quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O Imperador - Arcano IV


Título esotérico – Sol da Manhã; Senhor Entre os Poderosos (A luz de uma personalidade centrada nos mais altos níveis da sua consciência, que assume o comando da sua existência ou comunidade).

Analogia Astrológica – Áries (O 1º signo). A semente da primavera que abre caminho no solo em direção ao sol, para fazer vingar a sua vida! O impulso direto para avançar e conquistar com toda a força e determinação. A compulsão por agir, fazer algo. O líder, o grande iniciador. A força que nos faz impor nossa personalidade. A autoafirmação do “eu” e sua vontade! O líder intuitivo sempre aberto a novas possibilidades. O porta-voz das necessidades de toda a humanidade! Áries é o signo no qual as qualidades do sol se exaltam!

Analogia Numerológica – O 4 simboliza a ordem das coisas, é o número que “administra a natureza e suas forças”. Tudo o que é manifesto é passível de ser dividido em quatro fases, partes, ciclos etc. O tarólogo e simbolista alemão Hajo Banzhaf chama a atenção para o fato de que na maioria das religiões a palavra Deus tem quatro letras. Vem a ser, portanto o número da ordem, do poder, da organização e da concretização. Sua matéria é o mundo lógico, prático e científico!

O Arcano – Um homem de barbas brancas, mas de postura muito viril está ao que parece recostado a um trono de perfil, numa posição que imprime um ideia de repouso e prontidão simultaneamente! Ele usa uma coroa em forma de elmo dourada. Na mão direita ele segura o cetro que tem uma esfera encimada por uma cruz. A sua mão esquerda repousa sobre o seu cinto dourado. Suas pernas estão cruzadas, tendo a direita sobre a esquerda. No chão ao seu lado repousa um escudo onde a figura de uma águia de asas abertas aparece! Ao contrário da águia de A Imperatriz, esta olha para a sua direita. No peito ele usa um colar ou corrente amarela que sustenta o que parece ser um disco metálico!

Significado – A imagem do homem maduro e experiente aparece a partir de agora em três figuras masculinas muito importantes no tarot. Além do próprio Imperador, também o Hierofante e o Eremita se mostram assim. O lado esquerdo à mostra revela sua abertura emocional e a franqueza com suas emoções, bem como sua generosidade e magnificência com aqueles que o procuram ou dependem dele. Ele se recosta em seu trono, símbolo do poder, porque sabe de suas conquistas e tem sua posição assegurada pelo que construiu (estabilidade). Porém, isso não significa que ele diminua sua atenção e vigilância sobre o que conquistou. Ele é protetor e territorialista! Um imperador está acima de reis na hierarquia, o que simboliza uma autoridade inquestionável e firme. O elmo que ele utiliza tanto preserva sua nobreza quanto mostra sua disposição de ir à luta para defender seus domínios. Os elmos são capacetes ou adornos de cabeça que servem para proteger os soldados nas batalhas. O cetro na sua mão direita simboliza o poder que ele detém. A bola com a cruz é o arauto do seu poder sobre a Terra. Para os cristãos ela simbolizava o domínio de Cristo sobre o mundo! A mão esquerda, das emoções e dos desejos, que segura o cinto mostra a sua capacidade de divisar os aspectos inferiores e superiores da existência. O cinto é um antigo símbolo mágico que tanto representa a capacidade de unir o mundo terreno e o espiritual, quanto de distinguir entre eles. Como o faz os parâmetros da ciência moderna. As suas pernas cruzadas reafirmam sua liderança nos quatro planos do mundo manifesto. O escudo ao seu lado simboliza os seus domínios, e a águia é uma ave de rapina muito associada à nobreza por ser a que voa mais alto e enxerga mais longe. O que representa tanto sua visão ampla de vida e de mundo, quanto sua disposição para alargar seus territórios! A águia tem sido o animal totem dos grandes impérios, de Roma à Babilônia, da Prússia aos Estados Unidos. No escudo ela olha para o seu lado direito, reafirmando sua natureza fálica, dominadora e conquistadora. Na antiguidade os discos metálicos que ornavam colares e cordões reais eram o símbolo do sol, um astro com o qual a realeza muito se identificava por ser o centro da luz, e da força e o astro de maior brilho!

O Imperador no Osho Zen tarot.
Divinação – Poder, autoridade, virilidade, liderança, visão. O chefe, o patrão, diretor, presidente, administrador, gerente, o pai. Grande poder de execução. Uma figura masculina muito emblemática e importante. Indica estabilidade, segurança, ordem. Capacidade de ver para além do comum, do ordinário (visionário)! Uma personalidade firme e consistente, mas protetora, gentil e mantenedora de todos os que dependem de seus esforços e ou estão sob sua responsabilidade! A aquisição de coisas no mundo concreto (acúmulo de bens, propriedades etc). Possui uma inteligência prática com uma mente igualmente capaz de entender complexidades científicas. Ele incorpora a própria ciência como uma reveladora do funcionamento do mundo manifesto. É a alma humana sempre em busca de mais espaço para sua manifestação e realização de si mesma. O Imperador incorpora as qualidades de um grande líder democrático que incentiva o progresso e o crescimento dos seus liderados. O grande executivo ou empreendedor que reconhece as possibilidades e avança quebrando fronteiras e limites.  Que tanto vem para o bem quanto para o mal. Negativamente é o tirano, autoritário e inflexível. O líder que pratica assédio moral, o veterano da escola que pratica o bullying com o novato. Aquele que ignora ou humilha os que estão abaixo dele!


Personagem do Cinema – Mahatma Gandhi interpretado por Ben Kingsley no filme Gandhi de 1982. Este filme conta a história real e a trajetória política de um dos maiores líderes políticos do nosso tempo. Gandhi aparece como um idealista que pretende lutar contras as injustiças sociais e que sofre ao ver seu povo sob o domínio do Império Britânico. A trama mostra o jovem Gandhi sendo expulso de um trem na África do Sul por ser da minoria indiana que vivia naquele país. Ele então volta para o seu país, e no ano de 1915 começa uma série de protestos vigorosos, mas não violentos, pela independência de sua nação. Fica clara a extrema perícia deste homem em unir hindus e muçulmanos em torno de um objetivo comum: a libertação política da Índia e o fim da exploração do povo indiano com os pesados impostos tributários! O líder Gandhi tenta de todas as formas mostrar ao mundo que homens podem conviver entre si apesar de todas as suas diferenças. Ideal que em parte falha quando ele não consegue impedir a criação do estado do Paquistão que divide o imenso território indiano em uma nação hindu e outra muçulmana. Mas triunfa ao tornar a Índia independente sem derramar sangue dos dois lados, o que ele chamou de Satiyagraha (princípio da não agressão que ele usou pela primeira vez nos protestos que liderou na África do Sul). Liderança poderosa e inspiradora, visão política ampla e humanitária, determinação e força de caráter são alguns dos melhores atributos de O Imperador que são muito bem representados nesta obra cinematográfica!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O Tarot e a Teoria do Karma

É surpreendente o número de pessoas que se envolvem com a leitura do tarot sem terem a mínima noção de certos conceitos espirituais! O Karma vem a ser o mais desconhecido de todos! Cercado de todo o tipo de preconceito, e medo, oriundo desse preconceito. 
Já escrevi sobre esse assunto no artigo O Tarot & o Karma, mas senti a necessidade me deter mais nesse tema para aprofundá-lo.
Primeiramente há quatro princípios básicos sobre o Karma que você deve saber antes de seguir adiante:

Karma, uma força de coesão universal.

