quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Que Tipo de Reikiano Você é?


Escrevi há algum tempo atrás, em dezembro de 2017, um artigo intitulado Que Tipo de Tarólogo Você É? sobre os tipos de tarólogos, segundo a tipologia psicológica junguiana, em que dividia os leitores de tarot em analíticos, relativos ao tipo pensamento, em psíquicos que são relativos ao sentimento. Os intuitivos, que são relativos ao tipo intuição e os sensitivos que se relacionam ao tipo sensação de Jung. O link para que você possa ler este texto na íntegra está no pé da página! Trago hoje essa mesma análise das quatro personalidades definidas pelo psicólogo suíço aos terapeutas reiki em suas atuações. Esse texto está baseado na minha própria experiência com meus alunos, nos relatos de clientes que frequentaram sessões de reiki com outros profissionais, bem como na troca com outros reikianos. Apresento também possíveis problemas que essa caracterização pode ocasionar quando for excessiva. Mostro também o que acontece quando o praticante reiki abre um canal mediúnico nas suas práticas. Muitos mestres e terapeutas não aprovam isso e dizem que o a riqueza da reiki é a sua simplicidade, e eu concordo! Entretanto, sabemos que há um elemento transcendente dentro de toda a atividade de terapia energética, assim como na oracular, e isso é algo que está além do controle da personalidade. É uma coisa que simplesmente acontece!


Então os reikianos do tipo pensamento são do Ar, os psíquicos da Água, os intuitivos do Fogo e os sensitivos da Terra. Fazendo assim o mesmo elo entre os elementos alquímicos e as características psicológicas de cada tipo. Como disse no artigo sobre tarot eu não creio que por me identificar com um determinado trabalho realizado por um dos tipos psicológicos que esse seja o meu no dia a dia! Acessamos diferentes partes de nós mesmos ao realizar determinadas atividades. Nas leituras de tarot eu me conecto totalmente com os tipos sensitivos (tipo sensação/terra). Já na prática terapêutica do reiki eu me identifico com os tipos intuitivos (tipo intuição/fogo). Agora vamos a eles:

Reikiano do Ar - São aqueles experimentalistas do reiki, sempre curiosos com os sistemas derivados do sistema original, eles se interessam por todas as versões e vertentes de aplicação de reiki e também por sua perspectiva científica. São os que mais frequentemente associam a linguagem científica à espiritual e acreditam que ambas podem coexistir e, inclusive, que se encontram na prática reiki. Sua imensa busca cerebral, porém, faz com que mudem muitas vezes as formas com que realizam o seu trabalho, pois parecem estar em constante investigação e experimentação das possibilidades de cura do sistema reiki e de si próprios. Acreditam que estão em constante evolução, o que justificaria as mudanças constantes. O problema é que aqueles que recebem seus cuidados podem não ver assim algumas vezes. Os reikianos do tipo pensamento são os que têm mais dificuldade em construir um trabalho e fidelizar público. A sua troca constante no estilo de trabalho passa a estranha impressão de inconsistência. Quando o cliente está se acostumando ao tratamento ele pode repentinamente mudar tudo! Ao desenvolverem um canal mediúnico na aplicação da energia ki, são os que costumam receber mensagens para as pessoas, como orientações para o seu bem estar.

Reikianos da Água – Esses são os que mergulham mais profundamente na aplicação do reiki, como se entrassem em transe! Suas sessões costumam ser longas e eles se conectam com as emoções dos clientes intensamente e conseguem perceber emoções profundas, mesmo aquelas que parecem superadas. Por estarem ligados ao tipo sentimento de Jung suas aplicações fluem no sentido de acolher as dores daquele que se trata com eles. A linguagem espiritual e emocional, muito mais que a científica, os interessa. Podem incluir certas práticas místicas em suas sessões como mantras, preces e yantras de cura. Quando desenvolvem um canal mediúnico durante a prática são aquele tipo que pode ter revelações sobre a doença a nível físico, ou sobre as emoções que estão associadas à enfermidade. Em casos extremos há reikianos da água que conseguem até prever eventos futuros ou obter revelações sobre os temas práticos da vida dos seus clientes. O grande problema aqui é que as pessoas podem acabar se tornando dependentes dele, ou apenas curiosas com a capacidade do terapeuta de ver coisas, o que pode além de tirar o foco do viés terapêutico, causar também uma inflação do ego desses reikianos. Atenção redobrada no próprio crescimento é o que se sugere a esse tipo de reikiano.

