sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O Segredo dos Círculos Magicos


O círculo é a mais antiga representação da totalidade da vida. Mesmo quando o homem acreditava que o mundo era quadrado ele observava o giro circular dos planetas e pensou que embora a Terra fosse achatada, o céu era circular ou esférico. 
Andar em círculos é uma maneira de se sintonizar com o tempo real do universo, pois assim como o tempo, também não tem nem princípio nem fim e é contínuo. Na cidade sagrada de Meca os peregrinos muçulmanos devem circungirar sete vezes em torno da Caaba, o local de adoração do islã. 
Combinando isso a percepção de que os planetas giram sobre nossas cabeças e nos  influenciam, o círculo passou a ter o significado de destino. Assim, toda vez que nos colocamos no centro de um círculo estamos nos colocando também no centro do universo! O que dá total sentido ao axioma esotérico que diz que: "O centro do universo está em toda parte e sua circunferência não está em parte alguma". Somos todos o centro do universo quando despertamos do caos das mentes massificadas e nos descobrimos como centros auto criadores da própria realidade.
Uma bruxa dentro do seu
circulo mágico
.
Colocar-se dentro de um círculo é uma antiga prática tanto mágica quanto meditativa. Indica que todo o poder está concentrado numa parte específica do espaço e que nos colocamos tanto como os catalisadores quanto emanadores das forças evocadas ali.
A ideia de se fazer um círculo é a de delimitar um espaço de ação interior ou espiritual. Todas as culturas se utilizaram deles para iniciações, magia e reflexão. No zen budismo os círculos concêntricos simbolizam a consciência pura. No hinduísmo as mandalas são representações dos padrões que criam e destroem a criação. No xamanismo os iniciantes na religião da natureza colocavam-se em círculos de pedras para obter a visão do seu destino como xamãs ou do seu animal de poder. Stonehenge vem a ser o mais antigo e famoso dos círculos iniciáticos que se tem conhecimento. O círculo mora dentro de nós como símbolo do espaço sagrado. O campo de trabalho onde expressamos nossos dons e talentos. 
A Mandala astrológica, um popular
sistema de leitura do tarot. 
Por esse motivo precisamos de uma mesa de trabalho, onde nos cercamos (No sentido de nos circularmos) com os objetos do nosso ofício, independente de qual seja nossa atividade. O tarólogo geralmente estende um pano onde executará sua prática de interpretação dos símbolos. No mapa astrológico natal os planetas são representados dentro de uma mandala. A circuncisão, que consiste em cortar a pele em torno da glande, é um ato íntimo de união com o divino em religiões como o judaísmo. Quando nos colocamos no centro de uma circunferência estamos na verdade entrando no grande "Um" da existência, nos tornando unos com algo maior que nós mesmos. 
Na geometria sagrada o círculo é um ponto estendido e simboliza o um, o número que gera todos os outros, o número da comunhão com o todo cósmico e transcendente. Outro axioma diz que: "Por um ponto passam infinitas retas", e ao desenhar um círculo nos tornamos um ponto para onde as forças invisíveis da natureza e da psique convergem. Entrar numa roda desenhada no chão com um graveto, ou com um giz, ou ainda feita com pedras ou velas, é um salto para dentro, mesmo que seja apenas para relaxar, refletir, orar, ou consultar um oráculo! O que também pode ser feito mentalmente, sem com que se mova um único músculo, mas com efeitos bem perceptíveis. Experimente essa que vem a ser a mais antiga, profunda, mas também a mais simples das práticas mágicas da história da humanidade!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Devemos Considerar as Cartas Invertidas?

Novas e velhas perguntas interessantes...

1) Qual a diferença entre o I ching, o tarot e a astrologia?

Basicamente o I ching trata de responder uma pergunta direta formulada anteriormente, e o faz com máxima profundidade e detalhamento, sempre revelando as implicações filosóficas envolvidas na questão. Desde que evidentemente o questionamento seja colocado do modo mais claro possível. 
O tarot, embora também possa responder perguntas bem, é mais preciso ao retratar um determinado período de tempo da vida de quem procura as suas cartas. E esse período pode ser os últimos dias, semanas, meses ou anos!... Mas sempre é um momento, onde é possível detalhar todos os sentimentos e pensamentos envolvidos. Já a astrologia trata de um tempo maior, o intercurso de uma vida inteira em todos os seus potenciais e talentos, crescimento e desenvolvimento prático, psicológico e espiritual possível. Sintetizando, a astrologia trabalha o nível da personalidade com mais eficiência, o tarot momentos mais abrangentes e o I ching questionamentos bem específicos.
Existem diferenças interessantes na maneira desses três sistemas de sabedoria operarem. Claro que o I ching pode também trazer reflexões sobre um determinado período de tempo mais amplo, da mesma forma que o tarot pode responder uma pergunta com muita profundidade e implicações filosóficas e reflexivas. Assim também a astrologia pode descrever um tempo mais breve da vida de uma pessoa... O que eu quero dizer para você é que essa não é a melhor aplicação desses oráculos. Eles possuem enormes qualidades, mas também limitações como o tudo o mais nesse mundo! Além de características bem próprias, como uma espécie de assinatura. O êxito ao se tentar inverter suas aplicações, pode ter mais a ver com o talento do intérprete do que com as tendências intrínsecas de cada sistema. O funcionamento acima descrito é o mais preciso, e o que se coaduna melhor com as características de cada um desses instrumentos oraculares... E se duvidar, faça a sua experiência!

