segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Os Reis do Tarot

Pais e Líderes...

Os Reis do baralho clássico;
o Rei de ouros do tarot
de Marselha.
Os Reis do tarot, também chamados de Príncipes, Xamãs, Pais e Homens nos baralhos mais modernos, são a personificação do masculino interior e do arquétipo do pai dentro de cada um de nós! O masculino interior é a parte da consciência que vê o mundo sob uma perspectiva objetiva, clara, racional e organizada. Na perspectiva deles a existência é um caos a ser compreendido, explicado e organizado! O que torna sua expressão afetiva um tanto contida, ou “seca”, e sua atuação um tanto quanto tensa, quando não direta, em assuntos íntimos. Os Reis do tarot incorporam a qualidade da liderança, uma qualidade muito desenvolvida nos homens ou na parte masculina da psique feminina, que C.G. Jung denominou de Animus. Na ancestralidade da raça humana os primeiros grupos de pessoas eram nômades que se estabeleciam por um tempo dentro de uma determinada região. As mulheres cuidavam da terra e da prole, e os homens exploravam o terreno, seguiam as manadas, e caçavam. Assim aprendemos muito sobre as funções alimentares e medicinais das plantas observando o que o rebanho comia, e o que evitava comer. Nesse período de nossa história o líder tribal acumulava as funções de chefe, guerreiro e xamã. Como líder guiava os caçadores, e dividia estrategicamente o grupo e as funções de cada um para o ataque. Como guerreiro enfrentava feras muitas vezes mais poderosas que ele para sobreviver, e como xamã saudava o grande espírito da manada e da floresta pedindo proteção antes da caçada, e aplicava medicamentos aos feridos e doentes em combate. Mais adiante essas funções foram naturalmente divididas, tamanha a profundidade e complexidade de suas atribuições. Muitos dos deuses e heróis ancestrais representam tais qualidades e eram representados em todas as culturas do passado. Líderes e pais criadores como Zeus na Grécia, Tupã para o povo Tupi-Guarani da América do Sul, e Olorun para a cultura Iorubana. Guerreiros e caçadores como Marte para os romanos, Órion para os gregos, Ogum, Xangô e Oxóssi para os africanos, e Thor e Tyr para os nórdicos. E feiticeiros e clarividentes, como os gregos Apolo, Asclépio, Quíron e Orfeu. Thoth egípcio, e Oxumaré e Ossãe africanos.
O Imperador, pai ou irmão mais
velho de todos os Reis dos arcanos
menores. The Emperor, do Thoth tarot,
de Aleister Crowley e Frieda Harris.
Psicologicamente o pai representa o líder secular na família, não dentro de um conceito machista de dominação patriarcal autoritária, mas como uma figura que aponta para as necessidades práticas do grupo, pois sua visão tende a ser mais objetiva nesse sentido. Assim como as mães são, ou deveriam ser, as lideranças emotivas e nutridoras da família. Em muitas novelas do passado o pai aparecia quase como um vilão por querer tirar o filho debaixo da asa da mãe e “jogá-lo” no mundo! Isso somado ao temor que as teorias psicanalíticas incutiram na sociedade de criar crianças traumatizadas, fez com que a função do homem fosse sendo minimizada até quase a exclusão total. O que vemos hoje é uma geração parasitária, geralmente mantida em lares sem uma figura masculina atuante, que não tem noção de limites, e nem senso de realidade. Muitos desses jovens formam uma nova onda social de pessoas que não querem nem estudar e nem trabalhar! Ou seja, desconectados do sentido prático de existir. A transformação da sociedade foi mais do que necessária, a dominação masculina aconteceu por uma exigência tribal de definir clãs e territórios, e como era preciso se ter certeza de que a prole que herdaria os bens do clã e da tribo era mesmo de seu líder patriarcal, a mulher teve de ser subjugada e tida como propriedade masculina. Assim definia-se e defendia-se o patrimônio daquele pai ou líder. A própria palavra patrimônio deriva do pai. Com certeza as mulheres não podiam mais continuar nessa posição, e uma reforma era mais do que necessária por um lado; por outro lado houve uma demonização das qualidades masculinas, como se nada que tivesse origem nas funções ancestrais do masculino pudesse ser positivo. O resultado disso nos tempos atuais são homens adoecidos que se dividem entre uma passividade extrema, e alguns até se excitam com a inversão de papéis sexuais, enquanto outros descambam para uma profunda violência contra as mulheres e entre si mesmos que parece ter origem num ressentimento sem fim. O ressentimento de sua castração social e psicológica.
O pai chegou a ser tratado como uma figura dispensável nos anos 80 do século XX com a adoção da ideia de “produção independente” das mulheres, como mais um degrau na sua emancipação. O modelo paterno será o molde do masculino interior para os meninos e o modelo de parceiro para as meninas. Modelos esses que serão reproduzidos e acatados, ou rechaçados conforme cada indivíduo. A importância de sua presença, entretanto, é inquestionável!
É urgente resgatar o papel masculino
do sagrado ancestral.
Os Reis do tarot reproduzem os atributos do arcano maior de O Imperador, dos quais são os descendentes, como filhos ou irmãos mais jovens. Como ele são práticos, realistas, firmes, disciplinados e conscientes de sua função dentro do grupo familiar, ou de um grupo de trabalho ou desenvolvimento em qualquer âmbito. Ao extrapolarem suas funções podem virar tiranos controladores ou tipos bem distantes e indiferentes afetivamente. O masculino tem similaridades com os elementos secos (ar e fogo), sendo que o primeiro incita, direciona e estimula o segundo. Por isso reis são o ar e os cavaleiros o fogo no tarot. A alteração feita por Crowley de colocar os Cavaleiros na posição de Reis e rebaixar os Reis à posição de Príncipes se deve à relação feita por ele, e outros membros da Golden Dawn, entre as quatro figuras da corte e as quatro letras do nome sagrado de Deus, o Tetragrammaton. Com isso mudaram também sua correspondência Elemental. Na época acreditava-se que o tarot tinha sua origem na Cabala, e portanto, achavam legítimo alterarem certos aspectos do seu simbolismo em função da ordem cabalística. Assim Crowley alterou a ordem da corte em seu Thoth tarot e Waite trocou a posição de A Justiça e de A Força na sequência dos arcanos maiores em seu Rider-Waite. Hoje sabemos que tais alterações não se justificam e a relação tarot/cabala é mais por analogia simbólica do que por ligação ancestral de fato. Assim cada Rei será o ar de cada naipe, também por este elemento reger o uso da razão, da lógica e do pensamento científico, e influenciará o elemento correspondente a cada naipe. Rei de paus, ar do fogo (pensamento expansivo). Rei de copas, ar da água (pensamento profundo). Rei de espadas, ar do ar (pensamento elevado ou abstrato). E o Rei de ouros, ar da terra (pensamento organizado).

