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quarta-feira, 17 de julho de 2024

Tarot - Um Caminho...

A seguir duas resenhas publicadas no Facebook, a primeira no dia 09/07/2024, e a segunda no dia 12/07/2019. Ambas sobre definições mais profundas sobre a função e aplicação das leituras de tarot...

I

Cinco Coisas Sobre Leituras de Tarot...

1) As leituras ajudam a reconhecer nossos desafios, medos, potenciais e aprendizados, dentro de um determinado momento de nossas vidas - Essa é sua função Fogo, pois ilumina a consciência e dá impulso para a ação. 

2) A leitura revela as emoções derivadas de cada experiência vivida, e como elas nos influenciam construtiva ou destrutivamente em nossa jornada - Essa é a sua função Água, que revela e aprofunda nossa percepção dos sentimentos.

3) Uma leitura nos proporciona entendimento sobre as muitas conexões entre fatos, pessoas, sentimentos, experiências e memórias que interagem entre si e moldam nossa realidade - Essa é a sua função Ar, pois traz clareza e entendimento racional das coisas.

4) A leitura de tarot nos possibilita ações estratégicas que nos previnem de empreitadas desastradas, tanto na vida pessoal quanto material, e nos ajudam a organizar o mundo privado e social - Essa é sua função Terra, prática, pragmática e organizacional.

5) A leitura do tarot nos possibilita um vislumbre da finalidade última dos acontecimentos, ligando eventos externos à oportunidades para o desenvolvimento interior - Essa é sua função Éter, que amplia nossas consciências à compreensão de um propósito superior e evolutivo para as experiências terrenas.

II

Consulte o Tarot...


Mas lembre-se que tarot é muito mais que divinação:

- É um instrumento simbólico para se compreender o momento presente com seus dilemas, e lançar luz sobre eles!

- É uma chave de acesso à sabedoria Superior dentro de você mesmo, que só pode se expressar através dos símbolos ancestrais da alma humana. 

- É um manancial  de todo saber que foi adquirido pela humanidade através dos tempos para o entendimento da vida.

- É um livro de páginas soltas que conta a história de cada pessoa sob uma perspectiva sempre inovadora.

- É um instrumento para se realizar conexões entre fatos aparentemente desconexos, a abrir o entendimento sobre eles, e sua relevância para nosso crescimento pessoal.

- É um sistema simbólico que se harmoniza perfeitamente com outras chaves simbólicas, como a astrologia, onde nos permite aprofundar o entendimento do mapa astrológico natal e dos trânsitos planetários! 

- É um código que nos permite reconhecer pontos cegos na nossa personalidade que sabotam o que desejamos conquistar...


segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Estados Alterados de Consciência no Tarot...

As conexões psíquicas variam conforme cada vivência
ou conforme os instrumentos que a estimulam...

Monica Sjöö (1938/2005) foi uma artista plástica, pagã e feminista sueca muito influente nos anos 60 e 70, que se dedicou nos estudos ocultos à pesquisa do tarot e dos estados alterados de consciência, em todos os níveis. Em seu livro Tarot – Uma História Crítica, Cynthia Giles cita uma interessante teoria de Sjöö: Segundo ela as leituras de tarot proporcionam leves estados alterados de consciência devido à interação dos seus símbolos arquetípicos com a psique, tanto do intérprete dos arcanos quanto do consulente. Segundo diz duas pessoas ao se reunirem para uma sessão de leitura têm suas vidas como duas linhas paralelas colocadas frente a frente, assim que a interação com os arcanos se inicia estas duas linhas são interceptadas por uma terceira linha vertical que as cruza, criando uma simbiose momentânea que durará o tempo da sessão de leitura. Isso explicaria, por exemplo, porque tarólogos com percepções diferentes do simbolismo dos arcanos podem fazer leituras bem pontuais para uma mesma pessoa. Como quando aquele que vê a carta de A Morte como uma ação transformadora, quanto o outro que a vê como uma crise de saúde física ou psicológica podem ler para uma mesma pessoa em momentos diferentes, com esse arcano aparecendo na leitura nas duas vezes, e ainda assim as interpretações serem precisas! Naquele momento a psique do leitor e do consulente estão unidas e, pela sincronicidade, as cartas a serem dispostas na mesa se arranjarão antecipadamente para que expressem o exato conjunto de vivências de quem se consulta, dentro da perspectiva de quem as está lendo, ou interpretando se preferirem... 

Leituras de tarot, um momento de esclarecimento interior 
através do acesso à fonte do Grande Inconsciente Coletivo.

E isso pode acontecer com qualquer outro sistema oracular, embora as teorias de Sjöö tenham sido dirigidas especificamente à prática do tarot. Algumas pessoas mais sensíveis relatam, desde sempre, que sentem “certas coisas” quando vão ler as cartas. Alguns falam num certo torpor. Outros de uma leve vertigem, e há ainda os que sintam um leve peso nos olhos... Ainda mais se for a primeira vez em que fazem esse tipo de consultoria. Eu mesmo senti isso muitas vezes durante minhas primeiras incursões no mundo da cartomancia, tanto quando ia ler as cartas do baralho Lenormand com minha querida tia Lourdes, como quando eu mesmo estava abrindo as cartas de um baralho de tarot nas minhas primeiras aventuras na tarologia. Quando comentei isso para minha tia ela disse: “Ah, é o teu canal que está abrindo!”. Confesso que nunca mais tive essas sensações com tanta intensidade, mas recentemente quando fui consultar o Maha Lilah pela primeira vez, veio de novo aquele leve torpor sonolento. Essa teoria de Sjöö faz um sentido absoluto para mim. Desde que consultei cartas pela primeira vez fiquei intrigado com quando minha tia lançava as cartas e aparecia A Cruz do Lenormand, ela falava em vitória certa e confiança. Mais tarde conheci outra excelente leitora do Lenormand, uma senhora chamada Julieta para quem A Cruz representava muita luta antes de uma vitória real... As duas eram precisas em suas avaliações intuitivas sobre meu momento de vida, bem como em seus prognósticos, mas aquilo me intrigava. 

A Cruz, a 36ª carta do baralho Lenormand.

Com o tempo passei a creditar tudo à atuação da sincronicidade e da força dos arquétipos, mas parecia que faltava algo ali no meio. Essa teoria de “linhas de consciência”, nome que eu mesmo inventei, pareceu se encaixar com perfeição para explicar esse movimento mágico que ocorre quando buscamos pessoas diferentes ao longo da nossa jornada por esclarecimento interior. Saliento aqui, mais uma vez, o que já disse algumas vezes: não aconselho ninguém a ficar pulando de um a outro leitor de oráculo, seja ele qual for! Claro que isso pode acontecer ao longo da nossa vida, mas me refiro àquelas pessoas que compulsivamente experimentam muitos leitores, ainda mais quando ficam insatisfeitas com as respostas. As informações podem ser as mesmas, mas as orientações podem divergir causando imensa confusão e angústia numa mente que, com certeza, já deverá estar atribulada!

Leia também: Que Tipo de Tarólogo Você é? 


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Aviso aos Navegantes...


Eis dois textos que postei no Facebook nos dias 09/07/2017 e 10/07/2017, sobre a doutrina do "modo certo e errado" de ler o Tarot, que ainda persiste nas redes sociais pelo Brasil a fora...

