quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Sobre Reiki e as Outras Terapias...


Há algum tempo publiquei um texto onde falo dos equívocos criados ao se confundir a obra de Aleister Crowley, e mais especificamente o seu Thoth tarot, com a sua própria vida e personalidade. Há quem diga que o seu baralho é uma obra do “mal” porque o próprio Crowley era uma figura obcecada pelo poder, e o lado escuro, por assim dizer da magia. Esse tipo de engano é muito comum mesmo no meio dos estudiosos e pesquisadores de temas ocultos ou de ordem espiritual. O ego entra nesse embate muitas vezes fazendo que os buscadores se esqueçam de que o caminho evolutivo é de integração e não de divisão. Toda vez que definimos que “isso é bom e isto é mau” criamos exclusão, e afastamos de nós mesmos a possibilidade de aprender e crescer com aquilo que chamamos de sombrio, ou derivado do mal. A velha fórmula Luz x Sombra, ou Bem x Mal, gerou todo o conflito imaginável sobre a Terra! Ou seja, não serviu pra nada!
Eis que agora me deparo com uma declaração de uma amiga que ouviu de uma praticante de outra técnica terapêutica que está em moda atualmente (não vou citar o nome porque acho que não é o caso) de que esta técnica é “mais eficiente” de que o Reiki. Pois bem, não vou entrar aqui no mérito de que se a referida terapeuta está certa ou errada! Parece-me que esta pessoa, entretanto, ignora seriamente do que se trata o trabalho com a energia! Não é a técnica em si que detém o poder de abrir as portas da percepção e da conexão interior com fontes maiores de consciência, e mesmo de energia. Essa possibilidade mora dentro de cada pessoa, e depende exclusivamente de alguns fatores intransferíveis, como o grau evolutivo interior de cada um, e o comprometimento kármico com a questão que gera o desequilíbrio. Nenhum terapeuta ou terapia pode medir ou contornar isso. Sendo assim, uma pessoa que esteja pronta para se libertar de um processo kármico em sua vida, e que tenha evoluído suficientemente nesta, ou desde muitas outras vidas, poderá atingir os insights necessários para que sua compreensão liberte sua realidade, e que todas as energias e crenças limitantes se dissolvam. E isso pode se dar até a partir de uma técnica de incursão mais física num primeiro momento, e menos energética como a massagem ayurveda, por exemplo! Ao passo que outra pessoa que não esteja no mesmo ciclo evolutivo poderá contatar com uma das modernas terapias de dissolução de memórias e programações destrutivas ou densas, ou de acesso aos registros akáshicos, e tudo o que poderá obter é um alívio nos sintomas ou sofrimento. Isso ocorre porque NADA substitui o trabalho interno de desenvolvimento. A própria palavra “desenvolver” já diz, deixar de envolver-se com, assim sendo depende de uma atuação consciente e amadurecida. E esse é um caminho que ninguém pode percorrer por cada um de nós, não importa a eficiência da técnica ou a tarimba do terapeuta envolvido. 
Acredito que considerar esses fatores é fundamental para se levar adiante um trabalho holístico de terapia energética ou vibracional da Nova Era. Como também é fundamental que se entenda que cada terapia atua em diferentes faixas de frequência vibracional, assim como as pessoas segundo os já citados graus de evolução espiritual individual e envolvimento kármico com a situação geradora do desequilíbrio. Obtêm-se mais resultado quando se escolhe uma técnica terapêutica que atue na mesma faixa frequencial em que se está! E o único modo possível de se descobrir isso é testando e observando a si mesmo durante o processo. Por esse motivo considero mais saudável o caminho da experiência pessoal do que a pesquisa pela opinião alheia, que como vimos não raramente é saturada de desinformação ou preconceito!
Sobre o Reiki o que posso dizer é que se trata do reabastecimento do corpo físico e dos corpos sutis da energia “Ki” Universal, processo a partir do qual muitas curas ou reequilíbrios físicos e sutis podem ocorrer, mas nunca de modo programável ou previsível e é justamente isso que me encanta na prática Reiki nesses quase 20 anos de trabalho. O que não me faz desacreditar ou minimizar, de modo algum, a necessidade e a eficiência de quaisquer outras práticas energéticas e integrativas de consciência e cura.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Oráculos... Qual Faz o Quê?

TAROT - Seus arcanos proporcionam uma visão ampla
sobre o momento presente e as influências que se recebe,
tanto temporais, quanto psíquicas, e até mesmo espirituais.

Tarot - Descendente da ancestral arte da cartomancia a tarologia destacou-se de sua ancestralidade por ser capaz de aprofundar, com mais precisão, e de modo mais incisivo, as questões que movem o momento de quem se consulta. Adaptou-se perfeitamente bem as modernas teorias sobre os arquétipos e a sincronicidade de C. G. Jung, e as relações de tempo/espaço da física quântica, sem perder a objetividade no trato com o mundo prático, o que ampliou imensamente sua popularidade e aplicação. 
É um oráculo que revela um período de tempo mais próximo, ou o "momento" de quem retira as cartas. Esse período de tempo pode compreender desde dias e semanas, a meses ou mesmo os últimos anos, como também é capaz de revelar influências do passado e antever prognósticos sobre o futuro. Enfim, fala de como estamos, de como fomos, e de como podemos ficar, ajudando a ponderar nossas escolhas.
Outros sistemas oraculares que seguem a mesma linha temporal, embora nem sempre com a mesma profundidade filosófica, são: cartomancia, runas, e o jogo de búzios.