Vamos agora aos seus significados simbólicos:

O Rei de varas, do
Morgan-Greer tarot.
Rei de paus – Ar do fogo, a onda de calor que se desprende de uma grande explosão. Disposição para conquistar. Liderança. Representa bem o líder sindical ou comunitário, o promotor de justiça, um advogado com ideais. Um administrador intuitivo, ou um empreendedor com uma visão singular de como “mover” as coisas. Um líder incentivador, aquele que ergue a multidão e a incentiva a fazer algo. Cativante, envolvente, sedutor, caloroso ou inspirador. É o defensor do mais fraco, mas prefere ensinar a pescar a dar o peixe. Proteção e expansão. Provedor, executor, realiza o que pensa, mas não planeja muito. Tem o poder de ser e fazer o que quiser pela simples mas intensa confiança em si mesmo. É forte, másculo e empreendedor. Sabe se tornar o centro dos acontecimentos e das atenções. Representa uma saída vigorosa para a luz da vida. Homem fogoso, forte, viril. Justo, ou justiceiro se estiver aspectado negativamente. Como pode também ser um tipo com dificuldade de empatia com as personalidades mais frágeis.


O Rei da água, do
Osho Zen tarot.
Rei de copas – O ar da água. O vento que levanta as ondas, agita as profundezas e traz à tona o que o mar engoliu. O terapeuta, xamã, curador, amigo ou conselheiro. É um ouvinte sensível e um orientador lúcido. Ele vê as emoções humanas com profundidade e precisão, mas com distanciamento. Uma pessoa confiável com uma profunda visão de mundo e da própria vida. Seu não envolvimento o faz perceber com clareza os aspectos frágeis da psique humana. O arcano sugere o resgate de alguma parte suprimida do ser e suscita uma cura interior. É o reconhecimento das partes doentes da alma e a necessidade de curá-las com compaixão. Negativamente este arcano esconde atrás de sua postura distante e controlada de não envolvimento o temor de ser ferido ou magoado de algum modo ao se abrir, e oculta suas próprias emoções. O temor à intimidade é sua maior deficiência a ser superada.


Ulisses, o Rei de espadas,
do tarot Mitológico.
Rei de espadas – Ar do ar. As poderosas e geladas correntes de ar das grandes altitudes. O líder autoritário. Forte, frio e controlador. Sabe sempre o que fazer em cada situação. Representa bem o juiz, o médico cirurgião, um Mestre acadêmico, o militar de alta patente. Não acessa seus instintos, nem seus sentimentos e fragilidade. Cria esquemas para controlar uma situação e exercer o poder. Lógica, raciocínio. Um planejador metódico e sistemático. Um administrador inteligente e estratégico, possui uma mente clara e organizada que o faz se tornar uma autoridade nas atividades as quais se dedica. Negativamente é um controlador compulsivo, tudo tem de ser “previsto”. Um manipulador. Por não responder, ou acessar, aos seus instintos básicos perde a espontaneidade e torna-se frio. Desprovido de calor humano não tem interesse em aprofundar vínculos de relacionamento amoroso, tornando-se assim um melhor companheiro casual, ou um amigo distante.


O Pai da terra, do
Tarot of The Spirit.
Rei de ouros – O ar da terra. O vento que poliniza a plantação e espalha a riqueza da terra. O engenheiro da terra, o empreendedor. Representa o engenheiro, o agrônomo, o economista, o corretor imobiliário e o contador. Aquele que conhece os mistérios do mundo material e sabe manejá-los para o seu progresso e o progresso de todos que desfrutam de sua proteção. O mantenedor, o líder empreendedor. Ele é a expressão da abundância, e entende que isso não representa somente acúmulo de dinheiro, e sim viver a vida plenamente em todas as suas manifestações, no corpo e na alma. Quer ver a riqueza da vida distribuída entre todos e para todos. O ser e a consciência holística. Negativamente pode perverter isso tudo e se tornar um materialista que só se preocupa em juntar dinheiro e ganhar cada vez mais e mais. Um provedor que manipula e ou oprime os que dele dependem. Ou um tipo cínico que vê a vida como um grande negócio, onde ninguém dá nada sem um benefício imediato, real e palpável. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

As Rainhas do Tarot

Mães e Sensitivas...

As Rainhas do baralho
clássico; A Rainha de espadas
do Visconti-Sforza tarot.
As Rainhas do tarot, também chamadas de Sacerdotisas, Mães e Mulheres nos baralhos mais modernos, são a personificação do feminino interior e do arquétipo da mãe dentro de nós! Foi Jung quem disse que todo homem vive o seu feminino projetado nas mulheres que ele escolhe. Essa porção feminina chamada Anima é que é a responsável por escolher a parceira dele, ou seja, seleciona uma representante física para a emanação do feminino interior em cada homem! Como acontece com as mulheres e seu Animus interior. As vivências com a mãe moldam, em grande parte, nos homens a relação com as mulheres. Nas mulheres essa relação define sua própria feminilidade. Na grande maioria dos casos por repetição ou negação. A construção de uma identidade própria e, portanto de um feminino interior autêntico, só é obtido por homens e mulheres mediante um trabalho de transformação interior! O aspecto feminino da psique é aquele que se relaciona com o mundo dentro de uma perspectiva emocional. Que estabelece e cria vínculos, nutre-os e aprofunda-se neles! A perspectiva do feminino é sempre interior, sensível e imaginativa.
A ciência mostrou que além do corpo o cérebro tem um sexo próprio. É mais comum ver homens com mentes masculinas e mulheres com mentes femininas como descrevemos a pouco. Entretanto há muitos casos de “inversão”, basta ver a grande quantidade de homens artistas, místicos, inventivos e imensamente sensíveis e afetivos. Da mesma forma que há inúmeras mulheres no universo científico, acadêmico e militar! Essa “inversão” no gênero do sexo cerebral, por assim dizer, não reflete de modo algum a orientação sexual de uma pessoa.
A Imperatriz, mãe ou irmã
mais velha de todas as Rainhas
dos naipes. The Empress,
do Tarot of The Spirit,

de Pamela Eakins.
Nos primórdios dos tempos cabia as mulheres o cuidado da prole e da terra. Assim a agricultura foi desenvolvida pelas mulheres, e a confecção de utensílios domésticos e de pães, por exemplo, era função feminina. Provavelmente que por esse motivo muitas deidades femininas ancestrais evocavam a agricultura, a fertilidade, a abundância e a riqueza. Entre elas Gaia, Reia e Deméter na antiga Grécia, Oxum na cultura Iorubana, Pachamama nas tribos Incas andinas, e a Mulher do Milho (ou Mãe do Milho) dos povos nativos da América do Norte, como os Cheyenne e os Cherokee, entre outras. O feminino ficou marcado pela ideia de nutrição, crescimento, fertilidade e, claro, abundância. Um evidente atributo materno, como o do arcano de A Imperatriz, das quais todas as Rainhas dos arcanos menores são as filhas ou irmãs mais novas e, como tais, refletem seus melhores e piores atributos. Como disse anteriormente a afetividade amorosa e a “maternação” dos relacionamentos não é exclusividade do gênero feminino, embora mais abundante nele.
No tarot as Rainhas são aquelas que desfrutam da vida e dos seus dons naturais, sem romper com seus papéis de cuidadoras. Devemos lembrar, entretanto, que cada Rainha cuida conforme os atributos do seu naipe de origem. Paus mais com uma afetividade mais intensa e prestativa, copas com uma afetividade mais profunda e acalentadora, espadas de modo mais racional, verbal, organizado e mental, e ouros de modo mais físico, prático e objetivo. As Rainhas são representadas pelo elemento água, a fonte doadora e mantenedora da vida. Cada uma delas é a água correspondente ao elemento do naipe ao qual pertence. A Rainha de paus será a água do fogo (sentimento intenso), a de copas a água da água (sentimento profundo), a de espadas a água do ar (sentimento interiorizado) e, finalmente, a de ouros a água da terra (o sentimento expresso no mundo físico).

