segunda-feira, 2 de maio de 2011

Velas - Parceiras na Introspecção Humana



Sempre tive, como muitas outras pessoas, uma atração irresistível pelo fogo e por seu representante mais próximo: as velas. Todos nós acendemos velas em determinado momento da vida. Seja por ocasião do aniversário de alguém, ou para um jantar romântico, um banho relaxante, ou sensual se for a dois... As velas estão sempre lá quando decidimos entrar em contato com nossa intimidade.

A maioria das pessoas simplesmente ignora o fato de que as velas são os instrumentos ritualísticos e mágicos mais simples, mais antigos e mais utilizados em todo o mundo em todos os tempos! A sua estrutura contém em sua simplicidade uma síntese dos quatro elementos. O fogo é o mais óbvio, depois a cera fria e dura lembra a terra, ao derreter ela assemelha-se ao elemento água em sua fluidez e transparência. O ar é representado na fuligem que se desprende da chama, ou no caso de velas aromáticas, pelo seu perfume. Os objetos mágicos de modo geral têm de representar os quatro elementos da natureza, eles evocam assim o poder desses elementos e de seus elementais, ou consciências, que habitam cada um deles.
De um ponto de vista mais psicológico ao acendermos uma vela estamos acessando a memória de todos os elementos segundo o que nos foi legado dentro do inconsciente coletivo por nossos ancestrais. A enormidade do mar se faz lembrar numas poucas gotas. A estabilidade da terra no corpo duro e frio da vela, O poder devastador do fogo, que deve ter causado pavor e fascínio nos homens primitivos! O mesmo fogo que também os libertou dos temores noturnos e dos ataques dos predadores. Desde então sentar-se em torno das fogueiras virou praxe para todos aqueles que queiram conversar, refletir ou apenas aconchegar-se. O fogo virou sinônimo disso tudo! Símbolo do calor humano (O fogo das paixões, o calor materno, etc...)

As velas auxiliam na concentração 
durante práticas oraculares.

Com a evolução do pensamento mágico as velas passaram a ser cada vez mais utilizadas, muitas vezes em substituição às fogueiras pagãs. As religiões monoteístas se utilizaram do poder ígneo para seus próprios cultos, em procissões, missas e orações. No mundo mágico as velas são a forma mais sucinta de praticar magia, mas deve ser obedecido certas “regras” por assim dizer. Devemos observar a fase da lua em que estamos realizando o ritual, e se essa fase combina com o objetivo que queremos manifestar. Do mesmo modo a cor da vela escolhida, que sempre evocará um elemento com o propósito de nos apoiar no procedimento mágico, e até mesmo o modo com que untamos o seu corpo da base ao pavio, ou do pavio à base conforme nossas intenções! Untar as velas é uma antiga prática pela qual podemos firmar nossa atenção num objetivo e repassar para o objeto mágico toda a energia interior que será retransmitida ao universo rumo à concretização!
Para quem olha os rituais mágicos com desconfiança vale lembrar que as velas também podem ser aplicadas com a simples intenção de meditar. Uma meditação interessante de se fazer com uma chama é a de ficar olhando atentamente para ela até fixá-la na memória. Feito isso feche os olhos e a imagine brilhando sobre a região conhecida como terceira visão, ou terceiro olho. Toda vez que sua imagem se desfizer, ou for invadida pela flutuação da mente, abra os olhos e volte fixar-se na imagem e repita o processo. Essa prática favorece a própria meditação, limpando a mente. Reforça a memória, amplia a intuição e a atenção.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Os Gatos & o Tarot

Interessante notar que esses dois elementos se encontrem com tanta frequência nos temas de cunho espiritual, oculto ou esotérico. Os gatos são figuras assíduas em histórias modernas ou antigas sobre bruxas, magos e oráculos. São seus companheiros. Os felinos eram seres adorados em civilizações antigas como os egípcios, os babilônicos e fenícios. Com o advento da cristandade (que nada teve a ver com os propósitos de Cristo) todas as religiões antigas foram taxadas de hereges e seus ídolos foram acusados de serem demônios. Os gatos passaram então de seres mágicos que podiam pressentir quando ia chover e que eram capazes de captar sons e imagens inaudíveis e invisíveis aos seres humanos, a servos de Satã, e cúmplices nos ardis do mal. Na inquisição um dos costumes mais terríveis era o de incendiar um cesto cheio de gatos junto com aquela pessoa acusada de bruxaria.
A Papisa (Ou Sacerdotisa), arcano II, no The Medieval Cat Tarot, à esquerda. A Torre, arcano XVI, no The Cat People Tarot, à direita.

