terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Reflexões Sobre o Tarot

A seguir algumas definições de tarólogos famosos, do passado e do presente, para inspirar e refletir sobre as aplicações, funções e a natureza do tarot. Escolhi essas citações por me pareceram as mais contundentes e, é claro, condizentes com minha própria percepção e experiência dentro da prática tarológica. No futuro pretendo colher mais desse tipo de definição ou enunciação sobre o significado e o propósito do tarot de autores e estudiosos que, assim como eu, dedicaram suas vidas à prática e ao estudo dos arcanos. Todos aqueles que registrei aqui têm seus livros indicados na minha lista de bibliografia recomendada. Note que alguns afirmam, ao contrário do que alegam certos autores nacionais, de que o tarot é sim um caminho para o transcendente, para a conexão com algo maior e, também, para uma conexão com Deus! Espero que gostem!



“As imagens das cartas do tarot são tão antigas e profundamente ligadas aos padrões inconscientes do desenvolvimento humano, que merecem todo o respeito e crédito. Não devem ser encaradas como brinquedos, mas, de certo modo, como imagens sagradas, não porque sejam sobrenaturais, mas porque, tal como uma obra de arte famosa ou alguma peça da literatura mundial, elas refletem nossos mais profundos conflitos, necessidades e aspirações.”

- Sallie Nichols em “Jung e o Tarot”.


“O tarot é o mais perfeito instrumento de adivinhação que pode ser usado com total confiança, por causa da precisão analógica das suas figuras e dos seus números.”

- Éliphas Lévi em “Dogma e Ritual de Alta Magia”.


“Imaginação, jogo, aventura pessoal. O tarot conta a história de alguém que está procurando escrever a história do que não sabe.”

- Alberto Cousté em “O Tarot ou a Máquina de Imaginar”.


“A forma com que o tarot opera em nível de previsão nada mais é do que uma espécie de espelho da psique.”

- Liz Greene em “O Tarot Mitológico”.


“Natureza e imagens alegóricas que se combinam para formar uma história.”

- Stuart Kaplan em “Tarot - O Mistério das Cartas”, documentário.


“Para mim o tarot é muito mais que um oráculo, é a ambiciosa tentativa do homem de encontrar a chave da coesão universal através do símbolo.”

- Jaime E. Cannes em “Por Trás da Cruz Celta”, artigo do Blog Tarotzenreiki.blogspot.com


“Assim, também a leitura dos símbolos do tarot, runas, cartomancia deve buscar sempre relacionar o consulente não apenas com as coisas imediatas e pessoais que o cercam, mas também com a energia universal.”

- Regina M. Azevedo em “A Sabedoria por Trás dos Oráculos”.
Revista PLANETA, Setembro de 1993.


“Quando consideradas como simples exemplos da imaginação mitológica, as cartas são dóceis; mas como ferramentas de divinação, são selvagens, poderosas e imprevisíveis.”

- Cynthia Giles em “O Tarô – Uma História Crítica:
Dos primórdios Medievais à Experiência Quântica”.


“Vale a pena considerar o tarot do ponto de vista de se estar trabalhando com um sistema vivo de energia, que funciona com padrões antigos profundamente enraizados, mas que lentamente vão se modificando com o passar do tempo; um sistema energético que contém profundamente dentro de si toda a sabedoria da raça humana; e um sistema energético capaz de transportar orientações das fontes Divinas para além do Louco e através dos caminhos arquetípicos dos Arcanos Maiores e das cartas da Corte”.

- Rose Gwain em “Descobrindo o seu Eu Interior Através do Tarot”.


“O princípio de que o nosso universo obedece a uma ordem exata é tão básico para o Tarot quanto a ideia de que as cartas do Tarot representam com precisão a própria estrutura do Universo”.

- Robert Wang em “O Tarot Cabalístico”.


“Assim como usamos um espelho para observar nosso exterior, podemos usar as imagens do Tarot para nos aproximarmos da nossa realidade interior. Uma aventura ousada! As imagens do Tarot são um espelho das imagens que temos na alma. Quanto mais as contemplamos, mais descobrimos sobre nós e nossas vidas”.

- Gerd Ziegler em “Tarot – Espelho da Alma”.



“As cartas conhecidas como Arcanos Maiores representam o caminho que percorremos na vida humana. Elas mostram 22 energias básicas do nosso Universo e nos orientam no caminho para Deus, para a iluminação”.

- Mario Montano em “Tarot – Espelho da Vida”.


