quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Cura com as Mãos - Possibilidades e Limitações.

Este artigo foi publicado no jornal Viva Bem de Porto Alegre e está na lista do meu site (www.jaimeecannes.com). Achei que ele era pertinente após a publicação anterior sobre dúvidas com relação ao reiki, por isso o coloquei também aqui no blog.

Os curadores são, de modo geral, pessoas profundamente interessadas pela vida e pela possibilidade de participar do processo de criação de Deus. A experiência da cura é um retorno à condição divina de equilíbrio que existe potencialmente em todos os seres humanos. O curador é aquele que ajuda o seu semelhante a recuperar o caminho em direção a esse equilíbrio, como um canal através do qual esse processo se realiza.
Como tudo o mais na existência, essa escolha tem lá os seus percalços e o maior deles é o limite que todos os que se interessam pela arte da cura se esbarram, mais cedo ou mais tarde: a própria capacidade do recebedor em se curar. Por isso a primeira, e mais antiga, dica que se pode dar a qualquer curador – seja de Reiki, Rakiram, Aromaterapia, Cristaloterapia, Florais, etc – é: “Nunca queira curar!”. Normalmente quem quer curar é o ego e a nossa vaidade, tantas vezes travestidos das mais puras intenções. O desejo de curar acaba por criar muita expectativa e consequente frustração. O outro recebe o que pode de cada trabalho, o que precisa, e nem uma gota a mais. Curar é um ato da entrega. Seja um canal, faça seu trabalho, coloque suas mãos, os cristais, indique as flores, os óleos e deixe que a obra se realize por si mesma.
A segunda dica mais importante é: ”Não estabeleça o que é a cura.” Ao definir o resultado da cura uma imensa expectativa é criada por aquele que recebe o trabalho. Os resultados nunca podem ser previstos. Existem muitos fatores instáveis que podem interferir, como a fé do recebedor, seu sentimento do quanto é merecedor de ser curado, o quanto de culpa acumula por seu atual estado de saúde e do quanto está aberto e envolvido no processo de cura. A sua disposição em mudar sua direção de vida interna e externamente é o fator mais preponderante para que isso aconteça. Por isso nunca prometa resultados! Para muitos o máximo que se conseguirá é um conforto mais duradouro, para outros uma compreensão mais ampla do que se está vivendo… Existem muitos níveis de saúde que devem ser considerados. Não se esqueça também que a cura que você faz pode abrir os caminhos para que o recebedor encontre canais mais apropriados para um resultado físico. Isso também faz parte do processo e é uma grande benção quando acontece! É claro que aquele que a recebe poderá se sentir mais grato pelo que veio como conseqüência, justamente por não se dar em conta de que outros canais tiveram que ser abertos para que fosse possível acessar aquele benefício tão desejado. Se você estiver seguindo a primeira dica não vai mais sofrer com esse detalhe.
Cristaloterapia, uma das formas de cura da Nova Era.

Por fim a terceira dica mais importante é: “Um curador também deve ser curado.” Não se esqueça de aplicar o que você ensina. Use para si as técnicas que indica. Anote e avalie os resultados. Isso o ajudará a se colocar o lugar dos seus clientes. Se você é reikiano, por exemplo, aplique-se reiki todos os dias! Faça as suas experiências com a energia ki e depois então as compartilhe se as achar dignas disso.
Tenha em mente também que você deve se colocar na posição de recebedor, como pode esperar a entrega do outro se você mesmo não desenvolveu a humildade de se entregar aos cuidados terapêuticos de outrem? Outro fator que nunca pode ser esquecido é de que cada pessoa que o procura não surgiu por acaso em sua vida, suas histórias e vivências tem algo a lhe ensinar e orientar quanto aos seu próprio processo de crescimento e desenvolvimento. Nunca se coloque numa situação de domínio e superioridade, os que mais ganham com as experiências da vida são justamente os que se colocam na posição de eternos aprendizes.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Os Símbolos Reiki são Secretos?

Algumas dúvidas sobre o reiki...

1) As iniciações reiki podem ser feitas à distância?


O que eu posso dizer sobre isso é que dentro dos conhecimentos transmitidos pelo Dr. Mikao Usui não foi passado nenhuma técnica de iniciação à distância. O reiki é um sistema iniciático de transmissão da energia ki, e esse sistema é feito de forma pessoal e ritualística! Os mestres reiki sabem que é preciso estar na presença do iniciante para tocar certas partes do seu corpo a fim de fazer a abertura dos chakras superiores e de cura. Como fazê-lo de corpo ausente? Um dos legados de Usui foi uma técnica da cura à distância que possibilita a canalização da energia vital do universo (O ki) para uma pessoa impossibilitada de comparecer a uma sessão regular. Ainda assim uma aplicação dessas não substitui de forma alguma uma consulta presencial, onde o curador pode sentir o seu cliente e avaliar melhor seu campo vibracional.
Com certeza o tempo mostrará outras formas de se utilizar o reiki, no sentido de apontar um caminho evolutivo, mas sinto que dificilmente haja alterações sérias e de embasamento confiável quanto ao modo como ele é transmitido.

