segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Entrevista com o Tarólogo Jaime E. Cannes

Entrevista concedida o jornal VIVA BEM de Porto Alegre em Julho de 2010.


1. Jaime, como começou sua caminhada espiritual, e sua escolha pelo trabalho com a espiritualidade?


Iniciou por intermédio de meu pai, que intrigado com minhas perguntas existencialistas, resolveu me introduzir na filosofia espírita da qual, ele já era adepto havia muitos anos. Foi maravilhoso encontrar um conjunto de ideias que abarcava o conceito de um plano transcendente para a vida. Com o tempo, porém, eu me afastei por possuir mais afinidades com a filosofia esotérica e menos com os dogmas religiosos que também existem no espiritismo.


2. Como se deu a descoberta de sua aptidão pelo Tarot?

Foi um por acaso, como todas as coisas realmente geniais da vida! Uma prima me trouxe uma revista com uma matéria especial sobre tarologia, tinha um pequeno baralho de tarot de Marselha com os 78 arcanos, maiores e menores, e um livro. Comecei a estudar, treinar jogadas e anotar tudo! Com o tempo, algumas previsões se confirmaram e os parentes começaram a me procurar... Com a prática observei que a tarologia vai além das previsões, ela induz a uma profunda reflexão sobre nós mesmos, nos permitindo avaliar exatamente onde estamos e que programações ou condicionamentos nos fizeram chegar até esse momento, oferecendo-nos a oportunidade de mudar isso através do uso do livre-arbítrio.

3. Na sua opinião qual é a maior contribuição da tarologia para esse momento planetário de transformação da consciência?

É justamente essa: a de impulsionar essa transformação ainda mais! Hoje o trabalho com os arcanos nos oferece a possibilidade de fazer escolhas quanto ao nosso futuro, sem as programações sociais arcaicas que carregamos desde o berço. Há um velho axioma que diz: “Mude que o mundo mudará!” Pessoas com mentalidade renovada são mais capazes de assimilar as mudanças necessárias para alterar a relação que temos com o planeta, a natureza e a nossa própria comunidade humana. Deixamos de ser o gado da sociedade de consumo e passamos a ser seres pensantes. Nisso a tarologia vai além da psicologia, pois ela abarca a consciência do espírito em suas muitas vidas, o conceito de karma e evolução interior bem como as mais modernas teorias psicológicas!


4. Fale-nos um pouco de seu Livro “Tarot para a Autotransformação e a Cura”


O livro nasceu do incentivo de alunos e de amigos como a *Kátia Escobar, eles acharam que eu tinha de colocar algumas visões das minhas aulas e consultas que seriam uma contribuição para o estudo tarológico, como a interpretação dos sonhos com o tarot, a aplicação das cartas em tratamentos de cura como reiki, massoterapia, etc. E conceitos bem próprios como o da carta sintoma, a relação do tarot com o karma humano, as leituras em grupo (um lindo trabalho vivencial com o tarot) e assim por diante! Tenho recebido ótimos retornos dos meus leitores aqui no estado e pelo país!

5. Estamos passando por modificações planetárias seja pelas forças da natureza, seja pelo desenvolvimento de novas tecnologias e pela busca do conhecimento espiritual. Que caminho você vê que o homem precisa seguir para a sua harmoniza com o planeta?

Não existe outro caminho que não seja o do autoconhecimento! Quando você começa a se responsabilizar por si mesmo entende melhor o absurdo do consumismo que vivemos hoje e que está acabando com os recursos naturais. A mãe natureza é infinitamente pródiga sim, mas não significa que todos nós possamos ou devamos, morar numa casa com vinte cômodos, para quê? Costumo perguntar: onde uma Ferrari pode nos levar que um carro utilitário, ou mesmo uma bicicleta, não possa? Através do autoconhecimento nos livramos da papagaiada dos familiares, dos amigos e da sociedade que nos fez acreditar que temos de ter para ser. O autoconhecimento nos liberta para apenas sermos, essa é toda a maravilha da existência! Somos perfeitos como somos, não necessitamos de apetrechos materiais títulos ou graduações acadêmicas para isso.


6. Estamos atualmente em meio a eventos que distanciam as pessoas, seja pela rivalidade política local, seja pela rivalidade esportiva, o meio global. O que isso traz para o coletivo social?


