quarta-feira, 14 de junho de 2023

O Jovem Aspirante

O Rei de ouros do After Tarot,
de Giulia Massaglia e Pietro Alligo.
O Senhor da terra, dos lucros,
e também do êxtase!

Um jovem de vinte e poucos anos vem consultar o tarot, e seu Arcano de abertura é um Rei de ouros. Digo ao rapaz que ele parecia estar buscando  prosperidade financeira aliada a um sentido de satisfação pessoal... E como o Arcano seguinte era o Valete de paus, me pareceu que ele tinha a intenção de realizar um trabalho que envolvesse sua criatividade, e fora dos padrões usuais de atividades da média! O 9 de copas a seguir dizia que o jovem possuía os recursos em si para sua empreitada, mas que poderia cair no vício da preguiça e, portanto, da protelação infinita... Nesse momento ele sorriu. Disse mais adiante que pretendia ser um escritor voltado  ao público infantojuvenil, mas como o tarot havia revelado estava adiando o projeto, pois de modo geral se considerava mesmo preguiçoso. De fato, era uma escolha inusitada para uma carreira! 

O 2 de ouros por Losenko,
no DeviantArt. A vida só evolui
quando nos adaptamos a ela!

2 de ouros surgiu dizendo que muitas adaptações seriam necessárias ao longo do caminho, e a carta do 6 de paus advertiu para que ele não tomasse nada como certo, ou que estivesse em algum momento totalmente pleno de razão. O caminho das adaptações requereria dele humildade para aprender. Surpreendentemente ele confessa que reconheceu ter talento para esta empreitada, mas que de modo geral não gosta de livros! Entre atônito e chocado entendi o que as cartas vinham sinalizando. Nada fácil tanto a escolha da carreira como a postura que assumiu diante dela! Isso só faria as coisas ficarem mais difíceis, mas num mundo onde a literatura está em franca decadência, qualquer aspiração ao mundo das letras é um alento... Prescrevi Florais para ampliar e flexibilizar a perspectiva do jovem aspirante... Vamos ver como evolui.


sexta-feira, 12 de maio de 2023

Os Caminhos da Espiritualidade

 


Os caminhos que constituem a busca espiritual humana são diversos e representam expressões íntimas de conexão com o sagrado. Muitas pessoas se ligam a atividades da Nova Era como formas de bem viver, saúde, e qualidade de vida, mas não necessariamente se conectam com o significado espiritual dessas práticas. E, sim, a espiritualidade está no cerne de muitas práticas tidas como ocultas ou esotéricas. Grandes ocultistas e magos do passado como Éliphas Lévi e Papus criam que a magia era uma forma de acessar o Criador por outra via. Assim como viam os oráculos como uma forma de acessar o manancial da sabedoria Superior para nos guiar em nossos dilemas terrenos. Como disse, nem todos conectam com a essência espiritual das atividades ancestrais e mesmo as modernas. Foi o filósofo e matemático francês Blaise Pascal (1623/1662) quem disse muito bem quando proferiu que “É o coração que sente Deus e não a razão”. Seguindo nessa mesma direção de pensamento o genial escritor russo Leon Tolstói (1828/1910) concluiu: “Há quem passe por um bosque e só veja lenha para a fogueira”. E é verdade! Citei abaixo os cinco caminhos possíveis para a expressão da vida Espiritual, e os tipos de buscadores que se conectam a eles, inspirado nos cinco elementos alquímicos e da medicina chinesa, e também nas reflexões de Tagore em sua fantástica obra Sadhana – A Realização da Vida. Isso tudo somado aos meus inúmeros atendimentos, cursos e palestras onde tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas e suas trajetórias pessoais nisso que convencionamos chamar de Caminho Espiritual. Antes de concluir esta introdução acho relevante observar que nem todo físico quântico aderiu à perspectiva espiritual, assim como há astrólogos e tarólogos ateus e agnósticos, e terapeutas vibracionais materialistas. Sim, eles existem por mais obtuso que possa parecer esse posicionamento... Achei importante também, para fomentar a curiosidade e a pesquisa dos leitores interessados, destacar o trabalho de alguns buscadores ao redor do mundo, e seus preciosos legados aos caminhantes da posteridade quando estes despertassem para o universo que, paradoxal e incrivelmente, nos conecta com os planos superiores de vida terrena e da consciência mística. Vamos à relação:  

