sexta-feira, 20 de junho de 2014

Chris Evans e os Dois Cavaleiros


Sou um apaixonado por cinema, e mais ainda por tarot, e volta e meia me pego descobrindo arquétipos tarológicos nos personagens cinematográficos. Numa dessas descobertas percebo que o ator americano Chris Evans incorporou com perfeição, a meu ver, dois dos Cavaleiros dos arcanos menores em papéis que interpretou. O primeiro foi, sem sombra de dúvida, o Cavaleiro de paus em O Quarteto Fantástico (2005) como Johnny Storm, o Tocha Humana. O segundo foi o Cavaleiro de ouros em O Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), e Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014), em que Chris interpreta Steve Rogers, o próprio Capitão América.

O Cavaleiro de Paus


Como Cavaleiro de paus o Johnny Storm interpretado por ele, é a personificação do espírito jovial, sedutor, impetuoso, positivo, heroico, mas também imaturo, sem limites e até exibicionista desse cavaleiro. Johnny é um jovem cientista mais preocupado com suas conquistas sexuais do que com qualquer outra coisa. Ao sofrer um acidente, em que ele e mais quatro membros da nave que tripulavam são expostos a raios cósmicos, sua estrutura molecular é totalmente alterada. A partir disso ele passa a ter o poder de por o próprio corpo em chamas produzindo altas temperaturas, inclusive voando quando quer! Johnny passa a chamar a si mesmo de Tocha Humana. 
Quando seus feitos começam a ser úteis ao mundo, e ele passa a ser visto como um herói pelos cidadãos da comunidade, é notificado por sua irmã Susan Storm (a Mulher Invisível) e seu cunhado Reed Richards (o Senhor Fantástico) de que eles terão de se resguardar por um tempo, pois desconhecem as oscilações das alterações sofridas. Haja visto o que aconteceu com Ben Grimm (o Coisa), que não consegue voltar à sua forma humana, mantendo uma constante aparência de estrutura rochosa! Johnny se resigna por pouco tempo, mostra naturalidade e certa frieza diante da condição de Ben que, segundo ele “não liga e desliga como nós”. O seu tempo de reclusão tem como passatempo favorito fazer brincadeiras de crueldade infantil com o Coisa. Passado esse breve período ele quer sair às ruas para combater o inimigo, e fazer o melhor pelo mundo, mas também quer aparecer e ser amado! Ele desconhece a dimensão total de seu poder, mas sua impetuosidade o faz querer testar a si mesmo. Num dado momento ele quase reproduz aqui na Terra o calor de uma Supernova, o que queimaria todo o oxigênio do planeta, matando a humanidade inteira! Só se contém quando Reed o avisa deste perigo.
Só nessa breve narrativa vemos muitas das representações e características do Cavaleiro de paus como ele aparece no Thoth tarot, por exemplo, montado num cavalo negro a pino com sua capa de fogo e uma tocha ardente nas mãos, prestes a enfrentar o mundo! Ou no tarot Mitológico em que ele aparece como o jovem Belerofonte, que fascinado com seus feitos de capturar e montar o cavalo alado Pégasus e matar a Quimera, testa a si mesmo subindo ao Olimpo para tomar seu lugar junto aos deuses. O que acaba por matá-lo! No tarot Zen ele é representado literalmente como uma tocha humana com o título Intensidade.

O Cavaleiro de Ouros


Como Cavaleiro de ouros o Steve Rogers, outro personagem de Chris no cinema, traz em si as qualidades de disciplina, trabalho, esforço, persistência, ética, humildade, tradicionalismo e desejo de ser útil e produzir algo significativo e bem feito! Além de extrema força física e resiliência psicológica. O jovem Rogers é um rapaz franzino que sonha servir às forças armadas de seu país durante a Segunda Guerra Mundial. Tenta por várias vezes se alistar, mas é recusado por sua baixa estatura e porte físico deficiente. Numa visita à Feira Mundial de Nova York, ele tenta se alistar mais uma vez, e mais uma vez é rejeitado. Entretanto, o Drº Abraham Erskine, um cientista alemão que trabalha para o governo americano, o convida para participar de um experimento que tenta criar o supersoldado. Ele aceita, e dessa experiência nasce o futuro Capitão América. 
No princípio é usado apenas como um garoto propaganda para alistar jovens combatentes. Ele anseia combater seu arqui-inimigo Johann Schimidt, o Caveira Vermelha, que passou pelo mesmo experimento de Rogers, só que teve uma reação imperfeita. Quando vê a oportunidade não titubeia e o enfrenta.
O interessante no capitão América é que o tempo todo ele quer ser mais que uma inspiração, ele luta por valores como dignidade, bravura e honra! Ele não quer ser simplesmente adorado, ele quer respeito, mas um respeito do qual se sinta merecedor! Quer ser útil, quer estar no front e não descansa até que efetivamente entre na guerra e cumpra o papel que sente que sempre foi seu! Não se poupa nunca. É um herói que preserva valores medianos de boa convivência, um patriota, mas também um tipo simplório na intimidade, que não tem o mínimo jeito com as mulheres, mesmo quando elas pulam sobre ele! A patente de capitão é uma prova da sua disposição em servir, é um líder que vai à luta com os seus soldados, que pega junto. Não um general ou comandante estrategista que vê tudo de uma mesa de simulação.
No filme seguinte, Capitão América 2: O Soldado Invernal, ele é um homem de 95 anos com a aparência de um rapaz de 20, e a força de um super herói. No fim da trama do primeiro filme ele havia caído com sua aeronave no mar do Ártico onde ficou congelado por quase 70 anos! O tempo todo sua colega da S.H.I.E.L.D, a espiã Viúva Negra, tenta fazê-lo participar dos tempos atuais arranjando-lhe encontros amorosos, ao que ele alega não estar disponível por excesso de trabalho. Como um digno membro dos arcanos do naipe de ouros e, portanto, do elemento terra! No fim da trama ela o indica para uma moça que considera bem legal, mas ele lembra que a referida moça tem muitos piercings, e que ele ainda não está preparado pra isso! Reforçando sua cautela terráquea em abraçar novas experiências, bem como seu apego aos valores mais conservadores.
Mais uma vez essa sinopse me remete às versões do Cavaleiro de ouros em muitos baralhos. No Thoth tarot, aparece como um homem franzino montado bravamente sobre um cavalo grande e de aparência poderosa. Ele olha de modo destemido para o horizonte com a disposição ferrenha de fazer o que deve ser feito. Ou o jovem Aristeu no tarot Mitológico, o único herói grego sem dons especiais, que cresceu e se tornou um grande rei graças à força do seu trabalho e o desejo de corrigir seus erros de caráter! No tarot Zen a imagem é de uma tartaruga que se aproxima de um lago. O movimento lento, mas inexorável, deste animal nos faz supor o tanto de esforço, persistência e empenho ela precisou para atingir seu objetivo. No xamanismo a tartaruga é o animal totem do clã da terra, que evoca as qualidades do trabalho, da disciplina e do progresso!
Chris Evans pode não ser, na visão dos críticos de cinema, um grande ator dramático. E talvez não passe de um belo regalo para os olhos femininos, mas com certeza soube dar, de forma muito convincente, vida a esses dois arcanos do tarot.

