segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Gatos - Os Oráculos Vivos

Oráculos do Passado

Dentre todas as artes divinatórias do passado algumas poucas sobreviveram ao teste do tempo, como o tarot, a astrologia, as runas, numerologia, cabala, quirologia, I Ching, cartomancia e radiestesia, para citar os exemplos mais bem sucedidos! E isso se deu porque elas mostraram toda sua profundidade, flexibilidade, e abrangência arquetípica ao inserir em seu corpo simbólico e filosófico o avanço humano nas áreas de psicologia, filosofia, ciência e saúde.
Embora a radiestesia não seja propriamente um oráculo ela é a descendente da rabdomancia, uma arte que se utiliza de varetas bifurcadas para encontrar água em lugares áridos, e que evoluiu para a captação das vibrações emitidas por nós seres humanos e deixadas em ambientes e objetos que influenciam a nós mesmos em nossa saúde e bem-estar, e aos demais! O termo radius vem do latim radiação, ou raios e aisthesis vem do grego e quer dizer sensibilidade. O que vem de encontro às modernas teorias sobre o campo bioelétrico magnético do corpo humano e a descoberta da foto da aura pelo casal de pesquisadores russos, os Kirlian, no diagnóstico de distúrbios físicos e emocionais. Os sistemas oraculares como o tarot e a astrologia tem sido abordados também à luz das teorias junguianas de arquétipo e sincronicidade, e em alguns conceitos da física quântica.
Todas as outras mancias (manteia em grego, arte), que serviam para coisas como descobrir se uma mulher estava grávida, ou qual seria o sexo do seu bebê caíram no esquecimento. Afinal já temos o ultrassom e os testes de gravidez das farmácias. As que se prestavam a predizer o futuro sem muita contemplação interior como a cleromancia, adivinhação pelos dados, cafeomancia, adivinhação pela borra do café, tasseomancia, também conhecida como teimancia que é a adivinhação pelas folhas de chá, e a mais fascinante, misteriosa e talvez já extinta, a cristalomancia, ou adivinhação na bola de cristal, caíram em desuso. 
A antiga arte da quiromancia está
inserida no estudo da quirologia.
Sua linguagem mais simples e por isso mesmo com poucas referências teóricas ficou relegada a uns poucos que eram iniciados por algum ancestral que já tinha o dom, palavra que soa como algo quase supersticioso hoje em dia. Alguns pesquisadores tentam torná-las acessíveis sistematizando-as, o que é no mínimo uma piada! Na cafeomancia, por exemplo, dizem: se aparecer um lobo é inveja ou perigo... Então eu pergunto: e se aparecer um lobo com cabeça de borboleta, ou uma borboleta com pernas humanas? É impossível catalogar tudo o que pode surgir na borra de café. Essas artes funcionam como o teste psicológico de manchas Rorschach, cada um vê o que sua visão interior delibera. E cada um terá um significado próprio para essa visão.
Bolas de cristal,
ampliando a visão interior.
E justamente essa dificuldade de catalogação racional de sua estrutura simbólica é também outro fator que causou o desinteresse por essas modalidades adivinhatórias nos tempos atuais. Elas que parecem simples por um lado, requerem uma visão interior muito apurada e livre da interferência da razão e da lógica. A possibilidade de sistematização e de investigação intelectual das artes divinatórias citadas no início deste texto fez com que as pesquisas sobre tarot, runas, astrologia, numerologia e cabala rendessem milhares de títulos de livros pelo mundo a fora. Enquanto os poucos sobre mancias antigas renderam alguns fiascos. O interesse crescente pelo primitivismo, sobretudo das culturas xamânicas, resgatou a aeromancia, que é a adivinhação através da fumaça do incenso. E os símbolos geomânticos também têm sido resgatados em círculos que estudam a magia. Tudo isso, porém, de modo tão rarefeito que creio que a maioria dos leitores não tem noção sobre o que eu estou falando!
De todas as artes ancestrais somente a cartomancia, da qual o tarot deriva, sobreviveu com dignidade e mantém o interesse do público tão vivo quanto no tempo das cartomantes *Évora e Esmeralda que moravam em cavernas da Ásia Menor e viviam de atender os viajantes que iam e vinham entre Europa e Ásia. Quer seja com as velhas cartas do **baralho comum ou com o baralho ***Lenormand, cartomantes continuam em voga! 
Também a quiromancia, que é o estudo das linhas da mão para o reconhecimento dos padrões do futuro, continua sendo uma parte fundamental da quirologia, que é o estudo dos traços da personalidade de uma pessoa através da estrutura da sua mão, como formato da mão, montes da palma, falanges dos dedos, unhas e até das digitais!  
Felidomancia - A Arte dos Gatos

Gatos, para alguns bruxos
servem até como oráculos!
A mais deliciosa das mancias sumiu na neblina do tempo, a felidomancia. Essa arte consistia em observar o comportamento dos gatos para, por exemplo, prever se ia chover ou nevar. Hoje se sabe que os gatos possuem ao longo da coluna um acúmulo de gordura muito sensível à umidade, o que faz com essa gordura funcione como um barômetro. Assim quando vai haver chuva ou nevasca a umidade relativa do ar aumenta e os gatos sentem isso. Nas regiões da terra onde faz frio os bichanos deitam em frente a lareiras ou estufas. Se deitarem de frente para a fonte de calor, tudo bem! Vai fazer frio, mas nada de chuva. Caso virem de costas para ela então se prepare, vai chover ou nevar. O seu barômetro natural funciona fazendo com eles sintam mais frio nessa região e tentam então aquecê-la. Meu gato tem medo de chuva e toda a vez que vai chover ele se esconde debaixo da minha cama ou atrás do meu sofá seja verão ou inverno! Não importa o que diga a meteorologia, ele não falha! Observei que no Brasil nas regiões mais quentes ou secas nem todos os gatos reagem assim, mas aqui na região Sul onde no verão temos até +39º C e no inverno vamos à -1º C em Porto Alegre e à -7º C na Serra, os felinos são bem mais sensíveis a essas mudanças. Creio também que gatos que vivam em ambientes aquecidos por calefação não tenham tanto desta sensibilidade apurada.
Bóris, meu filho felino.
Sensível à chuva.
Nos USA alguns médicos estão estudando a capacidade dos felinos de farejar a morte. Parece que eles sempre sabem quando um moribundo vai desencarnar! No Japão tem se observado o capacidade do gato de prever terremotos. Eles conseguem prever isso com uma antecipação maior até que a dos modernos equipamentos, mas os especialistas não entendem como isso acontece! Alguns bruxos afirmam que é possível fazer predições olhando para os olhos do gato que funcionam como um portal para a visão interior assim como as bolas de cristal. Eu simplesmente adoraria ver isso!
Essas e outras coisas misteriosas envolvem os gatos, como a sua ligação com o tarot! Desde que escrevi Os Gatos & o Tarot muitos tarólogos me escreveram, e alguns até deixaram comentários na postagem com outros relatos sobre essa ligação. Ao que tudo indica eles gostam de ambientes mágicos, mas dentre todos os oráculos é o tarot que parece atraí-los mais! Cheguei a pensar que o que os atraía era o movimento de embaralhar as cartas ou dispô-las em leque para que o cliente retire o número de cartas requerido, mas com o tempo só atestei que nada disso se sustentava. Muitos apenas ficavam na sala e não pareciam se interessar pelo processo em si, outros saltavam da indiferença para um interesse apaixonado deitando-se sobre as cartas enquanto o consulente era encaminhado até a saída!... Uma aluna chegou a lembrar da história criada por Court de Gébelin de que o tarot seria um legado de sabedoria do antigo Egito, onde os gatos foram adorados mais que em qualquer outra cultura da antiguidade! Embora saiba que nada disso tem embasamento histórico, ela exaltou que esse tipo de coincidência alimenta a fantasia da gente... O que é verdade!