“Todas as nossas convivências, todos os nossos sonhos, todos os possíveis arquétipos das nossas experiências podem ser encontradas nessas 22 cartas. Elas representam um espelho inesgotável; quanto mais nos aprofundarmos nelas, tanto mais poderemos descobrir. E cada vez que nos encontramos com elas, elas são totalmente novas e nos aparecem sob uma luz diferente”.

- Mario Montano em “Tarot – Espelho da Vida”.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

As Relações são Espelhos


As relações como espelhos dos
 conceitos pessoais sobre afetividade
(Os Amantes, do Osho Zen tarot).
Em seu livro "Tarot - Espelho da Alma", o tarólogo e terapeuta alemão Gerd Ziegler ensina uma variedade interessante de métodos de disposição das cartas. Há entre eles um que me parece mais profícuo por nos colocar de frente com a questão: “Por que atraio esse tipo de pessoas para minha vida?”. É um sistema instigante que nos viabiliza refletir sobre as mensagens que passamos para o mundo, e o tipo de pessoas que magnetizamos com essas mensagens. O nome da disposição é "Esclarecimento de uma Pergunta ou Situação Emocional", e consiste em embaralhar as cartas e cortar o maço em dois montes. O monte da esquerda representa as energias, Yn e o da direita as energias Yang. Embaralhe o monte da esquerda novamente, tire a carta e coloque na posição 2 e a última carta na posição 3. Faça o mesmo com o da direita, embaralhe e coloque a carta na posição 1 e a última na posição 4. Ficando assim dispostos os arcanos na mesa:

1

2          3

4

A posição 1 representa a questão básica, o que de fato está acontecendo agora na sua vida afetiva e íntima. É a sua situação emocional no momento.
A posição 2 mostra a que você está receptivo, que pessoas, energias e acontecimentos está atraindo.
A posição 3 revela o que você está mostrando ao seu meio ambiente, e ao mundo. Revela de que modo você influencia o seu meio, e o que está mostrando de si mesmo exteriormente.
A posição 4, por fim, traz a resposta, a chave, aponta um caminho para a superação ativa do problema. Um modo de contorná-lo ou superar ele.

Muitas pessoas conhecem este sistema de disposição das cartas, muito embora eu não saiba quantas o usam de fato. Considero muito rico e esclarecedor esse método uma vez que traz para você a responsabilidade sobre o que vive na sua afetividade! Você trouxe para si mesmo através de suas posturas as pessoas com as quais se envolve. Se isso o gratifica, ótimo! Mas se por outro lado isso o atormenta, então é hora de refletir e de transformar a reflexão em uma ação transformadora!
Relações são espelhos e não importa o quanto se repita isso, muitos ainda preferem culpar a sorte, o destino, ou a interferência dos outros... Afinal é mais fácil, não é? É bem verdade que as mensagens inconscientes que passamos ao mundo são moldadas em grande parte pela educação que recebemos de nossos pais, e dos nossos exemplos familiares e culturais. Para quem é reencarnacionista, como eu, há também sempre a forte impressão de que essas mensagens podem ter sido moldadas bem mais anteriormente naquela alma. O que de modo algum torna quem quer que seja vítima de nada! Ao nos tornarmos conscientes temos a possibilidade de libertação através da autotransformação, o ato mais revolucionário da existência!