A total alienação da nossa natureza humana e amorosa! Somos os únicos seres que entendem o conceito de amar. Creio profundamente que os animais também amem, mas não entendem o conceito de amar, não são tão conscientes! Por isso alguém passa por um mendigo moribundo no meio da rua e não se dá por conta que ele está prestes a morrer, ou um homem é capaz de fazer um programa com uma prostituta menor de idade sem remorso algum, pois ambos creem que “não foram eles que fizeram aquilo”! Isso é o que ocorre quando as pessoas não são autorresponsáveis, quando não tem nenhuma reflexão! Todos nós ajudamos a fazer essas coisas justamente com a nossa indiferença. Não somos todos culpados, mas sim responsáveis! Um mundo melhor é responsabilidade de todos nós!

7. Ao leitor do Viva Bem, deixe um recado para esse período. 

Cuidado com ideias que vendam a você e que você compra. Muitas boas ideias se transformaram em movimentos radicais e até violentos. Não creia em nada que o coloque à parte dos demais. Tudo o que pode fazer você parecer estar totalmente certo. Ninguém está! Todas as verdades são as faces múltiplas da verdade, cujo corpo imenso permanece um mistério, assim uma única pessoa jamais a verá, a menos que se junte às verdades de todas as outras pessoas desse planeta. Nascemos para viver de mãos dadas e não atadas! Pense nisso! 

* Fundadora do Jornal  Em Aquarius

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Labirintos - Caminhos para o Sagrado

Os labirintos são símbolos pagãos encontrados em todos os continentes tanto entre os povos tidos como primitivos, como os navajos da América do Norte, como entre os gregos e os indianos! Suas formas circulares nos remetem ao útero materno e ao interior da terra, ou de nós mesmos! O labirinto de sete voltas (abaixo à esquerda) vem a ser o mais difundido dentre todos, aparece em todo o planeta. Mas qual seria a função original dos labirintos? Eis a questão! Tudo o que se tem são hipóteses. As que mais me agradam são as que mostram o labirinto como uma imersão em si mesmo, um encontro com a sombra, ou uma simulação da morte em vida.
Assim como na morte entramos no labirinto mergulhando no desconhecido, a entrada da cova. Ao encontrar o seu meio estamos integrados no si mesmo, e a partir daí a segunda parte da jornada é a saída para a luz pelo útero da mãe terra! O movimento externo libera uma energia psíquica interior de resolução. A moderna psicologia descobriu através de sucessivas experiências que, se entrarmos num labirinto com uma dúvida ou questionamento, ao sairmos a resposta aparecerá! Se a aceitaremos ou não é outro processo, mas ela vem.
A igreja católica se apropriou deste antigo símbolo, dando-lhe um significado mais “cristão”. Para os cristãos franceses os labirintos eram chamados de Chemin de Jérusalem, ou Caminho de Jerusalém. E em igrejas como Chartres e Reims os peregrinos tinham de perfazer seu trajeto de onze voltas de joelhos. O onze estava associado ao pecado por ser o número que excedia aos dez mandamentos sagrados. Essa forma de peregrinação aludia à subida de Jesus ao Gólgota, onde ao chegar, e antes de expirar na cruz, ele encontra o seu Deus. Por isso a saída dos labirintos nos templos cristãos era defronte ao altar, para simbolizar esse encontro com o Divino. 
Os labirintos medievais encontravam-se sempre no portal oeste das igrejas. O lado onde o sol de põe, o quadrante da purificação. O labirinto de Reims era angular e foi destruído em 1768 porque o clero irritou-se com as brincadeiras de crianças dentro dele, *e isso lembrava antigos ritos pagãos como os que eram feitos a Dédalo e Ariadne. Além do que folguedos não combinavam com a postura sisuda da igreja na época.
Uma antiga lenda grega falava que no palácio de Cnossos o rei Minos sacrificava todos os anos vinte rapazes e vinte moças para um monstro terrível com corpo humano e cabeça de touro, o Minotauro. Sua fome insaciável o tornou muito temido. A besta era filho da esposa de Minos, Pasifae, com um touro ofertado pelo deus Poseidon ao rei como uma prova da aliança que fora realizada entre eles. Poseidon tornaria Minos o rei mais rico do mundo e após ter feito isso ele levantaria um templo em nome do deus dos mares e devolveria o touro. Entretanto, o animal era fabuloso! Era branco mármore, com chifres polidos como madeira, ele ainda tinha uma joia incrustada bem no meio de sua cabeça que emitia um brilho capaz de ser visto a quilômetros de distância. O ambicioso rei o quis para si. Injuriado Poseidon resolveu dar-lhe uma lição, fez com que sua rainha se apaixonasse pelo touro e essa pediu a Dédalo, o maior inventor e arquiteto que o mundo conheceu, para que construísse uma vaca de madeira, onde Pasifae entrou para copular com o animal. 

