terça-feira, 28 de junho de 2011

Os 4 Arquétipos do Curador


O arquétipo é uma energia psíquica que se expressa através dos símbolos, como ocorre no tarot e na astrologia, por exemplo, ou de histórias alegóricas como ocorre nos mitos. Considero os quatro mitos a seguir os que melhor expressam as funções de um curador em qualquer nível do conhecimento humano em que ele atue. Viaje comigo!
Quiron
O sábio centauro Quíron tem *origem controversa, uns dizem que ele seria filho de Cronos quando esse se transformara num cavalo para se esconder de sua esposa Reia. Outros ainda dizem que ele era filho de Zeus com a ninfa Maia. O certo é que Quíron era um dos mais célebres sábios, videntes e curadores de toda a Grécia. A ele foi confiado a educação de todos os jovens das nobres famílias gregas, bem como muitos dos filhos bastardos de Zeus. Certa vez foi ferido acidentalmente por uma das flechas do seu amigo e pupilo Hércules, quando esse havia acabado de matar a hidra de Lerna, um animal de tamanha peçonha que seu sangue era venenoso e incurável! Como o sábio centauro era imortal o que ocorreu foi uma ferida terrivelmente dolorosa. Não suportando mais tamanha dor pediu a Zeus que o matasse e assim acabasse com seu sofrimento. O deus supremo então se apieda do destino do nobre sábio e ao invés de matá-lo, transmuta seu corpo na constelação do Centauro, que corresponde ao nono signo astrológico, Sagitário, livrando-o assim do sofrimento e concedendo-lhe a imortalidade junto às estrelas.

O Arquétipo – Quíron representa o sofrimento que todo o curador tem em sua alma e que o faz buscar uma explicação para a vida. O próprio sofrimento é o grande motivador da busca por cura e pela maioria das escolhas por se tornar um terapeuta ou um curador, seja lá em área de atuação for! Quíron também nos lembra que somos humanos e que não temos de ser perfeitos para nos tornarmos um curador, mas que não devemos nunca nos esquecer de também crescer com o que ensinamos ou orientamos ao próximo, pois que muitas vezes nossas intuições servem tanto para o outro quanto para nós mesmos. Tornar-se um terapeuta é um outro modo de estar em constante auto terapia.

* Um mito conta que os centauros eram todos descendentes de Ixion, o mais perverso dos criminosos, com uma nuvem que Zeus moldou com a forma da deusa Hera, por quem Ixion estava tremendamente atraído. Quíron, porém, seria filho desta mesma nuvem com o deus da guerra, Ares.

Perséfone
Perséfone, come a romã e
comunga com o mundo das trevas.
Filha única da deusa da natureza Deméter, seu mito é um dos mais importantes para a religião da antiga Grécia. Foi sequestrada por Hades enquanto passeava pelos campos colhendo violetas e narcisos com as filhas do rei Oceano. Ele a carrega para o Tártaro, o mundo dos mortos, e lá lhe oferece uma romã. Como a moça estava faminta, aceita a oferta e apaixona-se pelo deus do submundo. Quando subia à superfície Hades usava um elmo que lhe ocultava a face, os mitos, entretanto, relatam que ele era um homem de grande beleza, forte e viril. 
A deusa Deméter sai pelo mundo desesperada procurando por sua filha, mas tudo em vão. Até que um dia encontra um menino chamado Triptólemos, e esse lhe revela que vira uma linda jovem sendo arrastada por um homem incógnito que a arrasta para dentro da terra. Na hora ela soube que se tratava de sua filha e do deus dos mortos. Agradece ao rapaz ensinando a ele a agricultura e confiando ao menino um segredo que, segundo os mitos, era a essência da vida. Segredo esse que deu início ao Mistério de Elêusis e que é o mais bem guardado da história da humanidade! Começa uma grande negociação para resolver a questão do sequestro da linda deusa. Hades não queria abrir mão dela, e Deméter muito menos. Hermes, deus dos comerciantes, foi chamado para resolver a situação e descobriu que ela comeu no submundo ¼ de uma romã podendo então ficar apenas ¼ do ano com o marido. Diz-se que esse ¼ do ano corresponde ao inverno, quando ela deixa mais uma vez a sua mãe. No verão elas estão juntas e o outono e a primavera seriam a preparação da sua partida e ou da sua chegada.