I CHING - O Livro das Mutações, revela as melhores atuações
estratégicas diante dos dilemas da vida no caminho evolutivo.

I Ching - É o mais peculiar dos sistemas oraculares, assim como o Tarot ele também trata de um determinado período tempo, mas de modo mais específico. É um oráculo que requer uma pergunta feita previamente, e as peças lançadas a mesa levam a respostas incrivelmente detalhadas nos hexagramas desse livro milenar. O I Ching tem cerca de 3 mil anos, ou seja, é mais antigo que o novo testamento, sendo capaz de revelar atuações estratégicas dentro de um tema ou setor da vida. Suas mensagens se parecem muito com reflexões sobre o que se está vivendo num primeiro momento, mas ao se consultar as linhas móveis é surpreendente ver como as suas mensagens nos guiam a atitudes bem definias, e nos alertam para o que pode acontecer se optarmos pela inércia.
O I Ching não possui outros sistemas oraculares que sejam semelhantes a ele, e muito poucas pessoas se interessam por seu estudo e aplicação, para muitos parece suspeito ter de se ler o significado dos hexagramas no livro... Como se interpretar estes textos fosse coisa fácil...!


ASTROLOGIA - Considerada por muitos como a nova psicologia, 
é um vislumbre da proposta do ser para esta vida. 
Um guia sobre os desafios e potenciais latentes contidos na psique.

Astrologia - Uma das mais antigas artes oraculares, a astrologia é um profundo sistema de estudo da personalidade humana e dos seus ciclos evolutivos, como também de avaliação de prognósticos sobre o porvir. Assim como a tarologia absorveu bem as novas visões sobre a psicologia e a física moderna. 
Erroneamente muitas pessoas entendem a interpretação astrológica como sendo um processo puramente racional, o que em parte é verdade, de todos os sistemas aqui mostrados é o que mais se presta à investigação e padronização racional do homem, entretanto, somente com uma abordagem intuitiva dos símbolos astrológicos é que se é capaz de obter todo o seu potencial de revelação quanto de autoconhecimento. A Astrologia horária é uma aplicação do estudo dos astros para coisas bem específicas, como organizar eventos, programar partos, e antever o risco de grandes empreendimentos que envolvam muitas pessoas. É das formas oraculares a que melhor se presta para revelar as tendências na formação de uma família, escolha de parceiros e sócios, e na orientação vocacional, pois que revela a proposta do ser ao longo de toda a vida.
Outros sistemas oraculares que desempenham uma função parecida com a da astrologia são: a numerologia (tanto pitagórica, quanto cabalística e caldeia), e a milenar arte da quirologia (leitura das mãos).

Nota: "Existem diferenças interessantes na maneira desses três sistemas de sabedoria operarem. Claro que o I Ching pode também trazer reflexões sobre um determinado período de tempo mais amplo, da mesma forma que o tarot pode responder uma pergunta com muita profundidade e implicações filosóficas e reflexivas. Assim também a astrologia pode descrever um tempo mais breve da vida de uma pessoa... O que eu quero dizer para você é que essa não é a melhor aplicação desses oráculos. Eles possuem enormes qualidades, mas também limitações como o tudo o mais nesse mundo! Além de características bem próprias, como uma espécie de assinatura. O êxito ao se tentar inverter suas aplicações, pode ter mais a ver com o talento do intérprete do que com as tendências intrínsecas de cada sistema. O funcionamento acima descrito é o mais preciso, e o que se coaduna melhor com as características de cada um desses instrumentos oraculares... E se duvidar, faça a sua experiência!". (...)

TRECHO EXTRAÍDO do artigo Devemos Considerar as Cartas Invertidas?  
Publicado em 15/08/2011.

terça-feira, 12 de junho de 2018

O Enforcado Invertido...

O Enforcado XII,
do Illuminati tarot.
A lição do homem pendurado... 

"Perspectiva é tudo! Onde um vê o caos, o outro vê uma nova ordem. Onde um vê precariedade, o outro vê o essencial. E não adianta, ninguém pode forçar ninguém a mudar de perspectiva, esse é um processo pessoal e intransferível, geralmente acompanhado de alguma dor..."
Assinado: O Enforcado...!