O labirinto no chão da catedral de Chartres.
Acima à direita, o panorama total do seu desenho.

Dessa união nasceu o Minotauro, a vergonha do palácio de Cnossos. Mais uma vez Dédalo é chamado para construir um labirinto com a finalidade de manter o monstro lá dentro e impedir que suas vítimas fugissem. E assim foi até o jovem herói Teseu ser mandado pelo senhor dos mares para acabar com aquilo. Ofereceu-se como vítima, mas com a ajuda de Ariadne, que usou uma linha para ajudá-lo a encontrar a saída, Teseu mata o Minotauro, liberta o povo do temor do monstro e sai da armadilha criada por Dédalo. Nesse momento Poseidon fez tremer a terra e levantou ondas imensas para destruir o palácio do ambicioso e traidor rei de Creta. 
A luta de Teseu contra o monstro de Minos tem muitos significados. Em termos psicológicos é a luta do homem com sua besta interior, seus instintos e apegos escravizantes. Em termos espirituais é o embate constante pela integração do aspecto humano-animal com sua intrínseca natureza divina ou espiritual. É interessante notar também que Poseidon é o Netuno da astrologia, o planeta da dissolução das ilusões materiais para o encontro com o aspecto transcendente ou místico da vida! Já o próprio rei Minos é referido muitas vezes como um mito relativo ao signo de touro... Cujo significado básico é a busca da segurança pelo acúmulo de bens e recursos monetários.

O duelo entre o heroi Teseu e o Minotauro
- Combatendo a sombra interior.

O tarot, enquanto uma linguagem simbólica, também pode ser visto como um labirinto. Ao nos depararmos com suas complexas imagens, nos sentimos desorientados a princípio. O conjunto de seus símbolos pode parecer desorientador para um não iniciado, mas com o tempo a jornada simbólica revela-se tornando possível o reconhecimento da trajetória de toda a humanidade, bem como as vivências individuais.  Até mesmo para o leitor experiente há uma sensação de mergulho na complexidade, mas ao organizar suas imagens em um sistema compreensível de leitura chega-se a uma síntese que faz um sentido absoluto! Proporcionando um acesso imediato a uma verdade que seria impossível por outros meios. Esse relance súbito e revelador de uma verdade incognoscível é arrebatador para a consciência, estimula a psique e faz com que o intérprete se sinta estranhamente conectado a algo muito maior que ele mesmo. O que equivale à saída para a luz.

A Lua, arcano XVIII, no Motherpeace tarot.

O arcano de A Lua é o que melhor expressa essa imersão no labirinto interior. Abandonados na mais absoluta escuridão, e sem nenhuma referência do que devemos fazer ou para onde devemos ir, só nós resta confiar na vida, em Deus, ou no absoluto. Ao fazermos isso encontramos a luz do próximo arcano O Sol, caso contrário podemos passar até anos nas sombras do décimo oitavo arcano do tarot nos perguntando coisas como: “Por quê?” Ou “Como?”.
No baralho Motherpeace, Vicki Noble e Karen Vogel desenharam a imagem de A Lua com uma mulher negra, num lago à noite com a água pela cintura. Ela tem de atravessá-lo às cegas como os morcegos que rodeiam sua cabeça. Mais uma vez a água aparece como um símbolo do inconsciente e da memória profunda. Ela está rodeada por fantasmas (Seus medos) e ao longe podemos ver o barco de Caronte, o condutor das almas. Indicando o seu temor da morte ou de qualquer fim súbito e infeliz. Ao pé da figura, em frente a mulher, aparece um labirinto e no alto da figura do arcano, onde tradicionalmente apareceria a imagem da lua crescente, surge uma cabeça de mulher perfilada, é Ariadne. Aquela que confiou nas próprias habilidades para sair do emaranhado interior.

* Na antiga Grécia faziam-se danças dentro dos labirintos em homenagem a Dédalo, o grande inventor e a Ariadne, a rainha de todos os labirintos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Cura com as Mãos - Possibilidades e Limitações.

Este artigo foi publicado no jornal Viva Bem de Porto Alegre e está na lista do meu site (www.jaimeecannes.com). Achei que ele era pertinente após a publicação anterior sobre dúvidas com relação ao reiki, por isso o coloquei também aqui no blog.