O Arquétipo – O rapto de Perséfone é uma alusão ao encontro da própria sombra interior. Encarar nossos medos, angústias e rancores mais recônditos pode ser doloroso sim, mas profundamente libertador. Traz a oportunidade de conhecer a si mesmo em sua totalidade e o que poderia ser terrível acaba trabalhando para criar um ser verdadeiramente integro e por isso mesmo belo e forte interiormente, tanto quanto a face revelada do deus Hades. Não se pode chafurdar na sombra dos outros sem encarar as suas próprias. Um curador também deve mergulhar em si na humilde posição daquele que é tratado, só assim será um eficiente comunicador entre os mundos como a bela Perséfone, que ligava o mundo terreno de sua mãe Deméter ao mundo espiritual do seu marido Hades.


Perseu
Perseu matando a Medusa.
Filho de Dânae com Zeus, Perseu foi colocado ainda pequeno num baú junto com a sua mãe e lançado ao mar porque seu avô Acrísio, rei de Argos, havia sido alertado por um oráculo que o filho de sua filha seria o instrumento de sua morte. Mais uma vez Zeus intervém por um de seus filhos bastardos e fez com que a caixa de madeira fosse levada suavemente até as costas do reino de Polidectes. Um pescador acha os dois e os leva a presença do seu rei que os acolhe e cuida. Perseu cresce um jovem forte e de feitos notáveis o que faz com que seu benfeitor lhe peça que o ajude a matar a tenebrosa górgona Medusa, uma antiga sacerdotisa de Athena. Ajudado pela própria deusa Athena que lhe dá um escudo e uma espada, e por Hermes que lhe dá uma sandália com asas, o rapaz parte para sua missão. Ele consegue matar o monstro sem lhe encarar nos olhos, pois a besta possuía o poder de petrificar quem quer que a encarasse. Usando o escudo para refletir sua imagem ele corta-lhe a cabeça enquanto ela dormia. 
No retorno de sua viagem vitoriosa ele vê a linda princesa etíope Andrômeda amarrada a um rochedo porque sua vaidosa mãe Cassiopeia ofendera as ninfas do mar ao comparar sua própria beleza com a beleza das deidades aquáticas. Um oráculo revela que o único jeito de apaziguar a fúria das ninfas, que mandaram um monstro marinho para destruir o reino do rei Cefeu, pai de Andrômeda e marido de Cassiopeia, era o sacrifício da filha do casal à fera. Perseu logo se apaixona pela linda donzela e enfrenta o monstro combinando que se vencesse teria como prêmio a mão da jovem em casamento, e assim foi. Lutou, venceu e casou-se com a bela Andrômeda da Etiópia.


O Arquétipo – Perseu representa o profundo desejo que todo o curador tem de tornar esse mundo um lugar melhor. Socorrer o sofrimento alheio é tão importante quanto entendê-lo em sua origem e motivação. Possuímos todos “um salvador do mundo” disposto a ajudar de todas as maneiras possíveis aqueles que nos procuram. De certa forma entendemos que ajudando uma pessoa a viver melhor ajudamos ao mundo todo. Ao salvar Andrômeda Perseu salva um reino inteiro! Não é raro encontrarmos curadores que ainda dividem o tempo entre seus atendimentos e trabalhos voluntários em prol dos que não tem acesso aos seus serviços. O perigo desse arquétipo está justamente no excesso de suas qualidades! Tornar-se um curador obcecado por suas funções, esquecendo-se dos limites e necessidades do outro bem como de seus próprios limites e necessidades, também é uma perversão.