I

Ninguém é "meio tarólogo" só porque prefere fazer leituras se utilizando apenas dos arcanos maiores! Isso vem do processo intuitivo de cada um e, portanto, é profundo, pessoal e intransferível! Já vi tarólogos fazerem descrições profundas usando este método, enquanto outros experts na utilização de todas as lâminas não chegaram nem perto...
Atualmente utilizo os setenta e oito arcanos misturados nas sessões de Tarot, mas por muitos anos fiz leituras só com os maiores, porque era apaixonado por um certo baralho que tinha mesmo apenas os vinte e dois trunfos!
Claro que aconselho a quem assumir o papel de professor de Tarot, que tenha sim um bom conhecimento e prática na interpretação dos dois conjuntos (maiores e menores) na lida com a tarologia. Afinal, você não pode levar o outro, com segurança, onde você mesmo nunca esteve, não é verdade?
II

Em função das respostas, dúvidas e colocações sobre a postagem do dia anterior, achei pertinente citar três princípios que considero fundamentais para quem está estudando o Tarot:

1° Entenda que NÃO EXISTE o jeito certo ou errado de se ler Tarot. E tão pouco o melhor método de leitura. Portanto se seu professor o ensinou que o melhor método de disposição das cartas é o americano, que mistura os arcanos maiores e menores, ou pelo contrário, que o melhor mesmo é o método europeu que separa arcanos maiores e menores nas leituras, e que um bom tarólogo usa sempre todos os arcanos sobre a mesa... Ou pelo contrário, se ele diz que não existe isso de arcanos menores, que toda a verdade está apenas nos vinte e dois trunfos, entenda que isso NÃO É uma verdade absoluta sobre o Tarot! Trata-se da visão do seu professor, baseada nas experiências e vivências dele. Elas devem ser consideradas sim, mas não devem inibir você de fazer suas experiências, e testar todas as formas e métodos de leitura! Você tem o direito de formar sua própria visão de tarologia!

2° Da mesma forma saiba que NÃO HÁ o melhor sistema de disposição das cartas! Não importa se disseram a você que a Mandala Astrológica é o mais abrangente, ou de que a Cruz Celta é o mais preciso... As leituras de Tarot são formas de ampliação da consciência tanto para leitores quanto para consulentes. A forma de disposição das cartas é o caminho pelo qual essa experiência se dará, portanto não pode ser imposta por regras ou convenções, simplesmente porque não faz sentido! Todo o trabalho dentro do mundo dos símbolos é de cunho intuitivo, e como já disse antes, é, portanto pessoal, profundo e intransferível! Daí vem o terceiro conselho...

3° Aprenda TUDO sobre Tarot, teste tudo também! Uma coisa é você deixar de fazer porque é um ignorante sobre o tema, ou que se deixou levar pela experiência, ou mesmo pela ignorância ou visão estreita de um outro professor ou autor. Outra coisa é ser alguém que explorou todas as possibilidades e acabou escolhendo as que melhor se adaptavam à sua visão de vida, intelectual e espiritual. No futuro, se escolher se tornar um professor de tarologia, lembre-se de dar a mesma liberdade ao seu aluno, estimule-o a testar outros métodos e sistemas conjuntamente aos que você ensinou. Afinal, não se trata mais só de você, mas da trajetória de outra pessoa... Seu dever é dar sim uma formação consistente e completa, mas também o de estimular a pesquisa interior e intuitiva, tanto quanto a racional e objetiva.

*Atualmente minhas leituras on-line seguem o mesmo padrão das leitura presenciais, onde me utilizo de todos os arcanos (maiores e menores) misturados durante todo o processo da consulta.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Qual Tarot Você Usa?


O Diabo XV, Condicionamento, 
do Osho Zen tarot 
de Ma Deva Padma.
Por mais que se tenha explicado isso, e por mais irritante que seja essa pergunta, ainda há aqueles que a façam, e mais do que isto, a fazem com ares professorais! Como se quem não soubesse de nada é quem está sendo inquirido! Embora essa pergunta impertinente pareça merecer uma resposta assertiva do tipo: "O que interessa que baralho eu uso se afinal quem vai fazer a leitura sou eu?", a questão é mais profunda. Bem, então vamos lá... Exploro esse tema melhor no meu livro Tarot para a Autotransformação e a Cura, mas posso começar dizendo que todos os baralhos de tarot se originam de um mesmo baralho, concebido provavelmente na Idade Média, e que representava toda a sociedade e o mundo da época. Essa despretensão em tornar esse baralho um oráculo fez com que ele funcionasse como um instrumento projetivo das imagens do inconsciente de toda a humanidade em todos os tempos! O tarot de Marselha é o remanescente mais próximo desse conceito original de todos os baralhos que vieram a seguir. Mais adiante suas imagens foram “modernizadas” e também a expressão do seu simbolismo. 
O 5 de ouros do
1JJ Swiss tarot.
O 5 de ouros do
Rider-Waite tarot.
Uma excelente contribuição nesse sentido foi dada por Arthur Edward Waite ao lançar em 1910 o seu o Rider-Waite em que foram modificadas as representações usuais dos arcanos menores dos jogos medievais, como no cinco de ouros, por exemplo, que era apresentado friamente com cinco moedas desenhadas na carta. Foi então substituído por uma imagem dramática em que um casal de mendigos vaga pela neve sem sequer o amparo espiritual ou altruísta da igreja. De fato uma imagem mais condizente com os significados de perda, carência e debilidade deste arcano. A partir disso inúmeros baralhos de tarot começam a carregar em si as “releituras” de seus autores dos símbolos tradicionais dos tarots ancestrais, e do próprio trabalho de Waite. Inicia então a confusão! Os autores passam a enfatizar os significados que lhes parecem mais pertinentes ao simbolismo dos arcanos. Em meados do século XX o tarot ganha nuances psicológicas e logo há os que afirmam que ele é apenas um instrumento de investigação do inconsciente mais do que de divinação... Surgem os baralhos que são "destinados" ao trabalho de autoconhecimento.


A Saída das Sombras

As muitas releituras do simbolismo do tarot ampliaram as possibilidades
de interpretação de seus significados sem, no entanto, ter o poder
de fazer qualquer uma delas se tornar a visão definitiva, "verdadeira"
ou a única a ser considerada ou aceita.

Por um lado esse movimento ajuda a tirar do tarot os ares obscuros a que ele vinha sendo associado nos séculos anteriores, mas mudou muito da sua representação. Os autores ao enfatizar os significados aos quais eram mais simpáticos mudavam também sua representação artística. O que acabou fazendo com que muitos baralhos ao serem comparados entre si, ou a uma imagem clássica do tarot, não lembrassem em nada seu ancestral da Idade Média. Com a demanda do mercado por cada vez mais novidades na área da tarologia, que teve uma explosão nos anos 70 e 80 do século XX, aparecem os baralhos temáticos e multiculturais como o Xultún, o primeiro transcultural na verdade, o Mitológico, o Nórdico, Xamânicos de toda a espécie, Xintoísta, etc. Os livreiros para venderem seus produtos começam a descrever na capa de apresentação dos seus lançamentos coisas como: “O verdadeiro tarot da tradição”, “Um jogo transcendental”, “O tarot sagrado da Deusa”, e coisas assim. Aumentando ainda mais a confusão na cabeça de leigos tanto quanto na dos interessados no tema. Dias desses uma mulher me ligou pedindo informações sobre meus atendimentos (embora esteja tudo explicado no meu blog na página “Consultas”). Na verdade ela queria saber qual o baralho que eu usava nas minhas sessões. Respondi que usava já há muitos anos o tarot Zen, ao que ela complementou, “do Osho”? Sim respondi, ela seguiu com seu desfile de ignorância, mas com a entonação de uma grande conhecedora: “Mas esse tarot é mais para reflexão, não é? Não trabalha com o Crowley?”. Respirei fundo e tentei explicar para ela que eu já tinha trabalhado com uma miríade de baralhos diferentes, e que isso não interferia na leitura. Ela concluiu com um ar jocoso dizendo: “Ah tá, depois te ligo então pra marcar”. E nunca mais! O mesmo tarot de Crowley que ela preferia é justo um dos que tem mais resistência das pessoas pelo mesmo tipo de ignorância quanto à linguagem simbólica.

