sábado, 18 de fevereiro de 2012

O Naipe de Copas - A Sensibilidade da Água

A água é a portadora da vida! Nada sobrevive por muito tempo sem ela, e até onde se sabe foi da água que surgiu a vida no planeta. Todas as grandes civilizações se desenvolveram a beira das águas de rios e mares, como os egípcios (rio Nilo) e os babilônicos (Tigre e Eufrates), as grandes navegações foram um marco para a evolução da humanidade, unindo povos e continente inteiros. A água é o solvente universal, tudo se dissolve em seu interior, toda a estrutura se desmantela com sua atuação. A qualidade de dissolução da água é que a faz ser o elemento que une todas as coisas, tornando-as iguais. Daí ser também o elemento do amor e dos sentimentos que via de regra são sempre de âmbito universal. A água evoca o aspecto imaginativo da psique. Muitos são os mitos sobre seres que vivem nas suas profundezas e que seduzem ou se vingam da humanidade. Da mitologia grega à nórdica, do Japão ao continente africano. Os oceanos evocam os aspectos profundos e sonhadores da alma humana, dos mais românticos, e místicos, aos mais sombrios e perversos.
O corpo humano é composto 60% de líquidos como o sangue, o suor, as lágrimas, a saliva, o sêmen e outras tantas secreções que expressam nossas emoções ou são influenciadas por elas. A visão interior é outro atributo desse elemento. Um copo de vidro transparente cheio d’água funciona perfeitamente como uma lente de aumento que nos permite ver o que a olho nu seria impossível. O mesmo se pode dizer de dons como o da intuição e o da clarividência. A cura também é um atributo espiritual da água, conhecida como uma purificadora natural usada em banhos cerimoniais como abluções e batismos.
Os aspectos sentimentais e espirituais são parte desse elemento e de sua representação no tarot: o naipe de copas. As copas ou taças não só contém a água, mas representam muito bem seus dotes de profundidade, receptividade e reflexão interior. Recipientes cheios de água são usados desde tempos imemoriais por videntes que tinham visões neles (hidromancia). A memória é outro atributo seu. Tudo o que é passado na água deixa nela um pouco de si, uma lembrança. Se o naipe de paus e espadas com suas formas alongadas e rijas são símbolos fálicos masculinos, o naipe de copas e ouros com suas formas arredondadas são femininos. As personalidades aquosas são profundas e um tanto esquivas e misteriosas, bem como românticas, místicas e idealistas. As cartas numeradas de 1 a 10 desse naipe falam da evolução no modo como lidamos com nossos afetos, sonhos e ideais de vida. 

Rei de copas – Ar da água. O vento que levanta as ondas e agita as profundezas. O curador, terapeuta, xamã, amigo e conselheiro. Vê as emoções humanas com profundidade e precisão, mas com distanciamento. Seu não envolvimento o faz perceber com clareza. Esconde suas próprias emoções nessa postura. No fundo teme ser magoado e atingido de alguma forma. O arcano propõe um resgate de alguma parte suprimida do ser, uma cura interior. Solicita-nos a não temer a intimidade. Temos todos nossas feridas.


Rainha de copas – A água da água. Profunda, mediúnica e sensível. Percebe as emoções alheias e as acolhe sem julgamento. É compassiva no real sentido da palavra. Sua capacidade de amar inclui o perdão e a misericórdia. Sua identificação com as emoções alheias pode lhe fazer ficar confusa quanto sua própria identidade, e nubla sua capacidade de reconhecer seus desejos verdadeiros. Podendo por isso viver como uma eterna projeção dos outros.

Cavaleiro de copas – O fogo da água. O guerreiro do coração, místico e visionário. Ama devotadamente e de todo o coração, quer seja uma pessoa, uma causa, ideal ou uma atividade. Lança-se sinceramente e sem reservas, crê com sinceridade no caminho que escolheu. Suas ações não são regidas por coisas como bom senso ou crítica, apenas confiança no apelo interior. Muitas vezes é visto como o um “bobalhão” aos olhos do mundo.


Valete de copas – Terra da água. O servidor gentil, maleável e prestativo. Esse arcano incorpora a qualidade da gentileza, sociabilidade e da generosidade. Sempre disposto a ajudar, não vê distinção entre os seres. Quer se sociabilizar, ampliar o círculo de relações, conhecer o mundo! Parecido com seu irmão, o cavaleiro, mas sem a mesma permanência interior. Podendo assim se tornar um bajulador servil e um seguidor vazio e sem propósitos.


Ás de copas – O coração transbordante. Estar pleno de amor pela vida ou pela humanidade. Um estado de beatitude que nos faz conectar com forças espirituais superiores, como nas canalizações. Encontro da verdadeira vocação e propósito interiores, que independem do reconhecimento externo. Um sentimento imenso de entrega ao fluxo da vida e dos acontecimentos sem opor resistência.


2 de copas – A personificação do amor no outro. Um encontro significativo no âmbito dos afetos. Troca, sintonia intensa de sentimentos. Pode ser uma sintonia fina dentro de uma amizade, parceria ou sociedade onde um completa o outro a partir de uma conexão interior. A sombra deste lindo arcano é a dependência entre os parceiros. Lembre-se: Todos precisam de espaço para crescer.


3 de copas – A celebração do amor e da vida. Depois da união no 2 de copas, agora é momento da festa de casamento e da Lua de Mel! Psicologicamente é um período de exultação por algo que parece estar indo a contento, seja um trabalho, empreendimento novo, ou relacionamento. Como a satisfação nesse naipe é subjetiva essa felicidade independe dos resultados reais e extrínsecos. Sua sombra é o excesso e a prevaricação.


4 de copas -  Depois da exultação, a tranquilidade e a introspecção. As emoções se aquietam como num estado meditativo. O voltar-se para dentro tem a finalidade de purificar a consciência das influências externas. A profunda reflexão interior permite o encontro com o si mesmo. A sua sombra é um estado tal de introspecção que gera uma indiferença emocional com o mundo externo.


5 de copas – A perda do prazer. A desilusão. A tendência da psique é apegar-se ao que tem de bom (e que geralmente ficou no passado) com medo de um futuro de sofrimentos. Ou de agarrar-se a uma lembrança ruim e se esquiva para que ela não se repita. Em ambos os casos as oportunidades que vivem no presente são esquecidas e o desapontamento, ou o medo de passar por ele, domina a cena e rouba a espontaneidade. 