1ª) O Karma não é sempre negativo, por isso não é uma punição, nem um prêmio caso seja um Karma positivo, é simplesmente o fruto de nossas ações voltando para nós mesmos!

2ª) Não se "pega" o Karma de ninguém, se você se envolveu no contexto Kármico de um parceiro(a), amigo(a), marido/esposa etc, é porque você fazia parte dele! E há, portanto, coisas nessa vivência que servem ao seu crescimento interior.

3ª) O Karma tanto pode ser individual quanto coletivo. O que significa que tanto pode ser o resgate ou o aprendizado de uma só pessoa, quanto o resgate ou o aprendizado de um grupo de pessoas, família, ou nações e etnias inteiras!

4ª) A lei do Karma não deixa de acontecer porque você não acredita nela. A palavra Karma vem do sânscrito e quer dizer “Ação”, assim é uma lei que podemos definir como sendo também física, e muito parecida com a terceira lei do movimento de Isaac Newton que diz que: "Toda a ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário". Encaixa-se também muito bem nas teorias de Charles Darwin que diz que uma espécie se adapta e melhora seus genes para que a geração futura sobreviva e continue evoluindo. Nossa alma, ou consciência, melhora a si mesma para continuar sua evolução. Simples assim!

A semelhança do Karma com as teorias científicas fica muito bem explicada no axioma hermético conhecido como o Princípio da Correspondência que diz: “O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”. Por esse motivo o que ocorre no mundo físico ocorre no mundo espiritual. O que ocorre no, ou com, o planeta ocorre conosco. O que ocorre fora de nós também ocorre dentro, e assim por diante! Portanto, evoluir a nós mesmos através da auto-observação e da observação do que se apresenta diante de nós, bem como preservar as espécies para que continuem sua evolução é uma responsabilidade de todos!
Karma não é uma ideia religiosa, é um conceito espiritual cuja base é o retorno natural das nossas ações e reações a este mundo na interação que fazemos com ele e seus habitantes! A quem se pergunta: “Evoluímos pra quê?” a resposta é: Evoluímos para nossa própria libertação da roda reencarnatória, que Buda chamou de Samsara. Ao rompermos com esse ciclo entramos num nível de consciência inimaginável de total ordem, paz e perfeição. Sem desejos e apegos, e por isso sem sofrimento de nenhuma espécie. Não é um paraíso prometido como nas escrituras das religiões judaico-cristãs, é um estado de consciência e espírito conquistados através do trabalho sobre si mesmo. No oriente essa consciência foi chamada de Nirvana.

O TAROT COMO UM MAPA DA ALMA



No tarot os ciclos Kármicos ruins são perfeitamente reconhecíveis quando um cliente apresenta o mesmo ciclo de vivências. Como quando sofremos os mesmos tipos de desilusões amorosas, profissionais, familiares, de amizade etc. Na verdade estamos repetindo essas vivências porque elas representam um aprendizado Kármico não absorvido nesta ou em outras vidas, que se apresenta continuamente até que o padrão de consciência que criou o bloqueio seja absorvido! Fica aqui claro então que o que liberta o Karma é a conscientização do que está bloqueado e que serve como uma lição a ser absorvida no processo evolutivo da alma. E nesse aspecto o tarot funciona como um instrumento preciso de revelação desse bloqueio, oportunizando a possibilidade de libertação e evolução do Karma pessoal.
Na prática do tarot isso pode se evidenciar em sucessivas leituras, quando o cliente apresenta sempre os mesmos tipos de temática no seu processo pessoal. Outras vezes isso se revela numa mesma sessão, quando a própria leitura revela que ali está ocorrendo um processo Kármico. Por fim há aquelas almas já em avançado grau de maturidade que, ao se depararem com um sofrimento procuram os arcanos para lhe fazer as perguntas mais produtivas, tais como: “Por que isso está acontecendo comigo?” ou melhor “O que tenho para aprender ou crescer com isso? Possibilitando assim que o tema seja abordado!

A Lua, no tarot de Marselha.
O arcano XVIII, A Lua é o que melhor representa os movimentos de complexos atávicos do inconsciente vindo à tona, e causando, desconforto, angústia, medo e ou desorientação. Essas sensações desagradáveis são características de vivências Kármicas pesadas e muito antigas para a alma. Na imagem desse arcano, dois lobos uivam (o chamado da matilha para resgatar membros desgarrados) e esse chamado sempre causou medo no Inconsciente Coletivo da humanidade. Das águas (símbolo da memória bem como do inconsciente, tanto coletivo quanto individual) emerge uma lagosta (um crustáceo, uma das formas de vida mais antigas do planeta), que parece que vai atacar os dois animais desavisados. A noite por si só é o arauto das coisas submersas, ocultas e misteriosas da vida. O espaço do dia que dá vazão às nossas mais variadas fantasias. O arcano de A Lua simboliza os temas não resolvidos internamente e que oprimem a consciência. São temas com que não lidamos de modo livre e gratificante, ou seja, que “nos deixam no escuro”, desorientados e sem saber para onde ir. Criam o que os círculos esotéricos chamaram de a Noite Escura da Alma. Essas sensações são criadas por que intimamente nos sentimos de algum modo intimidados e incapacitados de lidar com esse tema quando ele se apresenta. O sofrimento ou limitação que ele representa estão encravados em nós numa memória muito mais profunda do que a que dispomos conscientemente. Os Karmas negativos são isso.
É claro que o simples aparecimento deste arcano não prenuncia uma vivência Kármica, outros fatores devem ser observados como a posição que ocupa no jogo e o aparecimento de muitos arcanos invertidos, por exemplo. As cartas invertidas indicam qualidades da psique com que não estamos conseguindo lidar livremente, e podem ter gerado, ou estão gerando, situações Kármicas. Mas nada disto é uma regra! Como sempre sugiro o uso da intuição  e do feeling pessoal de cada leitor! Robert Wang, autor do livro *O Tarot Cabalístico, diz que o aparecimento de muitos arcanos maiores numa leitura assinalam uma situação Kármica na vida de quem se consulta. Entretanto ele considera que quando uma situação Kármica ocorre não há muito o que o livre arbítrio possa fazer, e eu sinceramente não concordo muito com essa perspectiva. O livre arbítrio pode interferir superando ou trazendo simplesmente serenidade diante do desafio. Contudo também acho válida essa percepção, mas outra vez sugiro a guiança da Voz Interior do intérprete do tarot para validá-la.
O processo angustiante revelado pelo arcano de A Lua nos faz lembrar de que a intensidade de um Karma negativo pode ser avaliada pela intensidade do sofrimento que a situação está causando. Quanto mais sofrimento causa, mais antigo é o processo que gerou este sofrimento. Da mesma forma um Karma positivo pode ser avaliado pela intensidade de benefícios que ele gera. A intensidade também denuncia o tempo em que se vem desenvolvendo aquele estágio evolutivo. Quanto mais se sofre com um  mesmo tipo de envolvimento afetivo, por exemplo, mais o aprendizado requerido nesse tipo de relacionamento é antigo! O amor e o sofrimento (equilíbrio/desequilíbrio) são o peso e medida que caracterizam o Karma.
Outro aspecto importante de se entender é de que não é por ser Kármico que é de vidas passadas! O que semeamos tende a voltar imediatamente para nós para ser equilibrado. O que acontece é que podemos demorar muito para resolver essa “pendência desarmonizadora”, e o resgate não cumpra o prazo de uma vida. Então aos morrermos o processo é suspenso para ser novamente retomado ao renascermos. Do mesmo modo que seja lá um Karma bom ou ruim, o fato é que temos de nos livrar dos dois e parar de gerar KarmaEssa é a verdadeira transmutação espiritual. A dualidade da consciência humana é que gera o Karma e nos mantém presos à roda do nascer, morrer, renascer.