2) Devemos considerar as cartas invertidas?

No meu livro Tarot para a Autotransformação e a Cura eu detalho melhor essa questão. Posso dizer aqui que considerar as cartas invertidas é, além de muito interessante, muito compensador. Amplia nosso entendimento sobre a própria tarologia tanto quanto sobre como opera o inconsciente humano! Segundo a taróloga norte americana 1*Rachel Pollack, a inversão de uma carta pode marcar, entre outras coisas, um bloqueio no fluxo energético daquela carta. Como algo que não consegue ser atingido, ou desenvolvido pelo cliente.  
Pode também representar uma inversão total no significado do arcano. Por exemplo, se  O Imperador representa a estabilidade e a liderança, invertido pode estar mostrando instabilidade e submissão. Da mesma forma se A Morte simboliza as perdas, invertida pode estar apontando uma reintegração, e assim por diante!
Outra consideração interessante dada pela autora 2*Gail Fairfield é a de que uma carta invertida pode mostrar uma qualidade ou vivência interna que no entanto não se mostra exteriormente. Um Rei de espadas invertido, por exemplo, poderia assinalar uma pessoa que se sente muito forte, organizada e firme internamente, muito embora o mundo exterior não aposte nisso!
Considerar as cartas invertidas não é de modo algum uma obrigação, mas que você experimente suas aplicações antes de descartar. Nenhuma escolha deve ser feita pelo preconceito ou a ignorância. Descubra qual das possibilidades acima mais combinam com você, quem sabe todas! Ou quem sabe você descobre novas possibilidades!... Vivencie isso!

3) Quando retiramos as cartas quem está respondendo?

Puxa!... Veja bem, nos tempos antigos acreditava-se que os oráculos de modo geral eram auxiliados por seres espirituais superiores que inspiravam o leitor a atingir a verdade sobre o destino de quem se consultava. Com o passar do tempo uma versão mais psicológica, muito fundamentada em Jung, diz que as imagens ajudam a acessar o grande inconsciente coletivo humano (E hoje até se fala em inconsciente universal), onde reside toda a sabedoria da nossa espécie... Ou seja, tiramos o poder dos Deuses e colocamos na própria ancestralidade! 
Algumas doutrinas esotéricas, entretanto, dizem que uma parcela da divindade mora dentro de cada indivíduo desde sempre, e que nenhuma sabedoria sobre esse planeta Terra se desenvolveu sem ela. O que para mim quer dizer que quer você creia em entidades espirituais o auxiliando ou em acesso ao plano do inconsciente coletivo, e não há um limite claro e comprovável entre elas, você está acessando algo que vive dentro de você, ou que o alcança através dessa força aí dentro! As teorias junguianas são tão difíceis de se comprovar cientificamente quanto a mais abstrata teoria oculta, simples assim! Ao retirar as cartas quem responde é, de qualquer maneira, a parte mais profunda, sábia e divina de você mesmo! Uma porção que não acessamos com a mente consciente, e precisamos dos símbolos para essa tarefa.

1* Setenta e Oito Graus de Sabedoria, Vol. I e II. 
Ed. Nova Fronteira, São Paulo 1991. 

2* Choice Centered Relating and the Tarot.
Weiser Books, 2002

terça-feira, 26 de julho de 2011

Afinal, é Tarô ou Tarot?

Perguntas sobre o tarot que ainda persistem...

1) O tarot pode ser jogado apenas com os arcanos maiores?

Sim! Os limites perceptivos de uma leitura estão sempre no leitor e nunca no oráculo! É preciso que cada tarólogo perceba como se sente melhor ao ler o simbolismo dos arcanos. Muito embora haja autores que teimam em alegar que o tarot é apenas um sistema simbólico que pode ser interpretado "tecnicamente", na verdade a prática mostra o contrário! O processo intuitivo é importantíssimo! Estudar a estrutura simbólica das cartas é um processo mnemónico e até certo ponto racional, mas sua interpretação é muito mais intuitiva do que qualquer outra coisa... Quer dizer, pelo menos para quem se pretende ser mais do que um leitor mediano! Se você se sente melhor lendo apenas com os arcanos maiores, faça! Não limite, porém, seus alunos, caso os tenha. Dê-lhes uma formação completa e deixe com que eles façam suas escolhas.

2) Posso jogar as cartas no chão?

