quinta-feira, 15 de março de 2012

Arcanos Menores - Os Mensageiros da Alma

Os arcanos menores são o conjunto de 56 cartas, divididos em quatro grupos que podem corresponder ao simbolismo dos quatro elementos e que também se aplicam à natureza da psique humana. Como alguns pesquisadores propõe, os quatro naipes podem representar ainda as quatro estações do ano, e as classes sociais da Idade Média, entre outras analogias.
O naipe de paus representa a primavera e o desabrochar da vida. O naipe de copas o verão e a florada das emoções humanas. O naipe de espadas o outono com sua força de “fazer aparecer a verdade” e mostrar as coisas por dentro ou como são na realidade. E, por fim, o naipe de ouros o inverno, a estação onde se colhe e experimenta os frutos semeados ao longo do ano. É o naipe da riqueza ou do infortúnio dependendo do trajeto feito pela consciência! Seja como for esse naipe sempre sugere crescimento, amadurecimento e aprendizado de algum modo. Curiosamente um ano de 365 dias é dividido em 52 semanas que se subdividem pelas quatro estações. Logo, 52+4=56... Coincidência? As coincidências podem não significar nada para a mente lógica, mas dizem muito a mente imaginativa e intuitiva, e exercícios como este podem ajudar bastante a ampliar o escopo de relações entre o tarot e os ciclos da natureza. O que serve muito bem para definir períodos de tempo numa sondagem sobre um evento futuro, por exemplo. 
Paus é o símbolo dos camponeses que empregavam grande força e energia física em suas atividades e celebravam as estações com ritos agrícolas. Copas representava o clero que consagrava as uniões matrimoniais (era costume os casamentos serem feitos no verão) ao amor de Deus. O exército e a realeza eram simbolizados no naipe de espadas. No outono, a estação do naipe de espadas, as colheitas eram realizadas e a divisão entre o que era do agricultor e o que era do reino era feita com base em leis bem estruturadas, e severas, que eram outorgadas pelo rei e executadas pelos militares! Por fim o naipe de ouros era a poderosa classe dos comerciantes burgueses que ascendiam ao poder com grande capacidade de influenciar as leis e decisões reais. 

As quatro estações como estágios da evolução humana 
e seus diferentes níveis de personalidade.

Equivocadamente alguns tarólogos subjugam os arcanos menores a um papel secundário nas leituras. Chegam a afirmar categoricamente que o arcano maior define o sentido da leitura (quando as cartas são jogadas em pares, onde um arcano maior é seguido por arcano menor). O que quer dizer que se um arcano maior muito positivo como O Sol sair com um arcano menor muito negativo ou desafiador, como o 5 de ouros, o resultado não será tão ruim porque o simbolismo do arcano maior predomina... Baseado em que se convencionou isso? No Brasil se popularizou um sistema de leitura que combina sempre um arcano maior a um menor numa jogada. Eu já joguei assim e confesso aqui que o fazia por não ter muita segurança sobre o significado das cartas dos arcanos menores. É como andar numa bicicleta amparada por rodinhas, um ótimo recurso para crianças, mas algo bem idiota para um adulto! Menor não quer dizer menos importante. Significa apenas que o simbolismo dessas cartas é mais específico dentro dos elementos que elas representam no baralho. Enquanto os maiores permitem mais desdobramentos nos seus significados. A utilização do baralho completo com os arcanos dos dois conjuntos misturados, e usados assim durante toda uma sessão de análise dos símbolos, me parece mais justa e igualitária, além de fornecer uma leitura mais limpa, direta, objetiva e infinitamente mais precisa, sem tantas cartas na mesa! 
Os elementos relacionados aos naipes evocam suas características psicológicas dentro da personalidade humana e nas características de suas atividades:

Paus – O fogo é a ação, o empreendimento. O fogo das batalhas para a conquista de algo quer seja um objetivo material, um relacionamento, ou uma disputa esportiva. Confere força, disposição, agilidade e dinamismo. Como as labaredas estão sempre em movimento, esse vem a ser o naipe das viagens, da mudança e da evolução em todos os sentidos. Devemos lembrar que a descoberta do fogo pelo homem primitivo foi o passo que o e elevou acima de todos os outros animais da natureza! A energia física em sua expressão máxima também está sob sua influência. O fogo transforma a natureza das coisas e forja instrumentos através dessa transformação, por isso paus é o naipe da criatividade e do novo e da impaciência para a execução do que se apresenta. Os atributos da claridade o seguem, sendo por isso o naipe dos líderes e dos iniciadores.

Copas – A água, aquela que vai da superfície às profundezas. A dimensão do sonho, do oculto e do mistério da vida. Tudo o que é sagrado, místico, mediúnico (no sentido de mediar uma interação entre dois mundos), pertence ao naipe de copas. Por essa mesma relação rege também os sentimentos e os ideais humanos mais “profundos”. O amor e o sexo, onde literalmente “um penetra no outro” profundamente, são atributos deste naipe. O aspecto subjetivo da vida também é regido por ele. Todos queremos amar, por exemplo, mas todos amamos de modo diferente uns dos outros. Todos queremos ser felizes, mas o que nos faz felizes varia imensamente de pessoa para pessoa. Essa é a dimensão da água, onde a posição do observador permite ver reflexos diferentes que se espelham em sua superfície.