A Roda de Samsara.
Para finalizar apresento as conclusões sobre o Karma de um grande estudioso do tarot, do simbolismo e da espiritualidade, Veet Vivarta, em seu excelente livro **O Caminho do Mago – Uma Visão Contemporânea do Tarot. Fiz a cada passagem um comentário explicativo, para o caso dos termos empregados serem desconhecidos de quem não tem familiaridade com a leitura de textos espiritualistas:

1º) Karma é o conjunto ou somatório de conceitos, crenças, julgamentos, interpretações, valores, atitudes, hábitos, emoções, desejos ou comportamentos que de alguma maneira deformam a realidade maior impedindo-nos de reconhecê-la como ela é.

- Distanciados da realidade de que somos todos parte de uma consciência divina abarcante, começamos a produzir Karma. Os indianos dizem que Deus brincou de esconder consigo mesmo, o Deva Lilah (Divina Brincadeira), e lançou suas partes pelo universo, deu-lhes consciência própria e arbítrio e agora aguarda o seu retorno. Tornarmo-nos conscientes disso é o retorno à casa do pai de que falam as escrituras sagradas.

2º) Karma é tudo aquilo em nosso universo interior que nos mantém preso à ilusão ou maya, tudo o que nos afasta da Essência, tudo o que nos faz esquecer nossa origem divina e o caminho de volta ao lar.

- Maya são as ilusões que criamos com nossa mente. Criamos o dinheiro, por exemplo, depois acreditamos que não vivemos sem ele. Criamos as religiões, depois passamos a acreditar que nossa religião é a única verdade sobre Deus, e matamos e morremos por isso! Mas como nos lembrou bem Mahatma Gandhi, “Deus não tem religião”.

3º) Karma é realmente ação como diz a tradução literal do sânscrito. E, como ação, também é fruto do nosso dom de vice-regentes, ou livre arbítrio. E como toda ação gera reações – ou consequências – a ela.

- O livre arbítrio interfere tanto positiva quanto negativamente no Karma, o que pode modificá-lo, melhorando-o ou piorando-o conforme cada caso.

4º) Uma ação kármica pode acontecer em qualquer um dos quatro primeiros corpos, na forma de pensamentos, sentimentos, impulsos e concretizações. Mas sempre será uma ação desconectada do Eu Superior.

- Não há muito que explicar aqui, tudo o que pensamos, sentimos, fazemos (nos sentido de atuar) ou concretizamos gera Karma.

5º) O material kármico se manifesta em nosso cotidiano quase sempre de forma inconsciente. Ou seja, atuamos os padrões definidos em outras vidas sem perceber como e porque o fazemos.

- Justamente o trabalho com a linguagem simbólica como no caso do tarot, da astrologia etc, é que podem auxiliar a tornar isso consciente dando a possibilidade, como já mencionei, de transformar o Karma com a aplicação do livre-arbítrio.

6º) O karma é o que serve de matriz para o próprio ego. E o somatório do material acumulado por egos de várias vidas constitui o karma.

- Tudo o que somos hoje, tanto física quanto psicologicamente, foi moldado pelos Karmas de vidas anteriores. Inclusive traços bem específicos como maneirismos e características físicas, como cor dos olhos, formato do nariz etc.

7º) O karma também está sempre conectado com a projeção inconsciente; ou seja, o não reconhecimento de que a realidade ao nosso redor atua como um espelho. Karmicamente falando, a responsabilidade que atribuímos às pessoas ou os fatos externos que afetam nossas vidas nada mais é, na verdade, do que nossa própria responsabilidade não assumida conscientemente. Somos, sempre, totalmente responsáveis pela manifestação dos acontecimentos que nos afetam.

- Toda a vez que negamos que as raízes dos nossos problemas estão na verdade em nós mesmos, estamos gerando cada vez mais Karma tanto para essa vida, como para existências futuras! Esse tipo de negação nos impede de obter a conscientização que nos liberta do Karma no processo de auto-observação e autoconhecimento. 


Namastê!

* Editora Pensamento. São Paulo, 1994.
** Editora Francisco Alves. Rio de Janeiro, 1996.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O Hierofante - Arcano V

Título Esotérico – O Mago do Eterno (O conhecedor dos segredos e valores que transcendem o mundo físico-material e temporal).

Analogia Astrológica – Touro (O 2º signo), a semente lançada em Áries desponta e precisa apenas de um tempo firmemente plantada no solo para crescer e dar flores e frutos. Este é o signo da consciência acumulativa para obter, possuir e reter tudo o que e necessário à manutenção da vida em segurança, o que também requer tenacidade e perseverança. Grandes qualidades taurinas! Interessa-se igualmente por valores e recursos humanos, pois quando não edifica valores internos Touro fica apático e dependente.

Analogia Numerológica – Tradicionalmente conhecido como o número da mudança, o 5 representa as sucessivas mutações da consciência em busca de sua expressão máxima ou perfeição espiritual! A sua forma lembra um meio quadrado equilibrado sobre um meio círculo que aludem a esta busca por harmonia entre o material e o espiritual. Harmonia esta só encontrada quando os valores superiores (éticos) preponderam sobre os inferiores (egoicos).