2) Os símbolos reiki são secretos?

Vivemos num tempo onde tudo o que foi considerado secreto começa a ser revelado e isso ocorre por duas razões bem distintas:
1º) A humanidade está com muito mais conhecimento e abertura para temas transcendentes e espirituais do que jamais esteve.
2º) Nessa ânsia humana por explorar o aspecto mais profundo e natural de sua natureza, o lado místico da existência, uma leva de oportunistas vulgarizou certos conhecimentos com o intuito de vender livros ou lotar salas de seminários. Sempre com argumentos bem articulados com o movimento de transformação global. Coisas como: "Não temos mais tempo para o mistério", ou "A humanidade tem pressa de mudança, e as pessoas não podem mais ficar ignorantes..." 
Os defensores da difusão dos símbolos reiki questionam sobre como poderia ser prejudicial revelar os símbolos para alguém que não foi iniciado, e que portanto nada pode fazer com eles. Exatamente desse ponto é que eu questiono: Então qual é o sentido de revelar esses símbolos a alguém que nada tem além de uma curiosidade meramente intelectual sobre eles? Que benefício real é obtido tanto para aquele que revela como para quem recebe a revelação? É verdade que o que é secreto pode, muitas vezes, ser mantido assim por pura cobiça e poder, mas não vejo como isso se aplicaria aos símbolos reiki. Eles são secretos porque são sagrados. Sagrado é tudo aquilo que tem valor intrínseco para os que veneram e seguem certa doutrina. 
Os símbolos ao serem reservados aos que buscam de coração entender sua aplicação e mistérios são fortalecidos em sua egrégora. A  egrégora é o conjunto vibracional que um grupo de pessoas forma através dos tempos com suas intenções e ações. Ao pedir que o sigilo sobre os símbolos reiki fosse mantido O Dr. Usui queria justamente manter essa egrégora forte e atuante pelo máximo de tempo possível. Porém, mais uma vez, a intenção pura sucumbiu diante da ganância e da estupidez.
 

3) O reiki realmente cura? Como?


Vamos definir primeiro o que é a cura. Uma cura não se trata unicamente da superação de um sintoma físico, para isso a medicina moderna está mais do que capacitada a fazê-lo. Qualquer doença ou distúrbio como o conhecemos teve sua origem num ponto obscuro da alma, gerado por memórias escusas, dessa ou de outras vidas, que culminam com uma manifestação física. 
O reiki possibilita que o padrão energético que gerou o sintoma se dissolva e se transforme no entendimento que poderá vir a libertar o corpo físico do sofrimento da enfermidade. Observe que eu disse "poderá". Como eu mencionei anteriormente as memórias que geram a enfermidade vem de muitas vidas e pode ocorrer que dentro do atual quadro evolutivo de uma pessoa ela ainda não tenha atingido maturidade espiritual suficiente para absorver o que determinada doença ou distúrbio traz para seu crescimento. Isso explica bem aquele fenômeno que muitos médicos observam, o de um cliente estar com um problema perfeitamente tratável com possibilidade e cura em 80% ou 90% dos casos e ele simplesmente não se recupera, ou até tragicamente morre sem nenhuma explicação médica aparente. Podemos resumir dizendo que aquela alma estava muito comprometida com a doença. Muitas vezes o reiki proporciona uma reintegração total do bem estar físico, outras serve só como um alívio, ou então auxilia na aceitação de um quadro irreversível. O reiki atua no corpo tanto quanto na mente e no espírito, e pode ocorrer que a cura seja alcançada em apenas um desses três níveis.
Por esse motivo nunca se promete a cura a ninguém, não está tudo nas mãos do curador. Também por isso é que é mais sensato não se interromper nenhum tratamento paralelo, seja ele convencional ou alternativo. O reiki é um sistema complementar de cura que potencializa e direciona todo e qualquer tipo de tratamento que esteja sendo feito junto a ele.