Espadas – O ar que seca a umidade, varrendo para longe a subjetividade. A busca pela verdade e pelo que é correto para todos. Enquanto a água une o todo pelo sentimento o ar une pela “aspiração” da verdade e da justiça para uma vida comunitária ordenada. Os primeiros conhecimentos foram passados oralmente, ou seja, a fala, as trovas, canções e mitos são atributos do ar em movimento em nossas gargantas que preservaram muitas culturas. Tudo o que nos é passado pelos pais, escola, amigos e sociedade em geral é um atributo do naipe de espadas. Tudo o que é conceitualizado e padronizado intelectualmente pertence a ele e poderá ser preservado de modo dogmático, ou reinventado de modo vanguardista conforme a necessidade ou maturidade de cada consciência.

Ouros – A terra, o corpo do planeta em que habitamos. Sua maior característica é a junção dos outros três elementos para compor a existência. A energia física e a disposição para vida do naipe de paus deve se unir a capacidade de sentir e sonhar o que vem a ser a própria felicidade, como o faz o naipe de copas, para depois acrescentar os aspectos críticos da mente de espadas. Assim os excessos são retirados e refletidos mais objetivamente para que então se alcance a realidade, o terreno onde tudo acontece! A realidade é um atributo do naipe de ouros. Também o é a solidez do corpo e suas necessidades, a densidade da vida material em seus aspectos de aquisição, posse e lucro. O comércio, as negociações (tanto materiais quanto afetivas), a manifestação, a construção e o desfrute da existência em sua totalidade! 

A interação entre todos esses naipes nos fornece a maravilha que só o tarot proporciona: a capacidade de revelar o universo interior de cada um de modo muito preciso. Com isso somos capazes de visualizar através dos símbolos o que sentimos de algum modo diariamente, de que todos vivemos a mesma realidade, mas a pensamos, sentimos, agimos e reagimos de modos diferentes uns dos outros, porque cada um de nós tem seus próprios papéis a cumprir na vida, e o tarot nos possibilita reconhecer esses papéis.

Cartas da Corte

Os arcanos menores dividem-se em dois grupos: o das cartas da corte e o das cartas numeradas. As primeiras atuam mais no nível psicológico da personalidade e as seguintes no nível prático dos acontecimentos e do que eles despertam em nós.

Aleister Crowley


Na antiga Ordem da Aurora Dourada, Golden Dawn, as cartas da corte foram associadas a elementos conforme a distribuição das quatro primeiras letras do nome de Deus, o Tetragrammaton. Os reis foram atribuídos ao ar por sua lógica estratégica. As rainhas ao elemento água por sua sensibilidade imaginativa. Os cavaleiros ao fogo, por sua impetuosidade e espírito aguerrido, e os valetes à terra, por representarem o chão onde as novas sementes (ideias, planos, etc) frutificarão. Nesse tempo da história do tarot muitos autores distorceram o seu simbolismo para que ele coubesse em sistemas mais antigos como a cabala. E nesse caso isso aconteceu de novo! No Tetragrammaton a primeira letra do nome de Deus yod corresponde ao fogo, a segunda letra he corresponde à água, vau ao ar e o último he ao elemento terra. Como vimos o fogo corresponde aos cavaleiros. Por isso em seu baralho, o Thoth tarot, Aleister Crowley colocou os cavaleiros na posição dos reis, antes das rainhas e iniciando a série de cartas da corte, enquanto os próprios reis foram rebaixados a príncipes. Essa arbitrariedade não influencia o significado das cartas. Caso você se utilize do baralho Thoth use as cartas como qualquer outro baralho, ignore essa excentricidade!

O Tetragrammaton, as quatro letras do nome sagrado e indizível de Deus. Lidas da direita para a esquerda (do modo hebraico e oriental como um todo): yod (fogo), he (água), vau (ar) e o último he (terra).


A partir deste método proposto pelos magos da Golden a relação entre os elementos ficou muito interessante, fornecendo uma rica combinação entre si.  Os reis sempre preservarão o elemento ar (seu regente), mas o combinarão com o elemento do naipe a que pertencem. Possibilitando a formação de uma ideia bem clara sobre a personalidade proposta no arcano. Fica assim:


O Thoth Tarot de Aleister Crowley, a sequência das cartas da corte alterada em função das letras hebraicas: Cavaleiro, rainha, príncipe (rei) e princesa (valete).

- Rei de paus = Ar do fogo. Rei de copas = Ar da água. Rei de espadas = ar do ar. Rei de ouros = Ar da terra. 

- Rainha de paus = Água do fogo. Rainha de copas = Água da água. Rainha de espadas = Água do ar. Rainha de ouros = Água da terra. 

- Cavaleiro de paus = Fogo do fogo. Cavaleiro de copas = Fogo da água. Cavaleiro de espadas = Fogo do ar. Cavaleiro de ouros = Fogo da terra. 

- Valete de paus = Terra do fogo. Valete de copas = Terra da água. Valete de espadas = Terra do ar. Valete de ouros = Terra da terra. 