O Arcano – Um sacerdote de barbas brancas vestido com sua indumentária cerimonial completa está à frente de dois discípulos cujos rostos permanecem incógnitos. Uma das figuras estende a mão na sua direção como que pedindo sua benção ou ajuda. O outro está com as mãos espalmadas como se tivesse captando algum tipo de emanação que vem da figura do sacerdote. A mão direita do Sumo Sacerdote aparece com um gesto de benção espiritual em que levanta apenas os dois dedos, indicador e médio. Na sua mão esquerda ele tem uma luva amarela onde se pode ver a *cruz dos templários desenhada, e com ela segura uma cruz de três braços (a cruz papal). Em sua cabeça o chapéu cônico dos Papas, e atrás dele vê-se discretamente duas colunas como no arcano de A Sacerdotisa.

Significado - Este sacerdote é um Hierofante católico, o Papa, cuja crença católica diz ser o representante de Deus entre os homens. A palavra Hierofante deriva do grego e quer dizer “aquele que leva ao sagrado”. Ou seja, ele é o pontifex, uma palavra latina que significa “o construtor de pontes”, que une o homem ao sagrado da vida e dele mesmo. O Hierofante e pontifex não se resumem às crenças do catolicismo. Esse mesmo papel é representado pelos xamãs das culturas tribais, os curandeiros, terapeutas, conselheiros, professores ou aquelas pessoas que representam para cada um de nós uma presença de equilíbrio. Um amigo ou alguém em quem confiamos e respeitamos sua opinião. O arquétipo do Hierofante é extremamente amplo e flexível! Os dois discípulos à sua frente reforçam esse simbolismo. Um parece estar pedindo diretamente sua ajuda, o outro parece estar embevecido com sua presença e exemplo. O gesto de benção que ele sustenta com o dedo indicador e o médio evoca a natureza divina e humana em sua figura. Ou seja, ele é consciente da sua natureza divina e da natureza divina que habita todas as coisas, e grande parte do seu trabalho é resgatar isso dentro de cada homem. E divino aqui não tem um significado só religioso, mas espiritual e transcendente! A luva encobrindo a mão simboliza o domínio sobre os temas ocultos ou secretos que ele guarda e defende distribuindo-o somente a quem faz por merecer. Daí a cruz dos Templários, os guerreiros sagrados. A cruz de três braços é a cruz Papal. Seus braços tríplices são interpretados de muitas maneiras. A primeira interpretação é sobre o seu simbolismo na figura do Papa e suas atribuições dentro da Igreja Católica, a de sacerdócio, jurisdição e magistério. Quer dizer que ele é a conexão com Deus, o criador das leis éticas nas relações humanas e o instrutor para aqueles que comungam com ele. Num nível mais amplo seria a representação da igreja, do mundo e do céu divino. Também simbolizam os três reinos aos quais estamos todos submetidos: corpo, mente e espírito. As colunas do templo simbolizam aqui como em A Sacerdotisa a fonte dos mistérios da vida que ele, O Hierofante, tem de modo ordenado, conceitualizado, e sistematizado, ao contrário de A Sacerdotisa que os possui de modo puro, íntimo e direto.

O Hierofante no Osho Zen tarot.
Divinação – Realização social, a persona. Aquele que se realiza na atividade que faz, que vê um sentido profundo ou mais amplo na sua atividade. O ápice da realização social, o indivíduo respeitado, admirado, proeminente em seu meio. O bom exemplo a ser seguido, quer seja no mundo prático, quer seja no mundo espiritual. O encontro da vocação dentro das funções sociais. O amigo, o conselheiro, consultor, terapeuta, xamã. Médico, profissional da saúde. O curador em todas as suas representações. O ensino superior em todas as suas formas, desde o acadêmico (até pós-graduações, mestrados e doutorados), ao espiritual (como iniciações em linguagens simbólicas e esotéricas; tarot, astrologia, cabala, numerologia, magia, artes de cura etc). O professor, o orientador e ou o Mestre. O senso de valores internos, éticos e morais. A ética. O bom conselho e a boa orientação. Representa todos os mestres, guias e instrutores espirituais encarnados ou desencarnados.  Negativamente ele é o dogmatismo, que literalmente é o apego à própria opinião. O preconceito, a inflexibilidade. O tradicionalismo e o moralismo exacerbados que quando assim colocados não se adaptam ao gênero humano amorosamente. As más instruções, ou maus exemplos, também seriam uma perversão extrema deste arcano.


Personagem do Cinema – Tenzin Gyatso (personagem interpretado por Tenzin Thuthob Tsarong, um ator desconhecido), no filme Kundun de 1997 dirigido por um dos maiores cineastas de todos os tempos, o norte-americano Martin Scorsese. É a história real do décimo quarto Dalai Lama. O jovem Tenzin vive com seus pais nas montanhas do Tibet e um dia recebe a visita de monges que o identificam como a encarnação do décimo terceiro Dalai Lama falecido dois anos antes. Ao completar quatro anos ele é levado para Lhasa, a capital do país, e passa a ser educado como um monge e preparado para se tornar o chefe político-religioso de toda a sua nação. O menino surpreende pela clareza de memória que possui sobre sua encarnação pretérita e pela disposição que possui de cumprir seu papel. Aos catorze anos ele começa a enfrentar problemas com a China que tem planos de tomar posse do território do Tibet. Aos dezenove tem de fugir dos chineses que pretendem matá-lo para destruir a cultura tibetana. Ele se refugia na Índia e de lá começa a divulgação do budismo tibetano, que desde então se alastra pelo mundo! Disciplina, exemplo, a preservação amorosa da cultura e da tradição, espiritualidade, humildade, compaixão e ajuda ao próximo são temas apresentados e abordados no filme que refletem com perfeição alguns dos melhores atributos do arcano de O Hierofante.

*Nessa edição do tarot de Marselha, que é espanhola, a cruz curiosamente não aparece! Mas consta nas outras edições! Ainda assim eu a utilizei por considerá-la uma das mais belas versões deste baralho.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Os Amantes - Arcano VI

Título Esotérico – Os Filhos da Voz; O Oráculo dos Deuses Poderosos (A mente dual sempre aberta a sugestões e indicações externas; A consulta ao coração – mestre ou guia interior – que reflete planos superiores de consciência que nos dirigem à evolução).

Analogia Astrológica – Gêmeos (O 3º signo), o signo que assinala o fim da primavera no Hemisfério Norte, quando enfim as flores já brotaram e os insetos e animais saem do casulo e do ventre, ou dos ovos. Uma vez livres eles começam a explorar e conectar-se com o mundo que os cerca. Por isso este é o signo da curiosidade, da comunicação e das relações interpessoais com o meio, bem como da multiplicidade de possibilidades que confundem, muitas vezes, a razão.

Analogia Numerológica – O 6 como a cifra da perfeição. O único número simples que ao ser desmembrado em suas partes é reunificado plenamente. Juntando sua sexta parte (1), mais sua terça parte (2), mais sua metade (3), o temos íntegro novamente! É o número do amor, da união e da família bem como da busca pelo entendimento e pela perfeição na existência. Seu símbolo esotérico é a estrela de seis pontas, também chamada de Selo de Salomão. Essa estrela é símbolo do povo judeu, que se manteve unido mesmo diante das maiores privações, e do próprio rei Salomão, conhecido por sua sabedoria ao tomar decisões!