Sobre o Quarteto Fantástico 
e outros Arcanos



O filme o Quarteto Fantástico, aliás, possui mais outros membros das cartas da corte do tarot representados em seus personagens. Reed Richards é a clara representação de um Rei de espadas! Inteligente, e mais do que isso, brilhante! Mas incapaz de se expressar afetiva, e intimamente. Com a mudança ele vira um homem elástico, e flexibilidade é justamente o que um Rei de espadas precisa! Susan Storm por sua vez é claramente uma Rainha de copas, frágil e tolerante que se ressente da distância de Reed. Ao sofrer a mudança molecular passa a ficar invisível quando chateada ou brava. Uma típica atitude de anulação de si mesma diante da dificuldade de impor sua vontade, de sumir diante do que não sabe como lidar. Também tem a capacidade de criar um poderoso campo de força à sua volta. E limites são a grande dificuldade na constituição psicológica da Rainha de copas! Por fim, Ben Grimm representa os aspectos mais simplórios de um Cavaleiro de ouros, fiel à sua amizade com Reed e o grupo de cientistas, está sempre disposto a servir, e passa a ser dono de uma força descomunal e grande disposição física depois do acidente. Por outro lado, possui um caráter ranheta e beligerante que mais se parece com o de um Cavaleiro de espadas.

Leia também o artigo Sobre Heróis


sexta-feira, 6 de junho de 2014

Tarot & Magia

Evocando o Pai e a Mãe Cósmicos...


Vivemos num tempo em que magia muitas vezes é vista como uma atividade supersticiosa com pouca ou nenhuma validade prática, o que é um grande equívoco! Os rituais mágicos possuem o mesmo valor que muitos trabalhos vivenciais, envolvendo os muitos aspectos da consciência para um objetivo determinado. O trabalho ritual e mágico é um procedimento que se utiliza da força dos arquétipos para direcionar a intenção a um objetivo determinado, ou para alcançar algo dentro de nós mesmos! Nesse sentido o tarot é um perfeito instrumento mágico a ser explorado. O arquétipo é uma energia transformadora que se manifesta através dos símbolos, e pode tanto expressar uma realidade interior como ajudar a moldá-la. Podemos nos utilizar dos arcanos para evocar qualidades arquetípicas dentro de nós!
Com base nisso hoje quero ensinar dois rituais para a evocação das qualidades arquetípicas das cartas de O Mago e de A Sacerdotisa, respectivamente o Pai e a Mãe cósmica dentro da estrutura simbólica e mística do tarot.

O Ritual de O Mago


O arquétipo deste arcano é o do fazedor de milagres, o grande mago dos elementos, o talento que se torna fato e faz as coisas acontecerem. Nas muitas versões deste arcano ele aprece com uma mão apontada para o alto e a outra dirigida à terra como que se aproveitando de um poderoso influxo energético cósmico para manifestar ou realizar algo. A mão erguida segura uma vara mágica e nessa mão ele possui a representação de dois elementos masculinos, o próprio ar relacionado com o mais elevado, e o fogo cujo símbolo esotérico no tarot é o bastão ou a vara mágica! O ar sustenta a vida, a dinamiza, o fogo direciona sua potência, além de resguardar todas as relações simbólicas com os elementos ar e fogo, como inteligência, comunicação, inspiração, criatividade, ação etc. Ao acessarmos o arquétipo do de O Mago somos capazes de expressar com fluência nossos talentos e habilidades, aguçamos nossas percepção e linguagem de modo que encontramos a palavra ou a expressão certa para comunicar exatamente o que percebemos. E todo o intérprete de símbolos sabe o quanto isso é essencial na hora de interpretar qualquer sistema oracular!

O Procedimento


Como em todo o procedimento mágico vamos utilizar outros elementos simbólicos para evocar a presença dos elementos e sua força arquetípica dentro de nós. Vamos também usar o poder das palavras, escrevendo afirmações que expressem as qualidades superiores de O Mago. Sempre começando com Eu sou, ou Eu tenho. Um exemplo seria: Eu sou um canal permanente de conexão com a inteligência Superior, ou Eu tenho a plena fluência de percepção e comunicação em tudo o que faço! Escreva afirmações desse tipo, ou essas mesmo se preferir, num pedaço de papel. O simples ato de escrever introjeta no inconsciente a coisa escrita. Coloque o papel num pires ou prato branco que servirá de apoio ao ritual, ou seja, um campo de trabalho mágico. Sobre o prato ou pires coloque a carta de O Mago do baralho que preferir. Sempre recomendo que se utilize um baralho específico para leituras, outro para vivências e rituais. Acenda um incenso de aroma amadeirado como sândalo ou olíbano, duas essências com forte tradição espiritual, muito utilizados nos templos para facilitar a concentração e a elevação da consciência! O incenso carrega em si o simbolismo do ar (perfume) e do fogo (a chama), sendo por isso tido pelos povos do antigo Egito e Índia como o instrumento cerimonial perfeito em oferendas aos deuses. Ao acender a chama do incenso reforce as intenções que escreveu no papel. Utilize também pedras para reforçar seu propósito. O quartzo branco é um coringa que serve para qualquer trabalho, mas pode se utilizar do quartzo azul (traz clareza e criatividade) ou a pedra olho-de-tigre (coragem, autoconfiança, sorte, proteção e acuidade mental). Programe as pedras com as afirmações escritas. A autora Uma Silbey recomenda que se inspire lenta e profundamente imaginando que ao fazê-lo se está inalando as afirmações escolhidas, prende-se a respiração por um tempo como se retendo essas afirmações em si, e simultaneamente contrai-se o esfíncter para reter ainda mais a energia. Em seguida libera-se e o ar dos pulmões e descontrai-se o esfíncter, dirigindo o ar e a energia à pedra impregnado-a com as intenções desejadas. Repita o processo três vezes!
Coloque o prato, o incenso, e o cristal próximos de uma janela pela manhã e certifique-se que a luz do sol ou chegará próxima do ritual, ou o banhará completamente, como um símbolo da entrada da luz da consciência. Depois de concluído o ritual queime o papel com as afirmações, elas agora vivem dentro de você. Guarde a carta e leve as pedras consigo. Use-as em sua mesa de trabalho quando for ler o tarot para si ou para outros, ou as coloque debaixo do travesseiro quando for dormir.