Observe que sempre um arcano terá seu elemento dobrado, são eles: Rei de espadas, Rainha de copas, Cavaleiro de paus e Valete de ouros. O que indica uma clara acentuação de determinadas características e a debilidade de outras. O Rei de espadas (Ar do ar), por exemplo, não possui os elementos fogo, água e terra. O que denota uma personalidade dominante, firme, inteligente e organizada, com claras tendências para liderança, mas com pouca sensibilidade empática (água), baixo senso de limites (terra), e um tanto fria e sem espontaneidade (fogo). Tudo isso é bom para algumas coisas e muito ruim para outras!  E assim o é para com todos os arcanos da corte! 
Agora vamos vê-los em suas expressões de modo mais abrangente, definindo o que eles trazem para dentro das famílias de cada naipe a que integram:

Reis (Ar) – São os racionais. Costumam representar os líderes e administradores de cada elemento. São, de certa forma, controlados e controladores. Possuem a missão de reunir e organizar o que estava disperso de algum modo. Criam os planos e medem as consequências de tudo, criando as bases para que outros possam seguir por um novo caminho ou se beneficiar de sua criação. São os pesquisadores que conhecem a fundo alguma coisa segundo a regência de seus naipes. Representam os pais.

Rainhas (Água) – São as emotivas e sensitivas de cada naipe. Elas avaliam sempre o elemento humano, segundo as características de cada naipe a que elas se relacionam. Sua função é conservar o que foi criado ou o que existe há muito (a tradição). São acolhedoras, ouvintes, profundas e um tanto alienadas de si mesmas. Vivem a realidade sempre de uma perspectiva mais interior e ligada aos seus valores. São as artistas influenciadas por seus respectivos naipes. Representam as mães.



Cavaleiros (Fogo) – Os guerreiros de cada elemento. Trabalham melhor com metas pré-estabelecidas e bem definidas. Gostam de se empenhar ao máximo ao realizar qualquer coisa. Como são os representantes do temperamento juvenil, eles são apressados e idealistas, não medem consequências dos seus atos a longo prazo. Cada cavaleiro traz força para a leitura e para as demais cartas ao redor. São os portadores da energia para mudar uma realidade.



*Valetes (Terra) – As crianças ou aprendizes. Esses estão sempre abertos a conhecer pessoas, situações e coisas estranhas ou simplesmente diferentes! São os seguidores do novo, o seu problema é não ter consistência o suficiente para levar adiante o que se apresenta. Assim como as crianças, que devem ser bem cuidadas para que se criem, os valetes trazem novidades e perspectivas que devem ser desenvolvidas cuidadosamente para que não se percam!

Observe que há uma circularidade no simbolismo das cartas da corte! Depois da energia incipiente e inorganizada do valete fecha-se o círculo que volta para o rei que ordenará tudo a fim de ser usufruído por todos

Cartas Numeradas

As cartas numeradas são os estágios de desenvolvimento da energia de cada naipe, expressões arquetípicas que se evidenciam no cotidiano de modo muito significativo e reconhecível para aquele que se consulta. Essa relação entre imagens e números é que torna todo o arcabouço simbólico do tarot muito inteligente e coerente! As imagens e cores relacionam-se com o inconsciente, enquanto os números e as palavras atuam de modo mais efetivo no consciente. O tarot permite então uma abrangência de visão e conscientização muito grande ao ser disposto numa leitura, tornado-se o mediador entre o mundo consciente e inconsciente de modo lúdico e profundo ao mesmo tempo!

O Um – (Ases). A grande força motriz que expressa todo o poder e natureza do elemento enfatizado pelo naipe. Traz grande influxo interno e externo para que algo aconteça ou se manifeste. São os começos impactantes que sinalizam mudanças ou inícios grandiosos.

O Dois – A percepção do outro e a atração natural exercida entre duas forças compatíveis ou até mesmo antagônicas. A assimilação ou adaptação ao outro ou ao que está fora de “eu”. Adaptação, entretanto, não significa corrupção interior, mas justamente o contrário! É a arte da permanência interior mediante a influência alheia.

O Três – A expressão concreta da energia de cada naipe no mundo físico. Explicando de outro modo seria a expansão súbita de uma energia como uma explosão, ou uma ação do tipo “Algo tinha de ser feito!” e que prospera a partir disso.



O Quatro – Os estabilizadores. Servem para concentrar a energia de cada naipe com o objetivo de realizar ou preservar algo. Sua influência atua no sentido de trazer calma, centramento e fluidez, mas podem paradoxalmente levar à estagnação! 

O Cinco – A crise. As forças estáveis do quatro são dissolvidas ou rompidas de modo brutal no cinco. Este forte abalo pode levar a consciência à reflexão, ou a olhar para o mundo ao seu redor estabelecendo uma ponte para entender os sinais que ligam o indivíduo ao todo.

O Seis – A reintegração. Enquanto o dois fala de uma conexão mais próxima e particular o seis propõe uma interação mais coletiva ou social mesmo! O indivíduo se pretende inserido num contexto social ou familiar para restabelecer seu equilíbrio perdido.

O Sete – O número da profundidade também sugere um excesso. É o ir além do que foi visto ou conquistado, testar os próprios limites, ou perdê-los de vez! Propõe desafio, superação e refinamento da percepção interior.


Tarot, cabala e números, numa interação muito ilustrativa 
e enriquecedora em termos simbólicos.

O Oito – O reajustamento. Depois do excesso do sete o oito traz um movimento radical para colocar as coisas no seu devido lugar. Sendo este também o número de A Justiça, seria o "equilibrar os pratos da balança" de modo assertivo e contundente.