O Arcano – Um homem jovem está cercado por duas mulheres, seu rosto está inclinado para a Mulher morena à sua direita, mas o seu corpo inclina-se para a mulher loura à sua esquerda. Ele usa uma túnica com listas verticais nas mesmas cores das roupas das mulheres, mas com o acréscimo do amarelo! O jovem é louro e sobre sua cabeça aparece um anjo bebê entre uma luz fulgurante que mira seu coração com uma flecha prestes a ser disparada! A mulher loura à sua esquerda aponta justo para o seu coração, enquanto a da direita aponta para o chão ou, segundo algumas interpretações, para seus genitais.

Significado – Este arcano é o que assinala a entrada no mundo adulto das escolhas e, portanto, da responsabilidade pessoal. A mulher à direita do rapaz parece estar apontando para o chão, o mundo concreto e racional dos fatos, mesmo para os que alegam que ela aponta para o seus genitais isso simboliza ainda o mundo pragmático dos instintos. A mulher da esquerda, por sua vez, parece estar atentando para os ditames do seu coração e as aspirações da alma! O rapaz por si só representa o impulso da vida que quer se manifestar, mas que para isso precisa escolher um caminho, uma forma de fazê-lo. E não adianta, tudo na vida são escolhas! Da roupa que usamos para sair de casa, à carreira, do cônjuge, ao partido político, do local de férias, ao local onde escolheremos passar o fim dos nossos dias. Fazemos escolhas o tempo todo. De fato a mulher à direita da figura central tem uma roupa vermelha com mangas azuis. Ou seja, há o predomínio do prático e do instintivo, em contrapartida com a predominância do azul (afetivo, espiritual e profundo), com detalhe em vermelho na roupa da mulher à sua esquerda. O aparecimento do amarelo na sua túnica, que combina as duas cores de suas parceiras, indica a necessidade do uso do discernimento intelectual tanto quanto da intuição profunda para tomar a decisão diante do impasse que se apresenta. As cores de sua túnica são as mesmas da luz radiante que envolve o ser angelical sobre sua cabeça! O que indica não só que sua inspiração vem do alto, de sua consciência superior, mas também que ele está perfeitamente sintonizado com ela. A posição do personagem central sugere que, até que seja resolvida a ambiguidade, haverá um envolvimento na duplicidade desta situação, por um curto ou longo período de tempo dependendo de cada situação. A figura alada envolta em luzes acima do trio é Eros o deus do amor, e do desejo. Ele era comumente representado como um bebê alado, que também era a forma dada aos querubins, a ordem angélica que na Cabala corresponde a sephira de Chokmah, ou Sabedoria. Aha! Podemos dizer assim. Fica claro então que a mescla de Eros com os anjos da sabedoria divina indicam que o verdadeiro saber vem do coração, que segundo algumas tradições, como a gnóstica no ocidente, é a morada da divindade em nós! Assim sendo dizer “Siga o seu coração” não é apenas um refrão poético, mas também uma verdade espiritual! Mesmo que seja um erro a escolha levará ao amadurecimento da consciência, moldando a personalidade, extraindo do indivíduo o máximo de si mesmo, tanto seus talentos quanto o conhecimento de suas limitações! Ou seja, nossas escolhas revelam quem somos e nos elevam ao nosso autoconhecimento. É importante então escolher aquilo que se ama. Daí este ser o arcano das escolhas de vida tanto quanto do amor e do romance.

Os Amantes no Osho Zen tarot.
Divinação – Decisão, ou impasse a ser decidido, uso do livre-arbítrio. Decidir tendo como base aquilo que se ama ou acredita. Capacidade de executar duas ou mais tarefas ao mesmo tempo, de desdobrar-se. Envolvimento, namoro, amor, romance, atração. Proposta de novas possibilidades ou caminhos. Convites. Associações e parcerias. Afinidades que nascem do coração. Consultar outras fontes em que se confia para decidir ou resolver algo. Tornar-se aberto a outras opiniões. Sociável, envolvente, simpático. Tornar-se acessível ao próximo. Negativamente é o arcano das indecisões ou da dúvida persistente de que tomou ou não a decisão certa! É o “Maria vai com as outras”, incapaz de decidir sozinho ou assumir posturas diante de situações críticas. Não assume sua opinião. O dependente, que tanto pode ser afetivo ou material mesmo! Aquele que não se garante sozinho. O vacilão! O tipo influenciável, ou estar sofrendo influências que o resto do jogo dirá se são ou não desejáveis ou benéficas! Esta é a carta das triangulações amorosas, tanto proibidas (infidelidade) quanto consensuais. Todo o tipo de indefinição e pendência está sob sua égide, inclusive as de cunho político, legal e até mesmo sexual, como no caso da bissexualidade.

Personagem do Cinema – Sofia Zawistowski (interpretada por Meryl Streep), no filme A Escolha de Sofia de 1982. Ela é uma mãe polonesa presa num campo de concentração por tentar contrabandear presunto para sua mãe moribunda. É forçada por um soldado nazista a escolher um dos seus filhos para morrer na câmara de gás, o menino Jen ou a menina Eva. Caso se recusasse a escolher os dois seriam executados. Ela escolhe o menino por ser mais forte, mas nunca mais o vê. Muda-se para o Brooklyn decidida a esquecer de tudo o que passou. Um jovem aspirante a escritor Stingo (interpretado por Peter MacNicol) chega à Nova York em 1947 e conhece sua vizinha Sofia e seu parceiro Nathan (interpretado por Kevin Kline), com quem ela vive uma relação de céu e inferno, mas sem nunca comentar com ele nada do que viveu nos campos de Auschwitz. O rapaz se envolve com o casal sem ter nenhuma noção da instabilidade do homem e dos segredos da mulher. Com o tempo ambos começam a se sentir atraídos um pelo outro e mais uma vez Sofia deve escolher, e desta vez entre o amor do atual companheiro e a atração pelo jovem recém-chegado. Ela se divide entre acreditar que Nathan e sua esquizofrenia e uso frequente de drogas serão “curados” um dia, e enfrentar a realidade de um jovem que está longe de ser um conto de fadas. Romance, decisões difíceis e dubiedades constantes são temas centrais de Os Amantes, que são focados de modo intenso e brilhante neste filme.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O Carro - Arcano VII

Título esotérico – A Filha dos Poderes da Água; O Senhor do Triunfo da Luz (Os poderes da psique que avançam em direção à luz; o caminho do guerreiro interior na construção de sua lenda pessoal).