Como tudo o que é combatido, a mitologia em torno do gato só fez crescer com o tempo, e esse animal passou a gerar um medo infundado em algumas pessoas, e fascínio a outras. Particularmente eu me encaixo no segundo grupo, sou um fã incondicional da beleza, inteligência e sensibilidade dos gatos. Muitos desenhistas de baralhos de tarot se deixaram seduzir de tal forma pela mítica felina que criaram baralhos inspirados nos belos e lânguidos bichanos. Dois exemplos disso são o The Cat People Tarot e o The Medieval Cat Tarot, duas criações artísticas totalmente embasadas na estética felina. É bem isso, nenhum dos dois baralhos propõe uma nova abordagem para os arcanos, apenas um olhar dentro do mundo misterioso dos gatos, em seus movimentos e expressões diversas.
Alguns baralhos figurados por gatos (a partir da esquerda):
Medieval Cat Tarot, Tarot of White Cats,
Tarot of Pagan Cats, Tarot of the Cat People, Tarot for Cats, e Cat's Eye Tarot.


O que não falta são histórias no mínimo curiosas sobre quem trabalha com os arcanos e convive com os gatos. Eu mesmo presenciei inúmeras vezes meu gato sair de onde quer que ele estivesse para ficar ao meu lado quando eu simplesmente pensava em pegar as cartas para uma consulta particular. Enquanto eu manipulava o baralho e tecia jogadas ele olhava com ávido interesse e máxima atenção dispersando-se ou caindo no sono tão logo a minha consulta encerrava. Uma amiga montou num pequeno quarto em sua casa uma sala de atendimentos para leituras de tarot e das mãos. Ela possuía uma gata da raça snowshoes que tinha o hábito de entrar na sala de consultas com certos clientes. Subia numa prateleira e ficava olhando sem trégua para aquele que se consultava. Com uma incrível frequência essa pessoa observada era a que trazia os problemas mais sérios ou que se mostrava mais abalada com seus dilemas pessoais. Assim que a sessão terminava a gatinha saía da sala e deitava-se no sofá mergulhado em sono profundo...

É claro que nem todos os gatos possuem essa ligação com as cartas do tarot ou com a prática de sua leitura, mas sem sombra de dúvida é o animal doméstico com que mais acontece esse tipo de “coincidência”. Alguns autores chegam mesmo a atribuir o significado de alguns arcanos às qualidades arquetípicas ou espirituais dos felinos. Os autores e tarólogos *Catherine Summers e Julian Vayne ao descrever o simbolismo da rainha de paus, fazendo referência ao arcano como ele é apresentado nos baralhos Thoth de Aleister Crowley e no Rider-Waite dizem: O simbolismo desta carta está de maneira intrínseca ligado ao do gato, esse animal de poder feroz mas de controle elegante e misterioso.
É, parece que essa parceria entre gatos e salas de cartomantes não vai parar tão cedo, e mais baralhos e analogias serão evocados. Continuo fiel à ideia de que isso se dá pelo aspecto transgressor que os temas espirituais possuem intrinsecamente, e que são muito similares aos preconceitos que afligiram todos os gatos (Tidos como animais mágicos ou sagrados por quase todas as culturas). Enquanto a humanidade temer os temas interiores ou misteriosos, no sentido de nem sempre possuírem uma explicação cientificamente comprovável, o mistério dos gatos e das cartas, e sua enigmática ligação, continuará ou incomodando, ou fascinando muitas pessoas.


* Tarô e Você,  Catherine Summers e Julian Vayne.
Editora Saraiva, São Paulo 1995.

Leia também: Gatos - Os Oráculos Vivos 

sábado, 19 de março de 2011

Reiki - Somos Todos Canais?