6 de copas – O sonho de um mundo ideal. Depois da dor do 5 de copas, a consciência volta-se a sonhar com uma vida melhor e com grandes conquistas. Sejam elas românticas, materiais, de poder, ou espirituais. Sempre com base nas expectativas forjadas no passado ou em devaneios sobre o amanhã. Esses ideais se afastam cada vez mais da vida real, adiam a verdadeira felicidade e podem fomentar decepções futuras. 


7 de copas – A confusão emocional. Os limites entre o real e o imaginário se rompem e a psique se perde numa angustiante falta de direcionamento interior. Escape para o mundo dos vícios de toda a sorte, ou do desabrochar de experiências psíquicas como vidência espontânea, contato com seres do mundo astral inferior e com desencarnados. A confusão pode ser projetada nos outros, como autodefesa.


8 de copas – O abandono do ilusório. O rompimento com uma situação que perdeu sua validade ou significado intrínseco. Pode ser um relacionamento, um lugar onde se viveu, ou um emprego. É uma partida em busca de algo superior, mais representativo ou luminoso. Situações dessa natureza sempre causam alguma hesitação antes do desfecho, porém, não podem ser contidas.


9 de copas – O direcionamento para a verdade interior fez com que se encontrasse um ambiente de total realização dos desejos e sonhos mais íntimos. O estado de felicidade e bem estar, tanto material quanto interior, proporciona profundo bem estar. A sombra dessa situação é a de que a felicidade nos aliena ou nos dá a falsa sensação de realização espiritual, trazendo preguiça e indolência.


10 de copas – Êxito absoluto. União da mente com o coração, completo estado de harmonia. Não há nada a ser desejado ou conquistado no passado ou no futuro. A vida é boa e plena no aqui agora. Sentimento de integração e de pertencer a algo, carreira, família, pátria, relacionamento e ou caminho espiritual. O sentido de felicidade e família no significado mais profundo da palavra. Que nada tem a ver com realizações externas e laços físicos.

O Naipe de Espadas - A Inteligêcia do Ar

O ar vem a ser o elemento mais importante para a sobrevivência humana. Sem oxigênio não existe vida. Nosso pulmão, coração e cérebro realizam com ele uma alquimia que nos permite estar vivos! A falta de oxigenação do cérebro dificulta o funcionamento do mesmo, torna o raciocínio impossível e pode causar danos irreversíveis. A mente opera como o ar, com movimentos irregulares em muitas direções simultaneamente, mas quando bem focada por muito tempo pode moldar o solo, as rochas e as montanhas, como nossa Inteligência é capaz de construir coisas incríveis! A engenhosidade simples dos barcos a vela, por exemplo, ajudou o homem a romper fronteiras e descobrir novos mundos além de expandir o poder de impérios como o da Espanha, e Portugal e mais tarde da Grã Bretanha.
No tarot o elemento ar está representado pelo naipe de espadas. A espada é um símbolo perfeito para esse elemento. A maioria delas possui dois gumes, exatamente como a mente possui sempre duas vertentes, sim/não, bem/mal, o eu/o outro. Ela representa também o poder dos reis e dos exércitos, exatamente como aparece no ás de espadas dos baralhos clássicos, com uma espada transpassando uma coroa e sendo empunhada por uma mão vigorosa. A espada é o símbolo também da justiça, com ela os reis outorgavam leis, distribuíam títulos e condecoravam soldados. A mente anseia por conhecer a verdade e estabelecer conceitos sobre o verdadeiro e o falso, o certo e o errado, o justo e o injusto, o ético e o não ético para poder tornar a vida ordenada e compreensível. A mesma inteligência que busca por verdades superiores e significados maiores para a existência é a que procura garantir a paz armando-se fortemente. É interessante notar que foguetes, mísseis e até submarinos e navios de guerra possuem a forma de uma espada! As guerras como ações de poder e conquista no sentido de “manter a ordem” são prerrogativas do naipe de espadas. O científico e o tecnológico também estão sob sua égide!
Diferente do que ocorre na descrição desse elemento na astrologia, as personalidades aéreas não são tanto dispersivas, mas sim racionais, organizadas e controladoras, além de frias na sua expressão emocional. Absorvem informações e os valores culturais do seu meio e de sua geração com muita facilidade, ao mesmo em tempo que são naturalmente críticas e questionadoras. O trajeto das cartas numeradas de 1 a 10 no naipe de espadas é uma busca pela verdade interior em meio aos conceitos culturais sustentados pela família e a sociedade.

Rei de espadas – O ar do ar. O líder autoritário. Forte, frio e controlador. Sabe sempre o que fazer em cada evento, não acessa seus instintos, seus sentimentos e sua fragilidade. Administrador inteligente e estratégico possui uma mente clara que o faz se tornar uma autoridade nas atividades a que se dedica. Lembre-se de que certo controle sobre a vida é bom, quando em demasia faz a vida cessar. O juiz, o médico cirurgião, o militar de alta patente.



Rainha de espadas – Água do ar. A mente lúcida que não se permite levar pela subjetividade das emoções. A capacidade de colocar em palavras, e de modo inteligível, coisas abstratas. Crítica e julgadora. Conceitua tudo em certo e errado, preto e branco... Dando margem para o surgimento da moralidade estreita e dos preconceitos. A pedagoga, a filósofa, a escritora. 


Cavaleiro de espadas – Fogo do ar. A mente focada nas conquistas objetivadas pela razão. O conquistador determinado e combativo. Aquele que não desiste até a meta ser alcançada e não poupa nem esforços, e até mesmo consequências, se ele exceder suas funções. A sua cobiça e competitividade podem desumanizá-lo, tornado-o cruel e violento. O soldado de elite, o ninja, o boxeador ou lutador de artes marciais.


Valete de espadas - Terra do ar. A mente aberta que amplia os conceitos, abarca novas ideias de modo inovador. Tudo o interessa. A sua sombra é a mente que conecta muitas coisas, mas não realiza nada. Congestão e confusão mental. Argumentação excessiva, preocupação intensa que não permite o relaxamento. Enxaqueca, insônia. 


