilíbrio no arcano central O Eremita IX, e assim segue entre todas as somas verticais!

Outra curiosidade é que as somas transversais, tanto da esquerda para a direita quanto da direita para a esquerda, dão sempre no mesmo arcano. Veja isso: a soma do arcano de O Mago I, com o arcano de O Mundo XXI é igual a 22 cuja metade é 11, o arcano de A Força XI. Outra mensagem parece estar se insinuando aqui: entre descobrir o poder da divindade interior e atingir a transcendência é preciso muito empenho, coragem e disposição para debruçar-se sobre si mesmo ao confrontar a fera interior! O arcano de A Força é a metade resultante de todas as somas transversais entre os números dos outros arcanos maiores. Para conferir continue somando A Sacerdotisa II com o Julgamento XX, A Imperatriz III com O Sol XIX, O Imperador IV com A Lua XVIII... E até nas cartas da mesma fileira a que o décimo primeiro arcano pertence, como A Justiça VIII com A Temperança XIV, e até dos dois vizinhos mais próximos A Roda da Fortuna X com O Enforcado XII. Parece que a reflexão central desse simbolismo aritmético é que a confrontação com a sombra dos instintos inferiores, a besta interna, e sua integração impulsiona o despertar da luz espiritual, dos dons e talentos latentes e a evolução do indivíduo. Que se dá dentro do modo indicado pelo significado das cartas que compõem a fórmula! Estas “coincidências” provam mais uma vez que a troca feita por Waite colocando a carta de A Justiça no lugar de A Força no ponto central do quadro dos 22 arcanos maiores, não se sustenta simbolicamente. Medite sobre essas relações, tire suas conclusões e reveja-as periodicamente. Você crescerá muito em suas percepções sobre a vida e em seu próprio desenvolvimento pessoal e espiritual.

Aprofundando as Perspectivas Verticais

A verticalidade é, sem síntese, a relação micro e macrocosmo, homem e universo. Mantendo sempre em mente que os números aqui conectam os arcanos simbolicamente. Na primeira fileira, já como vimos, O Mago, que simboliza o poder absoluto de fazer as coisas acontecerem e criar dinamismo onde se apresente através dos seus dons e habilidades aplicados com excelência, se conecta com o arcano de O Diabo que perverte, e subverte toda a emanação do poder oriundo da fonte superior. Nesse caso o Diabo seria a sombra do Mago que possui entre seus atributos mal dignificados a mente brilhantemente maligna, o gênio do mal. A solução para isso seria, como nos ensinou Buda, o caminho do meio. Entre esses dois poderosos arcanos está A Justiça. Símbolo da razão pacificadora e retificadora, da consciência plena e da mente que avalia, critica, e julga a fim de chegar ao cerne da verdade e do bom senso. Só essa postura crítica e autocrítica livrará O Mago de mergulhar na sua própria escuridão.

Na fileira seguinte vemos A Sacerdotisa, símbolo da espiritualidade intrínseca, e muito além da experiência religiosa, que se expressa na sabedoria interior revelada nas intuições profundas, nas visões interiores (clarividência) e na voz do altíssimo (a clariaudiência) que nos conectam aos planos superiores de consciência. Ou de suas bênçãos expressas em dons de cura, e outras habilidades mediúnicas, mediante o mergulho em si mesmo. Aqui também A Torre parece estar representando a sua sombra, que seria o efeito destrutivo de tais revelações quando proferidas por pessoas incautas, despreparadas e até mesmo mal-intencionadas. O antídoto para este perigo fica entre os dois trunfos. O Eremita que surge como a prudência, e foi Éliphas Lévi quem primeiro atribuiu esse significado a este arcano. Além da prudência ele enaltece o valor da sabedoria que é conhecimento + prática + observação. Muitos médiuns acham que não precisam estudar as leis herméticas para aplicar suas habilidades. O mesmo se dando com estudantes das artes oraculares que se acham prontos com seus cursos de poucas horas. Causam muito mais dano do que o benefício que pretendiam!

Em seguida o arcano de A Imperatriz surge como a expressão do amor cuidadoso que as mães nos dispensam e nos ensinam e que, por fim, aprendemos a ter com todas as coisas e pessoas que amamos. Apegada aos seus apetrechos de poder a sua sombra é justamente quando este amor e cuidado é diluído no amor às causas mais que às pessoas, e sua afetividade vira uma afinidade impessoal e mais mental que afetiva, tão bem representado na nudez de A Estrela. Onde uma donzela comunga com os astros distantes seu êxtase pela vida. Entre os dois arcanos a carta de A Roda da Fortuna surge dizendo que intercambiar as duas posturas é fundamental para a construção de relações saudáveis e harmônicas. Amar ao próximo sem esquecer de abraçar aqueles que estão ao nosso lado e que também precisam do nosso amor. Muitas vezes referida como a Mãe-natureza, a imperatriz também pode conectar os aspectos biológicos e naturais do corpo que precisam de interação e “troca” com os elementos naturais como são representados em A Estrela, o pássaro, árvores, água, terra e os próprios astros do sidéreo. A filosofia das tradições medicinais do oriente e nativas falam da importância dessa interação para a cura física e mental.

Na quarta fileira o arcano de O Imperador representa o poder delegado. As autoridades que comandam, gerenciam e movem este mundo! O poder que ele representa é o do líder das massas, aquele em quem se cofia para dirigir um lar, uma empresa, o país! A sua sombra também se expressa no arcano de A Lua. O perigo que todo governante tem de projetar em todo esse poder e confiança a sombra de seus próprios medos e frustrações não resolvidas, e o risco que corre ao enfrentar os antagonistas que se movem nos bastidores do jogo político, da bajulação, e das articulações dúbias do poder! O arcano de A Força é a resposta para esta escuridão abismal. Simboliza a necessidade de se preservar, com constância, a posição firme dos que comandam com integridade. Sem deixar nunca de marcar seu posicionamento, lembrando de seu papel e importância, ressaltando também a importância de cada um na integralidade de suas funções. A donzela de A Força segura firme e gentilmente a cabeça do leão mantendo um pé a frente, marcando sua posição com rigor. É, literalmente, a mão firme que mantém as coisas no seu devido lugar. O líder deve manter-se em seu papel e função sem oprimir, mas distinguindo a função de todos sob seu comando!