Orfeu
Orfeu encanta Cérbero,
guardião do submundo.
Filho do deus-sol Apolo e da musa Calíope, a bela da voz, Orfeu recebe do pai uma lira da qual extraia um som tão belo que nada resistia ao seu encanto. Foi apaixonado por Eurídice que em seguida do seu casamento com Orfeu foi assediada implacavelmente pelo jovem Aristeu que estava enlouquecido de desejo por ela. Na fuga pisou numa víbora e morreu devido ao veneno de sua mordida. Depois de apelar aos deuses e aos homens Orfeu decide descer ao mundo dos mortos para resgatar sua linda esposa. Ficou muitos dias a beira do rio Estige tentando convencer ao barqueiro Caronte a levá-lo a presença do deus Hades. Quando finalmente chegou a presença do rei-deus do submundo, depois de fazer adormecer o cão de três cabeças Cérbero que guardava os portões da entrada, Orfeu mostra a ele a linda canção que compôs sobre a perda de sua amada. Comovido Hades permite que ele a leve de volta mas adverte que não deve olhar para ela até chegar ao mundo dos vivos. Tomado por saudade, ansiedade e certa desconfiança das intenções do deus obscuro ele se vira e a vê pela última vez. Sua amada Eurídice desaparece para sempre! Algumas versões dizem que ela se transforma numa estátua de sal perpetuamente postada às portas do Tártaro. 
Orfeu volta, desolado e inconsolável. Os dias que passa à beira do rio Estige conferiram-lhe novos dons e poderes. Ele passa a ser um extraordinário profeta, clarividente, e curador sendo amplamente procurado como conselheiro e médico. Dedica-se às suas novas funções recusando todas as mulheres que flertavam com ele. Certa vez, tomadas por um êxtase dos ritos dionisíacos, elas o atacam e o esquartejam lançando seus pedaços ao rio que levava seu nome (O rio Orfeu). Conta a lenda que sua cabeça ainda cantava enquanto descia levado pela correnteza, e que era uma canção tão doce que as mulheres despertaram de seu transe e choraram de arrependimento.

O Arquétipo – Orfeu fala da necessidade de distanciamento emocional que todo o curador precisa para não perder a objetividade e o foco do tratamento que está sendo realizado. O cliente não deve ser confundido com um novo amigo ou parceiro de vida por mais que suas histórias se pareçam com as do seu terapeuta. O cuidado prestado a ele é profissional e se encerra quando termina o tratamento. Por outro lado, a postura do terapeuta nunca deve ser distante ao ponto de não permitir que seu lado humano se mostre! Essa abordagem cria uma falsa impressão de superioridade inflando perigosamente o ego daquele que está tratando e diminuindo a auto estima daquele que se trata. Não se deve subestimar as intuições e impressões do cliente, afinal ele conhece seus dramas à partir de dentro, ele conhece a sua verdade. O terapeuta é apenas um facilitador para que ele junte todas as peças do seu entendimento interior.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O Tarot e as Terapias Complementares


Como um instrumento de revelação de processos interiores, o tarot também se mostrou um eficaz sistema de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal em processos de aplicação terapêutica. Os arcanos revelam emoções, sentimentos, pensamentos e reações a uma situação vivida que podem denunciar condicionamentos da infância ou mesmo de outras vidas! Os símbolos do tarot podem revelar e orientar sobre quais posturas diante destas vivências se mostram mais adequadas, maduras ou equilibradas. Além de orientar o tarot também traz novas perspectivas que ampliam o campo de visão interior, levando à introspecção e à reflexão, abrindo espaço para a possibilidade de transformação pessoal.
Reiki, a terapia de transmissão 
da energia Ki.
Costumo dizer que o tarot é muito bom em “tirar esqueletos do armário”, mas o que fazer com eles depois? Claro que o tarólogo não tem necessariamente de se comprometer com isso, mas deve pelo menos orientar e ou indicar possíveis caminhos de tratamento terapêutico para as questões levantadas numa consulta. Outros preferem escolher alguns tratamentos complementares (Antes chamados de alternativos) para oferecer auxílio para quem procura seus serviços. O termo complementar ao invés de alternativo se acomoda melhor numa perspectiva holística de saúde, pois não exclui nenhum tipo de tratamento já que todos visam a integridade de diferentes aspectos do ser.
Algumas dessas terapias combinam bem com a dinâmica do tarot, como por exemplo, a terapia floral. Muitas vezes um tarólogo tem um único encontro com seu cliente, e passar um receituário de florais é a forma mais rápida de se indicar um caminho para tratar os temas levantados numa leitura dos arcanos. Isso sem falar que abre campo para que a atuação das essências faça com que aquela pessoa sinta os efeitos e assuma um processo de cura interior, não necessariamente com quem os indicou. O mesmo se pode dizer da homeopatia e da fitoterapia.
Florais de Bach.
Certas terapias com propostas mais prolongadas podem ser bem interessantes à prática tarológica. A terapia reiki ou mesmo a terapia corporal indicam um comprometimento maior do cliente em fazer algo com as informações que recebeu numa leitura.
Através da consciência corporal proposta nos tratamentos de massagem ou na mudança dos padrões energéticos, que também moldam as estruturas mentais, como ocorre nas sessões de reiki, é possível alterar antigos padrões de comportamento e pensamento. Consultas de tarot regulares e intercaladas entre as sessões de terapia podem mostrar muito bem os efeitos do tratamento ao longo do processo e a evolução do cliente.
Se o tarólogo se utiliza de uma abordagem mais kármica do simbolismo dos arcanos, a terapia de vidas passadas (TVP) é um excelente complemento a aplicação terapêutica do tarot.
Não existem limites claros sobre quais terapias podem ser empregadas como recurso às leituras de tarot. Pode ser cristaloterapia, aromaterapia, yoga e assim por diante. Também nem tudo o que um tarólogo-terapeuta tem a oferecer é necessariamente o que seu cliente precisa.
Pedras quentes, uma eficiente forma
de terapia corporal.
Por esse motivo é fundamental que a postura ética seja preservada e que o bem estar do cliente seja sempre a prioridade. Tenho tido um cuidado especial em sempre me questionar se o que eu tenho a oferecer é o suficiente para tratar determinadas questões. Como deixar de se encaminhar ao psiquiatra uma pessoa que está em avançado estágio depressivo (Que pode, inclusive, levar ao suicídio)? Ou pedir paciência para quem sofre de terríveis dores musculares, causadas por estresse intenso, ao invés de indicar um terapeuta corporal?
Não devemos esquecer nunca de que um terapeuta é um servidor e um cuidador antes de qualquer coisa. Como tal é responsável, pelo tempo que durar sua consulta, pelo bem estar e conforto de quem recorre aos seus serviços em busca de orientação.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Tarot Terapêutico