Vamos agora aos seus significados simbólicos:


A Sacerdotisa de paus,
do Motherpeace tarot.
Rainha de paus – A água do fogo. A água morna dos banhos do bebê, ou dos casais apaixonados. A água que cozinha os alimentos para a tribo ou a família. Terna, amorosa e muito sensual, ama a família e o lar, bem como os amigos, e sente que deve protegê-los e defendê-los, ainda que não lhe peçam ajuda. Unir, compartilhar, acarinhar. Dedicação cuidadosa, gestos conciliadores e amorosos. Gentileza. É a construtora de ninhos, acolhedora. Doação generosa. Sensualidade penetrante. Disposição e capacidade de lutar pelas pessoas que ama. Compartilha o que tem de melhor, pois acredita que a vida é uma troca e quanto mais se dá mais tem para doar! A administradora, a líder comunitária, a assistente social, cuidadora, enfermeira, parteira ou doula. Não guarda nem segredos nem vantagens, assim como seu Rei, crê no seu poder pessoal. A sua sombra é a passionalidade e a intromissão no espaço alheio, embora com desejo de ajudar.

A Mulher de copas,
do Voyager tarot.
Rainha de copas – A água da água. As profundezas abissais do mar. Profunda, mediúnica e sensível. Percebe as emoções alheias e as acolhe sem julgamento. Abertura de coração. Compreensiva no real sentido da palavra. Sua capacidade de amar inclui o perdão e a misericórdia. Sente com profundidade, possui empatia emocional e até mesmo psíquica. Não opõe resistência às demandas externas. Sua identificação com as emoções alheias, por outro lado, a faz ficar confusa quanto a sua própria identidade, e nubla a capacidade de reconhecer seus desejos verdadeiros. Podendo, viver como uma eterna projeção dos outros. Sentimentos simbióticos, viver o outro e esquecer-se de si. Fragilidade emocional. Representa a bruxa, a paranormal, a poetisa, a música, uma artista de performance profunda.

A Rainha de espadas,
do Rider-Waite tarot.
Rainha de espadas – A água do ar. Um lago que seca sob os ventos de um deserto. A mente lúcida que não se permite levar pela subjetividade das emoções. A capacidade de colocar em palavras, e de modo inteligível, coisas abstratas ou muito complexas! Define prioridades, separa o certo do errado, o coerente do incoerente. Bom senso, e grande senso de justiça. O senso de dever que se coloca acima do de prazer. Nenhum sentimento sobrepõe o pensamento. Rege profissões tais como a pedagogia, a literatura e a filosofia. Por outro lado é crítica, julgadora, e exigente em demasia (exigências muitas vezes impossíveis de se cumprir). Possui um senso de valores muito estreito. Falta flexibilidade, o que faz surgir o preconceito e a moralidade conservadora.

A Rainha de arco-íris,
do Osho Zen tarot.
Rainha de ouros – A água da terra. A nascente de um rio que no decorrer do seu leito nutre florestas e campos. A consciência do corpo e dos sentidos. Usufrui a beleza e os prazeres da vida com responsabilidade e consciência. Ama, nutre e cuida com o mesmo zelo da Rainha de paus, mas sem os mesmos excessos. Cuidados com a saúde e o bem estar físico e material, tanto seu quanto dos que ama. Incorpora o moderno conceito de “qualidade de vida”. Nutrição, dietas, estética, culinária, artesanato e artes plásticas em geral, massagens, yôga, relaxamento e todas as profissões relacionadas. Ama as coisas belas e de boa qualidade. É toda a relação com o aspecto prazeroso, sensorial e material da vida sem culpa. A sua sombra é a da perdulária descontrolada, a sensualista vulgar, possessiva nos afetos, materialista e superficial. O tipo que ama as badalações caras, uma alpinista social.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Os Cavaleiros do Tarot

A ação expansiva...

Os cavaleiros do tarot, também conhecidos como Filhos, Irmãos, Sábios ou Visionários, nos baralhos mais modernos, são a representação do guerreiro dentro de cada um nós! Nos tempos atuais o papel do guerreiro tem sido resgatado para além da imagem do “fazedor da guerra”, mas também como aquele agente interior que nos faz levantar todas as manhãs para enfrentar a batalha do dia a dia. Revestimos-nos do guerreiro interior ao enfrentar uma vaga de emprego, ou num teste probatório de admissão num curso, ou ao enfrentarmos uma enfermidade, ou a enfermidade de alguém muito chegado. O guerreiro nos acompanha até no simples ato de ir trabalhar, e atender as demandas que nossa atividade exige! É bem verdade, que essa energia mal dirigida acarreta coisas como competitividade, confrontos e beligerância também. Na Idade Média os cavaleiros eram os protetores do reino e dos valores de sua comunidade. Em tempos mais remotos o rei também deveria ser um bom guerreiro e estrategista, além de monarca. Nos campos de batalha ele comandava e incitava seus homens à batalha. Com o passar do tempo a função de rei e de guerreiro foi bifurcada, e a este último coube o papel de protetor do reino e de conquistador de novos territórios. Sua ação seria, portanto, expansiva. No tarot essa disposição física para lutar, crescer e vencer está representada no simbolismo do cavalo, um animal belo e poderoso que era utilizado tanto para viagens, quanto para transporte de cargas, esportes e combates. Seu vigor muscular e elegância harmonizam-se perfeitamente bem com a figura arquetípica altiva, forte e vitoriosa dos cavaleiros antigos. E é justo o cavalo a ponte de ligação entre todos os cavaleiros dos arcanos menores com o primeiro cavaleiro do tarot, o jovem príncipe guerreiro de O Carro, dos quais descendem os guerreiros de cada naipe. Considero O Carro o pai ou o irmão mais velho de todos eles, aos quais ele empresta suas qualidades de determinação planejada ou simplesmente aguerrida, e a sua ânsia por vitória no combate.
Os Cavaleiros do baralho
clássico; O Cavaleiro de
copas do 1 JJ Swisss tarot.
Foi na Idade Média também que surgiu os altos ideais da cavalaria, como honra, coragem, generosidade e lealdade! Além do amor cortês para com todas as damas e donzelas. Daí a proximidade das palavras cavaleiro, e cavalheiro. O primeiro o originador dos ideais de dignidade e gentileza, e o outro como um seguidor desses ideais. O cavalheirismo, ao contrário do papel do guerreiro, tem sido questionado. Os seus críticos dizem que é uma postura machista que coloca a mulher como inferior ou incapaz. Outros ainda alegam que ao obterem espaço por direitos iguais as mulheres se tornaram competidoras dos homens na vida e, portanto, dar-lhes vantagens através de atos cavalheirescos seria uma burrice! Mesmo aqueles que defendem que o cavalheirismo tornou-se mais abrangente, ao estender sua gentileza e generosidade também aos mais fracos, mais velhos e as crianças, são confrontados com a questão: e quem acolhe e cuida do cavalheiro? Ou seja, esse é um papel e uma função pesada para os homem atual, mas que por outro lado o deixa sem uma função na sociedade que assinale positivamente sua masculinidade. Essa questão será solucionada quando os homens modernos resgatarem também a confiança uns nos outros que os antigos cavaleiros medievais tinham em seus irmãos, e se apoiarem mútua e amorosamente. Assim o cavalheirismo ganhará uma conotação mais ampla, indo além do trato entre os gêneros, e assumindo um papel mais cósmico de cuidado e gentileza para com toda a vida!


