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| O 8 de copas, do Thoth tarot. |
Com a proximidade do segundo eclipse deste mês de agosto, que desta vez será um eclipse lunar em Virgem, no dia 28 após o eclipse solar em Leão do dia 12, ressurgiram além das interpretações astrológicos deste evento, o debate sobre o eclipse eternizado na pintura de Pamela Colman Smith no 8 de copas. Este registro já havia sido discutido por outros autores como Rachel Pollack e Hajo Banzhaf. O elemento novo foi que em suas pesquisas para o livro “Secrets of the Waite-Smith Tarot” a também autora Mary K. Greer descobriu que houve, de fato, um eclipse real em 1909 que foi visível na região de Tenterden, onde Pamela estaria hospedada durante a criação das imagens deste tarot. Porém, para Greer, Pamela teria desenhado o eclipse não só no 8 de copas, mas também no 2 de espadas! Alto lá! Greer tem mesmo esta tendência de forçar a barra na interpretação dos símbolos para caber nas suas convicções. Isenção, definitivamente, não é com ela! Seus argumentos se baseiam na semelhança, segundo a percepção dela, das praias representadas em ambas as cartas. Então vamos por partes:
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| O eclipse do 8 de copas, do Rider-Waite tarot. |
1) Os eclipses são verdadeiros recomeços astrais, são uma proposta de renovação onde a consciência é convidada a deixar par trás o velho, o obsoleto e tudo que e alguma forma passou a ser disfuncional. Seu título esotérico atribuído na Golden Dawn é “O Senhor do Abandono do Sucesso Ilusório”, ou seja, houve algum tipo de despertar ou conscientização que fez que seu personagem central deixasse a cena. Banzhaf salienta que as taças à beira mar estão dispostas de tal forma que parece que uma está faltando, e de fato não está. O naipe de copas é relacionado ao elemento água, o mundo dos sentimentos e dos sonhos, onde a alma expressa sua subjetividade através de percepções próprias. Esta falta é um sentimento de um esvaziamento de sentido, propósito, ou de uma conexão que se perdeu. Sob a orientação de Aleister Crowley Frieda Harris também desenhou uma imagem que remonta a este sentimento ou percepção de falta ou esgotamento. Um charco secou a ponto de seu fundo ficar exposto, atrás aparece um céu que não chove, como uma esperança vazia onde aquele que passa por este momento pode se iludir achando que vai acontecer. Crowley ao escrever sobre esta carta a renomeou de “Indolência”. Interessante como estes dois membros da Aurora Dourada viram por diferentes perspectivas este mesmo arcano. Enquanto Waite viu a retirada do plano ilusório, Crowley viu alguém resistindo em sair dele. Quando as imagens do tarot começaram a ser ilustradas por autores este personalismo tomou mesmo conta de suas interpretações e figurações. Rico de possibilidades por um lado, perigosamente longe da sua tradição por outro, com um grande risco de se perder sua essência. Então, mais uma vez, fica a dica: estude o clássico, escolha depois o seu baralho, ocultista e artista preferido. Greer diz que o mesmo eclipse se repete no 2 de espadas, o que, segundo ela, faria todo o sentido devido às suas posições 2 e 8 na ordem numérica. Então “O Senhor da Paz Restaurada”, título esotérico do 2 de espadas, simbolizaria uma paz antes do momento certo da partida, representada no 8 de copas. Aqui está claro o tendencionismo desta autora. Ela ignora completamente que na Golden, sociedade oculta que tanto Waite quanto Crowley foram membros, os naipes obedeciam a uma ordem relacionada aos quatro mundos da Cabala onde o naipe de copas – relacionada ao mundo criativo de Briah – vem antes do naipe de espadas – relacionada ao mundo formativo de Yetzirah – não fazendo, portanto, nenhum sentido esta relação que ela apresenta. O que nos leva ao segundo ponto.
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| O crescente do 2 de espadas, do Rider-Waite tarot. |
2) Não há eclipse nenhum representado no 2 de espadas. A autora, Pam Smith, pode ter se inspirado na mesma paisagem, mas definitivamente não repetiu o simbolismo do eclipse! No 8 de copas aparece claramente a clássica imagem da face solar, e ela está sendo toldada pela face lunar. O que aparece no céu do 2 de espadas é a imagem de um luar crescente, do modo como ele é visto no hemisfério norte do planeta. O crescente lunar é o símbolo de uma transição, onde a lua renascida das trevas de sua fase nova se direciona para a fase cheia. O que também confere certa tensão e conflito a ser administrado. Assim esta paz restaurada terá de dar lugar a uma decisão e um subsequente posicionamento, daí este arcano representar tanto a busca da paz quanto incertezas de todo tipo, e indecisões que somente ao serem resolvidas conduzem a este momento. Além do que a sua relação astrológica de Lua em Libra reforça todos estes significados muito bem.



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