Os curadores são, de modo geral, pessoas profundamente interessadas pela vida e pela possibilidade de participar do processo de criação de Deus. A experiência da cura é um retorno à condição divina de equilíbrio que existe potencialmente em todos os seres humanos. O curador é aquele que ajuda o seu semelhante a recuperar o caminho em direção a esse equilíbrio, como um canal através do qual esse processo se realiza.
Como tudo o mais na existência, essa escolha tem lá os seus percalços e o maior deles é o limite que todos os que se interessam pela arte da cura se esbarram, mais cedo ou mais tarde: a própria capacidade do recebedor em se curar. Por isso a primeira, e mais antiga, dica que se pode dar a qualquer curador – seja de Reiki, Rakiram, Aromaterapia, Cristaloterapia, Florais, etc – é: “Nunca queira curar!”. Normalmente quem quer curar é o ego e a nossa vaidade, tantas vezes travestidos das mais puras intenções. O desejo de curar acaba por criar muita expectativa e consequente frustração. O outro recebe o que pode de cada trabalho, o que precisa, e nem uma gota a mais. Curar é um ato da entrega. Seja um canal, faça seu trabalho, coloque suas mãos, os cristais, indique as flores, os óleos e deixe que a obra se realize por si mesma.
A segunda dica mais importante é: ”Não estabeleça o que é a cura.” Ao definir o resultado da cura uma imensa expectativa é criada por aquele que recebe o trabalho. Os resultados nunca podem ser previstos. Existem muitos fatores instáveis que podem interferir, como a fé do recebedor, seu sentimento do quanto é merecedor de ser curado, o quanto de culpa acumula por seu atual estado de saúde e do quanto está aberto e envolvido no processo de cura. A sua disposição em mudar sua direção de vida interna e externamente é o fator mais preponderante para que isso aconteça. Por isso nunca prometa resultados! Para muitos o máximo que se conseguirá é um conforto mais duradouro, para outros uma compreensão mais ampla do que se está vivendo… Existem muitos níveis de saúde que devem ser considerados. Não se esqueça também que a cura que você faz pode abrir os caminhos para que o recebedor encontre canais mais apropriados para um resultado físico. Isso também faz parte do processo e é uma grande benção quando acontece! É claro que aquele que a recebe poderá se sentir mais grato pelo que veio como conseqüência, justamente por não se dar em conta de que outros canais tiveram que ser abertos para que fosse possível acessar aquele benefício tão desejado. Se você estiver seguindo a primeira dica não vai mais sofrer com esse detalhe.
Cristaloterapia, uma das formas de cura da Nova Era.

Por fim a terceira dica mais importante é: “Um curador também deve ser curado.” Não se esqueça de aplicar o que você ensina. Use para si as técnicas que indica. Anote e avalie os resultados. Isso o ajudará a se colocar o lugar dos seus clientes. Se você é reikiano, por exemplo, aplique-se reiki todos os dias! Faça as suas experiências com a energia ki e depois então as compartilhe se as achar dignas disso.
Tenha em mente também que você deve se colocar na posição de recebedor, como pode esperar a entrega do outro se você mesmo não desenvolveu a humildade de se entregar aos cuidados terapêuticos de outrem? Outro fator que nunca pode ser esquecido é de que cada pessoa que o procura não surgiu por acaso em sua vida, suas histórias e vivências tem algo a lhe ensinar e orientar quanto aos seu próprio processo de crescimento e desenvolvimento. Nunca se coloque numa situação de domínio e superioridade, os que mais ganham com as experiências da vida são justamente os que se colocam na posição de eternos aprendizes.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Os Símbolos Reiki são Secretos?

Algumas dúvidas sobre o reiki...

1) As iniciações reiki podem ser feitas à distância?


O que eu posso dizer sobre isso é que dentro dos conhecimentos transmitidos pelo Dr. Mikao Usui não foi passado nenhuma técnica de iniciação à distância. O reiki é um sistema iniciático de transmissão da energia ki, e esse sistema é feito de forma pessoal e ritualística! Os mestres reiki sabem que é preciso estar na presença do iniciante para tocar certas partes do seu corpo a fim de fazer a abertura dos chakras superiores e de cura. Como fazê-lo de corpo ausente? Um dos legados de Usui foi uma técnica da cura à distância que possibilita a canalização da energia vital do universo (O ki) para uma pessoa impossibilitada de comparecer a uma sessão regular. Ainda assim uma aplicação dessas não substitui de forma alguma uma consulta presencial, onde o curador pode sentir o seu cliente e avaliar melhor seu campo vibracional.
Com certeza o tempo mostrará outras formas de se utilizar o reiki, no sentido de apontar um caminho evolutivo, mas sinto que dificilmente haja alterações sérias e de embasamento confiável quanto ao modo como ele é transmitido.