O Ritual de A Sacerdotisa


Esse é o arquétipo da feiticeira, da clarividente e clariaudiente. Daquela que se comunica com as outras dimensões e seres dos planos invisíveis. Da que conhece os mistérios da vida e do destino. Em muitas de suas versões ela está sentada numa espécie de trono na entrada dum templo delimitado por dois pilares, e com roupas cerimoniais que cobrem todo seu corpo, indicando não movimento, retiro e introspecção não física, mas psicológica e espiritual. Muitas vezes também ela está de algum modo relacionada com a água, símbolo da fluidez da vida e das profundezas desconhecidas da alma. Os muitos mitos de monstros marinhos são na verdade símbolos do mistério e fascínio que representa este elemento. A água tem dois movimentos, o de fluxo e refluxo e isso sempre foi associado à lua em sua fases. Existe uma íntima ligação entre esse astro da astrologia e este arcano do tarot. Ao acessar o arquétipo de A Sacerdotisa, abrimos a visão e a audição interior para o incognoscível dos planos superiores da consciência e da natureza! Porém, vale lembrar que se o fizermos sem antes acessar o arquétipo de O Mago, careceremos da capacidade de expressar com mais clareza as inúmeras possibilidades de revelação que A Sacerdotisa nos abrirá!

O Procedimento


Assim como no arcano anterior colocaremos a carta de A Sacerdotisa em cima de um pires ou prato branco. Debaixo do prato um papel com as afirmações que expressem o que se deseja alcançar em si das qualidades deste arcano, sempre preservando os verbos Eu sou e Eu tenho. Minhas sugestões são: Eu sou um canal de acesso aos poderes da intuição Superior ou Eu tenho o poder da visão e da audição interior agora despertos em mim. Coloque ao lado do prato um copo de vidro ou cristal, ou se tiver uma taça prateada ou de prata verdadeira, melhor! A prata reflete bem as qualidades lunares que pretendemos atingir! Do outro lado coloque pedras de ametista (purifica energias, amplia o psiquismo, desperta os chakras superiores, eleva a consciência, e favorece o estado meditativo), ou pedra-da-lua (amplia intuição, abre a clarividência, traz paz e conecta com os poderes da lua), ou o quartzo branco, que pode ter as mesmas funções de for programado para isso! Programe as pedras como indicado anteriormente. Escolha uma fase de lua cheia quando esta estiver num dos místicos e muito psíquicos signos de água como Câncer, regente da lua, Peixes ou Escorpião. Lembre-se de verificar se a lua não está fora de curso, ou mal aspectada com o planeta mercúrio, que rege o conhecimento e a comunicação, e nem preciso explicar o motivo, não é? Também deverá ser evitado aspectos desfavoráveis com plutão, regente do submundo da psique! Isso poderia trazer conexões indesejadas que poderiam tornar a conexão densa demais! Deixe os objetos do rito em frente a uma janela em que em determinado momento fiquem expostos à luz do luar! Retire tudo antes de o sol nascer! Faça o mesmo que foi feito com o arcano anterior, queime o papel, guarde a carta, use as pedras e beba toda a água do cálice! Ela foi fluidificada com os poderes da lua e de todo o ritual.

Leia também o artigo As Aplicações do Tarot



segunda-feira, 31 de março de 2014

Certificado Aquariano


Nova Era, uma integração entre povos,
culturas e conhecimentos diversos para um 

mundo e uma humanidade melhor.
Vasculhando minha coleção de antigas revistas PLANETA, me deparo com uma edição do mês de Julho do longínquo ano de 1982, que divulgava um manifesto do Movimento Mundial da Nova Era, que acabara de lançar uma formalidade que a revista dizia não poder deixar de registrar por ver nisso um chamado à consciência de todas as pessoas no mundo! Tratava-se de um Certificado de Militante da Nova Era, cujo teor consistia em quarenta itens que todo aquele que se enquadrasse nessas propostas poderia enviar o formulário preenchido à sede do MMNE.
Essa notícia me chamou a atenção por dois motivos: 1º A sede desse movimento se localizava em minha cidade natal, Porto Alegre, e em 2º a própria tentativa de “certificar” alguém de ser seja lá que for, que por si só já é totalmente fora da proposta aquariana de libertação da expressão humana de instituições políticas, sejam quais forem! Não encontrei nenhum resquício desse movimento na atualidade, mas considero as questões levantadas de fato muito lúcidas e pertinentes a todos nós, como bem o colocou os editores da revista. Transcrevo aqui os itens e os critérios de avaliação do tal certificado, com alguns comentários meus ao lado de certos itens que pensei precisarem de esclarecimento. Espero com isso que possamos todos refletir sobre os caminhos que estamos todos seguindo na busca de um mundo e uma humanidade melhor:

Eu..........................................., abaixo assinado, realizo pelo menos 33 das disposições a seguir:

1º) Não tomar refrigerantes artificiais – Alimentos industrializados e de valor questionável à saúde.

2º) Não comer ou tomar alimentos gelados – O mesmo que o item anterior.

3º) Não consumir açúcar branco, ou reduzir drasticamente seu consumo – De novo a saúde priorizada.

4º) Desestimular o consumo de farinhas “beneficiadas” - Ainda aqui a preocupação com o bem estar físico da humanidade.

5º) Não fumar.

6º) Fugir da pornografia – Ela afasta a afetividade do ato sexual tornando-o meramente físico, e como estamos longe desse ideal!


Casamento wiccano.
7º) Só se permitir o amor verdadeiro e puro – E desse item então...

8º) Não usar sapatos de salto alto – A postura e a saúde física.

9º) Não usar alianças de ouro ou platina – Incentivadores da cobiça por minérios valiosos.

10º) Adotar ou incentivar a medicina naturista (homeopática, etc).

11º) Não ver filmes violentos – Eles criam uma consciência violenta.

12º) Não recorrer ao uso da violência, exceto pra defesa.

13º) Adotar o racionalismo e não a fé cega – Ter uma fé embasada e aberta a questionamentos e, por isso, não dogmática.