Reikianos do Fogo – De todos os tipos de reikianos os do fogo, ou do tipo intuição, são os que estão mais interessados em usar o reiki como um caminho espiritual de autodesenvolvimento, meditação e, portanto, de introspecção. Suas sessões costumam ter uma parte de conversa terapêutica e de práticas meditativas mais longas que a da maioria, e podem agregar outras técnicas terapêuticas como florais, cristais e cromoterapia em suas aplicações de energia ki nos clientes. Quando abrem um canal mediúnico em seus atendimentos eles conseguem perceber as emoções adjacentes ao momento ou enfermidade do cliente, assim como os tipos da água, mas não são focados em fatalismos ou predições. Há dentre os tipos do fogo uma tendência a serem puristas, rejeitando as técnicas alternativas de reiki, e em casos extremos há até mesmo aqueles que rejeitam os outros sistemas complementares como os florais e os cristais antes citados... O problema pode ser justo esse, como esses praticantes tem um propósito muito claro em sua atividade, para algumas pessoas suas sessões podem parecer “sérias” demais. Não parecendo muito com um colinho de cura e aconchego, como parecem ser as sessões dos reikianos da água, por exemplo.

Reikianos da Terra - Esses, a exemplo dos reikianos do ar, gostam de uma abordagem mais cientifica ou técnica e muito comumente tendem a empregar terapias corporais que aliam às suas sessões ou intercalam com elas. Eles acreditam que é muito importante empregar uma técnica mais física na pratica reiki para assim tornar a resposta mais “eficiente”. Não que duvidem dos benefícios do reiki, mas de alguma forma eles percebem que a energia ki flui mais livre e profundamente assim. Quando desenvolvem um canal mediúnico durante as sessões de reiki eles são do tipo que localizam dores e outros desconfortos físicos logo após mal terem tocado no corpo. Normalmente não conseguem captar intuitivamente suas origens emocionais mais profundas, como os do tipo água e fogo, mas para compensar isso recorrem ao conhecimento da psicossomática e da linguagem corporal que não raro eles são versados! O problema que pode surgir aqui é que a terapia corporal pode soar invasiva em certos momentos, ainda mais se o cliente quer relaxar mais que qualquer outra coisa. Por isso se lembrar de perguntar o que a pessoa quer ao invés de impor o que se acha certo, é um caminho que tende a ser mais eficiente!
E você, que tipo de reikiano você é?

Leia também: Que Tipo de Tarólogo Você É?  

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Estilos de Leitura e a Experiência Intuitiva...


A Alta Sacerdotisa, do Morgan-Greer tarot,
guardiã dos mistérios....
Uma cliente me disse ao final de uma leitura inicial de tarot que fiz para ela: ”Que bom jogar assim!”...  Assim como? Perguntei. Ao que ela respondeu: “Assim, sem me fazer nenhuma pergunta...” Logo me dei por conta do que ela falava, há tarólogos que perguntam coisas aos seus clientes antes ou durante o abrir as cartas, coisas tipo: “É casada? Tem quantos filhos? Trabalha com o quê? Gosta do que faz?”, e assim por diante. Acho tudo isso irrelevante, pois não me proponho a fazer uma adivinhação das características práticas do trabalho, e nem dos filhos... Eu digo aos meus clientes que faço as aberturas iniciais para colher as mensagens do tarot para eles, e que na verdade essas mensagens vêm da parte mais profunda da consciência de cada um. Já falei das carências afetivas de alguém sem, no entanto, seu relacionamento ser representado no tarot. Certa vez os arcanos mostraram que uma cliente procurava nesta vida um amor intenso e verdadeiro, o que ela confirmou acenando positivamente com a cabeça. No transcorrer da consulta quase caí para trás quando ela quis marcar o marido com quem era casada há quase trinta anos! Era uma união, como dizia ela, com um grande amigo, mas que nunca foi seu amor. Entendi desde então que não importa o que se está vivendo num determinado setor da vida, mas sim o que se está sentindo sobre aquele setor da vida ou área de interesse.
A maioria dos tarólogos se sente compelido a adivinhar fatos práticos dos seus consulentes nas leituras preliminares, parece que sentem a necessidade de corresponder ao papel estereotipado de oráculo que se espera habitualmente deles. Acho tudo isso uma tolice! Eu interpreto o que as cartas mostram, às vezes acontece de haver revelações que são surpreendentes, tanto para os clientes quanto para mim, mas não busco e nem prometo nada disso.
Minha relação com o tarot foi, desde sempre, intensamente intuitiva. Deixo que as cartas falem com suas imagens, e traduzo suas mensagens, ponto final! Claro que as orientações e discussões decorrentes das revelações apresentadas na sessão dependem sim de outras formações minhas, do meu próprio desenvolvimento pessoal e, portanto, também das minhas visões de vida. Todo o resto que antecede essa conversa é o espelho dos arquétipos refletindo a alma e as vivências das pessoas.