O Thoth tarot, alvo constante tanto de ataques
quando de adoração... Ambas reações exageradas!

Conversando com uma pessoa interessada em tarot ela me disse que se sentia muito atraída por esse baralho, mas que amigos e conhecidos diziam para ela o evitar porque ele era denso, que o mago que o fez era um louco, viciado e devasso, e de fato era! Mas e daí? Todos os símbolos que compõem o Thoth tarot de Aleister Crowley não são dele. Crowley parecia obcecado pela ideia da grande Besta e das sombras, todos conceitos que nasceram com o monoteísmo e com a Inquisição. Os símbolos do pentagrama, dos chifres e do cetro, por exemplo, que aprecem inúmeras vezes nesse tarot, são pré-cristãos e, portanto, politeístas. Foram os inquisidores que viram no pentagrama invertido os chifres do diabo. Muito antes disso Pitágoras via nesse mesmo símbolo o homem em desequilíbrio. O que Crowley fez foi dar a sua visão sobre esse símbolo, o que não o limita de modo algum. Isso é impossível! O inconsciente reconhece os seus símbolos e responde a eles. O que pode ocorrer é o leitor se limitar por sua própria consciência obstruída por seus conceitos críticos equivocados, o que já não tem nada a ver com a tarologia!


A Linguagem Simbólica 
em sua Totalidade

A liberdade artística na criação de
baralhos foi tão longe que muitos
não lembram em nada o simbolismo
original do tarot como este: A Sacerdotisa II, 

do Wooden tarot de A.L. Swartz.
No Osho Zen tarot sua criadora, Ma Deva Padma, apresenta o arcano de O Diabo como um leão com pele de ovelha. Essa imagem se refere a uma antiga história zen em que um leão é criado com um rebanho de ovelhas e assim vive por anos, até que um dia um leão mais velho vendo aquilo se choca. Avança sobre aquele iludido que berra como uma ovelha assustada. O leão velho então o coloca de cara a um espelho d’água e o faz olhar para seu reflexo, dizendo: “Olha, você é isso, um leão! Não uma ovelha!”. Essa história alude aos condicionamentos em que muitos vivem, negando sua real natureza e potencial intrínsecos. Uma linda história e simbologia que nos faz ver que O Diabo do tarot tradicional também tem um lado lúdico e divertido que devemos explorar e brincar com ele. Que precisamos de nossa fera interior para realizar coisas, e que ela pode nos trazer muito prazer e diversão. Nem por isso deixo de ver nas leituras que O Diabo também representa muitas vezes servidão aos instintos inferiores, abuso de poder, malícia e maldade. O mesmo leão que simboliza força e nobreza, também é a imagem arquetípica dos instintos brutais da natureza humana, tão bem representado em histórias míticas mais antigas que a da tradição zen, como a do Leão de Nemeia da mitologia grega. Uma fera violenta e implacável que habitava uma caverna escura. A leitura feita por Deva Padma traz a tona um viés luminoso desse símbolo, mas de modo algum elimina sua totalidade arquetípica! E se eu me limitasse a ver esse arcano apenas como a autora o apresenta, faria também leituras limitadas!
Romper com os próprios
paradigmas pode ser
perturbador, mas também
libertador. A Torre XVI,
do Soprafino tarot.
Sendo assim reitero mais uma vez que NÃO IMPORTA O TAROT QUE VOCÊ USA, ou que qualquer tarólogo use, o que importa mesmo é o uso que se faz dele e a afinidade com suas imagens! Você pode fazer uma leitura puramente psicológica usando o tarot de Marselha, por exemplo. Como pode fazer previsões usando o Osho Zen tarot! Quem define isso é você, e não o autor do baralho e muito menos o livreiro que só queria mesmo é criar uma frase de efeito para vender seu produto. A propósito, eu mesmo faço prognósticos com o tarot Zen! Voltando ao exemplo do Thoth tarot, veja que seu criador era um homem obcecado pelo lado obscuro da magia e do poder. Curiosamente seu baralho foi usado como base para a abordagem terapêutica do tarot por autores como Gerd Ziegler, Veet Vivarta e Veet Pramad em seus respectivos livros: "Tarot– Espelho da Alma", "O Caminho do Mago – Uma Visão Contemporânea do Tarot", e "Curso de Tarot e seu Uso Terapêutico".  Todos excelentes, e que não possuem absolutamente nada da obscuridade de Crowley porque seus autores se detiveram na totalidade da visão simbólica, e não nas releituras do seu criador!
Por esse motivo é que muitos autores e professores de tarot, como eu, insistem para que se inicie a aprendizagem do tarot por sua linguagem clássica original, e depois se vá explorando as reinterpretações feitas por criadores de outros baralhos. Suas releituras sempre são enriquecedoras, mas não podem ser alienadas da origem simbólica do tarot do qual, enfim, todos descendem.  E você, que acha inteligente saber que tarot um tarólogo usa em seu trabalho, saiba que isso é um atestado de pura ignorância e preconceito que só mostra o quanto você ainda precisa estudar, refletir e ampliar sua visão interior sobre a simbologia, tanto quanto sobre as linguagens do saber oculto.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

As Cartas Não Mentem Jamais?

A essa pergunta, que na verdade é uma máxima atribuída aos ciganos e transformada em interrogação, eu digo que N ã o! Elas não mentem! Por quê? Não vejo como símbolos do inconsciente poderiam estar errados sobre o que eles revelam espontaneamente. Nunca vi as cartas errarem, por exemplo, sobre uma questão do presente. O que vi, e vejo, são pessoas negando o que é revelado! Uma história que conto aos meus alunos, e que se passou comigo no início do meu trabalho com o tarot, foi o de uma senhora em torno dos seus sessenta e poucos anos que me procurou para ler as cartas. O tarot mostrava de cara que esta mulher tinha de aprender a seguir os desejos do seu coração, sem se deixar influenciar com as reações e opiniões daqueles que a cercavam... Antes mesmo de eu terminar a leitura ela me interrompeu dizendo que aquilo não era verdade! Que ela fazia sempre o que queria fazer sem se preocupar com o que os outros iam pensar, que era e sempre foi uma pessoa muito independente! Pois bem, pouco mais de meia hora depois de ter me dito isso a percebo olhando nervosamente para o seu relógio de pulso, até que me pediu: “Será que poderia fechar as cortinas da janela, por favor?”, então eu disse que por ser inverno, e a iluminação da sala ser indireta, o ambiente ia ficar muito escuro... Então ela me revelou que morava no prédio em frente, e que de sua janela era possível me verem atendendo em minha mesa de leituras... E eu perguntei: “Mas e daí...?”, ao que ela me respondeu um tanto constrangida: “É que este é o horário em que minha filha chega em casa, e não quero que ela me veja fazendo essas coisas...!”. Fiquei atônito por um tempo, mas decidi não voltar ao que tínhamos falado anteriormente. Em parte porque me pareceu que ela não estava totalmente consciente da sua contradição. E também porque acredito que não temos de provar nada a ninguém, nem esfregar na cara das pessoas verdades que elas não reconhecem ou não estão prontas para admitir. Não é este nosso papel! Não tenho dúvidas de que casos como este ocorrem o tempo todo, e sei que qualquer pessoa que trabalhe com o tarot, ou cartomancia, ou runas, astrologia etc, tem histórias bem similares ou idênticas a esta!