2) Os símbolos reiki são secretos?

Vivemos num tempo onde tudo o que foi considerado secreto começa a ser revelado e isso ocorre por duas razões bem distintas:
1º) A humanidade está com muito mais conhecimento e abertura para temas transcendentes e espirituais do que jamais esteve.
2º) Nessa ânsia humana por explorar o aspecto mais profundo e natural de sua natureza, o lado místico da existência, uma leva de oportunistas vulgarizou certos conhecimentos com o intuito de vender livros ou lotar salas de seminários. Sempre com argumentos bem articulados com o movimento de transformação global. Coisas como: "Não temos mais tempo para o mistério", ou "A humanidade tem pressa de mudança, e as pessoas não podem mais ficar ignorantes..." 
Os defensores da difusão dos símbolos reiki questionam sobre como poderia ser prejudicial revelar os símbolos para alguém que não foi iniciado, e que portanto nada pode fazer com eles. Exatamente desse ponto é que eu questiono: Então qual é o sentido de revelar esses símbolos a alguém que nada tem além de uma curiosidade meramente intelectual sobre eles? Que benefício real é obtido tanto para aquele que revela como para quem recebe a revelação? É verdade que o que é secreto pode, muitas vezes, ser mantido assim por pura cobiça e poder, mas não vejo como isso se aplicaria aos símbolos reiki. Eles são secretos porque são sagrados. Sagrado é tudo aquilo que tem valor intrínseco para os que veneram e seguem certa doutrina. 
Os símbolos ao serem reservados aos que buscam de coração entender sua aplicação e mistérios são fortalecidos em sua egrégora. A  egrégora é o conjunto vibracional que um grupo de pessoas forma através dos tempos com suas intenções e ações. Ao pedir que o sigilo sobre os símbolos reiki fosse mantido O Dr. Usui queria justamente manter essa egrégora forte e atuante pelo máximo de tempo possível. Porém, mais uma vez, a intenção pura sucumbiu diante da ganância e da estupidez.
 

3) O reiki realmente cura? Como?


Vamos definir primeiro o que é a cura. Uma cura não se trata unicamente da superação de um sintoma físico, para isso a medicina moderna está mais do que capacitada a fazê-lo. Qualquer doença ou distúrbio como o conhecemos teve sua origem num ponto obscuro da alma, gerado por memórias escusas, dessa ou de outras vidas, que culminam com uma manifestação física. 
O reiki possibilita que o padrão energético que gerou o sintoma se dissolva e se transforme no entendimento que poderá vir a libertar o corpo físico do sofrimento da enfermidade. Observe que eu disse "poderá". Como eu mencionei anteriormente as memórias que geram a enfermidade vem de muitas vidas e pode ocorrer que dentro do atual quadro evolutivo de uma pessoa ela ainda não tenha atingido maturidade espiritual suficiente para absorver o que determinada doença ou distúrbio traz para seu crescimento. Isso explica bem aquele fenômeno que muitos médicos observam, o de um cliente estar com um problema perfeitamente tratável com possibilidade e cura em 80% ou 90% dos casos e ele simplesmente não se recupera, ou até tragicamente morre sem nenhuma explicação médica aparente. Podemos resumir dizendo que aquela alma estava muito comprometida com a doença. Muitas vezes o reiki proporciona uma reintegração total do bem estar físico, outras serve só como um alívio, ou então auxilia na aceitação de um quadro irreversível. O reiki atua no corpo tanto quanto na mente e no espírito, e pode ocorrer que a cura seja alcançada em apenas um desses três níveis.
Por esse motivo nunca se promete a cura a ninguém, não está tudo nas mãos do curador. Também por isso é que é mais sensato não se interromper nenhum tratamento paralelo, seja ele convencional ou alternativo. O reiki é um sistema complementar de cura que potencializa e direciona todo e qualquer tipo de tratamento que esteja sendo feito junto a ele.