No decorrer da década de 90 uma multidão de pessoas procurou o reiki tanto para experimentar seus benefícios quanto para se iniciar na técnica. As motivações, é claro, foram as mais variadas! Uns o fizeram por pura curiosidade outros simplesmente por que viram a oportunidade de iniciar-se numa atividade espiritual que, na ocasião era muito gratificante financeiramente... E por que não unir os dois interesses? Uma miríade de oportunistas também aproveitou a “onda” e “viraram” mestres e terapeutas reiki.
Por sua incrível facilidade tanto de aplicação quanto de transmissão criou-se uma legião de reikianos (Como são chamados os que trabalham com a técnica). Muitos desses nunca entenderam o reiki em sua essência mais profunda. A energia ki é a porção sutil e sustentadora da vida, por isso ao transmiti-la através da técnica reiki de cura estamos nos unindo a uma dimensão mais ampla da existência, uma porção que nos possibilita entrar em estado de meditação profunda, permitindo com que a mente concreta ceda espaço ao silêncio do absoluto, ampliando nossos canais de percepção intuitiva, nossa criatividade, imaginação, concentração e serenidade interior. Para a maioria das pessoas com quem tenho falado essas informações são completamente novas! Eis aí o ponto em que me parece pertinente levantar uma questão: Somos todos canais reiki de fato? Nos cursos de iniciação, ou sintonização, da energia reiki o que todos nós aprendemos é que ao receber os símbolos reiki em nossos canais energéticos estamos capacitados a aplicar a energia ki com eficiência e rapidez. Será? Veja bem, não se trata de eu duvidar que isso ocorra, testei isso muitas vezes, pedindo aos alunos que aplicassem a energia das mãos antes e depois do ritual de sintonização, e a diferença foi evidente! Entretanto, me custa muito crer que um iniciado que nunca mais aplicou reiki na vida, ou que o faça apenas oportunamente, tenha a mesma eficiência de aplicação de alguém que fez do reiki não só uma atividade profissional, mas uma prática espiritual e um verdadeiro estilo de vida!
O reki atraiu uma multidão de interessados, 
e alguns oportunistas também.
Costumo responder a todos os que me perguntam se é necessário ter algum talento para ler o tarot, por exemplo, que assim como qualquer atividade humana você tem de ter algum talento sim! Fazendo uma comparação mais próxima, podemos lembrar que o carro e a equipe de Michael Schumacher eram os mesmos de Rubinho Barrichello, mas qual dos dois foi sete vezes campeão do mundo? O mesmo se pode dizer de um estudo simbólico como o tarot. As cartas e seus significados são os mesmos para todos os leitores desses símbolos, mas uns se tornarão exímios em sua interpretação, como Schumacher foi um exímio piloto ao volante da sua Ferrari, enquanto outros serão leitores medianos, e até medíocres em determinados momentos, como o foi Barrichello pilotando a sua Ferrari. Sim, é preciso um talento para se ler as cartas, e esse talento fará a diferença entre o bom e o mau intérprete dos arcanos do tarot.
Com o reiki sinto que ocorre a mesma coisa, quanto mais se convive com o reiki e o aplicamos, mais ampliamos nossa experiência e nossos canais de sintonização com a energia ki universal. Os insights sobre a energia e seu funcionamento, não apenas no corpo humano, mas no desenvolvimento da consciência e da elevação espiritual tendem a crescer significativa e gradativamente com a aplicação e auto-aplicação contínua. Em seu livro Reiki do Coração, o mestre Upanishad Kessler fala no círculo reiki, que seria a atividade necessária para se ter uma experiência total com a energia ki. Esse círculo seria a disposição do reikiano em aplicar o reiki, se auto-aplicar e ter a humildade de receber de outros. Assim todas as possibilidades com a aplicação do reiki seriam vividas, permitindo uma percepção cada vez maior de como a energia vital opera no universo e em todos os seres vivos. Todos nós que recebemos a sintonia com a energia reiki temos a possibilidade de nos desenvolvermos como curadores e espiritualistas, mas poucos o farão e isso é inegável!
A facilidade, tanto de aplicação quanto de transmissão, 
tornou o reiki extremamente popular.
Com tudo isso me parece mais do claro que um praticante de reiki que tenha se dedicado a usar a energia vital a tempo suficiente não pode, e nem deveria ser comparado a “uma vizinha que também se iniciou em reiki” e está sempre disposta a ajudar os amigos quando solicitada e muito menos ter de ouvir dos mais incultos quanto a temas da energia sutil ou espiritual quando esses lhe perguntam: “Mas você trabalha só com reiki?”. Pessoalmente, quando eu conheci o reiki, eu já tinha me iniciado em outras técnicas de cura e já era tarólogo há dez anos. Nem por isso eu acredito que quem tenha se dedicado ou desenvolvido exclusivamente o reiki esteja de alguma forma bitolado em seus conhecimentos. Ter contato com a energia vital universal por tempo integral está longe de ser uma experiência vulgar! E só pensa isso quem não entendeu nada do reiki enquanto uma atividade mística e espiritual, ou que cedeu ao movimento obsessivo da mente moderna de se encher de títulos, diplomas ou certificados para atestar a própria capacitação. Não há capacitação maior do que a oferecida pelo tempo e pela troca humana que o reiki proporciona. Não há um pedaço de papel que forme um curador, apenas egos apoiados em nomes e burocracia.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Tarot & o Karma

