quarta-feira, 19 de agosto de 2015

As Cartas Não Mentem Jamais?

A essa pergunta, que na verdade é uma máxima atribuída aos ciganos e transformada em interrogação, eu digo que N ã o! Elas não mentem! Por quê? Não vejo como símbolos do inconsciente poderiam estar errados sobre o que eles revelam espontaneamente. Nunca vi as cartas errarem, por exemplo, sobre uma questão do presente. O que vi, e vejo, são pessoas negando o que é revelado! Uma história que conto aos meus alunos, e que se passou comigo no início do meu trabalho com o tarot, foi o de uma senhora em torno dos seus sessenta e poucos anos que me procurou para ler as cartas. O tarot mostrava de cara que esta mulher tinha de aprender a seguir os desejos do seu coração, sem se deixar influenciar com as reações e opiniões daqueles que a cercavam... Antes mesmo de eu terminar a leitura ela me interrompeu dizendo que aquilo não era verdade! Que ela fazia sempre o que queria fazer sem se preocupar com o que os outros iam pensar, que era e sempre foi uma pessoa muito independente! Pois bem, pouco mais de meia hora depois de ter me dito isso a percebo olhando nervosamente para o seu relógio de pulso, até que me pediu: “Será que poderia fechar as cortinas da janela, por favor?”, então eu disse que por ser inverno, e a iluminação da sala ser indireta, o ambiente ia ficar muito escuro... Então ela me revelou que morava no prédio em frente, e que de sua janela era possível me verem atendendo em minha mesa de leituras... E eu perguntei: “Mas e daí...?”, ao que ela me respondeu um tanto constrangida: “É que este é o horário em que minha filha chega em casa, e não quero que ela me veja fazendo essas coisas...!”. Fiquei atônito por um tempo, mas decidi não voltar ao que tínhamos falado anteriormente. Em parte porque me pareceu que ela não estava totalmente consciente da sua contradição. E também porque acredito que não temos de provar nada a ninguém, nem esfregar na cara das pessoas verdades que elas não reconhecem ou não estão prontas para admitir. Não é este nosso papel! Não tenho dúvidas de que casos como este ocorrem o tempo todo, e sei que qualquer pessoa que trabalhe com o tarot, ou cartomancia, ou runas, astrologia etc, tem histórias bem similares ou idênticas a esta!

O Futuro que não se Realiza ou Escapa...

Erros sobre o futuro? Bem, este é um caso que deve ser bem avaliado. Em primeiro lugar o que nos é dado saber, nos é permitido mudar. E fazemos isso consciente ou inconscientemente o tempo todo! E nesse caso as previsões podem funcionar como uma autossugestão, que atua positiva ou negativamente dependendo das esperanças ou medos que cada um carrega intimamente sobre o que foi revelado! É nesses momentos que a programação do inconsciente atua, ou seja é um fator puramente psicológico! Há alguns anos atrás um cliente veio me procurar para ler o tarot. Era um rapaz de orientação homossexual que se dizia cansado de ter “casos”, ou namoros inconsequentes. Ele dizia querer um relacionamento firme, mas que também fosse uma história de amor com consistência e profundidade. Abri as cartas para ver as perspectivas nesse setor de sua vida e... Nossa! Estava todo mundo lá! O Mundo, O Sol, 2 de copas, 6 copas, o 10 de copas... Sim ele encontraria um amor, mas seria longe de onde vivia. Seria numa viagem a estudo ou trabalho. Ele ficou contente, mas questionou que não tinha intenções de sair do estado para trabalhar e nem tão pouco tinha nenhum curso em vista num período de curto a médio prazo! 
Prognósticos, bons ou ruins, ativam
as programações do inconsciente.
Alguns meses depois uma cliente dele se mudou para São Paulo e precisou de seus serviços de designer na sua casa no bairro dos Jardins, por gostar muito do seu trabalho, e não conhecer ninguém na nova cidade, o chamou para ficar duas semanas trabalhando por lá. Ele foi e nesse período conheceu outro rapaz com quem se encontrou duas ou três vezes antes de vir embora. Desse momento em diante passaram a viver uma relação intensa, mesmo à distância. O novo namorado ligava todos os dias de manhã para desejar bom dia. A cada duas semanas pagava passagem de avião para ficarem juntos. Até que um dia, o referido novo amor atendeu ao telefone de modo estranho, ficou de retornar e não o fez, depois não o atendia mais... Foi o que bastou para o jovem que se consultou comigo entrasse numa viagem mórbida de autodepreciação, dizendo que é claro que o namorado devia estar com outro, porque afinal ele era feio, magro demais, não tão bem sucedido... Quando finalmente voltaram a se falar, ele decidiu terminar tudo por telefone, e não atender mais aquele que parecia ser tudo o que ele queria de uma relação! Mais um tempo depois o namorado o procura e diz que estava passando pelo pior momento profissional de sua vida, e que tinha recebido uma notícia bomba justo naquele dia. Que estava profundamente magoado por ter demonstrado atenção às necessidades do parceiro, mas que quando ele precisou tudo o que teve foi desconfiança e acusações. Não pediu uma nova chance e sim quis terminar definitivamente, pois já tinha sofrido com o mesmo tipo de coisa no passado e não queria mais repetir isso em sua vida. 
O Amor, um tema tão atraente quanto
saturado de programas culturais.
Quando nos falamos depois de tudo, ele me dizia não compreender porque reagiu daquele modo. Conversamos sobre as programações que todos carregamos sobre o amor, e ainda mais as pessoas que pertencem a grupos minoritários. Ele então citou que seu pai ao perceber sua diferença desde cedo, dizia a ele que pessoas “como ele” nunca eram felizes! Precisa explicar mais? Poucas pessoas nesse mundo se acham merecedoras de amor e felicidade. Isso parece ser mais uma coisa para os outros. Muitos culpam a nossa cultura judaica cristã, mas o fato é que isso acontece com hindus tanto quanto com muçulmanos, tanto no ocidente quanto no oriente, ou seja, é humano! Se não fosse assim não haveriam tantas terapias para nos orientar no resgate da própria felicidade, amor e saúde! No relato que fiz a pouco observamos que o namorado do meu cliente também tinha uma programação de amar demais e não ser acolhido, e os dois se encontraram, ao que parece, para corroborar com o programa infeliz um do outro. Diante de um prognóstico positivo o condicionamento relacionado ao amor e à felicidade foi ativado, e fez desmoronar as boas perspectivas. Muitas pessoas fazem isso todos os dias sem se dar por conta de que o fazem.