Leia também: O Tratamento Reiki à Distância... Como Funciona? 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O Segredo dos Círculos Magicos


O círculo é a mais antiga representação da totalidade da vida. Mesmo quando o homem acreditava que o mundo era quadrado ele observava o giro circular dos planetas e pensou que embora a Terra fosse achatada, o céu era circular ou esférico. 
Andar em círculos é uma maneira de se sintonizar com o tempo real do universo, pois assim como o tempo, também não tem nem princípio nem fim e é contínuo. Na cidade sagrada de Meca os peregrinos muçulmanos devem circungirar sete vezes em torno da Caaba, o local de adoração do islã. 
Combinando isso a percepção de que os planetas giram sobre nossas cabeças e nos  influenciam, o círculo passou a ter o significado de destino. Assim, toda vez que nos colocamos no centro de um círculo estamos nos colocando também no centro do universo! O que dá total sentido ao axioma esotérico que diz que: "O centro do universo está em toda parte e sua circunferência não está em parte alguma". Somos todos o centro do universo quando despertamos do caos das mentes massificadas e nos descobrimos como centros auto criadores da própria realidade.
Uma bruxa dentro do seu
circulo mágico
.
Colocar-se dentro de um círculo é uma antiga prática tanto mágica quanto meditativa. Indica que todo o poder está concentrado numa parte específica do espaço e que nos colocamos tanto como os catalisadores quanto emanadores das forças evocadas ali.
A ideia de se fazer um círculo é a de delimitar um espaço de ação interior ou espiritual. Todas as culturas se utilizaram deles para iniciações, magia e reflexão. No zen budismo os círculos concêntricos simbolizam a consciência pura. No hinduísmo as mandalas são representações dos padrões que criam e destroem a criação. No xamanismo os iniciantes na religião da natureza colocavam-se em círculos de pedras para obter a visão do seu destino como xamãs ou do seu animal de poder. Stonehenge vem a ser o mais antigo e famoso dos círculos iniciáticos que se tem conhecimento. O círculo mora dentro de nós como símbolo do espaço sagrado. O campo de trabalho onde expressamos nossos dons e talentos. 
A Mandala astrológica, um popular
sistema de leitura do tarot. 
Por esse motivo precisamos de uma mesa de trabalho, onde nos cercamos (No sentido de nos circularmos) com os objetos do nosso ofício, independente de qual seja nossa atividade. O tarólogo geralmente estende um pano onde executará sua prática de interpretação dos símbolos. No mapa astrológico natal os planetas são representados dentro de uma mandala. A circuncisão, que consiste em cortar a pele em torno da glande, é um ato íntimo de união com o divino em religiões como o judaísmo. Quando nos colocamos no centro de uma circunferência estamos na verdade entrando no grande "Um" da existência, nos tornando unos com algo maior que nós mesmos. 
Na geometria sagrada o círculo é um ponto estendido e simboliza o um, o número que gera todos os outros, o número da comunhão com o todo cósmico e transcendente. Outro axioma diz que: "Por um ponto passam infinitas retas", e ao desenhar um círculo nos tornamos um ponto para onde as forças invisíveis da natureza e da psique convergem. Entrar numa roda desenhada no chão com um graveto, ou com um giz, ou ainda feita com pedras ou velas, é um salto para dentro, mesmo que seja apenas para relaxar, refletir, orar, ou consultar um oráculo! O que também pode ser feito mentalmente, sem com que se mova um único músculo, mas com efeitos bem perceptíveis. Experimente essa que vem a ser a mais antiga, profunda, mas também a mais simples das práticas mágicas da história da humanidade!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Devemos Considerar as Cartas Invertidas?

Novas e velhas perguntas interessantes...

1) Qual a diferença entre o I ching, o tarot e a astrologia?

Basicamente o I ching trata de responder uma pergunta direta formulada anteriormente, e o faz com máxima profundidade e detalhamento, sempre revelando as implicações filosóficas envolvidas na questão. Desde que evidentemente o questionamento seja colocado do modo mais claro possível. 
O tarot, embora também possa responder perguntas bem, é mais preciso ao retratar um determinado período de tempo da vida de quem procura as suas cartas. E esse período pode ser os últimos dias, semanas, meses ou anos!... Mas sempre é um momento, onde é possível detalhar todos os sentimentos e pensamentos envolvidos. Já a astrologia trata de um tempo maior, o intercurso de uma vida inteira em todos os seus potenciais e talentos, crescimento e desenvolvimento prático, psicológico e espiritual possível. Sintetizando, a astrologia trabalha o nível da personalidade com mais eficiência, o tarot momentos mais abrangentes e o I ching questionamentos bem específicos.
Existem diferenças interessantes na maneira desses três sistemas de sabedoria operarem. Claro que o I ching pode também trazer reflexões sobre um determinado período de tempo mais amplo, da mesma forma que o tarot pode responder uma pergunta com muita profundidade e implicações filosóficas e reflexivas. Assim também a astrologia pode descrever um tempo mais breve da vida de uma pessoa... O que eu quero dizer para você é que essa não é a melhor aplicação desses oráculos. Eles possuem enormes qualidades, mas também limitações como o tudo o mais nesse mundo! Além de características bem próprias, como uma espécie de assinatura. O êxito ao se tentar inverter suas aplicações, pode ter mais a ver com o talento do intérprete do que com as tendências intrínsecas de cada sistema. O funcionamento acima descrito é o mais preciso, e o que se coaduna melhor com as características de cada um desses instrumentos oraculares... E se duvidar, faça a sua experiência!