A Ordem dos Templários.

Os ideais da cavalaria formaram igualmente a base humana dentro de todas as guerras modernas, ao definirem o modo como os soldados adversários deveriam ser tratados, tanto no ocidente quanto no oriente. Basta ver a nobre imagem dos Cavaleiros Templários na Europa, e a ordem dos guerreiros Samurais no Japão. O idealismo, o sentido de missão, e busca pelo mais elevado são, aliás, a marca dos Cavaleiros do tarot. Como também o é a sua entrega à sua missão, e o desejo de fazer bem feito e dentro dos princípios da ética, da honra, e da dignidade.
Apesar de sua identidade original ser toda pertencente ao gênero masculino, e se coadunar mais com esse gênero, a verdade é que todos nós possuímos um guerreiro interior. Todos nós temos sonhos e ambições, e a vontade de torná-los reais! Ao serem destituídos de seus elevados ideais de realização os Cavaleiros podem se tornar agressivos, obsessivos, e até destrutivos. Como o eram seus análogos medievais em suas sangrentas batalhas; haja visto o horror que foram as Cruzadas, também chamadas de Guerra Santa. Cada Cavaleiro do tarot é representado pelo elemento fogo, que ao ser redefinido pelo elemento de cada naipe ao qual pertence, tem sua personalidade e ação moldadas segundo este elemento. O cavaleiro de paus seria então o fogo do fogo (pura ação e movimento), o de copas o fogo da água (a ação emotiva ou devocional), o de espadas o fogo do ar (a ação segundo um plano ou meta), e o de ouros o fogo da terra (a ação planejada e laboriosa para construir alguma coisa).

Vamos aos seus significados simbólicos:


Belerofonte, o Cavaleiro de paus,
do tarot Mitológico.
Cavaleiro de paus: O fogo do fogo. A intensidade de uma queimada. A ação intensa num determinado foco; uma ação com o objetivo de mudar, intensificar, ou melhorar uma coisa ou situação. Tem a intenção de tornar as coisas mais “elevadas”. Quer brilhar e viver a vida intensamente. Ama a ideia de sucesso e evolução em todos os seus sentidos. Possui uma personalidade envolvente e arrebatadora. Gosta de focar-se para realizar qualquer coisa. Aprecia a mudança e acredita com firmeza que tudo sempre pode melhorar, e que nada é impossível! Sua atenção está permanentemente voltada para as qualidades e temas luminosos desta vida. É um positivista. Sua sombra é a do jovem bruto, apressado e impaciente com o ritmo dos outros. Os detalhes o enervam! Pode ser também ansioso, exibido, egoísta, arrogante, e um sedutor compulsivo e sem vínculos mais profundos.

O Cavaleiro de copas, do Thoth tarot.
Cavaleiro de copas: O fogo da água. O vapor sobre a superfície de rios, lagos e mares vulcânicos que se eleva aos céus. O buscador do sonho, o guerreiro do coração. Aquele que se lança de cabeça em algo sem garantias de segurança. Segue sem titubear os ditames do seu coração. Sua ação não é temperada por coisas como bom senso ou crítica, apenas confiança no apelo interior. Representa a total dedicação amorosa a algo ou alguém sem expectativas ou cobranças, só a confiança nos sentimentos. Crê sinceramente no caminho que escolheu. Um visionário. Ama devotadamente, quer seja uma pessoa, uma causa, um ideal ou atividade. É o ato de apaixonar-se! O jovem galanteador. O místico no seu sentido mais puro, aquele que busca uma comunhão com Deus, ou o Transcendente. Sua sombra é justo a incompreensão que pode gerar entre os que o rodeiam, e que podem desacreditá-lo totalmente taxando-o de bobalhão e sonhador.

O Cavaleiro de nuvens, do
Osho Zen tarot.
Cavaleiro de espadas: O fogo do ar. O vento seco que devasta tudo. O grande conquistador. A mente focada nas conquistas objetivadas pela razão. O conquistador determinado e combativo; a obstinação interior. Vencer pelo poder e com toda a garra. Aquele que não desiste até a meta ser alcançada, e não poupa esforços, e até mesmo consequências, se ele exceder suas funções. A sua cobiça e competitividade podem desumanizá-lo, tornando-o cruel e violento. Sua sombra é daquele que vê tudo e todos como adversários em potencial, possíveis obstáculos às suas conquistas. O caráter defensivo. O ego que tenta afirmar-se através das suas conquistas. Raiva, animosidade, beligerância. O destruidor, aquele que vence esmagando o outro. O soldado de elite, o ninja, o boxeador e o lutador perito em artes marciais.

O Sábio dos mundos, do
Voyager tarot.
Cavaleiro de ouros: O fogo da terra. O calor e a luz que vivificam toda a natureza. O trabalhador disciplinado, perseverante, solitário, prático e realista. Aquele que constrói com as próprias mãos e esforço. Criar bases sólidas e estáveis para sustentar a vida. Disciplina. Trabalho árduo para tornar realidade uma meta. Ser dirigido por um senso prático e realista de sobrevivência. Persistência. Molda suas ambições com valores como a ética, a justiça e o bom senso. Aquele que possui uma relação de devoção com o trabalho que executa. Possui altos ideais sobre si mesmo e as atividades às quais se dedica. É o tipo confiável e confiante. Sua meta é a excelência! Sua sombra é a do viciado em trabalho. Um tipo tosco que sofre com a falta de uma visão mais ampla, ou de instrução e sutileza. Diminuição da força física, percepção súbita dos próprios limites. A aposentadoria forçada. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Os Valetes do Tarot

Crescendo e Aprendendo...