Nota:
* Elas são citadas no livro de São Cipriano, onde é revelado inclusive o modo como dispunham as cartas.
** Esse tipo de cartomancia também é chamado de cartomancia árabe e é justamente o tipo de cartomancia praticada pelas afamadas  Évora e Esmeralda.
*** Erroneamente chamado de "cartas ciganas", foi criado em homenagem à vidente e taróloga francesa Madame Lenormand. Por isso é mais apropriado chamá-lo de cartomancia francesa.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Tarot & Reiki - Integrando as Artes

Rei de copas no Osho
Zen Tarot, o curador e a cura.
Quando conheci o tarot fiquei encantando com suas revelações, tanto práticas quanto psicológicas, do momento vivido por quem procurava as cartas! Sua precisão e profundidade me causaram forte impressão, tanto quanto nas pessoas para quem eu lia suas mensagens. Com o tempo, e diante de tantas dores da alma que expunham suas feridas diante de mim, comecei a sentir falta de algo que auxiliasse para além das palavras aquelas pessoas que buscavam meu auxílio.  A terapia floral me pareceu a mais próxima e acessível dentre todas as técnicas terapêuticas à disposição na época. Era fácil passar um receituário orientado paras as principais questões levantadas na sessão com os arcanos. Da mesma forma era bem fácil as pessoas não se comprometerem com seus florais, tomando-os de vez em quando ou simplesmente perdendo a receita. Em 1992 conheci pelas mãos de uma grande curadora e amiga o reiki. Essa pessoa havia se dedicado às artes de cura depois de ter se curado de um câncer e tinha um carinho especial pelo reiki, pois dizia que gostava muito da aplicação dos seus símbolos, que ficavam atuando no campo energético das pessoas pelo tempo que o Eu Superior de cada um permitisse.
Tarot, o mapa da alma.
Quatro anos se passaram até que finalmente me iniciasse no reiki, e depois mais quatro para que eu o incluísse como um dos meus serviços de terapia complementar. Hoje, quando olho para trás, vejo o quão foi válida a inclusão desta técnica nos meus cuidados terapêuticos com os clientes. O reiki requer um nível considerável de comprometimento com a cura pessoal, já que envolve sessões regulares pré-agendadas. 
O tarot continua sendo o grande aparelho de raio-x simbólico que me revela como as coisas estão “por dentro”, um mapa da alma que me mostra por onde seguir. Depois de escolhido o número de tratamentos, aconselho aos clientes para darem mais uma espiadinha no espelho claro dos arcanos para ver como ficou o ambiente interno depois do tratamento completo. Ou seja, uma consulta antes e outra depois das aplicações serve como um check-up do campo vibracional e de consciência daquele que recebeu as aplicações de reiki. A melhora do quadro emocional é impressionante! Sem falar no revigoramento psíquico e físico que se seguem!
O Hierofante (Quíron) 
no Tarot Mitológico,
sábio e curador! 
Com o tempo notei que para mim mesmo as mudanças foram significativas e profundas. As sessões reiki apaziguaram a minha mente, aquietaram minhas próprias emoções e me trouxeram uma profunda compaixão por aquelas pessoas que se colocavam sob meus cuidados. Algumas, inclusive, dormiam profundamente! Como Quíron, vi no caminho da dor do outro um atalho para curar a ambos.
Costumava ver a mim mesmo como o condutor de uma fantástica locomotiva de setenta e oito vagões que conduzia as pessoas a um passeio incrível por sua própria história. Vendo paisagens que passaram desapercebias e revendo outras com mais atenção e profundidade, e que ao final da jornada juntava significados e revelava prognósticos. Desde que o reiki entrou em minha vida, porém, eu vi essa viagem estender-se mais um pouco, até o tratamento, que é oferecido como um abrigo depois da árdua jornada. Um momento para sentar, conversar, refletir, meditar, repor as forças e receber a dádiva maravilhosa da energia ki através do toque suave da cura reiki. A aventura que começou no ano 2000, quando me tornei Mestre reiki, hoje dá frutos maduros na seara de minha vida e do meu trabalho. Criou-se uma conexão intensa entre as duas práticas e não consigo imaginar como seria uma sem o recurso da outra. Claro que há pessoas que preferem o tarot sem nenhum tratamento posterior. A interpretação dos arcanos parece ser curativa o bastante para essas pessoas. Aqueles, porém, que se aventuram a ir mais fundo e aceitam o tratamento, dizem ter aproveitado melhor assim os temas levantados na consulta.
Por isso tudo, deixo aqui meu profundo agradecimento aos meus Mestres reiki Gislaine de Simoni, Laura Larangeira e Upanishad Kessler por me iniciarem neste caminho mágico e gratificante, bem como à minha amiga e curadora Lenise Ramya por ter me apontado a direção! Vocês foram luzes brilhantes em minha estrada.
Obrigado e Namastê!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Netuno em Peixes - A 3ª Onda



Tenho lido muita coisa sobre a entrada de Netuno no signo de Peixes, que se deu em 03/02/2012, mas as colocações me pareceram muito técnicas e pouco esclarecedoras sobre as influências espirituais desse trânsito tão importante e sobre o que de fato podemos esperar deste ciclo de catorze anos que marcará a passagem deste planeta nos céus, e das influências que ele emitirá sobre a humanidade! Nos últimos 60 anos o mundo passou por enormes transformações culturais, sociais, políticas, comportamentais e, sobretudo, espirituais! Quem tem entre 42 e 56 anos de idade é um herdeiro da primeira onda recente do despertar da espiritualidade que começou quando o mesmo planeta Netuno fez sua passagem pelo signo de Escorpião entre 1956 e 1970. Da mesma forma aqueles que têm entre 17 e 29 anos são os herdeiros da segunda grande onda espiritualista que invadiu a mente, os corações e por fim a mídia no mundo todo quando Plutão passou por Escorpião entre 1983 e 1995! Mas o que tudo isso significa? Creio que todas as reformas que vimos na humanidade só foram possíveis porque elas começaram por dentro, no espírito de cada um, para em seguida expressar-se ao mundo.  Deixo aqui minhas observações sobre os dois ciclos netunianos e o ciclo plutoniano que marcaram o nosso tempo não só com eventos políticos e sociais, mas também na percepção dos homens sobre a vida e o espírito humano em sua relação com o universo e Deus. Deixaram um legado para o mundo nas ideias que floresceram neste período e nos nascidos durante o ciclo. Vamos a eles:


Netuno em Escorpião (1956-1970) 
- A 1ª Onda


O florescer do movimento hippie cujo bordão mais polêmico era “Faça amor e não faça a guerra”. Dando uma olhada mais de perto o “faça amor” é Netuno e o “Não faça a guerra” é Netuno dissolvendo a belicosidade de Escorpião! Isso é uma coisa que esse planeta faz, ele dissolve tudo o que está cristalizado e, portanto, enrijecido e arcaico nas qualidades do signo que ele está visitando. Escorpião rege todos os temas voltados para o autoconhecimento como uma forma de transformação pessoal dentro de um espectro muito amplo que vai de coisas como a psiquiatria, a psicologia, e hipnose à alquimia, a magia, o esoterismo e todos os seus correlatos (astrologia, tarot, simbologia etc). Como Netuno também se interessa por tudo isso e mais rituais, transes e estados alterados de consciência, a meditação e o uso de ervas alucinógenas como forma de atingir tais estados foram amplamente aplicados e estudados em institutos como o de Esalen na Califórnia.
A ideia de uma sociedade e cultura alternativa surge também como uma resposta a uma sociedade massificada que não respeita a individualidade e multiplicidade da vida! Netuno rege a casa doze, o lugar de retiro para a interiorização onde as fronteiras são derrubadas, e Escorpião rege as sociedades secretas, o lugar onde algum tipo de conhecimento secreto ou rarefeito é desenvolvido. O movimento hippie tanto quanto o despertar dos temas da alma assumem um caráter transgressor e libertário que mudaria para sempre a face da Terra.
Com a guerra do Vietnã, onde mais de 60.000 soldados americanos morreram, nasce o movimento de defesa dos direitos humanos. Os tabus ligados a sexualidade, outro tema escorpiano, começam a ser questionados e derrubados. O conceito de amor livre e da liberdade das instituições de poder, do qual o casamento fazia parte, toma força e o divórcio começa a ser ou aprovado em muitos países ou discutido intensamente noutros. Poder e profundidade são temas de Escorpião que vemos serem aplicados durante todo o período. 


Movimento hippie em sua expressão máxima durante
o festival musical de Woodstock, 1969.

Em 1960 é fundada nos USA, por Stuart R. Kaplan, a U.S. Games Systems, que viria a ser a maior editora e distribuidora de tarots do mundo! Tenho dito e repetido em minhas aulas e palestras que o tarot é mercuriano e plutoniano e os que desenvolvem bem sua linguagem simbólica costumam ter esses dois planetas em posições influentes em seus mapas natais ou muita ênfase nos signos e casas regidas por eles, Gêmeos, Virgem e Escorpião e as casas III, VI e VIII.
Desperta na arte o psicodelismo, que é o abandono das formas, tons e notas exatas para a deformidade da imaginação e da fantasia, um tema netuniano! E algumas bandas de rock aderem a um certo teor místico em suas vidas pessoais e que logo vem a público, como quando os Beatles se convertem a uma seita hindu em 1969 e Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, assume seu fascínio pelo ocultismo e especialmente por Aleister Crowley, chegando inclusive a comprar a mansão que foi a residência de Crowley em 1970. Já há nesse tempo uma imensa gama de jovens que começa a se interessar por astrologia, tarot e yoga. Eram os bicho grilo da época!
É incrível que a simples citação de alguns dos exemplos de mudanças polêmicas propostas na época faça vir a mente o quanto tais mudanças viraram um hábito arraigado, como o amor livre, ou simplesmente um conceito perfeitamente aceitável para um grande número de pessoas, como os temas esotéricos de evolução espiritual, reencarnação, magia e consultas oraculares!...
Claro que nem tudo foram flores! Uma era é feita de seres humanos da mais variada cepa possível e houve sim aqueles que se desvirtuaram do caminho e da proposta que a influência planetária indicava. Foi justo neste trânsito que nasceu a pornografia como uma indústria, que em muitos países ajuda a escoar o dinheiro do tráfico de drogas, que também se industrializou e se expandiu, aliás, outra herança macabra que se iniciou nesse período!


Plutão em Escorpião (1983-1995) 

- A 2ª Onda


Plutão em Escorpião, o renascer e
o apogeu das ciências ocultas.
Quando o signo de Escorpião recebe a visita do seu regente Plutão no começo dos anos 80, muita coisa já havia mudado e haveria de mudar ainda mais! A juventude esperançosa e sonhadora dos anos 60, porém, agora dá lugar a rostos tristes e obscurecidos. O movimento jovem dessa fase da história é o dark, os filhos dos hippies vencidos que acreditavam que o sonho tinha acabado e que não mais havia saída para o mundo. O que com certeza foi um exagero e tanto já que foi justo aí que o mundo viu o fim da guerra fria em 1985. E muito mais liberação social, sexual e política se dá pelo planeta. Todas as ditaduras de países aliados aos USA no ocidente caem sem demora! Brasil e Chile, são alguns dos exemplos. A transformação pluto-escorpiana se expande.
Houve nos anos 60 uma forte e negativa reação ao movimento dos jovens por liberdade, criatividade e espiritualidade! As instituições seculares se sentiram ameaçadas e associaram o movimento dos hippies à vagabundagem, drogadição e loucura!
Curiosamente a classe dos psiquiatras e psicólogos que alertaram para os exageros cometidos por aqueles jovens em sua busca por reforma social, quem diria, começa a se interessar pelos temas alternativos como a meditação e a yoga para combater o estresse e até problemas físicos como dores na coluna! Matérias como o tarot e astrologia também entram na âmbito de interesse desses profissionais. O livro da psicóloga norte-americana Sallie Nichols, lançado em 1980, torna-se muito popular e retira para sempre o olhar de desdém de alguns setores do meio cientifico sobre a tarologia, o livro foi Jung e o Tarot, uma Jornada Arquetípica! Esse tempo é marcado por uma aproximação entre os temas espirituais e científicos.


O trabalho com oráculos ganha uma conotação 
mais profunda, mística e psicológica ao mesmo tempo! 