Ao encararmos assim passamos a ver a relação estabelecida com o outro como uma atuação exterior de nós mesmos. Assim as relações felizes mostram uma perfeita sincronia entre o que alma aspira e o que é expresso para o mundo. Do mesmo modo as relações problemáticas revelam uma falta de sintonia entre a alma e sua autoexpressão. Poderíamos dramatizar essa ideia como uma pessoa que diz “Me deixe” mandando beijinhos, e outra que diz “Me ame” mostrando dentes num esgar enraivecido. Sei que pode parecer ridículo, mas muitos fazem isso sem se dar por conta todos os dias e de muitas formas. A que manda “beijinhos” se queixa de que os outros não a respeitam, nem reconhecem seus limites. A que mostra os dentes se queixa dizendo que as pessoas não reconhecem seus atos de amor, nem o quanto ela se esforça pela relação. Ora, trazendo isso para o dia a dia, quem não conheceu alguém que dizia amar muito, mas esquecia compromissos, não cumpria as promessas, ou se afastava em momentos críticos do (a) parceiro (a)? Para essas pessoas todo esse cuidado parece uma cobrança tola, e de que os sentimentos é que deviam importar, e provavelmente se queixam de que as relações são só cobranças sem fim. Para esses vale lembrar que paixões ou sentimentos intensos devem ser reforçados em seu sentido. Se você é um torcedor que nunca vai ao estádio nem vê partidas do seu time na tevê... Você tem um time para que afinal? Por mais simplória que possa parecer essa afirmação ela reflete um princípio básico que se espelha também nos relacionamentos, o de fomentar e estimular as emoções prazerosas, intensas e gratificantes que nos ligaram a algo, quer seja um time, um grupo, uma filosofia ou um relacionamento! O exercício de amar é o que faz a interação e a conexão com a coisa amada mais intensa e gratificante! Infelizmente vivemos na era do egoísmo, onde a maioria das pessoas querem alguém que se encaixe nos seus sonhos sem se perguntar se elas mesmas se encaixam nos sonhos de alguém. Há cada vez mais pessoas que querem amar sem fazer concessões, que se acham maravilhosas com hábitos inocentes, ou perfeitos, aos quais são muito apegadas, e que o outro é que deve mudar! Não é a toa que cada vez mais pessoas se sintam só, que vivam só, que se tornem depressivas, ou que mergulhem em ralações cada vez mais destituídas de significado, onde o ato mais íntimo do corpo, o sexo, seja utilizado como substituto para o ato mais íntimo da alma, o Amor.
O Amor, a delicada arte de equilibrar
comprometimento íntimo com liberdade
(O 2 de copas, do Osho Zen tarot).
Para os que mandam beijinhos resta o exemplo daqueles que nadam na direção contrária, pessoas que têm tanto medo de ficar consigo mesmas, que possuem tanto pavor da solidão, de não estar com alguém, que atribuem o único significado de suas vidas o ato de estar numa relação amorosa. Atraem relacionamentos abusivos, falam mal dos seus parceiros, mas depois se culpam e se sentem egoístas. Tipos que se durante uma discussão abrem a boca para dizer as verdades do seu coração logo em seguida voltam atrás e pedem desculpas... Essas pessoas confundiram amar profundamente com perder-se no outro. Elas também não sabem trabalhar diferenças, elas apenas estão no outro lado da corda. O lado de quem está sempre se sentindo lesado, ferido e abusado sem nenhum motivo aparente. Enquanto no primeiro grupo as pessoas gostam de se ver como “livres”, nesse grupo elas se veem como “boas” embora vivam mesmo é como vítimas. E, por mais estranho que possa parecer, esses dois grupos têm uma coisa em comum; um profundo egoísmo. Um quer ter um relacionamento onde não tenha de abrir mão de nada, e o outro quer uma relação que será mantida a qualquer custo. Um não quer abrir mão de si mesmo, o outro não quer abrir mão de uma parceria. São tipos que ignoram que amar é uma arte de flexibilização, de entrega e aceitação, mas também de algum rigor para que a individualidade não se perca. Afinal amar é uma parte importante da vida, mas não a única! Somos todos indivíduos com propósitos bem definidos que ficam bem mais fáceis de serem encarados e cumpridos se fortalecidos com uma vida emocional equilibrada em uma parceria saudável e enriquecedora!
Os dois tipos aqui citados são apenas uma generalização dos problemas mais comuns que se encontram nos relacionamentos humanos, mas infelizmente não são os únicos! Se há uma coisa que a humanidade sabe complicar é justo aquilo que é o mais importante para si, e o Amor e as relações afetivas estão no epicentro desses problemas.  Este sistema de disposição das cartas desenvolvido por Gerd Ziegler é uma ferramenta valiosa no processo de desenvolvimento pessoal e superação das crises de relacionamento, e que não se limita apenas às relações amorosas, mas se aplica também às amizades, às parcerias de trabalho e de crescimento espiritual, e toda a interação humana onde as personalidades se choquem dominadas pelos condicionamentos dos seus egos!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O Cavaleiro Adormecido

Os cavaleiros do tarot, os representantes arquetípicos do
guerreiro interior que nos move pela vida...