O Futuro que não se Revela...

Há também aqueles casos em que pessoas alegam que coisas importantes não foram reveladas na leitura, e que consideram por isso que o oráculo (seja ele qual for) errou. Bem, vou discordar disso também. Como sempre digo os oráculos não são meramente instrumentos divinatórios ou de avaliação psicológica, são também chaves de crescimento espiritual. Tenho observado que o que não nos é dado saber é algo que temos de passar, porque de algum modo serve ao nosso crescimento e amadurecimento interior, e não nos ser revelado é a forma de impedir a interferência da consciência e do arbítrio na situação. Mais uma vez tenho um caso que ilustra bem o que quero dizer. Uma amiga me procura para ler o tarot, ia fazer uma viagem de um mês pelo interior da França, num tour pelas regiões da Provença à Bretanha, com um grupo de amigos. Estava muito entusiasmada em conhecer a região, e em especial a floresta de Paimpont, ex Brocéliande, onde se encontra o suposto túmulo do Mago Merlin. Já havia consultado uma astróloga, e uma numeróloga de sua confiança, e agora queria ver se o tarot tinha algo a dizer sobre precauções quanto à viagem... Lembro-me das cartas de O Eremita e de O Sol terem dito que estranhamente ela não seguiria com os outros. Assustada perguntou se ficaria para trás! Eu disse que não, que ela ia junto, mas que não iria a todos os passeios, embora eu não soubesse o motivo. Como fazem algumas pessoas, irritantemente, ela começou a argumentar que era estranho, pois era uma das duas únicas a falar francês no grupo, e que seria também a motorista de uma das vans que levariam as pessoas.


Leituras oraculares são uma interação constante
com os aspectos obscuros da alma humana.

Uma vez lá, ela finalmente foi a tão desejada visita à floresta mágica e mítica de Paimpont. E justo neste passeio ela cai de uma ribanceira enorme, quebrando o braço bem na junta do ombro. O resultado? Uma cirurgia cara e delicada, meses de recuperação e a recomendação médica de não andar por longas distâncias, nem subir declives, pois tinha a partir daquele momento uma liga de platina que juntaria os ossos e permitira a cartilagem se recompor. Essa era na época uma técnica desenvolvida lá na França, e que permitiria recuperar totalmente os movimentos do braço, ou seja, mesmo no azar ela teve sorte! Voltou impressionada com minha leitura de tarot, e indicou muitas pessoas a se consultarem comigo! Entretanto eu estava intrigado com o fato de eu ver a consequência e não o fato que a levou àquela situação. Nada na leitura dizia “cuidado”, ou assinalava perigo. Não havia nenhum arcano ameaçador. Discuti isso com ela que disse estar impressionada de qualquer modo, mas que de fato nada lhe foi revelado que pudesse evitar o que aconteceu! 
Até que um dia, num dos nossos encontros, ela me disse ter refletido muito sobre aquela nossa conversa, e concluiu que se tivesse sido avisada sobre o risco de um acidente evitaria ir à floresta. Sempre teve medo de lugares acidentados e temia ir até lá! Como nada foi ressaltado ela seguiu o plano da visita. Disse que depois de meses sem poder dirigir, nem sequer cozinhar e mal se servir sozinha, e de ter de ficar confinada em casa por longo tempo, se deu por conta que aquela era a primeira vez que ela estava podendo voltar a pensar em si mesma. E no fato de não estar mais empenhada, como desejou estar, em realizar as coisas que satisfaziam sua alma. Desde que se aposentou (e isso já tinha alguns anos) ela estava envolvida com assuntos da mãe idosa, da irmã divorciada e dos sobrinhos, e grande parte da sua angústia era a de não poder estar atendendo essas pessoas. Estava ocupada com todos, mas não consigo mesma. Passou anos num trabalho que não a realizava. Jurou para si mesma que depois de aposentada se dedicaria à sua busca espiritual e ao estudo da astrologia, uma antiga paixão, coisa que não estava fazendo. Mas só pode lembrar-se disso ficando literalmente imobilizada dentro de casa. Chegou à conclusão de que tinha sido essa a finalidade de sofrer o acidente: Fazer-lhe lembrar do que tinha esquecido, e do pacto que tinha feito consigo mesma. Concordei inteiramente. Houve um equívoco? E se houvesse os outros oráculos teriam se equivocado mais? Minha experiência e observação nesses anos todos diz que isso não existe. Quer chamemos de inconsciente, divindade interior (Eu Superior) ou Self, a verdade é que não obtemos a revelação de tudo dessa parte profunda de nós mesmos, para que não atrapalhemos ao processo de integração com nosso propósito de alma. Simples assim! Nem sempre é possível descobrir o motivo de uma revelação não ter sido feita, simplesmente porque isso compete em grande parte ao próprio cliente, olhar para si mesmo com franqueza e refletir, como o fez minha amiga. E isso é para poucos.

Sobre o Olhar do Leitor

É claro que podem ocorrer erros de interpretação do leitor, isto sim! E penso que para esses leitores é mais fácil dizer que os oráculos erram do que admitir sua própria incompetência! E nem sempre, é claro, é só uma questão de competência, ou a falta dela. É também uma questão de olhar. Durante seis anos tive um grupo de estudos de tarot que chamei de Consciência Arcana. Era formado por ex-alunos que quiseram seguir estudando e praticando o tarot de forma assistida, uma vez por mês durante quatro ou cinco horas. 
A perspectiva e o alcance do olhar do leitor
definem a amplitude de uma interpretação oracular.
 