2) Devemos considerar as cartas invertidas?

No meu livro Tarot para a Autotransformação e a Cura eu detalho melhor essa questão. Posso dizer aqui que considerar as cartas invertidas é, além de muito interessante, muito compensador. Amplia nosso entendimento sobre a própria tarologia tanto quanto sobre como opera o inconsciente humano! Segundo a taróloga norte americana 1*Rachel Pollack, a inversão de uma carta pode marcar, entre outras coisas, um bloqueio no fluxo energético daquela carta. Como algo que não consegue ser atingido, ou desenvolvido pelo cliente.  
Pode também representar uma inversão total no significado do arcano. Por exemplo, se  O Imperador representa a estabilidade e a liderança, invertido pode estar mostrando instabilidade e submissão. Da mesma forma se A Morte simboliza as perdas, invertida pode estar apontando uma reintegração, e assim por diante!
Outra consideração interessante dada pela autora 2*Gail Fairfield é a de que uma carta invertida pode mostrar uma qualidade ou vivência interna que no entanto não se mostra exteriormente. Um Rei de espadas invertido, por exemplo, poderia assinalar uma pessoa que se sente muito forte, organizada e firme internamente, muito embora o mundo exterior não aposte nisso!
Considerar as cartas invertidas não é de modo algum uma obrigação, mas que você experimente suas aplicações antes de descartar. Nenhuma escolha deve ser feita pelo preconceito ou a ignorância. Descubra qual das possibilidades acima mais combinam com você, quem sabe todas! Ou quem sabe você descobre novas possibilidades!... Vivencie isso!

3) Quando retiramos as cartas quem está respondendo?

Puxa!... Veja bem, nos tempos antigos acreditava-se que os oráculos de modo geral eram auxiliados por seres espirituais superiores que inspiravam o leitor a atingir a verdade sobre o destino de quem se consultava. Com o passar do tempo uma versão mais psicológica, muito fundamentada em Jung, diz que as imagens ajudam a acessar o grande inconsciente coletivo humano (E hoje até se fala em inconsciente universal), onde reside toda a sabedoria da nossa espécie... Ou seja, tiramos o poder dos Deuses e colocamos na própria ancestralidade! 
Algumas doutrinas esotéricas, entretanto, dizem que uma parcela da divindade mora dentro de cada indivíduo desde sempre, e que nenhuma sabedoria sobre esse planeta Terra se desenvolveu sem ela. O que para mim quer dizer que quer você creia em entidades espirituais o auxiliando ou em acesso ao plano do inconsciente coletivo, e não há um limite claro e comprovável entre elas, você está acessando algo que vive dentro de você, ou que o alcança através dessa força aí dentro! As teorias junguianas são tão difíceis de se comprovar cientificamente quanto a mais abstrata teoria oculta, simples assim! Ao retirar as cartas quem responde é, de qualquer maneira, a parte mais profunda, sábia e divina de você mesmo! Uma porção que não acessamos com a mente consciente, e precisamos dos símbolos para essa tarefa.

1* Setenta e Oito Graus de Sabedoria, Vol. I e II. 
Ed. Nova Fronteira, São Paulo 1991. 

2* Choice Centered Relating and the Tarot.
Weiser Books, 2002

terça-feira, 26 de julho de 2011

Afinal, é Tarô ou Tarot?

Perguntas sobre o tarot que ainda persistem...

1) O tarot pode ser jogado apenas com os arcanos maiores?

Sim! Os limites perceptivos de uma leitura estão sempre no leitor e nunca no oráculo! É preciso que cada tarólogo perceba como se sente melhor ao ler o simbolismo dos arcanos. Muito embora haja autores que teimam em alegar que o tarot é apenas um sistema simbólico que pode ser interpretado "tecnicamente", na verdade a prática mostra o contrário! O processo intuitivo é importantíssimo! Estudar a estrutura simbólica das cartas é um processo mnemónico e até certo ponto racional, mas sua interpretação é muito mais intuitiva do que qualquer outra coisa... Quer dizer, pelo menos para quem se pretende ser mais do que um leitor mediano! Se você se sente melhor lendo apenas com os arcanos maiores, faça! Não limite, porém, seus alunos, caso os tenha. Dê-lhes uma formação completa e deixe com que eles façam suas escolhas.