Os Valetes do baralho clássico;
o Valete de paus do Oswald
Wirth tarot.
Os Valetes, também chamados de Pajens, ou Princesas, Crianças e Irmãs nos baralhos mais modernos, são os representantes da infância e do espírito aventureiro e inquiridor em cada um de nós. Eles são munidos da curiosidade natural do ser humano e também são os portadores do novo em nossas vidas. O novo representado pelos Valetes difere das outras cartas de mudança como O Louco (uma experiência inusitada e repentina que se apresenta tanto interna quanto externamente), A Roda da Fortuna (viradas radicais de 180º, muitas vezes inexplicáveis), O Enforcado (uma mudança de perspectiva interior que muda a relação com o mundo exterior), A Morte (uma mudança profunda e definitiva que tanto ocorre interna quanto externamente), ou A Torre (uma mudança abrupta e sempre desestruturadora em princípio, embora possa trazer clareza depois). Difere também dos quatro Ases (de paus, copas, espadas e ouros), eles representam um início vigoroso que sincroniza movimentos internos e externos numa mesma direção! Ou o Três de paus, que denota um caminho novo e radicalmente diferente das experiências que se apresentaram até então. Muito embora este arcano apresente uma situação ou acontecimento iminente. Os Valetes são o símbolo das mudanças que precisam ser cultivadas, consideradas e atendidas para que possam ocorrer. Assim como crianças só se criam e se desenvolvem mediante os cuidados dos pais! Os Valetes são sempre bem mais brandos, são mudanças em estado ainda embrionário.
Um bom exemplo foi de uma cliente que teve o Valete de paus marcando sua situação profissional, e parecia que uma proposta nova de grande possibilidade criativa havia surgido para ela causando grande entusiasmo. O que ela confirmou dizendo que havia recebido o convite de um grande hospital do nosso estado que tinha proposto que ela assumisse a criação de um centro de análises e diagnósticos clínicos, que seria inaugurado num grande shopping da capital. Era uma iniciativa inédita deste e de qualquer hospital da nossa região! Ela se sentiu evidentemente envaidecida pela proposta, totalmente embasada na sua experiência de trabalho numa clinica de diagnóstico por imagens por quase vinte anos. O cuidado a ser tomado aqui é que eles estavam com pressa e contatando também outros profissionais da área administrativa. Havia um prazo para a sua resposta. Ela teria de considerar com igual atenção a sua disposição física, já que sofria de uma doença autoimune que na ocasião a estava atormentando! Queria muito a vaga, mas tinha de considerar se teria condições de levar até o fim a empreitada, e por isso veio consultar o tarot. Gosto desta história porque tudo nela se refere mesmo ao Valete de paus: o surgimento do novo com suas considerações, a possibilidade criativa, e a necessidade de boa disposição física para realizar o que esse Valete nos traz.
O Louco, pai ou irmão mais velho
de todos os Valetes. The Fool,
do Osho Zen tarot, de
Ma Deva Padma. 
A criança em seu estado puro, intelectualmente aberto e curioso ao mundo externo, é o símbolo dos Valetes do tarot. Em termos divinatórios, tanto podem ser as boas novas a serem melhor exploradas, quanto crianças, ou pessoas de espírito jovial e criativo próximas ao consulente. Ao representarem uma personalidade estas serão sempre abertas às novas possibilidades, criações, sentimentos, ideias e pensamentos, oportunidades de investimento e aprendizado, e sempre muito energéticas e vibrantes nas qualidades representadas por seus naipes. Em termos psicológicos os Valetes representam nossa criança interior, a responsável por nossos rompantes de espontaneidade, humor, criatividade, generosidade e inocência por um lado, mas que por outro lado pode representar negativamente o Puer Aeternus. O aspecto da psique que se recusa a crescer e quer se manter sempre jovem e alheio às responsabilidades, compromissos, ponderações e vínculos da vida adulta. Por esse motivo considero todos os Valetes do tarot como os irmãos mais novos ou os filhos do arcano de O Louco, no melhor e no pior de suas expressões!
Na relação com a Cabala eles são associados à Malkut, o mundo físico onde a criação depois de manifesta começa sua subida pela Árvore da Vida em busca da Casa do Pai. Por isso espiritualmente os Valetes são o arauto da alma humana sempre em busca de evolução e do mais alto! São os eternos aprendizes da existência. Os Valetes eram os servos ou aprendizes dos senhores medievais, e de fato servir e aprender são atributos típicos desses quatro nobres arcanos do tarot. É sempre importante lembrar que eles preservam as características dos seus naipes, assim como todos os outros arcanos menores. Por estarem associados à Malkut na Cabala, os magos da antiga ordem inglesa Golden Dawn atribuíram-lhes a metáfora da semente, e associaram a eles o elemento terra. Assim cada Valete é a terra de cada elemento a que representa. O Valete de paus é a terra (ele mesmo) do fogo (que é paus, o naipe a que ele pertence). O Valete de copas é a terra (também ele mesmo) da água (que corresponde a copas, o seu naipe) e assim por diante!
Vamos aos seus significados simbólicos mais marcantes:

O Valete de fogo, do Osho Zen tarot.
Valete de paus: A terra do fogo. Simboliza a terra incandescida com as cores da primavera depois do longo inverno. É a criança alegre, criativa, encantadora e brincalhona que se diverte tanto só quanto acompanhada. Ama fazer coisas novas e criativas, inventa suas próprias brincadeiras. Brincar, quebrar esquemas usuais. Alegre, independente, irrequieto, e ousado, mas nada pretensioso. Tem grandes ideias, mas não se apega a elas. Com um corpo cheio de energia ama divertir-se e movimentar-se como em exercícios físicos e competições esportivas, ou também artes cênicas, e dança! Gosta e precisa expressar-se criativamente. Aprecia Jogos lúdicos para relaxar e não esquenta a cabeça, mantendo um espírito sempre positivo. No seu aspecto mais obscuro não leva as coisas a sério, brinca com tudo! Não suporta regras, restrições, horários, padrões e nem patrões. É infantil, irresponsável e inconsequente.

A Princesa de copas, do Thoth tarot.
Valete de copas: A terra da água. Simboliza a terra macia do fundo dos lagos, rios e mares, receptiva e acolhedora ao que faz peso sobre ela. É a criança meiga, afetiva, sociável, simpática e carinhosa. Possui pureza de sentimentos e total fidelidade ao que sente, é transparente e segue sempre seu coração. Gosta de conhecer pessoas, lugares e culturas diferentes. Quer sempre ampliar o círculo de relações e conhecimento, e por isso possui grande abertura ao próximo. Gosta e precisa relacionar-se com gente! O que pode torná-lo muito codependente dos seus relacionamentos. Aprecia servir ao próximo, ser prestativo o alegra. É maleável, gentil, e sua disposição em ajudar não vê distinção entre as pessoas em si e entre elas e os seres da natureza! Por outro lado sua maleabilidade excessiva o torna pouco estruturado, inconsistente e não comprometido com suas causas e relacionamentos. O que pode torná-lo um bajulador ou seguidor sem propósitos internos definidos, volúvel em seus sentimentos. O que popularmente chamamos de “coração vagabundo”!