Em seu livro “Descobrindo o seu Eu Interior Através do Tarot”, a autora Rose Gwain propõe um interessante método de leitura chamado de “O Jogo do Cavaleiro Adormecido” que consiste em separar os quatro cavaleiros dos quatro naipes do tarot, embaralhá-los para em seguida dispor sobre a mesa na ordem 1, 2, 3 e 4. Sendo que 1 fica à esquerda e representa o cavaleiro que você foi. O 2 fica no centro e representa o cavaleiro que você é, a carta 3 fica à direita indicando o cavaleiro que você está se tornando, e a carta 4 fica abaixo da carta 2, deitada na posição horizontal indicando o cavaleiro que está adormecido. Fácil de executar e não tão fácil de interpretar, esse jogo requer que nos lembremos de que os cavaleiros são o arquétipo do guerreiro dentro de cada um de nós, e que conectados a cada naipe simbolizam as forças que estamos movimentando ou que precisamos colocar em movimento. Assim, o cavaleiro do passado representa as forças e valores que estão em declínio em sua vida no momento. O cavaleiro do presente é o arauto das forças e valores que estão dominando sua psique agora. E, por fim, o cavaleiro do futuro simboliza as forças e valores morais e materiais que estão despontando em sua vida, e que o influenciarão e guiarão ao longo de um novo ciclo a se iniciar em breve... Mas e o cavaleiro adormecido? Esse cavaleiro é o porta voz de todas as forças e valores que você tem negligenciado consciente ou inconscientemente e que requerem sua atenção neste momento.
Muitas variáveis acompanham esse sistema simples de disposição das cartas. Você pode, por exemplo, se achar uma pessoa muito emotiva e sensível e, no entanto, ser surpreendida com o aparecimento do Cavaleiro de copas como sendo o seu cavaleiro adormecido! Sugiro que antes de abrir outro método de leitura para tentar entender o que os arcanos querem lhe transmitir, o que é muito válido e recomendável caso a dúvida persista, eu sugiro que tente antes olhar por outros ângulos o seu simbolismo. Isso proporcionará novos insights sobre o significado dos arcanos que serão muito enriquecedores no seu desenvolvimento intuitivo, bem como uma ampliação do seu cabedal de conhecimento íntimo sobre as cartas. No exemplo citado o Cavaleiro de copas pode indicar uma abordagem mais franca ou agressiva sobre suas emoções e necessidades... Você se permite agir assim? Pode também estar requisitando mais espontaneidade sobre a expressão dos seus sentimentos... Então? Você se permite isso? É claro que poderá abrir mais vezes o tarot para esclarecer sobre como deverá efetuar cada possibilidade apontada pelos arcanos. Lembre-se de anotar tudo e de rever suas anotações depois de pelo menos uma semana sem mexer nelas. O tempo nos possibilita ver com outros olhos uma mesma questão, mas resista à tentação de ficar abrindo as cartas muitas e muitas vezes! Isso só trará confusão.


Olhar para si mesmo, por meio de chaves simbólicas
como o tarot, pode trazer revelações fascinantes!

Use todos os recursos do seu conhecimento para desdobrar os significado dos cavaleiros, lembre-se de que eles são guerreiros que lutam para nos ajudar a encontrar nosso propósito existencial. Que são forças indômitas da alma que tentam expressar uma ação, ou movimento de expansão da nossa consciência. Que são regidos pelo elemento fogo, símbolo da força, do movimento e da transformação, e de que sofrem a influência de cada naipe no quais eles se encontram. Lembre-se também que a falta dos outros elementos simbolizam fraquezas na sua constituição. Assim nosso Cavaleiro de copas é o fogo da água, representando empenho e vigor emotivo postos na direção do que ele ama ou sonha; bem como a força interior para se entregar a uma causa, atividade ou relacionamento sem se constranger com o imprevisível. Por outro lado sua falta de ar e terra aponta para uma personalidade pouco afeita ao planejamento e ao julgamento crítico (ar), e menos ainda interessada nos resultados práticos de suas ações para a sua vida material, como finanças, trabalho e até mesmo sua saúde (terra). Essas informações são apenas um começo de conversa para que você explore do modo mais aprofundado possível todos os recursos desse interessante método de leitura para seu autoconhecimento e crescimento interior.