Buscadores Filosóficos – São aqueles que buscam a compreensão da relação homem/Deus/Universo, tanto dentro de uma perspectiva místico-religiosa, quanto científica-espiritual. Aspiram à compreensão da natureza de Deus, do sagrado ou transcendente, conforme cada caso. O misticismo de religiões oficiais como o esoterismo cristão (Gnose), e judaico (Cabala), bem como os preceitos espirituais de religiões muito antigas e filosóficas como o hinduísmo e o budismo, através de seus muitos gurus, mestres, yogis e iluminados, seguem esta abordagem e pertencem a este grupo. Assim como as ordens criadas por grandes ocultistas do passado como Etteilla, Papus, e Martinès de Pasqually, e as tradicionais Rosacruz e Maçonaria, bem como a Teosofia e a Antroposofia entre outros representam bem essa perspectiva da vida espiritual. Da mesma forma os cientistas que percebem a natureza espiritual da vida nos modernos conceitos da física quântica. Esse movimento começou com a adesão de cientistas famosos como o físico Fred Alan Wolf, mais tarde surge o médico indiano Deepak Chopra introduzindo o pensamento quântico junto com os ensinamentos do ayurveda. Em seguida os também físicos Amit Goswami (Índia) e Gregg Braden (EUA) inauguram de vez o misticismo quântico da atualidade. Os espiritualistas desta categoria atuam em sua maioria como professores, oradores, pesquisadores, e autores de livros e textos inspiracionais em blogs, jornais, revistas e sites mundo a fora. Destaco neste grupo o trabalho do mestre Zen budista vietnamita Thich Nhat Hanh (1926/2022) e do escritor alemão Eckhart Tolle. O primeiro por ensinar os preceitos budistas e da meditação zen no dia a dia de forma simples e direta, mas sempre poética e profunda. O segundo por extrair os ensinamentos espirituais de doutrinas tão diversas quanto o Sufismo, o Zen, o Vedanta e da Bíblia para transmitir os ensinamentos que guiaram e transformaram totalmente sua própria vida! Dois autores inspirados e profundos com muito a contribuir para os desafios modernos da nossa civilização.

Buscadores Arquetípicos – Este grupo se caracteriza por aqueles que são apaixonados pela linguagem dos símbolos ancestrais, e que percebem neles uma natureza transcendente que se comunica com a parte mais profunda da psique do homem comum, e com o poder de expandir e transformar a natureza íntima de cada pessoa, ou de ampliar o entendimento da humanidade sobre sua origem, evolução e subsequente destino. Eles se dividem em dois tipos: O primeiro grupo é daqueles que buscam desvendar os arquétipos individuais atuando como consultores e ou professores dos antigos sistemas oraculares e de sondagem do tempo e da essência humana como o Tarot, Astrologia, Numerologia, Runas, Cartomancia, I Ching, Quirologia, Calendário Maia, e Eneagrama, só para citar os mais famosos. Eles creem que através dessas linguagens simbólicas o homem comum pode ressignificar seus desafios e sofrimentos, dando verdadeiros saltos de percepção que impulsionam sua evolução pessoal rumo ao seu modelo interno de perfeição espiritual. Desse primeiro grupo destaco o trabalho da inglesa Liz Greene (Astrologia) e do alemão Gerd Bodhi Ziegler (Tarot) que usaram seus estudos para libertar e ampliar a consciência de alunos e clientes pelo mundo. O segundo grupo é composto por aqueles que veem os símbolos como guardiões de chaves de sabedoria para a humanidade, e que podem por isso trazer respostas para o sentido da nossa existência na Terra, bem como nossas origens no planeta. Esses espiritualistas são comprometidos em interpretar e estudar o passado, e também a sabedoria contida na simbologia mística representada na cultura e na língua de civilizações obscuras ou cientificamente adiantadas para seu tempo, como egípcios, maias, sumérios, assírios, Incas, etc. Em sua maioria são historiadores, mitólogos, linguistas, arqueólogos, e ou estudiosos dessas disciplinas, que se encaixam nesse tipo de buscadores espirituais. Destaco nesse grupo o trabalho excepcional do mitólogo americano Joseph Campbell (1904/1987) que viu na simbologia dos mitos ancestrais a manifestação do sagrado, e da busca humana por sua comunhão com Deus (ou o transcendente se preferirem) em todas as culturas da antiguidade.