O Futuro que não se Realiza ou Escapa...

Erros sobre o futuro? Bem, este é um caso que deve ser bem avaliado. Em primeiro lugar o que nos é dado saber, nos é permitido mudar. E fazemos isso consciente ou inconscientemente o tempo todo! E nesse caso as previsões podem funcionar como uma autossugestão, que atua positiva ou negativamente dependendo das esperanças ou medos que cada um carrega intimamente sobre o que foi revelado! É nesses momentos que a programação do inconsciente atua, ou seja é um fator puramente psicológico! Há alguns anos atrás um cliente veio me procurar para ler o tarot. Era um rapaz de orientação homossexual que se dizia cansado de ter “casos”, ou namoros inconsequentes. Ele dizia querer um relacionamento firme, mas que também fosse uma história de amor com consistência e profundidade. Abri as cartas para ver as perspectivas nesse setor de sua vida e... Nossa! Estava todo mundo lá! O Mundo, O Sol, 2 de copas, 6 copas, o 10 de copas... Sim ele encontraria um amor, mas seria longe de onde vivia. Seria numa viagem a estudo ou trabalho. Ele ficou contente, mas questionou que não tinha intenções de sair do estado para trabalhar e nem tão pouco tinha nenhum curso em vista num período de curto a médio prazo! 
Prognósticos, bons ou ruins, ativam
as programações do inconsciente.
Alguns meses depois uma cliente dele se mudou para São Paulo e precisou de seus serviços de designer na sua casa no bairro dos Jardins, por gostar muito do seu trabalho, e não conhecer ninguém na nova cidade, o chamou para ficar duas semanas trabalhando por lá. Ele foi e nesse período conheceu outro rapaz com quem se encontrou duas ou três vezes antes de vir embora. Desse momento em diante passaram a viver uma relação intensa, mesmo à distância. O novo namorado ligava todos os dias de manhã para desejar bom dia. A cada duas semanas pagava passagem de avião para ficarem juntos. Até que um dia, o referido novo amor atendeu ao telefone de modo estranho, ficou de retornar e não o fez, depois não o atendia mais... Foi o que bastou para o jovem que se consultou comigo entrasse numa viagem mórbida de autodepreciação, dizendo que é claro que o namorado devia estar com outro, porque afinal ele era feio, magro demais, não tão bem sucedido... Quando finalmente voltaram a se falar, ele decidiu terminar tudo por telefone, e não atender mais aquele que parecia ser tudo o que ele queria de uma relação! Mais um tempo depois o namorado o procura e diz que estava passando pelo pior momento profissional de sua vida, e que tinha recebido uma notícia bomba justo naquele dia. Que estava profundamente magoado por ter demonstrado atenção às necessidades do parceiro, mas que quando ele precisou tudo o que teve foi desconfiança e acusações. Não pediu uma nova chance e sim quis terminar definitivamente, pois já tinha sofrido com o mesmo tipo de coisa no passado e não queria mais repetir isso em sua vida. 
O Amor, um tema tão atraente quanto
saturado de programas culturais.
Quando nos falamos depois de tudo, ele me dizia não compreender porque reagiu daquele modo. Conversamos sobre as programações que todos carregamos sobre o amor, e ainda mais as pessoas que pertencem a grupos minoritários. Ele então citou que seu pai ao perceber sua diferença desde cedo, dizia a ele que pessoas “como ele” nunca eram felizes! Precisa explicar mais? Poucas pessoas nesse mundo se acham merecedoras de amor e felicidade. Isso parece ser mais uma coisa para os outros. Muitos culpam a nossa cultura judaica cristã, mas o fato é que isso acontece com hindus tanto quanto com muçulmanos, tanto no ocidente quanto no oriente, ou seja, é humano! Se não fosse assim não haveriam tantas terapias para nos orientar no resgate da própria felicidade, amor e saúde! No relato que fiz a pouco observamos que o namorado do meu cliente também tinha uma programação de amar demais e não ser acolhido, e os dois se encontraram, ao que parece, para corroborar com o programa infeliz um do outro. Diante de um prognóstico positivo o condicionamento relacionado ao amor e à felicidade foi ativado, e fez desmoronar as boas perspectivas. Muitas pessoas fazem isso todos os dias sem se dar por conta de que o fazem.

O Futuro que não se Revela...

Há também aqueles casos em que pessoas alegam que coisas importantes não foram reveladas na leitura, e que consideram por isso que o oráculo (seja ele qual for) errou. Bem, vou discordar disso também. Como sempre digo os oráculos não são meramente instrumentos divinatórios ou de avaliação psicológica, são também chaves de crescimento espiritual. Tenho observado que o que não nos é dado saber é algo que temos de passar, porque de algum modo serve ao nosso crescimento e amadurecimento interior, e não nos ser revelado é a forma de impedir a interferência da consciência e do arbítrio na situação. Mais uma vez tenho um caso que ilustra bem o que quero dizer. Uma amiga me procura para ler o tarot, ia fazer uma viagem de um mês pelo interior da França, num tour pelas regiões da Provença à Bretanha, com um grupo de amigos. Estava muito entusiasmada em conhecer a região, e em especial a floresta de Paimpont, ex Brocéliande, onde se encontra o suposto túmulo do Mago Merlin. Já havia consultado uma astróloga, e uma numeróloga de sua confiança, e agora queria ver se o tarot tinha algo a dizer sobre precauções quanto à viagem... Lembro-me das cartas de O Eremita e de O Sol terem dito que estranhamente ela não seguiria com os outros. Assustada perguntou se ficaria para trás! Eu disse que não, que ela ia junto, mas que não iria a todos os passeios, embora eu não soubesse o motivo. Como fazem algumas pessoas, irritantemente, ela começou a argumentar que era estranho, pois era uma das duas únicas a falar francês no grupo, e que seria também a motorista de uma das vans que levariam as pessoas.


Leituras oraculares são uma interação constante
com os aspectos obscuros da alma humana.