2) Posso jogar as cartas no chão?

Não vejo nenhum motivo que justifique o contrário! Algumas pessoas sustentam que as energias da terra são muito densas e que isso atrapalha na sintonização psíquica com o cliente. Eu costumo rebater essa afirmação com a seguinte justificativa: olhe o mapa astrológico dessa pessoa! Cada um de nós possui mais identificação com um determinado elemento da natureza. Se você tiver muitos planetas em signos de terra é bem provável que você se identifique muito com a força espiritual desse elemento! Se gosta de jogar no chão (E a coluna aguenta) fique à vontade para fazê-lo.

Jogar as cartas no chão - sintonia com a força psíquica da terra.


3) Quem deve embaralhar as cartas?

Bem, isso varia e mais uma vez eu digo: perceba com qual das variações você se sente mais à vontade. Alguns tarólogos se sentem melhor com eles mesmos embaralhando as cartas e o cliente apenas cortando o maço antes de começar a leitura. Outros (Como eu) preferem que o cliente, além de cortar o maço, retire as cartas para montar o método de leitura escolhido. Essa é uma forma de envolver a pessoa na dinâmica do jogo. E por fim, há aqueles que preferem que o próprio cliente faça todo o processo, ou seja, que ele (O cliente) embaralhe, o leitor apenas corta o maço, ou ás vezes o cliente faz isso também, e que depois retire as cartas. Nesse caso, segundo os que preferem esse sistema, há um envolvimento total do consulente com o processo da leitura. Na minha opinião já é envolvimento suficiente retirar as cartas. Pessoas com pouca prática podem deixá-las cair no chão, ou amassá-las com a pouca habilidade, o que prejudica a preservação do baralho. Não retirar cartas apenas cortando o maço eu considero muito pouco envolvimento... Mas como disse, sinta e escolha o seu!

4) Afinal, é tarô ou tarot?

Na língua portuguesa as palavras com "t" mudo no final foram adaptadas, ou aportuguesadas para um circunflexo, e por isso tarot virou tarô. Muito embora a regra da língua portuguesa convencione essa formatação gosto de lembrar que absolutamente tudo na vida é uma questão de escolha pessoal! E não há nenhuma lei ou regra que impeça você de usar uma grafia estrangeira porque essa lhe parece mais estética, por exemplo. Os que estudam o tarot a luz da cabala alegam que as quatro letras remetem aos quatro elementos representados nas letras hebraicas das iniciais do nome sagrado de Deus. Aqueles que como eu preferem tarot com cinco letras alegam que assim introduzimos o quinto elemento, o éter ou espírito, na composição estrutural e vibracional do baralho. Além do que a soma numerológica de tarô é 18, o arcano de A Lua, obscuro, vacilante, confuso e desorientador. Enquanto tarot soma 20, o arcano de O Julgamento, esclarecedor e revelador, o que varre para longe as sombras do medo e da ignorância. Como podemos ver, não se pode relegar o tarot a uma simples regra gramatical, não é uma matéria exata, mas sim uma disciplina subjetiva onde cabem percepções pessoais. Assim sendo, aplique a sua!


5) Posso jogar com mais de um baralho?

Se você se refere a ter um ou dois baralhos diferentes de sua preferência e intercalar seu uso entre uma e outra sessão, sim, claro que pode! Agora se você fala de usá-los ao mesmo tempo, bem isso pode ser confuso e eu não entendo qual seria a utilidade de tal coisa!... Um único baralho na mesa já é material mais do que suficiente. Ter dois ou mais jogos de cartas preferidos é muito comum, e pode inspirar bastante o processo intuitivo usar um ou outro conforme cada situação, dia ou pessoa para quem você for ler as cartas! Particularmente eu prefiro usar um baralho específico para leituras e outro para vivências. Há também aqueles que não trocam o baralho em nenhuma situação... Mais uma vez cabe aqui a subjetividade da alma humana, e mais uma vez eu digo para que cada um se sintonize com a sua e encontre sua resposta.