O Karma é uma palavra de origem sânscrita que fisicamente representa a ação e metafisicamente a lei da retribuição universal. Assim sendo a teoria do Karma é perfeitamente compatível com a terceira lei do movimento de Newton que diz que: "Toda a ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário". Podemos simplificar dizendo que todas as nossas ações retornam a nós, independentemente de termos melhorado nesse meio tempo! Vale sempre lembrar, entretanto, que o Karma não é uma punição e muito menos uma recompensa. É a consequência natural de nossas ações.

 O karma é uma lei de coesão 
universal e transcendente


Todas as ações de cunho coesivo e harmonizador formam aquilo que poderíamos chamar de Karma positivo e todas as ações de caráter destrutivo ou desarmonizador formam o Karma negativo. Buda nos ensina que nem um nem outro são favoráveis a evolução da consciência humana, pois enquanto criamos Karma, seja positivo ou negativo, continuamos presos a dualidade que gera todos os conflitos sem nunca nos libertarmos da roda de Samsara, ou o eterno ciclo encarnatório de nascer, viver, morrer. A libertação desse ciclo se dá através da compreensão do sentido intrínseco do Karma e a não identificação com o seu retorno e efeitos, sejam eles positivos ou negativos. O Karma retorna sempre, o que não significa que qualquer pessoa irá se deparar com seus resultados apenas numa outra vida, o fluxo Kármico opera constantemente! Seus efeitos são repassados para uma outra encarnação apenas em ocasião da morte. Fazendo uma comparação rude, é como o intervalo de uma telenovela, entram os comerciais e assim que a novela recomeça tem de partir exatamente de onde parou na trama! O Karma pode ser tanto individual quanto coletivo, como no caso de uma família ou de uma nação.
A lei do Karma seria uma versão sutil  de uma outra teoria das ciências naturais, a do evolucionismo de Charles Darwin, e assim como uma espécie melhora os seus genes para a que a próxima geração se adapte e sobreviva, a alma também aprende e evolui no campo espiritual para que a consciência que nunca morre se beneficie e também evolua.
Não pretendo aqui fazer mais do que uma síntese dos significados espirituais do Karma, esse tema não caberia numa explanação tão breve quanto essa. No fim desse artigo sugiro uma bibliografia que pode orientar melhor iniciantes em temas esotéricos, ou leigos mesmo, a se instruir melhor sobre esse assunto tão fascinante.

O Tarot e o Karma

Como o Karma se apresentaria no tarot? Uma leitura pode revelar uma situação de cunho Kármico? E, principalmente, qual a validade desse reconhecimento na vida comum? Bem, vamos por partes:


 A Lua, arcano XVIII, no tarot de Marselha, à esquerda. 
O mesmo arcano no Osho Zen Tarot - Vidas Passadas.