Os bicho-grilo de duas décadas atrás tornam-se os oradores, professores e consultores renomados desse período. Não surgem novas ordens esotéricas (os lugares de saber oculto que Escorpião adora!), mas sim um conceito próprio desse tempo, o de livraria esotérica, onde os livros sobre espiritualidade e esoterismo, ainda rechaçados pelos livreiros comuns, são vendidos. Além de uma imensa variedade de materiais que não se encontrava facilmente, como aparelhos e gráficos radiestésicos, baralhos de tarot, talismãs astrológicos, mandalas, caldeirões, bola de cristal, cristais fantasma etc. 
Na minha cidade, Porto Alegre, muitas livrarias de sucesso surgem: Três Pirâmides, Órion, Chama Violeta, Quintessência, Aeon, Quíron, Regalo Original e Pedras (essas duas últimas especializadas em cristais). Mas uma chama particularmente minha atenção, por ser pequenina, muito rica em variedade de produtos e extremamente popular, que se localizava num subsolo no centro da cidade, a livraria Esotérica! É interessante lembrar que Plutão era o senhor das riquezas do subsolo, e de que o esoterismo é um tema tipicamente escorpiano... Considero essa livraria, que já não mais existe, um símbolo desse trânsito astrológico em minha cidade natal.
No Brasil o escritor Paulo Coelho, um ativo membro da sociedade alternativa dos anos 60 e 70 (e de Netuno em Escorpião) torna-se um autor reconhecido e assumidamente adepto da magia! O que inspira o surgimento de escolas de magia, astrologia, tarot e meditação que se espalham pelo país como já ocorria pelo mundo afora. O tema ganha força em periódicos especializados, jornais e revistas, e as trevas da ignorância sobre essas disciplinas começa, enfim, a esvaecer. O grande legado deixado pela passagem de Plutão pelo seu signo de regência foi a retirada da linguagem fatalista dos sistemas simbólicos e oraculares, e a introdução da ideia de crescimento interior e da interação do livre arbítrio em prognósticos e análises de personalidade!
O trabalho esotérico começa a virar um negócio, alguns consultores vivem dessa atividade modicamente, entretanto outros cobram verdadeiras fortunas por uma hora de sessão, com semanas, e em alguns casos até meses de agenda lotada! Cursos são oferecidos em dólar ou cobrados segundo sua cotação (Plutão rege além do poder a riqueza)!
Multiplicam-se nessa época 
as livrarias esotéricas.
Os temas esotéricos se aproximam das orbes do poder, e no Brasil entre 1990 e 1992, fica conhecido o quanto o presidente Fernando Collor de Mello se vale de recursos de magia negra para se manter no governo, tanto quanto o presidente americano Ronald Reagan se vale dos conselhos de uma astróloga, Joan Quigley, para suas decisões políticas e de segurança pessoal. Tenho muitas lembranças dessa passagem astrológica em particular, já que em 1988 (88, um poderoso número mestre) eu dou ignição ao processo de imersão no mundo dos símbolos quando descubro o tarot, processo esse que continua em andamento! Todos nós nativos de Netuno em Escorpião nos sentimos convocados de algum modo a atender ao apelo plutoniano de aprofundar o que havia sido começado em ocasião de nosso nascimento!
Como nem tudo são flores, e nem todos foram “caminhando e cantando e seguindo a canção”, ouve claro aqueles que se perderam e a liberação sexual foi tão longe a ponto de se perverter! O mundo pela primeira vez vê a abominação da pornografia infantil se firmar como uma indústria ilegal mas em franca expansão que prossegue, infelizmente, até hoje. Foi também com a passagem de Plutão em Escorpião que a AIDS virou uma epidemia da qual a humanidade até os dias atuais não se livrou!
O mundo espiritual também sofreu um duro golpe, os transgressores do sistema de antes, agora parecem querer fazer parte desse sistema e ganhar a sua parcela de lucro e “garantias” de trabalho. Reúnem-se em associações para “defender” o conhecimento, tentam formatar o saber que sempre foi livre à exploração tanto intelectual quanto inspiracional porque certos indivíduos dizem conhecer a verdade, o que significa que tudo o que dentro do mundo espiritual ou mágico não se encaixar numa perspectiva psicológica ou científica é tido como tolo ou sem validade. A aproximação entre e a linguagem psicológica e o ocultismo, que seria apenas um termo de conversação entre duas abordagens do saber (linear e não linear) vira uma obsessão quase persecutória. O corporativismo ganancioso toma o coração daqueles que o combatiam! O termo mistificar, que deriva do grego, e que entre muitas traduções, destacam-se buscar o sagrado, ou ouvir o segredo, ganha a conotação de fantasioso, ou falso, ou seja, o espiritual começa a ganhar conotação de tolo, quando a proposta da Nova Era aquariana não passa por uma suplantação do espiritual pelo científico, mas sim numa sintonia entre ambos!


Netuno em Peixes (2012-2026) 

- A 3ª Onda


Com Netuno em Peixes o que veremos é uma retomada da espiritualidade em seu estado mais puro, com o retorno do sentimento místico quase esquecido pelo trânsito de Plutão em Escorpião e pela própria passagem anterior de Netuno pelo  signo de Aquário. O medo das coisas ocultas ou misteriosas tende a diminuir, o que favorecerá uma subtração do racionalismo que foi difundido com a passagem deste mesmo planeta pelo signo de Aquário. Aquário não favorece as pretensões místicas de Netuno, ao contrário, ele as coloca em xeque com suas muitas inquisições científicas. Coisa que vimos nos últimos anos com temas como cura espiritual e outras manifestações psíquicas sendo testadas em hospitais com as conclusões mais estranhas por parte dos seus pesquisadores. Como, por exemplo, o que ocorreu no Hospital das Clínicas de São Paulo em 2012, onde os médicos depois de muito pesquisarem o reiki chegaram à conclusão de que ele até funciona, mas nada tem a ver com uma energia especial que flui, mas sim com o poder do toque humano de trazer acalanto ao paciente e o quanto isso tem o poder de curar... O que é a mesma coisa que dizer que todo o fundamento que gerou o próprio reiki é uma grande besteira!
A passagem de Netuno por Escorpião em muito se parece, em termos espirituais é claro, com o atual trânsito no signo de Peixes! A grande diferença, entretanto, é que Escorpião aprecia o ocultismo mais que a espiritualidade transcendente de Peixes. O ocultismo é uma ação em busca do poder pessoal e independente da relação com Deus ou com divindades. O poder é visto dentro e não “fora” e toda a prática oculta é focada no poder do Deus interno! O trânsito de Plutão também pelo signo de Escorpião fortaleceu ainda mais este aspecto! Por isso tudo que vimos nas ideias de filmes como Quem Somos Nós? e o Segredo ganharem tanto crédito nos tempos atuais! E como Escorpião se relaciona com o poder e influência é que vimos também os místicos buscarem suporte na física teórica e na psicologia junguiana para respaldar seus estudos! Com a entrada nos domínios piscianos começaremos a entender que não existe um “lá fora”, e que tudo acontece acontece simultaneamente dentro de nós e em todo o universo ao mesmo tempo. As filosofias espirituais como a teosofia, antroposofia e ayurveda, por exemplo, ganharão muita força.
A busca pelo transcendente
será a tônica deste trânsito.
A percepção de algo maior, que podemos chamar de Deus, Energia ou Emanação Cósmica será um conceito resgatado com menos preconceito! Tanto Peixes quanto Netuno regem todas as manifestações espirituais, e o universalismo que vimos abrir suas asas com a passagem deste planeta pelo signo de Escorpião retornará. Peixes rege também os Avatares (descendentes diretos dos deuses), seres como Cristo, Buda, Rama, tanto quanto os gurus como Vivekananda, Sai Baba, Osho, que surgem na Terra para orientar a humanidade em seu caminho evolutivo. Durante este trânsito estes luminares da espiritualidade surgirão ou ganharão destaque na mídia! Outro aspecto muito importante a se destacar na espiritualidade pisciana é a busca por transcendência no sentido de ir além da experiência humana e transfigurar-se na presença divina ou sagrada que temos todos dentro de nós! O aprendizado da misericórdia é outra grande contribuição pisciano-netuniana para este trânsito. Netuno trará a grande lição que temos todos a mesma origem terrestre, cósmica e sagrada e por isso toda e qualquer segregação por sexo, orientação política, religiosa ou sexual é dilacerante e estúpida! Demonstrações do fim deste tipo de segregação irão surgir onde menos se espera. Os atos de amor feitos por cada um de nós no dia a dia é que mantém o bem e o traço de nossa divindade interna imaculada e em desenvolvimento!