Uma cliente tira O Enforcado invertido na posição 8, dos relacionamentos, na Cruz Celta... Muitos ignoram as cartas invertidas, com um variado repertório de justificativas! Eu Não! Observei tempo demais o aparecimento dessas cartas e posso afirmar que são absolutamente relevantes. 
Na posição que se encontra (amarrado e de cabeça pra baixo) O Enforcado nos fala dos desconfortos que esta vida proporciona, seus reveses íntimos, e decepções de toda sorte! Como disse Guilherme Arantes: "Quando fui ferido, vi tudo mudar das verdades que eu sabia...". É disso que nos fala O Enforcado, a súbita percepção de uma verdade, um desapontamento doloroso que muda nosso olhar sobre as coisas... Observamos, porém, que ele olha para o céu, o que tanto pode significar a sua dificuldade de olhar para a realidade dos fatos, quanto uma súbita epifania sobre o momento!
O Enforcado do Rider-Waite tarot, na
posição usual (esq.), e invertido (dir.).
Ao sair invertido ele continua amarrado pelo pé, mas pode iludir-se nutrindo a crença de que sai quando quiser dessa situação, ou de que ela não é tão ruim assim... Exatamente como a minha cliente, num casamento de 30 anos, o qual já havia "acabado" segundo ela há uns 10 ou 12 anos, mas do qual ela não conseguia sair, e nem se ver fora dele dizendo coisas como: "Mas ele é bom...". É, O Enforcado invertido é dose! Alertei sobre o risco da autoilusão (o que ela admitiu poder estar mesmo havendo), indiquei terapia com florais... Vamos ver como fica!

quarta-feira, 16 de maio de 2018

A Viagem da Alma nos Arcanos Menores...

Foi Arthur Edward Waite que ao lançar em 1910 o seu Rider-Waite, quem insinuou nas imagens desenhadas por Pamela Colman Smith sob sua orientação, que havia um caminho evolutivo dentro dos arcanos numerados de 1 a 10 de cada naipe. Não há como saber se isso foi consciente ou não, mas com certeza foi uma contribuição de imensa importância para o estudo, o desenvolvimento e a compreensão da tarologia como um todo. Igualmente importante, embora menos valorizada, foi a contribuição da parceria entre a taróloga Juliet Sharman-Burke e a astróloga Liz Greene. Setenta e seis anos após o lançamento do tarot Rider elas "explicitaram", por assim dizer, a existência de uma clara sequência evolutiva ao criar uma correspondência mitológica entre cada um dos quatro naipes do tarot com a viagem mítica de diferentes heróis gregos em seu Tarot Mitológico de 1986, com imagens de Tricia Newell.

A Viagem de O Louco continua nas cartas numeradas
dos arcanos menores (O Louco - Dioniso - do Tarot Mitológico).

Assim como nos arcanos maiores, onde revela-se claramente uma viagem evolutiva da consciência ao percorrer os 22 trunfos, que representam as experiências arquetípicas fundamentais da alma, também nas cartas numeradas dos quatro naipes ocorre uma jornada evolutiva dentro do escopo de experiências delimitadas por suas atribuições no mundo prático, em sua busca por manifestação na sequência de 1 a 10
Sendo 1 a vibração mais livre e expansiva e 10 a mais densa e condensada, veremos que os naipes de elementos yang ou masculinos, paus/fogo e espadas/ar, terminam suas jornadas de forma mais dramática, pois que suas naturezas voláteis requerem uma dinâmica e renovação constantes. Já os naipes que correspondem a elementos yn ou femininos, copas/água e ouros/terra, encerram suas trajetórias harmoniosamente, pois que suas naturezas mais plásticas e densas se coadunam melhor com o processo de manifestação, realização e estabilização.
Em paus vemos a força da ação criativa. Em copas a vivência dos sentimentos e da espiritualidade humana. Em espadas a busca pela verdade, e o confronto com inúmeros contraditórios nessa busca. Em ouros vemos o envolvimento com o mundo físico e dos sentidos, e o desenvolvimento dentro daquilo que conhecemos como a realidade!

Naipe de Paus


O Às de paus (A Fonte),
do Osho Zen tarot.
O baralho que, na minha opinião, melhor expressa as qualidades criativas e lúdicas do naipe de paus, regido pelo fogo, é o Tarot Zen de Ma Deva Padma. Inclusive nesse baralho o naipe de paus se chama “Fogo”.
A expressão do mundo criativo irrompe furiosamente no Às de paus, lançando luz, força e energia para todos os lados. Renovando, iluminando e revitalizando tudo! A partir do 2 de paus essa energia saturada de si mesma, procura uma atuação mais específica onde possa descarregar sua força acumulada. No 3 de paus essa força, plena e confiante de si mesma, começa a fazer experimentos testando a si e seus limites. No 4 de paus a energia criativa busca apoio e complementação para que possa se expressar harmoniosamente, mas acaba encontrando as frustrações naturais de todo processo criativo no 5 de paus, o que pode bloquear o processo, embora na maioria das vezes só o que faz é atrasar um pouco. 
No 6 de paus a vitória se dá, a força criativa atinge seu ápice, e o reconhecimento inevitável por todo o empenho realizado vem intensa e naturalmente... Um momento de puro regozijo! Mas a força dinâmica do fogo não para! Sua atuação segue adiante e no 7 de paus há o apelo para superar os próprios feitos, investir com toda a força, e nessa postura logo se chega aos limites de suas próprias forças, causando estresse e gerando um energia bruta que todos percebem, mas que poucos apreciam! De repente no 8 de paus o mecanismo criativo ilumina a si mesmo, e o que vemos é um súbito esclarecimento que faz sumir toda a tensão, traz um reconhecimento interno do extremo da própria situação mudando perspectivas ou a realidade externa, ou a ambos. 
Chegamos então ao 9 de paus, ou seja, uma completa exaustão das forças vitais, uma percepção de “eu não aguento mais”, embora ao redor tudo continue exigindo o emprego de grandes quantidades de energia... No 10 de paus não há mais possibilidades de se seguir adiante, a força criativa extingue a si mesma, pois como no movimento de A Roda da Fortuna, a roda do tempo girou e a contribuição de cada um foi dada, agora abre-se espaço para que outras formas de expressão e criação se manifestem e sigam o mesmo itinerário que se seguiu, retornando a força pujante e renovadora do Às de paus.