O **Nove – A expressão de uma energia atinge o seu ápice, o que pode trazer grandes gratificações e ou grandes sofrimentos. O nove é o número máximo entre os dígitos, simbolizando maturidade ou decadência conforme cada naipe.

O Dez – Os dez reúne a perfeição do divino (0) com a inteireza do mundo físico (1), o que pode trazer realizações ainda maiores que os nove, e até mesmo a transcendência do nível humano e individual, ou a derrocada como uma forma de induzir a uma reciclagem do que não foi bem aproveitado internamente. 
Uma tradução possível para a palavra naipe vem do árabe naib, que significa mensageiro. Uma linda palavra que a meu ver faz um sentido absoluto com a função dos arcanos menores numa leitura. Eles trazem mensagens sobre a vida prática de quem se consulta de forma muito detalhada e específica, permitindo uma pronta identificação consciente do que está sendo revelado na leitura. São os mensageiros da alma humana, traduzindo o modo como está sendo vivido cada aspecto mais palpável da vida e o modo como isso está influenciando a evolução pessoal.

*Os valetes também são chamados de pajens ou princesas (o elemento terra também é feminino), outra inovação do Thoth tarot de Aleister Crowley, e esta sim foi muito bem vinda! Enquanto os reis são o aspecto maduro do masculino, os cavaleiros são o aspecto juvenil. As rainhas ficaram sem seu correspondente jovem, o que foi corrigido com essa modificação.

**Qualquer número somado ao nove volta a ele mesmo 9+5=14 1+4=5. E qualquer número multiplicado por ele não o ultrapassa 6x9=54 5+4=9. Assim o nove vem a ser o número do pico mais elevado da maturidade e realização humana.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O Naipe de Paus - A Energia do Fogo

O fogo é o mais imaterial dos elementos. Não pode ser medido ou tocado. Ele simplesmente existe ou não e seus efeitos podem ser apenas controlados ou evitados. A interação direta com o fogo muda a natureza química das coisas ou as destrói. É por excelência o elemento da mudança, do movimento e da evolução. Suas labaredas sempre buscam o mais alto até se consumirem. Possui um caráter libertador profundamente inserido no inconsciente coletivo da humanidade. Quando o homem primitivo descobriu o fogo ele irrompeu com o temor da escuridão e com o cerco dos predadores que, aproveitando-se da cegueira noturna dos seres humanos, o tornaram uma de suas presas favoritas. Os próprios animais selvagens têm medo do fogo e de caça passamos a caçadores e predadores vorazes. O fogo também é o símbolo do otimismo, da vontade inflamada e aguerrida, dos embates e do drama das empreitadas. Esse é o elemento da autoconfiança, da valentia, da ousadia e do poder ígneo que habita dentro de nós.
Ao redor do fogo os homens se reuniam para decidir os destinos dos clãs ou para comemorar casamentos e nascimentos, além dos ciclos sazonais da terra, como solstícios e equinócios. Foi com o fogo que o homem aprendeu a cozinhar os alimentos e a forjar armas e instrumentos. Os primeiros artesãos usavam de muita energia física para realizar seus trabalhos. Os rituais de colheita e de celebração ancestral também exigiam isso, por isso o fogo é o elemento da criatividade e de todas as atividades físicas, dos esportes ao sexo. 
O calor do fogo convida desde tempos imemoriais a humanidade a se encontrar ao redor de suas chamas, é um elemento de aconchego, ternura, carinho e intimidade, desde que não muito prolongada ou restritiva. Expressar-se é uma necessidade do fogo e quando contido se apaga. No tarot é representado pelo naipe de paus que abrange todas as características antes citadas. Sua simplicidade de atuação o faz ser um naipe cativante sob todos os pontos de vista.  Por outro lado o não ser contido indica pressa e impaciência com ritmos mais suaves ou lentos, assim como confere um tom mais ríspido ou dramático nas suas colocações. As personalidades ígneas são pequenas fogueiras personalizadas que exigem que os outros se reúnam em torno de si, ou seja, querem atenção e exigem ser atendidas!  Muito embora tenham por costume dar o mesmo tipo de cuidado. Assim como o fogo é destruído ao ser contido de alguma forma, os obstáculos para realizar qualquer coisa aniquilam o seu interesse em levá-los adiante! As cartas numeradas de 1 a 10 são uma alegoria da trajetória de nossa própria ação criativa no sentido de mudar ou evoluir.

Rei de paus – O ar do fogo. O líder incentivador, aquele que ergue a plateia e a inspira a fazer algo. Cativante, sedutor e inspirador. É defensor dos mais fracos, mas prefere ensinar a pescar a dar o peixe. Tem o poder de ser e fazer o que quiser pela simples confiança em si mesmo. É forte, másculo e empreendedor, sabe se tornar o centro das atenções. Representa uma saída vigorosa para a luz da vida.


Rainha de paus – A água do fogo. É terna, generosa, carinhosa e muito sensual. Ama o lar, a família, e os amigos e sente uma compulsão em cuidar deles e defendê-los (mesmo que não lhe peçam ajuda). Compartilha tudo o que tem de melhor. Acredita que a vida é uma troca em que quanto mais se dá, mais se recebe. Não guarda nem segredos, nem vantagens, pois também crê no seu poder, como o seu rei.