A Filha de espadas, do Motherpeace tarot.
Valete de espadas: A terra do ar. Simboliza a terra que voa com a ventania na forma de poeira, flexibilizando-se, mas também sem nunca poder se tornar concreta como requer sua natureza! É a criança curiosa e hiperativa que tem os olhos sempre atentos aos movimentos novos e aos assuntos dos adultos. Sempre disposta a aprender pergunta sobre tudo o tempo todo, mas não fixa a atenção. É capaz de conhecer muitas coisas diferentes, e concatená-las ao mesmo tempo. Grande agilidade mental. Tudo o interessa! Abarca novas ideias e amplia os conceitos já conhecidos de modo inovador. Sua sombra é a mente que conecta várias coisas ao mesmo tempo, mas que não realiza nada de fato. A congestão e a confusão mental, a argumentação excessiva da mente, os pensamentos circulares. A tensão mental, e a preocupação incessante. Das simples dores de cabeça às enxaquecas persistentes. Insônia. Falta de direção e de planos de vida objetivos. Em casos extremos é a típica personalidade com o TDHA (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade).

A Irmã da terra, do
Tarot of The Spirit.
Valete de ouros: A terra da terra. Simboliza a terra que guarda em si as sementes de futuras germinações, florestas, árvores, flores e frutos! Representa a criança que cedo percebe as necessidades dos pais ou do meio onde vive, e começa a agir no sentido de auxiliá-los ou minimizar seu sofrimento. O bom aluno, dedicado, estudioso, compenetrado, o CDF. O filho comportado que ajuda a mãe na cozinha e ou o pai na oficina. Que sonha estudar e crescer para ajudar os pais ou a família no futuro. Aprender com o novo, investigar, aprofundar. Estudar para evoluir e transformar as oportunidades em trabalho e lucro. Desenvolvimento gradual. Germinador das novas oportunidades, investidor de novos empreendimentos. O explorador cauteloso das novas possibilidades e de todas as oportunidades a serem trabalhadas, e não desprezadas num primeiro momento. Aquele que especula novas formas de investimento e progresso. Fase inicial de crescimento. Fertilidade. Pode indicar gravidez. Sob muitas formas é o estudante ávido por conhecimento e evolução. Alguém que vê no saber o caminho mais seguro para o progresso em todos os sentidos! Negativamente simboliza a ânsia compulsiva por novos aprendizados ou investimentos, mas já sem propósito ou alegria!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Os 4 Estágios da Cura

"Conhece-te a ti mesmo e conhecerás 
o universo e os deuses."
- Sócrates

A cura é um processo interior ou exterior de restauração do equilíbrio e da harmonia pessoal, nesta ordem, para a devolução do corpo ou da consciência ao seu estado natural de saúde e bem estar, ou a elevação ao próximo estado evolutivo. Portanto, a ideia de que a cura é um processo puramente físico e que trata basicamente de patologias é falsa!
Como todo o processo relacionado ao humano a cura pode ser dividia em quatro estágios diferentes, todos conectados entre si, mas que não levam um ao outro de modo automático. Cada etapa é uma conquista em si e depende muito do modo como cada pessoa encara seu próprio processo de cura interior e do comprometimento que tem com o mesmo. Apresento aqui uma síntese desses quatro estágios de cura interior ou exterior.
Vamos a eles:

1º Estágio – O Auto reconhecimento

Nesse ponto inicial há o reconhecimento da consciência sobre sua situação limitadora. Algo que surge com frases do tipo: “Tenho um problema!”, ou “Há algo errado comigo” de modo geral, ou uma percepção a cerca de suas limitações em um dado ponto da sua personalidade que limita sua atuação e realização social e individual. Para muitas pessoas esse ponto é o mais crítico, pois que muitos encaram esse reconhecimento como uma espécie de admissão do fracasso pessoal, e podem escolher “resolver por si mesmos” o que consideram um problema exclusivamente seu. Com muita frequência vemos os homens fazerem isso mais que as mulheres. A cultura machista ocidental alienou os homens de sua vida interior, de suas emoções, sentimentos e percepções mais profundas. Em troca ofertou-lhe a persona do senhor do mundo, do conquistador implacável (de mulheres e posses), e do eterno vencedor. Apresentou-lhe isso como sendo a essência verdadeira do masculino, e tudo o que não se encaixe nisso é fraqueza e o faz menos homem.
Enquanto isso as mulheres ao se livrarem da dominação patriarcal, aprenderam que ser fortes não compromete sua feminilidade, e muito menos fazer experimentos com sua consciência, percepção, sensibilidade e até com sua sexualidade. Costumo dizer que mulheres e homens foram vítimas do machismo.

2º Estágio – A Identificação


Nesta etapa da cura aprendemos a identificar o que nos causa sofrimento, e geralmente se trata de uma postura, atitude ou pensamento que se apresenta sempre que um conjunto de vivências importantes para nosso sentido de realização quer se manifestar. Uma pessoa sempre acusada de agressiva com os que ama, por exemplo, de repente percebe que diante de uma demonstração de amor sente um medo profundo que se manifesta como suspeita de falsidade, medo de cobrança ou de abandono que a faz reagir defensivamente.
Nesta fase, entretanto, ainda não se consegue interromper o fluxo reativo. É quase como se estivéssemos vendo nossa vida passar pela televisão. Apesar de ser uma conquista importante dentro do processo de autoconhecimento e cura, é também um tanto angustiante. Muito frequentemente as pessoas sentem culpa e vergonha do seu condicionamento.
Apesar disso é fundamental seguir adiante, aceitando que somos seres humanos, e que por isso mesmo nascemos mal acabados e vamos nos aprimorando ao longo de nossa existência.

3º Estágio – O Controle

Esta é uma valiosa conquista sobre si mesmo. Ao contrário da fase anterior, conseguimos interromper o fluxo reativo e paramos antes que ele se projeto sobre o outro ou os eventos externos. Então, seguindo nosso exemplo anterior, o indivíduo agressivo com os que ama sentirá dentro dos gestos de carinho confiança no que está vivendo naquele momento. Ao ouvir a voz do medo egoico dentro dele dirá a si mesmo: “É só medo, não é real! Estou seguro!”. Esta síntese que apresento não pretende insinuar que esses três estágios da cura interior são fáceis ou puramente psicológicos, eles se aplicam também como forma de curar sentimentos e emoções que se manifestam também como sintomas físicos. Todo e qualquer processo de terapia precisa de um profundo comprometimento interior com o propósito da cura. Para a maioria das teorias psicanalíticas este estágio é o final do processo de sanidade. O problema é que ainda existe uma identificação do ego com o desequilíbrio. Como quando um ex alcoólatra mesmo sem beber há mais de 30 anos se declara: “Eu sou alcoólatra!”. Ainda que pelo antagonismo ele continua preso ao seu distúrbio. Como alguém que metaforicamente vivia apenas de um lado da moeda de sua vida, e agora decide viver somente do outro lado.