Não vejo nenhum motivo que justifique o contrário! Algumas pessoas sustentam que as energias da terra são muito densas e que isso atrapalha na sintonização psíquica com o cliente. Eu costumo rebater essa afirmação com a seguinte justificativa: olhe o mapa astrológico dessa pessoa! Cada um de nós possui mais identificação com um determinado elemento da natureza. Se você tiver muitos planetas em signos de terra é bem provável que você se identifique muito com a força espiritual desse elemento! Se gosta de jogar no chão (E a coluna aguenta) fique à vontade para fazê-lo.

Jogar as cartas no chão - sintonia com a força psíquica da terra.


3) Quem deve embaralhar as cartas?

Bem, isso varia e mais uma vez eu digo: perceba com qual das variações você se sente mais à vontade. Alguns tarólogos se sentem melhor com eles mesmos embaralhando as cartas e o cliente apenas cortando o maço antes de começar a leitura. Outros (Como eu) preferem que o cliente, além de cortar o maço, retire as cartas para montar o método de leitura escolhido. Essa é uma forma de envolver a pessoa na dinâmica do jogo. E por fim, há aqueles que preferem que o próprio cliente faça todo o processo, ou seja, que ele (O cliente) embaralhe, o leitor apenas corta o maço, ou ás vezes o cliente faz isso também, e que depois retire as cartas. Nesse caso, segundo os que preferem esse sistema, há um envolvimento total do consulente com o processo da leitura. Na minha opinião já é envolvimento suficiente retirar as cartas. Pessoas com pouca prática podem deixá-las cair no chão, ou amassá-las com a pouca habilidade, o que prejudica a preservação do baralho. Não retirar cartas apenas cortando o maço eu considero muito pouco envolvimento... Mas como disse, sinta e escolha o seu!

4) Afinal, é tarô ou tarot?

Na língua portuguesa as palavras com "t" mudo no final foram adaptadas, ou aportuguesadas para um circunflexo, e por isso tarot virou tarô. Muito embora a regra da língua portuguesa convencione essa formatação gosto de lembrar que absolutamente tudo na vida é uma questão de escolha pessoal! E não há nenhuma lei ou regra que impeça você de usar uma grafia estrangeira porque essa lhe parece mais estética, por exemplo. Os que estudam o tarot a luz da cabala alegam que as quatro letras remetem aos quatro elementos representados nas letras hebraicas das iniciais do nome sagrado de Deus. Aqueles que como eu preferem tarot com cinco letras alegam que assim introduzimos o quinto elemento, o éter ou espírito, na composição estrutural e vibracional do baralho. Além do que a soma numerológica de tarô é 18, o arcano de A Lua, obscuro, vacilante, confuso e desorientador. Enquanto tarot soma 20, o arcano de O Julgamento, esclarecedor e revelador, o que varre para longe as sombras do medo e da ignorância. Como podemos ver, não se pode relegar o tarot a uma simples regra gramatical, não é uma matéria exata, mas sim uma disciplina subjetiva onde cabem percepções pessoais. Assim sendo, aplique a sua!


5) Posso jogar com mais de um baralho?

Se você se refere a ter um ou dois baralhos diferentes de sua preferência e intercalar seu uso entre uma e outra sessão, sim, claro que pode! Agora se você fala de usá-los ao mesmo tempo, bem isso pode ser confuso e eu não entendo qual seria a utilidade de tal coisa!... Um único baralho na mesa já é material mais do que suficiente. Ter dois ou mais jogos de cartas preferidos é muito comum, e pode inspirar bastante o processo intuitivo usar um ou outro conforme cada situação, dia ou pessoa para quem você for ler as cartas! Particularmente eu prefiro usar um baralho específico para leituras e outro para vivências. Há também aqueles que não trocam o baralho em nenhuma situação... Mais uma vez cabe aqui a subjetividade da alma humana, e mais uma vez eu digo para que cada um se sintonize com a sua e encontre sua resposta.

Se você possui perguntas que podem nos enriquecer, por favor as envie para mim! Será um prazer ouvir e esclarecer, quando possível, os seus questionamentos!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Os 4 Arquétipos do Curador


O arquétipo é uma energia psíquica que se expressa através dos símbolos, como ocorre no tarot e na astrologia, por exemplo, ou de histórias alegóricas como ocorre nos mitos. Considero os quatro mitos a seguir os que melhor expressam as funções de um curador em qualquer nível do conhecimento humano em que ele atue. Viaje comigo!
Quiron
O sábio centauro Quíron tem *origem controversa, uns dizem que ele seria filho de Cronos quando esse se transformara num cavalo para se esconder de sua esposa Reia. Outros ainda dizem que ele era filho de Zeus com a ninfa Maia. O certo é que Quíron era um dos mais célebres sábios, videntes e curadores de toda a Grécia. A ele foi confiado a educação de todos os jovens das nobres famílias gregas, bem como muitos dos filhos bastardos de Zeus. Certa vez foi ferido acidentalmente por uma das flechas do seu amigo e pupilo Hércules, quando esse havia acabado de matar a hidra de Lerna, um animal de tamanha peçonha que seu sangue era venenoso e incurável! Como o sábio centauro era imortal o que ocorreu foi uma ferida terrivelmente dolorosa. Não suportando mais tamanha dor pediu a Zeus que o matasse e assim acabasse com seu sofrimento. O deus supremo então se apieda do destino do nobre sábio e ao invés de matá-lo, transmuta seu corpo na constelação do Centauro, que corresponde ao nono signo astrológico, Sagitário, livrando-o assim do sofrimento e concedendo-lhe a imortalidade junto às estrelas.