O arcano XVIII, A Lua, tem sido apontado como o arcano do Karma. Sua imagem mostra em termos simbólicos seus significados. Tomando como base o tarot de Marselha vemos um tanque com água  (Símbolo da psique) de onde sai uma lagosta, que é um crustáceo! Os crustáceos são uns dos seres mais antigos a viver no planeta. A lagosta está prestes a vir à tona, como vivências muito antigas que retornam em um dado momento. Do lado de fora dois lobos (ou cães) uivam e o uivo, hoje se sabe, é um chamado para unir a matilha. Algo muito antigo convoca nossa atenção e não pode ser ignorado. Ignorar seu chamado só traria mais sofrimento. O uivo também é um emblema do medo que os predadores noturnos, como o lobo, geraram no inconsciente  coletivo da humanidade. Medo, e as fobias em geral, é também um dos significados do arcano de A Lua. O medo sempre aparece de algum modo quando temos de nos confrontar com os aspectos não resolvidos da vida. Ao fundo vemos duas torres muito antigas aludindo à memória dos tempos inserida na alma. Ao alto uma lua crescente (A figura mostra como a lua aparece nessa fase no hemisfério norte),  tem gotas de energia sendo retiradas da terra, ou seja, o foco da consciência está indo para dentro, para o mundo interior. A Lua  associa-se ao assim chamado “Mergulho na noite escura da alma”, um momento onde as referências do mundo racional são perdidas. Um sentimento muito comum nesse arcano é o da angústia, palavra de origem latina que significa “caminho estreito”. É interessante notar que entre os dois animais no centro da imagem há um caminho estreito por onde o crustáceo irá passar.

A Justiça, arcano VIII, regendo todas as leis.

Quanto à validade de uma revelação dessas, bem eu penso ser fundamental qualquer informação que possa ampliar o campo de visão de uma pessoa sobre a situação que ela está enfrentando. Sem falar de que dentro de uma abordagem terapêutica do tarot é sempre válido saber a profundidade do que estamos tratando. Isso só se aplica, é claro, quando o leitor não está contaminado com as considerações negativas que certas doutrinas espirituais acabaram por reinterpretar o significado do Karma, dando-lhe uma conotação fatalista e sombria muito parecida com a do Deus severo e punidor da doutrina judaico-cristã.

O que há para ler:
Um Estudo Sobre o Karma, De Annie Besant.
Editora Pensamento.

O Caminho do Mago - Uma Visão Contemporânea do Tarot,
De Veet Vivarta. 
Editora Francisco Alves.

Intuição, De Osho.
Editora Cultrix.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Sonhos – Mensageiros dos Deuses


Os sonhos são a parte mais misteriosa da natureza humana. Muitas são as teorias sobre suas origens. Para os antigos os sonhos eram portais por onde os Deuses podiam emitir sinais reveladores sobre o destino e até mesmo a saúde das pessoas. Da mesma forma espíritos maléficos podiam entrar através dos nossos sonhos (Os pesadelos) e a partir deles nos fazer mal.
Freud, o pai da psicanálise, disse que os sonhos eram a expurgação de todo o material não trabalhado pelo consciente. Ou seja, tudo o que não dissemos ou não fizemos, as coisas que não conseguimos “tirar da cabeça” formavam aquilo que chamamos de sonhar. Até mesmo o guru indiano Osho cometeu o erro de classificar os sonhos como apenas mais uma parte da mente, e que o ideal era ter um sono sem sonhos. Hoje se sabe um pouco mais sobre o sonhar. Sabe-se inclusive que pessoas saudáveis, tanto do ponto de vista físico quanto psicológico sonham, e muito, embora a maioria não se lembre dos sonhos que teve!
A visão freudiana excluía muitos fatos sobre a natureza dos sonhos. Por exemplo, a predição. Muito frequentemente as pessoas sonham com coisas que estão por acontecer e elas de fato acontecem! A tendência a prever o futuro ao sonhar é chamado de vidência *onírica, um tipo muito espontâneo de vidência que consagrou muitos filmes e séries de televisão. Mais recentemente a série Medium onde a vidente Allison DuBois (Interpretada pela atriz Patricia Arquette) resolve casos policiais com seu dom, nada comum ou controlável. Em muitos episódios ela mesma fica confusa com as mensagens que recebe sobre os crimes que está investigando. Essa peculiaridade da ficção expõe duas verdades sobre os sonhos: 1º) Eles são simbólicos, ou seja, cifrados.  Suas mensagens nem sempre são claras e muito menos objetivas. Sua interpretação deve ser bem menos racional e mais intuitiva, por assim dizer. 2º) Nem sempre são controláveis. Algumas técnicas desenvolvidas recentemente permitem realizar o que se chama de sonho consciente. Uma forma de sonhar que nos permite saber o que ocorre no mundo onírico e interagir com os fatos lá ocorridos, podendo até obter orientações. Não há, entretanto, nenhuma garantia de que eles funcionam sempre!
 A série Medium, com Patricia Arquette, enfoque no 
uso do dom da vidência através dos sonhos.