Uma vez lá, ela finalmente foi a tão desejada visita à floresta mágica e mítica de Paimpont. E justo neste passeio ela cai de uma ribanceira enorme, quebrando o braço bem na junta do ombro. O resultado? Uma cirurgia cara e delicada, meses de recuperação e a recomendação médica de não andar por longas distâncias, nem subir declives, pois tinha a partir daquele momento uma liga de platina que juntaria os ossos e permitira a cartilagem se recompor. Essa era na época uma técnica desenvolvida lá na França, e que permitiria recuperar totalmente os movimentos do braço, ou seja, mesmo no azar ela teve sorte! Voltou impressionada com minha leitura de tarot, e indicou muitas pessoas a se consultarem comigo! Entretanto eu estava intrigado com o fato de eu ver a consequência e não o fato que a levou àquela situação. Nada na leitura dizia “cuidado”, ou assinalava perigo. Não havia nenhum arcano ameaçador. Discuti isso com ela que disse estar impressionada de qualquer modo, mas que de fato nada lhe foi revelado que pudesse evitar o que aconteceu! 
Até que um dia, num dos nossos encontros, ela me disse ter refletido muito sobre aquela nossa conversa, e concluiu que se tivesse sido avisada sobre o risco de um acidente evitaria ir à floresta. Sempre teve medo de lugares acidentados e temia ir até lá! Como nada foi ressaltado ela seguiu o plano da visita. Disse que depois de meses sem poder dirigir, nem sequer cozinhar e mal se servir sozinha, e de ter de ficar confinada em casa por longo tempo, se deu por conta que aquela era a primeira vez que ela estava podendo voltar a pensar em si mesma. E no fato de não estar mais empenhada, como desejou estar, em realizar as coisas que satisfaziam sua alma. Desde que se aposentou (e isso já tinha alguns anos) ela estava envolvida com assuntos da mãe idosa, da irmã divorciada e dos sobrinhos, e grande parte da sua angústia era a de não poder estar atendendo essas pessoas. Estava ocupada com todos, mas não consigo mesma. Passou anos num trabalho que não a realizava. Jurou para si mesma que depois de aposentada se dedicaria à sua busca espiritual e ao estudo da astrologia, uma antiga paixão, coisa que não estava fazendo. Mas só pode lembrar-se disso ficando literalmente imobilizada dentro de casa. Chegou à conclusão de que tinha sido essa a finalidade de sofrer o acidente: Fazer-lhe lembrar do que tinha esquecido, e do pacto que tinha feito consigo mesma. Concordei inteiramente. Houve um equívoco? E se houvesse os outros oráculos teriam se equivocado mais? Minha experiência e observação nesses anos todos diz que isso não existe. Quer chamemos de inconsciente, divindade interior (Eu Superior) ou Self, a verdade é que não obtemos a revelação de tudo dessa parte profunda de nós mesmos, para que não atrapalhemos ao processo de integração com nosso propósito de alma. Simples assim! Nem sempre é possível descobrir o motivo de uma revelação não ter sido feita, simplesmente porque isso compete em grande parte ao próprio cliente, olhar para si mesmo com franqueza e refletir, como o fez minha amiga. E isso é para poucos.

Sobre o Olhar do Leitor

É claro que podem ocorrer erros de interpretação do leitor, isto sim! E penso que para esses leitores é mais fácil dizer que os oráculos erram do que admitir sua própria incompetência! E nem sempre, é claro, é só uma questão de competência, ou a falta dela. É também uma questão de olhar. Durante seis anos tive um grupo de estudos de tarot que chamei de Consciência Arcana. Era formado por ex-alunos que quiseram seguir estudando e praticando o tarot de forma assistida, uma vez por mês durante quatro ou cinco horas. 
A perspectiva e o alcance do olhar do leitor
definem a amplitude de uma interpretação oracular.
 
Uma das experiências que eu mais gostava era quando alguém trazia uma leitura que tinha feito em casa para um amigo, colega, parente etc. Ao se abrir a leitura, aquele que a trouxe deixava os outros falarem, cada um na sua vez, o que percebia para depois contar o que de fato tinha lido e o relato de quem se consultara. Era surpreendente como alguns conseguiam chegar a detalhes que o próprio leitor ou tinha ignorado, ou simplesmente não tinha visto numa leitura geral, por exemplo, enquanto alguns viam ainda menos do que o outro conseguiu “enxergar”. Havia também aqueles que viam a mesma coisa! E, o mais fascinante, é que todos tinham o mesmo conjunto de cartas na sua frente. Desde então isso para mim é prova mais do que suficiente de que se ocorre um “erro” de leitura, isso nada teve a ver com a linguagem dos símbolos, ou com o sistema oracular que foi empregado. Sempre tem a ver com as pessoas! Por isso considero a afirmação do tarólogo suiço Oswald Wirth (1860-1943) que diz que: “O próprio do simbolismo é sugerir indefinidamente; cada um verá o que seu olhar permita perceber”, uma verdade irrefutável no trabalho com os símbolos.

Sobre a Natureza dos Símbolos


Para aqueles que dizem que os símbolos são falíveis porque são humanos, tudo o que posso dizer-lhes é de que possuem um conhecimento no mínimo limitado sobre sua natureza. Nenhum símbolo foi inventado. Os símbolos nos foram inspirados, por isso só em parte eles são humanos. São recursos simbólicos e culturais que o homem acessou no seu mundo próximo, mas que são a expressão de uma força transpessoal, cósmica, ou divina. Escolha a versão que mais lhe agrada, mas saiba de antemão de que são todas elas verdadeiras! Um bom exemplo disso vem da astrologia. O planeta Júpiter desde tempos imemoriais tem sido visto como o arauto da abundância, da expansão, da generosidade e da proteção. Sendo por esse motivo o representante tanto de reis, quanto de pessoas nobres de alma. Isso tinha muito a ver com seus aspectos com outros planetas no céu, e o que ele promovia na Terra. Os antigos sumérios o chamavam de Enlil, deus do ar, do raio e das tempestades. Mas tarde os romanos deram-lhe o nome do seu deus supremo, Júpiter, que tem muitas das atribuições do Enlil sumeriano. Com a exploração espacial por sondas de todo tipo, e telescópios super potentes, as características astronômicas desse astro se revelaram. Descobriu-se, por exemplo, que Júpiter protege a Terra do impacto de meteoros e asteroides que podiam nos destruir (proteção/generosidade). Recentemente a sonda New Horizons mergulhou no espaço profundo para novas descobertas utilizando-se de seu imenso campo gravitacional como estilingue para se impulsionar na viagem, o que a fez alcançar a órbita de Plutão em 14 de julho deste ano (expansão). No século XVI esse planeta era associado às grandes navegações, e foi o regente das duas maiores nações navegadoras do mundo na época, Espanha e Portugal. Sem falar que este gigantesco corpo celeste emite mais energia do que recebe do Sol (abundância). 
Acho que você já leu estas palavras entre os parênteses antes, mas foi quando eu falava das suas antigas atribuições mitológicas dadas pelos povos do passado! Então como eles sabiam? É simples, não sabiam. Foram inspirados. Apenas usaram as imagens míticas que lhes eram conhecidas para expressar o que captavam intuitivamente da sua conexão cósmica. Estamos todos conectados, e como diz aquele axioma esotérico: “Assim como acima, abaixo...”. Portanto, um símbolo não pode ser influenciado ao se expressar. Porque é uma força transcendente que se utiliza de uma representação reconhecível à consciência humana para entabular uma conexão, e uma comunicação, com e através da alma.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Sobre as Mesas de Cartomante