Cavaleiro de paus – O fogo do fogo. É intenso, envolvente e arrebatador, ama a ideia de sucesso e evolução em todos os sentidos. Gosta de focar-se para fazer qualquer coisa e aprecia a mudança. Acredita que tudo sempre pode ficar melhor e que nada é impossível, sua atenção está sempre voltada para as qualidades luminosas. Sua sombra é a do jovem bruto, arrogante, impaciente e sem vínculos.


Valete de paus – A terra do fogo. Um corpo cheio de energia. Alegre, irrequieto, ousado, mas despretensioso. Gosta e precisa expressar-se criativamente, assim como movimentar-se em coisas como dança, teatro, exercícios ou esportes. Ama o aspecto lúdico da vida e faz o tipo que “não esquenta a cabeça”. Odeia restrições e regras. Tem grandes ideias, mas não se apega a elas. O novo e o criativo o excitam. Sua sombra é a do irresponsável e imaturo.


Ás de paus – O contato com a fonte. A conexão com o poder ígneo dentro de nós, a força criativa e fertilizadora em todos os sentidos. Os novos começos impactantes e realmente transformadores. A força renovadora do fogo que muda o próprio ser tanto quanto o mundo ao seu redor. Disposição e força transbordantes. Energizar, vitalizar, iluminar.


2 de paus – Pleno domínio de si mesmo e ou de uma situação. Estar pleno de força e energia para iniciar algo. Prontidão para agir. Avaliação das possibilidades presentes e a capacidade de responder prontamente a partir de um centro interno de direção, algo como alguém que sabe o que quer e como fazer para alcançá-lo. À espera apenas por uma oportunidade.


3 de paus – Experienciar o novo. Uma saída para o radicalmente novo como uma forma de expandir-se e testar a si mesmo. Encontro de um caminho que leva ao desconhecido. Uma abertura para novas possibilidades e oportunidades. Possibilidade de mudança ou viagem à vista. Ver a si mesmo dentro de uma situação diferente ou oposta a tudo o que já foi vivido.


4 de paus – Unir-se a outros para realizar algo. Nesse arcano a força de um só não basta, a união com semelhantes é o caminho natural. Intensa troca entre parceiros, muitas vezes até simbiótica. Grupos de apoio, ou terapia, trabalhos em grupo, parcerias. Pode até indicar uniões amorosas e ou familiares com uma interação para além do comum. Sua sombra é o da individualidade que é sufocada pela demanda do grupo.


5 de paus – O que antes funcionava perfeitamente bem agora começa a ficar disfuncional. O fogo foi contido e começa a morrer! Frustrações, as coisas não saem mais como se gostaria, atrasos, demora e um descontentamento evidente com o andar dos acontecimentos ou com o fato de se estar envolvido numa determinada situação. É o arcano dos conflitos e da dificuldade de andamento das coisas.


6 de paus – Vitória e sucesso indubitável. Os conflitos passados foram vencidos e o indivíduo se ergue vitorioso e autoconfiante. A confiança em si mesmo, nos seus méritos e merecimentos encontra aqui o seu ápice mais elevado! Êxito brilhante, o encontro com o aplauso dos outros. Fama. A sua sombra é a dependência do sucesso e do reconhecimento alheio que acaba com a autoconfiança. Orgulho. O sucesso vem e vai, aceite isso!


7 de paus- O desejo de auto-superação. O showman, aquele que quer ir além dos próprios feitos. Trabalhar, vencer e construir mais que qualquer um. Chega muito perto do próprio limite para mostrar algo ao mundo ou a si mesmo. O fazedor. Não crê que outros façam se ele não fizer, ou que façam tão bem quanto ele. Sua sombra é a profunda insatisfação consigo mesmo e seus feitos. O recordista do Guinness, tem de fazer algo estranho e extremo para ser notado ou não se sentir um inútil. Estresse, ansiedade.


8 de paus – A tensão subitamente se desfaz, um esclarecimento interior traz outra perspectiva sobre a situação antes vivida. Como um músculo retesado ao máximo que de repente descontrai. Abertura, viagem, mudança, tudo rápido e repentino que exige uma abertura interior a nova situação. O movimento de um estado de ser para outro ou de um lugar para o próximo.


9 de paus – A nova situação possibilita o reconhecimento do tanto de energia que se estava usando em coisas pouco gratificantes ou de pouco sentido, quer seja um casamento, uma amizade, trabalho ou ideal. Surge a percepção do quanto se estava lutando e se esforçando de modo solitário. Como num navio de um único tripulante. O trabalho de Sísifo. Cansaço, exaustão.


10 de paus – Os esforços numa única direção. O foco é natural no elemento fogo, as labaredas sempre queimam numa única direção. No afã de realizar algo o foco ficou excessivo e outros aspectos da vida foram suprimidos. Como o pai (mãe) de família que trabalha demais e esquece de nutrir os laços afetivos com os seus. O sentimento de se estar oprimido e sufocado dentro de uma situação intolerável, porém complicada de mudar.