Ás de espadas - A consciência perfeita, clara, límpida. A vontade serena, mas firmemente centrada. O encontro de uma verdade reconhecível e libertadora. A capacidade de mudar o rumo dos acontecimentos pela simples focalização da vontade pessoal aliada a um sentido de direção e propósito internos.


2 de espadas – A natureza bruta da mente não consegue permanecer centrada. A dúvida se instaura, algo como: “Será mesmo?”. A dúvida lança o olhar sobre uma outra perspectiva, a de outra pessoa ou a de outra realidade, e esse cisma deve ser resolvido com uma decisão. A consciência também não suporta ficar muito tempo cindida. Impasses seguidos de decisões e escolhas pertencem a esse arcano. 


3 de espadas – A escolha foi feita, o impasse foi resolvido ou está na iminência de sê-lo. A razão vence nesse naipe, os ditames do coração são subjugados. O que sobra é uma sensação de pesar. Há uma dor e insatisfação profundamente introjetados que não se revelam na aparência. Fazem parte de desconfortos íntimos que a maioria das pessoas esconde socialmente. 

 
4 de espadas – Depois da crise anterior surge uma profunda necessidade de parar e refletir. Esse arcano incorpora bem o “descanso do guerreiro” normalmente vivido depois de uma situação de doença, divórcio, ou da saída de um trabalho importante para nós, por exemplo! Uma decisão dura de ser tomada requer um tempo de reparação (a convalescença) antes de seguir a jornada. Sua sombra é protelar indefinidamente essa pausa e postergar resoluções pendentes.


5 de espadas – O tempo perdido não volta. O que sobra é um balanço da vida com um saldo negativo e uma sensação de derrota. A comparação entre os resultados alcançados e os que se pretendia são inevitáveis. Assim como a comparação com as conquistas dos outros. É próprio da mente fazer conjecturas. Deve-se buscar a valorização da própria experiência e singularidade.  


6 de espadas – A ânsia humana por amor e reconhecimento social faz com que se assuma papéis difíceis e responsabilidades muitas vezes demasiadas (o bom filho, o funcionário modelo...). Há uma tendência a se assumir as necessidades alheias e sociais de modo incontinenti. Aqui deve-se buscar a justa proporção do papel a se desempenhar e evitar os excessos, eles não significam mais amor, apenas mais esforço.



7 de espadas – A perda da identidade individual. A dissimulação do que é aceitável cria uma máscara que com o tempo não serve mais, mas precisa ser sempre servida. Então nasce uma vida secreta, cheia de vergonha e culpa. Os conchavos e conspirações, as intrigas, segredos e mentiras nascem assim, bem como a perversão de instintos naturais.


8 de espadas - A negação da natureza básica não dura muito tempo, forças dilacerantes entram em choque dentro da consciência e não podem ser mais ignoradas, algo deve ser feito com uma urgência ainda maior do que no 2 de espadas. A culpa por violar as leis internas gera imensa cobrança e dura autocrítica.


9 de espadas – A dor sentida na mais funda solidão. Tudo o que foi negado não pode mais ser ignorado e vem à tona como uma ferida ocultada, mas que ainda está aberta. Do ponto mais escuro das cobranças internas nasce a luz de uma nova percepção. O sofrimento esconde dentro de si sua própria cura, como todos os venenos.


10 de espadas – O renascimento da consciência. Do animal de carga dos conceitos sociais nasce a fera que se opõe a isso tudo e de dentro dela deverá nascer a criança espontânea que um dia todos tivemos em nós, nem conformada nem rebelde, apenas livre! A morte dos velhos conceitos não é fácil e avanços e recuos são comuns ao longo do caminho de mudança.

Naipe de Ouros - O Poder da Terra

A terra é sem dúvida o elemento mais próximo do homem, pois é o mais palpável! É o solo de onde retiramos nossa comida e que guarda em suas profundezas as águas das chuvas. Os poços escavados na terra foram os que irrigaram as plantações que alimentaram vilarejos inteiros nos primórdios da civilização com seus frutos. Foi do barro (outra mistura da terra com a água) que o homem primitivo extraiu grande parte dos utensílios que utilizou para sua vida prática e cotidiana. Mitos antigos, como dos gregos, dizem que o próprio homem foi feito do barro. Daí o corpo humano possuir analogias com esse elemento, firme e maciço, e que possui dentro dele os ossos duros como as rochas no interior do solo. Todos os outros elementos da natureza parecem secundarizados diante da importância da terra, até mesmo o ar, sem o qual não vivemos! O sentimento de propriedade, estabilidade e segurança, advém da terra. Em tempos muito antigos o valor de um homem era medido pelo tamanho de sua propriedade ou se a possuía ou não. Prática que ainda se sustenta num mundo onde a importância de alguém está em sua capacidade de juntar dinheiro mais do que a de inspirar pessoas, por exemplo. Para os povos ainda hoje ditos primitivos a riqueza de um homem é um sinal de sua boa relação com a terra. Em termos morais costumamos dizer que uma pessoa de boa índole é aquela que possui bons valores humanos. Significando que as riquezas não são só exteriores e extrínsecas, mas também interiores e, portanto, intrínsecas. 
No tarot o elemento terra é representado no naipe de ouros. Esse metal extraído da terra foi o símbolo da sua riqueza e de todo poder que um homem poderia conquistar. Para os povos da América do Sul como os Astecas, o ouro era sagrado por representar o sol e seu poder. O mesmo ouro sagrado que fez com que os espanhóis dizimassem sua civilização levados pela mais pura e sórdida cobiça. A terra é símbolo da riqueza, da estabilidade, do conforto e bem estar material como também dos valores de caráter, como bom senso, justiça, constância e confiabilidade. Não é preciso entender de tarot para saber que esses parecem atributos bem “sólidos”, como a terra. Por outro lado a cobiça, a avareza e os sentimentos de menos valia também estão relacionados a este naipe. No tarot as cartas da corte simbolizam as personalidades terrenas, por assim dizer, fortes, trabalhadoras, organizadas e prósperas, mas também envolventes e sensuais. As cartas numeradas de 1 a 10 são as representações do desenvolvimento dos seus atributos de trabalho, produção e crescimento em todos os níveis. Vejamos:

Rei de ouros – Ar da terra. O engenheiro da terra, o empreendedor, aquele que conhece os mistérios do mundo material e sabe manejá-los para o seu progresso e de todos que desfrutam de sua proteção. O mantenedor, líder, administrador. Ele é a expressão da abundância, mas entende que isso não representa só juntar dinheiro, e sim viver a vida em todas as suas manifestações.