Buscadores Criativos – Estes são os que se conectam com o sagrado através da arte, seja na dança (como os dervixes), na poesia (como Rumi, Blake, Tagore e Pessoa), ou nas artes visuais (como Johfra Bosschart). Muitos destes espiritualistas antes citados não previram em vida o impacto de suas obras, e a grande contribuição que seriam para os buscadores da posteridade. Hoje há mais artistas sintonizados com esta frequência espiritual, artesãos que confeccionam mandalas, joias de cristal, talismãs rúnicos, ou hex signs para criar conexão entre os seres do mundo natural e a essência humana. Também músicos do movimento New Age e World Music que criam íntimos espaços mágicos de relaxamento, meditação ou enlevo dentro de seus ouvintes, como as cantoras Enya (Irlanda) e Loreena McKennitt (Canadá), e dos instrumentistas Kitaro (Japão) e Aurio Corrá (Brasil) ou de grupos como o francês Deep Forest que resgata os sons tribais de todas as partes do mundo, por exemplo. Os místicos criativos perfazem o caminho do sagrado através da via interior expressando-a externamente em suas obras, num impulso de beleza para inspirar a vida. Destaco nesse grupo também o belo trabalho do mestre dançarino alemão Bernhard Wosien (1908/1986), criador das danças Circulares Sagradas, que aproximou das pessoas comuns danças folclóricas e místicas de vários povos do mundo e em todos os tempos. Um verdadeiro trabalho de integração da essência espiritual humana através da arte do movimento de nossas muitas culturas e civilizações.

Buscadores Mágicos – Esses são os espiritualistas que creem nas muitas faces do divino expresso nas forças da natureza. São em sua maioria preservacionistas e ambientalistas. Esse grupo de buscadores espirituais estão em grande número ligados às religiões ancestrais como o xamanismo dos nativos das três Américas, e também dos aborígenes australianos e dos feiticeiros africanos. No Brasil se concentram nos grupos de Umbanda e do Santo Daime (ayahuasca) e também do Candomblé. Assim como nas Antilhas na Santeria e no Vodu. Todos oriundos do sincretismo das religiões africanas com a cultura local. A Wicca e suas muitas tradições, e as tradições neopagãs que ganharam muitos adeptos pelo mundo todo, como o Ásatrú que resgata as tradições espirituais nórdica/germânicas são parte desse grupo. Os buscadores mágicos diferem em seus ritos e crenças, mas todos creem que as forças da natureza em comunhão com o espírito humano o elevam numa integridade que enaltece a ambos. Assim, homem e natureza crescem e evoluem juntos, e se protegem mutuamente! Em suas práticas abarcam também as atividades dos buscadores arquetípicos e criativos, pois suas fés incluem oráculos, assim como danças e cantos e a produção de artefatos mágicos que integram magia, simbolismo e arte. Destaco entre esses místicos o trabalho do escritor wiccano, Scott Cunningham (1956/1993) que deixou um legado de mais de cinquenta livros sobre magia e bruxaria prática para todos aqueles interessados em “viver a arte”. Sua obra simples e clara nunca ignorou a profundidade das tradições implicadas. Da mesma forma notável foi a dedicação da holandesa Freya Aswynn tanto em apresentar a tradição oracular e mágica das Runas ao mundo, quanto a tradição xamânica dos povos do Norte. Tão importante quanto os livros que escreveu foram suas inúmeras consultas rúnicas que mostraram a força do runemal (muitas delas registradas no YouTube), e em seus cursos como professora de Runas, que é como se apresenta nas redes sociais.