Sobre o Livro


O 4 de espadas do Rider-Waite tarot,
o descanso do guerreiro como um
momento de interiorização.
Assim que li o título desse sistema de leitura me veio à cabeça a imagem do 4 de espadas do Rider-Waite. Neste baralho um cavaleiro aparece deitado sobre um túmulo ou altar, dentro de uma cripta ou templo. Ao fundo, num vitral, aparece a imagem de Jesus dando uma benção a um doente. Muito adequado ao simbolismo deste arcano que representa justo uma parada para reflexão e interiorização, bem como recuperação das forças antes de seguir a luta. Ou seja, uma parada no fluxo natural da vida para refletir, reparar ou consolidar alguma coisa. Sinto que é exatamente esta a natureza e propósito deste sistema; é muito menos algo para que você faça para os outros, mas sim mais para você mesmo! Aprecio muito este livro por ser o que mais se dedica, dentre todos que li é claro, ao estudo minucioso das cartas da Corte. Elas são muito intimidadoras para a maioria dos iniciantes no estudo e prática do tarot. A autora apresenta um conjunto de relações mitológicas de diversas culturas, e faz analogias simbólicas de cada carta da Corte com as imagens dos hexagramas do I Ching. Uma relação muito rica e interessante, mas totalmente inválida se você não tem intimidade ou interesse na linguagem desse oráculo chinês. Outro aspecto bem deficiente na obra é de que Rose propõe a criação de mais um naipe no tarot... Isso mesmo, você leu direito! Ela insiste na ideia de que o espírito não está representado no conjunto simbólico do tarot, e muito menos nos quatro naipes dos arcanos menores. Discute a validade das teorias que alegavam ser o naipe de paus o portador desse significado, e propõe mais um conjunto de catorze cartas em branco simbolizando o naipe do espírito! Sim, se você já se debruçou demoradamente sobre esse tema deve estar pensando: “Ela não entendeu ainda...!”. De fato esse debate já se encerrou faz um bom tempo, e hoje podemos dizer que já é de consenso geral de que o espírito é representado no tarot pelos arcanos maiores. São eles os representantes das muitas sendas do desenvolvimento humano em sua trajetória por evolução e fusão espiritual com a vida! Possuem uma estrutura diferenciada das cartas da corte, e das cartas numeradas em cada naipe, porque são mesmo de natureza diversa. As 22 sendas que estão expressas no seu simbolismo aludem aos estágios que se apresentam a todos os seres humanos do planeta, convidando-os ao crescimento da consciência, e que cada um percorrerá ao seu modo e ao seu tempo!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O Tarot e a Paternidade

A relação com o pai estimula na criança uma interação com o mundo prático dos limites e da realidade.  Quando este relacionamento é saudável o indivíduo sabe como se posicionar no mundo, não se sentindo ameaçado por figuras de poder e autoridade. Confia em si mesmo e em seus potenciais, e por isso não precisa de autoafirmação constante do seu ego. Sente-se bem consigo mesmo e, se for um homem, vive sua masculinidade de modo muito saudável e tranquilo. No caso dessa relação ser desequilibrada o indivíduo não consegue estabelecer regras para seu próprio crescimento, tem dificuldade em se organizar no mundo prático e de confiar no sistema, nas pessoas e em si mesmo. Podendo vir a se tornar desajustado ou violento, inclusive com aqueles que ama. Apresento aqui as relações paternas sob a perspectiva do simbolismo do tarot. Como nunca é demais lembrar, uma leitura de tarot se resume na capacidade de se ver a interação entre todos os arcanos presentes, perceber suas nuances dentro dessas interações, e acrescentar a isso a indispensável orientação intuitiva para a interpretação dos seus símbolos. Dito isto lembre que o que é apresentado aqui varia de intensidade de pessoa para pessoa, e conforme cada caso. Vamos aos arcanos na paternidade:

Arcanos Maiores


Arcano de O Imperador, do 
Druid Craft tarot.
IV O Imperador
O próprio arquétipo do Pai. Realista, prático e protetor, o que apresenta a criança ao lado real da vida e a ajuda a ir para o mundo. Protetor e provedor, mas estimula a ação, a autoconfiança e o autodesenvolvimento.

VII O Carro
O pai competidor. O que impele o filho a superar a si mesmo, ou aos seus próprios feitos (dele o pai). Se for imaturo acaba rivalizando com o filho e tenta deixá-lo para trás, ou o faz se sentir inapto o tempo todo.

IX O Eremita
Pai mais velho, ou muito sério e interiorizado. Pode também representar outro homem que exerceu a função de pai, como um padrasto, avó ou tio mais velho. Com esse pai a criança pode ter aprendido a ser cautelosa com as coisas e as pessoas na vida, e com dificuldade de confiar na proteção e no cuidado dos outros.

XVI A Torre
Pai ausente afetiva ou fisicamente, o que pode ter gerado insegurança ou ansiedade na criança. Conforme os outros arcanos pode indicar uma presença paterna perturbadora, como um pai violento, alcoólatra ou com distúrbios psiquiátricos.

Arcanos Menores


O Rei de paus, do
Osho Zen tarot.
Rei de paus
Pai positivo, caloroso, forte e realizador, não mima, mas estimula a crescer e se desenvolver. É um provedor, mas também um ser livre! Estimula a iniciativa, a independência e o enfrentamento das questões da vida. Pode ficar impaciente com as necessidades sempre urgentes dos filhos.