Rainha de ouros – Água da terra. A consciência do corpo e dos sentidos. O bem estar e o usufruir a beleza e os prazeres da vida com responsabilidade e consciência. A encarnação do conceito de qualidade vida. Massagens, yoga, relaxamento, nutrição. Toda a relação com o aspecto prazeroso, sensorial e material da vida sem culpa. Sua sombra é a sensualista grosseira e a perdulária descontrolada.


Cavaleiro de ouros – Fogo da terra. O trabalhador disciplinado, perseverante, solitário, prático e realista. Crê no trabalho constante e organizado. Aquele que possui uma relação de devoção com o que faz. Constroi suas ambições com valores como a ética, a justiça e o bom senso. Possui altos ideais sobre si mesmo e as atividades as quais se dedica. Sua meta é a excelência (alcançada no 9 de ouros). É confiável e confiante. Sua sombra é a do viciado em trabalho.


Valete de ouros – Terra da terra. O germinador das novas oportunidades, o investidor dos novos empreendimentos. Aquele que especula novas formas de crescer e prosperar. Sob muitos aspectos é o estudante com sede de conhecimento e evolução. Aquele que faz da instrução uma forma de evoluir social e materialmente. O explorador de novas oportunidades.


Às de ouros – É a potência da terra de crescer e multiplicar os seus poderes. De fazer a semente virar árvore e de a terra bruta gerar frutos. No homem é a expressão do seu caráter e potencial interno, o uso dos talentos que se transforma em sua riqueza. Em termos mundanos o Às representa a possibilidade de realização de todos os anseios sociais e materiais desse mundo.


2 de ouros – O arcano que traz para o mundo a incrível capacidade de adaptação da terra. Qualquer solo bem cuidado, mesmo os desérticos podem dar bons frutos. O solo tem a capacidade tornar-se quente como o fogo, liquefeito como a água e de voar com o ar através do pó! O 2 de ouros é o arcano da adaptação dos potenciais internos aos reveses da vida. De fazer do limão uma limonada, de uma situação adversa uma grande vantagem, e de rir da desgraça!


3 de ouros -  A força do trabalho é mostrado aqui. Nada é obtido da Mãe Terra sem empenho e trabalho! Após ter se adaptado as suas mudanças sazonais é preciso trabalhar nela devotadamente. O 3 de ouros é o arcano da labuta e da confiança nos instintos ao lidar com a terra, ou seja, com a atividade que se está executando. A dimensão do progresso franco e veloz encontra-se nesse terceiro arcano do tarot.


4 de ouros – Depois do empenho e da colheita dos frutos terrenos a terra traz o bem adquirido. Aqui nasce o significado de meu, que é profundamente gratificante ao ego humano por simbolizar o resultado do empenho dos seus talentos. É o arcano da estabilidade, da segurança e da propriedade, mas também da avareza material e afetiva, e do separativismo já que o “meu” vem do “eu” e nos isola dos outros.



5 de ouros – A crise que liberta. A materialidade cega. Quem olha muito para o chão não vê mais a luz. Assim uma crise financeira, a perda de bens ou de um emprego ou mesmo do nosso sentimento de valor pessoal, nos retira do cercado que criamos com o que conseguimos. Vemos então o mundo ao redor e pela primeira vez tomamos consciência de nossa pequenez e fragilidade num universo onde a interatividade é fundamental.


6 de ouros – Nesta etapa abrimos nossa percepção para novas possibilidades e valores, aprendendo a ser generosos e a fazer concessões. Como a terra e seus bens também sugerem negociação, temos de ficar atentos para que essas concessões não virem mais um vício triste para se obter benefícios indiretos como atenção, amor e consideração. Nossa abertura e doação devem ser autênticas.


7 de ouros – Nessa fase retomamos os ritmos naturais do nosso corpo e dos eventos todos, não mais lutamos contra a natureza em nós e a natureza das coisas. Respeitando o tempo de produzir e descansar. Também respeitando o outro em seu movimento de confraternizar-se e de ficar consigo mesmo ocasionalmente. Exatamente como acontece com os ciclos das estações na natureza, ou na gestação humana. Sua sombra é a indulgência excessiva.


8 de ouros – O caminho da simplicidade. Com os acontecimentos anteriores aprendemos a ser humildes (uma bela característica da terra) e a fazer cada coisa com o máximo de atenção aos detalhes e aos erros do passado com a forte intenção de reaprender e crescer serenamente. No outro extremo este é o arcano do “capacho” humano e da mediocridade. Daquele que se perde em detalhes toldando-se para a visão do todo.


9 de ouros – A excelência. O 9 de ouros indica a completa superação das mazelas passadas e a absorção total das experiências vividas. Assim como a terra dá frutos, o indivíduo colhe os frutos de si mesmo: uma consciência e um potencial amadurecidos que evocam notoriedade e respeito. O mestre de si mesmo com uma individualidade bem formada, mas não mais egoísta, que atinge seu ápice. O aspecto mais negativo é o perigo de tornar-se muito distante dos mais simples.


10 de ouros – O indivíduo finalmente entende que ele é o cocriador da sua realidade e da realidade planetária! Seja como for que esteja nossa vida fomos nós quem a fizemos assim, e somente nós podemos mudá-la! A consciência global, cooperativa e corporativa nasce nesse arcano. Como indivíduos, família, empresa ou sociedade entendemos que nossas ações nos influenciam e aprendemos a cuidar de nós mesmos e uns dos outros. A última etapa da evolução humana e planetária, que vem a ser a proposta da Nova Era.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Os Mistérios do Osho Zen Tarot