O Naipe de Copas - A Sensibilidade da Água

A água é a portadora da vida! Nada sobrevive por muito tempo sem ela, e até onde se sabe foi da água que surgiu a vida no planeta. Todas as grandes civilizações se desenvolveram a beira das águas de rios e mares, como os egípcios (rio Nilo) e os babilônicos (Tigre e Eufrates), as grandes navegações foram um marco para a evolução da humanidade, unindo povos e continente inteiros. A água é o solvente universal, tudo se dissolve em seu interior, toda a estrutura se desmantela com sua atuação. A qualidade de dissolução da água é que a faz ser o elemento que une todas as coisas, tornando-as iguais. Daí ser também o elemento do amor e dos sentimentos que via de regra são sempre de âmbito universal. A água evoca o aspecto imaginativo da psique. Muitos são os mitos sobre seres que vivem nas suas profundezas e que seduzem ou se vingam da humanidade. Da mitologia grega à nórdica, do Japão ao continente africano. Os oceanos evocam os aspectos profundos e sonhadores da alma humana, dos mais românticos, e místicos, aos mais sombrios e perversos.
O corpo humano é composto 60% de líquidos como o sangue, o suor, as lágrimas, a saliva, o sêmen e outras tantas secreções que expressam nossas emoções ou são influenciadas por elas. A visão interior é outro atributo desse elemento. Um copo de vidro transparente cheio d’água funciona perfeitamente como uma lente de aumento que nos permite ver o que a olho nu seria impossível. O mesmo se pode dizer de dons como o da intuição e o da clarividência. A cura também é um atributo espiritual da água, conhecida como uma purificadora natural usada em banhos cerimoniais como abluções e batismos.
Os aspectos sentimentais e espirituais são parte desse elemento e de sua representação no tarot: o naipe de copas. As copas ou taças não só contém a água, mas representam muito bem seus dotes de profundidade, receptividade e reflexão interior. Recipientes cheios de água são usados desde tempos imemoriais por videntes que tinham visões neles (hidromancia). A memória é outro atributo seu. Tudo o que é passado na água deixa nela um pouco de si, uma lembrança. Se o naipe de paus e espadas com suas formas alongadas e rijas são símbolos fálicos masculinos, o naipe de copas e ouros com suas formas arredondadas são femininos. As personalidades aquosas são profundas e um tanto esquivas e misteriosas, bem como românticas, místicas e idealistas. As cartas numeradas de 1 a 10 desse naipe falam da evolução no modo como lidamos com nossos afetos, sonhos e ideais de vida. 

Rei de copas – Ar da água. O vento que levanta as ondas e agita as profundezas. O curador, terapeuta, xamã, amigo e conselheiro. Vê as emoções humanas com profundidade e precisão, mas com distanciamento. Seu não envolvimento o faz perceber com clareza. Esconde suas próprias emoções nessa postura. No fundo teme ser magoado e atingido de alguma forma. O arcano propõe um resgate de alguma parte suprimida do ser, uma cura interior. Solicita-nos a não temer a intimidade. Temos todos nossas feridas.


Rainha de copas – A água da água. Profunda, mediúnica e sensível. Percebe as emoções alheias e as acolhe sem julgamento. É compassiva no real sentido da palavra. Sua capacidade de amar inclui o perdão e a misericórdia. Sua identificação com as emoções alheias pode lhe fazer ficar confusa quanto sua própria identidade, e nubla sua capacidade de reconhecer seus desejos verdadeiros. Podendo por isso viver como uma eterna projeção dos outros.

Cavaleiro de copas – O fogo da água. O guerreiro do coração, místico e visionário. Ama devotadamente e de todo o coração, quer seja uma pessoa, uma causa, ideal ou uma atividade. Lança-se sinceramente e sem reservas, crê com sinceridade no caminho que escolheu. Suas ações não são regidas por coisas como bom senso ou crítica, apenas confiança no apelo interior. Muitas vezes é visto como o um “bobalhão” aos olhos do mundo.


Valete de copas – Terra da água. O servidor gentil, maleável e prestativo. Esse arcano incorpora a qualidade da gentileza, sociabilidade e da generosidade. Sempre disposto a ajudar, não vê distinção entre os seres. Quer se sociabilizar, ampliar o círculo de relações, conhecer o mundo! Parecido com seu irmão, o cavaleiro, mas sem a mesma permanência interior. Podendo assim se tornar um bajulador servil e um seguidor vazio e sem propósitos.


Ás de copas – O coração transbordante. Estar pleno de amor pela vida ou pela humanidade. Um estado de beatitude que nos faz conectar com forças espirituais superiores, como nas canalizações. Encontro da verdadeira vocação e propósito interiores, que independem do reconhecimento externo. Um sentimento imenso de entrega ao fluxo da vida e dos acontecimentos sem opor resistência.


2 de copas – A personificação do amor no outro. Um encontro significativo no âmbito dos afetos. Troca, sintonia intensa de sentimentos. Pode ser uma sintonia fina dentro de uma amizade, parceria ou sociedade onde um completa o outro a partir de uma conexão interior. A sombra deste lindo arcano é a dependência entre os parceiros. Lembre-se: Todos precisam de espaço para crescer.


3 de copas – A celebração do amor e da vida. Depois da união no 2 de copas, agora é momento da festa de casamento e da Lua de Mel! Psicologicamente é um período de exultação por algo que parece estar indo a contento, seja um trabalho, empreendimento novo, ou relacionamento. Como a satisfação nesse naipe é subjetiva essa felicidade independe dos resultados reais e extrínsecos. Sua sombra é o excesso e a prevaricação.