Rei de copas
Pai amigo, bom ouvinte, mas é mais um conselheiro, companheiro ou analista do filho do que propriamente um provedor no mundo prático. Pode representar um indivíduo imaturo ou esquivo nas funções paternas, por fragilidade ou incompetência mesmo.

Rei de espadas
Pai duro, firme. É um disciplinador e educador eficaz, estimula nos filhos a busca por altos ideais. Ensina a criança a seguir regras, quer ser ouvido ou obedecido (ou ambos). No seu aspecto negativo é afetivamente distante, podendo ser autoritário ou opressor.

Rei de ouros
Pai empreendedor, disciplinado que acredita que crescer é prosperar materialmente. Estimula disciplina, boa formação e compostura social. Negativamente pode ser um materialista arrogante que oprime os filhos com seu poder material ou os incita a segui-lo.

Ás de paus
Indica fertilidade masculina, e pode alertar para o risco de o consulente se tornar pai em breve. Um símbolo positivo para homens que desejam a paternidade.

Leia também: O Tarot e a Maternidade 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

O Tarot e a Maternidade

A relação com a mãe define a expressão afetiva da criança. Quando bem equilibrada cria pessoas capazes de cuidar afetivamente de si mesmos e daqueles que amam. Quando esta relação, porém, sofre distorções cria todo o tipo de dificuldade de vínculos, entrega e medo das emoções profundas! A relação com o materno é um verdadeiro culto na sociedade ocidental, veneradas e sobrecarregadas as mães são motivo principal de mais de 90% das terapias psicanalíticas de desenvolvimento pessoal. Aqui apresento as possíveis relações com a maternidade e a gravidez sob a perspectiva simbólica do tarot. Sempre lembrando que ler as cartas não é um processo matemático, e por isso as interações com os outros arcanos numa leitura, mais a capacitação intuitiva do leitor de fazer mais conexões, ampliarão e enriquecerão esses simbolismos. Podendo também intensificá-los ou suavizá-los conforme cada caso. Vamos a eles:

Maternidade
Arcanos Maiores


III The Empress - Tarot Series -
Artist Odessa Sawyer
III A Imperatriz
A mãe biológica ou adotiva. O próprio arquétipo materno, e a qualidade da maternação de cuidar, amar e proteger, presente até mesmo na personalidade de alguns homens.

VIII A Justiça
A mãe prática e objetiva ensina desde cedo a criança a assumir responsabilidades por si e por sua vida.

XI A Força
Mãe controladora e ou opressora. Sua ânsia por cuidar a torna uma castradora da espontaneidade da criança. Pode representar outra mulher que entrou para desempenhar o papel de mãe, como uma madrasta ou avó, e com quem a criança teve de se adequar. O que pode ter estimulado a repressão da sua expressividade.

XVIII A Lua
Uma figura materna ausente, afetiva ou fisicamente. Uma presença vaga na vida da criança, fonte de medos e carências que se manifestam na vida adulta. Dependendo dos outros arcanos pode indicar mãe problemática, desequilibrada ou violenta.

Arcanos Menores

Rainha de paus
Mãe amorosa, nutridora e cuidadora. Valoriza a troca afetiva, a presença e o bem estar dos seus. Negativamente é invasiva e opinativa demais.

A Rainha de copas,
do Alchemical tarot,
by Rober Place.
Rainha de copas
Também amorosa e cuidadora, mas mais espiritual e um tanto frágil. Difícil para ela colocar limites e dizer não aos seus filhos. Podendo ser fraca, doente, ou subjugada por outro membro da família.

Rainha de espadas
Essa mãe é crítica, dura e exigente. Valoriza e instiga o intelecto e o desenvolvimento acadêmico dos seus filhos. Ensina disciplina organização e regras.

Rainha de ouros
Mãe forte e protetora. Estimula a relação dos filhos com a realidade e com o corpo, e também a valorização e o cuidado com o que possuem. Cuida de sua aparência e exige o mesmo deles. É também cuidadosa e protetora, mas negativamente pode se tornar apegada aos filhos disputando-os com o mundo. Ou pelo contrário pode se apegar ao que possui e se tornar mesquinha com eles.

Gravidez
Arcanos Maiores

Ás de copas, do Silver 
Witchraft tarot

III A Imperatriz
Gestação tranquila, maternidade suave e ideal. A nutridora. Ama intensamente a gravidez e toda a gestação. A gravidez como a realização de uma importante etapa do feminino.

XVI A Torre
Interrupção da gravidez. Aborto espontâneo ou provocado voluntariamente.