Uma das experiências que eu mais gostava era quando alguém trazia uma leitura que tinha feito em casa para um amigo, colega, parente etc. Ao se abrir a leitura, aquele que a trouxe deixava os outros falarem, cada um na sua vez, o que percebia para depois contar o que de fato tinha lido e o relato de quem se consultara. Era surpreendente como alguns conseguiam chegar a detalhes que o próprio leitor ou tinha ignorado, ou simplesmente não tinha visto numa leitura geral, por exemplo, enquanto alguns viam ainda menos do que o outro conseguiu “enxergar”. Havia também aqueles que viam a mesma coisa! E, o mais fascinante, é que todos tinham o mesmo conjunto de cartas na sua frente. Desde então isso para mim é prova mais do que suficiente de que se ocorre um “erro” de leitura, isso nada teve a ver com a linguagem dos símbolos, ou com o sistema oracular que foi empregado. Sempre tem a ver com as pessoas! Por isso considero a afirmação do tarólogo suiço Oswald Wirth (1860-1943) que diz que: “O próprio do simbolismo é sugerir indefinidamente; cada um verá o que seu olhar permita perceber”, uma verdade irrefutável no trabalho com os símbolos.

Sobre a Natureza dos Símbolos


Para aqueles que dizem que os símbolos são falíveis porque são humanos, tudo o que posso dizer-lhes é de que possuem um conhecimento no mínimo limitado sobre sua natureza. Nenhum símbolo foi inventado. Os símbolos nos foram inspirados, por isso só em parte eles são humanos. São recursos simbólicos e culturais que o homem acessou no seu mundo próximo, mas que são a expressão de uma força transpessoal, cósmica, ou divina. Escolha a versão que mais lhe agrada, mas saiba de antemão de que são todas elas verdadeiras! Um bom exemplo disso vem da astrologia. O planeta Júpiter desde tempos imemoriais tem sido visto como o arauto da abundância, da expansão, da generosidade e da proteção. Sendo por esse motivo o representante tanto de reis, quanto de pessoas nobres de alma. Isso tinha muito a ver com seus aspectos com outros planetas no céu, e o que ele promovia na Terra. Os antigos sumérios o chamavam de Enlil, deus do ar, do raio e das tempestades. Mas tarde os romanos deram-lhe o nome do seu deus supremo, Júpiter, que tem muitas das atribuições do Enlil sumeriano. Com a exploração espacial por sondas de todo tipo, e telescópios super potentes, as características astronômicas desse astro se revelaram. Descobriu-se, por exemplo, que Júpiter protege a Terra do impacto de meteoros e asteroides que podiam nos destruir (proteção/generosidade). Recentemente a sonda New Horizons mergulhou no espaço profundo para novas descobertas utilizando-se de seu imenso campo gravitacional como estilingue para se impulsionar na viagem, o que a fez alcançar a órbita de Plutão em 14 de julho deste ano (expansão). No século XVI esse planeta era associado às grandes navegações, e foi o regente das duas maiores nações navegadoras do mundo na época, Espanha e Portugal. Sem falar que este gigantesco corpo celeste emite mais energia do que recebe do Sol (abundância). 
Acho que você já leu estas palavras entre os parênteses antes, mas foi quando eu falava das suas antigas atribuições mitológicas dadas pelos povos do passado! Então como eles sabiam? É simples, não sabiam. Foram inspirados. Apenas usaram as imagens míticas que lhes eram conhecidas para expressar o que captavam intuitivamente da sua conexão cósmica. Estamos todos conectados, e como diz aquele axioma esotérico: “Assim como acima, abaixo...”. Portanto, um símbolo não pode ser influenciado ao se expressar. Porque é uma força transcendente que se utiliza de uma representação reconhecível à consciência humana para entabular uma conexão, e uma comunicação, com e através da alma.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Lendo com 3 Cartas

O triscal, símbolo do movimento que rege a vida.

Um dos mais simples e versáteis métodos de leitura de tarot é o de três cartas, suas muitas versões e possibilidades é o que pretendo explorar aqui. Originalmente usado para perguntas rápidas veremos que este método pode ir mais além! O procedimento é simples, embaralhe e retire do maço 3 cartas que poderão seguir uma das duas ordens abaixo conforme a natureza da questão formulada:



A primeira disposição é a mais conhecida e se refere aos três tempos, Passado, Presente e Futuro numa sequência da esquerda para a direita. E, geralmente, é uma tiragem feita para se avaliar o desenvolvimento de uma situação para o futuro, serve a questões do tipo: “Como ficará meu relacionamento, empreendimento, sociedade”? etc. A segunda disposição se refere a uma avaliação da interação entre duas forças, tendências ou personalidades! E isso quer dizer que foca mais no presente, e em como as coisas estão, e aponta uma direção sobre como agir. A posição 1 fica à esquerda e se refere a Tese, ou o que favorece a situação. A posição 2 fica à direita e se refere à Antítese, ou ao que desfavorece a situação, e a posição 3, que se localiza no centro do jogo, é o resultado desse confronto, a Síntese. Muitos nomeiam também como Situação, Discussão e Sentença... Pode haver muitas variantes, mas a ideia é a mesma. Esse sistema se aplica a perguntas do tipo: Como está meu relacionamento, empreendimento, sociedade”? etc. Outra forma bem conhecida do uso das três cartas é aquele em que o leitor pede ao cliente para que corte o maço em três montes antes da leitura, como uma forma de trazer a energia do consulente para o agora. Muitos tarólogos e cartomantes complementam essa abertura virando os maços que se formam para cima, e lendo as primeiras cartas ou arcanos que passam a representar o Corpo, a Mente e o Espírito do cliente naquele momento! Como uma síntese do que ele está vivendo e trazendo para a consulta. Técnica usada por minha querida tia Lourdes Crippa que foi uma grande cartomante, e que certa vez aos meus catorze anos abriu suas cartas para mim dizendo que eu ia trabalhar com cartas, mas que ela dizia não serem cartas como as que ela usava (um baralho Lenormand). Ela nunca tinha visto até então um jogo de tarot, e dizia intrigada que eu ia palestrar sobre essas cartas, escrever e ensinar a outros, e que ia viver disso... Trinta e dois anos depois eis eu aqui...! Faço desse texto minha homenagem saudosa à minha querida e altamente intuitiva, tia e amiga, Lourdes.