Analogia Astrológica – Câncer (O 4º signo), rege no Hemisfério Norte o auge do verão onde os dias são mais longos e o sol vitaliza as frutas. Os frutos da terra precisam assim ser cuidados para que possam amadurecer bem. É o signo do fluxo e refluxo das marés, do começo e do fim da vida, que tem uma natureza introspectiva e profunda que se opõe ao seu desejo de se envolver com o mundo exterior e conhecer pessoas. Quer ser popular, pois precisa de atenção.

Analogia Numerológica – O 7 é um número que une as adversidades e as naturezas aparentemente contraditórias da existência elevando-as à sua expressão máxima: O 1 individual com o 6 social, o 2 convergente com o 5 divergente, o 3 expansivo-criativo com o 4 contido-realizador. É o número do aperfeiçoamento, da execução precisa, da busca por sentido, propósito e direção para a existência. Possui em si as qualidades necessárias para romper com as limitações que o estreitamento de visão cria com o passar do tempo e com o acúmulo dos condicionamentos culturais!

O Arcano – Um jovem homem coroado, e trajando o que parece ser uma armadura peitoral com dragonas e em forma de meia lua, viaja numa biga (carro de guerra com duas rodas que é puxado por dois cavalos) cujos animais se dirigem para direções opostas, mas olham no mesmo sentido que seu condutor. As duas bestas parecem estranhamente fundidas ao veículo que elas conduzem. Na mão direita o rapaz segura um cetro e a mão esquerda está à altura da cintura. A biga possui quatro pilares nas cores vermelho e azul, as mesmas cores dos cavalos, e está coberta por um véu. As duas rodas da pequena carruagem se salientam na imagem, e no centro desta há duas letras bem visíveis, SM. O jovem olha para seu lado direito e a carruagem parece seguir nesta direção. Chama a atenção também que o chão, aparentemente árido, está repleto de brotos de capim verdejante.

Significado – O jovem homem coroado representa a disposição diante das demandas da vida. Ele está vestindo uma armadura com dragonas (ancestrais das insígnias militares), o que significa que ele é também um soldado. Com seu espírito combativo ele está disposto ao que for preciso para atingir suas metas de crescimento e conquista. Ele traz em si a ideia de ser um príncipe em busca do seu próprio reinado (ou principado), um lugar onde ele seja o Senhor, ou seja, seu lugar no mundo. O que só se dará efetivamente no arcano XXI, O Mundo! Os cavalos simbolizam a sua força física, que o impulsiona vigorosamente para diante (daí estarem fundidos ao veículo), tanto quanto as adversidades que a vida impõe ao guerreiro interior. Cavalos são a representação mais comum das forças indômitas da vida! O fato de olharem na mesma direção do condutor assinala tanto seu total controle sobre a situação, quanto por sobre suas capacidades e potenciais intrínsecos. A biga era uma pequena carruagem usada por romanos nos campos de batalha, equivaleria à motocicleta nos dias atuais. Era também usada para viagens curtas. O que reforça tanto a ideia de combate quanto de rapidez rumo aos objetivos. O fato de ele transparecer ser um militar diz que o pensamento organizado e estratégico ao estabelecer suas metas é uma constante na vida deste cavaleiro. Ele é o pai, ou o irmão mais velho, dos cavaleiros dos naipes que se seguem nos arcanos menores! Por ser jovem e ser a primeira imagem de movimento das sete primeiras cartas do tarot, este arcano é o arauto dos novos começos e do avanço confiante em direção dos propósitos interiores, e diante dos impedimentos e das adversidades que se interpõe pelos caminhos da vida. Simbolismo reforçado pelas cores azul e vermelho que por si só já representam todos os antagonismos: feminino x masculino, material x espiritual, emoção x lógica, e assim por diante respectivamente! Os tufos verdejantes de capim na sua trilha ressaltam um vigor renovado e de espírito triunfante que dele emana. Foi o tarólogo alemão Hajo Banzhaf quem alertou para o fato de o jovem carregar os emblemas das seis cartas que o antecedem. Ele segura um cetro que mais se parece com o bastão mágico do arcano de O Mago, o véu que cobre sua carruagem como um dossel seria na verdade o véu de templo de A Sacerdotisa. As dragonas são as primeiras representações militares dos exércitos e dos seus respectivos reinos, e como a realeza era uma linha passada matrilinearmente, as dragonas são as representações do poder de A Imperatriz. A mão segurando o cinto nos faz lembrar o comando do arcano de O Imperador. O olhar condutor do cavaleiro nos remete ao mesmo olhar que o arcano de O Hierofante dirige aos seus discípulos. Por fim do arcano anterior, Os Amantes, ele herda a ambiguidade de direcionamento que dilacera, mas que aqui no sétimo arcano, é totalmente controlado e superado.  Isso tudo indica que já houve uma vitória e amadurecimento sobre eventos passados, mas que agora o guerreiro da alma, maduro e consciente de seus dons e talentos, está mirando alvos mais elevados. O que revela tanto sua ambição quanto seu desenvolvido senso de propósito interno. O mesmo Hajo sugere que a sigla SM seja de Mago Samaritano, muito embora não explique o real sentido disto!

O Carro no Osho Zen tarot.
Divinação – Novos começos, avanço, progresso, promoções ou nomeações. Sucesso numa determinada etapa do desenvolvimento numa área específica de atuação. Realização de conquistas, mas que visiona outras ainda maiores no porvir!  Algo como “vencer uma batalha, mas ainda ter de vencer a guerra”! Vontade firmemente dirigida a um objetivo específico, ambição, planejamento, estratégia. O Guerreiro Interior, o que nos impulsiona a levantar todos os dias e enfrentar os problemas. Estabelecimento de metas a serem cumpridas ao longo de um curto período de tempo que pode ser de um mês a um ano! Rapidez, agilidade na execução de tarefas, mobilidade, viagens curtas. Capacidade de lidar com adversidades sem esmorecer, resiliência, determinação aguerrida. Novo ponto de partida na história pessoal, como quando dizemos “a partir de hoje vai ser assim:” e nos voltamos para a execução dessa determinação em nossa vida. Ao contrário da carta de O Enforcado, não o fazemos após um período de sofrimento que nos fez refletir, nem como em O Julgamento quando um chamado interior nos abre os olhos e revisamos nossas vidas com profundidade, no sentido de compreender as razões últimas de todos os eventos que vivemos até aquele momento! Ao contrário! As determinações do arcano de O Carro são totalmente arbitrárias, baseadas em escolhas que foram feitas no arcano anterior, Os Amantes, e que serão postas à prova nos outros dois arcanos a pouco citados! Negativamente é o espírito beligerante, que vê em tudo a possibilidade de obstáculos ao seu progresso e investe agressivamente. Perda do controle pessoal, atividade incessante que leva à exaustão!