Na quinta fileira aparece uma conexão difícil. O arcano de O Hierofante representa as tradições e a sabedoria ancestral que pode justamente nos levar à iluminação! A palavra Hierofante quer dizer “aquele que leva ao sagrado”, muitas vezes na tradição oculta o sagrado é também referido como a presença da luz... Como isso poderia ser ruim, ou sombrio? O arcano de O Sol simboliza mesmo a iluminação espiritual, mas também o risco da vaidade ou da intensidade com que olhamos para nossa própria trajetória. O Enforcado surge como o caminho da humildade que nos faz reconhecer que todo saber deve estar a serviço de algo maior (de cabeça para baixo se olha para o céu!). A sua posição, que é simultaneamente de submissão e entrega, permite justamente olhar por outra perspectiva, a do outro, ou de outra forma que nos permita aceitar sem recriminar... Suas mãos estão para trás indicando abertura e receptividade. Um observador atento e amoroso que aprendeu com seus próprios sofrimentos e desilusões a considerar os erros como parte da trajetória rumo à luz na vida de qualquer um. A sombra de O Hierofante é justo o preconceito e o dogmatismo empedernido.

O sexto arcano mostra Os Amantes (ou O Enamorado em português) que na iminência de decidir com a pureza do seu coração é antes incitado pelo arcano de O Julgamento a mergulhar numa última avalição interior da sua decisão. O Julgamento é justamente o aprofundamento da consciência numa busca de ampliação de si mesma. Assim como o juízo final bíblico se refere a um chamado para que a humanidade retome à consciência correta (ou perspectiva) sobre o real valor e sentido da vida. A Morte surge entre os dois trunfos assinalando primeiro que as decisões causam mudanças irreversíveis na maioria das vezes, e que por isso devemos considerar o que estamos perdendo ao decidir. Por fim, a Morte revela-se como o verdadeiro moderador da vida. Tudo morre, por isso todo tempo perdido em ambiguidades, fruto da imaturidade, é o desperdício do bem mais precioso à vida: o tempo! A incapacidade de decidir ou de conviver com suas decisões é o mais explícito ato de uma alma imatura em seu desenvolvimento. Entender o propósito de estar neste mundo (O Julgamento) e fazer escolhas compatíveis com este propósito (Os Amantes) são os marcos de uma real evolução tanto pessoal quanto espiritual. E, de novo, a Morte como o regulador do existir, nos incita a encontrar o propósito de nossas vidas porque a Morte nos espera no fim desta jornada chamada vida.

Na última fileira o sétimo arcano do guerreiro intitulado O Carro mostra um jovem príncipe que se move em sua carruagem (uma biga) em direção ao mundo, à vida, e com a clara intenção de vencer tudo e todos para chegar no último arcano do caminho transcendente, O Mundo! Ele venceu todas as etapas anteriores e se sente mais que pronto para atingir seus grandes objetivos. Entretanto, o arcano intermediário, A Temperança aparece lembrando ao jovem herói que nada é conquistado sem constância, perseverança e metas e direções claras! O anjo de A Temperança nos lembra os processos alquímicos que pretendiam transmutar a matéria bruta do chumbo na nobreza do ouro. Um processo gradual e dificultoso em que a própria consciência seria depurada, sutilizada e elevada. Daí este décimo quarto arcano do tarot também representar todos os tratamentos curativos e medicinais, e também as jornadas tanto internas quanto externas (viagens/peregrinações) onde se almeja alcançar algo, quer seja concreto ou empírico. O anjo ensina ao jovem príncipe que sem isso nenhuma obra será completa ou satisfatória (O Mundo).

Aprofundando as Perspectivas Diagonais

Neste cruzamento onde os símbolos e os números se entrelaçam mais uma vez numa espécie de dança arquetípica, o simbolismo do arcano de A Força predomina. Todos os outros arcanos se abastecem de seu manancial simbólico durante esta viagem. Sua grande relevância se evidencia já na posição que ocupa dentro do quadro formado por três setenários. Colocado exatamente no centro dele este arcano mostra a sabedoria (a donzela) conduzindo a força (o leão), ou seja, a sutileza, a inteligência, a vontade serena, mas firme, constante e centrada encontram o êxito de sua empreitada... A autoconfiança é sem arrogância, o êxito sem exibicionismo! A fera interior está domada e a serviço do Si-mesmo. Os esforços lograram êxito e uma imensa satisfação! As distâncias, tanto angulares quanto aritméticas funcionam como o fio de Ariadne que conectam sentidos e simbolismos através do décimo primeiro arcano maior. Vamos às conexões:

O imenso talento de O Mago, só realizará a Magna Obra de O Mundo através do empenho vigoroso e contínuo de A Força!

O psiquismo e as visões de A Sacerdotisa só reverberarão em ampliações da consciência e na unificação de sentidos de O Julgamento se integrarem os aspectos humano e espiritual da vida como em A Força.

O amor e o cuidado de A Imperatriz só resultarão no amor maduro e feliz de O Sol, se houver a suplantação do ego humano e suas infinitas carências e ânsia de controle, a sombra de A Força.

O poder e a liderança de O Imperador não serão corrompidos pelas tramas ocultas do poder que ocorrem em A Lua se a severidade for combinada ao respeito às posições ocupadas (a hierarquia) como em A Força.

Os preciosos ensinamentos de O Hierofante não serão dispersados amplamente e em vão em A Estrela, se o respeito ao que se sabe for uma constante nas ações como em A Força.

As escolhas amorosas de Os Amantes, não serão destrutivas ou autodestrutivas em A Torre se tiverem como base a autorresponsabilidade e a disposição de enfrentar-se como em A Força.

Os objetivos de avanço e conquista de O Carro não irão descambar numa cobiça desmedida e sem consequências em O Diabo, se a vigília sobre si mesmo e suas sombras for constante como em A Força.