Baralho Lenormand.

O sistema de se usar as três cartas para avaliar os campos básicos da vida e da personalidade humana, corpo, mente e espírito, também pode ser usado como uma leitura geral em momentos em que há pouco tempo para uma leitura mais abrangente e profunda. Como acontece em eventos como feiras esotéricas, ou em seminários e congressos holísticos pelo mundo afora. Um bom modo de se fazer isso é se utilizando apenas dos arcanos maiores na leitura. Esse método nos permite ver a interação simbólica entre duas ou mais cartas por meio da interpretação dos seus números. Para o sistema de 3 cartas entenderemos então o Corpo como a vida material e financeira, caso queria especificar sobre saúde retire mais uma carta do maço. A Mente seria relativo aos planos, pensamentos, ideias e preocupações, mas que dependendo dos arcanos que saírem pode se referir à vida afetiva do cliente. E, por fim, a posição do Espírito se referiria às aspirações mais íntimas, aos sonhos e ideais, e a busca espiritual do indivíduo em relação ao momento. Vejamos esse exemplo de um amigo que me pediu para dar uma olhadinha no seu momento de vida:




Muitas atividades pareciam estar solicitando a atenção do meu amigo, e também exigindo dele flexibilidade ao lidar com tais situações (Os Amantes). Ele parecia compenetrado em realizar suas atividades, sem muito tempo para as questões sociais e românticas (O Eremita). O clima de sua vida no momento parecia ser a de uma cruzada contra si mesmo para vencer os seus limites e crescer financeira e pessoalmente (A Força)!

O Arcano Oculto

Ao somarmos as cartas aos pares a interpretação pode ficar mais clara ou confirmar o que já foi dito. Ao somar o 6 de Os Amantes com o 9 de O Eremita, obtemos o 15 de O Diabo. O que confirma que a compenetração do meu amigo tinha a ver com sua necessidade de reunir recursos e não com as outras “paixões” deste arcano. Ao somarmos 6 de Os Amantes com o 11 de A Força obtemos o 17 de A Estrela. O que me fez pensar que seu empenho em se desdobrar teria muito a ver com sua preocupação com os seus anseios sobre o futuro! Ao somarmos, por fim, o 9 de O Eremita com o 11 de A Força obtemos o número 20 de O Julgamento, o que demonstra que seu foco aliado à sua vontade aguerrida de vencer traria vitória certa em seu objetivo! Somando agora todas as três cartas do jogo, 6 + 9 + 11 = 26 = 2 + 6 = 8. O 8 é o arcano de A Justiça. O que fecha muito bem o esquema simbólico, representando um momento de retidão, decisões racionais, e de esforço consciente para manter o equilíbrio pessoal diante das demandas que se apresentam. Entendi também que A Justiça alertava para que o equilíbrio fosse mantido no sentido de não se prolongar essa retirada da vida afetiva e interior para além do necessário. Nesse ponto da nossa leitura meu amigo balançou a cabeça dizendo que estava se perguntando justamente isso, se já não era hora de “tirar o pé do acelerador” e voltar a viver um pouco!
Vejam só como a leitura de três cartas pode ser mais profunda do que se imagina, e é claro que isso não se dá por acaso. O complexo simbolismo dos arcanos do tarot, e sua imensa flexibilidade arquetípica, proporcionam essas viagens fascinantes pela vida e a alma humana.

Leia também: Como Está Minha Saúde? 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Instruções aos Neófitos

Dicas para Quem Está se Iniciando 
no Estudo do Tarot

Deparei-me com as sugestões abaixo visitando o blog da taróloga americana Mary K. Greer. Tomei a liberdade de "editar" algumas dessas sugestões, que me pareceram fora de propósito ou exageradas, e deixei aquelas que eu mesmo pude experimentar e comprovar a eficácia através do tempo! Espero que apreciem e façam bom proveito:

As Regras para se Estudar o Tarot
• Não há regras. Todas as regras são feitas para serem quebradas.
• Você pode ouvir e ler muito sobre o tarot, e tomar conhecimento de muitas coisas contraditórias. Ouça, leia, discuta, tente, e decida por si mesmo o que lhe serve. Ninguém sabe como você vai ler ou trabalhar com as cartas, exceto você.
A Aprendizagem do Tarot
• Quanto mais você souber, mais opções você terá.
• Leia livros, muitos livros.
• Não há nada de errado com os livros. O conhecimento adquirido a partir deles lhe dará um fantástico ponto de partida, e pode ajudá-lo a ter uma leitura com mais confiança.
• Tente ler uma carta primeiro antes de procurar seu significado nos livros. Você vai se surpreender com o quanto da essência do simbolismo você recebe intuitivamente.



• Conheça a suas cartas, puxe uma por dia e ou repasse por seu baralho carta por carta, e tome nota sobre cada uma delas. Escreva seus pensamentos e sentimentos sobre cada arcano em um diário.
• Aprenda o básico da história do tarot e seu simbolismo.
• Aprenda as correspondências astrológicas e elementares. Eles condicionam a mente a pensar associativamente e fazer conexões extraordinárias.
• Escolha um sistema de leitura e fique com ele tempo suficiente para obter a compreensão de suas ramificações simbólicas. Você só vai confundir a si mesmo se tentar muitas variações de métodos de leitura.
• Os arcanos são feitos de micro símbolos dentro de um macro símbolo. Cada um dos símbolos que compõem os arcanos podem abrir informações detalhadas, pertinentes e poderosas.
• Conheça o que as cores, números, e símbolos podem representar simbolicamente.