Personagem do Cinema - Eric Liddell (interpretado por Ian Charleson) do Filme Carruagens de Fogo de 1981, que conta a história real deste atleta e da sua preparação juntamente com Harold Abrahams (que é interpretado por Ben Cross). Eles pretendem disputar as Olimpíadas de 1924 em Paris, mas seguem caminhos bem diferentes. Liddell é um missionário escocês que corre em devoção a Deus.  Já Abrahams é filho de um judeu que enriqueceu recentemente e deseja provar sua capacidade e valor para a sociedade de Cambridge. Liddell corre usando seu talento natural, enquanto que Abrahams resolve contratar um treinador. Ambos seguem as eliminatórias sem problemas, até que uma das classificatórias de Liddell é marcada para domingo. Ele se recusa a competir, por ser este um dia santo. Percebendo a situação, um nobre oferece a Liddell sua vaga na disputa dos 400 metros. Ele aceita e vence a corrida, assim como Abrahams. A partir de então, os dois integram a equipe do Reino Unido para as Olimpíadas. A competitividade, determinação e ambição de ambos e o respeito às suas trajetórias e escolhas pessoais, temas típicos de O Carro, ilustram bem a personalidade e as vivências regidas por este arcano!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A Justiça - Arcano VIII


Título Esotérico – A Filha dos Senhores da Verdade; O Controlador da Balança (As muitas faces da verdade que cabe a cada um de nós reconhecer em nível particular e depois ajustá-las a nível global para o equilíbrio da vida).

Analogia Astrológica - Libra (O 7º signo) é o único dentre os doze signos zodiacais que não possui nenhuma representação animal ou humana. Isso simboliza a sua busca pela imparcialidade de julgamento para que assim, o signo que rege a busca pela verdade e pelo equilíbrio, não seja perturbado pela interferência dos instintos inferiores e dos atos impensados. Libra rege tanto os diálogos apaziguadores quanto as confrontações abertas.

Analogia Numerológica – O 8 como o número da força que equaliza o ritmo e as forças do universo! Sua forma lembra dois círculos apoiados um sobre o outro. O que demandaria um esforço firme, contínuo, porém delicado! Por isso rege a disciplina, o senso de responsabilidade, realismo, busca pela verdade e justiça. Junto com o 7 e o 9 está entre as vibrações mais altas da numerologia. Saído do perfeccionismo estreito do 7 ele olha com mais acuidade e sobriedade, o que o possibilita fazer ajustes nos exageros cometidos pelos números anteriores. Daí sua semelhança com saturno, o limitador-retificador.

O Arcano – Uma mulher de postura ereta está segurando uma espada desembainhada na mão direita e uma balança na mão esquerda, esta se encontra à altura do coração. Ela usa um manto azul, e veste sob ele uma longa toga vermelha. Está sentada no que parece ser um trono. Não se pode ver os seus pés nem os detalhes do assento. A figura olha diretamente para o espectador como se o estivesse inquirindo!

Significado – A espada é um antigo símbolo de encontro e da defesa da verdade e da justiça. A mulher a segura com a mão direita, simbolizando a vontade firme e bem dirigida. A balança na mão esquerda e à altura do coração aponta sua capacidade de manter as emoções e os instintos sob controle, para que se mantenha uma visão distanciada das questões a que se propõe avaliar. O trono está representando sua disposição diante desse encontro com a verdade e de que o senso de justiça é soberano neste arcano. O ato de estar sentada e usando um manto predominantemente azul indica que sua ação é mais interior e intelectual A toga vermelha que usa por baixo, mais a presença da espada indicam, por outro lado, o quanto ela está disposta a pegar em armas e ir a luta para defender a sua verdade! O fato de seus pés estarem ocultos reforça sua desconexão com os instintos. O seu olhar inquiridor enfatiza de que não há mais como nem por que fugir dos fatos e das evidências. Há de se encará-los e confrontá-los visando o equilíbrio de uma situação ou o encontro com a verdade! Aponta também sua firme determinação em encarar a realidade como ela se apresenta. Ao contrário do arcano VI, Os Amantes, o arcano de A Justiça fala-nos das decisões tomadas a partir da razão, sem quaisquer ponderações afetivas ou de qualquer outro tipo de subjetivação.

A Justiça no Osho Zen tarot.
Divinação – Equilíbrio, verdade, lógica, justiça, lei, ordem, disciplina, persistência, rigor. Normalidade, regularidade, estabilidade, razão. Ver as duas faces de uma situação antes de emitir um julgamento, imparcialidade. Capacidade julgadora e de discernimento sobre o certo e o errado, o ético e o não ético. Crítica e autocrítica. Encontrar e defender a sua verdade, como quando assumimos abertamente nossas opiniões, preferências, desejos, necessidades ou nossa posição política e social; ou quando defendemos abertamente os direitos políticos de minorias, ou o fato de sermos de uma minoria e reivindicamos nossos direitos! Temas ligados à justiça, processos, litígios de toda a espécie etc. Este arcano denota uma necessidade de retificação de posturas, ações, negócios, contas (Como em auditorias financeiras), relacionamentos... É a capacidade e ou a necessidade de se colocar limites tanto para si quanto para os outros! Dizer não reconhecendo os excessos nossos e alheios, como quando impomos limites a um filho(a) mimado ou a um parceiro(a) não participativo, abusivo ou controlador; ou quando decidimos deixar de procrastinar decisões e atitudes transformadoras! Por isso também simboliza a conversa confrontadora do tipo colocar os pingos nos “is”. Negativamente é a aridez afetiva, a incapacidade de sintonia e conexão afetiva ou de expressão livre das emoções. Dureza interior, rigidez. Abordar questões específicas com verdades genéricas que não se aplicam! O tipo que não dá o braço a torcer. Divórcio, injustiças, julgamentos duros, preconceituosos e ou precipitados sobre alguém ou alguma situação. A burocracia dos processos legais e judiciais.


Personagem do Cinema – Ann Talbot, interpretada brilhantemente por Jessica Lange no Filme Muito Mais que um Crime (Music Box em inglês) de 1989. Ann é uma bem sucedida e conceituada advogada que é surpreendida quando seu pai Mike Laszlo (muito bem interpretado por Armin Mueller-Stahl) é acusado de crimes nazistas durante a Segunda Guerra Mundial como participante do grupo fascista húngaro Cruz Seta, que colaborava com os nazistas perseguindo e massacrando, de formas abomináveis, as minorias odiadas por Hitler e seus seguidores. Para evitar sua deportação Ann começa a trabalhar para provar sua inocência. Apesar de surpreendente para ela, fica claro que tem condições de ganhar o caso dada a falta de provas! Entretanto o julgamento acurado da brilhante advogada a deixa intrigada com a veemência com que as vítimas acusam seu pai dos crimes dos quais ele é suspeito! Inicia por conta própria uma investigação que a leva à Hungria e às revelações mais surpreendentes de sua vida, onde todo seu senso de justiça pessoal, ética humana e profissional será posta à prova! O filme está permeado pelos temas do arcano de A Justiça, como imparcialidade, verdade, justiça, lei, ética e rigor!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O Eremita - Arcano IX


Título esotérico – O Profeta do Eterno (O Profeta como alguém que não anuncia só o futuro, mas as verdades eternas da existência, ou seja, a sabedoria que transcende o tempo).