O Arquétipo – Quíron representa o sofrimento que todo o curador tem em sua alma e que o faz buscar uma explicação para a vida. O próprio sofrimento é o grande motivador da busca por cura e pela maioria das escolhas por se tornar um terapeuta ou um curador, seja lá em área de atuação for! Quíron também nos lembra que somos humanos e que não temos de ser perfeitos para nos tornarmos um curador, mas que não devemos nunca nos esquecer de também crescer com o que ensinamos ou orientamos ao próximo, pois que muitas vezes nossas intuições servem tanto para o outro quanto para nós mesmos. Tornar-se um terapeuta é um outro modo de estar em constante auto terapia.

* Um mito conta que os centauros eram todos descendentes de Ixion, o mais perverso dos criminosos, com uma nuvem que Zeus moldou com a forma da deusa Hera, por quem Ixion estava tremendamente atraído. Quíron, porém, seria filho desta mesma nuvem com o deus da guerra, Ares.

Perséfone
Perséfone, come a romã e
comunga com o mundo das trevas.
Filha única da deusa da natureza Deméter, seu mito é um dos mais importantes para a religião da antiga Grécia. Foi sequestrada por Hades enquanto passeava pelos campos colhendo violetas e narcisos com as filhas do rei Oceano. Ele a carrega para o Tártaro, o mundo dos mortos, e lá lhe oferece uma romã. Como a moça estava faminta, aceita a oferta e apaixona-se pelo deus do submundo. Quando subia à superfície Hades usava um elmo que lhe ocultava a face, os mitos, entretanto, relatam que ele era um homem de grande beleza, forte e viril. 
A deusa Deméter sai pelo mundo desesperada procurando por sua filha, mas tudo em vão. Até que um dia encontra um menino chamado Triptólemos, e esse lhe revela que vira uma linda jovem sendo arrastada por um homem incógnito que a arrasta para dentro da terra. Na hora ela soube que se tratava de sua filha e do deus dos mortos. Agradece ao rapaz ensinando a ele a agricultura e confiando ao menino um segredo que, segundo os mitos, era a essência da vida. Segredo esse que deu início ao Mistério de Elêusis e que é o mais bem guardado da história da humanidade! Começa uma grande negociação para resolver a questão do sequestro da linda deusa. Hades não queria abrir mão dela, e Deméter muito menos. Hermes, deus dos comerciantes, foi chamado para resolver a situação e descobriu que ela comeu no submundo ¼ de uma romã podendo então ficar apenas ¼ do ano com o marido. Diz-se que esse ¼ do ano corresponde ao inverno, quando ela deixa mais uma vez a sua mãe. No verão elas estão juntas e o outono e a primavera seriam a preparação da sua partida e ou da sua chegada.


O Arquétipo – O rapto de Perséfone é uma alusão ao encontro da própria sombra interior. Encarar nossos medos, angústias e rancores mais recônditos pode ser doloroso sim, mas profundamente libertador. Traz a oportunidade de conhecer a si mesmo em sua totalidade e o que poderia ser terrível acaba trabalhando para criar um ser verdadeiramente integro e por isso mesmo belo e forte interiormente, tanto quanto a face revelada do deus Hades. Não se pode chafurdar na sombra dos outros sem encarar as suas próprias. Um curador também deve mergulhar em si na humilde posição daquele que é tratado, só assim será um eficiente comunicador entre os mundos como a bela Perséfone, que ligava o mundo terreno de sua mãe Deméter ao mundo espiritual do seu marido Hades.


Perseu
Perseu matando a Medusa.
Filho de Dânae com Zeus, Perseu foi colocado ainda pequeno num baú junto com a sua mãe e lançado ao mar porque seu avô Acrísio, rei de Argos, havia sido alertado por um oráculo que o filho de sua filha seria o instrumento de sua morte. Mais uma vez Zeus intervém por um de seus filhos bastardos e fez com que a caixa de madeira fosse levada suavemente até as costas do reino de Polidectes. Um pescador acha os dois e os leva a presença do seu rei que os acolhe e cuida. Perseu cresce um jovem forte e de feitos notáveis o que faz com que seu benfeitor lhe peça que o ajude a matar a tenebrosa górgona Medusa, uma antiga sacerdotisa de Athena. Ajudado pela própria deusa Athena que lhe dá um escudo e uma espada, e por Hermes que lhe dá uma sandália com asas, o rapaz parte para sua missão. Ele consegue matar o monstro sem lhe encarar nos olhos, pois a besta possuía o poder de petrificar quem quer que a encarasse. Usando o escudo para refletir sua imagem ele corta-lhe a cabeça enquanto ela dormia. 
No retorno de sua viagem vitoriosa ele vê a linda princesa etíope Andrômeda amarrada a um rochedo porque sua vaidosa mãe Cassiopeia ofendera as ninfas do mar ao comparar sua própria beleza com a beleza das deidades aquáticas. Um oráculo revela que o único jeito de apaziguar a fúria das ninfas, que mandaram um monstro marinho para destruir o reino do rei Cefeu, pai de Andrômeda e marido de Cassiopeia, era o sacrifício da filha do casal à fera. Perseu logo se apaixona pela linda donzela e enfrenta o monstro combinando que se vencesse teria como prêmio a mão da jovem em casamento, e assim foi. Lutou, venceu e casou-se com a bela Andrômeda da Etiópia.