Lançado em 1995 por Ma Deva Padma o Osho Zen Tarot é um baralho bastante incomum, uma releitura ousada do simbolismo tradicional do tarot à luz da filosofia do zen budismo segundo os ensinamentos do mestre indiano Osho. A autora, como outros tantos compositores de baralhos de tarot, cometeu algumas arbitrariedades muito radicais em determinadas cartas, ao mesmo tempo que muito inspiradoras em outras. As belas imagens dos seus desenhos tornam o Osho Zen um baralho que, definitivamente, não é indicado para iniciantes. É preciso certa intimidade com as obras de Osho e com a própria filosofia zen, além de um conhecimento bem aprofundado sobre o simbolismo do tarot para perceber o que está sendo enfatizado em cada arcano. 
O Mago, aparece enfatizado
em sua conexão com o todo.
A primeira ousadia de Padma foi a de retirar o nome tradicional dos arcanos maiores. Assim O Mago virou Existência, A Sacerdotisa, Voz Interior, A Imperatriz, Criatividade, O Imperador, Rebelde e por fim uma das mais polêmicas, O Hierofante virou Não-materialidade. Nessa carta especificamente ela desenhou um quadro negro absoluto com o título abaixo. No zen o negro representa a experiência do vazio como a mais profunda vivência espiritual. Parece mais do que claro que ela enfatizou as qualidades de valorização do mundo sutil e dos valores intrínsecos de O Hierofante. Deixando as características de amigo, sábio, conselheiro e terapeuta para uma outra carta intitulada de O Mestre. A autora bifurcou o significado do quinto arcano do tarot para homenagear seu mestre. Eu desconsidero totalmente essa carta, que seria uma espécie de 23º arcano maior não numerado, assim como O Louco. Embora a estrutura geral do tarot seja mantida essa carta a mais deixa o baralho com 79 e não 78 cartas. Mais um motivo para descartá-la! Ela não ocupa nenhuma posição realmente necessária a não ser a de atender a um capricho de sua criadora.
As ousadias continuam, depois de Os Amantes, que junto com O Louco são as duas únicas cartas que mantém o seu nome tradicional, vem O Carro, rebatizado de Consciência (em inglês awareness, no sentido de estar ou tornar-se consciente). Aqui o sentido de avanço e novos começos proposto pelo sétimo arcano ganha uma conotação mais espiritual com o despertar do Buda interno que rasga os véus de maia, a ilusão. Em seguida A Justiça é transformada em Coragem e uma frágil margarida toma o lugar da mulher firme e determinada empunhando uma espada e uma balança. A mensagem de verdade e retificação aqui é transferida para o sentido de “seja você mesmo, assuma sua verdade interior!”. A pequena flor brota em meio às pedras enfrentando as intempéries. Os outros arcanos maiores ficam assim: O Eremita/Solitude. A Roda da Fortuna/Mudança, A Força/Ruptura, O Enforcado/Nova Visão, A Morte/Transformação, A Temperança/Integração, O Diabo/Condicionamento, A Torre/Relâmpago. A Estrela/Silêncio, A Lua/ Vidas Passadas, O Sol/Inocência, O Julgamento/Além da Ilusão, O Mundo/Completude e O Louco, como ele mesmo.
O Enforcada sob uma Nova Visão.
Especialmente rica foi sua reinterpretação de O Enforcado, onde um homem não aparece enforcado, mas sim prostrado no chão e em seguida erguendo-se às alturas do universo. Um novo símbolo para o significado de que a angústia e o sofrimento encarados sob nova perspectiva ampliam nossa introvisão, uma Nova Visão. O mesmo ocorre no arcano de O Diabo, onde a besta assustadora e chifruda dá lugar a um leão em pele de ovelha, representando nossa fera interior castrada e amordaçada pelas condutas sociais repressoras. Aqui ela é uma vítima e não a vilã. Está condicionada, como diz o seu título.
Nos arcanos menores os nomes dos naipes foram renomeados para Fogo, o naipe de paus, Água, o naipe de copas, Nuvens, naipe de espadas e Arco-íris, o naipe de ouros. Os dois primeiros não precisam de muita explicação, mas os dois últimos sim. A mente é oscilante e enganadora e por vezes nubla nossa perspectiva ao ponto de imaginarmos que os problemas não têm fim, assim como as nuvens quando toldam a luz do sol criando uma falsa noite. A mensagem é: não ligue para isso, é só uma armadilha da mente. No naipe de ouros o arco-íris serve como a imagem da integração do céu com a terra. No zen budismo é muito comum a ideia de que é aqui no mundo prático que se dá toda evolução. Sendo assim o naipe de ouros não é apenas o arauto da riqueza material, mas também da espiritual. O elemento mais holístico, que sintetiza as melhores possibilidades dos outros.

O cinco de espadas do Osho Zen 
Tarot comparado ao Rider-Waite

Há duas cartas dos arcanos menores que para mim simbolizam bem a genial "sacação" de Ma Deva Padma, são o Cinco de espadas e o Seis de copas. Nesse arcano de espadas muitos autores enxergam a imagem da negatividade humana, da derrota e da cobiça. Padma desenhou isso na forma de um bambu e um carvalho que parecem estar se comparando e seu o nome é justamente Comparação. Palavra que sintetiza o que foi antes descrito com a clara ideia de inveja, mas com a mensagem de que devemos aceitar nossas diferenças, valorizando nossa singularidade.

O seis de copas do Osho Zen Tarot 
comparado ao Rider-Waite.

No Seis de copas, normalmente interpretado como lembranças do passado ou busca por prazer, ela desenhou uma moça divagando sobre um provável romance e deu a carta o nome de O Sonho, significando uma idealização irreal do passado, do futuro ou mesmo do prazer e da felicidade. Ideal esse quase nunca alcançado e que por isso mesmo impede a realização no aqui agora... Excelente reflexão.
O livro que acompanha o baralho é despretensioso, e por isso mesmo pouco explicativo sobre a simbologia apresentada. Ainda assim eu aconselho o Osho Zen Tarot como um desafio à percepção mais profunda e como um mergulho nos ensinamentos do zen budismo.