Naipe de Copas

O 3 de copas, do Rider-Waite.
Aqui eu percebo que a natureza emocional do naipe de copas foi bem captada pelo Rider-Waite Tarot, já a natureza mística desse naipe regido pela água, foi mais bem captada tanto pelo Tarot Zen quanto pelo Motherpeace Tarot.
No naipe de copas a força do sentimento mais profundo se esparrama sobre toda a criação, no Às de copas um místico sentimento de comunhão com toda a humanidade, a vida, os seres vivos, ou o propósito de uma atividade se dá (o encontro da vocação da alma), sem nenhuma necessidade de reconhecimento exterior. Só o que se sente basta. Nas experiências espirituais mais profundas esse sentimento de comunhão acontece em todos os níveis antes citados, e um canal de conexão com forças espirituais superiores se abre... No 2 de copas esse amor transbordante se polariza para que seja vivido no âmbito mais mundano e terreno do amor recíproco e companheiro, e assim chega-se ao 3 de copas com a sensação de que a vida é só júbilo, tudo o que nos vem é grato, e celebra-se todos os resultados por mais simplórios que pareçam aos olhos alheios. Mas, como o movimento da água é para baixo e para o centro, no 4 de copas nos recolhemos com nossos sentimentos como numa profunda meditação, e nos purificamos das influências exteriores. E então, subitamente percebemos que tudo que vivemos até aquele momento ou não representa mais nada, ou não traz mais satisfação, e despertamos desapontados no 5 de copas
Dentro da natureza da água sonhar e rememorar é inevitável, e passamos a idealizar um outro encontro ou a alegria em algo vindouro, mas com as expectativas do passado, e esse é o mundo do 6 de copas. Então, no 7 de copas, nossa busca por prazer e alegria nos leva a um mundo de confusões emocionais, buscas ilusórias e muitas vezes escapistas, falta de perspectiva e direcionamento, quando não de vícios e devassidão. 
Na dimensão lúcida do 8 de copas, assim como no arcano de A Justiça, despertamos para o que realmente estamos fazendo, e saímos em busca de algo que faça mais sentido e que soe mais verdadeiro a nossa alma, o que poderá envolver, ou não, algum sofrimento. Isso depende do nível de envolvimento com as ilusões vividas. 
No 9 de copas reconhecemos então que tudo o que precisamos sempre esteve ao nosso alcance, e que podemos desfrutar de tudo desde que não tentemos nos apegar a nada, entendendo que a evolução continua e que muitos mundos esperam por nós. Assim evitamos a indolência, vício típico do elemento água. Então encontramos a experiência de máxima satisfação e reconhecimento interior do 10 de copas, onde reconhecemos que toda a felicidade no aqui e no agora. A dualidade cessa, e estamos plenos na situação em que nos encontramos, como um Mestre em seu Nirvana.

Naipe de Espadas

O 10 de espadas (Ruína),
do Thoth tarot.
Tanto o Thoth Tarot de Aleister Crowley, quanto o Rider Waite, mostram muito bem como a mente opera em sua busca pela verdade, e no exercício da vontade e do arbítrio para empreender tal busca.
No mundo dual e conflituoso da mente, o Às de espadas traz um reconhecimento súbito, mas profundo, da verdade. Todas as dúvidas se dissipam e avançamos com ela como um sol a nos guiar em meio à escuridão. Clareza e perfeição sem máculas emanam de nossa consciência. Entretanto, como permanecer nesse nível, e em perfeita harmonia com ele, é para uns poucos iluminados, a dualidade da mente emerge no 2 de espadas se perguntando: “será mesmo?”. A verdade pessoal ao se confrontar com a do outro se estilhaça, ou pelo menos se divide em duas partes, e requer remissão e decisão. No 3 de espadas o impasse não pode mais ser protelado, e somos compelidos a agir segundo a nova perspectiva que se apresenta, o que sempre é doloroso! Não se abandona um aspecto da verdade que serviu como guia sem se viver uma espécie de luto... E no 4 de espadas a mente precisa de repouso e reflexão, como um doente convalescendo, ou alguém que se recupera de um luto... Dividir e comparar é da natureza da mente, e nesse momento de reflexão emerge o arcano do 5 de espadas, onde comparamos nossos resultados com os de outras pessoas, ou os nossos próprios planos e as expectativas criadas com o que de fato conseguimos realizar, e muitas vezes a sensação é de derrota pessoal e tempo perdido. Por ser muito influenciada pelo meio em que vive, a mente muitas vezes escolhe a opção de servir às demandas exteriores e se sobrecarrega de responsabilidades que imagina serem suas, o que faz a experiência do 6 de espadas ser sufocante. 
No 7 de espadas já não somos mais nós mesmos, mas um acúmulo de papéis sociais e conquistas que visam manter uma posição de status, muitas vezes forjada com mentiras, e tendo como válvula de escape uma vida secreta mantida com constrangimento. A lucidez se debate no 8 de espadas entre tudo o que considerou-se verdadeiro até o momento, autocobranças e autocríticas fazem-nos sentirmos culpados por não termos vivido nossas vidas por um lado, e por outro por ter de abandonar tudo e todos que nos seguiram na senda trilhada até o momento. No 9 de espadas não há uma solução clara para o impasse, é preciso mergulhar na dor para encontrar nela o antídoto contra o veneno que nós mesmos criamos.
Por fim, no 10 de espadas, a morte dos conceitos seguidos é inevitável! A mente anseia por renovar a si mesma, pois a sua busca é pela verdade, uma verdade que possibilite uma explicação para a vida! Por isso seus processos serem sempre tortuosos e dilacerantes, pois a mente cria mecanismos e se apega a eles, e assim é até que as dúvidas dilacerantes cessem e a mente iluminada se abasteça de si mesma, leve e flexível, observando o fluxo do todo ao retornar e permanecer na clareza do Às de espadas!