• Tire uma carta diária do seu baralho e deixe-a falar com você. Pergunte a si mesmo sobre as questões de sua vida.
• Faça tudo em voz alta, mesmo que você esteja apenas lendo para si mesmo.
• Associe de 1 a 3 palavras chave para cada carta.
• Leia as cartas visualmente, você é o livro.
• Seja amigo do seu baralho, ele consiste de 78 personalidades com quem você precisa se relacionar e conhecer bem.
• Torne-se amigo de suas cartas! Durma com elas, brinque com elas.
• As pessoas têm muitas camadas e assim são as “personalidades” de suas cartas.
• Ajuda se relacionar as cartas com pessoas e eventos que você conhece.
• Dê atenção especial aos arcanos que não parecem simpáticos a você.
• Leia as cartas diariamente para alguém: para si e para os outros. Mantenha um diário de seu trabalho de tarot, incluindo leituras periódicas.



• Você não pode aprender sem realmente praticar a leitura...  Pratique, pratique, e pratique. Leia para amigos, ou para estranhos sempre que tiver a oportunidade.
• Ao longo do seu dia, mantenha as cartas em sua mente. Veja como as diferentes experiências do seu dia a dia lembram os diferentes aspectos de vivências dos arcanos.
• Saiba tudo sobre o conhecimento de outras pessoas também! Há toneladas de livros, aulas, eventos on-line, e conferências que podem enriquecer a sua perspectiva.
• Atualize-se constantemente. Trabalhe espiritualmente em si mesmo o tempo todo. Continue crescendo e nunca ache que já sabe tudo!
• A leitura é uma fatia da jornada da vida de uma pessoa. É uma história.
• Tarot é uma bússola intuitiva, então esqueça a ideia de "ler o futuro”.
• Tarot é um espelho.
• Tarot é como a arte: Não é a interpretação feita por críticos de arte e o raciocínio por trás de uma obra-prima versus como ela faz você se sentir pessoalmente. É importante ver os dois lados.
• Interpretação é Conhecimento + Intuição.
• Lembre-se sempre de que os oráculos como o tarot, e outros, são pedaços de papelão com fotos sobre eles. A informação mágica, a sabedoria, está em você, não nas cartas.
• Você é o tarot! As cartas não são nada sem você. Elas são as janelas para o seu saber interior que já está todo aí dentro.
Baralhos
• Escolha um que você se sinta muito atraído, quer seja por sua beleza, quer seja por sua expressividade.



• Escolha um baralho com que se sinta bem. Ou que você se sinta confortável com seu simbolismo. Certifique-se que ressoa com você no que diz respeito à arte e mitos (e sua visão de mundo).
• Comece com um baralho que ressoe com você e conviva com ele por um bom tempo (um ano pelo menos), antes de passar para outros (e isso se sentir necessidade).
• Lembre-se o tempo todo: Mesmo que você já tenha um baralho favorito, confira outros, seus simbolismos e interpretações, e compare-os.
• Obtenha pelo menos um baralho "tradicional" e pesquise sobre seu simbolismo.
Sistemas de Leitura
• Comece com sequências menores.
• Comece com um método de uma ou de três cartas simples. Sistemas como a Cruz Celta geralmente são um exagero para iniciantes.
• Você pode criar seus próprios métodos de leitura adaptados, bem como usar os tradicionais.
Preparação para uma Leitura
• Lave as mãos antes de tocar nas cartas.
• Centralize-se antes de uma leitura.
• Proteja-se primeiro antes de uma consulta, acenda uma vela e, em seguida, peça a proteção e orientação sobre a leitura, convidando os seus guias para ajudar a tornar mais clara a sua interpretação e para manter as entidades inferiores a distância.
Ética
• As pessoas confiam em você com seus segredos. Mantenha-se digno dessa confiança.
• Leia para pessoa que você está na sua frente. Não fique tentado a ler sobre o marido dela, ou os irmãos, namorado, chefe etc, a menos que eles também estejam sentados na sua frente. Seja ético.
Consulta ao Tarot
• Não fazer a mesma pergunta muitas e muitas vezes. Se você descobrir que se tornou tão viciado em tarot que não pode fazer nada sem antes consultar as cartas, faça uma pausa.
• Use as cartas para ajudar você a entender mais sobre si mesmo. Elas revelam o que você já sabe, mas que por algum motivo não está conseguindo ver.



• Não tente prever, ou desvendar os meandros do destino (você pode fazer isso mais tarde, se desejar).
• Use as cartas para tudo... Vidas passadas, canalização e assim por diante.
• Não tenha medo de combinar modalidades: astrologia, leitura de aura, etc.
• Mantenha o foco nas cartas, não acrescente mais nada até que você tenha obtido tudo o que puder a partir das informações que já estão a sua frente.
A Leitura das Cartas
• A principal coisa é... Apenas no início, se você cometer erros, aprenda com eles!
• Em princípio firme a intenção de que você só vai ler as cartas na posição vertical até que você absorva bem o significado de todos os arcanos. A interpretação das cartas invertidas será mais fácil quando você souber mais profundamente sobre os seus significados verticais.
• Mantenha uma "cola", no caso de você ficar preso em um significado de uma carta. Não tenha medo de procurar um significado em um livro. Apenas uma palavra ou frase pode ser o suficiente para estimular você para contar o resto da história.
• Preconceitos ou ideias fixas sobre o que cada carta significa podem bloquear a sua capacidade de interpretação.
• Seguir o primeiro pensamento é melhor, e mantenha a leitura simples, lembre-se de que está lendo uma história através dos símbolos.