O equilíbrio de A Justiça só se transformará na harmonia pacificadora reorganizadora de A Temperança quando os baixos instintos do ego forem transmutados na luz da consciência como em A Força.

A busca pela sabedoria e a luz interior de O Eremita, não será barrada pelo medo do fim como em A Morte, se a atenção estiver plenamente focada no caminho escolhido como a donzela está focada no ato com seu leão em A Força.

Os ciclos do tempo e as intervenções do destino de A Roda da Fortuna, não prostrarão ou vitimizarão o buscador como em O Enforcado se ele assumir o seu poder pessoal de coautor de sua vida como em A Força.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Arcanos Maiores - O Mapa da Vida


Percorrer o simbolismo dos 22 arcanos maiores é percorrer os principais eventos que marcam a vida humana em todas as suas manifestações, sejam elas psicológicas, culturais, de credo ou legitimamente espirituais. Podemos definir os arcanos maiores como os principais acontecimentos que levam ao processo de iluminação da consciência, ou individuação, como diria C. G. Jung. As suas vivências movimentam-se em diferentes intensidades ao longo de toda a vida, ou em apenas um dia. Assim, podemos viver todos os 22 arcanos maiores durante um período de 24 horas, ao mesmo tempo em que passaremos a vida desenvolvendo apenas um ou dois desses arcanos em profundidade! Incrível, não?
Como os exemplos dramáticos ilustram melhor que os felizes, vejamos o arcano XIII, A Morte. A morte é fato inevitável, mas que não ocorre repentinamente. Enquanto eu escrevo e você lê isso, estamos ambos morrendo um pouco mais, e mais mortos hoje do que ontem, embora nós dois não saibamos quando isso vai ocorrer de fato! Morremos um pouco quando terminamos um relacionamento em que apostávamos muito, ou quando saímos de um trabalho que vínhamos fazendo com dedicação. A morte, como podemos ver, nos acompanha um pouco a cada dia até que se precipite de modo derradeiro e definitivo sobre nós! O grande arquétipo da morte se dilui em pequenas mortes ao longo de toda uma vida. O mesmo se dá com os outros 21 arcanos numerados da série conhecida como arcanos maiores do tarot. Noutro exemplo, o arcano de Os Amantes (ou O Enamorado em português), o tema das decisões tomadas de acordo com a “voz do coração” pode variar de um entre dois amores, ou entre duas carreiras, dois empregos, duas camisas no armário antes de se sair para trabalhar de manhã! Os arcanos maiores assim se chamam justamente porque sua abrangência simbólica envolve os quatro níveis de consciência, física, mental, sentimental e espiritual. Enquanto os arcanos menores têm seus significados mais restritos a cada um desses níveis representados por seus naipes. Ouros, o mundo físico, Espadas, o mundo mental, Copas os sentimentos e Paus o plano criativo-energético! Por esse motivo arcano maior e arcano menor não significa mais ou menos importante! Significa, isto sim, maior e menor abrangência simbólica.


Visconti-Sforza (1450), o tarot mais antigo a 
ter o baralho completo com 78 arcanos.

Já citei aqui que os arcanos maiores representam numa leitura o que está acontecendo, os arcanos menores a consequência desses acontecimentos em nossa vida imediata e as cartas da corte, que pertencem ao conjunto dos arcanos menores, mostram como nos posicionamos e atuamos diante desses acontecimentos no nível da personalidade. Combinados assim os arcanos maiores e menores são uma perfeita *“máquina de imaginar” como bem o descreveu o tarólogo e escritor espanhol Alberto Cousté! Isso, no entanto, não define o modo como esses dois conjuntos do mesmo baralho devam ser jogados. Há aqueles que como eu gostam de lançá-los misturados numa leitura, outros preferem jogar em separado, combinando arcanos maiores e menores a cada lançamento. Há ainda os que preferem ler apenas os arcanos maiores em todas as sequências de leitura sem nunca acrescentar os menores! Isso depende muito de como funciona o processo psíquico-intuitivo de cada leitor. Não há certo ou errado! Descubra o seu modo! Só não vale sair por aí ensinando só arcanos maiores e dizendo que está “formando tarólogos”, pois seria um engodo! Sem falar que curso nenhum forma um tarólogo, apenas o inicia na linguagem simbólica dos arcanos. A formação só se completa com o tempo, a prática e a dedicação não só em executar leituras, e em estudar o simbolismo das cartas, mas também em tirar o máximo delas para o próprio crescimento. Que se dá através dos ensinamentos de vida que as lâminas do tarot, em toda sua profundidade arquetípica, proporcionam a quem sabe ver seu significado intrínseco!


O clássico tarot de Mareselha (1750), uma 
reprodução de baralhos mais antigos.

Existem uma miríade de versões de baralhos de tarot, muitas delas absolutamente lindas, outras nem tanto! Há ainda aquelas que são uma cópia descarada de baralhos mais conhecidos como o Rider-Waite e o Thoth-Crowley. O problema que há em se estudar baralhos de autores é que cada um deles enfatiza os significados que lhe são mais significativos em sua interpretação deste ou daquele arcano! Basta ver as alterações arbitrárias e sem maiores justificativas feitas por Waite ao trocar as posições dos arcanos maiores VIII A Justiça e XI A Força, ou a alteração que Crowley fez nos arcanos menores transformando os Cavaleiros em Reis e rebaixando os Reis a Príncipes! Outro exemplo que costumo citar, como uma prova clara da interferência dos autores no simbolismo do tarot nas versões do baralho criadas por eles é o do arcano XV, O Diabo, que para Aleister Crowley é uma figura que representa o poder e a paixão plenamente vividos. Enquanto que para Vicki Noble, autora do Motherpeace tarot, é um símbolo do capitalismo e do patriarcado dominante, onde o macho entronado numa pirâmide social instiga a luta entre classes. Crowley era um pagão sexualmente ambíguo e nada contido em seus impulsos. Noble é uma feminista, e ambientalista pagã! Percebem o motivo dos enfoques dados aos seus “Diabos” nos baralhos que compuseram? Ambos captaram bem o significado do arcano que engloba as duas interpretações, mas ao desenharem seus baralhos enalteceram os significados que mais lhe diziam respeito sem dar muito espaço para os outros... Como ver a paixão sexual no Diabo de Noble? Como ver o poder opressor no Diabo de Crowley?