O Arquétipo – Perseu representa o profundo desejo que todo o curador tem de tornar esse mundo um lugar melhor. Socorrer o sofrimento alheio é tão importante quanto entendê-lo em sua origem e motivação. Possuímos todos “um salvador do mundo” disposto a ajudar de todas as maneiras possíveis aqueles que nos procuram. De certa forma entendemos que ajudando uma pessoa a viver melhor ajudamos ao mundo todo. Ao salvar Andrômeda Perseu salva um reino inteiro! Não é raro encontrarmos curadores que ainda dividem o tempo entre seus atendimentos e trabalhos voluntários em prol dos que não tem acesso aos seus serviços. O perigo desse arquétipo está justamente no excesso de suas qualidades! Tornar-se um curador obcecado por suas funções, esquecendo-se dos limites e necessidades do outro bem como de seus próprios limites e necessidades, também é uma perversão.


Orfeu
Orfeu encanta Cérbero,
guardião do submundo.
Filho do deus-sol Apolo e da musa Calíope, a bela da voz, Orfeu recebe do pai uma lira da qual extraia um som tão belo que nada resistia ao seu encanto. Foi apaixonado por Eurídice que em seguida do seu casamento com Orfeu foi assediada implacavelmente pelo jovem Aristeu que estava enlouquecido de desejo por ela. Na fuga pisou numa víbora e morreu devido ao veneno de sua mordida. Depois de apelar aos deuses e aos homens Orfeu decide descer ao mundo dos mortos para resgatar sua linda esposa. Ficou muitos dias a beira do rio Estige tentando convencer ao barqueiro Caronte a levá-lo a presença do deus Hades. Quando finalmente chegou a presença do rei-deus do submundo, depois de fazer adormecer o cão de três cabeças Cérbero que guardava os portões da entrada, Orfeu mostra a ele a linda canção que compôs sobre a perda de sua amada. Comovido Hades permite que ele a leve de volta mas adverte que não deve olhar para ela até chegar ao mundo dos vivos. Tomado por saudade, ansiedade e certa desconfiança das intenções do deus obscuro ele se vira e a vê pela última vez. Sua amada Eurídice desaparece para sempre! Algumas versões dizem que ela se transforma numa estátua de sal perpetuamente postada às portas do Tártaro. 
Orfeu volta, desolado e inconsolável. Os dias que passa à beira do rio Estige conferiram-lhe novos dons e poderes. Ele passa a ser um extraordinário profeta, clarividente, e curador sendo amplamente procurado como conselheiro e médico. Dedica-se às suas novas funções recusando todas as mulheres que flertavam com ele. Certa vez, tomadas por um êxtase dos ritos dionisíacos, elas o atacam e o esquartejam lançando seus pedaços ao rio que levava seu nome (O rio Orfeu). Conta a lenda que sua cabeça ainda cantava enquanto descia levado pela correnteza, e que era uma canção tão doce que as mulheres despertaram de seu transe e choraram de arrependimento.

O Arquétipo – Orfeu fala da necessidade de distanciamento emocional que todo o curador precisa para não perder a objetividade e o foco do tratamento que está sendo realizado. O cliente não deve ser confundido com um novo amigo ou parceiro de vida por mais que suas histórias se pareçam com as do seu terapeuta. O cuidado prestado a ele é profissional e se encerra quando termina o tratamento. Por outro lado, a postura do terapeuta nunca deve ser distante ao ponto de não permitir que seu lado humano se mostre! Essa abordagem cria uma falsa impressão de superioridade inflando perigosamente o ego daquele que está tratando e diminuindo a auto estima daquele que se trata. Não se deve subestimar as intuições e impressões do cliente, afinal ele conhece seus dramas à partir de dentro, ele conhece a sua verdade. O terapeuta é apenas um facilitador para que ele junte todas as peças do seu entendimento interior.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O Tarot e as Terapias Complementares