Leia também: O Simbolismo Totem no Tarot Zen

Confira a apresentação o baralho no Clube do Tarot
Veja a galeria completa dos arcanos do  Osho Zen Tarot
Leia a entrevista com a autora Ma Deva Padma

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Terapia Floral e o Despertar da Espiritualidade


Nos nossos tempos tão absurdamente industriais nunca se falou tanto em despertar da espiritualidade e nunca as pessoas estiveram tão inconscientes do que trata essas duas palavras! Para alguns despertar a espiritualidade é adotar uma religião, ou a crença num Deus único. A ideia de um Deus único incomoda muita gente, mas antes de tecer essa polêmica teológica sobre a existência ou não de um Deus onipresente e criador devemos entender que o conceito de espiritualidade envolve outras coisas tão complexas quanto esta. A primeira delas, por exemplo, é o entendimento de que a vida não é um processo acabado, ou seja, estamos todos constantemente evoluindo e que esse fluxo evolutivo não cessa até o que podemos chamar de processo de iluminação ou elevação da consciência. Esse mesmo processo teria sido vivido pelos grandes luminares da humanidade. Cristo, Buda, Krishna, Rama, etc. E caso você se pergunte: Por que evoluir? Isso é uma obrigação?… A resposta é que evolução é uma lei natural. Todos buscamos evoluir, e toda evolução é, em última instância, uma busca por Deus. O guru indiano Osho vem nos lembrar que todos os que buscam algo muito maior que eles mesmos, como muito dinheiro, muito poder ou muito prazer sexual, estão buscando algo transcendente, ou seja, algo que transcenda a experiência humana comum. E isso é uma busca por Deus, embora de modo totalmente improdutivo.
Outro item fundamental ao entendermos do que trata a evolução espiritual é a aceitação de que a vida não termina. Ela se transforma continuamente sempre buscando uma expressão cada vez mais elevada através de sucessivas encarnações.


 O caminho da evolução da consciência é infinito.


Em termos digamos “científicos” a vida é energia e a energia se transforma. Para muitos o que convencionamos chamar de Deus é um grande fluxo energético que emana em todas as direções e planos, do mais denso ao mais sutil, o tempo todo, ou infinitamente. Por que a busca espiritual floresce num tempo em que a técnica, a lógica e os valores materiais predominam? Pelo simples motivo de que a espiritualidade faz parte da natureza humana, não é um valor artificial ou uma moda ao qual alguns aderem pura e simplesmente. O que ocorre é que algumas pessoas despertam mais rapidamente que outras para essa realidade.
Para muitos o chamado interior poderá surgir como uma aguda crise de valores, o que costuma gerar muita angústia. O mundo concreto, porém, nos faz crer muitas vezes que um porre se cura com outro, ou que uma exaustão dos temas instintivos precisa é de mais exaltação dos instintos, o que só faz aumentar mais o vazio da alma. Talvez seja aí que as pessoas começam a procurar soluções mágicas! E não falta quem ofereça isso. Aderir a uma seita evangélica e aceitar Jesus no coração para alcançar a libertação! Um vidente que faça previsões para o futuro com data bem marcada (É só esperar!), uma magia para abrir os caminhos do amor, uma “queima de Karma” para transformar uma vida… É, tem gente mexendo com coisa séria com propósitos ou baseados na mais pura ignorância ou na maldade mesmo!  Isso por um lado, do outro lado estão aqueles que teimam em crer que uma transformação pessoal pode ocorrer sem conscientização ou comprometimento interior. Aqueles que pensam que o esforço de mudar é árduo demais, e talvez desnecessário, esses pagarão o preço ainda mais alto da decepção e do tempo perdido.

Hound's Tongue, do sistema californiano (FES), 
dissolvendo a percepção materialista da vida.


Custa um pouco (ou muito) para que uma consciência desperte no sentido de clarear a visão interior sobre essas ilusões! Mas afinal o que impede essa tomada de consciência? Simples: A ilusão de que a vida acontece unicamente dentro dos limites tridimensionais e a total falta de percepção de que há outros níveis de energia que se expressam no aqui agora. Para aqueles que se dispõe a rever essa postura e sentem uma profunda necessidade de mergulhar no aspecto espiritual da vida, mas se sentem limitados por sua descrença, que por sua vez apoia-se na total dificuldade de percepção de outros planos da existência, a terapia floral pode ajudar em muito.
Algumas essências podem dar um significativo impulso inicial na abertura da percepção espiritual da vida. O floral Hound’s Tongue da Califórnia ajuda a dissolver o padrão materialista da mente egoica, propicia uma percepção mais holística, por assim dizer, da existência. Outra essência californiana muito importante é Angel’s Trumpet que ajuda aqueles que têm medo da morte a se abrir para o aspecto espiritual dessa experiência. O medo da morte leva muitas pessoas a se afastarem dos temas transcendentes. Uma outra essência floral que pode propiciar uma conscientização interessante é Cometa, do sistema Filhas de Gaia, esse floral ajuda a romper com a sensação limitadora de espaço tempo em que viemos nesse mundo tridimensional. Abre a consciência para a “multidimensionalidade do Ser e do Universo” como coloca muito bem Maria Grillo.

Diminuir o excesso de mente é por fim uma outra necessidade de quem busca uma introdução ao pensamento místico. A mente só faz perguntas, sua ânsia por formatações a faz querer uma verdade genérica que sirva a todos, e isso não existe! A verdade possui muitas faces, cada um de nós pode compreender apenas uma parte dela e a união dos nossos pontos de vista é que pode ajudar a ter um vislumbre de todo o seu corpo imenso. Para isso a humanidade teria de deixar de lado sua tendência a formar dogmas e a querer convencer o outro do seu próprio ponto de vista para apenas ouvir e tentar compreender, sem se sentir violado por isso. O floral Lírio Amarelo, do sistema floral do Sul, ajuda a diminuir o excesso de racionalismo ao qual recorremos no dia a dia, proporcionando uma abertura interior e acesso à guiança espiritual.
Essas quatro flores seriam o estágio inicial num processo terapêutico mais longo, onde as raízes do distanciamento dos temas interiores teriam de ser investigadas com mais profundidade. Considero as quatro flores antes citadas um bom pontapé inicial numa jornada rumo ao infinito.

Namastê

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Entrevista com o Tarólogo Jaime E. Cannes

Entrevista concedida o jornal VIVA BEM de Porto Alegre em Julho de 2010.


1. Jaime, como começou sua caminhada espiritual, e sua escolha pelo trabalho com a espiritualidade?


Iniciou por intermédio de meu pai, que intrigado com minhas perguntas existencialistas, resolveu me introduzir na filosofia espírita da qual, ele já era adepto havia muitos anos. Foi maravilhoso encontrar um conjunto de ideias que abarcava o conceito de um plano transcendente para a vida. Com o tempo, porém, eu me afastei por possuir mais afinidades com a filosofia esotérica e menos com os dogmas religiosos que também existem no espiritismo.