O tarot, um espelho que reflete vivências humanas,
e os sentimentos e emoções decorrentes dessas vivências...

Entendo a “aflição” dos tarólogos na sua busca por fazer a coisa certa perguntando coisas para confirmar percepções, tanto quanto entendo a desconfiança dos clientes com isso. Quando se procura uma consulta oracular se está, antes de tudo, na busca de uma outra versão de si mesmo e de suas vivências. Busca-se confirmar seus próprios sentimentos, pressentimentos e até mesmos suas desconfianças sobre o que se está vivendo, e sobre o que está se sentindo a respeito do que está sendo vivido. Insisto sempre que o consulente não vai buscar a opinião do tarólogo sobre esta ou aquela questão de sua vida. Ele vai dialogar com uma parte mais sábia e profunda de si mesmo que não consegue acessar conscientemente, e precisa dos símbolos para essa tarefa.
O que ocorre depois, como disse, é de se ouvir o ponto de vista do consultor sobre o que foi revelado, e nesse momento a sua capacidade de isenção, e o trabalho sobre si mesmo através do seu próprio autoconhecimento é que podem fazer toda a diferença... Uma amiga me contou que ouviu certa vez de uma cartomante que costuma frequentar: “Você precisa é achar um homem solteiro para casar minha filha...”, numa clara referência e crítica ao fato de ela estar se relacionando com um homem casado. Há dezenas, e talvez até centenas, de razões para alguém se relacionar com uma pessoa comprometida, da simples aventura inconsequente ao medo intrínseco de se entregar verdadeiramente num relacionamento com reciprocidade afetiva e comprometimento mútuo... Entre outras tantas razões, inclusive amor verdadeiro que surge de modo inconveniente do ponto de vista social!
A Alta Sacerdotisa, do Thoth tarot,
de Aleister Crowley. A visão interior
como um canal de acesso ao transcendente.
Costumo dizer que se alguém consulta dois tarólogos diferentes, é muito provável que essa pessoa ouça os mesmos fatos internos ou externos serem repetidos. O que mudará é o enfoque dado por cada leitor, aprofundando ou negligenciando os aspectos externos ou o internos, e é isso que fará com que esta pessoa fidelize ou abandone aquele leitor. Acreditem já ouvi coisas como: “Ah não gostei, ficou me dando datas de acontecimentos, mas não conversava comigo sobre a angústia que eu tava sentido.”, ou por outro lado: “Ela só me falava que eu tinha que me trabalhar, que aquilo ia continuar daquele jeito se não me curasse, mas não me falava dele!”. Tem de tudo, e a vida é assim mesmo! Tem de tudo para todo o tipo de gosto, e por isso acho que ninguém deve se sentir na obrigação de conquistar clientes. O trabalho que cada um faz tem uma assinatura específica, e tem pessoas que precisam exatamente daquele estilo de leitura e figuras de linguagem, que você leitor de tarot usa, para obterem aquela outra versão de si mesmas que falamos anteriormente. Então eu não gosto de obter informações antecipadas dos meus clientes porque isso pode excitar meu lado racional, e atrapalhar o que minha percepção intuitiva captou do que mostram os arcanos... Não tento mostrar poder ou nada do gênero, apenas sou fiel ao que aprendi com minha intuição e o tarot ao longo desses meus trinta anos de estudo e prática. Possuímos todos uma consciência julgadora e crítica, que se acentua e ameniza nesse ou naquele indivíduo, como aquela velha cartomante que atendia minha amiga, porém se nos atermos ao que as imagens da alma nos mostram, corremos menos riscos de sucumbir à nossa mente inferior, essa funcionária do nosso pequeno “eu”. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Como Está Minha Saúde?