O que é?

Os oráculos têm sofrido uma transformação profunda tanto na redefinição da sua aplicação quanto na maneira com que vêm sendo encarados ao longo dos tempos. Uma abordagem cada vez mais profunda dos símbolos tarológicos e astrológicos, por exemplo, tem ganhado espaço na literatura sobre o tema de modo cada vez mais expressivo. Tanto o tarot quanto a astrologia hoje são vistos como meios de aplicação terapêutica. Suas imagens podem fazer muito mais do que revelar tendências futuras ou situações passadas. Os arcanos do tarot, especificamente, podem revelar com detalhes situações práticas de um dado momento, bem como todo o conjunto emocional envolvido na situação O momento apresentado pelos arcanos se refere a um período de anos, meses, semanas ou dias (Conforme cada caso), que se encontram no presente!
Com o passar do tempo foi possível observar que o que se projetava através dos arcanos era, muitas vezes, condicionamentos antigos, muitos vindos da infância, que revelavam bloqueios, traumas e padrões de comportamento subjacentes à programação condicionada da psique. Dentro de uma situação prática, e que geralmente era o que motivava a consulta, espelhava-se níveis mais profundos do subconsciente. Possibilitando assim não só um reconhecimento, mas também uma transformação da consciência e de toda a vida de quem estivesse se consultando se esse desejasse, é claro, fazer uso dessas informações!
Enquanto a astrologia trabalha a psique estanque, com suas principais características pessoais que se reproduzirão por toda a vida, o tarot mostra a dinâmica do inconsciente no dia a dia. A astrologia pode mostrar as tendências de uma personalidade, mas não pode revelar a intensidade dessas tendências, nem se estão sendo vividas ou não. Os arcanos em sua simbologia profunda e detalhada revelam todas as emoções, sentimentos e pensamentos implicados numa ação ou conjunto de vivências. Em termos psicológicos é o momento em que os complexos interiores estão ativados e atuantes, e onde é possível pegar a si mesmo no “flagra”, por assim dizer! Fazendo desse momento muito produtivo e revelador!
Tarot: um instrumento de investigação,
tanto quanto de revelação, do incognoscível.