Naipe de Ouros

O 9 de ouros (O Zênite),
do Tarot of the Spirit.
Tanto Crowley quanto Waite trabalham neste naipe a ideia de trabalho e construção, bem como da ciclicidade da terra, enquanto as autoras Pamela Eakins em seu Tarot of the Spirit, Vicki Noble em seu Motherpeace Tarot, e Ma Deva Padma em seu Tarot Zen, trabalham o conceito de que neste mundo, e na comunhão com ele, é que se dá todo o desenvolvimento e amadurecimento da jornada espiritual.
A natureza da terra é concreta e cíclica, além de cheia de possibilidades, e no Às de ouros as possibilidades guardadas dentro de nós mesmos (a terra de nossas vidas) se expressam fluentemente, e tornam possíveis a concretização de qualquer coisa! Mas, lembrando que a natureza da terra e da realidade são cíclicas, o 2 de ouros vem nos mostrar que adaptabilidade à vida e aos ciclos da vida e da natureza são fundamentais. O que não significa abandonar conceitos e valores próprios, mas adaptá-los para se extrair o máximo de cada experiência e de nós mesmos. 
Com isso a dimensão do progresso, do crescimento, e da construção sólida e precisa se manifesta no 3 de ouros, e avançamos em sintonia com os ritmos da terra e da existência, e totalmente guiados por esses ritmos. Então encontramos no 4 de ouros a maravilhosa sensação de segurança que nossa criança interna tanto necessita, mas quase que invariavelmente essa segurança torna-se excludente, pois nos apegamos a ela, e evitamos a aproximação de outros que possam ameaçar ou roubar o que conquistamos. Passamos então a sentir muito medo. A vida é dinâmica, e a segurança de todos os 4 é uma ameaça a esse dinamismo. É preciso avançar! Logo entramos no 5 de ouros e podemos viver um inexplicável sentimento de menos valia, como se tudo o que somos só tivesse sentido pelo que possuímos. Se não se possui nada ou muito pouco então, isso só se agrava. E se perdemos tudo o que conquistamos passamos a ver a nós mesmos como uma criatura de menor importância e de pouco merecimento... 
No 6 de ouros aprendemos então a fazer concessões, a ver outras perspectivas, a ouvir quem não ouvíamos, e se isso for verdadeiro, e não uma manobra para a aceitação dos outros, então é simplesmente transformador. Entramos na dimensão do 7 de ouros onde entendemos que tudo tem um ritmo próprio, uma hora certa para tudo, inclusive nós mesmos, e que não chegamos a lugar algum avançando sobre esses ritmos. Como todos os 7 têm uma propensão ao exagero, a condescendência permissiva é uma perigosa possibilidade! 
Na dimensão lúcida do 8 de ouros o trabalho de reconstrução de si mesmo recomeça, com a simplicidade do “menos é mais”, com a disposição de reaprender com toda a humildade e devoção... Há, porém, o risco da subserviência, o que pode fazer com que o discípulo nem perceba quando já tiver se transformado num Mestre. No 9 de ouros, a consciência brilha com tudo o que amadureceu ao longo da sua jornada, houve grandes vitórias sobre si mesmo. Não somos mais vistos como uma estrela ou um fenômeno como no 6 de paus, mas como um Mestre ou um Sábio reconhecido que viveu e venceu a luta contra o pequeno “eu”. 
No 10 de ouros a consciência agora sabe que é a cocriadora da vida, e que pode manifestar o que desejar sem ignorar a natureza divina de tudo, nem as leis naturais, mas em sintonia com essas forças, fluindo com seus ciclos e em sintonia com suas essências. Descobre-se então que Deus/Consciência/Natureza são a trindade de que falam os mitos de todas as grandes civilizações, e as divindades de todas as religiões do homem!