O psicólogo suíço C.G Jung disse que o consciente está para o inconsciente como uma ilha está para o mar que a rodeia. Por esse prisma a demanda do inconsciente é muito grande e está sempre tentado interagir ou integrar-se ao mundo consciente. Tal integração se dá mais eficazmente através dos símbolos. Alguns de cunho universal que são reconhecidos no grande inconsciente coletivo da humanidade (Como no caso dos símbolos do tarot ou da astrologia) e os símbolos pessoais, que a certa altura se mesclam com os arquétipos universais. Estes símbolos pessoais aparecem com mais assiduidade nos nossos sonhos. Para deixar mais claro vamos exemplificar assim: Se uma pessoa teve uma avó morando numa ilha, por exemplo, e suas visitas a casa dessa avó eram de muito prazer, é possível que ela venha a ter muitos sonhos em que se vê voltando para aquela ilha num período da vida em que esteja sentindo falta de mais prazer e aconchego. A ilha costuma ser vista como um símbolo da necessidade de isolamento ou de um profundo sentimento de solidão. No caso específico desse exemplo vemos uma situação em que ela revela um intenso sentimento de busca por acolhimento, em primeira instância. Apenas de modo secundário podemos perceber uma tendência a se isolar do meio que cerca a pessoa fictícia do nosso exemplo. Nesse ponto o símbolo arquetípico pessoal entra em sintonia com o arquétipo transpessoal.
Como mencionei no começo desse artigo os sonhos são o mistério mais consistente da humanidade! A visão psicológica é muito importante, mas não resume de modo algum a real natureza dos sonhos. A psicologia é apenas uma forma racional de tentar explicar a vida e que não para de se reinventar justamente porque não possui conclusões definitivas de nada. Não passa da mente humana tateando dentro da sala escura da alma!
Xamãs, interação perfeita com o mundo onírico

Os xamãs de todos os povos chamados de primitivos, como os aborígenes australianos e os pueblos norte americanos, talvez tenham desenvolvido a ligação mais profunda com o mundo onírico. Viam nos sonhos sinais tanto de saúde, quanto de avisos espirituais, ou mesmo orientações para empreendimentos práticos como o resultado das plantações ou de viagens. Muitas vezes eles mesmos entravam em seus próprios sonhos para obter respostas para questões importantes e realizavam com isso o voo xamã, o que se supõe que fosse uma viagem astral em estado de sono, onde recebiam do Grande Espírito, ou Grande Mistério, as revelações de que precisavam. Quando não conseguiam resignavam-se dizendo que a revelação não era possível ainda! A mente racional e conquistadora do homem branco é que tende a forçar respostas quando estas não são possíveis. Para entender a linguagem dos sonhos é preciso se aproximar delas como um místico (Aquele que procura uma experiência pessoal com Deus), e não como um inquisitor ou um conquistador!


*Referente a sonho.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Tarot de Waite faz 100 anos


Em 1910 o ocultista e mago Arthur Edward Waite (1857-1942) lança pela editora Rider  & Son, de Londres, o baralho de tarot que leva o nome da editora, o The Rider Tarot Deck. Com desenhos de Pamela Colman Smith (1878-1951). Esse veio a ser um dos baralhos mais difundidos no mundo  todo por todos os interessados em temas ocultos e mágicos! A grande revolução de Waite foi promover um baralho com imagens para o significado dos arcanos menores, em contraposição à estrutura clássica que mostrava apenas números associados a naipes. Ele lança uma tendência que viria para ficar na criação de baralhos: a interferência do autor na criação das imagens símbolo do tarot. Por um lado essa ação muito criativa favoreceu para que um número maior de pessoas encontre o seu baralho, não tendo de se enquadrar na estrutura do tradicionalismo. Por outro lado, criou tanta deformação ao representar os arcanos que alguns baralhos se tornaram irreconhecíveis como pertencentes à estrutura simbólica do tarot. Outro efeito colateral, digamos assim, da iniciativa de Waite foi o fato de que os desenhos de seu baralho não são claros quanto ao que querem representar! Isso trouxe um desdobramento dos possíveis significados das cartas o que, a meu ver, foi muito enriquecedor para a linguagem tarológica. 