Os avanços dos termos psicológicos criaram uma facilidade maior em se explicar os processos internos a um leigo. Os estudos de Jung sobre astrologia e tarot facilitaram ainda mais para se verificar a similaridade entre a linguagem oracular e psicológica. As linguagens da alma são sempre as mesmas, os caminhos é que mudam, bem como sua finalidade. Vale lembrar, porém, que tarot e psicologia não são a mesma coisa! Psicólogos aprendem um conjunto de definições e terminologias que limitam seu entendimento da vida. Eles mesmos se definem junguianos, freudianos, lacanianos e assim por diante... Ou seja, limitam sua introvisão a um pesquisador ou pensador específico. 
O tarot visto sob uma perspectiva terapêutica teve seu maior marco com a publicação em 1980 do livro Jung e o Tarot: Uma Jornada Arquetípica de Sallie Nichols. De lá para cá a tarologia ficou muito associada à linguagem junguiana, o que foi interessante para tirar o tarot da obscuridade, mas que de modo algum resume o que ele é! O tarot terapêutico é uma matéria recente, com pouco mais de trinta anos e ainda em desenvolvimento, e a tendência é de que esse ranço psicoterápico junguiano diminua e se amplie para outras abordagens interiores e mais espirituais.

O mapa astrológico natal, um guia da
proposta da alma para toda a vida.
Os tarólogos que fazem o mesmo (Que se resumem a certas correntes da psicologia) estão copiando um modelo que já mostrou não levar a nada! O mundo não ficou melhor por causa disso, é um modelo falido! Um tarologista deve ter em sua mente e no seu coração a visão de muitas formas de expressão da psique humana, o que pode sim envolver a psicologia, tanto quanto o xamanismo, a reencarnação, as filosofias orientais e tudo o que possa ampliar a visão de quem se consulta sobre sua própria vida. A grande beleza do tarot está justamente em recontar a biografia de quem procura suas lâminas com uma perspectiva completamente nova, abrangente e integradora que possibilita a união dos vários aspectos da alma na formação de um ser inteiro e curado!
Aproximar uma consulta tarológica de uma sessão de psicologia, com o intuito de lhe dar um caráter mais “sério” é uma ação pejorativa com relação à própria tarologia, pois a coloca numa posição inferior. A linguagem do tarot é superior ao que conhecemos como a moderna psicologia, transcende os temas abordados numa psicoterapia por encarar assuntos como o Karma, a reencarnação e a influência de outros planos de consciência e energia no momento presente! Sem falar que o tarot preserva sempre seu caráter oracular, permitindo sondagens sobre o futuro e esclarecimentos sobre o passado para muito além das aplicações da psicoterapia.

Como funciona?

Cada tarólogo se utiliza de um método de leitura e abordagem das cartas que o permitem acessar a linguagem dos símbolos bem como a biografia de quem procura as orientações do tarot. Eu particularmente costumo abrir a Cruz Celta, numa adaptação criada por mim dos significados das casas, com o intuito de obter as informações que considero mais importantes para a orientação prática e interior de quem se consulta. A disposição e o significado são a seguinte:

1) É a posição do Mundo interior no momento, e representa os temas mais importantes no momento, e os sentimentos e pensamentos que despertam.
2) As ações, essa posição mostra que atitudes estão sendo tomadas a partir do momento presente no mundo interior, e que podem estar em acordo ou desacordo com ele (No caso de contradizer, trata-se da velha ambiguidade humana).
3) Os apelos da alma. Nessa posição inicia-se um círculo em torno da cruz principal formada pela posição 1 e 2 que mostrarão a totalidade do ser nos quatro planos; O plano espiritual na posição 3, o plano psicológico na posição 4, o material na posição 5 e o plano social na posição 6. A posição 3 fala das percepções intuitivas do indivíduo que podem ter sido ignoradas, ou não, até aqui.
4) Desafios, eles representam os problemas que se mostram no momento e que podem ter origem psicológica em condicionamentos e bloqueios infantis ou mesmo forjados em outras vidas.
5) O mundo consciente e a vida material. É a relação com o mundo material, trabalho, dinheiro, finanças e segurança. É a imagem que o eu “vende” ao mundo.
6)Vida social e objetivos futuros. Mostra as relações como um todo, amigos, família e o modo como o eu vive as relações genericamente. Isso define também onde se encontra, ou não, os aliados para os planos futuros e revela quais são esses planos!

A Cruz Celta, um antigo método de leitura
que funciona como um diagrama da história
pessoal de quem retira as cartas.

7) A personalidade, que face do ser está emergindo, vindo à tona para o trabalho desse momento? Essa posição revela isso.
8) Relacionamentos íntimos e a expressão do afeto. Mostra as relações amorosas, se é que existem, e como se vive a afetividade e a sexualidade.
9) O aprendizado, a carta nessa posição mostra o que há para ser apreendido no conjunto de vivências do momento, revela algo com que podemos crescer se o acolhermos integralmente.
10)A síntese, essa última posição nos dá uma visão mais clara do que se trata afinal o todo expresso nas cartas. Podendo mostrar a finalidade última dos acontecimentos.