O Sol, do tarot Namur.
Uma amiga que não vejo há anos me ligou ontem marcando uma consulta de tarot para semana que vem, porém pediu que eu colhesse antes disso uma mensagem sobre a sua saúde, pois estava muito aflita, não me dando nenhuma pista do que se tratava. Foi o que fiz, me concentrei na minha amiga e puxei três cartas, somente dos arcanos maiores. As cartas que saíram foram as seguintes: O Sol, que apareceu na situação, mostrando proteção à integridade da sua saúde física e ao fluxo de energia vital também. Parecia ser mesmo um bom augúrio. Na oposição apareceu o arcano de O Diabo, e aí comecei a entender o motivo da pressa na avaliação do seu quadro de saúde. Este arcano revelou um acúmulo de sentimentos pesados e negativos que estavam em ebulição dentro dela. Coisas como raiva, mágoa, e uma profunda angústia, e isso parecia a estar afetando fisicamente, de modo psicossomático. Ficou evidente para mim também de que ela não estava sabendo lidar com tais sentimentos, e que isso estava sendo “engolido” todos os dias. 
O Diabo, do tarot Namur.
Na síntese do jogo de três cartas, como resposta final, apareceu A Torre, um arcano que expressa dores físicas, e geralmente associadas a ossos, coluna e músculos, numa expressão de tensões acumuladas. O que fazia todo o sentido, tendo em vista o arcano anterior. A Torre também me transmitiu a ideia de topo (cabeça) e me fez intuir que ela devia estar sofrendo de dores de cabeça, e provavelmente também de insônia, com pensamentos repetitivos e indesejáveis! Ao calcular o arcano oculto da leitura, que é a soma de todos os números dos arcanos maiores que estavam na mesa, 19+15+16 = 50 = 5 + 0... O resultado foi 5, o número de O Hierofante. Este arcano está associado a todo tipo de terapeutas, do xamã ao médico alopata, o que me fez crer que minha amiga estava sob cuidados especializados, ou na iminência de fazê-lo. 
A Torre, do tarot Namur.
Via mensagem de texto descrevi todo o resultado dessa breve leitura para ela, e a resposta foi um contundente sim! Ela contou que esteve em tratamento para o tabagismo e isso desencadeou entre outras coisas, insônia, enxaquecas e depressão. Com isso sua sensibilidade emocional ficou extrema, causando a tal ebulição que eu descrevi, e que de fato ela não sabia o que fazer com todas aquelas emoções. Procurou um psiquiatra para tratar a depressão, e o remédio indicado desencadeou violentos efeitos colaterais. Tensões musculares e dores nas articulações se fizeram presente de modo perturbador. Ela revelou que nos últimos anos sofria de dores ósseas que se originaram de degenerações na coluna, que sob o efeito do tal remédio pioraram e muito! 
O Hierofante,
do tarot Namur.
O motivo da pergunta antecipada sobre sua saúde era saber se isso passaria logo, pois havia trocado de médico, e esse havia suspendido a medicação... O que deixou mais claro ainda para mim a proteção representada pelo arcano de O Sol no início da leitura. Eu disse que ela podia relaxar, pois apesar de ainda estar sofrendo os efeitos revelados, e confirmados por ela, o restabelecimento do seu bem estar estava a caminho. Ela me agradeceu aliviada dizendo que tinha muito mais coisas para ver no tarot, e para me contar. Mandamos beijos e abraços virtuais, nos veremos semana que vem...

Leia também: Lendo com 3 Cartas 

Obs: Para ver os arcanos em tamanho natural clique nas imagens.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Astrologia & Tarot


É possível misturar as técnicas?