No artigo anterior Sobre as Salas de Cartomante, acho que fui demasiado displicente ao nomear genericamente os símbolos e artefatos mágicos, terapêuticos e energéticos das salas de cartomante de “apetrechos”. Como se eu desprezasse ou não soubesse de sua relevância! Então, antes de qualquer coisa, quero declarar que sim, eu me utilizo de alguns desses apetrechos! Na minha mesa de atendimento há um símbolo hindu cuja função é equilibrar e sintonizar os chakras tanto meus quanto do cliente e criar uma sintonia entre nós! Também tenho pedras programadas como manda a prática terapêutica da cristaloterapia, só não as tenho em cima de minha mesa. Da mesma forma como possuo um discreto altar onde medito todos os dias antes de começar a atender! Eu apenas não foco tanto nessas coisas como muitos dos meus colegas, e acho importante salientar que a leitura do tarot funciona mesmo sem nada disso. Já expliquei aqui num dos meus artigos que os rituais, sejam eles simples ou bem elaborados, são mais para o tarólogo do que para o tarot! Nós é que precisamos limpar nossas mentes das influências externas, como casa, relacionamentos etc. O tarot funciona de qualquer modo, mas como depende do entendimento e do canal do leitor para expressar suas revelações, este precisa estar bem “limpo”, centrado e sintonizado!
Geralmente esses objetos são utilizados com a intenção de justamente ajudar o leitor a se centrar, ampliar seus potenciais intuitivos e ou mediúnicos, como também proteger a ele e ao ambiente das energias emocionais e psíquicas densas que o cliente emana durante as sessões de leitura. Afinal, ninguém procura uma consulta ao tarot por estar se sentindo leve ou bem resolvido com suas questões, não é mesmo? Mesmo quando se trata de uma consulta com objetivos de autoconhecimento, os aspectos não funcionais debatidos na sessão mexem com emoções profundas e não resolvidas, e isso gera sempre alguma tensão. Defendo a ideia de que esses símbolos arquetípicos podem ser usados discretamente, mas como deixei bem claro naquele artigo, isso é uma preferência minha, e não uma verdade absoluta!


Mas o que são? Quais suas funções? Muitos dos símbolos usados nas mesas de cartomante são de cunho espiritual, como artefatos do xamanismo, da wicca, ou da umbanda. Outras vezes são símbolos radiestésicos que trabalham as questões levantadas agora a pouco, como defesa psíquica, sintonia intuitiva etc! Plantas vivas, sementes e até os ramos de certas árvores também são usados. Como a Nova Era possui uma miríade de orientações e mesclas espirituais de diversas origens, não seria possível enumerar tudo o que se pode encontrar. Podemos, porém, explicar os mais comuns. Vamos a eles:

Velas – Por representar o elemento fogo são purificadores energéticos naturais, e sua imensa força arquetípica como símbolos de poder, permitem com que se direcione ao subconsciente intenções específicas para as consultas daquele dia.

Incensos – Antes do surgimento das primeiras velas os incensos eram as mais perfeitas oferendas dadas às divindades, sobretudo no antigo Egito e Índia. Além disso, o perfume é conhecido nas tradições ancestrais como um dissipador de miasmas energéticos.

Cristais – Os cristais também podem ser programados para as mais variadas aplicações mediúnicas e terapêuticas. Podendo servir à defesa psíquica, a ampliação do canal intuitivo e da visão interior, centramento tanto do leitor quanto do consulente, e cura.


Alguns símbolos com que também podemos nos deparar em salas e nas mesas de cartomantes.

Pentagrama – Simboliza os poderes da terra, a revelação da verdade e a proteção da grande Deusa-Mãe dos ritos pagãos. Para os pitagóricos era o símbolo do ideal de perfeição humana. em perfeita saúde e conhecimento. Para os hebreus o símbolo dos cinco livros do Torá, o Pentateuco, a lei revelada por Deus.

Olho de Hórus – Seria o olho esquerdo perdido por Hórus na sua batalha contra o Deus do caos Seth. O novo olho possuía o dom de um poder supremo, proteção e capacidade de ver tudo para além das aparências, da distância e do tempo, como ocorre com aqueles que possuem a sua “terceira visão” aberta. Sendo essa a sua função simbólica para os que se orientam pela tradição mágica dos egípcios.

O Athame – Uma faca com lâmina dupla, mas não amoladas, que serve para dirigir energias tanto quanto para definir o espaço de trabalho mágico, traz proteção. Seu simbolismo está ligado à lua e é comumente utilizado por seguidores da religião Wicca.

O Caldeirão – Muito cartomantes seguidores da tradição da Deusa usam um pequeno caldeirão de três pernas, simbolizando as três faces da Deusa-Mãe, sobre a mesa junto com seu athame. Nele se pode queimar pedidos, ou fazer pequenas fogueiras com intenções rituais antes ou depois dos atendimentos.



Como disse nada disso substitui a interação leitor-oráculo, mas pode facilitar o fluxo e a interação das energias do inconsciente entre leitor e cliente. Não me utilizo de nenhum deles, mas reconheço seu valor tanto simbólico e psicológico, quanto energético e mágico. Como pode se observar os três primeiros objetos citados são de aplicação mais ampla, e não dependem de nenhuma orientação místico-religiosa. Os dois que se seguem não necessariamente, mas os dois últimos com certeza!
Sinto que numa leitura de tarot uma certa aplicação de símbolos poderosos da ancestralidade profundamente arraigados no nosso inconsciente coletivo pode ajudar sim, mas eu prefiro me apoiar, sobretudo, na minha presença divina, na convicção do meu propósito e missão, e na minha total confiança na linguagem e nas revelações do tarot! E, para ser sincero, tem funcionado muito bem nas últimas duas décadas e meia.

Namastê!

terça-feira, 14 de abril de 2015

Sobre as Salas de Cartomante


Diante da observação de uma aluna que disse que minha sala de atendimento era "bem masculina" e nada "mística", comecei a refletir o motivo de eu tê-la transformado assim. Eu a considero um ambiente agradável, e meus clientes também o acham, por outro lado sei que ela é destituída da aparência de grande parte das salas tradicionais, por assim dizer, das cartomantes. Não há fumaça de incenso pairando pelo ar, nem almoçadas nas cadeiras para recostar os clientes, pequenas mesas redondas, e muito menos velas, pedras ou bolas de cristal em cima da mesa de consulta, ou ainda mini caldeirões para queimar energias negativas antes e depois das leituras, como o fazem alguns cartomantes wiccanos. Minha sala de fato parece mesmo um escritório! Na minha mesa (grande e retangular) de um lado fica um aparelho de telefone e uma secretária eletrônica, do outro minha agenda, alguns blocos de anotações, canetas, uma caixa rúnica e um exemplar do I Ching para minhas orientações pessoais. Somente nas leituras de tarot é que eu uso sobre ela um pano violeta feito no tear para deitar as cartas em cima durante a interpretação, e o meu baralho de tarot propriamente dito. Nos atendimentos de numerologia e astrologia nem isso eu uso!


Eu sempre evitei esta exposição de acessórios por considerar que minhas crenças e práticas quer sejam espirituais, ou simplesmente meditativas, são minhas e de mais ninguém! Além de acreditar que isso poderia gerar ou temor ou muita resistência por parte de quem viesse a se consultar comigo, embora saiba que ambas as atitudes sejam fruto do mais puro preconceito, que invariavelmente é apoiado na mais pura ignorância sobre o assunto! Muitas vezes o preconceito das pessoas as impedem de chegar até um consultor desses. Por outro lado creio muito firmemente que nós devemos ser o que somos e que só chegará a nós quem tem de vir e ouvir o que tem de ouvir através do que amadurecemos ao longo de nossa caminhada. Ou seja, pessoas que se coadunam com tudo o que criamos com nossa experiência ao longo da vida. E lembro-me da sala de atendimento da minha já falecida tia Lourdes, com uma pequena mesa onde suas cartas de baralho Lenormand ficavam ao lado de uma sineta que ela tocava enquanto orava para abrir o trabalho de leitura. Ou da mesa com cristais e símbolos egípcios de minha querida amiga e Mestra Laura. Eu me sentia, e sinto, muito aconchegado nesses ambientes. 
Fui procurar na internet as salas de cartomante mundo afora e me deparei com o mais variado tipo de argumento para que cada um atendesse no ambiente em que atende. Desde a vibração energética, aos preceitos de culto religioso e espiritual que cada um professa. 
Por fim concluí que minha sala é do que jeito que é porque gosto de ambientes claros e de aparência limpa e organizada, e também porque sou discreto com minha vida espiritual como sou com minha vida privada. Não são temas de domínio universal e sim de cunho privado e prefiro que continuem assim, muito embora apoie integralmente os que pensam o contrário a seguir suas convicções. Nossos ambientes de trabalho refletem o que somos, não tem jeito! Além do que, a vida sem a expressão de sua pluralidade é que não faz o menor sentido!