Depois dessa leitura, costumo indicar florais que ajudarão no processo de desdobramento das atitudes condicionadas, primeiramente por intermédio da autoconsciência, e depois da mudança das atitudes. Explicado assim parece muito fácil, mas na verdade é um processo que requer um alto nível de comprometimento, dedicação, e empenho interno. Sessões regulares para o acompanhamento das essências florais e aplicação de outras técnicas de suporte como o reiki, a meditação e técnicas respiratórias são recomendados.
Leituras regulares de tarot auxiliam a verificar o quanto se caminhou no conjunto de temas revelados na primeira sessão. O tarot opera assim como um revelador e um regulador do processo interior de crescimento.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Velas - Parceiras na Introspecção Humana



Sempre tive, como muitas outras pessoas, uma atração irresistível pelo fogo e por seu representante mais próximo: as velas. Todos nós acendemos velas em determinado momento da vida. Seja por ocasião do aniversário de alguém, ou para um jantar romântico, um banho relaxante, ou sensual se for a dois... As velas estão sempre lá quando decidimos entrar em contato com nossa intimidade.

A maioria das pessoas simplesmente ignora o fato de que as velas são os instrumentos ritualísticos e mágicos mais simples, mais antigos e mais utilizados em todo o mundo em todos os tempos! A sua estrutura contém em sua simplicidade uma síntese dos quatro elementos. O fogo é o mais óbvio, depois a cera fria e dura lembra a terra, ao derreter ela assemelha-se ao elemento água em sua fluidez e transparência. O ar é representado na fuligem que se desprende da chama, ou no caso de velas aromáticas, pelo seu perfume. Os objetos mágicos de modo geral têm de representar os quatro elementos da natureza, eles evocam assim o poder desses elementos e de seus elementais, ou consciências, que habitam cada um deles.
De um ponto de vista mais psicológico ao acendermos uma vela estamos acessando a memória de todos os elementos segundo o que nos foi legado dentro do inconsciente coletivo por nossos ancestrais. A enormidade do mar se faz lembrar numas poucas gotas. A estabilidade da terra no corpo duro e frio da vela, O poder devastador do fogo, que deve ter causado pavor e fascínio nos homens primitivos! O mesmo fogo que também os libertou dos temores noturnos e dos ataques dos predadores. Desde então sentar-se em torno das fogueiras virou praxe para todos aqueles que queiram conversar, refletir ou apenas aconchegar-se. O fogo virou sinônimo disso tudo! Símbolo do calor humano (O fogo das paixões, o calor materno, etc...)

As velas auxiliam na concentração 
durante práticas oraculares.

Com a evolução do pensamento mágico as velas passaram a ser cada vez mais utilizadas, muitas vezes em substituição às fogueiras pagãs. As religiões monoteístas se utilizaram do poder ígneo para seus próprios cultos, em procissões, missas e orações. No mundo mágico as velas são a forma mais sucinta de praticar magia, mas deve ser obedecido certas “regras” por assim dizer. Devemos observar a fase da lua em que estamos realizando o ritual, e se essa fase combina com o objetivo que queremos manifestar. Do mesmo modo a cor da vela escolhida, que sempre evocará um elemento com o propósito de nos apoiar no procedimento mágico, e até mesmo o modo com que untamos o seu corpo da base ao pavio, ou do pavio à base conforme nossas intenções! Untar as velas é uma antiga prática pela qual podemos firmar nossa atenção num objetivo e repassar para o objeto mágico toda a energia interior que será retransmitida ao universo rumo à concretização!
Para quem olha os rituais mágicos com desconfiança vale lembrar que as velas também podem ser aplicadas com a simples intenção de meditar. Uma meditação interessante de se fazer com uma chama é a de ficar olhando atentamente para ela até fixá-la na memória. Feito isso feche os olhos e a imagine brilhando sobre a região conhecida como terceira visão, ou terceiro olho. Toda vez que sua imagem se desfizer, ou for invadida pela flutuação da mente, abra os olhos e volte fixar-se na imagem e repita o processo. Essa prática favorece a própria meditação, limpando a mente. Reforça a memória, amplia a intuição e a atenção.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Os Gatos & o Tarot