É possível sim misturar tarot e astrologia numa única leitura. Entretanto, devemos ter clareza sobre as duas técnicas, e saber o que podemos extrair delas!
Astrologia, uma imersão na
personalidade humana através
da interação entre o macro
e o micro cosmo.
astrologia é um estudo detalhado da personalidade, e de ciclos mais amplos, como períodos de anos a meses ou semanas. Já o tarot é uma avaliação de um determinado período de tempo que geralmente é a síntese de anos, meses, ou semanas e dias, refletidos dentro desse momento, mas que costuma incluir a descrição das reações aos eventos, tanto dentro de uma perspectiva prática quanto psicológica. Ou seja, ele mostra o que está rolando bem como o que se está sentindo com tudo o que está rolando!  A astrologia é mais precisa em termos temporais, e o tarot é mais preciso em termos práticos e psicológicos.
Há duas formas para uma boa aplicação combinada desses dois fascinantes sistemas simbólicos: o primeiro é na leitura do mapa astrológico natal, que relata a proposta da alma para a presente encarnação, e depois se utilizar das cartas para elucidar como lidar melhor com os desafios propostos pelos aspectos ali representados. Se, por exemplo, uma pessoa tiver Marte oposição Lua, o que pode representar grande agressividade, podemos então usar o tarot para descobrir como e para onde canalizar essa agressividade, e descobrir o que se obterá em termos de qualidade de vida ao completar essa tarefa!  Assim a tarologia opera como um mapa com rotas estratégicas para facilitar a jornada pessoal.
Tarot, divinação e autoconhecimento a partir
de um determinado momento que reflete o todo,
como a parte de um holograma
.
Outro modo interessante é o de mesclar a astrodinâmica, que vem a ser a leitura dos ciclos astrológicos individuais, como a revolução solar e dos trânsitos dentro do período de um ano, e no caso desses últimos sondar as respectivas influências dos planetas e seus aspectos no céu. Com a integração dos arcanos do tarot na sessão, pode se revelar o modo como isso ocorrerá. Assim como sondar meios estratégicos de lidar com os aspectos desafiadores desses planetas. Se Saturno estiver em quadratura com Vênus na casa VII, um outro exemplo, com certeza o período demarcado por este aspecto será de tensão nas relações amorosas e de negócio, e de não fluência no trato com o outro. É nesse momento que as imagens arquetípicas do tarot podem mostrar de que modo isso ocorrerá, e de como podemos atuar para aproveitar a energia dessa tensão e transformá-la positivamente, quer seja para o desenlace de conflitos, quer seja para o engrandecimento da relação em si...
Combinar dois sistemas com essa magnitude de revelação e perspectiva pode ser incrivelmente elucidativo, enriquecedor e profundo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

O Simbolismo da Rosa nos Arcanos do Tarot

A Rainha de espadas, do
Morgan-Greer tarot.
A rosa está para a o ocidente como o lótus está para o oriente. Ela representa a primeira manifestação que de dentro das águas primordiais se eleva e desabrocha, como a rosa cósmica Tripura Sundari, da cultura indiana, que faz referência à beleza da Mãe Divina. Não é à toa que no rosacrucianismo a rosa é representada no centro da cruz, ou seja no lugar do coração do Cristo. Na iconografia cristã representa a transmutação do seu sangue, ou de suas chagas. A rosa mística do cristianismo é também um simbolismo atribuído à Virgem Maria, e mais especificamente em suas inúmeras aparições, sendo a mais marcante a de 1947 para a enfermeira italiana Pierina Gilli, e outras aparições com os mesmos símbolos se estenderam até 1984. Em sua primeira aparição Nossa Senhora da Rosa Mística aparece segurando em seus braços três espadas, e depois passa a ser representada trazendo junto ao peito três rosas, uma branca, uma vermelha e outra, dourada. A rosa branca simboliza a abertura à oração como uma forma de comunhão com o Divino, e o encontro da vocação interior. A vermelha representa a purificação dos pecados através do sacrifício feito amorosamente. E, por fim, a rosa dourada simbolizaria a penitência de todos aqueles que deveriam representar os preceitos cristãos, mas que traíram a Igreja, seus sacerdotes e monges, e a necessidade de corrigi-los! Curiosamente as rosas aparecem, com uma grande frequência, associadas ao simbolismo do naipe de espadas, que traz em seu escopo de significados a ideia de sofrimento, correção, a busca da verdade, da justiça e a potência da razão. 
A rosa, símbolo de beleza e também
de elevação espiritual.
A rosa também aparece como uma roda, devido ao arranjo de suas pétalas, e que se evidencia na forma da rosa dos ventos, indicando que evolução é movimento! E como tanto na tradição católica quanto muçulmana, e também pagã, as rosas são associadas ao sangue derramado, seu simbolismo está fortemente ligado ao conceito de renascimento espiritual. Sua imagem parece mesmo traduzir isto tudo! De uma haste espinhenta e, portanto dolorosa, ergue-se uma linda flor delicada e de perfume embriagador. Como a alma que se eleva de seus sofrimentos com a beleza do entendimento, a sabedoria, que exala para todos os que a cercam, encantando e instruindo pelo exemplo. Um símbolo de crescimento interior e de amadurecimento espiritual. A deusa grega Hécate, uma deusa do submundo e arauto dos aspectos sombrios da consciência, era por vezes representada portando uma guirlanda de rosas de cinco folhas. O número cinco representa a mudança e o movimento que vêm do quatro, que é a cifra da ordem em vigência. Isso associado ao simbolismo de Hécate deixa claro que não existe nenhum tipo de renascimento ou despertar espiritual sem um mergulho nas próprias sombras. O que costuma ser doloroso de algum modo!
Mais tarde a rosa seria associada ao amor, pois que uma vez associada ao Cristo em sua missão e sacrifício por amor à humanidade, passa a representar o amor puro ou ideal que todos os homens buscam. Mais uma vez vemos uma referência à idealização humana, um claro atributo da mente racional (naipe de espadas), mais do que da afetividade fantasiosa (naipe de copas).
O 9 de espadas, do Rider-Waite.
Foi nos baralhos criados por alguns dos membros da Hermética Ordem da Aurora Dourada, a Golden Dawn, que se originou a conexão entre o simbolismo das rosas e as imagens arquetípicas do tarot. O primeiro foi Arthur Edward Waite em seu Rider-Waite de 1910, que apresenta o arcano de O Louco segurando uma rosa branca na mão esquerda, simbolizando uma consciência pura, livre de conceitos enrijecidos e aberta a novas inspirações. Depois rosas vermelhas aparecem rodeando o personagem central do arcano de O Mago, e nas vestes do arcano de A Imperatriz. O primeiro representando o influxo poderoso de uma energia superior, e o segundo a manifestação criativa no mundo exterior desse mesmo influxo. Mais adiante as rosas vermelhas aparecem ao lado de símbolos astrológicos bordados nas cobertas da atormentada figura do arcano do 9 de espadas. Quem sabe numa alusão a se extrair um propósito maior do sofrimento? 
O 2 de espadas do Thoth tarot,
de Alesiter Crowley. Rosas do vento