Leia também:

O Naipe de Paus - A Energia do Fogo 

O Naipe de Copas - A Sensibilidade da Água 

O Naipe de Espadas - A Inteligência do Ar 

O Naipe de Ouros - O Poder da Terra 


sexta-feira, 13 de abril de 2018

A Magia do Dez de Copas

O Dez e copas, do
Osho Zen tarot. 
O ultimo arcano do naipe de copas corre para a manifestação do mundo físico no número 10. Como sendo um naipe de um elemento feminino (água) é no mundo físico que toma forma, que repousa, e encontra abrigo no fundo da terra. Assim, os desejos são todos realizados, os sonhos viram reais, e a sede incessante dos desejos acaba! Tudo é bom aqui e agora! Tudo está manifestado e é bom! Nada mais é preciso nem dentro e nem fora, nada está noutro lugar, tudo está no momento presente!
O Dez de copas,
do Connolly tarot.
Quando meus alunos me perguntam qual seria o aspecto negativo do 10 de copas, eu digo que sua negatividade consiste em não aparecer para nós pelo menos uma vez durante a leitura... Espiritualmente é o encontro da mente com o coração e o fim das dualidades dilacerantes... 
É o sucesso completo, a família no seu sentido mais profundo, o que não envolve somente laços de sangue, mas, sobretudo afetivos e espirituais, pois o naipe de copas é o que corresponde ao mundo da subjetividade da alma e das emoções. É o sentimento de se estar plenamente integrado, quer seja a uma família, relacionamento, caminho espiritual, grupo, nação, etc.
Na Cabala é Malkuth em Briah, ou seja, o Reino no Mundo Criativo e misericordioso de Deus, onde as formas primordiais são criadas.

O nome do Dez de copas em alguns baralhos modernos: 

Saciedade, do Thoth tarot, de Aleister Crowley. 
Harmonia, do Osho Zen tarot, de Ma Deva Padma. 
Paixão, do Voyager tarot, de James Wanless. 
Fonte de Amor, do Tarot of the Spirit, de Pamela Eakins.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

O Melhor Método de Leitura...

Lamento informar, mas ele NÃO EXISTE! O melhor método de leitura é aquele que consegue abranger o que você considera importante de ser pontuado numa leitura de tarot... Demora algum tempo até que se descubra qual método, entre tantos à disposição, serve melhor ao nosso olhar simbólico/intuitivo, e que nos ajudará a abrir o significado dos arcanos. Não é incomum que se faça algumas adaptações ao significado original das posições de sistemas muito antigos e tradicionais, como a Cruz Celta (também chamada de Cruz Céltica), para facilitar essa abertura. O importante é que uma vez escolhido o sistema de leitura ele seja praticado e praticado repetidas vezes! Hoje a ciência confirma o que os sábios das escolas de mistério já diziam... Quando a mente domina a técnica a alma se pronuncia, ou seja, quando o consciente se habitua com o sistema o inconsciente se exalta, e daí vem aquelas revelações profundas que nos fazem dizer a nós mesmos: "Como eu vi isso?". Por isso, escolha seu sistema de leitura e pratique frequentemente...! Isso aguçará sua percepção intuitiva e permitirá que sua visão interior aflore. Não há realmente nenhuma vantagem em se ficar trocando o modo de abertura a cada sessão, seja para uma leitura geral, seja para responder perguntas. Isso só torna suas sessões irregulares, porque faz com que a mente racional se obrigue a ficar atenta, e assim retém o influxo intuitivo do inconsciente...

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Tarot e Cabala - Arcanos Menores

Este meu artigo foi publicado no Clube do Tarot em 2009
 como uma síntese dos significados do simbolismo
 do Tarot e da Cabala combinados.
Espero que gostem...

Foi Éliphas Lévi quem no século XIX, em seu livro Dogma e Ritual de Alta Magia, relacionou pela primeira vez esses dois maravilhosos sistemas de conhecimento espiritual. Chegou a alegar, inclusive, que um seria incompreensível sem o outro. Mas o que é a cabala? Também chamada de kabbalah, qabalah e muitas outras grafias. Cabala é um esquema simbólico que preserva em si as relações entre o homem e Deus. Já foi um dos fundamentos da religião judaica, sendo depois incorporada durante a renascença, pelos estudiosos europeus, que se mostravam grandemente entusiasmados com todo e qualquer tipo de estudo espiritual religioso ou oculto. Nascia assim a cabala esotérica que passou a ser de domínio universal. Nessa mesma época ascendia também na Europa o esoterismo cristão, motivado pelo mesmo movimento.
A cabala deriva da palavra hebraica kibel, que quer dizer receber, acolher. Simboliza a tradição oral transmitida de boca a ouvido, aos patriarcas judeus e depois a todos os homens. A estrutura principal cabalística são as sephiroth, que em hebraico significa números, e o singular sephirah, é número. Elas representam as emanações de Deus neste mundo. Originam-se umas das outras e sucedem-se umas às outras. Cada uma possui um símbolo, uma cor, e um nome divino. Os nomes todos reunidos para os místicos judeus, são o santo nome de Deus. O estudo da relação da cabala com o tarot pode ser muito enriquecedor tanto para tarólogos tanto quanto para cabalistas. Talvez Éliphas Lévi tenha exagerado na sua explanação sobre a relação dos dois sistemas, mas é mesmo muito impressionante como certos símbolos e nomes das sephiroth cabem perfeitamente bem na relação com os arcanos do tarot. Vejamos:

Joseph ben Abraham Gikatilla. 
Augsburg, Johann Miller, 1516.

1. KETHER – COROA

Cor: Branco

Títulos: A fonte de energia do infinito invisível. A inspiração daquilo que não existe. A origem daquilo que existe. De onde viemos e para onde voltaremos.