Buscadores Curadores – Este é um grupo amplo de espiritualistas que creem, em sua maioria, que a natureza humana é sagrada e perfeita. A saúde seria, portanto, um estado natural e a doença um desequilíbrio ocasionado pelo espírito em suas muitas vidas, ou nesta vida, pelos condicionamentos e desarmonias das nossas culturas sociais e familiares que o afastaram de sua natureza sagrada. Os curadores creem que reestabelecer o equilíbrio físico, mental, emocional e espiritual é retornar à nossa natureza divina. Os caminhos da cura seriam muitos, e nem sempre tem a ver com reintegração da saúde como se imagina. Muitas vezes a doença também faz parte de um estágio de crescimento e expansão da consciência. A teoria oriental do Karma tem tido muita aderência pelos curadores espirituais do mundo ocidental. Assim cura tem a ver com despertar da essência plena. Os curadores atuam em muitas áreas da vida e do entendimento geral sobre a vida. Destaco aqui dois dos grandes curadores da história como o japonês Mikao Usui (1865/1026) e o britânico Edward Bach (1886/1936) que atuaram em campos diversos de interesse em como reconectar o humano à sua natureza espiritual perfeita e íntegra. O primeiro buscou através da imposição das mãos a canalização da energia vital sustentadora da vida. Já o segundo concentrou seus estudos na síntese dos estudos alquímicos de Paracelso e do médico Christian Hahnemann, fundador da homeopatia. Enquanto Usui trouxe o conceito do toque humano como um canal de uma força transcendente para a plenitude do corpo e do espírito, Bach voltou-se ao uso das essências de flores, numa reconexão com os elementos e os elementais da natureza. Essências que seriam a fonte de saúde, bem-estar, integridade e evolução em todos os sentidos! O reiki e a terapia floral são os dois métodos de terapia complementar mais difundidos da atualidade. As formas de se restabelecer essa integridade têm, porém, muitas faces, desde os trabalhos corporais como as massagens orientais (Shiatsu, Massagem Ayurveda, Do-in, Anma, Tuiná, etc), e outras técnicas energéticas como o Johrei e o Mahikari, que também são japoneses. E também Cromoterapia, Cristaloterapia, Renascimento, Homeopatia, Aromaterapia, Rakiram, Constelações Sistêmicas, enfim...


quarta-feira, 5 de abril de 2023

O Tarot e a Abertura de Portais

Já faz algum tempo que estudiosos de muitas áreas do conhecimento vem comprovando as capacidades divinatórias, terapêuticas e espirituais do tarot, de fato o tarot é o maior legado da Antiguidade para a cultura e a espiritualidade do homem moderno.

As imagens dos arcanos servem como portais que abrem aos olhos do leitor um panorama particular sobre a psique e a personalidade de quem consulta, essas imagens, no entanto, também funcionam como um portal entre os mundos, onde unimos nosso consciente ao nosso inconsciente e às forças da natureza na busca de uma saída, um caminho para a resolução de um tema em nossas vidas. A abertura dos portais através do tarot requer um alinhamento da personalidade ao centro divino, ou centro de poder como preferem alguns. Isso pode ser obtido com práticas meditativas preliminares, antes de colocar-se dentro de uma mandala feita com os 22 arcanos maiores, dispostos no sentido horário. Quanto mais eficiente o centramento através da meditação, mais eficaz torna-se o encontro com o portal. Nesse momento o indivíduo deve ter bem claro na mente a questão que ele busca ou que situação ele pretende resolver. Muitas vezes uma abertura de portais é solicitada às vésperas de um ano novo, ou quando há mudança de casa ou emprego. Às vezes também o caminho que surge não agrada a quem consulta, pois ocorre de o indivíduo não se sentir preparado para que as coisas transcorram do modo como surgem na mandala, nesse caso o círculo deve ser desfeito no sentido anti-horário e o baralho guardado na ordem numérica, pois "a porta está fechada".

Os Círculos Mágicos têm sido usados desde
sempre na Magia, tanto para proteger quanto
para evocar forças elementares e espirituais.

Quando, porém, o portal é aceito, então ele é a saída; e a partir daquele momento as forças solicitadas começam a atuar a fim de que se realize o que foi requerido e o consulente deve estar realmente comprometido a ficar aberto ao que virá e a acatar as orientações previamente colocadas pelos arquétipos. O que se segue é maravilhoso, a mais pura magia pessoal, trata se de um fenômeno intimo que utilizou-se da força da mandala, conhecida entre os ocultistas como círculo de poder, que reuniu as 22 imagens mais poderosas do inconsciente com a magia dos quatro elementos, fogo, terra, ar e água para apontar uma direção que nasceu de dentro para fora, criando um imã que atrai de fora para dentro o que foi requerido.