Como um instrumento de revelação de processos interiores, o tarot também se mostrou um eficaz sistema de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal em processos de aplicação terapêutica. Os arcanos revelam emoções, sentimentos, pensamentos e reações a uma situação vivida que podem denunciar condicionamentos da infância ou mesmo de outras vidas! Os símbolos do tarot podem revelar e orientar sobre quais posturas diante destas vivências se mostram mais adequadas, maduras ou equilibradas. Além de orientar o tarot também traz novas perspectivas que ampliam o campo de visão interior, levando à introspecção e à reflexão, abrindo espaço para a possibilidade de transformação pessoal.
Reiki, a terapia de transmissão 
da energia Ki.
Costumo dizer que o tarot é muito bom em “tirar esqueletos do armário”, mas o que fazer com eles depois? Claro que o tarólogo não tem necessariamente de se comprometer com isso, mas deve pelo menos orientar e ou indicar possíveis caminhos de tratamento terapêutico para as questões levantadas numa consulta. Outros preferem escolher alguns tratamentos complementares (Antes chamados de alternativos) para oferecer auxílio para quem procura seus serviços. O termo complementar ao invés de alternativo se acomoda melhor numa perspectiva holística de saúde, pois não exclui nenhum tipo de tratamento já que todos visam a integridade de diferentes aspectos do ser.
Algumas dessas terapias combinam bem com a dinâmica do tarot, como por exemplo, a terapia floral. Muitas vezes um tarólogo tem um único encontro com seu cliente, e passar um receituário de florais é a forma mais rápida de se indicar um caminho para tratar os temas levantados numa leitura dos arcanos. Isso sem falar que abre campo para que a atuação das essências faça com que aquela pessoa sinta os efeitos e assuma um processo de cura interior, não necessariamente com quem os indicou. O mesmo se pode dizer da homeopatia e da fitoterapia.
Florais de Bach.
Certas terapias com propostas mais prolongadas podem ser bem interessantes à prática tarológica. A terapia reiki ou mesmo a terapia corporal indicam um comprometimento maior do cliente em fazer algo com as informações que recebeu numa leitura.
Através da consciência corporal proposta nos tratamentos de massagem ou na mudança dos padrões energéticos, que também moldam as estruturas mentais, como ocorre nas sessões de reiki, é possível alterar antigos padrões de comportamento e pensamento. Consultas de tarot regulares e intercaladas entre as sessões de terapia podem mostrar muito bem os efeitos do tratamento ao longo do processo e a evolução do cliente.
Se o tarólogo se utiliza de uma abordagem mais kármica do simbolismo dos arcanos, a terapia de vidas passadas (TVP) é um excelente complemento a aplicação terapêutica do tarot.
Não existem limites claros sobre quais terapias podem ser empregadas como recurso às leituras de tarot. Pode ser cristaloterapia, aromaterapia, yoga e assim por diante. Também nem tudo o que um tarólogo-terapeuta tem a oferecer é necessariamente o que seu cliente precisa.
Pedras quentes, uma eficiente forma
de terapia corporal.
Por esse motivo é fundamental que a postura ética seja preservada e que o bem estar do cliente seja sempre a prioridade. Tenho tido um cuidado especial em sempre me questionar se o que eu tenho a oferecer é o suficiente para tratar determinadas questões. Como deixar de se encaminhar ao psiquiatra uma pessoa que está em avançado estágio depressivo (Que pode, inclusive, levar ao suicídio)? Ou pedir paciência para quem sofre de terríveis dores musculares, causadas por estresse intenso, ao invés de indicar um terapeuta corporal?
Não devemos esquecer nunca de que um terapeuta é um servidor e um cuidador antes de qualquer coisa. Como tal é responsável, pelo tempo que durar sua consulta, pelo bem estar e conforto de quem recorre aos seus serviços em busca de orientação.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Tarot Terapêutico

O que é?

Os oráculos têm sofrido uma transformação profunda tanto na redefinição da sua aplicação quanto na maneira com que vêm sendo encarados ao longo dos tempos. Uma abordagem cada vez mais profunda dos símbolos tarológicos e astrológicos, por exemplo, tem ganhado espaço na literatura sobre o tema de modo cada vez mais expressivo. Tanto o tarot quanto a astrologia hoje são vistos como meios de aplicação terapêutica. Suas imagens podem fazer muito mais do que revelar tendências futuras ou situações passadas. Os arcanos do tarot, especificamente, podem revelar com detalhes situações práticas de um dado momento, bem como todo o conjunto emocional envolvido na situação O momento apresentado pelos arcanos se refere a um período de anos, meses, semanas ou dias (Conforme cada caso), que se encontram no presente!
Com o passar do tempo foi possível observar que o que se projetava através dos arcanos era, muitas vezes, condicionamentos antigos, muitos vindos da infância, que revelavam bloqueios, traumas e padrões de comportamento subjacentes à programação condicionada da psique. Dentro de uma situação prática, e que geralmente era o que motivava a consulta, espelhava-se níveis mais profundos do subconsciente. Possibilitando assim não só um reconhecimento, mas também uma transformação da consciência e de toda a vida de quem estivesse se consultando se esse desejasse, é claro, fazer uso dessas informações!
Enquanto a astrologia trabalha a psique estanque, com suas principais características pessoais que se reproduzirão por toda a vida, o tarot mostra a dinâmica do inconsciente no dia a dia. A astrologia pode mostrar as tendências de uma personalidade, mas não pode revelar a intensidade dessas tendências, nem se estão sendo vividas ou não. Os arcanos em sua simbologia profunda e detalhada revelam todas as emoções, sentimentos e pensamentos implicados numa ação ou conjunto de vivências. Em termos psicológicos é o momento em que os complexos interiores estão ativados e atuantes, e onde é possível pegar a si mesmo no “flagra”, por assim dizer! Fazendo desse momento muito produtivo e revelador!
Tarot: um instrumento de investigação,
tanto quanto de revelação, do incognoscível.