Arcanos: Os quatro Ases.
Ás de Paus – Início vigoroso, força criativa e fertilizadora, impacto transformador.
Ás de Copas – Sentimento transbordante, canalização de forças espirituais superiores, doação, amor potencial.
Ás de Espadas – Inspiração da verdade, clareza, perfeição sem mácula, encontro da verdade.
Ás de Ouros – Expressão do potencial interno, manifestação de dons no mundo prático, expansão de si mesmo.

Símbolos: Coroa, Ponto, Suástica (Símbolo do poder solar).

2. CHOKMAH – SABEDORIA

Cor: Cinza.

Títulos: O Pai celestial. O desejo de poder. Fluxo da energia dinâmica. O grande estimulador. O primeiro positivo.

Arcanos: os quatro Dois e os quatro Reis.
2 de Paus – Domínio, exploração de possibilidades, vontade de crescer, prontidão para agir.
2 de Copas – Amor, atração, complementação de qualidades, amistosidade, sintonia.
2 de Espadas – Divisão da consciência, dúvida, indecisão, falta de fé; busca pela paz.
2 de Ouros – Mudança, adaptação às circunstâncias sem perder valores importantes, flexibilidade.
• Rei de Paus – Líder, comanda com vigor e alegria, movimento vigoroso para o progresso, fogoso e sedutor.
• Rei de Copas – Amigo, conselheiro, curador, terapeuta, vasculha o seu interior em busca das suas sombras para transmutá-las.
• Rei de Espadas – Estrategista, intelectual, administrador, a capacidade da mente de estabelecer esquemas e cumpri-los.
• Rei de Ouros – O grande realizador, sintetiza os outros elementos, tem uma visão holística da vida.

Símbolos: O falo, a linha, o yod (primeira letra hebraica).

3. BINAH – COMPREENSÃO

Cor: Preto.

Títulos: Mãe suprema. O desejo de criar. Organizadora e compensadora. O grande mar.

Arcanos: os quatro Três e as quatro Rainhas.
• 3 de Paus – O encontro com o novo, exploração de novos caminhos, movimento e mudança.
• 3 de Copas – Celebração, entusiasmo com os primeiros resultados obtidos numa empreitada, abundância.
• 3 de Espadas – Dor, separação, conflito entre mente e coração, dever e querer, escolha dolorosa.
• 3 de Ouros – Trabalho, progresso direcionado segundo a própria orientação e vontade.
• Rainha de Paus – Acolhedora, nutridora, calor humano nas relações e atividades de um modo geral, fazedora de ninhos.
• Rainha de Copas – Sensitiva, boa ouvinte, acolhe e compreende as dores alheias, profunda sintonia com as coisas da alma.
• Rainha de Espadas – Capacidade de separar o objetivo do subjetivo, clareza mental e de propósito, grande autonomia.
• Rainha de Ouros – Sensualidade, sintonia com as coisas do corpo e da matéria, deleite sensorial e material.

Símbolos: Yoni (a vagina arquetípica da grande mãe), o triângulo, a taça, o planeta Saturno.

4. CHESED – MISERICÓRDIA

Cor: Azul.

Títulos: O construtor. Pai amoroso que é rei. Receptáculo dos poderes. Estrutura de manifestação.

Arcanos: Os quatro Quatro.
• 4 de Paus – Ação conjunta por um objetivo, junção de forças internas ou externas, ação harmoniosa.
• 4 de Copas – Interiorização, momento de subtrair as influências externas, momento calmo, serenidade.
• 4 de Espadas – Parada para recuperação de forças, postergação de decisões, suspensão do fluxo natural dos acontecimentos, retiro.
• 4 de Ouros – Estabilidade material, construção de bases firmes e bem estruturadas, segurança, estabilidade.

Símbolos: A pirâmide, o quadrado, o cetro, o Planeta Júpiter.

5. GEBURAH – FORÇA

Cor: Vermelho.

Títulos: O destruidor. Rei guerreiro. Capacidade de julgamento. Clarificador, Eliminador do inútil.

Arcanos: os quatro Cinco.
• 5 de Paus – Conflito, litígios de todo tipo, desconforto ou desagrado, frustração do ego.
• 5 de Copas – Apego ao passado, trauma, perda do prazer, desapontamento.
• 5 de Espadas – Comparação do ego, espírito de derrota, inveja, balanço negativo da própria vida.
• 5 de Ouros – Perda financeira, sentir-se excluído, carência, sentimento de menos valia e não merecimento.

Símbolos: O pentágono, espada, lança, açoite, o planeta Marte.

6. TIPHARET – BELEZA

Cor: Amarelo.

Títulos: Consciência do Eu Superior e dos grandes Mestres. A visão da harmonia das coisas. Cura e redenção. Os reis elementares.