4 de copas -  Depois da exultação, a tranquilidade e a introspecção. As emoções se aquietam como num estado meditativo. O voltar-se para dentro tem a finalidade de purificar a consciência das influências externas. A profunda reflexão interior permite o encontro com o si mesmo. A sua sombra é um estado tal de introspecção que gera uma indiferença emocional com o mundo externo.


5 de copas – A perda do prazer. A desilusão. A tendência da psique é apegar-se ao que tem de bom (e que geralmente ficou no passado) com medo de um futuro de sofrimentos. Ou de agarrar-se a uma lembrança ruim e se esquiva para que ela não se repita. Em ambos os casos as oportunidades que vivem no presente são esquecidas e o desapontamento, ou o medo de passar por ele, domina a cena e rouba a espontaneidade. 


6 de copas – O sonho de um mundo ideal. Depois da dor do 5 de copas, a consciência volta-se a sonhar com uma vida melhor e com grandes conquistas. Sejam elas românticas, materiais, de poder, ou espirituais. Sempre com base nas expectativas forjadas no passado ou em devaneios sobre o amanhã. Esses ideais se afastam cada vez mais da vida real, adiam a verdadeira felicidade e podem fomentar decepções futuras. 


7 de copas – A confusão emocional. Os limites entre o real e o imaginário se rompem e a psique se perde numa angustiante falta de direcionamento interior. Escape para o mundo dos vícios de toda a sorte, ou do desabrochar de experiências psíquicas como vidência espontânea, contato com seres do mundo astral inferior e com desencarnados. A confusão pode ser projetada nos outros, como autodefesa.


8 de copas – O abandono do ilusório. O rompimento com uma situação que perdeu sua validade ou significado intrínseco. Pode ser um relacionamento, um lugar onde se viveu, ou um emprego. É uma partida em busca de algo superior, mais representativo ou luminoso. Situações dessa natureza sempre causam alguma hesitação antes do desfecho, porém, não podem ser contidas.


9 de copas – O direcionamento para a verdade interior fez com que se encontrasse um ambiente de total realização dos desejos e sonhos mais íntimos. O estado de felicidade e bem estar, tanto material quanto interior, proporciona profundo bem estar. A sombra dessa situação é a de que a felicidade nos aliena ou nos dá a falsa sensação de realização espiritual, trazendo preguiça e indolência.


10 de copas – Êxito absoluto. União da mente com o coração, completo estado de harmonia. Não há nada a ser desejado ou conquistado no passado ou no futuro. A vida é boa e plena no aqui agora. Sentimento de integração e de pertencer a algo, carreira, família, pátria, relacionamento e ou caminho espiritual. O sentido de felicidade e família no significado mais profundo da palavra. Que nada tem a ver com realizações externas e laços físicos.

O Naipe de Espadas - A Inteligêcia do Ar

O ar vem a ser o elemento mais importante para a sobrevivência humana. Sem oxigênio não existe vida. Nosso pulmão, coração e cérebro realizam com ele uma alquimia que nos permite estar vivos! A falta de oxigenação do cérebro dificulta o funcionamento do mesmo, torna o raciocínio impossível e pode causar danos irreversíveis. A mente opera como o ar, com movimentos irregulares em muitas direções simultaneamente, mas quando bem focada por muito tempo pode moldar o solo, as rochas e as montanhas, como nossa Inteligência é capaz de construir coisas incríveis! A engenhosidade simples dos barcos a vela, por exemplo, ajudou o homem a romper fronteiras e descobrir novos mundos além de expandir o poder de impérios como o da Espanha, e Portugal e mais tarde da Grã Bretanha.
No tarot o elemento ar está representado pelo naipe de espadas. A espada é um símbolo perfeito para esse elemento. A maioria delas possui dois gumes, exatamente como a mente possui sempre duas vertentes, sim/não, bem/mal, o eu/o outro. Ela representa também o poder dos reis e dos exércitos, exatamente como aparece no ás de espadas dos baralhos clássicos, com uma espada transpassando uma coroa e sendo empunhada por uma mão vigorosa. A espada é o símbolo também da justiça, com ela os reis outorgavam leis, distribuíam títulos e condecoravam soldados. A mente anseia por conhecer a verdade e estabelecer conceitos sobre o verdadeiro e o falso, o certo e o errado, o justo e o injusto, o ético e o não ético para poder tornar a vida ordenada e compreensível. A mesma inteligência que busca por verdades superiores e significados maiores para a existência é a que procura garantir a paz armando-se fortemente. É interessante notar que foguetes, mísseis e até submarinos e navios de guerra possuem a forma de uma espada! As guerras como ações de poder e conquista no sentido de “manter a ordem” são prerrogativas do naipe de espadas. O científico e o tecnológico também estão sob sua égide!
Diferente do que ocorre na descrição desse elemento na astrologia, as personalidades aéreas não são tanto dispersivas, mas sim racionais, organizadas e controladoras, além de frias na sua expressão emocional. Absorvem informações e os valores culturais do seu meio e de sua geração com muita facilidade, ao mesmo em tempo que são naturalmente críticas e questionadoras. O trajeto das cartas numeradas de 1 a 10 no naipe de espadas é uma busca pela verdade interior em meio aos conceitos culturais sustentados pela família e a sociedade.