2. Como se deu a descoberta de sua aptidão pelo Tarot?

Foi um por acaso, como todas as coisas realmente geniais da vida! Uma prima me trouxe uma revista com uma matéria especial sobre tarologia, tinha um pequeno baralho de tarot de Marselha com os 78 arcanos, maiores e menores, e um livro. Comecei a estudar, treinar jogadas e anotar tudo! Com o tempo, algumas previsões se confirmaram e os parentes começaram a me procurar... Com a prática observei que a tarologia vai além das previsões, ela induz a uma profunda reflexão sobre nós mesmos, nos permitindo avaliar exatamente onde estamos e que programações ou condicionamentos nos fizeram chegar até esse momento, oferecendo-nos a oportunidade de mudar isso através do uso do livre-arbítrio.

3. Na sua opinião qual é a maior contribuição da tarologia para esse momento planetário de transformação da consciência?

É justamente essa: a de impulsionar essa transformação ainda mais! Hoje o trabalho com os arcanos nos oferece a possibilidade de fazer escolhas quanto ao nosso futuro, sem as programações sociais arcaicas que carregamos desde o berço. Há um velho axioma que diz: “Mude que o mundo mudará!” Pessoas com mentalidade renovada são mais capazes de assimilar as mudanças necessárias para alterar a relação que temos com o planeta, a natureza e a nossa própria comunidade humana. Deixamos de ser o gado da sociedade de consumo e passamos a ser seres pensantes. Nisso a tarologia vai além da psicologia, pois ela abarca a consciência do espírito em suas muitas vidas, o conceito de karma e evolução interior bem como as mais modernas teorias psicológicas!


4. Fale-nos um pouco de seu Livro “Tarot para a Autotransformação e a Cura”


O livro nasceu do incentivo de alunos e de amigos como a *Kátia Escobar, eles acharam que eu tinha de colocar algumas visões das minhas aulas e consultas que seriam uma contribuição para o estudo tarológico, como a interpretação dos sonhos com o tarot, a aplicação das cartas em tratamentos de cura como reiki, massoterapia, etc. E conceitos bem próprios como o da carta sintoma, a relação do tarot com o karma humano, as leituras em grupo (um lindo trabalho vivencial com o tarot) e assim por diante! Tenho recebido ótimos retornos dos meus leitores aqui no estado e pelo país!

5. Estamos passando por modificações planetárias seja pelas forças da natureza, seja pelo desenvolvimento de novas tecnologias e pela busca do conhecimento espiritual. Que caminho você vê que o homem precisa seguir para a sua harmoniza com o planeta?

Não existe outro caminho que não seja o do autoconhecimento! Quando você começa a se responsabilizar por si mesmo entende melhor o absurdo do consumismo que vivemos hoje e que está acabando com os recursos naturais. A mãe natureza é infinitamente pródiga sim, mas não significa que todos nós possamos ou devamos, morar numa casa com vinte cômodos, para quê? Costumo perguntar: onde uma Ferrari pode nos levar que um carro utilitário, ou mesmo uma bicicleta, não possa? Através do autoconhecimento nos livramos da papagaiada dos familiares, dos amigos e da sociedade que nos fez acreditar que temos de ter para ser. O autoconhecimento nos liberta para apenas sermos, essa é toda a maravilha da existência! Somos perfeitos como somos, não necessitamos de apetrechos materiais títulos ou graduações acadêmicas para isso.


6. Estamos atualmente em meio a eventos que distanciam as pessoas, seja pela rivalidade política local, seja pela rivalidade esportiva, o meio global. O que isso traz para o coletivo social?


A total alienação da nossa natureza humana e amorosa! Somos os únicos seres que entendem o conceito de amar. Creio profundamente que os animais também amem, mas não entendem o conceito de amar, não são tão conscientes! Por isso alguém passa por um mendigo moribundo no meio da rua e não se dá por conta que ele está prestes a morrer, ou um homem é capaz de fazer um programa com uma prostituta menor de idade sem remorso algum, pois ambos creem que “não foram eles que fizeram aquilo”! Isso é o que ocorre quando as pessoas não são autorresponsáveis, quando não tem nenhuma reflexão! Todos nós ajudamos a fazer essas coisas justamente com a nossa indiferença. Não somos todos culpados, mas sim responsáveis! Um mundo melhor é responsabilidade de todos nós!

7. Ao leitor do Viva Bem, deixe um recado para esse período. 

Cuidado com ideias que vendam a você e que você compra. Muitas boas ideias se transformaram em movimentos radicais e até violentos. Não creia em nada que o coloque à parte dos demais. Tudo o que pode fazer você parecer estar totalmente certo. Ninguém está! Todas as verdades são as faces múltiplas da verdade, cujo corpo imenso permanece um mistério, assim uma única pessoa jamais a verá, a menos que se junte às verdades de todas as outras pessoas desse planeta. Nascemos para viver de mãos dadas e não atadas! Pense nisso! 

* Fundadora do Jornal  Em Aquarius

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Labirintos - Caminhos para o Sagrado