4º Estágio – A Transmutação

Nesse estágio é comum a sensação de liberdade e totalidade. O indivíduo consegue olhar para sua limitação, condicionamento ou distúrbio de forma a não mais se identificar com ele. Não é mais necessário fazer nenhum esforço para o autocontrole, simplesmente se vê de fora do processo, que passa a ser estranho a ele. Ou seja ele se vê, mas não mais se identifica.  
Nem todos chegam a este estágio de cura pessoal, pois envolve muito mais do que uma abertura racional e inquiridora sobre si mesmo, envolve também uma ampliação da percepção espiritual e uma não identificação com a mente egoica. A mente não mais se fixa no que sabemos de nós porque nos falaram, o que sabemos de nós é o que reconhecemos no mais fundo do si mesmo! Nesses casos o desafio que se apresentou como um distúrbio, limitação, condicionamento ou mesmo enfermidade funciona como a ferida de Quíron, um sofrimento que o faz transcender, ou seja, ir além das experiências conhecidas até então em direção às alturas do espírito.
Assim a cura não é apenas um processo físico/mental, mas intrinsecamente espiritual para todos! Porém, poucos a percebem assim e a fazem um processo de ascensão da própria consciência. Não existe uma receita de como proceder para iniciar ou conduzir cada um dos quatro estágios, é um despertar interior, que para uns poderá levar uma vida inteira!

Leia também:
Espiritualidade & Tarot 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Sobre Reação & Resposta


Dentro do conceito de que somos todos responsáveis direta ou indiretamente por tudo o que nos acontece, vale sempre lembrar a terceira lei do movimento de Newton que diz que a toda ação se opõe igual reação. No mundo físico isso deixa bem explicado e claro como as coisas funcionam. Porém, no âmbito das relações humanas em seu trajeto de desenvolvimento pessoal deve-se distinguir a diferença entre reação e resposta.
Cavaleiro de copas (Osho Zen tarot),
postura de abertura diante da vida!
A reação é, como diz a palavra, uma ação imediata a algo ou alguma questão recebida por nós. Sua emissão é quase que mecânica, e corresponde ao escopo dos nossos modos e conhecimentos, emoções e percepções. A maioria esmagadora de nós segue pela vida reagindo sem refletir sobre a consequência de nossas ações para nós mesmos e ainda mais para outros. Essas reações automatizadas são as responsáveis por grande parte das nossas encrencas, desentendimentos, e mágoas. É claro que reações instintivas podem também nos livrar de situações de perigo, ou nos fazer agarrar uma oportunidade de trabalho, ou de uma conquista amorosa etc. Na maioria das vezes, entretanto, nas nossas relações sociais elas atrapalham. As reações estão intimamente ligadas aos conceitos mentais e as emoções mais comuns dentro das nossas relações interpessoais.
A resposta, por sua vez, vem de um centro interior de harmonia, onde os julgamentos e vicissitudes usuais de comportamento não entram na ação. A resposta vem de uma consciência observadora, e não julgadora.
Um exemplo que costumo utilizar com clientes e alunos é o de um almoço com amigos onde você decide repetir a sobremesa. Um dos amigos então pergunta: “Vai comer sobremesa de novo?”. Numa atitude reativa essa pergunta é reinterpretada rapidamente de várias formas, todas elas são ou negativas ou depreciativas. Coisas como: “Tá me chamando de glutão?”, “Será que acha que sou mal educado?”. Ou então: “Mas que droga! O que fulano tem de se meter no que faço?”. Em ambos os casos há uma agressividade defensiva que poderá virar uma mágoa a ser guardada ou um ataque. Algo do tipo: “É, vou sim! O que você tem com isso?”. Numa atitude de resposta você pode simplesmente dizer “Sim!”. Ou até tecer um comentário do tipo: “É, gostei desse doce!”. Mesmo que a pergunta tenha sido feita com a intenção de atingir você, para constranger ou mesmo invadir seu espaço íntimo de autonomia, a verdade é que de sua parte o jogo não é ativado. Não há desperdício de energia emocional com algo que não o levará a nada edificante, e que pode sim levar a um dia todo de incômodos e sentimentos de baixa vibração. É evidente que temos de aprender a colocar limites no mundo exterior, a fim de preservar nosso espaço criativo pessoal. Mas há lugares e lugares para se fazer isso, situações e situações, e há o bom e o mau combate. Não se esqueça disso!
O Cavaleiro de espadas (Osho Zen tarot),
postura defensiva-agressiva diante da vida.
No exemplo antes citado fica mais do que claro que a reação vem de um centro emocional desequilibrado que é reforçado pela mente julgadora. A reação é, portanto, mental e emocional simultaneamente. Por esse motivo a personalidade reativa está intimamente ligada ao simbolismo do Cavaleiro de espadas do tarot. Esse arcano possui uma disposição aguerrida que se excede a ponto de ver tudo e todos como um obstáculo ou ameaça. Uma personalidade dessas se forma após sucessivas frustrações, oposições, ou ataques que abriram feridas profundas, que por sua vez criaram a determinação interna de não mais sofrer do mesmo mal a qualquer custo! A composição Elemental deste cavaleiro é fogo do ar. O fogo das emoções sendo inflamado pelo ar dos pensamentos e julgamentos, que analisam, reinterpretam e julgam tudo o que cai na fogueira das nossas emoções.
A resposta é típica de uma personalidade não defensiva, disposta a enfrentar todas as situações da vida com espontaneidade e entrega. O sentimento de desconfiança do Cavaleiro de espadas é aqui substituído por um sentimento de confiança na vida e no bem, mesmo que esse bem não venha do outro. É o bem e a confiança na vida que se traz interiormente. Postura que corresponde com precisão ao Cavaleiro de copas em sua manifestação mais elevada. Sua composição Elemental é o fogo da água, ou seja o calor passageiro da emoção é transmutado na mansidão de sentimentos profundos e duradouros. A raiva é transmutada em sentimentos como a aceitação, e o perdão. O fogo, impulsivo e irracional, é “apagado” ou suavizado pela fluência de sentimentos profundos e positivos. Essa condição só é alcançada quando a pulsão dos instintos (fogo) é permeada com a integração da consciência espiritual abarcante (água). Assim a mente não responde mais aos seus arquivos mnemônicos defensivos, e se eleva a um nível de epifania constante. 


O mundo exterior responde às nossas respostas e
reage às nossas reações com igual intensidade.

Ao deixarmos de ser reativos, o meio que nos cerca fará o mesmo, segundo o princípio da mesma lei do movimento que citamos no começo desse artigo, e que corresponde perfeitamente aos princípios da lei do Karma. A personalidade reagente desencadeia uma sucessão de reações que atraem o seu infortúnio. A personalidade que responde aos fatos e estímulos desativa o jogo insano de certos indivíduos do mundo externo, e transita melhor pela vida.
Mas essa é uma perspectiva que dificilmente nasce pronta. Essa é a consciência de alguém que fez o despertar interior, e esse pode ser o trabalho de uma vida (ou vidas) inteira!