Ayurveda, uma filosofia com grandes chances 
de expansão sob esse trânsito

Por derrubar as fronteiras Netuno em Peixes nos aproximará mais uma vez do oriente e de todas as culturas exóticas alheias a nós. O primitivismo expresso em religiões xamânicas também recuperarão o fôlego, e já vemos cursos e vivências xamânicas se multiplicando pelo mundo! A prática de oráculos, meditações, religiões primitivas e orientais e filosofias da mesma origem aparecem (ou reaparecem) e se alastram!
Como tudo tem um lado sombra vale lembrar que Netuno em Peixes pode trazer também as catástrofes vindas da água como tsunamis, enchentes, rompimento de barragens etc. O fanatismo religioso e o aparecimento de falsos gurus que extorquem dinheiro ou pedem sacrifícios de sangue de seus seguidores é bem provável. Haja visto o tanto de exploração e manipulação que a humanidade testemunhou com os boatos sobre o fim do mundo em 21/12/2012, devido a interpretações intencionalmente distorcidas sobre o calendário maia reveladas por verdadeiros arautos apocalípticos em seminários e workshops por todo planeta. A Tolerância proposta por este trânsito pode encontrar um movimento reacionário violento como quando ele esteve passando entre 1192-1207 fortalecendo o ideal das Cruzadas, as chamadas “Guerras Santas”. As religiões que prometem a salvação, como os cultos pentecostais, por exemplo, podem ficar ainda mais fortes! De um modo geral a busca por soluções milagrosas ganha novo ímpeto, embaçando um pouco a consciência de responsabilidade pessoal diante do próprio destino tão divulgada nas duas passagens planetárias por Escorpião (Netuno e Plutão) e que só não será mais grave porque os nativos desses dois trânsitos anteriores, ainda vivos e atuantes, sentirão um irresistível apelo para dar sua contribuição. 
Descobertas poderão ocorrer na ciência ou na história que farão o homem repensar sua relação coma a fé, a espiritualidade e Deus, como ocorreu no século XVI (1520-1534) quando Copérnico descobre o modelo heliocêntrico e mais contundentemente no século XIX (1847-1862), quando Charles Darwin publicou “A Origem das Espécies” mudando para sempre a visão que a humanidade tinha sobre as escrituras bíblicas e sobre o próprio homem. Nesses dois períodos da história Netuno passou por Peixes.
Os nativos que estão nascendo nessa passagem Netuno-pisciana sentirão imenso apelo de manter no mundo essas características quando Plutão passar por este mesmo signo entre 2043-2066.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Os Arcanos do Hobbit


Próximo às festas do fim de ano, fui assistir ao filme O Hobbit, uma Jornada Inesperada do diretor neozelandês Peter Jackson por dois motivos: primeiro porque sou apaixonado por filmes com temática épica ou mítica e este, como os outros filmes da série O Senhor dos Anéis, é ambas as coisas ao mesmo tempo. Sem falar nas paisagens maravilhosas da Nova Zelândia e o resgate da linguagem mágica dentro da trama. Ou seja, para uma pessoa como eu é um prato cheio! Bem, afora tudo isto eu fiquei encantado de mais uma vez observar os arcanos “saltando” nas passagens do filme. Os arquétipos vivem dentro de nós e se fazem presente o tempo todo. Desde que acordamos até quando vamos nos deitar, passamos por uma miríade de situações arquetípicas que alguém que estude os arquétipos pelo viés astrológico, por exemplo, os verá na forma de signos e planetas. E alguém como eu, que ama e prefere o tarot, os verá no simbolismo dos arcanos.
9 de copas
A acomodação das conquistas.
4 de paus
A ação participativa.
Na trama o hobbit Bilbo Bolseiro é procurado pelo mago Gandalf para fazer parte de uma companhia cuja missão é retomar o reino dos anões que havia sido usurpado pelo terrível dragão Smaug. A proposta do velho mago é um verdadeiro 4 de paus, ou seja, a possibilidade de unir forças a um grupo para realizar uma tarefa que é impossível de ser feita sem a combinação de outros talentos e esforços! Na primeira investida de Gandalf Bilbo é totalmente refratário e chega a alegar que as aventuras são coisas que “nos fazem atrasar para o jantar”. Nesse momento vi o primeiro arcano saltar, era o 9 de copas. Ora, a vida de Bilbo estava bem do jeito que estava, tinha uma ocupação tranquila no seu dia a dia, uma casa confortável e cheia de comida!... Então pra quê sair de lá? O 9 de copas é o arcano da realização de todos os desejos terrenos, o que promove imensa satisfação por um lado, mas uma incrível acomodação por outro! Como se a vida não oferecesse mais coisas, ou como se não houvesse outras coisas sobre as quais evoluir. Daí em diante todos os arcanos que surgem são da série dos 4 nos arcanos menores. Bilbo vive um 4 de ouros quando sente que deve defender sua propriedade assim que os anões chegam sem serem convidados por ele (numa armadilha de Gandalf para tentar comovê-lo) para um banquete. E mesmo depois de saber do drama vivido pelos anões ele continua apegado à louça que herdou dos pais e aos paninhos de crochê de sua mãe. A avareza é o pior atributo do 4 de ouros. Em seguida ele ouve as muitas histórias de sofrimento daquele povo que após ter tido um reino próspero e feliz agora vagava pelo mundo sem um lugar de seu, e ao que parece não é tocado por isso.
4 de ouros
O avarento.
4 de espadas
Postergando decisões.
4 de copas
O indiferente.