O tarot Motherpeace (à esq.) e o tarot Thoth (à dir.), enfocando e enaltecendo 
certos significados pertinentes ao arcano XV O Diabo.

Isso não significa que devamos evitar os baralhos modernos de autor, mas sim que devemos encará-los com cautela. Os baralhos modernos podem trazer perspectivas interessantes sobre os arcanos ao colocá-los sob a ótica de uma determinada mitologia, cultura ou doutrina espiritual, como nos casos do tarot Mitológico, o Thoth e o Osho Zen, só para citar alguns exemplos bem sucedidos. Em minhas aulas eu prefiro utilizar as cartas do tarot de Marselha, um baralho que imita os antigos conjuntos medievais de tarot. Até onde sabemos o tarot não foi criado com o propósito de ser um oráculo, mas sim um jogo da nobreza europeia que acabou funcionando como um material projetivo da psique humana. A mesma despretensão mística ou oculta o isentou de interferências deste ou daquele autor! Costumo dizer aos meus alunos que ao entendermos bem o simbolismo básico do tarot de Marselha, entenderemos as intenções das intervenções dos autores de tarots modernos em seus baralhos!

As Cores

As cores falam-nos diretamente às emoções, temos sempre uma reação imediata ao visualizar uma cor que gostamos ou que detestamos. E também amamos ou detestamos uma cor sem uma razão aparente! Há pessoas que se sentem subitamente tristes com o azul, outras imediatamente irritadas como vermelho e assim por diante! Sem falar na linguagem simbólica que criamos para representar nossas emoções utilizando as cores: azul de fome, verde de inveja, vermelho de raiva, e a quem sucumbe ao medo dizemos que ele ou ela “amarelou”. Muito embora nem todas essas relações semânticas tenham consistência no significado psicológico das cores, elas simbolizam bem sua íntima relação com as emoções humanas.
No tarot de Marselha as cores que são representadas são as básicas, vermelho, azul, amarelo, verde, branco e preto. O branco aparece como um detalhe significativo no cabelo de A Imperatriz, na barba de O Imperador e O Hierofante, na água que escorre dos jarros do arcano de A Temperança e em alguns dos raios de energia dos arcanos de A Lua e de O Sol. Já o preto, apesar de aparecer mais fortemente nos arcanos maiores de A Morte, XIII e nos contornos da face de A Lua, XVIII, ele só se salienta mesmo no naipe de espadas. E essa cor, como veremos, tanto é dor e desorientação, quanto o vazio da experiência de elevação espiritual! Exatamente como o é o mergulho nos aspectos críticos desses arcanos maiores e no naipe de espadas, uma crise que traz em si a possibilidade de crescimento interior.
Vamos às cores e seus significados simbólicos:

Vermelho

Como o fogo, avança. Ação, movimento, rapidez, paixão, intensidade, destreza, agilidade e disposição física! Energia, vigor, embate, disposição para o confronto. Uma cor associada tanto à guerra quanto ao sexo e à sedução. Pode também sugerir impulsividade, pressa, impaciência e agressividade!

Azul

Como a água, infiltra-se. Calma, tranquilidade, profundidade, espiritualidade, contemplação. A ação interior, como a reflexão e a meditação. O psiquismo mediúnico, premonição, vidência etc. Os dons da alma. Memória, sonho, idealização. Por outro lado simboliza também a passividade, a preguiça, a inércia, a reclusão e ou indiferença emocional.

Verde

A cor da fertilidade, do progresso, da regeneração e da cura, tanto física quanto espiritual. Essa é a cor do encontro da verdade, por mostrar como as coisas, assim como os frutos, são no início. Por isso é também uma cor de revelação e esperança! É a cor associada aos profetas e à grandeza do mar, podendo significar soberba.

Amarelo

Luz, inspiração e intuição superior, criatividade, descontração, brilho, reconhecimento, sucesso, êxito. Por estar associada ao sol muitos reis, como os imperadores chineses, a reservavam somente para si! Sugere riqueza, felicidade, talentos, dons, beleza e posses reconhecíveis a qualquer um! É também a cor da vaidade, da ambição e da ostentação!
















O preto é a cor predominante em arcanos críticos como no caso 
de A Morte (à esq.) e o 3 de espadas (à dir.).


Branco

A paz profunda, consciência amplificada. A cor da pureza, e por isso mesmo muito ligada ao espírito e à Divindade. É uma cor de neutralidade e descanso, bem como da visão total da existência, pois do branco saem todas as outras cores. É a cor dos anciãos e da sabedoria adquirida com o tempo e livre das máculas projetivas do eu inferior.

Preto

Simboliza a ausência de luz, e por isso o desespero, o luto, a falta de perspectiva e orientação, a negatividade, o medo. Por outro lado é a cor do descanso da mente, e no Zen budismo, por exemplo, simboliza o vazio da consciência que nos leva à iluminação espiritual através da libertação da mente dos desejos, de onde nascem todos os sofrimentos!

A Posição das Imagens

Muita coisa tem sido escrita sobre as personagens dos arcanos maiores, bem como dos arcanos da corte, estarem viradas para a esquerda ou para direita e os possíveis significados disso! Uns dizem que se deve considerar sempre a perspectiva do espectador. Por exemplo, o Hierofante está virado para o seu lado esquerdo, mas para quem o olha ele está virado para a direita e este deve ser então o lado a ser considerado na interpretação! No mínimo é confuso! Além do que nunca consegui tirar disso grandes significados simbólicos, o que é claro pode ser pura limitação minha, vamos deixar bem claro! Acho infinitamente mais significativo observar que as duas únicas figuras dos arcanos maiores que encaram o expectador diretamente é a mulher em A Justiça, arcano VIII e o próprio sol no arcano de mesmo nome O Sol, XIX. Os dois simbolizam o domínio da consciência. O primeiro puramente racional, o segundo mais abrangente, envolvendo os muitos aspectos da consciência. 


