14º) Saber que Deus (a perfeição, a Meta) existe.

15º) Não reconhecer fronteiras entre as ciências – Já demos esses primeiros passos recém agora.

16º) Acreditar, ou saber, que os extraterrestres já estão aqui – Ou seja, admitir a vida além da esfera terrestre.

17º) Saber que já estamos no Apocalipse – O que significa que não se trata de uma promessa bíblica, mas uma realidade bem visível em tudo que vivemos, mas que pode e deve ser evitado.

18º) Não caçar, exceto pragas na lavoura – Respeito à vida selvagem e ao bem estar animal.

19º) Não se intrometer na vida indígena.

20º) Não realizar queimadas nos bosques, savanas ou campos.

21º) Estimular a agricultura orgânica.

22º) Não projetar, construir ou trabalhar em fábricas poluidoras.

23º) Não estimular empresas de seguro, confiar no Cósmico e na fraternidade – Muito longe de nós este ideal na atualidade, não é mesmo?

O bem estar animal como uma
trégua entre espécies.
24º) Fugir da propaganda comercial da Velha Era - Que estimula o consumo desenfreado que, por sua vez, consome o planeta.



25º) Desaprovar ou desestimular o consumo de carne em festas – Aqui há tanto a preocupação com a saúde humana quanto com o bem estar animal.

26º) Não fazer investimentos alheios à Nova Era.

27º) Não produzir sons neurotizantes - A poluição sonora das cidades e de alguns gêneros musicais.

28º) Não incentivar a prostituição – Hoje querem até torná-la profissão!

29º) Não se casar (de hoje em diante) através das religiões da Velha Era.

30º) Não se iniciar, no futuro, cursos de inglês, francês etc antes do esperanto – Para unir os povos numa língua não imperialista, também um ideal que já foi vencido.

31º) Não receber mais de 3 ou 4 vezes o salário mínimo (pessoas solteiras) ou de 4 a 6 vezes (pessoas casadas), claro dependendo da cidade ou região do país. Caso receba, use o excedente pra apoiar projetos ligados à Nova Era – A economia e a política atual nos inviabilizaram a concretização desse ideal.

32º) Ser adepto do “poder jovem” - Dar voz e vez aos jovens, o que recém vem acontecendo com o voto aos 16 anos, por exemplo, e a participação do jovem na organização escolar.

33º) Ser adepto do intelectualismo político, todo o candidato a altos cargos públicos deve ser sábio – O que nada tem a ver com cursos superiores e PhDs, mas sim com histórico de vida social e pessoal ricos.

34º) Não fazer especulação imobiliária - Foi justo a falta dessa consciência o estopim da grande crise mundial de 2008.

35º) Não projetar ou construir edifícios residenciais com mais de 3 pavimentos.

A busca por construções que permitam que
o fluxo da natureza corra mais livremente.


36º) Não ser nacionalista, mas um “cidadão do mundo”.

37º) Ao desencarnar destinar seus bens às instituições que estimulem a Nova Era.

38º) Se receber alguma herança destiná-la a qualquer instituição de apoio à Nova Era.

39º) Incentivar a união de todas as entidades que adotem a filosofia da Nova Era – Que, bem pelo contrário, hoje ainda se dividem e não dialogam entre si.

40º) Participar de algum Movimento pela implantação de uma verdadeira civilização neste planeta.

Assinatura .................................................
Data ......./......./..............

Classificação:

Militantes e 1º classe = Adesão total.
Militante de 2ª classe = 1 a 3 itens não satisfeitos.
Militantes de 3ª classe = 4 a 7 itens não satisfeitos.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Tarot e Vidas Passadas


A Sacerdotisa do Voyager tarot,
o inconsciente ignora limites de tempo e espaço.
Desvendar vidas passadas pode ser uma distração nada produtiva! Como qualquer outra coisa ou serviço dentro do mundo holístico e espiritual que for encarado de modo leviano. O olhar outras vidas pode ser uma infrutífera viagem em busca de raízes que conectem o inquiridor às civilizações grandiosas do passado ou a títulos de nobreza, heróis quase míticos, ou vidas lendárias
Ninguém parece interessado em ser povo, nem nesta nem em outras encarnações! Quando isso é levado à sério, entretanto, é possível entender os eventos do presente como sendo uma linha contínua resultante do desenvolvimento da consciência ao longo de muitas vidas. Há pessoas que têm a clara impressão de que os desafios que elas estão vivendo são o resultado de processos kármicos, ou seja, o retorno ou a continuidade de ações de outras encarnações que continuam demandando desafios na presente existência! Essas pessoas costumam me perguntar se é possível fazer isso com o tarot, ou seja, se é possível sondar a influência de outras vidas na vida presente, ao que respondo que sim! Existem algumas leituras que nos permitem avaliar que desafios estão se projetando da memória de outras vidas no conjunto de vivências atuais de uma pessoa!
Tarot, avaliando influências 
ancestrais na psique atual.
Sempre resisti muito a este tipo de abordagem, seja para aplicá-la seja para ensiná-la! E tanto que a única vez em que desejei compartilhar esse conhecimento com outras pessoas, somente uma pessoa, minha aluna Alice Silveira, se interessou em aprendê-la. Hoje ela está em Lisboa e continua praticando o sistema de leitura que eu ensinei. O tempo como conhecemos é o fragmento de um tempo contínuo em que o passado, desta e de outras vidas, mistura-se às infinitas possibilidades do futuro. E tudo isto encontra-se num mesmo lugar para todos nós, o presente. Por isso meu trabalho tem sido investigar a fundo o momento presente, avaliar a influência do passado e a semente do futuro que jazem contidos nele, e apontar os caminhos sinalizados pela consciência Superior rumo ao desenvolvimento evolutivo de quem procura o tarot!
Porém, aprendi que para algumas pessoas a percepção da continuidade do tempo é tão mais intensa que olhar para trás e unir sentidos e significados é uma necessidade. E como tudo está acontecendo no “agora” é perfeitamente possível, por intermédio dos símbolos, alongar o olhar para além das fronteiras de um tempo distante que se faz desconhecido, mas que pode guardar inúmeras respostas.