Arcanos: os quatro Seis e os quatro Cavaleiros.
• 6 de Paus – Vitória, autoconfiança, fama, brilho, reconhecimento dos méritos pessoais por si mesmo ou pelos outros.
• 6 de Copas – Visão de uma vida ideal embasado num molde do passado, saudade, romantismo, idealização do futuro ou da vida como um todo.
• 6 de Espadas – Estar sobrecarregado pelas opiniões e expectativas sociais, responsabilidade assumida por outrem.
• 6 de Ouros – Capacidade de auxiliar ao próximo, ou fazer concessões o tempo todo por medo da reação dos outros.
• Cavaleiro de Paus – Mudança, desejo de melhorar algo ou tira-lhe o melhor; intensidade, desejo incontrolável.
• Cavaleiro de Copas – Dedicação, confiança, lançar-se por inteiro num empreendimento, apaixonar-se por algo ou alguém, a fé.
• Cavaleiro de Espadas – Guerreiro, avanço implacável sobre a meta, determinação, agressividade.
• Cavaleiro de Ouros – Trabalhador incansável, disciplina para se fazer ou realizar algo, seriedade, trabalho árduo mas profícuo.

Símbolos: A rosa-cruz, a cruz da cavalaria, o cubo, o Sol.

7. NETZACH – VITÓRIA

Cor: Verde.

Títulos: Amor, Sentimentos e instintos. A mente grupal. A natureza. As artes.

Arcanos: os quatro Sete.
• 7 de Paus – Vencer os próprios limites, ansiedade, quer mostrar o próprio valor, estresse.
• 7 de Copas – Ser assoberbado pelos próprios instintos, fantasias, confusão emocional, total falta de clareza.
• 7 de Espadas – Dissimulação, falsidade, usar ”máscaras” ou subterfúgios para ser aceito socialmente.
• 7 de Ouros – Demora, respeito ao tempo natural, paciência, prudência. O avanço pode levar ao fracasso.

Símbolos: O cinto, a rosa, a lâmpada, o planeta Vênus.


8. HOD - ESPLENDOR

Cor: Laranja

Títulos: A razão. A mente individual. Sistemas, a magia e a ciência. Ponto de contato com os Mestres. Linguagem e imagens visuais.

Arcanos: os quatro Oito.
• 8 de Paus – Esclarecimento, alívio de tensões, abertura da mente, mudança de paradigmas, mudança física, viagem.
• 8 de Copas – Abandono do velho e estagnado em busca do mais puro e elevado, despedida, abandono.
• 8 de Espadas – A mente autocrítica, culpa, confronto dos valores externos com os internos.
• 8 de Ouros – O trabalho minucioso, humildade fruto de maturidade espiritual ou resignação covarde.

Símbolos: Nomes e versículos, o avental do mago, o planeta Mercúrio.

9. YESOD - O ALICERCE

Cor: Violeta.

Títulos: A luz astral. O depósito de imagens. As energias cíclicas subjacentes à matéria.

Arcanos: os quatro Nove.
• 9 de Paus – Uma grande força despendida, exaustão, empenho para manter algo conquistado com muito esforço; trabalho sem sentido.
• 9 de Copas – Felicidade material, satisfação dos desejos, ócio, descanso; preguiça, acomodação.
• 9 de Espadas – Sofrimento, autocobrança, sofrimento doloroso e intransferível; aprendizado obtido com a dor.
• 9 de Ouros – Amadurecimento, aprender com as experiências e vivências, atingir o topo do próprio potencial, ganho, auto-suficiência.

Símbolos: O perfume, as sandálias que se usa no templo, a Lua.

10. MALKUTH – O REINADO

Cor: Amarelo limão, verde oliva, castanho avermelhado, e preto.

Títulos: A terra em que caminhamos. Kether inferior. O complemento. A mãe inferior.

Arcanos: os quatro Dez e os quatro Valetes (Princesas ou Pajens).

• 10 de Paus – Assumir grande responsabilidade, opressão das necessidades pessoais em prol de uma meta.
• 10 de Copas – Encontro da saciedade, sentimento de harmonia, sentir-se integrado a algo, grupo, família, empresa, etc.
• 10 de Espadas – Fim de um estágio da consciência para atingir outro, a morte dos valores do ego.
• 10 de Ouros – Assumir-se como coautor da própria vida, cumprimento da obra a que se propôs.
• Valete de Paus – Alegria, espontaneidade, ação criativa que empolga; inconsequência, imaturidade.
• Valete de Copas – Desejo de servir ao próximo, gentileza, delicadeza, sensibilidade artística ou espiritual.
• Valete de Espadas – Abarcar muitas ideias ao mesmo tempo, inovador no pensamento; confusão mental, excessos mentais.
• Valete de Ouros – Aprofundamento numa questão, estudo, aprendizado que reverte em ganho, crescimento.

Símbolos: O altar de dois cubos sobrepostos, a cruz grega (de braços iguais), o círculo, o triângulo e o último heh do nome sagrado de Deus.


Bibliografia: 
- Dion Fortune, A Cabala Mística. Editora Pensamento.
- Charles Fielding, A Cabala Prática. Editora Pensamento.
- Francisco V. Lorenz, Cabala. Editora Pensamento.
- Perle Epstein, Cabala - O Caminho da Mística Judaica. Editora Pensamento.
- Robert Wang, O Tarot Cabalístico. Editora Pensamento.
- Hellyette Malta Rossi, Kabalah - O Caminho da Flecha. F.E.E.U - Porto Alegre.
- Galcy Rolim Corrêa, Cabala. F.E.E.U - Porto Alegre.
- William What, Mistérios Revelados da Cabala. F.E.E.U - Porto Alegre.