Os personagens de A Lua e O Julgamento voltam-se para os céus, 
um busca alento, o outro o encontra.

Também acho interessante que as duas únicas representações de seres que olham para o alto apareçam nos arcanos de A Lua, XVIII onde duas bestas uivam para a lua, e no arcano XX, O Julgamento onde uma família olha para as alturas atendendo à chamada de um anjo! Quer esse olhar seja uma busca pelo mais alto ou um chamamento dele, no primeiro arcano há desorientação e a invocação de sentimentos e instintos atávicos, como o medo. Já no segundo há um esclarecimento profundo, o resgate de uma nova consciência e perspectiva sobre os eventos do passado e do presente e a observação de uma relação entre eles que liberta os velhos condicionamentos da alma. Um é a estagnação, o outro a libertação!
Essas “coincidências” se repetem por todo o simbolismo dos arcanos maiores do tarot de Marselha! E muitas outras observações sobre elas ainda podem ser feitas, mesmo dentre aqueles arcanos que citei aqui!

A Viagem do Louco

Para entendermos bem os arcanos maiores e sua representação como etapas vivenciais da existência, encarar as cartas como estágios de uma viagem pela vida é de imensa ajuda! O esquema que apresento aqui e utilizo em minhas iniciações foi apresentado por Sallie Nichols em seu livro **Jung e o Tarot, de 1980. O esquema é organizado em três setenários que se dispõe de modo muito rico tanto simbólica quanto aritmeticamente. O Louco representa o próprio viajante que se coloca fora do grande esquema de 21 cartas. Ao ser colocado antes da carta de O Mago ele é o ignorante puro de coração, aquele que percebe sua falta de conhecimento e sabedoria e sai em busca delas.


O Louco, o Buscador 
dentro de cada um de nós!

Ao completar, porém, o longo trajeto arquetípico ele se vê mais uma vez fora do grande esquema. Mas agora não mais como um ignorante, mas sim um sábio iluminado que passou por tudo, e que apesar de compreender o esquema dos eventos da vida comum, não mais comunga com eles. A viagem, entretanto, nunca termina! Como o penúltimo arcano da caminhada, O Mundo, anuncia um fim e prenuncia simultaneamente um novo começo, O Louco prossegue mais instruído em seu trajeto. A busca da evolução nunca finda e continua em níveis cada vez mais elevados, pois o autoconhecimento é um caminho contínuo! E mesmo aqueles cuja evolução transcendeu os níveis da humanidade e não mais precisam do recurso reencarnatório, já que sua evolução não continua aqui na Terra, continuam em sucessivas peregrinações evolutivas em outras dimensões! A esses chamamos de muitos nomes, Mestres Ascensos, Iluminados, Avatares, são alguns deles.
Os três níveis das cartas são divididos, como já disse, em setenários que vão de O Mago ao arcano de O Carro. Do arcano de A Justiça ao arcano de A Temperança. E, finalmente, do arcano de O Diabo ao arcano de O Mundo! Muitas visões diferentes sobre esta jornada já foram publicadas e cabe a cada neófito no estudo do tarot conhecer essas muitas versões e escolher a que mais faz sentido para si dentro do seu próprio processo evolutivo pessoal. Para mim o primeiro setenário fala do processo de formação do indivíduo, o segundo das leis ou princípios que regem a vida e o terceiro do caminho da transcendência que poucos trilharão com sucesso, muito embora tenham todos a oportunidade de fazê-lo! Apresento a seguir uma síntese de cada setenário e o significado resumido de cada carta passo a passo. Antes, porém, devo advertir que aqui O Louco será visto como uma criança recém-chegada a este mundo.


A viagem de O Louco se dá pelos três setenários 
evolutivos dos arcanos maiores.


O Caminho do Indivíduo

Ainda no ventre da mãe o infante preserva a conexão com o poder criador do pai cósmico que realiza os milagres tanto naturais quanto sobrenaturais, e que para a maioria será esquecido ao longo da vida, e cujo resgate alude à volta à casa do Pai das escrituras sagradas (O Mago). Da mesma forma o acesso à sabedoria universal através da voz interior da grande mãe cósmica (A Sacerdotisa). Ao nascer a conexão com o mundo espiritual e transcendente é cortada e a mãe terrena o conecta ao corpo e ao mundo dos sentidos e do prazer físico (A Imperatriz). O pai terreno surge para apontar para o mundo concreto das realizações e das limitações, para que não se perca a vida em indolência (O Imperador). Ao crescer um pouco mais o infante vai à escolinha e receberá a partir de então uma série de iniciações que nunca mais findarão, se ele for de fato um buscador espiritual. Da alfabetização ao doutorado, das iniciações acadêmicas às iniciações espirituais, ele será iniciado nos mistérios que conduzem à realização maior, e que prosseguem a níveis cada vez mais refinados e sutis (O Hierofante). Com os colegas na escolinha, na universidade ou nas escolas de mistério, assim como na vida, o jovem aprenderá a ouvir outras visões e versões sobre a verdade, diferentes daquelas que ouviu de seus professores e Mestres e escolherá se ele se adaptará a alguma ou se seguirá a tradição (Os Amantes)! No fim, o jovem adulto se sente confiante para enfrentar o mundo. Aposta em suas formações, visão e escolhas e sai como um guerreiro pronto para a batalha do crescimento pessoal na jornada da vida (O Carro).