Obs: Se quiser conhecer a leitura da Pirâmide das Encarnações, marque sua hora! Entre em contato comigo.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Arcanos Maiores - O Mapa da Vida


Percorrer o simbolismo dos 22 arcanos maiores é percorrer os principais eventos que marcam a vida humana em todas as suas manifestações, sejam elas psicológicas, culturais, de credo ou legitimamente espirituais. Podemos definir os arcanos maiores como os principais acontecimentos que levam ao processo de iluminação da consciência, ou individuação, como diria C. G. Jung. As suas vivências movimentam-se em diferentes intensidades ao longo de toda a vida, ou em apenas um dia. Assim, podemos viver todos os 22 arcanos maiores durante um período de 24 horas, ao mesmo tempo em que passaremos a vida desenvolvendo apenas um ou dois desses arcanos em profundidade! Incrível, não?
Como os exemplos dramáticos ilustram melhor que os felizes, vejamos o arcano XIII, A Morte. A morte é fato inevitável, mas que não ocorre repentinamente. Enquanto eu escrevo e você lê isso, estamos ambos morrendo um pouco mais, e mais mortos hoje do que ontem, embora nós dois não saibamos quando isso vai ocorrer de fato! Morremos um pouco quando terminamos um relacionamento em que apostávamos muito, ou quando saímos de um trabalho que vínhamos fazendo com dedicação. A morte, como podemos ver, nos acompanha um pouco a cada dia até que se precipite de modo derradeiro e definitivo sobre nós! O grande arquétipo da morte se dilui em pequenas mortes ao longo de toda uma vida. O mesmo se dá com os outros 21 arcanos numerados da série conhecida como arcanos maiores do tarot. Noutro exemplo, o arcano de Os Amantes (ou O Enamorado em português), o tema das decisões tomadas de acordo com a “voz do coração” pode variar de um entre dois amores, ou entre duas carreiras, dois empregos, duas camisas no armário antes de se sair para trabalhar de manhã! Os arcanos maiores assim se chamam justamente porque sua abrangência simbólica envolve os quatro níveis de consciência, física, mental, sentimental e espiritual. Enquanto os arcanos menores têm seus significados mais restritos a cada um desses níveis representados por seus naipes. Ouros, o mundo físico, Espadas, o mundo mental, Copas os sentimentos e Paus o plano criativo-energético! Por esse motivo arcano maior e arcano menor não significa mais ou menos importante! Significa, isto sim, maior e menor abrangência simbólica.


Visconti-Sforza (1450), o tarot mais antigo a 
ter o baralho completo com 78 arcanos.

Já citei aqui que os arcanos maiores representam numa leitura o que está acontecendo, os arcanos menores a consequência desses acontecimentos em nossa vida imediata e as cartas da corte, que pertencem ao conjunto dos arcanos menores, mostram como nos posicionamos e atuamos diante desses acontecimentos no nível da personalidade. Combinados assim os arcanos maiores e menores são uma perfeita *“máquina de imaginar” como bem o descreveu o tarólogo e escritor espanhol Alberto Cousté! Isso, no entanto, não define o modo como esses dois conjuntos do mesmo baralho devam ser jogados. Há aqueles que como eu gostam de lançá-los misturados numa leitura, outros preferem jogar em separado, combinando arcanos maiores e menores a cada lançamento. Há ainda os que preferem ler apenas os arcanos maiores em todas as sequências de leitura sem nunca acrescentar os menores! Isso depende muito de como funciona o processo psíquico-intuitivo de cada leitor. Não há certo ou errado! Descubra o seu modo! Só não vale sair por aí ensinando só arcanos maiores e dizendo que está “formando tarólogos”, pois seria um engodo! Sem falar que curso nenhum forma um tarólogo, apenas o inicia na linguagem simbólica dos arcanos. A formação só se completa com o tempo, a prática e a dedicação não só em executar leituras, e em estudar o simbolismo das cartas, mas também em tirar o máximo delas para o próprio crescimento. Que se dá através dos ensinamentos de vida que as lâminas do tarot, em toda sua profundidade arquetípica, proporcionam a quem sabe ver seu significado intrínseco!


O clássico tarot de Mareselha (1750), uma 
reprodução de baralhos mais antigos.

Existem uma miríade de versões de baralhos de tarot, muitas delas absolutamente lindas, outras nem tanto! Há ainda aquelas que são uma cópia descarada de baralhos mais conhecidos como o Rider-Waite e o Thoth-Crowley. O problema que há em se estudar baralhos de autores é que cada um deles enfatiza os significados que lhe são mais significativos em sua interpretação deste ou daquele arcano! Basta ver as alterações arbitrárias e sem maiores justificativas feitas por Waite ao trocar as posições dos arcanos maiores VIII A Justiça e XI A Força, ou a alteração que Crowley fez nos arcanos menores transformando os Cavaleiros em Reis e rebaixando os Reis a Príncipes! Outro exemplo que costumo citar, como uma prova clara da interferência dos autores no simbolismo do tarot nas versões do baralho criadas por eles é o do arcano XV, O Diabo, que para Aleister Crowley é uma figura que representa o poder e a paixão plenamente vividos. Enquanto que para Vicki Noble, autora do Motherpeace tarot, é um símbolo do capitalismo e do patriarcado dominante, onde o macho entronado numa pirâmide social instiga a luta entre classes. Crowley era um pagão sexualmente ambíguo e nada contido em seus impulsos. Noble é uma feminista, e ambientalista pagã! Percebem o motivo dos enfoques dados aos seus “Diabos” nos baralhos que compuseram? Ambos captaram bem o significado do arcano que engloba as duas interpretações, mas ao desenharem seus baralhos enalteceram os significados que mais lhe diziam respeito sem dar muito espaço para os outros... Como ver a paixão sexual no Diabo de Noble? Como ver o poder opressor no Diabo de Crowley?










O tarot Motherpeace (à esq.) e o tarot Thoth (à dir.), enfocando e enaltecendo 
certos significados pertinentes ao arcano XV O Diabo.

Isso não significa que devamos evitar os baralhos modernos de autor, mas sim que devemos encará-los com cautela. Os baralhos modernos podem trazer perspectivas interessantes sobre os arcanos ao colocá-los sob a ótica de uma determinada mitologia, cultura ou doutrina espiritual, como nos casos do tarot Mitológico, o Thoth e o Osho Zen, só para citar alguns exemplos bem sucedidos. Em minhas aulas eu prefiro utilizar as cartas do tarot de Marselha, um baralho que imita os antigos conjuntos medievais de tarot. Até onde sabemos o tarot não foi criado com o propósito de ser um oráculo, mas sim um jogo da nobreza europeia que acabou funcionando como um material projetivo da psique humana. A mesma despretensão mística ou oculta o isentou de interferências deste ou daquele autor! Costumo dizer aos meus alunos que ao entendermos bem o simbolismo básico do tarot de Marselha, entenderemos as intenções das intervenções dos autores de tarots modernos em seus baralhos!