Se você possui perguntas que podem nos enriquecer, por favor as envie para mim! Será um prazer ouvir e esclarecer, quando possível, os seus questionamentos!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Os 4 Arquétipos do Curador


O arquétipo é uma energia psíquica que se expressa através dos símbolos, como ocorre no tarot e na astrologia, por exemplo, ou de histórias alegóricas como ocorre nos mitos. Considero os quatro mitos a seguir os que melhor expressam as funções de um curador em qualquer nível do conhecimento humano em que ele atue. Viaje comigo!
Quiron
O sábio centauro Quíron tem *origem controversa, uns dizem que ele seria filho de Cronos quando esse se transformara num cavalo para se esconder de sua esposa Reia. Outros ainda dizem que ele era filho de Zeus com a ninfa Maia. O certo é que Quíron era um dos mais célebres sábios, videntes e curadores de toda a Grécia. A ele foi confiado a educação de todos os jovens das nobres famílias gregas, bem como muitos dos filhos bastardos de Zeus. Certa vez foi ferido acidentalmente por uma das flechas do seu amigo e pupilo Hércules, quando esse havia acabado de matar a hidra de Lerna, um animal de tamanha peçonha que seu sangue era venenoso e incurável! Como o sábio centauro era imortal o que ocorreu foi uma ferida terrivelmente dolorosa. Não suportando mais tamanha dor pediu a Zeus que o matasse e assim acabasse com seu sofrimento. O deus supremo então se apieda do destino do nobre sábio e ao invés de matá-lo, transmuta seu corpo na constelação do Centauro, que corresponde ao nono signo astrológico, Sagitário, livrando-o assim do sofrimento e concedendo-lhe a imortalidade junto às estrelas.

O Arquétipo – Quíron representa o sofrimento que todo o curador tem em sua alma e que o faz buscar uma explicação para a vida. O próprio sofrimento é o grande motivador da busca por cura e pela maioria das escolhas por se tornar um terapeuta ou um curador, seja lá em área de atuação for! Quíron também nos lembra que somos humanos e que não temos de ser perfeitos para nos tornarmos um curador, mas que não devemos nunca nos esquecer de também crescer com o que ensinamos ou orientamos ao próximo, pois que muitas vezes nossas intuições servem tanto para o outro quanto para nós mesmos. Tornar-se um terapeuta é um outro modo de estar em constante auto terapia.

* Um mito conta que os centauros eram todos descendentes de Ixion, o mais perverso dos criminosos, com uma nuvem que Zeus moldou com a forma da deusa Hera, por quem Ixion estava tremendamente atraído. Quíron, porém, seria filho desta mesma nuvem com o deus da guerra, Ares.

Perséfone
Perséfone, come a romã e
comunga com o mundo das trevas.
Filha única da deusa da natureza Deméter, seu mito é um dos mais importantes para a religião da antiga Grécia. Foi sequestrada por Hades enquanto passeava pelos campos colhendo violetas e narcisos com as filhas do rei Oceano. Ele a carrega para o Tártaro, o mundo dos mortos, e lá lhe oferece uma romã. Como a moça estava faminta, aceita a oferta e apaixona-se pelo deus do submundo. Quando subia à superfície Hades usava um elmo que lhe ocultava a face, os mitos, entretanto, relatam que ele era um homem de grande beleza, forte e viril. 
A deusa Deméter sai pelo mundo desesperada procurando por sua filha, mas tudo em vão. Até que um dia encontra um menino chamado Triptólemos, e esse lhe revela que vira uma linda jovem sendo arrastada por um homem incógnito que a arrasta para dentro da terra. Na hora ela soube que se tratava de sua filha e do deus dos mortos. Agradece ao rapaz ensinando a ele a agricultura e confiando ao menino um segredo que, segundo os mitos, era a essência da vida. Segredo esse que deu início ao Mistério de Elêusis e que é o mais bem guardado da história da humanidade! Começa uma grande negociação para resolver a questão do sequestro da linda deusa. Hades não queria abrir mão dela, e Deméter muito menos. Hermes, deus dos comerciantes, foi chamado para resolver a situação e descobriu que ela comeu no submundo ¼ de uma romã podendo então ficar apenas ¼ do ano com o marido. Diz-se que esse ¼ do ano corresponde ao inverno, quando ela deixa mais uma vez a sua mãe. No verão elas estão juntas e o outono e a primavera seriam a preparação da sua partida e ou da sua chegada.


O Arquétipo – O rapto de Perséfone é uma alusão ao encontro da própria sombra interior. Encarar nossos medos, angústias e rancores mais recônditos pode ser doloroso sim, mas profundamente libertador. Traz a oportunidade de conhecer a si mesmo em sua totalidade e o que poderia ser terrível acaba trabalhando para criar um ser verdadeiramente integro e por isso mesmo belo e forte interiormente, tanto quanto a face revelada do deus Hades. Não se pode chafurdar na sombra dos outros sem encarar as suas próprias. Um curador também deve mergulhar em si na humilde posição daquele que é tratado, só assim será um eficiente comunicador entre os mundos como a bela Perséfone, que ligava o mundo terreno de sua mãe Deméter ao mundo espiritual do seu marido Hades.