À esquerda a versão proposta por Waite para
o dez de copas, à direita a versão clássica.

A versão do tarot de Waite traz ainda uma troca arbitrária e polêmica: A inversão dos arcanos de A Justiça e de A Força. Dentro da tradição do tarot esses arcanos correspondem aos números VIII e XI respectivamente. A inversão de Waite faz com o oitavo arcano (A Justiça) leve o número XI e o décimo primeiro arcano (A Força) fique com o número VIII.


A inversão dos arcanos A Força (XI) e A Justiça (VIII).

A justificativa nunca foi dada de modo claro, mas estudiosos desse baralho afirmam que foi a relação entre tarot, cabala e astrologia que motivou a inversão. Waite foi membro da Golden Dawn, a Hermética Ordem da Aurora Dourada, uma ordem secreta que adotou o tarot como seu instrumento de reflexão e meditação. Os membros da Golden acreditavam que o tarot teria derivado de sistemas mais antigos como a própria cabala. Na relação entre os arcanos e os caminhos cabalísticos a ordem desses arcanos inverte. Na relação astrológica acontece a mesma coisa! Veja isso: o arcano de O Imperador (Áries), O Hierofante (Touro), Os Amantes (Gêmeos), O Carro (Câncer), A Justiça (Libra), O Eremita (Virgem), A Roda da Fortuna (Júpiter – aqui um planeta e não um signo), A Força (Leão) e assim por diante... Ora, deve ter parecido lógico para eles que depois de Câncer, signo correspondente ao Carro, vem Leão. E que Libra, signo correspondente ao arcano de A Justiça, deveria vir depois de Virgem, como ocorre na sequência astrológica tradicional! É, assim parece fazer todo o sentido. A questão é de que o tarot é uma linguagem simbólica própria que não deve, e nem pode, ser distorcido em função de outros sistemas e linguagens simplesmente por serem mais antigos! Os arcanos são cosmogônicos, ou seja, seu simbolismo é de muita flexibilidade e podem ser relacionados a quase todos as outras disciplinas mágicas ou oraculares como a cabala, a astrologia, a numerologia, mitologia, etc. Hajo Banzhaf e Mary K. Greer, autores que se dedicam ao estudo desse baralho em particular discordam, pelos mesmos motivos que eu, dessa alteração dos dois arcanos e sugerem que se mantenha a ordem tradicional.

A Cruz Celta, também conhecida como Cruz Céltica, 
o método de leitura mais difundido do tarot.


Outra “novidade” trazida por Waite, e que pegou como fogo em mato seco, foi a leitura da Cruz Celta. Apresentada por ele como um antigo método usado por celtas da Inglaterra, Escócia e Irlanda, esse jogo de dez cartas tornou-se o mais utilizado em todo o mundo e também com inúmeras versões. Algumas até mudando a disposição das cartas na mesa, mas a grande maioria manteve mesmo a forma original apresentada no livro The Pictorial Key to the Tarot. A verdade é que o estudo do tarot teve no baralho Rider Waite um divisor de águas só comparável ao impacto causado pelo lançamento, em escala mundial e com produção em série, do Thoth tarot e Aleister Crowley com desenhos de Frieda Harris, mas isso é outra história.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Reiki - A Medicina da Luz

Surpreendeu-me conhecer o reiki e descobrir que era uma técnica, por assim dizer, de aplicação de energia vital (ki  em japonês) com a imposição das mãos. E minha surpresa se deu pelo fato de vivermos numa época de plena confiança nos métodos científicos, os remédios  evoluíram muito e as respostas para as doenças, ou suas origens, parecem ter sido respondidas. Então qual o motivo de tantas pessoas no mundo procurarem reiki para serem aplicadas ou para se iniciarem?... É, a ciência deu para a humanidade todas as respostas que a mente poderia querer, mas eliminou as questões do espírito, a intimidade e a interação com o mistério. Muitas coisas não são explicáveis pelo prisma científico, e mesmo que fossem, não eliminaria a causa espiritual ou divina.