Leia também: Sobre as Mesas de Cartomante 

sábado, 8 de junho de 2013

Tarologia é Superstição?...

Nesta última sexta-feira, dia 07/06/2013, a Rede Globo de televisão apresentou um especial do programa jornalístico Globo Repórter sobre superstições e pessoas que vivem segundo essas crenças! Até aí ok, apesar de que, convenhamos, uma consciência supersticiosa não tem absolutamente NADA a ver um verdadeiro desenvolvimento espiritual. A espiritualidade tem por objetivo elevar o homem a um nível superior de experiência onde o intelectual e o transcendente atuem de modo conjunto elevando a personalidade a um nível supraconsciente que seria o verdadeiro estado místico. Porém, associar tarot e astrologia a atividades de crendice supersticiosa foi mais que desrespeitoso, foi pejorativo!
Tanto o estudo quanto a prática de interpretação dos arcanos do tarot quanto dos símbolos astrológicos não dependem de quem se consulta crer ou não em suas mensagens e indicações. Com certeza, precisa sim de uma mente aberta e sem preconceitos para chegar até a mesa do tarólogo ou do astrólogo, uma vez lá os oráculos falam por si mesmos. Qualquer um dos dois sistemas serve sim para fazer previsões sobre o futuro, indicar períodos mais favoráveis para essa ou aquela ação e aconselhar sobre qual a melhor estratégia a seguir dentro de uma contenda específica que o cliente esteja enfrentado. Contudo não se restringe apenas a isso, embora nenhuma das duas profissionais entrevistadas tenham mencionado o assunto, tanto o tarot quanto a astrologia podem explicar de modo profundo, dentro de uma perspectiva tanto psicológica quanto filosófica e espiritual, a verdadeira essência do que se está vivenciando. Coisas como: “Por que estou passando por isso?”, “Como isso serve ao meu crescimento?”, “Como atraí essa situação para minha vida?...” e essa talvez seja a maior riqueza desses sistemas simbólicos oraculares!
O olhar sóbrio e profundo 
tem o preço da solidão.
Já não bastasse os séculos de ignorância e reducionismo racional que o conhecimento oculto sofreu, soma-se agora a vulgarização de sua prática. O que carrega em si tanto o triunfo do conhecimento científico moderno quanto seu desprezo sobre aquilo tudo que não pode “ser comprovado cientificamente”. Sempre que ouço essa expressão fico pensando se as pessoas que a repetem se dão em conta de que é quase como afirmar que o que não possui aval científico não existe mesmo que esteja ali, bem debaixo do nosso nariz! É irritante testemunhar isso? Claro! Mas de modo algum deve desanimar aqueles que viram para além dos muros da obviedade corriqueira do conhecimento popular, e sim instigar a intensificar sua atividade para disseminar a cultura silenciosamente revolucionária e progressista da Nova Era. 

Assista ao programa: Globo Repórter/superstições

quinta-feira, 5 de julho de 2012

7 Mitos Modernos sobre o Tarot

Uma após outra as gerações tentam de algum modo, derrubar os mitos da geração passada. Esse processo é muitas vezes necessário e importante já que as crenças populares somados à cultura de um tempo criam muitas superstições que toldam a verdadeira natureza do saber. Por outro lado há o intrigante fato de que sempre que se derruba um mito, ergue-se outro. Como disse C.G. Jung “Mais cedo ou mais tarde tudo se transforma no seu contrário”, ou seja, acabamos por nos tornar aquilo que combatemos. Por isso aquele que luta por uma verdade e por esclarecimento pode acabar criando uma sombra tão tenebrosa quanto a que ele mesmo combatia. Como em todos os temas humanos vejo também na tarologia esse tipo de coisa ocorrer.

Muito dos mitos modernos criaram-se para derrubar alguns tabus que impediam a linguagem dos arcanos de se tornar mais fluida, mas como a ambivalência é da natureza humana, acabaram virando mitos às avessas justamente porque estreitaram, de algum outro modo a compreensão do tarot, ou seja, viraram os novos tabus! Outros mitos vêm da velha hipocrisia humana, algo como “Faz o que eu digo, mas não faz o que eu faço”. Outros ainda são só uma jogada de marketing mesmo, uma forma de vender um serviço, um curso, ou um livro que acaba distorcendo e restringindo um tema de domínio universal como a tarologia, para as opiniões de uns poucos autores e ou professores.

Selecionei sete mitos modernos, e escolhi esse número porque o sete sugere um aprimoramento, uma possibilidade de questionamento e revisão. Há, é claro, muito mais do que sete tabus perturbadores sobre a prática tarológica, mas acho que esses que selecionei se encaixam muito bem na moderna mitologia do estreitamente da visão.

1º) Tarólogos não são adivinhos

Eis o meu mito preferido! E gosto dele por já ter me surpreendido com muitos tarólogos que alegam que o tarot definitivamente não é um instrumento divinatório e sim um meio de investigação do inconsciente humano, mas que acabam fazendo parte dos painéis, em sites como no Clube do Tarot, para as previsões relativas à Copa, às eleições, ao ano novo… E assim por diante! O grande equívoco aqui é o de negar que todos os sistemas oraculares possuem, intrinsecamente, uma tendência tanto preditiva, quanto adivinhatória! Por isso, muitos dos combatentes da adivinhação com o tarot acabam fazendo previsões para o fim do ano.
Duvido muito que em consultório eles não se defrontem com perguntas do tipo: “Mas como vai ficar essa relação?”, “Posso investir nesse projeto?” e quando isso acontece o que eles fazem? Desfraldam o repertório junguiano em cima do cidadão ou cidadã?

Aqueles que tentam dissociar tarot de advinhação não querem em cima dos seus ombros o peso da distorção que a palavra sofreu! Adivinhar vem de divinar, ou seja, unir o divino e o mundano, o prático e o subjetivo, sem pender exclusivamente para um lado nem para o outro, realizando a aliança entre o interno e o externo. Isso sim é um trabalho verdadeiramente holístico, e é perfeitamente possível.

2º) Tarólogos não são cartomantes


Esse é demais porque simplesmente nega o óbvio! Imaginem que eu fiquei os últimos vinte e dois anos da minha vida jurando que o tarot é um baralho de… cartas! Já pensou?… Agora falando sério, aqui caímos de novo no preconceito que a cartomancia divinatória sofreu ao longo dos anos numa sociedade cada vez mais cerebral e menos intuitiva, cada vez mais material e exterior e menos espiritual e interior.
O termo mancia vem do grego e uma das suas traduções é arte, portanto, uma das definições possíveis para cartomancia é “a arte das cartas”. Criar a divisão tarólogos vs cartomantes cria inevitavelmente uma comparação e uma disputa velada. A profundidade de um trabalho independe do baralho que se usa, mas do uso que dele se faz aliado à visão de cada cartomante. E como já disse o meu amigo Emanuel J. Santos, historiador e tarólogo: “É fato que nem todo o cartomante é um tarólogo, mas todo o tarólogo é um cartomante!”.