Interessante notar que esses dois elementos se encontrem com tanta frequência nos temas de cunho espiritual, oculto ou esotérico. Os gatos são figuras assíduas em histórias modernas ou antigas sobre bruxas, magos e oráculos. São seus companheiros. Os felinos eram seres adorados em civilizações antigas como os egípcios, os babilônicos e fenícios. Com o advento da cristandade (que nada teve a ver com os propósitos de Cristo) todas as religiões antigas foram taxadas de hereges e seus ídolos foram acusados de serem demônios. Os gatos passaram então de seres mágicos que podiam pressentir quando ia chover e que eram capazes de captar sons e imagens inaudíveis e invisíveis aos seres humanos, a servos de Satã, e cúmplices nos ardis do mal. Na inquisição um dos costumes mais terríveis era o de incendiar um cesto cheio de gatos junto com aquela pessoa acusada de bruxaria.
A Papisa (Ou Sacerdotisa), arcano II, no The Medieval Cat Tarot, à esquerda. A Torre, arcano XVI, no The Cat People Tarot, à direita.

Como tudo o que é combatido, a mitologia em torno do gato só fez crescer com o tempo, e esse animal passou a gerar um medo infundado em algumas pessoas, e fascínio a outras. Particularmente eu me encaixo no segundo grupo, sou um fã incondicional da beleza, inteligência e sensibilidade dos gatos. Muitos desenhistas de baralhos de tarot se deixaram seduzir de tal forma pela mítica felina que criaram baralhos inspirados nos belos e lânguidos bichanos. Dois exemplos disso são o The Cat People Tarot e o The Medieval Cat Tarot, duas criações artísticas totalmente embasadas na estética felina. É bem isso, nenhum dos dois baralhos propõe uma nova abordagem para os arcanos, apenas um olhar dentro do mundo misterioso dos gatos, em seus movimentos e expressões diversas.
Alguns baralhos figurados por gatos (a partir da esquerda):
Medieval Cat Tarot, Tarot of White Cats,
Tarot of Pagan Cats, Tarot of the Cat People, Tarot for Cats, e Cat's Eye Tarot.


O que não falta são histórias no mínimo curiosas sobre quem trabalha com os arcanos e convive com os gatos. Eu mesmo presenciei inúmeras vezes meu gato sair de onde quer que ele estivesse para ficar ao meu lado quando eu simplesmente pensava em pegar as cartas para uma consulta particular. Enquanto eu manipulava o baralho e tecia jogadas ele olhava com ávido interesse e máxima atenção dispersando-se ou caindo no sono tão logo a minha consulta encerrava. Uma amiga montou num pequeno quarto em sua casa uma sala de atendimentos para leituras de tarot e das mãos. Ela possuía uma gata da raça snowshoes que tinha o hábito de entrar na sala de consultas com certos clientes. Subia numa prateleira e ficava olhando sem trégua para aquele que se consultava. Com uma incrível frequência essa pessoa observada era a que trazia os problemas mais sérios ou que se mostrava mais abalada com seus dilemas pessoais. Assim que a sessão terminava a gatinha saía da sala e deitava-se no sofá mergulhado em sono profundo...

É claro que nem todos os gatos possuem essa ligação com as cartas do tarot ou com a prática de sua leitura, mas sem sombra de dúvida é o animal doméstico com que mais acontece esse tipo de “coincidência”. Alguns autores chegam mesmo a atribuir o significado de alguns arcanos às qualidades arquetípicas ou espirituais dos felinos. Os autores e tarólogos *Catherine Summers e Julian Vayne ao descrever o simbolismo da rainha de paus, fazendo referência ao arcano como ele é apresentado nos baralhos Thoth de Aleister Crowley e no Rider-Waite dizem: O simbolismo desta carta está de maneira intrínseca ligado ao do gato, esse animal de poder feroz mas de controle elegante e misterioso.
É, parece que essa parceria entre gatos e salas de cartomantes não vai parar tão cedo, e mais baralhos e analogias serão evocados. Continuo fiel à ideia de que isso se dá pelo aspecto transgressor que os temas espirituais possuem intrinsecamente, e que são muito similares aos preconceitos que afligiram todos os gatos (Tidos como animais mágicos ou sagrados por quase todas as culturas). Enquanto a humanidade temer os temas interiores ou misteriosos, no sentido de nem sempre possuírem uma explicação cientificamente comprovável, o mistério dos gatos e das cartas, e sua enigmática ligação, continuará ou incomodando, ou fascinando muitas pessoas.