• Use todos os seus sentidos para associar aos arcanos imagens, palavras, músicas, sentimentos. Em seguida, conte uma história com eles.
• Tente não ver qualquer carta apenas como positiva ou negativa, deixe as imagens “falarem” mais amplamente com você.
• Não insista com o cliente que você está certo, nem se desculpe por estar errado.
• Não edite a si mesmo. O que primeiro vem à sua mente provavelmente é o certo.
• Não use a primeira palavra que vem à sua mente, pois isso pode impactar negativamente a pessoa para quem está lendo. Filtre tudo através do amor (um "filtro de amor"), ou seja, o que tiver de dizer diga de uma forma que seja construtiva. A Primeira premissa é a de não chocar ou agredir. Antes de falar, considere o lema "O amor é sempre a reação apropriada”. E nunca force uma pessoa a ir aonde ela não quer ir, ou compreender algo que no momento ela não tem condições.
Predições
• As previsões devem ser feitas com muito cuidado. Elas podem se tornar realidade, porque as pessoas colocam sua crença, suas emoções e energia para a previsão.
• EVITE prever morte, doença, desastres, divórcios... Via de regra, não acrescentam nada ao processo evolutivo do indivíduo! Exceto se o cliente quiser saber, mas não se constranja em se recusar a ver isso caso não aprecie esse tipo de abordagem! Lembre-se: O trabalho é seu!
Fé e Confiança
• Sempre confie em sua intuição.
• Ocasionalmente alguma nova percepção virá para você durante uma leitura, e que não tem nada a ver com o que você conhece ou já estudou. Confie nela. Diga o que você vê, mesmo que isso não faça muito sentido para você.



• Se você vê algo, diga. Pode ser a resposta exata versus o "livro do fulano de tal” como resposta.
• A visão é um dom, use-a com confiança, fé e integridade.
• Confie em seu primeiro pensamento. Você pode procurar o significado de acordo com a tradição mais tarde, se quiser.
• Confie no que você está dizendo, e não se o consulente pensa que isso é "certo" ou "errado". Com certeza é o que o consulente precisa ouvir.
• Tenha fé nas cartas. Só porque você pode não entender o que está sendo mostrado, não significa que não haja uma razão. Relaxe, respire e o entendimento virá para você.
• Não há problema em errar no começo.
• Não se leve tão a sério.
Na Consulta
• Não tome a arrogância ou a agressão das pessoas para si. Geralmente é apenas medo. 
 • Pense sobre o que a outra pessoa precisa e não sobre como você está fazendo.
• Não ceda à tentação de dizer às pessoas o que você acha que elas querem ouvir.
• Não deixe que as outras pessoas "controlem" suas leituras. Confie em si mesmo e lembre-se de que você não tem nada a provar.
• Sim, o consulente sabe sobre si mesmo melhor do que você. Mas você sabe sobre as cartas melhor do que ele ou ela.



• Lembre-se de que você está ali para ajudar o cliente a encontrar sua própria verdade através de um relacionamento entre você, o cliente e as cartas!
• Não leia para a mesma pessoa, para a mesma questão, mais de uma vez em uma lunação (período de um mês ou até mais!). As coisas levam tempo para se desenvolver.
Sobre sua Singularidade
• Conhece a ti mesmo! Faça disso um lema e busque recursos para isso como terapias, meditação, consultas a outros profissionais, etc.
• Cada leitor de tarot é único e traz os seus próprios conceitos e talentos à leitura. Seja você mesmo.
• O tarot se comunica de maneiras diferentes para pessoas diferentes. Preste atenção para as formas específicas com que o tarot comunica ideias para você.

domingo, 7 de junho de 2015

Símbolos Reiki... Quando Usar?


Os símbolos reiki canalizam a energia ki
universal para partes específicas do ser.
Por mais que se repita como é difícil desfazer a crença de que os símbolos do reiki não o tornam mais forte, mas sim apenas direcionam a energia ki para partes específicas do ser! No nível II de reiki são transmitidos três símbolos que atuam no corpo físico, no corpo mental/emocional, e no corpo espiritual. Esses símbolos acabam sendo conhecidos por esses nomes por aqueles que preservam, assim como eu, o sigilo reiki proposto por Mikao Usui. O símbolo da cura física, o símbolo da cura mental/emocional e o símbolo da cura espiritualUsamos estas imagens, que funcionam como Yantras (imagens que curam), quando realizamos a cura à distância, ou em casos bem específicos, como num acidente com queda, queimaduras, ou cortes, onde se usa o símbolo da cura física para aliviar a dor e estimular a cicatrização aplicando-o direto no local da lesão! Em crises de pânico, fobias, depressão, confusão mental, insônia, etc, aplicamos o símbolo da cura mental/emocional, por ser o mais apropriado para esses casos. Quando não estamos presentes, e precisamos atender alguém, abrimos os trabalhos de cura utilizando o símbolo da cura espiritual. Ele rompe com as fronteiras tempo/espaço e permite que a energia reiki chegue até a pessoa a ser tratada, e permite também o envio da energia através dos outros símbolos, potencializando sua utilização. Muitos Mestres reiki dizem também que este símbolo ao ser enviado elimina energias intrusas, miasmas energéticos, e forças obsessoras que se encontram no ambiente em que está a pessoa a ser tratada. 
Sim, você deve estar pensando, mas e no tratamento presencial não me utilizo de nenhum símbolo? Você os utilizará quando for necessário dentro dos exemplos citados. Caso seu cliente reclame que não tem conseguido dormir, ou tem sofrido de dores de cabeça, ou qualquer outra situação aguda que tenha se apresentado! E repetindo o que já se fala na maioria dos seminários de iniciação em reiki pelo mundo afora: Os símbolos não tornam o reiki mais forte, intenso ou eficiente! O que determina a intensidade da energia ki recebida é a própria pessoa em tratamento. Vale também lembrar que isso não é uma decisão racional de quem recebe a cura reiki. Na maioria das vezes é um processo subconsciente. As pessoas se ligam às suas doenças por muitos motivos. Muitas vezes não conseguem superar as emoções que originaram os distúrbios ou enfermidades. Outras vezes essa crise, ou doença, serve como um sinal ou apelo para que a pessoa evolua em algum aspecto da sua vida. Para que aprenda algo importante para sua evolução pessoal. É muito dito, mas pouco compreendido, que crises são oportunidades de crescimento. Em muitos casos os sintomas desaparecem concomitantemente ao processo de absorção do aprendizado interior, mas isso não é uma regra. Lembre-se disso! Então, respondendo à pergunta anterior: Não, você não precisa se utilizar dos símbolos reiki num tratamento presencial! É claro que não se trata de uma proibição, mas de uma recomendação que pode ajudar você a transformar o momento da aplicação reiki também num momento de meditação e maior sintonização com seu cliente! A conexão/transmissão da energia ki através do toque pode criar uma onda de relaxamento intenso para ambos! Explore isso como um recurso tanto meditativo (para ambos) quanto curativo!