aparecem ao fundo...
Aleister Crowley faz o mesmo em vários arcanos do naipe de espadas em seu Thoth Tarot, de 1943. Como no 2, 3, 4 e 6 de espadas. O 2 de espadas de Crowley alude a uma paz delicada que não pode ser mantida para sempre, e algo tem de ser decidido, por isso aparecem as duas espadas atravessando o centro de uma mítica rosa azul (um sonho de perfeição da Idade Média). O 3 de espadas mostra uma rosa sendo destruída por três espadas de tamanhos diferentes, simbolizando o sofrimento que é inerente às escolhas que fazemos. O 4 de espadas mostra quatro espadas que se encontram no centro de uma rosa fantástica de quarenta e nove pétalas, simbolizando a trégua depois do enfrentamento. E, por fim, o 6 de espadas mostra a rosa-cruz como a conquista de um novo patamar de consciência (Ciência) sobre os sofrimentos passados. 
O 6 de espadas do Golden Dawn
tarot, de Robert Wang.
O mesmo ocorre no tarot da Golden Dawn, desenhado por Robert Wang em 1978, que segue as instruções contidas no Liber T, e que também serviu de base aos criadores antes citados para os seus respectivos baralhos. Esse texto era utilizado para as meditações e práticas rituais que se utilizavam do tarot. Os iniciados nessa ordem eram incentivados a estudar, praticar e desenhar seus próprios baralhos como uma forma de imersão profunda no simbolismo dos arcanos. Não se admira que tantos baralhos influentes até hoje tenham derivado desses adeptos. O que também deu, por outro lado, origem a todas as distorções criadas no simbolismo clássico do tarot que vemos hoje. Reza a lenda que o baralho original da Golden teve seus esboços desenvolvidos por MacGregor Matthers, um de seus lideres mais influentes.
No baralho desenhado por Wang, sob a orientação de Israel Regardie, outro membro da Golden, o naipe de espadas tem rosas representadas nos seus arcanos numerados do 2 ao 8. Já mencionei em outro artigo meu A Viagem da Alma nos Arcanos Menores, que as cartas de naipe no tarot, assim como os arcanos maiores, mostram uma trajetória da consciência, mas desta vez por cada um dos quatro níveis específicos de manifestação da vida: energético/criativo (paus), psíquico/afetivo (copas), mental/racional (espadas), e prático/físico (ouros). A sequência dos desenhos mostram nessa obra a mente movida por altos ideais em sua busca por elevação e compreensão das mazelas vividas, começando por suas decisões no 2 de espadas, até ser superada por si mesma, quando nos arcanos 9 e 10 de espadas a rosa desaparece. Então o ideal da nossa áspera mente julgadora e crítica fenece e abre, depois de muito sofrimento, espaço para uma nova forma de percepção, uma que vá além da mente, e integre as outras partes do ser. Qualidade representada pelo próximo naipe, ouros, que vem a seguir encerrando a série dos quatro mundos manifestos.
O Louco do Osho Zen tarot segura
a rosa branca, assim como seu irmão
do Rider-Waite...
Mais recentemente, no Morgan-Greer tarot, a lúcida mas exigente Rainha de espadas é representada, ao que parece, num belo jardim cercada de lindas rosas vermelhas enquanto empunha majestosamente a sua espada a frente, entre si mesma e o expectador. Parece lembrar-nos de que a mente e suas capacidades de análise, discernimento, julgamento e discriminação são extremamente úteis e necessárias sim, mas que devem estar embasadas em ideais o mais libertadores e flexíveis possíveis. Caso contrário encontraremos a sombra dessa rainha, que é justamente o preconceito, a visão estreita e nada inclusiva de certo e errado, e a crítica devastadora a tudo que não se encaixe dentro desta visão! O que poderíamos resumir citando aquela máxima que diz que a mente é uma ótima serva, mas uma péssima anfitriã.