Rei de espadas – O ar do ar. O líder autoritário. Forte, frio e controlador. Sabe sempre o que fazer em cada evento, não acessa seus instintos, seus sentimentos e sua fragilidade. Administrador inteligente e estratégico possui uma mente clara que o faz se tornar uma autoridade nas atividades a que se dedica. Lembre-se de que certo controle sobre a vida é bom, quando em demasia faz a vida cessar. O juiz, o médico cirurgião, o militar de alta patente.



Rainha de espadas – Água do ar. A mente lúcida que não se permite levar pela subjetividade das emoções. A capacidade de colocar em palavras, e de modo inteligível, coisas abstratas. Crítica e julgadora. Conceitua tudo em certo e errado, preto e branco... Dando margem para o surgimento da moralidade estreita e dos preconceitos. A pedagoga, a filósofa, a escritora. 


Cavaleiro de espadas – Fogo do ar. A mente focada nas conquistas objetivadas pela razão. O conquistador determinado e combativo. Aquele que não desiste até a meta ser alcançada e não poupa nem esforços, e até mesmo consequências, se ele exceder suas funções. A sua cobiça e competitividade podem desumanizá-lo, tornado-o cruel e violento. O soldado de elite, o ninja, o boxeador ou lutador de artes marciais.


Valete de espadas - Terra do ar. A mente aberta que amplia os conceitos, abarca novas ideias de modo inovador. Tudo o interessa. A sua sombra é a mente que conecta muitas coisas, mas não realiza nada. Congestão e confusão mental. Argumentação excessiva, preocupação intensa que não permite o relaxamento. Enxaqueca, insônia. 


Ás de espadas - A consciência perfeita, clara, límpida. A vontade serena, mas firmemente centrada. O encontro de uma verdade reconhecível e libertadora. A capacidade de mudar o rumo dos acontecimentos pela simples focalização da vontade pessoal aliada a um sentido de direção e propósito internos.


2 de espadas – A natureza bruta da mente não consegue permanecer centrada. A dúvida se instaura, algo como: “Será mesmo?”. A dúvida lança o olhar sobre uma outra perspectiva, a de outra pessoa ou a de outra realidade, e esse cisma deve ser resolvido com uma decisão. A consciência também não suporta ficar muito tempo cindida. Impasses seguidos de decisões e escolhas pertencem a esse arcano. 


3 de espadas – A escolha foi feita, o impasse foi resolvido ou está na iminência de sê-lo. A razão vence nesse naipe, os ditames do coração são subjugados. O que sobra é uma sensação de pesar. Há uma dor e insatisfação profundamente introjetados que não se revelam na aparência. Fazem parte de desconfortos íntimos que a maioria das pessoas esconde socialmente. 

 
4 de espadas – Depois da crise anterior surge uma profunda necessidade de parar e refletir. Esse arcano incorpora bem o “descanso do guerreiro” normalmente vivido depois de uma situação de doença, divórcio, ou da saída de um trabalho importante para nós, por exemplo! Uma decisão dura de ser tomada requer um tempo de reparação (a convalescença) antes de seguir a jornada. Sua sombra é protelar indefinidamente essa pausa e postergar resoluções pendentes.


5 de espadas – O tempo perdido não volta. O que sobra é um balanço da vida com um saldo negativo e uma sensação de derrota. A comparação entre os resultados alcançados e os que se pretendia são inevitáveis. Assim como a comparação com as conquistas dos outros. É próprio da mente fazer conjecturas. Deve-se buscar a valorização da própria experiência e singularidade.  


6 de espadas – A ânsia humana por amor e reconhecimento social faz com que se assuma papéis difíceis e responsabilidades muitas vezes demasiadas (o bom filho, o funcionário modelo...). Há uma tendência a se assumir as necessidades alheias e sociais de modo incontinenti. Aqui deve-se buscar a justa proporção do papel a se desempenhar e evitar os excessos, eles não significam mais amor, apenas mais esforço.



7 de espadas – A perda da identidade individual. A dissimulação do que é aceitável cria uma máscara que com o tempo não serve mais, mas precisa ser sempre servida. Então nasce uma vida secreta, cheia de vergonha e culpa. Os conchavos e conspirações, as intrigas, segredos e mentiras nascem assim, bem como a perversão de instintos naturais.


8 de espadas - A negação da natureza básica não dura muito tempo, forças dilacerantes entram em choque dentro da consciência e não podem ser mais ignoradas, algo deve ser feito com uma urgência ainda maior do que no 2 de espadas. A culpa por violar as leis internas gera imensa cobrança e dura autocrítica.


9 de espadas – A dor sentida na mais funda solidão. Tudo o que foi negado não pode mais ser ignorado e vem à tona como uma ferida ocultada, mas que ainda está aberta. Do ponto mais escuro das cobranças internas nasce a luz de uma nova percepção. O sofrimento esconde dentro de si sua própria cura, como todos os venenos.


10 de espadas – O renascimento da consciência. Do animal de carga dos conceitos sociais nasce a fera que se opõe a isso tudo e de dentro dela deverá nascer a criança espontânea que um dia todos tivemos em nós, nem conformada nem rebelde, apenas livre! A morte dos velhos conceitos não é fácil e avanços e recuos são comuns ao longo do caminho de mudança.