A energia reiki circula de modo homogêneo por todo o sistema
físico e sutil durante o tempo de aplicação.

A utilização dos símbolos reiki é bem importante em momentos em que temos de fazer uma aplicação rápida, como em emergências, ou em situações em que não dispomos de muito tempo ou espaço para um tratamento completo! Uma aluna minha de tarot, que também é reikiana, conta que certa vez foi a uma festa na empresa de seu marido, e que lá encontrou uma velha conhecida que havia tido um espasmo muscular no rosto devido a um choque térmico ao sair do banho. Imediatamente ela pensou que o reiki poderia ajudar. Levou essa pessoa até um canto afastado, segurou em sua mão e disse para ela se concentrar enquanto lhe passava reiki. Apesar de desconhecer do que se tratava a mulher aceitou sua ajuda, e na hora de receber a transmissão da energia ki ela fechou os olhos. Minha aluna fez o mesmo. Foram pouco mais de cinco minutos de aplicação, quando as duas voltaram a abrir os olhos o rosto da mulher havia se recuperado quase que totalmente do espasmo, O olho tinha aberto e parado de lacrimejar, a boca, que parecia deslocada, havia se endireitado quase que por completo! Mesmo sem saber exatamente que tratamento era aquele, ela quis receber mais aplicações e com muito entusiasmo! São em situações deste tipo que os símbolos reiki podem, e devem, ser utilizados.
Importante salientar mais uma vez o que também se repete muitas e muitas vezes em seminários reiki pelo mundo a fora: Reiki é uma energia inteligente! As posições em que colocamos as mãos servem mais para o relaxamento, o aconchego e a meditação propriamente ditos. Como no relato acima vemos que uma pessoa receberá toda a energia reiki de que precisa, por menor que seja o tempo de aplicação, e não importando onde se localize o desconforto ou a enfermidade. E muito menos o local onde colocamos as mãos para efetuar a transmissão da energia ki.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Tarólogo: Profissão ou Missão?

As diferenças entre um caminho 
em que se coloca todo o coração, 
e outro em que se depositam 
apenas as ânsias do ego!


Tem me chamado muito a atenção o fato de grande parte das pessoas que procuram meus cursos para se iniciarem no tarot falarem logo em trabalhar profissionalmente com ele, antes mesmo de saber se são capazes de desenvolver algo para si mesmo através dos arcanos. De transformarem essa experiência em algo verdadeiro e profundo para si! É costume nos cursos, tanto de astrologia quanto de numerologia, que antes de ler o mapa de outras pessoas, se estude profundamente o próprio mapa! Estranhamente alguns agem com relação ao tarot como se ele fosse um instrumento antes para os outros do que para si mesmo! A linguagem simbólica do tarot é um caminho metafórico de desenvolvimento pessoal, tanto prático e psicológico, quanto espiritual. Antes de usá-lo para tentar mergulhar no outro, sugiro que mergulhemos em nós mesmos. Você não pode levar o outro em segurança a onde você mesmo nunca esteve! Os tipos carreiristas sempre parecem bem intencionados, mas mentem para si próprios. Logo farão o mesmo para o resto do mundo. Pessoalmente eu nunca vi o tarot como um trabalho, ou profissão. Ele sempre foi, e ainda é, antes de tudo um instrumento de expansão da consciência, crescimento, reflexão e de fascínio, que representa em suas imagens todos os conhecimentos espirituais que adquiri numa caminhada que se iniciou aos quatorze anos de idade! Viver do tarot foi um modo de poder focar mais nesta caminhada, e de compartilhar o que amadureci ao longo dela com as pessoas que se interessassem pelo o que eu tinha para oferecer! Simples assim. E seguir neste caminho foi algo muito estimulado por muitas dessas pessoas, que mais tarde vieram a serem meus clientes, alunos e amigos.
Este artigo que se segue foi publicado no Clube do Tarot em maio de 2008, e me parece cada vez mais atual e necessário de ser lido.

Tarólogo: Profissão ou Missão?

É muito comum que aqueles que se interessem por desenvolver o tarot acabem por ser solicitados ou mesmo que se automotivem a usar as cartas para outros. Basta alguém saber que você está lendo ou estudando o tarot experimentalmente que logo surgem os primeiros interessados em conhecer as suas habilidades.
Isso é natural e muito útil, pois pode auxiliar o leitor a treinar a sua intuição, bem como os seus conhecimentos sobre tarologia. Com a prática, e alguma auto-observação, o estudante perceberá que as mensagens lidas para outros servem, e muito, para o seu próprio crescimento interior, além de que ele mesmo possui uma peculiaridade no modo de ler, que consegue obter uma informação com mais precisão do que as outras, ou ainda, que sua leitura possui um viés próprio, uma assinatura.

O Eremita, A evolução da experiência.
Tarot of The New Vision, by Pietro Alligo.