Nesse momento ele passa a viver um 4 de copas. Uma introspecção tão grande que o aliena do mundo e das necessidades dos outros. 
Depois de todo o agito do que era para ser mais uma noite rotineira Bilbo acorda e vê a casa vazia, em princípio comemora a partida dos invasores, mas em seguida parece perceber que tudo aquilo pode esperar e que a vida havia feito um chamado para algo maior, então sai correndo atrás dos cavaleiros. Esse salto é o caminho do arcano de O Louco, aquele que ouve um chamado da vida e vai. Há também uma clara referência ao arcano do 4 de espadas, que simboliza a postergação das decisões. Fica claro que apesar de sua recusa, internamente o tempo todo Bilbo considerava partir com os aventureiros, apenas adiando essa decisão ao máximo! Da mesma forma o arcano do 3 de paus também aparece no momento do salto do jovem hobbit. O 3 de paus é o arauto das experiências inusitadas a que nos permitimos ou não. A confiança inexplicável que ele sente ao partir é própria do arcano Cavaleiro de copas, que age de acordo com o que sente em seu coração sem discernir muito sobre as causas subjacentes.
Cavaleiro de copas
A confiança que 
emana do coração.
O salto ousado de O Louco.
3 de paus
O experienciar o inusitado.


Desnecessário dizer que Gandalf é o próprio arcano de O Mago, talentoso, brilhante, envolvente e também enganador. Tanto quanto o rei-guerreiro Thorin Escudo-de-Carvalho é, sem sombra de dúvidas, o arcano de O Imperador. Forte, destemido e firmemente decidido a reaver o reino que lhe foi roubado, e tudo isso em honra ao pai e ao avó, já falecidos (uma linhagem patriarcal), numa clara alusão ao poder de conquistar, estabelecer e estabilizar que esse arcano traz em si. Por isso e por estar repleto de magos, runas, e florestas mágicas, além de lindas reflexões sobre a vida, eu considero este um filme para ser saboreado em cada detalhe.

sábado, 8 de dezembro de 2012

A Mentira Holística


Por mais que o tempo passe, e por mais que eu depois de mais de duas décadas envolvido com o ocultismo, o holismo e a espiritualidade tenha conhecido todo o tipo de gente, teorias e modismos, sinto que de vez em quando as coisas vão mesmo longe demais! Agora estamos enfrentado um nova “onda”, de cursos de “formação” de terapeutas holísticos. Pode ter coisa mais mentirosa, charlatã e enganadora? Como assim formar um holístico? Holismo é uma consciência não uma técnica! As técnicas denominadas holísticas assim são consideradas por conterem em sua prática uma consideração aos outros níveis do ser e da consciência de um indivíduo, mas qual desses cursos pode garantir que os novos formandos estão plenamente cientes da essência de um trabalho holístico? Mais ainda, qual desses cursos de formação pode garantir que tais pessoas vivam dentro dessa consciência? Claro que eles se defenderão dizendo, “Bem, isso não é de nossa competência”, o que até é verdade, como também não é de sua competência formar alguém como um terapeuta holístico. 

Holismo, um despertar repleto de confusões.

Um médico pode ser um terapeuta holístico mesmo que continue atuando na medicina convencional, sem nunca ter participado de uma panaceia chamada “Curso de Formação de Terapeutas Holísticos”, para isso ele tem de incorporar em si mesmo a consciência de que somos unidades compostas por muitas multiplicidades, de que a vida não se encerra apenas no plano físico e de que qualquer auxílio de cura é um paliativo enquanto o paciente não se conscientizar da necessidade de evoluir não só em termos físicos, financeiros e morais, mas também espirituais, conscienciais e energéticos! É preciso que como um seguidor dessa filosofia e consciência ele também entenda que sua própria evolução continua, de que não há uma condição de superioridade com seu paciente porque ele desconhece os termos que o médico domina, mas sim de troca, onde um auxilia o outro a crescer através do seu saber intelectual e sensitivo e o outro auxilia o curador a crescer pelo exemplo de sua dor e sofrimento. Simples assim! E por falar em médicos vejam só o que aconteceu este ano em São Paulo quando o Conselho Regional de Medicina desse estado resolveu testar os recém-formandos do curso, e o que viu foi a maioria esmagadora dos alunos ser reprovada! Foram considerados sem condições de exercer o ofício. Ora, estamos falando de medicina, uma ciência que como é considerada hoje é mais técnica que qualquer outra coisa e onde os alunos, assim como acontece em todo o mundo, são provenientes de famílias abastadas e, em sua maioria, com uma ótima formação intelectual que, teoricamente, embasaria um excelente resultado nesse estudo. Então o que dizer de um trabalho onde tudo é subjetivo e dependente não só do intelecto, mas também de um amadurecimento interior que nada tem a ver com cursos de pós-graduação, mestrados e MBAs? Como se pode certificar o crescimento espiritual de alguém? Como se pode atestar que alguém possui um canal interior conectado com níveis maiores de consciência e mais ainda certificar que usa esse canal de modo maduro e realmente consciente e espiritual?
A sabedoria, o resultado de uma imersão 
nas vivências tanto interiores quanto práticas
Os programas dos tais cursos então são um verdadeiro mercado das pulgas, uma loteria caótica de temas esotéricos e de cura holística, uma verdadeira afronta a uma mente minimamente inteligente. Num programa de até dois anos (“Puxa dois anos!” devem pensar os idiotas que mergulham nessa barca furada!) se encontra desde o curso de formação em terapia floral do Dr. Bach, como o de introdução à técnica do renascimento, o de tarot para o autoconhecimento etc. Uau! Os florais de Bach foram reduzidos a nada por serem “só” 38 flores, o renascimento, a linda terapia respiratória criada por Leonard Orr, foi reduzida a uma técnica de respiração pura e simples. E o tarot então?... Parece que tudo o que se precisa é decorar os significados contidos nas cartas! Quantos estudiosos dedicaram suas vidas inteiras a estudar e se aprofundar em um ou dois desses métodos de desenvolvido interior e cura? Cada um deles conta a trajetória de muitas vidas, o que auxiliou muitas pessoas a crescerem e a compreenderem melhor suas passagens por este mundo! Dr. Bach passou os últimos anos de sua existência estudando as muitas aplicações para suas essências florais o que, aliás, é um processo que continua em andamento no Instituto que leva o seu nome, e autonomamente por terapeutas que se dedicam a pesquisar suas flores! O que dizer então de Stuart R. Kaplan que vem estudando o tarot nos últimos 50 anos? Ele criou até uma enciclopédia sobre o assunto, e afirma que ainda hoje surpreende-se com as revelações dos arcanos tanto quanto com suas possibilidades de aplicação e criação artística!... 