Livros para ler:

- A Golden Dawn - A Aurora Dourada
De: Israel Regardie
Editora: Madras

- Dicionário de Símbolos
De: Jean Chevalier & Alain Gheerbrant 
Editora: José Olympio

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

As Muitas Faces do Arcano XVIII - A Lua...

The Moon, Old Tarot Card.
O Oculto

O oculto é onde habita todo o conhecimento inorganizado da mente consciente, os sonhos, as intuições, as experiências mediúnicas... Mas também os medos, as sombras da alma e suas assombrações... Oculto é o nome que damos ao absoluto desconhecido!

As Muitas Faces da Lua

Muito mais sobre a Lua... Mistério, sonhos, imaginação. Mediunidade espontânea e inorganizada, coisas obscuras, mal resolvidas. O Karma.
O ocultismo, a magia e todas as atividades que fogem à compreensão da mente racional e objetiva. Pode também ser a superstição!
Ligação mágica com as forças da lua. Conexão com a figura da mãe, porém, nunca de forma harmoniosa. Gravidez complicada ou indesejada. Problemas na gestação, ou de fertilidade. Pode simbolizar o trauma profundamente inserido na psique... No mundo concreto são s negócios feitos em surdina, tipo "na calada da noite". Alguns tarólogos veem ainda neste arcano o romantismo exacerbado, ou a melancolia frequente... Tudo uma questão do olhar!

The Moon, by xwocketx on DevianArt.
Leitura das quatro Fases da Lua

Como estamos todos conectados ao poder e à influência da Lua, trago hoje esse pequeno método para uma leitura reflexiva e de autoconhecimento baseado nas suas quatro fases.
Depois de embaralhar o maço de cartas com a mente limpa, corte-o em dois, junte novamente as duas partes em um monte com a porção inferior cobrindo a superior, espalhe as cartas em leque na sua frente e retire 4 arcanos. O primeiro ficará à sua esquerda e representará a Lua nova, o segundo ficará em cima e representará a lua crescente, o terceiro ficara à sua direita e será a fase cheia da Lua, e embaixo fica então a carta da Lua minguante.

1) À Lua nova pergunte: O que está adormecido em mim, e vire a carta (e que pode estar consciente ou inconsciente)?

2) À Lua crescente pergunte: O que está crescendo em mim dia a dia (positivo ou negativo)?

3) À Lua cheia pergunte: O que hoje me preenche e me toma completamente (positivo ou negativo)?

4) À Lua minguante pergunte: O que eu preciso deixar para trás para seguir o meu caminho evolutivo (simboliza a cura)?


Essa ilustração de Yulia Volchok, se assemelha
ou menos com o arranjo das cartas como eu o faço...
O arcano oculto (se houver) fica no centro.

Se sair mais de um arcano maior na leitura some-os para descobrir o arcano oculto. Por exemplo, se saiu A Justiça VIII, e a Roda da Fortuna X, some 8 + 10 = 18 = 1 + 8 = 9. Nesse caso O Eremita é o arcano oculto e o seu guia nesse momento de sua vida. Essa carta deverá então ser colocada no centro da leitura . Se utilizar apena os arcanos maiores some todos os quatro com o mesmo fim...