Os avanços dos termos psicológicos criaram uma facilidade maior em se explicar os processos internos a um leigo. Os estudos de Jung sobre astrologia e tarot facilitaram ainda mais para se verificar a similaridade entre a linguagem oracular e psicológica. As linguagens da alma são sempre as mesmas, os caminhos é que mudam, bem como sua finalidade. Vale lembrar, porém, que tarot e psicologia não são a mesma coisa! Psicólogos aprendem um conjunto de definições e terminologias que limitam seu entendimento da vida. Eles mesmos se definem junguianos, freudianos, lacanianos e assim por diante... Ou seja, limitam sua introvisão a um pesquisador ou pensador específico. 
O tarot visto sob uma perspectiva terapêutica teve seu maior marco com a publicação em 1980 do livro Jung e o Tarot: Uma Jornada Arquetípica de Sallie Nichols. De lá para cá a tarologia ficou muito associada à linguagem junguiana, o que foi interessante para tirar o tarot da obscuridade, mas que de modo algum resume o que ele é! O tarot terapêutico é uma matéria recente, com pouco mais de trinta anos e ainda em desenvolvimento, e a tendência é de que esse ranço psicoterápico junguiano diminua e se amplie para outras abordagens interiores e mais espirituais.

O mapa astrológico natal, um guia da
proposta da alma para toda a vida.
Os tarólogos que fazem o mesmo (Que se resumem a certas correntes da psicologia) estão copiando um modelo que já mostrou não levar a nada! O mundo não ficou melhor por causa disso, é um modelo falido! Um tarologista deve ter em sua mente e no seu coração a visão de muitas formas de expressão da psique humana, o que pode sim envolver a psicologia, tanto quanto o xamanismo, a reencarnação, as filosofias orientais e tudo o que possa ampliar a visão de quem se consulta sobre sua própria vida. A grande beleza do tarot está justamente em recontar a biografia de quem procura suas lâminas com uma perspectiva completamente nova, abrangente e integradora que possibilita a união dos vários aspectos da alma na formação de um ser inteiro e curado!
Aproximar uma consulta tarológica de uma sessão de psicologia, com o intuito de lhe dar um caráter mais “sério” é uma ação pejorativa com relação à própria tarologia, pois a coloca numa posição inferior. A linguagem do tarot é superior ao que conhecemos como a moderna psicologia, transcende os temas abordados numa psicoterapia por encarar assuntos como o Karma, a reencarnação e a influência de outros planos de consciência e energia no momento presente! Sem falar que o tarot preserva sempre seu caráter oracular, permitindo sondagens sobre o futuro e esclarecimentos sobre o passado para muito além das aplicações da psicoterapia.

Como funciona?

Cada tarólogo se utiliza de um método de leitura e abordagem das cartas que o permitem acessar a linguagem dos símbolos bem como a biografia de quem procura as orientações do tarot. Eu particularmente costumo abrir a Cruz Celta, numa adaptação criada por mim dos significados das casas, com o intuito de obter as informações que considero mais importantes para a orientação prática e interior de quem se consulta. A disposição e o significado são a seguinte:

1) É a posição do Mundo interior no momento, e representa os temas mais importantes no momento, e os sentimentos e pensamentos que despertam.
2) As ações, essa posição mostra que atitudes estão sendo tomadas a partir do momento presente no mundo interior, e que podem estar em acordo ou desacordo com ele (No caso de contradizer, trata-se da velha ambiguidade humana).
3) Os apelos da alma. Nessa posição inicia-se um círculo em torno da cruz principal formada pela posição 1 e 2 que mostrarão a totalidade do ser nos quatro planos; O plano espiritual na posição 3, o plano psicológico na posição 4, o material na posição 5 e o plano social na posição 6. A posição 3 fala das percepções intuitivas do indivíduo que podem ter sido ignoradas, ou não, até aqui.
4) Desafios, eles representam os problemas que se mostram no momento e que podem ter origem psicológica em condicionamentos e bloqueios infantis ou mesmo forjados em outras vidas.
5) O mundo consciente e a vida material. É a relação com o mundo material, trabalho, dinheiro, finanças e segurança. É a imagem que o eu “vende” ao mundo.
6)Vida social e objetivos futuros. Mostra as relações como um todo, amigos, família e o modo como o eu vive as relações genericamente. Isso define também onde se encontra, ou não, os aliados para os planos futuros e revela quais são esses planos!