Perseu
Perseu matando a Medusa.
Filho de Dânae com Zeus, Perseu foi colocado ainda pequeno num baú junto com a sua mãe e lançado ao mar porque seu avô Acrísio, rei de Argos, havia sido alertado por um oráculo que o filho de sua filha seria o instrumento de sua morte. Mais uma vez Zeus intervém por um de seus filhos bastardos e fez com que a caixa de madeira fosse levada suavemente até as costas do reino de Polidectes. Um pescador acha os dois e os leva a presença do seu rei que os acolhe e cuida. Perseu cresce um jovem forte e de feitos notáveis o que faz com que seu benfeitor lhe peça que o ajude a matar a tenebrosa górgona Medusa, uma antiga sacerdotisa de Athena. Ajudado pela própria deusa Athena que lhe dá um escudo e uma espada, e por Hermes que lhe dá uma sandália com asas, o rapaz parte para sua missão. Ele consegue matar o monstro sem lhe encarar nos olhos, pois a besta possuía o poder de petrificar quem quer que a encarasse. Usando o escudo para refletir sua imagem ele corta-lhe a cabeça enquanto ela dormia. 
No retorno de sua viagem vitoriosa ele vê a linda princesa etíope Andrômeda amarrada a um rochedo porque sua vaidosa mãe Cassiopeia ofendera as ninfas do mar ao comparar sua própria beleza com a beleza das deidades aquáticas. Um oráculo revela que o único jeito de apaziguar a fúria das ninfas, que mandaram um monstro marinho para destruir o reino do rei Cefeu, pai de Andrômeda e marido de Cassiopeia, era o sacrifício da filha do casal à fera. Perseu logo se apaixona pela linda donzela e enfrenta o monstro combinando que se vencesse teria como prêmio a mão da jovem em casamento, e assim foi. Lutou, venceu e casou-se com a bela Andrômeda da Etiópia.


O Arquétipo – Perseu representa o profundo desejo que todo o curador tem de tornar esse mundo um lugar melhor. Socorrer o sofrimento alheio é tão importante quanto entendê-lo em sua origem e motivação. Possuímos todos “um salvador do mundo” disposto a ajudar de todas as maneiras possíveis aqueles que nos procuram. De certa forma entendemos que ajudando uma pessoa a viver melhor ajudamos ao mundo todo. Ao salvar Andrômeda Perseu salva um reino inteiro! Não é raro encontrarmos curadores que ainda dividem o tempo entre seus atendimentos e trabalhos voluntários em prol dos que não tem acesso aos seus serviços. O perigo desse arquétipo está justamente no excesso de suas qualidades! Tornar-se um curador obcecado por suas funções, esquecendo-se dos limites e necessidades do outro bem como de seus próprios limites e necessidades, também é uma perversão.


Orfeu
Orfeu encanta Cérbero,
guardião do submundo.
Filho do deus-sol Apolo e da musa Calíope, a bela da voz, Orfeu recebe do pai uma lira da qual extraia um som tão belo que nada resistia ao seu encanto. Foi apaixonado por Eurídice que em seguida do seu casamento com Orfeu foi assediada implacavelmente pelo jovem Aristeu que estava enlouquecido de desejo por ela. Na fuga pisou numa víbora e morreu devido ao veneno de sua mordida. Depois de apelar aos deuses e aos homens Orfeu decide descer ao mundo dos mortos para resgatar sua linda esposa. Ficou muitos dias a beira do rio Estige tentando convencer ao barqueiro Caronte a levá-lo a presença do deus Hades. Quando finalmente chegou a presença do rei-deus do submundo, depois de fazer adormecer o cão de três cabeças Cérbero que guardava os portões da entrada, Orfeu mostra a ele a linda canção que compôs sobre a perda de sua amada. Comovido Hades permite que ele a leve de volta mas adverte que não deve olhar para ela até chegar ao mundo dos vivos. Tomado por saudade, ansiedade e certa desconfiança das intenções do deus obscuro ele se vira e a vê pela última vez. Sua amada Eurídice desaparece para sempre! Algumas versões dizem que ela se transforma numa estátua de sal perpetuamente postada às portas do Tártaro. 
Orfeu volta, desolado e inconsolável. Os dias que passa à beira do rio Estige conferiram-lhe novos dons e poderes. Ele passa a ser um extraordinário profeta, clarividente, e curador sendo amplamente procurado como conselheiro e médico. Dedica-se às suas novas funções recusando todas as mulheres que flertavam com ele. Certa vez, tomadas por um êxtase dos ritos dionisíacos, elas o atacam e o esquartejam lançando seus pedaços ao rio que levava seu nome (O rio Orfeu). Conta a lenda que sua cabeça ainda cantava enquanto descia levado pela correnteza, e que era uma canção tão doce que as mulheres despertaram de seu transe e choraram de arrependimento.