Crianças fazendo reiki. Simples, 
profundo e espiritual ao mesmo tempo!

Uma história ilustra bem isto. Os etruscos foram um povo que viveu na península itálica junto com os romanos, que em seguida se expandiram e dominaram seus vizinhos. E eles não ofereceram resistência física, mas preservaram sua cultura. E tanto foi assim que era possível reconhecer as diferenças entre os dois. O filósofo Sêneca dizia que a diferença básica entre um etrusco e um romano é de que os romanos acreditavam que os raios se formavam porque as nuvens se chocavam. Enquanto o povo etrusco acreditava que as nuvens se chocavam para formar os raios! Essa é a diferença do pensamento científico para o pensamento místico. Para os místicos há uma causa para tudo. A ciência apenas explica como acontece, mas não faz teorias sobre as causas, o que não as invalida! Certo? O acaso com significado veio a ser chamado mais tarde pelo psicólogo suíço C.G. Jung de sincronicidade. Jung tentou mostrar para a comunidade científica o que já era uma verdade para xamãs, místicos e ocultistas há milhares de anos!
Bem o que quero dizer é: *eu posso acreditar que a aurora boreal, por exemplo, é a dança dos deuses no céu. O cientista dirá que é apenas o choque das partículas do sol (Chamadas de fotoelétrons) contra a atmosfera da Terra. Ora, como ele pode provar que as partículas do sol contra a atmosfera da terra não são os deuses dançando?... Afinal quando dançamos também agitamos as partículas do ar! O místico diria: “Olha uma dança!” enquanto um cientista dirá: “Olha ele está agitando as partículas do ar!” O primeiro diz o que está acontecendo o outro diz apenas como. Um é interno, o outro é externo! São diferentes, mas não se anulam e nem tem competência para intervir um no outro. Haja visto o quanto das lendas e mitos vem se mostrando válidas atualmente!
O reiki é justamente isso, um resgate do mundo interior da humanidade. Um contato com o aspecto espiritual da existência. É um tratamento sem análises ou julgamentos, uma cura que não começa pela mente, apenas passa por ela. A compreensão dos fatos vem em decorrência de uma abertura interior. É uma nova forma de psicologia, uma que tem apenas troca de impressões e introspecção para a canalização da energia ki. Inúmeras vezes as pessoas se levantaram da mesa de atendimento dizendo: “Sabe, hoje percebi tal coisa..." ou “Nunca tinha notado o quanto eu faço isso!” 


Aurora boreal, um fenômeno natural explicado 
tanto pelo misticismo quanto pela ciência.

Alguns me perguntam se isso não é apenas troca de energia eletromagnética, que nada tem de espiritual. A essas pessoas eu cito a pesquisadora e paranormal Barbara Ann Brennan, autora do livro Mãos de Luz. Nessa obra ela diz ter visto por diversas vezes seres não físicos que estendiam vórtices de luz, como se fossem braços, que atingiam partes do corpo em que ela ainda não estava! Esse testemunho me fez entender duas coisas: Primeiro, a afirmação da minha mestra, que é a mesma de todos os mestres reiki experientes, de que o reiki é uma energia inteligente, que vai onde é preciso ir e que o fato de colocarmos as mãos noutras posições é apenas para facilitar o processo de meditação e introspecção que o reiki proporciona. Segundo, entendi melhor as declarações dos meus clientes que se sentiam tocados por muito tempo, por mãos quentes e um tanto pesadas até, numa determinada parte do corpo, digamos o abdômen, por exemplo. Então abriam os olhos e se espantavam ao notar que eu já me encontrava nos seus pés!
Sim o reiki é uma terapia espiritual com o auxílio de consciências superiores e inteligentes que estão no universo para ajudar na evolução de seres como nós! Por isso não esperem comprovações técnicas e materiais sobre o reiki! Eu diria (como digo sempre) façam a sua experiência. 
Esse é o verdadeiro saber!

* Os antigos romanos e os povos do Ártico tinham justamente essa crença.

Leia também: As Possibilidades do Reiki e Símbolos Reiki... Quando Usar?