Observação: Para este método de leitura mesmo os arcanos compostos deverão ser reduzidos a um único dígito final, como no exemplo acima, em que 18 que corresponde ao arcano de A Lua foi reduzido a 9, de O Eremita. Os arcanos de 1 a 9 representam a essência e, portanto, a alma humana.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Sobre Reiki e as Outras Terapias...


Há algum tempo publiquei um texto onde falo dos equívocos criados ao se confundir a obra de Aleister Crowley, e mais especificamente o seu Thoth tarot, com a sua própria vida e personalidade. Há quem diga que o seu baralho é uma obra do “mal” porque o próprio Crowley era uma figura obcecada pelo poder, e o lado escuro, por assim dizer da magia. Esse tipo de engano é muito comum mesmo no meio dos estudiosos e pesquisadores de temas ocultos ou de ordem espiritual. O ego entra nesse embate muitas vezes fazendo que os buscadores se esqueçam de que o caminho evolutivo é de integração e não de divisão. Toda vez que definimos que “isso é bom e isto é mau” criamos exclusão, e afastamos de nós mesmos a possibilidade de aprender e crescer com aquilo que chamamos de sombrio, ou derivado do mal. A velha fórmula Luz x Sombra, ou Bem x Mal, gerou todo o conflito imaginável sobre a Terra! Ou seja, não serviu pra nada!
Eis que agora me deparo com uma declaração de uma amiga que ouviu de uma praticante de outra técnica terapêutica que está em moda atualmente (não vou citar o nome porque acho que não é o caso) de que esta técnica é “mais eficiente” de que o Reiki. Pois bem, não vou entrar aqui no mérito de que se a referida terapeuta está certa ou errada! Parece-me que esta pessoa, entretanto, ignora seriamente do que se trata o trabalho com a energia! Não é a técnica em si que detém o poder de abrir as portas da percepção e da conexão interior com fontes maiores de consciência, e mesmo de energia. Essa possibilidade mora dentro de cada pessoa, e depende exclusivamente de alguns fatores intransferíveis, como o grau evolutivo interior de cada um, e o comprometimento kármico com a questão que gera o desequilíbrio. Nenhum terapeuta ou terapia pode medir ou contornar isso. Sendo assim, uma pessoa que esteja pronta para se libertar de um processo kármico em sua vida, e que tenha evoluído suficientemente nesta, ou desde muitas outras vidas, poderá atingir os insights necessários para que sua compreensão liberte sua realidade, e que todas as energias e crenças limitantes se dissolvam. E isso pode se dar até a partir de uma técnica de incursão mais física num primeiro momento, e menos energética como a massagem ayurveda, por exemplo! Ao passo que outra pessoa que não esteja no mesmo ciclo evolutivo poderá contatar com uma das modernas terapias de dissolução de memórias e programações destrutivas ou densas, ou de acesso aos registros akáshicos, e tudo o que poderá obter é um alívio nos sintomas ou sofrimento. Isso ocorre porque NADA substitui o trabalho interno de desenvolvimento. A própria palavra “desenvolver” já diz, deixar de envolver-se com, assim sendo depende de uma atuação consciente e amadurecida. E esse é um caminho que ninguém pode percorrer por cada um de nós, não importa a eficiência da técnica ou a tarimba do terapeuta envolvido. 
Acredito que considerar esses fatores é fundamental para se levar adiante um trabalho holístico de terapia energética ou vibracional da Nova Era. Como também é fundamental que se entenda que cada terapia atua em diferentes faixas de frequência vibracional, assim como as pessoas segundo os já citados graus de evolução espiritual individual e envolvimento kármico com a situação geradora do desequilíbrio. Obtêm-se mais resultado quando se escolhe uma técnica terapêutica que atue na mesma faixa frequencial em que se está! E o único modo possível de se descobrir isso é testando e observando a si mesmo durante o processo. Por esse motivo considero mais saudável o caminho da experiência pessoal do que a pesquisa pela opinião alheia, que como vimos não raramente é saturada de desinformação ou preconceito!
Sobre o Reiki o que posso dizer é que se trata do reabastecimento do corpo físico e dos corpos sutis da energia “Ki” Universal, processo a partir do qual muitas curas ou reequilíbrios físicos e sutis podem ocorrer, mas nunca de modo programável ou previsível e é justamente isso que me encanta na prática Reiki nesses quase 20 anos de trabalho. O que não me faz desacreditar ou minimizar, de modo algum, a necessidade e a eficiência de quaisquer outras práticas energéticas e integrativas de consciência e cura.