3º) Tarólogos não são bruxos

Essa alegação é bem estranha, soa quase como uma regra ou condição, mas é totalmente falsa! As duas coisas não são excludentes. A bruxaria é uma religião primitiva de milhares de anos que cultiva a comunhão com a natureza e se utiliza dos oráculos para reflexão e adivinhação. O tarot é um instrumento perfeitamente compatível com suas crenças, embora seja verdade que nenhum deriva do outro. Quanto à afirmação de que tarólogos não são bruxos, sugiro apenas cautela, pois novamente o que poderia ser apenas um termo de esclarecimento pode virar uma cartilha do que somos (ou devemos ser) e do que não somos, como um regulamento, além de correr o risco de criar a velha oposição dos egos (algo tipo tarólogos vs bruxos). Sim, há tarólogos que são devotados bruxos, ou wiccanos, e há seguidores da religião wicca que não se interessam pelo tarot! Simples assim.


4º) O tarot não precisa de rituais para ser utilizado

Na linha racionalista que está sendo difundida nos temas espirituais, esotéricos, holísticos ou ocultos esse é um dos mitos mais curiosos. Quero dizer em princípio que eu concordo com essa afirmação assim como ela é colocada aí em cima. Não é o baralho de cartas que precisa dos rituais, somos nós. Somos nós que sofremos as influências do nosso meio, cultivamos preocupações e nos perturbamos com isso. Pensemos um pouco sobre o fato de que para nos exercitarmos é aconselhado um aquecimento. Antes do amor, preliminares e jogos sensuais! Antes da meditação é preciso centrar e acalmar a respiração… Minha pergunta é: Por que motivo um trabalho que mexe com símbolos da alma humana, e a psique das pessoas, não precisaria de preparação?

Os rituais são meios pelos quais nos despimos dos afazeres mundanos e das preocupações ordinárias para entrar em contato com uma dimensão mais interior e receptiva do ponto de vista psíquico. Uns se utilizarão de meios mais elaborados para cumprir sua interiorização, outros ainda farão orações, acenderão velas, incensos, ou desenharão símbolos mágicos no ar, outros apenas limparão a mente e respirarão algumas vezes antes da consulta, ou qualquer outra coisa que ajude a atingir a parte mais profunda de si mesmos. Todas estas práticas são rituais!

Os ritos são todos válidos e necessários sim. No contato com as cartas mergulhamos em nós mesmos e depois no outro, e isso não é uma experiência qualquer. Como toda a atividade humana precisa de preliminares de algum tipo antes de sua execução, e duvido muito que alguém não se utilize de uma prática desse tipo, mesmo sem saber o que está fazendo!

5º) É preciso estudar muito para interpretar o tarot corretamente

Esse é o mito que se criou para combater os tarólogos que alegavam que ler as cartas era um dom ou que herdaram isso de algum familiar mais velho que já executava a atividade. Mais uma vez proponho um olhar para o meio, existem sim pessoas que depois de muito estudo e prática conseguem ler o tarot, outros apesar de pouca leitura e conhecimento sobre técnicas de tiragem, são exímios em captar as mensagens dos arcanos. A taróloga e escritora Cynthia Giles em seu livro Tarô uma História Crítica, assinala que há os chamados leitores psíquicos, pessoas que se utilizam das cartas apenas como um trampolim para acessar a chave inconsciente daqueles que os procuram. As duas coisas são possíveis, e alguns terão que esfregar o nariz nos livros por muito tempo, ou o resto da vida, e outros acessarão essa linguagem de modo fluido.

É importante que não se sucumba a tentação do ego em tentar saber quem tem mais méritos, a meu ver ambos o tem! Um já nasceu com ele e o outro o conquistou! Tanto o leitor mediúnico, ou psíquico, quanto o analítico intelectual ocupam o seu lugar na vida e tem sua função. As conclusões a que ambos podem chegar não tem como ser diferentes, afinal a vida de quem se consulta é uma só! O que muda são os métodos e as terminologias que encontrarão, cada um, a sua própria audiência. As duas abordagens são necessárias e haverá aqueles que preferem embasamento teórico e aqueles que confiarão mais em guiança mediúnica, e ponto final!

6º) Qualquer um pode aprender tarot

Esse é um mito do capitalismo, afinal como é possível vender um curso se o público não acreditar que a matéria é acessível? Quero ressaltar que nesse caso eu também concordo com a afirmação assim como ela foi apresentada anteriormente, qualquer um pode entender a jornada dos arcanos e relacionar ela com a própria jornada humana pela vida, tirando disso muitas lições para o seu próprio desenvolvimento, agora daí a dizer que se formou um tarólogo… Comparo com a arte do desenho, ora todos nós podemos aprender a desenhar, desde criança esse é o primeiro gesto criativo! Mas quantos de nós aprenderão a desenhar como Da Vinci, ou Picasso? Ou num comparativo mais próximo, quantos dos que desenham razoavelmente bem tem seu trabalho reconhecido, fazem exposições, vendem e vivem da sua arte?… Pois é, como qualquer outra atividade humana o tarot requer talento sim, pois sem isso teremos só intérpretes medíocres. Como um desenhista que só aprendeu a fazer o homem palito da infância e que o apresenta às pessoas arrematando com a pergunta: “Não é lindo?”

Para os que me indagam de como saber se este é ou não o seu talento, eu digo que o único jeito é percorrer o caminho, fazer um curso, exercitar leituras e depois usar um pouco de bom senso e honestidade consigo mesmo! Aconselho a qualquer um desconfiar dos cursos de formação de tarólogos, ainda mais os rapidinhos.

7º) O método mais eficiente

Com certeza esse mito sempre será criado, tempo após tempo… É muito difícil de derrubar uma coisa dessas! Sempre haverá um autor de mais relevância que criará uma tendência, e sempre haverá seguidores para essa tendência, que divulgarão que os que não a seguem não conhecem a verdade, ou estão equivocados, ou ainda que não são tão bons assim… O único jeito é ficar sempre atento a um fato bem simples: qualquer autor, por mais aclamado que seja, só é capaz de viver a sua própria experiência e tirar o máximo dela, e nisso ele será igual a qualquer um nós! Por mais adeptos que suas ideias alcancem não significa que sejam a melhor visão e muito menos a única a ser seguida. Afinal os que não conseguem se enquadrar nessa “verdade” devem fazer o quê? Desistir do tarot? Nenhum tarot é o definitivo, nenhum método de leitura ou maneira de dispor as cartas é o mais correto ou eficiente. Há inúmeros tarots, métodos e sistemas de leituras, experimente todos até descobrir o seu.

Não se esqueça de que a maravilha do tarot é não ter um dono, fundador, ou inventor reconhecido. Muito menos uma autoridade inatacável quanto a sua aplicação oracular. E essa liberdade permite com que cada um o utilize como quer, diferentemente de outros, e todos usando o mesmo instrumento! Ninguém está livre de ser questionado ou contestado não importa o tamanho da bibliografia a que ela (ou ela) tenha se dedicado a dissecar, nem quantos museus tenha visitado. Somos todos pessoas compartilhando nossas visões interiores e transmitindo esse conhecimento cuja origem, apenas em parte, é humana e racional.