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Tarot & Astrologia

Exercitando a Percepção 
Pessoal e Simbólica


Este é um exercício proposto por Mary K. Greer, que tanto serve para o autoconhecimento quanto para a memorização e personificação dos significados dos arcanos para quem está começando a estudá-los! Ao relacionarmos o simbolismo do tarot às vivências pessoais fica muito mais fácil memorizar seus significados.
A execução em si é bem simples, mas é preciso que se tenha algum conhecimento básico de astrologia para que seu entendimento seja pleno. O quadro abaixo mostra a relação entre arcanos do tarot e os signos e planetas da astrologia! A ordem colocada na relação que se segue é a do zodíaco:

Quadro que representa a roda zodiacal e os planetas a girar nela,
todos convertidos em arcanos do tarot.


Signos


Áries / Imperador – Touro / Hierofante – Gêmeos / Os Amantes – Câncer / O Carro – Leão / A Força – Virgem / O Eremita – Libra / A Justiça – Escorpião / A Morte – Sagitário / A Temperança – Capricórnio / O Diabo – Aquário / A Estrela – Peixes / A Lua.

Planetas


Sol / O Sol – Lua / A Sacerdotisa - Mercúrio / O Mago – Vênus / A Imperatriz – Marte / A Torre - Júpiter / A Roda da Fortuna – Saturno / O Mundo – Urano / O Louco – Netuno / O Enforcado – Plutão / O Julgamento.

Casas Astrológicas


Casa I (Ascendente) – O eu, a aparência, como recebo e respondo aos estímulos do mundo exterior.
Casa II – Valores materiais e morais, autoestima, bens, finanças, onde se busca segurança.
Casa III – Redes locais de contatos, comunicação, relação com o meio ambiente próximo; parentes como irmãos e tios, viagens curtas.
Casa IV – Fundação, família, a mãe, o ambiente doméstico, a alma, o passado, a infância.
Casa V – Autoexpessão, ego, criatividade, lazer, prazer, marketing pessoal (o que quer que os outros pensem de si), erotismo.
Casa VI – Trabalho, saúde, como se arruma e vive o cotidiano, qualidade de vida.
Casa VII – Parcerias, sociedade, casamento, relacionamento com outras pessoas.
Casa VIII – A morte, o que deve ser transformado para a evolução, recursos dos outros; magia, ocultismo.
Casa IX – Filosofia de vida, estudo acadêmico, temas superiores, espiritualidade, religiosidade; viagens longas e assuntos com o estrangeiro.
Casa X – Ambições, disciplina, materialidade, como o mundo o vê, o pai; profissão, carreira, missão de vida.
Casa XI – Afinidades sociais, grupos a que pertence ou se relaciona, Mestres, visão do futuro.
Casa XII – Preocupação com o social, altruísmo, a busca pelo transcendente, o desafio do Karma pessoal.

As casas astrológicas correspondem
a posição original dos signos no zodíaco.

Bem, agora pegue seu mapa astrológico natal e arrume na mesa os arcanos seguindo a relação acima, mas dentro da ordem do seu mapa. Por exemplo, se tiver Câncer no ascendente, casa I, você deverá colocar ali a carta de O Carro, assim na casa II sob a regência de Leão, coloque a carta de A Força e siga assim a ordem da roda até percorrer as doze posições e os doze signos zodiacais. Ao completar a mandala preencha as casas com os arcanos correspondentes aos planetas. Se tiver Sol em Escorpião coloque o arcano de O Sol na casa onde se encontra a carta de A Morte. Não tente fazer com isso uma análise astrológica, faça uma interpretação tarológica mesmo! Nesse exemplo a carta de A Morte deverá estar na quinta casa, já que o ascendente está em Câncer. Essa posição corresponde ao lazer, prazer, criatividade, erotismo e autoexpressão. Perceba como isso se dá com a presença do décimo terceiro arcano aí, e a influência do Sol atenua essa regência? Enfatiza ainda mais? De que modo? Se já fez a leitura do seu mapa astrológico esse exercício poderá trazer percepções novas sobre você mesmo, e complementará de modo interessante e significativo o estudo do seu mapa astrológico natal. Seguindo ainda a roda do exemplo dado, a casa VII, que rege relacionamentos, parcerias e casamento estará sob a égide do signo de Capricórnio, que transmutado num arcano do tarot será O Diabo. De um signo rígido e reservado surgirá um arcano que também pode reger a supressão dos instintos naturais, justamente por “demonizá-los”, mas que por sua natureza revela tendências passionais! Como reconhece isso em sua vida? Você vive sua passionalidade ou também aprendeu que ela é um bicho incômodo que deve estar amarrada e enjaulada?
Greer não dá maiores explicações sobre o que fazer com signos interceptados nem com o surgimento de um Stellium. Um signo interceptado é aquele que está contido dentro de uma casa tão ampla que ele não toca seus limites, também chamados de cúspide, nem no começo e nem no fim desta casa. Se um signo estiver interceptado o seu oposto também estará. Assim se possuir Aquário interceptado, Leão também estará! Na mandala do seu mapa vai parecer que um signo foi “pulado”. Como proceder então? Nesse caso recomendo que se considere o arcano correspondente como invertido. Sinalizando uma força que está bloqueada em seu fluxo. Se houver ali planetas e, portanto, arcanos correspondentes, observe se eles estão facilitando o fluxo dessa energia bloqueada ou a estão travando ainda mais?
Um Stellium é uma conjunção múltipla de três ou mais planetas num mesmo signo. Essa conjunção tem uma sucessão próxima com orbe de até 10º. Uma conjunção dessas enfatiza o surgimento de dons, talentos e habilidades relacionados ao signo que ela enaltece. Exalta-o tanto positiva quanto negativamente. Nesse caso, ao fazer a conversão para os arcanos, coloque na ordem do menor para o maior grau dos planetas da conjunção. No exemplo citado vamos supor que o Sol em 11º de Escorpião esteja num Stellium com Lua em 12º, Marte em 17º, e Júpiter em 19º desse mesmo signo. Ao colocar os arcanos correspondentes aos planetas sobre a carta de A Morte, que representa Escorpião, siga a ordem do menor para o maior, que ficaria assim: O Sol, A Sacerdotisa, A Torre, e A Roda da Fortuna. Colocados em sequência os arcanos vão tornar mais clara a interpretação do seu simbolismo na roda zodiacal.
Anote suas percepções, faça essa roda zodiacal muitas vezes. Não force o que à primeira vista parecer não fazer sentido, lembre-se que este também é um exercício de autoconhecimento. Suas percepções vão se ampliando à medida que você for se conhecendo mais. Pesquise mais sobre o significado das casas astrológicas e anote somente o que for relevante para você. Faça muitas vezes esse exercício lembrando-se de intercalar entre um e outro um tempo entre três e seis meses pelo menos.