As Cores

As cores falam-nos diretamente às emoções, temos sempre uma reação imediata ao visualizar uma cor que gostamos ou que detestamos. E também amamos ou detestamos uma cor sem uma razão aparente! Há pessoas que se sentem subitamente tristes com o azul, outras imediatamente irritadas como vermelho e assim por diante! Sem falar na linguagem simbólica que criamos para representar nossas emoções utilizando as cores: azul de fome, verde de inveja, vermelho de raiva, e a quem sucumbe ao medo dizemos que ele ou ela “amarelou”. Muito embora nem todas essas relações semânticas tenham consistência no significado psicológico das cores, elas simbolizam bem sua íntima relação com as emoções humanas.
No tarot de Marselha as cores que são representadas são as básicas, vermelho, azul, amarelo, verde, branco e preto. O branco aparece como um detalhe significativo no cabelo de A Imperatriz, na barba de O Imperador e O Hierofante, na água que escorre dos jarros do arcano de A Temperança e em alguns dos raios de energia dos arcanos de A Lua e de O Sol. Já o preto, apesar de aparecer mais fortemente nos arcanos maiores de A Morte, XIII e nos contornos da face de A Lua, XVIII, ele só se salienta mesmo no naipe de espadas. E essa cor, como veremos, tanto é dor e desorientação, quanto o vazio da experiência de elevação espiritual! Exatamente como o é o mergulho nos aspectos críticos desses arcanos maiores e no naipe de espadas, uma crise que traz em si a possibilidade de crescimento interior.
Vamos às cores e seus significados simbólicos:

Vermelho

Como o fogo, avança. Ação, movimento, rapidez, paixão, intensidade, destreza, agilidade e disposição física! Energia, vigor, embate, disposição para o confronto. Uma cor associada tanto à guerra quanto ao sexo e à sedução. Pode também sugerir impulsividade, pressa, impaciência e agressividade!

Azul

Como a água, infiltra-se. Calma, tranquilidade, profundidade, espiritualidade, contemplação. A ação interior, como a reflexão e a meditação. O psiquismo mediúnico, premonição, vidência etc. Os dons da alma. Memória, sonho, idealização. Por outro lado simboliza também a passividade, a preguiça, a inércia, a reclusão e ou indiferença emocional.

Verde

A cor da fertilidade, do progresso, da regeneração e da cura, tanto física quanto espiritual. Essa é a cor do encontro da verdade, por mostrar como as coisas, assim como os frutos, são no início. Por isso é também uma cor de revelação e esperança! É a cor associada aos profetas e à grandeza do mar, podendo significar soberba.

Amarelo

Luz, inspiração e intuição superior, criatividade, descontração, brilho, reconhecimento, sucesso, êxito. Por estar associada ao sol muitos reis, como os imperadores chineses, a reservavam somente para si! Sugere riqueza, felicidade, talentos, dons, beleza e posses reconhecíveis a qualquer um! É também a cor da vaidade, da ambição e da ostentação!
















O preto é a cor predominante em arcanos críticos como no caso 
de A Morte (à esq.) e o 3 de espadas (à dir.).


Branco

A paz profunda, consciência amplificada. A cor da pureza, e por isso mesmo muito ligada ao espírito e à Divindade. É uma cor de neutralidade e descanso, bem como da visão total da existência, pois do branco saem todas as outras cores. É a cor dos anciãos e da sabedoria adquirida com o tempo e livre das máculas projetivas do eu inferior.

Preto

Simboliza a ausência de luz, e por isso o desespero, o luto, a falta de perspectiva e orientação, a negatividade, o medo. Por outro lado é a cor do descanso da mente, e no Zen budismo, por exemplo, simboliza o vazio da consciência que nos leva à iluminação espiritual através da libertação da mente dos desejos, de onde nascem todos os sofrimentos!

A Posição das Imagens

Muita coisa tem sido escrita sobre as personagens dos arcanos maiores, bem como dos arcanos da corte, estarem viradas para a esquerda ou para direita e os possíveis significados disso! Uns dizem que se deve considerar sempre a perspectiva do espectador. Por exemplo, o Hierofante está virado para o seu lado esquerdo, mas para quem o olha ele está virado para a direita e este deve ser então o lado a ser considerado na interpretação! No mínimo é confuso! Além do que nunca consegui tirar disso grandes significados simbólicos, o que é claro pode ser pura limitação minha, vamos deixar bem claro! Acho infinitamente mais significativo observar que as duas únicas figuras dos arcanos maiores que encaram o expectador diretamente é a mulher em A Justiça, arcano VIII e o próprio sol no arcano de mesmo nome O Sol, XIX. Os dois simbolizam o domínio da consciência. O primeiro puramente racional, o segundo mais abrangente, envolvendo os muitos aspectos da consciência. 


















Os personagens de A Lua e O Julgamento voltam-se para os céus, 
um busca alento, o outro o encontra.

Também acho interessante que as duas únicas representações de seres que olham para o alto apareçam nos arcanos de A Lua, XVIII onde duas bestas uivam para a lua, e no arcano XX, O Julgamento onde uma família olha para as alturas atendendo à chamada de um anjo! Quer esse olhar seja uma busca pelo mais alto ou um chamamento dele, no primeiro arcano há desorientação e a invocação de sentimentos e instintos atávicos, como o medo. Já no segundo há um esclarecimento profundo, o resgate de uma nova consciência e perspectiva sobre os eventos do passado e do presente e a observação de uma relação entre eles que liberta os velhos condicionamentos da alma. Um é a estagnação, o outro a libertação!
Essas “coincidências” se repetem por todo o simbolismo dos arcanos maiores do tarot de Marselha! E muitas outras observações sobre elas ainda podem ser feitas, mesmo dentre aqueles arcanos que citei aqui!

A Viagem do Louco

Para entendermos bem os arcanos maiores e sua representação como etapas vivenciais da existência, encarar as cartas como estágios de uma viagem pela vida é de imensa ajuda! O esquema que apresento aqui e utilizo em minhas iniciações foi apresentado por Sallie Nichols em seu livro **Jung e o Tarot, de 1980. O esquema é organizado em três setenários que se dispõe de modo muito rico tanto simbólica quanto aritmeticamente. O Louco representa o próprio viajante que se coloca fora do grande esquema de 21 cartas. Ao ser colocado antes da carta de O Mago ele é o ignorante puro de coração, aquele que percebe sua falta de conhecimento e sabedoria e sai em busca delas.