Como isso acontece? Tudo o que somos e vivemos está escrito em nós mesmos, quando realizamos uma consulta ao tarot com enfoque divinatório, somos nós quem mostramos ao tarólogo quem somos e como estamos, ele apenas traduz e nos fala, quando perguntamos, somos nós quem dá as respostas, respostas estas que não conseguimos acessar por vias normais ou que simplesmente não conseguimos aceitar, mais uma vez o tarólogo é apenas um porta-voz. Ao abrirmos a mandala para abrir a porta entre os mundos, mais uma vez somos nós quem encontramos o caminho e a nossa vontade, aliada aos arcanos e reis dos elementos é que o trará até nós.

A vivência mágica com o tarot tem essa e inúmeras possibilidades profundamente gratificantes e puras que, no entanto, devem ser encaradas com seriedade. É aconselhado o trabalho junto com um tarólogo que conheça a técnica, pois o símbolo sempre permite subjetividades que, pelo envolvimento, o consulente não consegue ver.

Publicado no Jornal Em Aquarius, Porto Alegre, Dezembro de 2000.


segunda-feira, 6 de março de 2023

O Amor é Uma Permissão?

O Eremita, o Senhor de si mesmo e de 
sua jornada; ou se nutre de sua solidão
ou sofre com ela.

Um homem de meia idade confessa que nunca se relacionou com ninguém de modo profundo  e continuado. Procurou o tarot para, entre outras coisas, saber se ainda viveria isso um dia... Na posição 2 da leitura da Elipse de Sete Cartas, posição que representa o seu momento, surge o arcano de O Eremita. E me pareceu claro que até aquele momento ele havia se acostumado com a sua solidão! Ele acenou positivamente com a cabeça. Depois na posição 4, do que fazer sobre o momento, apareceu o 4 de espadas indicando que ele precisava abaixar suas fronteiras, eliminar suas defesas e se tornar mais acessível ou vulnerável! Por fim, na posição 6, dos medos e ou esperanças, o Cavaleiro de ouros deixou bem nítido o quanto ele tinha medo de que a entrada de uma parceria amorosa roubasse dos seus hábitos solitários e extremamente disciplinados. Ao final desta leitura falamos sobre ele se tornar mais aberto e vulnerável, não como alguém fraco, mas como alguém aberto e de maior acessibilidade. Eis que então ele diz que esperava que o "Universo" enviasse alguém para ele... Ou seja, a fantasia de que o Universo dará o que se precise, sem que tenha de se fazer nada para facilitar isso, ainda é uma triste fantasia pseudo-espiritualista que assola nossos tempos. Acostumado que estava à sua solidão, e sem querer abrir mão dela, meu cliente ia mascarando com sua falsa autossuficiência o seu dolorido vazio interior... 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Os Cinco Grandes Desafiadores

 Cinco Arcanos que lhe parecem 

negativos, e sabe porquê? 

Abandonar as próprias visões é
doloroso demais para um ego
identificado com elas...

O Enforcado XII - Porque a visão real das coisas fere suas visões idealizadas, e a desilusão só é libertadora para as almas realmente livres! A estagnação da sua vida corresponde ao tempo em que você se permite ficar onde está, acreditando no que acredita! 

A Morte XIII - Tudo termina, mas você prefere ignorar o tempo que desperdiça em coisas inúteis que nada agregam à sua vida ou à vida de quem quer que seja! Só teme a morte quem não viveu a própria vida! 

O Diabo XV - Este arcano parece negativo à maioria das pessoas porque todos acham que o mal está nos outros, e gosta de ver a si mesmo como uma boa pessoa. O mal habita em todos nós, e enquanto não o confrontarmos em nós mesmos tanto mais seremos confrontados com ele no mundo exterior! 

O mal do outro é o mal
de que me envergonho em mim...

A Torre XVI - Este arcano mete tanto medo quanto a Morte, porque precisamos da segurança e garantia que a Torre representa, quer seja um emprego, um relacionamento, um patrimônio... A Torre desaba quando estamos apegados demais e precisamos aprender algo a que temos nos recusado, consciente ou inconscientemente! Lembre-se que ao abrir a mente e o coração quem nos espera do outro lado é o arcano da Luz do entendimento e da esperança, A Estrela...