Leia também: O Tratamento Reiki à Distância... Como Funciona? 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O Segredo dos Círculos Magicos


O círculo é a mais antiga representação da totalidade da vida. Mesmo quando o homem acreditava que o mundo era quadrado ele observava o giro circular dos planetas e pensou que embora a Terra fosse achatada, o céu era circular ou esférico. 
Andar em círculos é uma maneira de se sintonizar com o tempo real do universo, pois assim como o tempo, também não tem nem princípio nem fim e é contínuo. Na cidade sagrada de Meca os peregrinos muçulmanos devem circungirar sete vezes em torno da Caaba, o local de adoração do islã. 
Combinando isso a percepção de que os planetas giram sobre nossas cabeças e nos  influenciam, o círculo passou a ter o significado de destino. Assim, toda vez que nos colocamos no centro de um círculo estamos nos colocando também no centro do universo! O que dá total sentido ao axioma esotérico que diz que: "O centro do universo está em toda parte e sua circunferência não está em parte alguma". Somos todos o centro do universo quando despertamos do caos das mentes massificadas e nos descobrimos como centros auto criadores da própria realidade.
Uma bruxa dentro do seu
circulo mágico
.
Colocar-se dentro de um círculo é uma antiga prática tanto mágica quanto meditativa. Indica que todo o poder está concentrado numa parte específica do espaço e que nos colocamos tanto como os catalisadores quanto emanadores das forças evocadas ali.
A ideia de se fazer um círculo é a de delimitar um espaço de ação interior ou espiritual. Todas as culturas se utilizaram deles para iniciações, magia e reflexão. No zen budismo os círculos concêntricos simbolizam a consciência pura. No hinduísmo as mandalas são representações dos padrões que criam e destroem a criação. No xamanismo os iniciantes na religião da natureza colocavam-se em círculos de pedras para obter a visão do seu destino como xamãs ou do seu animal de poder. Stonehenge vem a ser o mais antigo e famoso dos círculos iniciáticos que se tem conhecimento. O círculo mora dentro de nós como símbolo do espaço sagrado. O campo de trabalho onde expressamos nossos dons e talentos. 
A Mandala astrológica, um popular
sistema de leitura do tarot. 
Por esse motivo precisamos de uma mesa de trabalho, onde nos cercamos (No sentido de nos circularmos) com os objetos do nosso ofício, independente de qual seja nossa atividade. O tarólogo geralmente estende um pano onde executará sua prática de interpretação dos símbolos. No mapa astrológico natal os planetas são representados dentro de uma mandala. A circuncisão, que consiste em cortar a pele em torno da glande, é um ato íntimo de união com o divino em religiões como o judaísmo. Quando nos colocamos no centro de uma circunferência estamos na verdade entrando no grande "Um" da existência, nos tornando unos com algo maior que nós mesmos. 
Na geometria sagrada o círculo é um ponto estendido e simboliza o um, o número que gera todos os outros, o número da comunhão com o todo cósmico e transcendente. Outro axioma diz que: "Por um ponto passam infinitas retas", e ao desenhar um círculo nos tornamos um ponto para onde as forças invisíveis da natureza e da psique convergem. Entrar numa roda desenhada no chão com um graveto, ou com um giz, ou ainda feita com pedras ou velas, é um salto para dentro, mesmo que seja apenas para relaxar, refletir, orar, ou consultar um oráculo! O que também pode ser feito mentalmente, sem com que se mova um único músculo, mas com efeitos bem perceptíveis. Experimente essa que vem a ser a mais antiga, profunda, mas também a mais simples das práticas mágicas da história da humanidade!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Devemos Considerar as Cartas Invertidas?

Novas e velhas perguntas interessantes...

1) Qual a diferença entre o I ching, o tarot e a astrologia?

Basicamente o I ching trata de responder uma pergunta direta formulada anteriormente, e o faz com máxima profundidade e detalhamento, sempre revelando as implicações filosóficas envolvidas na questão. Desde que evidentemente o questionamento seja colocado do modo mais claro possível. 
O tarot, embora também possa responder perguntas bem, é mais preciso ao retratar um determinado período de tempo da vida de quem procura as suas cartas. E esse período pode ser os últimos dias, semanas, meses ou anos!... Mas sempre é um momento, onde é possível detalhar todos os sentimentos e pensamentos envolvidos. Já a astrologia trata de um tempo maior, o intercurso de uma vida inteira em todos os seus potenciais e talentos, crescimento e desenvolvimento prático, psicológico e espiritual possível. Sintetizando, a astrologia trabalha o nível da personalidade com mais eficiência, o tarot momentos mais abrangentes e o I ching questionamentos bem específicos.
Existem diferenças interessantes na maneira desses três sistemas de sabedoria operarem. Claro que o I ching pode também trazer reflexões sobre um determinado período de tempo mais amplo, da mesma forma que o tarot pode responder uma pergunta com muita profundidade e implicações filosóficas e reflexivas. Assim também a astrologia pode descrever um tempo mais breve da vida de uma pessoa... O que eu quero dizer para você é que essa não é a melhor aplicação desses oráculos. Eles possuem enormes qualidades, mas também limitações como o tudo o mais nesse mundo! Além de características bem próprias, como uma espécie de assinatura. O êxito ao se tentar inverter suas aplicações, pode ter mais a ver com o talento do intérprete do que com as tendências intrínsecas de cada sistema. O funcionamento acima descrito é o mais preciso, e o que se coaduna melhor com as características de cada um desses instrumentos oraculares... E se duvidar, faça a sua experiência!