O Louco, o Buscador 
dentro de cada um de nós!

Ao completar, porém, o longo trajeto arquetípico ele se vê mais uma vez fora do grande esquema. Mas agora não mais como um ignorante, mas sim um sábio iluminado que passou por tudo, e que apesar de compreender o esquema dos eventos da vida comum, não mais comunga com eles. A viagem, entretanto, nunca termina! Como o penúltimo arcano da caminhada, O Mundo, anuncia um fim e prenuncia simultaneamente um novo começo, O Louco prossegue mais instruído em seu trajeto. A busca da evolução nunca finda e continua em níveis cada vez mais elevados, pois o autoconhecimento é um caminho contínuo! E mesmo aqueles cuja evolução transcendeu os níveis da humanidade e não mais precisam do recurso reencarnatório, já que sua evolução não continua aqui na Terra, continuam em sucessivas peregrinações evolutivas em outras dimensões! A esses chamamos de muitos nomes, Mestres Ascensos, Iluminados, Avatares, são alguns deles.
Os três níveis das cartas são divididos, como já disse, em setenários que vão de O Mago ao arcano de O Carro. Do arcano de A Justiça ao arcano de A Temperança. E, finalmente, do arcano de O Diabo ao arcano de O Mundo! Muitas visões diferentes sobre esta jornada já foram publicadas e cabe a cada neófito no estudo do tarot conhecer essas muitas versões e escolher a que mais faz sentido para si dentro do seu próprio processo evolutivo pessoal. Para mim o primeiro setenário fala do processo de formação do indivíduo, o segundo das leis ou princípios que regem a vida e o terceiro do caminho da transcendência que poucos trilharão com sucesso, muito embora tenham todos a oportunidade de fazê-lo! Apresento a seguir uma síntese de cada setenário e o significado resumido de cada carta passo a passo. Antes, porém, devo advertir que aqui O Louco será visto como uma criança recém-chegada a este mundo.


A viagem de O Louco se dá pelos três setenários 
evolutivos dos arcanos maiores.


O Caminho do Indivíduo

Ainda no ventre da mãe o infante preserva a conexão com o poder criador do pai cósmico que realiza os milagres tanto naturais quanto sobrenaturais, e que para a maioria será esquecido ao longo da vida, e cujo resgate alude à volta à casa do Pai das escrituras sagradas (O Mago). Da mesma forma o acesso à sabedoria universal através da voz interior da grande mãe cósmica (A Sacerdotisa). Ao nascer a conexão com o mundo espiritual e transcendente é cortada e a mãe terrena o conecta ao corpo e ao mundo dos sentidos e do prazer físico (A Imperatriz). O pai terreno surge para apontar para o mundo concreto das realizações e das limitações, para que não se perca a vida em indolência (O Imperador). Ao crescer um pouco mais o infante vai à escolinha e receberá a partir de então uma série de iniciações que nunca mais findarão, se ele for de fato um buscador espiritual. Da alfabetização ao doutorado, das iniciações acadêmicas às iniciações espirituais, ele será iniciado nos mistérios que conduzem à realização maior, e que prosseguem a níveis cada vez mais refinados e sutis (O Hierofante). Com os colegas na escolinha, na universidade ou nas escolas de mistério, assim como na vida, o jovem aprenderá a ouvir outras visões e versões sobre a verdade, diferentes daquelas que ouviu de seus professores e Mestres e escolherá se ele se adaptará a alguma ou se seguirá a tradição (Os Amantes)! No fim, o jovem adulto se sente confiante para enfrentar o mundo. Aposta em suas formações, visão e escolhas e sai como um guerreiro pronto para a batalha do crescimento pessoal na jornada da vida (O Carro).

O Caminho das Leis

Logo O Louco, agora travestido de O Carro, aprenderá pela observação, estudo ou experiência que a vida é regida por leis ou princípios. Que vão do código penal à constituição, das leis naturais, como a lei da gravidade, às leis espirituais, como a lei do Karma (A Justiça). Aprenderá que a solidão é a regra desta existência e que ele estará sempre só em sua dor ou êxtase nas experiências mais profundas e significativas de sua vida. E que quer ele faça o bem ou o mal, ele será o maior responsável por suas ações e pagará por elas (O Eremita)! Verá também que a mudança é a lei da vida, que tudo muda sempre, mas que também tudo é cíclico! Tudo muda, mas se repete porque nada é exatamente igual, como um verão não é igual ao outro. Aprenderá também que ciclos similares que se reptem com insistência evocam a evolução da consciência (A Roda da Fortuna). Descobrirá que o poder para mudar nosso próprio destino jaz dentro de cada um de nós, mas requer força de vontade, empenho, coragem e muita energia (A Força). Porém, para que nosso ego não enlouqueça de vaidade, aprenderemos que na vida há o imponderável que nos torna impotentes! Que por mais fortes e saudáveis que sejamos, envelheceremos e morreremos. Que por mais que amemos alguém, não podemos livrá-lo da dor e do sofrimento. A entrega nesse momento é um convite para a contemplação do transcendente (O Enforcado). Outra lei irrefutável é que tudo morre, mas que a morte não é um fim, e sim uma transcendência, que como diz o nome, é um ir além das experiências e formas conhecidas até então (A Morte). E que a morte é uma das maiores conspiradoras para a abertura e a busca por objetivos de maior amplitude e significado filosófico ou espiritual (A Temperança).

O Caminho da Transcendência

Na entrada do caminho da transcendência encontramos aquele que faz de tudo para nos fazer crer que além deste mundo que vemos a vida não tem nenhum sentido! Que não há transcendência espiritual! Ele nos propõe transcendências físicas, e algumas bem biológicas tais como poder material, sexo e drogas que nos prendem ainda mais a este mundo (O Diabo). Somente uma libertação consciente das amarras do ego ilusório, que poderá ser voluntária ou resultante de uma crise de grandes proporções, nos faz despertar deste sono, ou maya como dizem os indianos (A Torre). A ruptura nos faz ver para além de nós mesmos, e pela primeira vez vislumbramos nossa comunidade humana como uma família, e esse universo como nossa casa (A Estrela). Mas logo após essa revelação o ego insufla o medo da própria destruição e pensamentos de pânico como “Vou me perder”, “Estou ficando louco”, ou “Ah, é só minha imaginação!” podem nos fazer voltar atrás e abandonar o caminho da evolução (A Lua). Ao resistirmos e atravessarmos os mares dos nossos fantasmas a consciência antes adquirida se consolida, e um imenso esclarecimento sobre nosso propósito interior advém e se reforça, trazendo clareza, êxito, força interior e foco (O Sol). Então, ao revermos nossa viagem pela vida, todos os fatos que aparentemente não possuíam conexão entre si entrelaçam-se e o sentido último de nossa existência se revela (O Julgamento). A dança cósmica se completa em nós, e um profundo sentimento de satisfação e comunhão com todas as coisas deste mundo e do universo se realiza dentro de nós com perfeição e regozijo. Saímos então da roda das encarnações (O Mundo).