O tarot, como todas as disciplinas ocultas 
e ou holísticas requer observação, 
prática e aprofundamento
Cada uma dessas matérias são oceânicas, e requerem tempo, dedicação, disciplina, e observação. O que essas pessoas acabam fazendo, e o digo por conhecer inúmeros casos, é que ficam pulando de uma técnica para outra conforme as tendências ou necessidades do público que eles conseguem angariar, ou enganar, já que a grande maioria está enganando a si mesmos! Não querem aprofundar nem contribuir nessas áreas do conhecimento em nada! No fundo são só capitalistas que não fizeram um despertar interior de fato! Estão seduzidos, alguns, pelo apelo de fazer parte da Revolução Silenciosa que é o que vem a ser Nova Era, enquanto outros são só oportunistas que viram nesse trabalho um novo nicho a ser explorado. Enquanto isso multidões de pessoas vão sendo atendidas por esses profissionais e saem desses encontros com resultados pífios, respostas confusas e com a forte impressão de que “essas coisas não funcionam mesmo!”. Um terapeuta holístico não é feito de formatação pedagógica, nem de certificados, mas sim de histórias de vida e experiências cheias de retificações que o levam a desenvolver um trabalho consistente e único! Ou seja, não nasce da noite pro dia. Não é formado, mas iniciado no sentido mais elevado da palavra, não é graduado é desperto, não é alguém que exerce uma técnica, é alguém que aplica um conhecimento com tanta paixão, dedicação, seriedade e reflexão que se torna, enfim, um sábio! E, sobretudo, é alguém que sabe que a sabedoria não é um título que se ostenta como uma medalha, ou um diploma na parede, é uma consciência que salta quando se conta a história de uma vida e quase sempre quando ela está perto do fim.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Intuição - A Chave Interior


A intuição permite a revelação não linear
de um conhecimento ou mistério.
Atualmente a psicologia define a intuição como um processo seletivo involuntário em que reunimos informações que foram absorvidas pelo subconsciente, e que na hora certa “saltam" para a percepção. Interessante notar que essa visão psicológica abre também uma perspectiva para a possibilidade de que o inconsciente tenha reunido essas informações não só nessa vida, mas também em outras vidas dando, de certa forma, fundamento para as alegações dos espiritualistas que dizem que uma alma quando desenvolve excepcionalmente bem certo conhecimento é porque o traz de algum modo formulado, ou amadurecido, de vivências pretéritas! Segundo essa teoria o inconsciente não reconhece os limites do ego.
Ainda assim isso nada tem a ver com a intuição espiritual. Nesse tipo de intuição acessamos informações que não tivemos acesso (nessa ou em outras vidas) de modo claro e alheio a nós mesmos em sua manifestação. Por isso que geralmente ela ocorre com o intermédio de seres do mundo espiritual, guias, mentores, mestres ou seres elementais que podem atuar de modo velado por muitos e muitos anos, e que se revelam dentro do processo de amadurecimento espiritual do Buscador!
Rabindranath Tagore conta que certa vez, passeando de barco pelas águas do rio Ganges, viu um peixe vir à superfície para apanhar alguma coisa, um inseto ou um fruto. Quando o animal girou o corpo para mergulhar novamente, suas escamas prateadas refletiram o céu límpido daquela tarde ficando totalmente azuis, espelhando o céu luminoso. Um espetáculo de beleza natural! O grande poeta indiano então concluiu: “A intuição deve ser isso, algo que emerge das profundezas da alma e que por um momento reflete o infinito…” Essa é com certeza a mais bela afirmação sobre o processo intuitivo que eu já li em toda a minha vida! O difícil mesmo é saber como ela opera em cada pessoa, tamanha é a sua particularidade, a sua pessoalidade. O tarot é um dos instrumentos que melhor exercita e desenvolve a intuição. Uma vez aberta as portas dessa percepção elas nunca mais se fecham, a intuição passa ser a chave com a qual abrimos sempre a consciência quando precisamos de orientação, e não apenas numa consulta ao tarot!
A intuição é o lampejo de uma luz interior
que nada tem a ver com o intelecto.
Os tarólogos por sua vez também demonstram diferentes maneiras de lidar com a sua própria intuição, por isso conhecer seus estilos de jogo é um meio fascinante de se aproximar do modo como a sua intuição funciona, muito embora isso seja, e será sempre, um mistério!
Conheci certa vez uma taróloga que se utilizava apenas dos arcanos maiores em suas leituras, e que para iniciar uma consulta pedia que se desse um tema para ser trabalhado, algo como amor, dinheiro, projetos etc. Então ela pedia que se tirasse certo número de cartas do maço com vinte e dois arcanos e as colocava sobre a mesa de modo aparentemente aleatório, desenhando formas geométricas exóticas. Conforme as perguntas evoluíam, ela mudava a disposição das cartas, nunca repetindo a sequência. Impressionava-me bastante ela revelar fatos subjacentes ao tema escolhido dos quais eu tinha conhecimento, mas que não havia revelado. Elogiei sua acurada percepção e perguntei como ela decorava tantos modos de deitar as cartas. Ela me olhou calmamente e disse que não decorava, que as cartas eram mesmo postas aleatoriamente e que cada posição não tinha um significado pré-estabelecido. Os desenhos simplesmente apareciam em sua mente e ela os colocava sobre a mesa, os significados então se abriam… Fiquei estupefato! Foi a forma mais estranha de ler as cartas do tarot que já tinha visto.
Uma amiga de muitos anos usa as cartas de um modo mais disciplinado e tradicional, combinando um arcano maior a um menor na leitura. Tem por hábito utilizar-se da mandala astrológica em suas sessões e já “trocamos figurinha” como eu costumo dizer. Intriga-me também o quanto de informação ela pode tirar da combinação de duas cartas, sem fazer outras relações com casas correspondentes, por exemplo, ao passo que em outras não saía mais do que uma frase.
Para mim foi um longo caminho de descoberta, experimentei muitos métodos de ler as cartas, tanto para mim mesmo quanto para os outros. Atualmente eu as leio com as setenta e oito cartas misturadas, arcanos maiores e menores. Lendo assim, os arcanos funcionam como letras que ao serem combinadas, formam frases claras e precisas em minha mente. A predominância de um ou outro naipe revela o elemento dominante e a direção psicológica de quem se consulta. A falta de um naipe também me é muito reveladora. Sinto assim o peixe da minha intuição emergindo das profundezas da minha alma! E é muito prazeroso e satisfatório, e não só para mim…
A chave da intuição deve ser descoberta por cada um sem interferências externas, ouvir autores e professores é um bom modo de se iniciar, mas não pode ser o fim de um processo. O que é anunciado como o melhor e mais eficiente método é, na verdade, o caminho que fez com que aquele professor ou autor encontrasse a chave da sua intuição, mas que não deve nunca invalidar a descoberta de cada um. Conhecer o meio pelo qual acessamos a sabedoria do inconsciente coletivo através da intuição é um passo importante no caminho do autoconhecimento e autodesenvolvimento. O que requer tempo, paciência e muita auto-observação.

Nota: Os dois primeiros parágrafos deste texto foram acrescentados ao texto original publicado no Blog Tarólogos.com em julho de 2009. 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Consulta a um Tarólogo


"Faço meus pacientes entenderem que tudo o que lhes acontece contra a
vontade deles é fruto de uma vontade superior. (...) Deus nada mais é
do que essa força superior em nossa vida".


"Tudo o que aprendi levou-me, passo a passo, a uma inabalável convicção sobre a existência de Deus. Eu só acredito naquilo que sei. E isso elimina a crença. Portanto, não baseio Sua existência na crença (...) eu sei que Ele existe". 

C.G. Jung; "Entrevistas e Encontros". Ed. Cultrix.