O Caminho das Leis

Logo O Louco, agora travestido de O Carro, aprenderá pela observação, estudo ou experiência que a vida é regida por leis ou princípios. Que vão do código penal à constituição, das leis naturais, como a lei da gravidade, às leis espirituais, como a lei do Karma (A Justiça). Aprenderá que a solidão é a regra desta existência e que ele estará sempre só em sua dor ou êxtase nas experiências mais profundas e significativas de sua vida. E que quer ele faça o bem ou o mal, ele será o maior responsável por suas ações e pagará por elas (O Eremita)! Verá também que a mudança é a lei da vida, que tudo muda sempre, mas que também tudo é cíclico! Tudo muda, mas se repete porque nada é exatamente igual, como um verão não é igual ao outro. Aprenderá também que ciclos similares que se reptem com insistência evocam a evolução da consciência (A Roda da Fortuna). Descobrirá que o poder para mudar nosso próprio destino jaz dentro de cada um de nós, mas requer força de vontade, empenho, coragem e muita energia (A Força). Porém, para que nosso ego não enlouqueça de vaidade, aprenderemos que na vida há o imponderável que nos torna impotentes! Que por mais fortes e saudáveis que sejamos, envelheceremos e morreremos. Que por mais que amemos alguém, não podemos livrá-lo da dor e do sofrimento. A entrega nesse momento é um convite para a contemplação do transcendente (O Enforcado). Outra lei irrefutável é que tudo morre, mas que a morte não é um fim, e sim uma transcendência, que como diz o nome, é um ir além das experiências e formas conhecidas até então (A Morte). E que a morte é uma das maiores conspiradoras para a abertura e a busca por objetivos de maior amplitude e significado filosófico ou espiritual (A Temperança).

O Caminho da Transcendência

Na entrada do caminho da transcendência encontramos aquele que faz de tudo para nos fazer crer que além deste mundo que vemos a vida não tem nenhum sentido! Que não há transcendência espiritual! Ele nos propõe transcendências físicas, e algumas bem biológicas tais como poder material, sexo e drogas que nos prendem ainda mais a este mundo (O Diabo). Somente uma libertação consciente das amarras do ego ilusório, que poderá ser voluntária ou resultante de uma crise de grandes proporções, nos faz despertar deste sono, ou maya como dizem os indianos (A Torre). A ruptura nos faz ver para além de nós mesmos, e pela primeira vez vislumbramos nossa comunidade humana como uma família, e esse universo como nossa casa (A Estrela). Mas logo após essa revelação o ego insufla o medo da própria destruição e pensamentos de pânico como “Vou me perder”, “Estou ficando louco”, ou “Ah, é só minha imaginação!” podem nos fazer voltar atrás e abandonar o caminho da evolução (A Lua). Ao resistirmos e atravessarmos os mares dos nossos fantasmas a consciência antes adquirida se consolida, e um imenso esclarecimento sobre nosso propósito interior advém e se reforça, trazendo clareza, êxito, força interior e foco (O Sol). Então, ao revermos nossa viagem pela vida, todos os fatos que aparentemente não possuíam conexão entre si entrelaçam-se e o sentido último de nossa existência se revela (O Julgamento). A dança cósmica se completa em nós, e um profundo sentimento de satisfação e comunhão com todas as coisas deste mundo e do universo se realiza dentro de nós com perfeição e regozijo. Saímos então da roda das encarnações (O Mundo).

Curiosidades Aritméticas

Neste arranjo das cartas dos arcanos maiores algumas reflexões podem ser feitas com os números nesta disposição. Por exemplo: Se somarmos verticalmente a primeira carta da primeira fileira (O Mago I) com a primeira carta da terceira fileira (O Diabo XV), obteremos o número 16. Observamos então que a carta que fica entre os dois arcanos é o primeiro arcano da segunda fileira (A Justiça VIII). Curioso, não? Parece haver uma sugestão simbólica aqui, algo mais ou menos assim: O grande poder da divindade interior (O Mago I) pode ser corrompido ao ponto de perverter-se completamente (O Diabo XV)! Por isso é preciso manter a crítica, a autocrítica, o bom senso e o discernimento consciente para equilibrar “os pratos da balança” (A Justiça VIII). O mesmo ocorre entre a Sacerdotisa II e a Torre XVI, cuja soma 18, encontra seu equilíbrio no arcano central O Eremita IX, e assim segue entre todas as somas verticais! 



Outra curiosidade é que as somas transversais, tanto da esquerda para a direita quanto da direita para a esquerda, dão sempre no mesmo arcano. Veja isso: a soma do arcano de O Mago I, com o arcano de O Mundo XXI é igual a 22 cuja metade é 11, o arcano de A Força XI. Outra mensagem parece estar se insinuando aqui: entre descobrir o poder da divindade interior e atingir a transcendência é preciso muito empenho, coragem e disposição para debruçar-se sobre si mesmo ao confrontar a fera interior! O arcano de A Força é a metade resultante de todas as somas transversais entre os números dos outros arcanos maiores. Para conferir continue somando A Sacerdotisa II com o Julgamento XX, A Imperatriz III com O Sol XIX, O Imperador IV com A Lua XVIII... E até nas cartas da mesma fileira a que o décimo primeiro arcano pertence, como A Justiça VIII com A Temperança XIV, e até dos dois vizinhos mais próximos A Roda da Fortuna X com O Enforcado XII. Parece que a reflexão central desse simbolismo aritmético é que a confrontação com a sombra dos instintos inferiores, a besta interna, e sua integração impulsiona o despertar da luz espiritual, dos dons e talentos latentes e a evolução do indivíduo. Que se dá dentro do modo indicado pelo significado das cartas que compõem a fórmula! Estas “coincidências” provam mais uma vez que a troca feita por Waite colocando a carta de A Justiça no lugar de A Força no ponto central do quadro dos 22 arcanos maiores, não se sustenta simbolicamente. Medite sobre essas relações, tire suas conclusões e reveja-as periodicamente. Você crescerá muito em suas percepções sobre a vida e em seu próprio desenvolvimento pessoal e espiritual.

Analogias e Análises

Para finalizar quero explicar o modo como explanei o simbolismo de cada um dos arcanos maiores na análise individual.

Título Esotérico – Uma livre interpretação minha dos títulos dos arcanos como eles foram concebidos na antiga Golden Dawn, eles fornecem, a meu ver, uma pista bem significativa sobre o significado intrínseco e mais elevado das cartas.