XVIII A Lua
Gestação complicada, com muitos problemas de ordem emocional ou mesmo física. Dependendo do resto do jogo pode indicar o desconhecimento de se estar grávida, ou ainda esterilidade ou dificuldade de engravidar.

Arcanos Menores

Rainha de copas
Indica gravidez vivida profundamente. Conexão com a criança, seja afetiva ou psiquicamente. Aceitação plena da gravidez. Gestação que transforma a mulher de algum modo muito íntimo.

Valete de ouros
Gestação em fase inicial. Gravidez que se confirma. Pode indicar ponderação sobre a continuidade ou não da gravidez, ou sobre a vida a partir desse fato.

Ás de Copas
Indica a fertilidade feminina, podendo avisar sobre um período fértil, ou um risco de gravidez. Um bom sinal para mulheres em tratamento de fertilidade.

Leia também:  O Tarot e a Paternidade  


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O Tarot e o Abuso de Poder

Poucas coisas corrompem mais do que o poder e nem todo o poder vem da superioridade financeira, mas também da vantagem intelectual, hierárquica ou dos vínculos afetivos. O poder corrompido tenta extorquir do outro mais do que ele pode, deve ou é capaz de dar dentro da relação, seja pessoal, profissional ou social. O poder abusivo pode ser tanto moral e financeiro quanto sexual, e corrompe a estrutura psicológica do outro tornado-o refém do medo e da ideia de que é incapaz de combater ou se igualar ao seu abusador (ou abusadores). A seguir apresento algumas cartas que podem indicar uma incursão nesse tipo de excesso de modo muito nocivo. É evidente que os arcanos aqui citados estão sendo avaliados na sua perspectiva simbólica mais sombria e negativa, e que dependem, como sempre, das influências que sofrem dos outros arcanos que as cercam numa leitura para formar essa perspectiva.

De Poder
Arcanos Maiores

III A Imperatriz
Aquela que abusa do poder do amor para oprimir “Ninguém vai te amar como eu”, ou “Depois de tudo o que fiz por você?”, escraviza pela carência, finge dar proteção para proteger a si mesma. A tirania da mãe “Se sair de casa eu me mato!” ou “Depois que você se foi eu fiquei muito doente”.

IV O Imperador
Aquele que detém uma posição superior, ou muito superior, e não admite ser contestado! O chefe, o déspota, o tirano! Ou tiraniza pela posição natural tipo “Eu sou seu pai, tem de me obedecer!” ou ainda “Eu é que sou o chefe aqui!”.

Arcano de O Diabo,
do Gilded tarot.
XII O Enforcado
A Tirania da vítima, “Olha só como eu estou!”, “Eu já sofri tanto!”, “Vou me matar, não aguento mais!”. Aquele que chora no meio de uma discussão e se arrepende para ter a comiseração dos outros: “Você tem razão eu errei, eu não presto!”.

XV O Diabo
Manipula os outros de algum modo, depende de outras cartas para confirmar a intensidade disso. Adora deter o poder e de estar no meio dos jogos de poder. Quer submeter os outros ao seu comando e suas regras. Maligno, podendo vir até a ser criminoso.


Arcanos Menores

Rei de espadas
Aquele que gosta de mandar e delimitar seu poder com humilhação e arrogância! O assédio moral.

Rainha de espadas
Afirma o seu poder com muitas críticas, apontando os erros e fazendo o outro parecer incompetente ou incapaz!

Cavaleiro de espadas
O tipo que se afirma com ameaças de prejuízo, ou agressão física, e até mesmo a morte em casos extremos. Animosidade. Mesmo que não declare abertamente há sempre um clima de ameaça pairando no ambiente.

Rei de ouros
Afirma o poder pelo dinheiro, tipo “Eu te sustento!”, ou “Sem mim você não sobrevive!” ou ainda ostenta seu poder e conquistas para mostrar para o outro que é mais porque pode mais.

Rainha de ouros
Age como o rei, adora ainda mais ostentar o que possui e de que “vive” mais do que os outros. Ama a sofisticação e o luxo e com isso mostra para o outro o quanto ele é “pouca coisa”.

Sexual
Arcanos Maiores

XI A Força
Arcano de A Força,
do Voyager tarot.
Aquele abusador que seduz se fazendo de apaixonado pela sua vítima, aproveitando-se de sua pouca experiência. Comum no caso de meninos que são abusados por suas babás, mas que depois se definem como “precoces”, apesar dos inúmeros bloqueios afetivos e sexuais que desenvolvem. “Você não é homem?” Indagam as abusadoras.