2) Devemos considerar as cartas invertidas?

No meu livro Tarot para a Autotransformação e a Cura eu detalho melhor essa questão. Posso dizer aqui que considerar as cartas invertidas é, além de muito interessante, muito compensador. Amplia nosso entendimento sobre a própria tarologia tanto quanto sobre como opera o inconsciente humano! Segundo a taróloga norte americana 1*Rachel Pollack, a inversão de uma carta pode marcar, entre outras coisas, um bloqueio no fluxo energético daquela carta. Como algo que não consegue ser atingido, ou desenvolvido pelo cliente.  
Pode também representar uma inversão total no significado do arcano. Por exemplo, se  O Imperador representa a estabilidade e a liderança, invertido pode estar mostrando instabilidade e submissão. Da mesma forma se A Morte simboliza as perdas, invertida pode estar apontando uma reintegração, e assim por diante!
Outra consideração interessante dada pela autora 2*Gail Fairfield é a de que uma carta invertida pode mostrar uma qualidade ou vivência interna que no entanto não se mostra exteriormente. Um Rei de espadas invertido, por exemplo, poderia assinalar uma pessoa que se sente muito forte, organizada e firme internamente, muito embora o mundo exterior não aposte nisso!
Considerar as cartas invertidas não é de modo algum uma obrigação, mas que você experimente suas aplicações antes de descartar. Nenhuma escolha deve ser feita pelo preconceito ou a ignorância. Descubra qual das possibilidades acima mais combinam com você, quem sabe todas! Ou quem sabe você descobre novas possibilidades!... Vivencie isso!

3) Quando retiramos as cartas quem está respondendo?

Puxa!... Veja bem, nos tempos antigos acreditava-se que os oráculos de modo geral eram auxiliados por seres espirituais superiores que inspiravam o leitor a atingir a verdade sobre o destino de quem se consultava. Com o passar do tempo uma versão mais psicológica, muito fundamentada em Jung, diz que as imagens ajudam a acessar o grande inconsciente coletivo humano (E hoje até se fala em inconsciente universal), onde reside toda a sabedoria da nossa espécie... Ou seja, tiramos o poder dos Deuses e colocamos na própria ancestralidade! 
Algumas doutrinas esotéricas, entretanto, dizem que uma parcela da divindade mora dentro de cada indivíduo desde sempre, e que nenhuma sabedoria sobre esse planeta Terra se desenvolveu sem ela. O que para mim quer dizer que quer você creia em entidades espirituais o auxiliando ou em acesso ao plano do inconsciente coletivo, e não há um limite claro e comprovável entre elas, você está acessando algo que vive dentro de você, ou que o alcança através dessa força aí dentro! As teorias junguianas são tão difíceis de se comprovar cientificamente quanto a mais abstrata teoria oculta, simples assim! Ao retirar as cartas quem responde é, de qualquer maneira, a parte mais profunda, sábia e divina de você mesmo! Uma porção que não acessamos com a mente consciente, e precisamos dos símbolos para essa tarefa.

1* Setenta e Oito Graus de Sabedoria, Vol. I e II. 
Ed. Nova Fronteira, São Paulo 1991. 

2* Choice Centered Relating and the Tarot.
Weiser Books, 2002

terça-feira, 26 de julho de 2011

Afinal, é Tarô ou Tarot?

Perguntas sobre o tarot que ainda persistem...

1) O tarot pode ser jogado apenas com os arcanos maiores?

Sim! Os limites perceptivos de uma leitura estão sempre no leitor e nunca no oráculo! É preciso que cada tarólogo perceba como se sente melhor ao ler o simbolismo dos arcanos. Muito embora haja autores que teimam em alegar que o tarot é apenas um sistema simbólico que pode ser interpretado "tecnicamente", na verdade a prática mostra o contrário! O processo intuitivo é importantíssimo! Estudar a estrutura simbólica das cartas é um processo mnemónico e até certo ponto racional, mas sua interpretação é muito mais intuitiva do que qualquer outra coisa... Quer dizer, pelo menos para quem se pretende ser mais do que um leitor mediano! Se você se sente melhor lendo apenas com os arcanos maiores, faça! Não limite, porém, seus alunos, caso os tenha. Dê-lhes uma formação completa e deixe com que eles façam suas escolhas.