A Cruz Celta, um antigo método de leitura
que funciona como um diagrama da história
pessoal de quem retira as cartas.

7) A personalidade, que face do ser está emergindo, vindo à tona para o trabalho desse momento? Essa posição revela isso.
8) Relacionamentos íntimos e a expressão do afeto. Mostra as relações amorosas, se é que existem, e como se vive a afetividade e a sexualidade.
9) O aprendizado, a carta nessa posição mostra o que há para ser apreendido no conjunto de vivências do momento, revela algo com que podemos crescer se o acolhermos integralmente.
10)A síntese, essa última posição nos dá uma visão mais clara do que se trata afinal o todo expresso nas cartas. Podendo mostrar a finalidade última dos acontecimentos.

Depois dessa leitura, costumo indicar florais que ajudarão no processo de desdobramento das atitudes condicionadas, primeiramente por intermédio da autoconsciência, e depois da mudança das atitudes. Explicado assim parece muito fácil, mas na verdade é um processo que requer um alto nível de comprometimento, dedicação, e empenho interno. Sessões regulares para o acompanhamento das essências florais e aplicação de outras técnicas de suporte como o reiki, a meditação e técnicas respiratórias são recomendados.
Leituras regulares de tarot auxiliam a verificar o quanto se caminhou no conjunto de temas revelados na primeira sessão. O tarot opera assim como um revelador e um regulador do processo interior de crescimento.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Velas - Parceiras na Introspecção Humana



Sempre tive, como muitas outras pessoas, uma atração irresistível pelo fogo e por seu representante mais próximo: as velas. Todos nós acendemos velas em determinado momento da vida. Seja por ocasião do aniversário de alguém, ou para um jantar romântico, um banho relaxante, ou sensual se for a dois... As velas estão sempre lá quando decidimos entrar em contato com nossa intimidade.

A maioria das pessoas simplesmente ignora o fato de que as velas são os instrumentos ritualísticos e mágicos mais simples, mais antigos e mais utilizados em todo o mundo em todos os tempos! A sua estrutura contém em sua simplicidade uma síntese dos quatro elementos. O fogo é o mais óbvio, depois a cera fria e dura lembra a terra, ao derreter ela assemelha-se ao elemento água em sua fluidez e transparência. O ar é representado na fuligem que se desprende da chama, ou no caso de velas aromáticas, pelo seu perfume. Os objetos mágicos de modo geral têm de representar os quatro elementos da natureza, eles evocam assim o poder desses elementos e de seus elementais, ou consciências, que habitam cada um deles.
De um ponto de vista mais psicológico ao acendermos uma vela estamos acessando a memória de todos os elementos segundo o que nos foi legado dentro do inconsciente coletivo por nossos ancestrais. A enormidade do mar se faz lembrar numas poucas gotas. A estabilidade da terra no corpo duro e frio da vela, O poder devastador do fogo, que deve ter causado pavor e fascínio nos homens primitivos! O mesmo fogo que também os libertou dos temores noturnos e dos ataques dos predadores. Desde então sentar-se em torno das fogueiras virou praxe para todos aqueles que queiram conversar, refletir ou apenas aconchegar-se. O fogo virou sinônimo disso tudo! Símbolo do calor humano (O fogo das paixões, o calor materno, etc...)

As velas auxiliam na concentração 
durante práticas oraculares.

Com a evolução do pensamento mágico as velas passaram a ser cada vez mais utilizadas, muitas vezes em substituição às fogueiras pagãs. As religiões monoteístas se utilizaram do poder ígneo para seus próprios cultos, em procissões, missas e orações. No mundo mágico as velas são a forma mais sucinta de praticar magia, mas deve ser obedecido certas “regras” por assim dizer. Devemos observar a fase da lua em que estamos realizando o ritual, e se essa fase combina com o objetivo que queremos manifestar. Do mesmo modo a cor da vela escolhida, que sempre evocará um elemento com o propósito de nos apoiar no procedimento mágico, e até mesmo o modo com que untamos o seu corpo da base ao pavio, ou do pavio à base conforme nossas intenções! Untar as velas é uma antiga prática pela qual podemos firmar nossa atenção num objetivo e repassar para o objeto mágico toda a energia interior que será retransmitida ao universo rumo à concretização!
Para quem olha os rituais mágicos com desconfiança vale lembrar que as velas também podem ser aplicadas com a simples intenção de meditar. Uma meditação interessante de se fazer com uma chama é a de ficar olhando atentamente para ela até fixá-la na memória. Feito isso feche os olhos e a imagine brilhando sobre a região conhecida como terceira visão, ou terceiro olho. Toda vez que sua imagem se desfizer, ou for invadida pela flutuação da mente, abra os olhos e volte fixar-se na imagem e repita o processo. Essa prática favorece a própria meditação, limpando a mente. Reforça a memória, amplia a intuição e a atenção.