XV O Diabo
O próprio abusador que usa o outro apesar de sua fraqueza moral, afetiva ou até física (no caso de portadores de deficiência), o outro é só um instrumento para o seu prazer mórbido. Ele se acha acima da lei e da moral vigente. Vê a si mesmo como alguém “livre”. Procura fazer com que tudo o que ele deseja realizar sexualmente pareça uma coisa muito natural para sua vítima.

XVIII A Lua
Abusos cometidos em tenra idade, mas de modo confuso e nebuloso tanto para a memória quanto para a percepção emocional, como carícias que foram longe demais e a vítima não soube como se portar apesar de se sentir mal com tudo aquilo.

Arcanos Menores

A Rainha de paus
O abusador gentil que dá agrados e presentes, que substitui um dos pais, isso quando não é um deles! O carinho dado costuma ter um preço que o abusador convence a vítima de que não é nada ou muito pouco para tudo o que ela (e) recebe. Pode ser também o aliciador, o cafetão ou cafetina.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O Tarot e a Mudança

A mudança é uma lei da vida e todos passamos por ela de um jeito ou de outro. Algumas mudanças surgem de modo repentino, impondo-se em nossas vidas e muitas vezes causando imenso desgaste por causa disso. Outras vezes aparece como uma necessidade intrínseca muito forte, como a necessidade de expressar algo, como um talento, uma ideia ou sentimento. A maravilha do tarot em sua riqueza simbólica é justo a de mostrar as muitas maneiras como as mudanças podem ocorrer e de que modo reagimos a elas, ou como as provocamos. Os arcanos apresentados a seguir são motivados pela busca, ou surgimento, do novo como uma solução ou evolução natural. Apenas os arcanos de O Carro, A Morte, A Torre, O Mundo e o 8 de copas se relacionam com o passado de alguma forma. Os demais são compelidos para diante e para o novo pura e simplesmente.

Arcanos Maiores

O Louco
Uma experiência inusitada e repentina que ativa um impulso interior por experimentação! O desejo de avançar sobre o desconhecido mesmo que sem garantias do seu desfecho. 

IV O Imperador

Deixar algo já conquistado e estável (e talvez superado), ir além.
Arcano de O Carro, do
The Night Sun tarot.

VII O Carro
Iniciar um novo caminho que está um nível acima do anterior, mas com um longo percurso ainda pela frente. Avanço.

X Roda da Fortuna
Mudança de Ciclo, virada da sorte ou do Karma. Um giro radical de 180º, uma oportunidade para explorar potenciais latentes.

XII O Enforcado

Uma mudança de perspectiva interior, geralmente dura e decepcionante, que muda a relação com o mundo exterior.

XIII A Morte
Mudança que ocorre por conta de uma deterioração lenta ou repentina. Morte, ruptura, separação definitiva.

XIV A Temperança
Mudança que ocorre por uma ampliação da consciência. Novos paradigmas, objetivos e metas. Viagem, abertura da visão interior.

XVI A Torre
Mudar (ou abandonar) algo que se apresenta instável, opressivo ou em estado crítico.

XXI O Mundo
Uma mudança que ocorre por finalização de um ciclo e início de outro. Como o sannyas, ou uma aposentadoria que abre espaço para uma nova carreira. Fim de um estudo. Viagem longa.

Arcanos Menores

3 de paus
Caminho que se abre para o inusitado. Possibilidade de mudança ou viagem. Incursionar no desconhecido.

8 de paus
Viagem. A mudança irrompe como um fato ou possibilidade iminente que amplia a percepção. Transição rápida ou repentina, de um estado de ser para o outro, de um lugar para o próximo.

Cavaleiro de paus
A mudança como um intento de progresso ou evolução.
O Valete de paus, do
Osho Zen tarot.

Valete de paus
A mudança como uma brincadeira estimulante, o novo pelo novo, como uma criança. Mudar para criar algo ou expressar-se melhor.

8 de copas
Abandonar o velho por ter perdido o seu sentido intrínseco. A busca por algo melhor ou mais elevado (que talvez ainda seja desconhecido).

Valete de copas
Mudar para ver novos ares, ambientes ou pessoas; sair para o mundo. Conhecer novos lugares, viajar ou mudar-se para longe. Ampliar relações sociais e ambientais.

2 de ouros
Mudança harmoniosa, ponderada, mas decidida e inexorável. Flexível adapta-se à mudança (ou muda intencionalmente a realidade) transformado-a em proveito próprio.