Curiosidades Aritméticas

Neste arranjo das cartas dos arcanos maiores algumas reflexões podem ser feitas com os números nesta disposição. Por exemplo: Se somarmos verticalmente a primeira carta da primeira fileira (O Mago I) com a primeira carta da terceira fileira (O Diabo XV), obteremos o número 16. Observamos então que a carta que fica entre os dois arcanos é o primeiro arcano da segunda fileira (A Justiça VIII). Curioso, não? Parece haver uma sugestão simbólica aqui, algo mais ou menos assim: O grande poder da divindade interior (O Mago I) pode ser corrompido ao ponto de perverter-se completamente (O Diabo XV)! Por isso é preciso manter a crítica, a autocrítica, o bom senso e o discernimento consciente para equilibrar “os pratos da balança” (A Justiça VIII). O mesmo ocorre entre a Sacerdotisa II e a Torre XVI, cuja soma 18, encontra seu equilíbrio no arcano central O Eremita IX, e assim segue entre todas as somas verticais! 



Outra curiosidade é que as somas transversais, tanto da esquerda para a direita quanto da direita para a esquerda, dão sempre no mesmo arcano. Veja isso: a soma do arcano de O Mago I, com o arcano de O Mundo XXI é igual a 22 cuja metade é 11, o arcano de A Força XI. Outra mensagem parece estar se insinuando aqui: entre descobrir o poder da divindade interior e atingir a transcendência é preciso muito empenho, coragem e disposição para debruçar-se sobre si mesmo ao confrontar a fera interior! O arcano de A Força é a metade resultante de todas as somas transversais entre os números dos outros arcanos maiores. Para conferir continue somando A Sacerdotisa II com o Julgamento XX, A Imperatriz III com O Sol XIX, O Imperador IV com A Lua XVIII... E até nas cartas da mesma fileira a que o décimo primeiro arcano pertence, como A Justiça VIII com A Temperança XIV, e até dos dois vizinhos mais próximos A Roda da Fortuna X com O Enforcado XII. Parece que a reflexão central desse simbolismo aritmético é que a confrontação com a sombra dos instintos inferiores, a besta interna, e sua integração impulsiona o despertar da luz espiritual, dos dons e talentos latentes e a evolução do indivíduo. Que se dá dentro do modo indicado pelo significado das cartas que compõem a fórmula! Estas “coincidências” provam mais uma vez que a troca feita por Waite colocando a carta de A Justiça no lugar de A Força no ponto central do quadro dos 22 arcanos maiores, não se sustenta simbolicamente. Medite sobre essas relações, tire suas conclusões e reveja-as periodicamente. Você crescerá muito em suas percepções sobre a vida e em seu próprio desenvolvimento pessoal e espiritual.

Analogias e Análises

Para finalizar quero explicar o modo como explanei o simbolismo de cada um dos arcanos maiores na análise individual.

Título Esotérico – Uma livre interpretação minha dos títulos dos arcanos como eles foram concebidos na antiga Golden Dawn, eles fornecem, a meu ver, uma pista bem significativa sobre o significado intrínseco e mais elevado das cartas.




Analogia Astrológica – A relação entre arcanos e a astrologia já foi debatida e bem criticada! Eu, porém, considero essa relação muito enriquecedora desde que fique bem claro que não deverá haver nunca uma comunhão de 100% entre os significados de um e de outro, já que são sistemas esotéricos autônomos, mas que uma relação entre eles esclarece bem a ambos os estudos. De fato um não derivou do outro, como sustentam alguns, mas por vezes repetidas eles se traduzem mutuamente de modo mágico!

Analogia Numerológica – Sou fascinado pelo conteúdo esotérico dos números e acho que eles traduzem muito bem as imagens dos arcanos. Os que se prendem a uma avaliação superficial do simbolismo numérico dirão não haver, por exemplo, uma relação provável entre o número 5 e o arcano de Hierofante. Os que defendem esta tese dizem que o 5 é o número da mudança e dos instintos sexuais enquanto o Hierofante é o arcano da tradição e da busca filosófica-espiritual da realização interior. Essa visão parcial do significado do 5, bem como de outros atributos numerológicos, tem contribuído para tornar a numerologia a mais vulgarizada e diminuída das ciências ocultas. Na verdade o cinco fala das mudanças que a alma realiza para ascender ao seu propósito existencial, e instiga a experimentação da vida através dos instintos até que a consciência sutil desperte e faça a comunhão desses instintos com a alma... E não é essa a função do grande iniciador, o Hierofante?

O Arcano – É uma descrição de todos os elementos visuais que aprecem em cada arcano para a localização do iniciante.

Significado – É uma análise da cada símbolo que surge no arcano dentro de uma perspectiva não só esotérica e ou cristã, mas também psicológica de cada figura.

Divinação – Trata-se de uma lista de prováveis significados práticos para uma leitura das cartas numa sequência de jogo, seja esta uma sequência de leitura geral como no caso da Cruz Celta ou da Mandala Astrológica, quer seja em sequências para responder perguntas objetivas como o método Péladan, por exemplo. Aprecio demais o termo “divinar”, pois resgata o sentido sagrado de ler as cartas para alguém, juntando sentidos e dando um novo significado, mais profundo e relevante, para suas vivências cotidianas.

Personagem do Cinema – A dramatização pictórica dos sentimentos humanos e suas reverberações pela vida que o cinema proporciona, expressa os arquétipos da inconsciente coletivo que por sua vez estão também, e de modo ainda mais claro e significativo, nos arcanos do tarot! Certos personagens cinematográficos expressam muito bem as qualidades arcanológicas, tanto inferiores quanto superiores, possibilitando assim que a compreensão do simbolismo do tarot penetre de modo criativo e lúdico!

Espero que apreciem, aproveitem e absorvam bem!

Namastê!

* Tarot, ou A Máquina de Imaginar. Editora Ground. São Paulo, 1989.
**Jung e o Tarot. Editora Cultrix. São Paulo, 1987