2) Posso jogar as cartas no chão?

Não vejo nenhum motivo que justifique o contrário! Algumas pessoas sustentam que as energias da terra são muito densas e que isso atrapalha na sintonização psíquica com o cliente. Eu costumo rebater essa afirmação com a seguinte justificativa: olhe o mapa astrológico dessa pessoa! Cada um de nós possui mais identificação com um determinado elemento da natureza. Se você tiver muitos planetas em signos de terra é bem provável que você se identifique muito com a força espiritual desse elemento! Se gosta de jogar no chão (E a coluna aguenta) fique à vontade para fazê-lo.

Jogar as cartas no chão - sintonia com a força psíquica da terra.


3) Quem deve embaralhar as cartas?

Bem, isso varia e mais uma vez eu digo: perceba com qual das variações você se sente mais à vontade. Alguns tarólogos se sentem melhor com eles mesmos embaralhando as cartas e o cliente apenas cortando o maço antes de começar a leitura. Outros (Como eu) preferem que o cliente, além de cortar o maço, retire as cartas para montar o método de leitura escolhido. Essa é uma forma de envolver a pessoa na dinâmica do jogo. E por fim, há aqueles que preferem que o próprio cliente faça todo o processo, ou seja, que ele (O cliente) embaralhe, o leitor apenas corta o maço, ou ás vezes o cliente faz isso também, e que depois retire as cartas. Nesse caso, segundo os que preferem esse sistema, há um envolvimento total do consulente com o processo da leitura. Na minha opinião já é envolvimento suficiente retirar as cartas. Pessoas com pouca prática podem deixá-las cair no chão, ou amassá-las com a pouca habilidade, o que prejudica a preservação do baralho. Não retirar cartas apenas cortando o maço eu considero muito pouco envolvimento... Mas como disse, sinta e escolha o seu!

4) Afinal, é tarô ou tarot?

Na língua portuguesa as palavras com "t" mudo no final foram adaptadas, ou aportuguesadas para um circunflexo, e por isso tarot virou tarô. Muito embora a regra da língua portuguesa convencione essa formatação gosto de lembrar que absolutamente tudo na vida é uma questão de escolha pessoal! E não há nenhuma lei ou regra que impeça você de usar uma grafia estrangeira porque essa lhe parece mais estética, por exemplo. Os que estudam o tarot a luz da cabala alegam que as quatro letras remetem aos quatro elementos representados nas letras hebraicas das iniciais do nome sagrado de Deus. Aqueles que como eu preferem tarot com cinco letras alegam que assim introduzimos o quinto elemento, o éter ou espírito, na composição estrutural e vibracional do baralho. Além do que a soma numerológica de tarô é 18, o arcano de A Lua, obscuro, vacilante, confuso e desorientador. Enquanto tarot soma 20, o arcano de O Julgamento, esclarecedor e revelador, o que varre para longe as sombras do medo e da ignorância. Como podemos ver, não se pode relegar o tarot a uma simples regra gramatical, não é uma matéria exata, mas sim uma disciplina subjetiva onde cabem percepções pessoais. Assim sendo, aplique a sua!


5) Posso jogar com mais de um baralho?

Se você se refere a ter um ou dois baralhos diferentes de sua preferência e intercalar seu uso entre uma e outra sessão, sim, claro que pode! Agora se você fala de usá-los ao mesmo tempo, bem isso pode ser confuso e eu não entendo qual seria a utilidade de tal coisa!... Um único baralho na mesa já é material mais do que suficiente. Ter dois ou mais jogos de cartas preferidos é muito comum, e pode inspirar bastante o processo intuitivo usar um ou outro conforme cada situação, dia ou pessoa para quem você for ler as cartas! Particularmente eu prefiro usar um baralho específico para leituras e outro para vivências. Há também aqueles que não trocam o baralho em nenhuma situação... Mais uma vez cabe aqui a subjetividade da alma humana, e mais uma vez eu digo para que cada um se sintonize com a sua e encontre sua resposta.

Se você possui perguntas que podem nos enriquecer, por favor as envie para mim! Será um prazer ouvir e esclarecer, quando possível, os seus questionamentos!