Analogia Astrológica – A relação entre arcanos e a astrologia já foi debatida e bem criticada! Eu, porém, considero essa relação muito enriquecedora desde que fique bem claro que não deverá haver nunca uma comunhão de 100% entre os significados de um e de outro, já que são sistemas esotéricos autônomos, mas que uma relação entre eles esclarece bem a ambos os estudos. De fato um não derivou do outro, como sustentam alguns, mas por vezes repetidas eles se traduzem mutuamente de modo mágico!

Analogia Numerológica – Sou fascinado pelo conteúdo esotérico dos números e acho que eles traduzem muito bem as imagens dos arcanos. Os que se prendem a uma avaliação superficial do simbolismo numérico dirão não haver, por exemplo, uma relação provável entre o número 5 e o arcano de Hierofante. Os que defendem esta tese dizem que o 5 é o número da mudança e dos instintos sexuais enquanto o Hierofante é o arcano da tradição e da busca filosófica-espiritual da realização interior. Essa visão parcial do significado do 5, bem como de outros atributos numerológicos, tem contribuído para tornar a numerologia a mais vulgarizada e diminuída das ciências ocultas. Na verdade o cinco fala das mudanças que a alma realiza para ascender ao seu propósito existencial, e instiga a experimentação da vida através dos instintos até que a consciência sutil desperte e faça a comunhão desses instintos com a alma... E não é essa a função do grande iniciador, o Hierofante?

O Arcano – É uma descrição de todos os elementos visuais que aprecem em cada arcano para a localização do iniciante.

Significado – É uma análise da cada símbolo que surge no arcano dentro de uma perspectiva não só esotérica e ou cristã, mas também psicológica de cada figura.

Divinação – Trata-se de uma lista de prováveis significados práticos para uma leitura das cartas numa sequência de jogo, seja esta uma sequência de leitura geral como no caso da Cruz Celta ou da Mandala Astrológica, quer seja em sequências para responder perguntas objetivas como o método Péladan, por exemplo. Aprecio demais o termo “divinar”, pois resgata o sentido sagrado de ler as cartas para alguém, juntando sentidos e dando um novo significado, mais profundo e relevante, para suas vivências cotidianas.

Personagem do Cinema – A dramatização pictórica dos sentimentos humanos e suas reverberações pela vida que o cinema proporciona, expressa os arquétipos da inconsciente coletivo que por sua vez estão também, e de modo ainda mais claro e significativo, nos arcanos do tarot! Certos personagens cinematográficos expressam muito bem as qualidades arcanológicas, tanto inferiores quanto superiores, possibilitando assim que a compreensão do simbolismo do tarot penetre de modo criativo e lúdico!

Espero que apreciem, aproveitem e absorvam bem!

Namastê!

* Tarot, ou A Máquina de Imaginar. Editora Ground. São Paulo, 1989.
**Jung e o Tarot. Editora Cultrix. São Paulo, 1987

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O Mago - Arcano I

Título Esotérico – O Mago do Poder (O acesso direto ao poder da divindade interior que se amplia a níveis superiores cada vez mais e mais).

Analogia Astrológica – Mercúrio (Regente de Gêmeos e Virgem) rege todas as formas de comunicação e o uso da inteligência. É a capacidade do cérebro de acumular conhecimento, catalogar, discriminar e dispor das informações quando necessário, em milésimos de segundo. Simboliza a versatilidade, a sagacidade, a capacidade de aprender, de instruir-se e instruir a outros de modo rápido e eficiente! Por ser o planeta mais próximo do Sol e o mais rápido do sistema solar, foi associado ao antigo deus grego dos comerciantes e viajantes, Hermes, que era considerado o conhecedor dos mistérios superiores e seu maior tradutor. Pois era o único capaz de entrar e sair do Olimpo e dos reinos sombrios de Hades, e que conseguira enganar o seu irmão Apolo (o Sol)! A ambivalência de suas funções o tornou uma espécie de ponte entre o mundo físico e o espiritual e entre o mundo dos deuses e dos homens, o sagrado e o profano. A Sua regência dos mistérios ocultos deu origem à palavra “hermetismo” para definir os conhecimentos tidos como profundos e esotéricos! Também diz-se que uma coisa está hermeticamente fechada quando não pode ser abordada de modo direto, ou superficial. 
Símbolo de Mercúrio.
Curiosamente há uma incrível semelhança entre a imagem do arcano de O Mago como ela aparece no tarot de Marselha, e baralhos afins, e o símbolo astrológico do planeta mercúrio. O semicírculo superior assemelha-se ao chapéu, o círculo intermediário ao movimento dos braços de O Mago, e a cruz inferior com a mesa à sua frente!


Analogia Numerológica – O 1, o número que origina todos os outros, e que simbolicamente representa a origem de tudo que há! Seu símbolo esotérico é o círculo com o ponto no meio, a consciência centrada em si, ao mesmo tempo em que criadora de tudo o que existe ao redor de si. O criador. O multiplicador. Aquele que faz as coisas acontecerem. O 1 traz em si a possibilidade de manifestar qualquer coisa, bem como de atrair e realizar tudo! Um axioma da geometria diz que “por um ponto passam infinitas retas” e assim o 1 é a origem de tudo o que existe e também é a onisciência, a onipresença e a onipotência! Na Cabala é Kether, a Coroa. A presença de Deus-Pai-Mãe, criador de todas as coisas. A luz do infinito que não pode ser apreendida e ou compreendida por ninguém que permaneça em Malkut, o plano físico dos instintos.

O Arcano – Um jovem rapaz de cabelos louros e encaracolados está em frente a uma mesa. Ele olha para o seu ombro direito, e na sua mão esquerda ele dispõe de uma espécie de pequena vara. Na sua mão direita ele segura uma moeda dourada! Ele usa um curioso chapéu de abas largas que desenham uma leminiscata, o símbolo algébrico do infinito. A parte superior do chapéu é verde. Sua roupa é multicolorida, com todas as cores primárias que são retratadas no tarot de Marselha, mas em perfeito equilíbrio e proporcionalidade! Na sua mesa há vários objetos como facas, dados, moedas, copos e uma chaleira. Estranhamente esta mesa está posicionada de tal modo que só três de suas pernas aparecem! Embaixo, entre as suas pernas, um broto viçoso de grama desponta do chão árido.