O Arquétipo – Orfeu fala da necessidade de distanciamento emocional que todo o curador precisa para não perder a objetividade e o foco do tratamento que está sendo realizado. O cliente não deve ser confundido com um novo amigo ou parceiro de vida por mais que suas histórias se pareçam com as do seu terapeuta. O cuidado prestado a ele é profissional e se encerra quando termina o tratamento. Por outro lado, a postura do terapeuta nunca deve ser distante ao ponto de não permitir que seu lado humano se mostre! Essa abordagem cria uma falsa impressão de superioridade inflando perigosamente o ego daquele que está tratando e diminuindo a auto estima daquele que se trata. Não se deve subestimar as intuições e impressões do cliente, afinal ele conhece seus dramas à partir de dentro, ele conhece a sua verdade. O terapeuta é apenas um facilitador para que ele junte todas as peças do seu entendimento interior.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O Tarot e as Terapias Complementares


Como um instrumento de revelação de processos interiores, o tarot também se mostrou um eficaz sistema de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal em processos de aplicação terapêutica. Os arcanos revelam emoções, sentimentos, pensamentos e reações a uma situação vivida que podem denunciar condicionamentos da infância ou mesmo de outras vidas! Os símbolos do tarot podem revelar e orientar sobre quais posturas diante destas vivências se mostram mais adequadas, maduras ou equilibradas. Além de orientar o tarot também traz novas perspectivas que ampliam o campo de visão interior, levando à introspecção e à reflexão, abrindo espaço para a possibilidade de transformação pessoal.
Reiki, a terapia de transmissão 
da energia Ki.
Costumo dizer que o tarot é muito bom em “tirar esqueletos do armário”, mas o que fazer com eles depois? Claro que o tarólogo não tem necessariamente de se comprometer com isso, mas deve pelo menos orientar e ou indicar possíveis caminhos de tratamento terapêutico para as questões levantadas numa consulta. Outros preferem escolher alguns tratamentos complementares (Antes chamados de alternativos) para oferecer auxílio para quem procura seus serviços. O termo complementar ao invés de alternativo se acomoda melhor numa perspectiva holística de saúde, pois não exclui nenhum tipo de tratamento já que todos visam a integridade de diferentes aspectos do ser.
Algumas dessas terapias combinam bem com a dinâmica do tarot, como por exemplo, a terapia floral. Muitas vezes um tarólogo tem um único encontro com seu cliente, e passar um receituário de florais é a forma mais rápida de se indicar um caminho para tratar os temas levantados numa leitura dos arcanos. Isso sem falar que abre campo para que a atuação das essências faça com que aquela pessoa sinta os efeitos e assuma um processo de cura interior, não necessariamente com quem os indicou. O mesmo se pode dizer da homeopatia e da fitoterapia.
Florais de Bach.
Certas terapias com propostas mais prolongadas podem ser bem interessantes à prática tarológica. A terapia reiki ou mesmo a terapia corporal indicam um comprometimento maior do cliente em fazer algo com as informações que recebeu numa leitura.
Através da consciência corporal proposta nos tratamentos de massagem ou na mudança dos padrões energéticos, que também moldam as estruturas mentais, como ocorre nas sessões de reiki, é possível alterar antigos padrões de comportamento e pensamento. Consultas de tarot regulares e intercaladas entre as sessões de terapia podem mostrar muito bem os efeitos do tratamento ao longo do processo e a evolução do cliente.
Se o tarólogo se utiliza de uma abordagem mais kármica do simbolismo dos arcanos, a terapia de vidas passadas (TVP) é um excelente complemento a aplicação terapêutica do tarot.
Não existem limites claros sobre quais terapias podem ser empregadas como recurso às leituras de tarot. Pode ser cristaloterapia, aromaterapia, yoga e assim por diante. Também nem tudo o que um tarólogo-terapeuta tem a oferecer é necessariamente o que seu cliente precisa.
Pedras quentes, uma eficiente forma
de terapia corporal.
Por esse motivo é fundamental que a postura ética seja preservada e que o bem estar do cliente seja sempre a prioridade. Tenho tido um cuidado especial em sempre me questionar se o que eu tenho a oferecer é o suficiente para tratar determinadas questões. Como deixar de se encaminhar ao psiquiatra uma pessoa que está em avançado estágio depressivo (Que pode, inclusive, levar ao suicídio)? Ou pedir paciência para quem sofre de terríveis dores musculares, causadas por estresse intenso, ao invés de indicar um terapeuta corporal?
Não devemos esquecer nunca de que um terapeuta é um servidor e um cuidador antes de qualquer coisa. Como tal é responsável, pelo tempo que durar sua consulta, pelo bem estar e conforto de quem recorre aos seus serviços em busca de orientação.