Os labirintos são símbolos pagãos encontrados em todos os continentes tanto entre os povos tidos como primitivos, como os navajos da América do Norte, como entre os gregos e os indianos! Suas formas circulares nos remetem ao útero materno e ao interior da terra, ou de nós mesmos! O labirinto de sete voltas (abaixo à esquerda) vem a ser o mais difundido dentre todos, aparece em todo o planeta. Mas qual seria a função original dos labirintos? Eis a questão! Tudo o que se tem são hipóteses. As que mais me agradam são as que mostram o labirinto como uma imersão em si mesmo, um encontro com a sombra, ou uma simulação da morte em vida.
Assim como na morte entramos no labirinto mergulhando no desconhecido, a entrada da cova. Ao encontrar o seu meio estamos integrados no si mesmo, e a partir daí a segunda parte da jornada é a saída para a luz pelo útero da mãe terra! O movimento externo libera uma energia psíquica interior de resolução. A moderna psicologia descobriu através de sucessivas experiências que, se entrarmos num labirinto com uma dúvida ou questionamento, ao sairmos a resposta aparecerá! Se a aceitaremos ou não é outro processo, mas ela vem.
A igreja católica se apropriou deste antigo símbolo, dando-lhe um significado mais “cristão”. Para os cristãos franceses os labirintos eram chamados de Chemin de Jérusalem, ou Caminho de Jerusalém. E em igrejas como Chartres e Reims os peregrinos tinham de perfazer seu trajeto de onze voltas de joelhos. O onze estava associado ao pecado por ser o número que excedia aos dez mandamentos sagrados. Essa forma de peregrinação aludia à subida de Jesus ao Gólgota, onde ao chegar, e antes de expirar na cruz, ele encontra o seu Deus. Por isso a saída dos labirintos nos templos cristãos era defronte ao altar, para simbolizar esse encontro com o Divino. 
Os labirintos medievais encontravam-se sempre no portal oeste das igrejas. O lado onde o sol de põe, o quadrante da purificação. O labirinto de Reims era angular e foi destruído em 1768 porque o clero irritou-se com as brincadeiras de crianças dentro dele, *e isso lembrava antigos ritos pagãos como os que eram feitos a Dédalo e Ariadne. Além do que folguedos não combinavam com a postura sisuda da igreja na época.
Uma antiga lenda grega falava que no palácio de Cnossos o rei Minos sacrificava todos os anos vinte rapazes e vinte moças para um monstro terrível com corpo humano e cabeça de touro, o Minotauro. Sua fome insaciável o tornou muito temido. A besta era filho da esposa de Minos, Pasifae, com um touro ofertado pelo deus Poseidon ao rei como uma prova da aliança que fora realizada entre eles. Poseidon tornaria Minos o rei mais rico do mundo e após ter feito isso ele levantaria um templo em nome do deus dos mares e devolveria o touro. Entretanto, o animal era fabuloso! Era branco mármore, com chifres polidos como madeira, ele ainda tinha uma joia incrustada bem no meio de sua cabeça que emitia um brilho capaz de ser visto a quilômetros de distância. O ambicioso rei o quis para si. Injuriado Poseidon resolveu dar-lhe uma lição, fez com que sua rainha se apaixonasse pelo touro e essa pediu a Dédalo, o maior inventor e arquiteto que o mundo conheceu, para que construísse uma vaca de madeira, onde Pasifae entrou para copular com o animal. 

O labirinto no chão da catedral de Chartres.
Acima à direita, o panorama total do seu desenho.

Dessa união nasceu o Minotauro, a vergonha do palácio de Cnossos. Mais uma vez Dédalo é chamado para construir um labirinto com a finalidade de manter o monstro lá dentro e impedir que suas vítimas fugissem. E assim foi até o jovem herói Teseu ser mandado pelo senhor dos mares para acabar com aquilo. Ofereceu-se como vítima, mas com a ajuda de Ariadne, que usou uma linha para ajudá-lo a encontrar a saída, Teseu mata o Minotauro, liberta o povo do temor do monstro e sai da armadilha criada por Dédalo. Nesse momento Poseidon fez tremer a terra e levantou ondas imensas para destruir o palácio do ambicioso e traidor rei de Creta. 
A luta de Teseu contra o monstro de Minos tem muitos significados. Em termos psicológicos é a luta do homem com sua besta interior, seus instintos e apegos escravizantes. Em termos espirituais é o embate constante pela integração do aspecto humano-animal com sua intrínseca natureza divina ou espiritual. É interessante notar também que Poseidon é o Netuno da astrologia, o planeta da dissolução das ilusões materiais para o encontro com o aspecto transcendente ou místico da vida! Já o próprio rei Minos é referido muitas vezes como um mito relativo ao signo de touro... Cujo significado básico é a busca da segurança pelo acúmulo de bens e recursos monetários.

O duelo entre o heroi Teseu e o Minotauro
- Combatendo a sombra interior.

O tarot, enquanto uma linguagem simbólica, também pode ser visto como um labirinto. Ao nos depararmos com suas complexas imagens, nos sentimos desorientados a princípio. O conjunto de seus símbolos pode parecer desorientador para um não iniciado, mas com o tempo a jornada simbólica revela-se tornando possível o reconhecimento da trajetória de toda a humanidade, bem como as vivências individuais.  Até mesmo para o leitor experiente há uma sensação de mergulho na complexidade, mas ao organizar suas imagens em um sistema compreensível de leitura chega-se a uma síntese que faz um sentido absoluto! Proporcionando um acesso imediato a uma verdade que seria impossível por outros meios. Esse relance súbito e revelador de uma verdade incognoscível é arrebatador para a consciência, estimula a psique e faz com que o intérprete se sinta estranhamente conectado a algo muito maior que ele mesmo. O que equivale à saída para a luz.

A Lua, arcano XVIII, no Motherpeace tarot.

O arcano de A Lua é o que melhor expressa essa imersão no labirinto interior. Abandonados na mais absoluta escuridão, e sem nenhuma referência do que devemos fazer ou para onde devemos ir, só nós resta confiar na vida, em Deus, ou no absoluto. Ao fazermos isso encontramos a luz do próximo arcano O Sol, caso contrário podemos passar até anos nas sombras do décimo oitavo arcano do tarot nos perguntando coisas como: “Por quê?” Ou “Como?”.
No baralho Motherpeace, Vicki Noble e Karen Vogel desenharam a imagem de A Lua com uma mulher negra, num lago à noite com a água pela cintura. Ela tem de atravessá-lo às cegas como os morcegos que rodeiam sua cabeça. Mais uma vez a água aparece como um símbolo do inconsciente e da memória profunda. Ela está rodeada por fantasmas (Seus medos) e ao longe podemos ver o barco de Caronte, o condutor das almas. Indicando o seu temor da morte ou de qualquer fim súbito e infeliz. Ao pé da figura, em frente a mulher, aparece um labirinto e no alto da figura do arcano, onde tradicionalmente apareceria a imagem da lua crescente, surge uma cabeça de mulher perfilada, é Ariadne. Aquela que confiou nas próprias habilidades para sair do emaranhado interior.

* Na antiga Grécia faziam-se danças dentro dos labirintos em homenagem a Dédalo, o grande inventor e a Ariadne, a rainha de todos os labirintos.