Significado – A figura do jovem homem de pé alude à disposição célere do espírito em perfeita sintonia com sua verdade interior ou com uma grande Verdade Superior. Nos baralhos franceses este arcano se chama Le Bateleur, ou prestidigitador, que designa um malabarista, acrobata ou ilusionista. Na maioria das vezes, porém, ele é chamado de The Magician. Palavra em inglês que tanto define Mago, no sentido de um grande iniciado nos mistérios, quanto mágico, um simples ilusionista. Acho que assim é mais adequado! Afinal, muitos dos que tentarem desenvolver os atributos de O Mago talvez cheguem mesmo a ser Magos. Outros, entretanto, nunca passarão de mágicos! Sua posição ereta transpassa disposição, estado de alerta, consciência. O seu gesto com os braços e mãos alude ao gesto iniciático de conexão com o mundo superior ou cósmico que reverbera em ações e consequências no plano material, simbolizados pela vareta, que lembra a varinha mágica dos magos e bruxos, e a moeda dourada que alude às riquezas da terra. Esses dois elementos, assim como os demais sobre a mesa, evocam os quatro elementos da magia. A varinha é o fogo. A moeda e os dados são a terra. A chaleira e os copos são a água e as facas o elemento ar. Arthur Edward Waite explicitou isso no seu baralho, o Rider-Waite, colocando claramente os quatro objetos da magia sobre a mesa de seu Magician! O chapéu com a forma do símbolo do infinito marca sua conexão com os planos superiores da consciência ou do espírito, ou ambos! O chapéu é verde, a cor do acesso à verdade, da fertilidade, do progresso e da regeneração. A mesa é muitas vezes referida como o plano do mundo físico, e as três pernas seriam uma referência ao tempo e seu movimento trifásico, começo, meio e fim ou passado, presente e futuro que sustentam e ordenam a realidade como a concebemos! A mensagem é clara aqui, O Mago intervém nesta realidade usando seus talentos e habilidades internas. E é isso que está representado na folha verde brotando de um solo desértico! O seu talento poderá ser elevado ao nível de genialidade, que é a máxima expressão de O Mago. Como disse Arthur Schopenhauer: “Talento é quando um atirador atinge o alvo que os outros não conseguem. Gênio é quando um atirador atinge o alvo que os outros não veem”. Este arcano detém o poder de desenvolver quaisquer habilidades dos outros vinte e um arcanos maiores por ser o uno, a grande força que origina e rege todos os outros! Porém, quando todo este talento, ou gênio, é mal dirigido nasce o embusteiro, o manipulador, mentiroso, sedutor, o ladrão. A grande mente do crime tal como nas histórias em quadrinhos.

O Mago no Osho Zen tarot.
Divinação – O Gênio brilhante. O fazedor de milagres. O prodígio! Inteligência, comunicação. O aprendizado de idiomas. Grande poder de oratória. Domínio da língua mãe, ou de muitas línguas estrangeiras (um poliglota). Versatilidade, o jogo de cintura para negociações. Expressão fluente de um talento. Realizar uma ação com grande habilidade. Execução exímia! A capacidade de fazer muitas coisas simultaneamente, ter muitos interesses ou habilidades diversificadas. Uma personalidade cujos dons e talentos atingiram notoriedade em seu meio. A capacidade de tornar-se o centro de uma atividade, de um grupo de pessoas ou da atenção de alguém! Rege as profissões que criam, relacionam, comunicam ou mesclam as coisas. Tais como jornalismo, comunicação em todas as suas formas (rádio, televisão, internet etc), publicidade, comércio, farmácia, química, pesquisa científica em todas as suas formas. Alquimia, magia. Literatura, dança, atletismo. Os conferencistas, palestrantes e ministros de igrejas com grande poder de influência por suas ideias e ou ideais expressos em palavras, também estão sob sua égide, entre outros! Espiritualmente ele simboliza a presença da divindade dentro de cada um de nós que nos permite a ascensão em todos os sentidos, ou a realizar feitos que muitas vezes nos parecem impossíveis! Negativamente é o enganador, o mentiroso, o ladrão. Aquele que se aproveita da ingenuidade ou a falta de conhecimento do outro para tirar-lhe proveito! E com relação a isso o lado sombrio de O Mago, assim como seu lado luminoso, pode se expressar em qualquer atividade humana.

Personagem do Cinema – Jesus Cristo interpretado por Robert Powell no filme Jesus de Nazaré do diretor italiano Franco Zeffirelli, de 1977. Não poderia haver personagem melhor para representar os atributos arquetípicos de O Mago no cinema do que o próprio Jesus! Se deixarmos a paixão religiosa de lado veremos certas “coincidências significativas” na história de Jesus com relação ao mundo mágico! Ele é visitado e reverenciado por três reis magos que vieram da Pérsia. Terra de Zaratustra, ou Zoroastro em grego, que denominava seus mais altos sacerdotes de magi, ou Magos. Os Magos da religião conhecida como Masdeísmo eram capazes de dominar os elementos e criar fenômenos, mas sempre de modo ético em respeito às leis da natureza, e para elevar a consciência do homem à luz da perfeição divina. Sim, eles eram monoteístas. Os reis magos eram astrólogos e vieram seguindo uma profecia de Zoroastro que viram representada num aspecto astrológico nos céus. Depois salvam a vida de Jesus quando um dos reis magos sonha com a traição que Herodes pretendia cometer matando o menino Jesus! Daí em diante toda vida de Jesus é um verdadeiro testemunho do seu poder de oratória e a capacidade de suas palavras de inspirar espiritualmente, por meio de suas parábolas, desde simples pescadores à homens bem nascidos. Dá seu primeiro sermão aos onze anos de idade! Sem falar nos seus muitos milagres como transformar água em vinho, multiplicar os pães e os peixes, andar sobre as águas e ressuscitar Lázaro!