É justamente nesses momentos em que nosso ego sofre com essas adversidades descritas por Jung, que a consulta ao tarot avulta-se como uma possibilidade. E com tantas ofertas no mercado, e com tanta gente curiosa para saber como funciona uma entrevista oracular, decidi escrever este texto sobre o trabalho com o tarot e passar umas dicas, aos que ainda não conhecem, como funciona um mergulho neste fascinante sistema simbólico!

Tarólogos e seus métodos

Isso é o mais importante se você ainda não consultou um profissional do tarot! Procure saber como ele(a), trabalha com as cartas. Hoje em dia há de tudo! Há profissionais (como eu) que gostam de fazer uma leitura geral antes de ir para as perguntas. Uma leitura prévia dos aspectos gerais da vida permite com que se monte o quebra-cabeça interior de quem se consulta. Para o tarólogo é o momento em que ele conhece o consulente mais profundamente, e para o próprio cliente é uma incrível oportunidade de autoconhecimento. Essa visão dos planos físico, emocional, mental, espiritual e ou energético no momento da entrevista, que se refletem pura e simplesmente pela sincronicidade que há no fato de se puxar as cartas, elimina o direcionamento do raciocínio para a situação, e a visão que se obtém é integrativa. Assim podemos ver do que trata o momento da psique e do mundo prático de quem se veio para a sessão!

Consulta ao tarot, uma possibilidade de reflexão sobre o momento,
autoconhecimento e de avaliação das probabilidades futuras.

Há também aqueles profissionais que gostam de trabalhar com perguntas formuladas previamente ao oráculo. Nesse caso os que operam dessa maneira alegam que se pode ir direto aos questionamentos sem “perder tempo” com sistemas que ampliam muito, e que podem levantar questões que o consulente não está disposto a ver ou trabalhar no momento. De fato isto pode acontecer, alguns sistemas de leitura falam de aspectos subjacentes como amigos, irmãos, viagens e comumente o cliente ao fim diz: “Isto tudo está certo, mas eu só vim para saber disto”, apontando para um tema específico da interpretação! Por um lado eu não considero isto uma perda de tempo, pois como já disse há a possibilidade de uma visão integrativa do cliente. Por outro lado é claro que cabe ao tarólogo escolher um método de leitura não tão evasivo! De qualquer forma leituras com perguntas podem tornar a consulta mais rápida e enxuta. Fique livre para experimentar!
Por fim há aqueles que transformam a consulta num bate papo, onde perguntas não são formuladas pura e simplesmente, o tarólogo ainda pede que o cliente conte um pouco da situação que o levou até aquele momento, quer ouvir um pouco da história da pessoa, ele mesmo faz perguntas ao cliente que acha necessárias... Lamento dizer que isso parece mais um enrolation nada intuitivo onde entram tanto a dedução lógica quanto o julgamento de quem está lendo as cartas! Não sei de ninguém que tenha experimentado uma sessão dessas, mas já vi isto nos blogs e sites pela internet a fora, e estou apenas relatando que existe!

Autoconhecimento ou Divinação?...

Eis a questão! O cisma está formado e embora eu ache que o melhor é andar sempre no caminho do meio, há aqueles que vivem na divisão e a perpetuam! É importante você saber da filosofia que rege o trabalho do tarólogo que você escolheu.
Os adivinhos dizem que as pessoas precisam mesmo é de direções práticas para seguir na vida, e que o tarot pode sim desvendar os desígnios futuros, além das vivências passadas e presentes, como também aconselhar com sabedoria. De fato, nem mesmo Jung e seus seguidores desabonaram as previsões. Falando sobre os sonhos ele diz: "Os sonhos algumas vezes podem revelar certas situações muito antes de elas realmente acontecerem".
O fato é que um enfoque demasiado nas previsões entorpece a capacidade de se tomar decisões baseadas no próprio arbítrio, que é justo de onde podemos extrair forças para mudar o que nos desagrada. Os que fazem previsões com frequência, e com grande número de acertos, acabam se convencendo de que as coisas são o que são! Ou seja, viram fatalistas! Sem falar dos egos de alguns desses adivinhos que tendem a se inflamar ao ponto de se considerarem senhores do destino, da vida e da morte.
Os que acolhem a abordagem de autoconhecimento preferem avaliar mais o presente e sondar possibilidades de ação. Se fizer isso dá naquilo, e assim por diante. Não gostam de perguntas sobre o futuro nem de “marcar” outras pessoas na leitura. Acumulam as teorias de outras abordagens psicológicas, como a freudiana, e sondam a influência de pai e da mãe no comportamento e nas vivências do presente. Sobre isso posso dizer que o pêndulo pode ir longe demais quando toda essa análise feita através do símbolo cria o mesmo vício cerebral das técnicas psicoterapêuticas, de se buscar explicações para tudo, muito com base em conclusões sobre o passado, afundando cada vez mais o indivíduo na mente e na estrutura do ego. Psicologia é para psicólogos! De modo geral a psicologia como sistema de cura mostrou-se falha ao estimular as pessoas a centrarem-se muito em si mesmas e tornarem-se demasiadamente críticas a tudo o que não é do “eu”, estimulando pouca capacidade de empatia afetiva ou espiritual. Sem falar que toda essa postura “científica” oculta, muitas vezes, a própria incapacidade de certos tarólogos de confiar ou acessar o manancial intuitivo interior, e ou o seu medo arraigado do ilógico e do inexplicável! A capacidade de lidar com o desconhecido é da natureza dos místicos, e vemos que o próprio Dr. Jung lidava bem com isso, como mostra a citação que inicia este texto!
Aos adivinhos resta perguntar: “Não viram o salto que a humanidade deu em termos de evolução cultural-espiritual onde tudo aponta para a autorresponsabilidade na criação de muitas partes do que conhecíamos como destino?” Aos tarot-terapeutas resta perguntar: “Se até indivíduos como C.G Jung aceitam o místico, o sagrado e o incognoscível da vida, por que há tarólogos  que o negam ou resistem a eles?” e, por fim, a ambos cabe perguntar: “Se o tarot é tudo isso que vimos acima, por que não vencer os próprios limites pessoais e explorar essas duas possibilidades de aplicação?”.

Como saber?

Sim, eu sei que todas essas sugestões e informações podem ter deixado você aturdido, mas aqui vale o conselho mais antigo do mundo: sempre procure um profissional por indicação de alguém em que você confie. Outro caminho que costuma não falhar nesses tempos de mídia eletrônica é o de procurar um profissional que tenha um site ou blog onde é de hábito se explicar detalhadamente como funciona as sessões de leitura, horários, tempo de atendimento e até, em alguns casos, valores. O mais positivo disso tudo é que quer você concorde ou não com os tópicos abordados aqui, ou com a maneira como foram abordados, o fato é que encontrará exatamente o que precisa, pois a diversidade, que é a marca registrada da vida, se expressa muito bem no tarot e nos serviços que derivam dele.
Reflita sobre isso e boa sorte!


O que há para ler?

Jung, o Místico. De Gary Lachman.
Editora Cultrix. São Paulo, 2012.