A Lua XVIII - Antes de A Lua, o arcano de A Estrela é o arauto da liberdade física, intelectual e Espiritual (a verdadeira liberdade), mas antes temos de confrontar todos os medos e ressentimentos, memórias e apegos que negamos nas águas escuras da memória representados no arcano de A Lua. O medo do medo, porém, paralisa e todos fogem da Lua, que é o único caminho para à iluminação do arcano seguinte, O Sol!


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Três Considerações Sobre O Louco...

O Louco, da ArtStation.

1) Quebre as regras sim! Mas não antes de conhecê-las profundamente! Caso contrário é só rebeldia e transgressão que não serve a nada nem a ninguém, nem prestará serviço algum ao mundo... Além de tirar de você qualquer consideração de validade pessoal e intelectual.

2) Faça tudo o que tiver vontade, ouse sempre que puder! E lembre sempre também que tudo tem consequências e tem seu preço. Se não esquecer disso não cairá no papel patético de vítima no futuro. Ninguém é vítima de nada, todos temos escolhas e você fez as suas. Por isso certifique-se de que sua vontade está realmente de acordo com o seu coração. 

3) Seja livre e não libertino! A liberdade sem consequências fere tanto quanto qualquer ato de violência. Você não vive num mundo onde desconsiderar as necessidades alheias, seu espaço e sentimentos passe despercebido. Lembre-se que mesmo a mais independente das criaturas precisará dos outros um dia. É da natureza humana, somos sociáveis e gregários e por isso evoluímos enquanto espécie!


segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Sobre Cartas Oraculares

Perguntaram-me sobre cartas oraculares, como as inúmeras versões do Oráculo da Deusa, de Gaia, de Maria MadalenaCartas Angélicas, do Caminho Sagrado, etc... É tudo uma questão de afinidade, com certeza, mas eu não gosto. E explico: muitos dos grandes sistemas oraculares não foram criados com a intenção de serem Oráculos!

Doreen Virtue, criadora de uma série
de Cartas Oraculares modernas
.

O Tarot e o I Ching são dois belos exemplos! O primeiro foi um jogo da nobreza medieval europeia que pretendia retratar o mundo daquele tempo, e acabou virando um painel projetivo do inconsciente de toda a humanidade, e em todos os tempos. O segundo um conjunto de reflexões sobre os desenhos no casco de uma tartaruga que inspiraram versos e novas reflexões de quatro grandes sábios chineses em diferentes épocas que, de novo, projetaram símbolos arquetípicos... Ou seja, são símbolos transpessoais que se conectam direta e profundamente com o inconsciente pessoal, criando uma poderosa ponte entre o universal e o particular (inconsciente coletivo/inconsciente individual).

HÁ ALGUNS MESES publiquei este meme nas minhas redes
sociais, que brinca com este tema da diferença das leituras de Tarot
em relação às leituras com Cartas Oraculares... 
👇

CARTAS ORACULARES (Sibila Trelawney, de Harry Potter, à esquerda)
vs CARTAS DE TAROT (Olda Mae, de Ghost, à direita).


Sibila Trelawney: Este é um momento de mudança e crescimento.
Você está aprendendo muito. Confie em si mesma. Ouça o seu coração.
Segure a mão da vida e a vida segurará a sua.


Olda Mae: Você está em perigo, garota!

Já as cartas criadas por um único indivíduo, por mais inspirado e concentrado que ele(a) esteja, e por melhores que sejam suas intenções, passam por todos os seus preceitos e preconceitos, tendencionismos e crenças, mesmo quando falam de deidades ou divindades arquetípicas como anjos, fadas, unicórnios, dragões,  ou deuses ancestrais. Seu simbolismo é indutivo e pessoal, e não há como ser diferente disso. Eu sempre tenho a impressão de a gente tem de fazer uma conta de chegar para que suas respostas se encaixem, não me parece fluído... Mas, enfim, é só minha opinião. Já usei dessas Cartas nas sessões de Terapia com meus clientes de Reiki e Florais e não me inspiram, ponto. 
O Tarot, por mais lúdica que sejam suas versões, como Tarot dos gatos, fadas, vampiros, etc, a matriz arquetípica transpessoal prevalece. O que o torna sempre eficiente e impactante.