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| Muitos baralhos de Tarot criados têm inspiração na magia ou bruxaria. |
Tarot não é bruxaria! Volta e meia este esclarecimento é necessário, tanto para o bem do Tarot quanto da bruxaria! Esta expressão, de modo geral na cultura popular, se refere às leituras e aos leitores de Tarot como atuantes numa disciplina mágica, o que em parte é verdadeiro. Associar toda magia à bruxaria também é outro equívoco que se popularizou. Então vãos por partes:
Primeiro que o Tarot é um antigo jogo da realeza medieval, que se revelou um complexo e profundo sistema oracular descoberto por ocultistas da França e Inglaterra nos séculos XVIII e XIX. E foi no século XIX que a Hermética Ordem da Aurora Dourada, a inglesa Golden Dawn, o elevou ao status de instrumento oracular divinatório e mágico, bem como vivencial, da ordem. Assim vários experimentos e relações simbólicas com os arcanos foram feitos. As cartas receberam correspondências astrológicas, cabalísticas, angélicas e mágicas. Foram utilizadas para meditações guiadas através dos arcanos, e dentro de práticas rituais da magia cerimonial. Sim, o tarot foi também utilizado como instrumento mágico pelos membros da Golden.
Segundo, a magia aqui referida é a magia cerimonial que já era praticada por figuras eminentes como Martinez de Pasqually, Éliphas Lévi e Papus nos éculos XVIII e XIX. Foi no começo do século XX que nasceu o movimento neopagão conhecido como Wicca, fundado por Gerald Gardner (1884/1964) em 1954, e redesenhado por Alex Sanders (1926/1988). A Wicca se apropria de princípios da magia cerimonial, como círculos mágicos, evocação dos quadrantes, etc. Agregando também princípios da magia tradicional europeia, baseada em grande parte por tradições celtas propagadas por toda a Europa. E um culto a uma deusa e a um deus, que seriam os geradores de toda a vida, e do ciclo das estações em oito eventos sazonais de solstícios e equinócios, e das colheitas ao longo do ano.
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| Rituais mágicos que se utilizam do Tarot são praticados ainda hoje! |
Terceiro, ainda no século XX o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875/1961), em suas pesquisas, reconhece o Tarot como o descendente dos arquétipos da transformação da consciência. Tirando assim de vez a tarologia do arcabouço dos temas mágicos, seja cerimonial ou neopagão.
Portanto, nem todo tarólogo é bruxo ou magista, da mesma forma que nem todo magista ou bruxo é tarólogo, entendeu? Magos ou bruxos podem se utilizar de diversos outros sistemas oraculares. Bruxaria também não é a única forma de magia, e a Wicca especialmente é uma das formas mais recentes delas. Um tarólogo é um tradutor da linguagem simbólica contida nos arcanos, que em última instância são expressões da alma humana como um todo, que se revelam dentro de um enfoque individual no momento de uma consulta oracular.
O tarólogo pode estudar todas as relações contidas no imenso corpo simbólico do Tarot, sem se conectar especificamente a nenhuma. Da mesma forma que ninguém é magista ou bruxo só porque estuda ou faz leituras de Tarot! Qualquer uma destas associações automatizadas diminui e limita tanto o Tarot quanto a Magia e a Wicca... Por mais cultura espiritual, e menos ignorância e generalizações!