Analogia Astrológica – Virgem (O 6º signo), o signo que marca o começo do outono no Hemisfério Norte, o tempo da colheita, de revisão das ações tomadas, e de “separar o joio do trigo”. Por isso é tido como um signo crítico, sua crítica baseia-se na busca de um modelo divino ou sagrado de perfeição que cada coisa traz em si intrinsecamente. Trabalho este que requer dedicação, atenção e esmero, qualidades que sobram neste signo zodiacal.

Analogia Numerológica – O 9 como o último dos números simples, simboliza o fim da jornada ao mesmo tempo em que abre a possibilidade de novos caminhos, mais profundos, através dos números compostos. Mostra uma consciência amadurecida que segue num trabalho de investigação de si mesma, da vida ou de alguma disciplina em particular procurando atingir sua totalidade. Experiência rica, mas limitada à perspectiva do seu investigador. Ninguém vê o todo, como o próprio 9 não pode ultrapassar a si mesmo (3 X 9 = 27 = 2 + 7 = 9) assim como ninguém de fora pode dar ao indivíduo algo que ele mesmo não tenha buscado (5 + 9 = 14 = 1 + 4 = 5).

O Arcano – Um homem idoso usando um manto azul atravessa uma paisagem, que apesar de não ficar explícito, parece ser noturna, já que ele segura uma lanterna bem junto aos olhos. Ele segura um cajado no qual está se apoiando. A parte de dentro de seu manto é na cor amarela e o capuz é vermelho, a mesma cor da toga que ele usa por baixo do manto. Ele tem barba e cabelos brancos. Sua postura encurvada transparece dificuldade, desgaste do tempo e certa apreensão.

Significado – Nos tempos atuais, onde os velhos são desprezados apesar de todo o valor que ainda possuem para as gerações mais jovens, é difícil imaginar que os anciãos eram tidos como fonte de sabedoria e orientação para os clãs. Mesmo em sociedades tidas como muito machistas uma mulher podia participar do conselho tribal quando se tornava avó, pois havia passado por todas as etapas da maturidade! O velho aqui é o símbolo da própria sabedoria. Mas o que é a sabedoria? Sabedoria é o conhecimento vivido e experimentado ao longo do tempo. Por mais talento nato que uma pessoa possa ter nada substitui a experiência de vida. Qualquer talento, por mais abundante que seja, se tornará maior e mais expressivo depois do teste do tempo. O manto azul remete à introspecção profunda, indicando uma consciência voltada para si mesmo em busca de respostas. O forro amarelo do manto indica que a procura por essa sabedoria se utiliza dos próprios recursos intuitivos, criativos e intelectuais. A toga vermelha assinala a tenacidade com que essa busca ocorre. O capuz caído sobre seus ombros mostra o quão capaz ele é de se fechar, física e mentalmente, às influências externas que possam tentar obstruí-lo nessa jornada por iluminação interior. Seu caminho é reflexivo e não meditativo como o do arcano de A Estrela. A meditação é uma ausência de mente. A reflexão, por sua vez, é o uso aplicado, disciplinado e profundo da mente na procura por uma resposta. O cajado tanto nos diz que ele é um peregrino quanto revela sua prudência e atenção ao trilhar o caminho. Sua lanterna, que ao que parece tem seis lados e apenas três à mostra, é o símbolo da luz da consciência que o guia. O seis é tido como o número da perfeição. Os grandes iniciados dizem que aquele que desenvolveu o mestrado espiritual possui os olhos sempre voltados para o que é belo e engrandecedor. Ao passo que o homem de instintos inferiores julga tudo o tempo todo, por isso tem os olhos sempre voltados para o defeito e à imperfeição porque se acha melhor do que aquilo que vê. O sábio sabe que qualquer imperfeição que reconheça fora de si indica algo que precisa ser evoluído em si mesmo. Por isso o Eremita é um sábio que aparece antes do fim da jornada nos arcanos maiores. Ele cresceu com o que aprendeu nos arcanos anteriores e sabe que tem muito mais a crescer com os que ainda virão. Assim, usa a sabedoria que já adquiriu para adquirir ainda mais sabedoria e alargar sua consciência rumo à iluminação/transcendência do arcano de O Mundo!

O Eremita no Osho Zen tarot.
Divinação – Sabedoria, busca por profundidade de perspectiva. Solidão, recolhimento, introspecção, reflexão, retiro espiritual ou de descanso (férias inclusive). Personalidade sóbria. Dependendo da situação pode até ser o tipo desconfiado. Prudência, determinação, disciplina. Humildade, pessoa simples. Ação cuidadosa, esmero, personalidade detalhista. Diminuição do ritmo para observar as coisas com mais atenção. Essa diminuição pode também se dar por desgastes ocorridos, que podem ser físicos, mentais ou conscienciais. Maturidade, velhice. Tempo, experiência. A ação longa de um período de tempo sem perspectivas claras de resolução. Estudo profundo de uma disciplina. Investigação, pesquisa. Espionagem e ou o espião. O cético, que tem que ver para crer. Inspeção pessoal ou de órgãos fiscalizadores sobre algo.  Voto de silêncio ou castidade, ou gosto pelo silêncio e pouco interesse sexual que pode ser momentâneo ou permanente. Masturbação. Autossuficiência afetiva, social e ou financeira. Retirada súbita do convívio social. Negativamente é a agorafobia (medo de lugares cheios ou públicos). Isolacionismo político. Avareza afetiva e material. Timidez social excessiva, paranoia. Carências afetivas não resolvidas ou saciadas. Pode indicar pobreza ou recursos muito escassos.

Personagem do Cinema – Chuck Noland, interpretado por Tom Hanks no filme Náufrago de 2001. Chuck é um inspetor da Fedex (Federal Express), empresa multinacional que entrega cargas e correspondências, e é ocupado demais para lidar com os assuntos familiares e sentimentais. Seu trabalho é verificar o andamento dos vários escritórios da empresa pelo mundo! Numa dessas viagens seu avião cai e ele fica preso numa ilha do Pacífico sul por quatro anos tendo de resistir, tanto física quanto psicologicamente, para sobreviver à espera de um resgate! Sendo o único sobrevivente ele fica na ilha tendo como única companhia a foto de sua mulher e uma bola de voleibol que ele batiza de Wilson (na verdade essa é a marca da bola). Wilson passa a ser seu único “amigo”. Longe de tudo, e com medo de enlouquecer, Chuck começa a rever seus valores e prioridades e aprende a “ouvir os sinais”, como o par de asas que surgem em dados momentos da trama. Como toda a linguagem artística o cinema tange o inconsciente coletivo... A esfinge do próximo arcano, A Roda da Fortuna, possui asas. E as asas sempre aparecem na trama quando os ventos da mudança vão soprar no destino do personagem...