*A prática mostrará a ele se sua leitura é mais analítica (baseada totalmente no conteúdo teórico de tudo o que você leu ou estudou e na sua habilidade mental para reuni-las na leitura), intuitiva (quando a sua intuição der saltos inexplicáveis e precisos, muito além daquilo que foi lido ou estudado por você), psíquica (quando imagens mentais – vidência – afloram com o auxílio dos arcanos, apesar de haver pouca ou nenhuma formação teórica), ou mais sensitiva (quando a inspiração combina conhecimento do tarot com a capacidade de captar mensagens do inconsciente de quem se consulta). Com o tempo essa assinatura aliada a sua habilidade psíquica mais desenvolvida o caracterizará como tarólogo e o auxiliará a formar o seu público.
Para algumas pessoas esse público crescerá de tal modo que viver desse trabalho, ou tê-lo como complemento de uma renda, será a consequência natural desse processo. O que vemos até aqui é o desabrochar de uma missão! Palavra que parece boba, fora de moda neste mundo obcecado por teorias, formatações e credenciais. A missão, contudo, não deveria ser encarada desse modo, ela é o encontro da consciência com o propósito intrínseco da alma.
Cumprir uma missão independe de a relação com essa atividade ser profissional ou não! Alguém que vive uma missão cresce com o seu caminho, não o tem apenas como um meio de ganhar dinheiro, mas como uma forma de desenvolver sua espiritualidade, compreender a vida e dar a sua contribuição para ela. Viver ou não com exclusividade desse ofício não importa, o que importa é realizá-lo com a máxima dedicação, como um sacerdócio, o que poderá ou não incluir pagamento em dinheiro. Para os que cobram o dinheiro é uma forma de estabelecer uma troca por um tempo que foi dedicado. Para os que se recusam a cobrar, o pagamento é a troca humana e o alargamento da percepção de mundo que o tarot nos proporciona. Não existe de fato um modo correto ou errado de estabelecer essa relação com o tempo e o dinheiro, depende de uma série de fatores pessoais e intransferíveis, e cada um deve refletir sobre o seu próprio caso.

O Perigo


Para quem fez alguns cursos, com aqueles que lhe apontaram como os “melhores” professores, com certificado e tudo o mais, e leu os melhores livros e participou dos melhores seminários... Bem, para esses parece mais do que claro que estão prontos para se tornar profissionais, abrir suas tendinhas e colocar em prática tudo o que estudaram e que, inclusive, pagaram para isso, com a melhor das intenções, é claro!
O problema desse tipo de leitor é que ele se esqueceu de que um tarólogo não é apenas um interpretador de símbolos, mas que é, sobretudo, um espiritualista, que por definição é alguém que tenta fluir com a existência observando os sinais da vida, sacando o que lhe é requisitado para que ele cumpra o seu papel na grande dança cósmica ao invés de se impor, muitas vezes por puro capricho do ego, ou como uma válvula de escape dos próprios problemas. Como disse Santo Agostinho: Misticismo é o conhecimento de Deus pela própria experiência.
Esse é o tipo que se pergunta primeiro se o “mercado” é favorável, se dá para viver disso, e se não der, logo se perguntará como optimizar essa possibilidade. Alguns acabam virando mercadores que muito rapidamente passam a classificar e pasteurizar o seu produto para melhor comercializá-lo, que lutam por um curso credenciado de tarot, garantindo sempre que é para melhor servir os que se interessam em consultá-lo ou estudá-lo, ou que é uma forma de respeitar e proteger esse belo manancial do conhecimento humano... Isso lembrou alguém?... É, tá cheio disso não é mesmo? Não significa ser contra a profissionalização, mas a favor da liberdade de descoberta pessoal que a prática tarológica proporciona.
Lembremos o arcano de O Louco, o caminhante que sai desse mundo abandonado as regras do sistema, o sublime transgressor, que renuncia a tudo o que sabe para percorrer a estrada única do seu desenvolvimento interior. A viagem dele pelos arcanos maiores é a nossa jornada pela vida. Quando termina a jornada, completamente iluminado, ele o faz do mesmo modo, livre, sem apegos às coisas desse mundo, sem nenhuma necessidade de autoafirmação ou auto-validação que venha de outros. Nem mesmo o cão que, no tarot clássico, rasga sua calça e parece querer detê-lo, símbolo da domesticação e da subserviência, é capaz de perturbá-lo. Nenhuma promessa de segurança é capaz de ludibriá-lo, pois ele sabe que a iluminação não é a consequência de um plano, e que qualquer caminho que realmente vale a pena percorrer não oferece garantias. As garantias vêm de sistemas mortos.

O Louco, o aspecto transgressor do espírito.
Osho Zen Tarot, by Ma Deva Padma
.

O que importa como somos classificados pelo ministério do trabalho? Do que valeu para qualquer classe de profissionais no mundo essa classificação, ou a garantia de direitos das associações ou sindicatos, a não ser, é claro, para criar uma massa não pensante, mesquinha e materialista? Os tarólogos que cumprem uma missão com o tarot vivem livremente nesse mundo desde o século XVIII.
Os profissionais que se organizam em qualquer tipo de movimento para regulamentar uma atividade o fazem para garantir, antes de mais nada, o exercício controlado de um trabalho para fins comerciais! Aqueles que se reúnem para definir códigos de ética não assumem, que no mesmo instante em que a ética tem de ser oficializada ela já morreu! O que pode fazer um curso credenciado a não ser formatar generalizadamente o conhecimento e destruir uma miríade de possibilidades de potenciais criativos e espirituais?

O Caminho


Para os que se interessam em desenvolver o tarot como uma prática espiritual, oracular e meditativa para si e para os outros eu já havia deixado a sugestão de alguns questionamentos no meu artigo O Papel Espiritual do Tarólogo, onde procurei instigar a pergunta mais importante que qualquer aspirante ao tarot deve se fazer: Por que eu quero fazer isso? O que me motiva mais profundamente a praticar o tarot? Para descobrir isso deixe o tempo atuar sobre você e o trabalho que você está criando, observe como se sente e qual é a demanda de trabalho que você tem. Como as pessoas recebem o que você comunica através do tarot? Que tempo demoram para retornar a consultá-lo? Observe as habilidades que a lida com os arcanos afloraram em você. E, sobretudo, reflita se a relação com o dinheiro, e sua inevitável flutuação numa atividade autônoma, o deixam tenso a ponto de atrapalhar o equilíbrio da sua relação com o trabalho tarológico.
Lembre que não há desvantagem nenhuma em se ter uma outra atividade complementar ao ofício com o tarot, em querer ter uma base de estabilidade financeira para fazer com relaxamento e dedicação uma atividade profunda como a tarologia. O único caminho que vale a pena ser seguido é aquele que vem de dentro, que nos eleva, nos ilumina e que nesse processo nos permite compartilhar nosso caminho e nossas experiências com outros. Se nossas vivências e estudos iluminam alguém mais, além de nós mesmos, então essa é a verdadeira realização.