* Tarô e Você,  Catherine Summers e Julian Vayne.
Editora Saraiva, São Paulo 1995.

Leia também: Gatos - Os Oráculos Vivos 

sábado, 19 de março de 2011

Reiki - Somos Todos Canais?

No decorrer da década de 90 uma multidão de pessoas procurou o reiki tanto para experimentar seus benefícios quanto para se iniciar na técnica. As motivações, é claro, foram as mais variadas! Uns o fizeram por pura curiosidade outros simplesmente por que viram a oportunidade de iniciar-se numa atividade espiritual que, na ocasião era muito gratificante financeiramente... E por que não unir os dois interesses? Uma miríade de oportunistas também aproveitou a “onda” e “viraram” mestres e terapeutas reiki.
Por sua incrível facilidade tanto de aplicação quanto de transmissão criou-se uma legião de reikianos (Como são chamados os que trabalham com a técnica). Muitos desses nunca entenderam o reiki em sua essência mais profunda. A energia ki é a porção sutil e sustentadora da vida, por isso ao transmiti-la através da técnica reiki de cura estamos nos unindo a uma dimensão mais ampla da existência, uma porção que nos possibilita entrar em estado de meditação profunda, permitindo com que a mente concreta ceda espaço ao silêncio do absoluto, ampliando nossos canais de percepção intuitiva, nossa criatividade, imaginação, concentração e serenidade interior. Para a maioria das pessoas com quem tenho falado essas informações são completamente novas! Eis aí o ponto em que me parece pertinente levantar uma questão: Somos todos canais reiki de fato? Nos cursos de iniciação, ou sintonização, da energia reiki o que todos nós aprendemos é que ao receber os símbolos reiki em nossos canais energéticos estamos capacitados a aplicar a energia ki com eficiência e rapidez. Será? Veja bem, não se trata de eu duvidar que isso ocorra, testei isso muitas vezes, pedindo aos alunos que aplicassem a energia das mãos antes e depois do ritual de sintonização, e a diferença foi evidente! Entretanto, me custa muito crer que um iniciado que nunca mais aplicou reiki na vida, ou que o faça apenas oportunamente, tenha a mesma eficiência de aplicação de alguém que fez do reiki não só uma atividade profissional, mas uma prática espiritual e um verdadeiro estilo de vida!
O reki atraiu uma multidão de interessados, 
e alguns oportunistas também.
Costumo responder a todos os que me perguntam se é necessário ter algum talento para ler o tarot, por exemplo, que assim como qualquer atividade humana você tem de ter algum talento sim! Fazendo uma comparação mais próxima, podemos lembrar que o carro e a equipe de Michael Schumacher eram os mesmos de Rubinho Barrichello, mas qual dos dois foi sete vezes campeão do mundo? O mesmo se pode dizer de um estudo simbólico como o tarot. As cartas e seus significados são os mesmos para todos os leitores desses símbolos, mas uns se tornarão exímios em sua interpretação, como Schumacher foi um exímio piloto ao volante da sua Ferrari, enquanto outros serão leitores medianos, e até medíocres em determinados momentos, como o foi Barrichello pilotando a sua Ferrari. Sim, é preciso um talento para se ler as cartas, e esse talento fará a diferença entre o bom e o mau intérprete dos arcanos do tarot.
Com o reiki sinto que ocorre a mesma coisa, quanto mais se convive com o reiki e o aplicamos, mais ampliamos nossa experiência e nossos canais de sintonização com a energia ki universal. Os insights sobre a energia e seu funcionamento, não apenas no corpo humano, mas no desenvolvimento da consciência e da elevação espiritual tendem a crescer significativa e gradativamente com a aplicação e auto-aplicação contínua. Em seu livro Reiki do Coração, o mestre Upanishad Kessler fala no círculo reiki, que seria a atividade necessária para se ter uma experiência total com a energia ki. Esse círculo seria a disposição do reikiano em aplicar o reiki, se auto-aplicar e ter a humildade de receber de outros. Assim todas as possibilidades com a aplicação do reiki seriam vividas, permitindo uma percepção cada vez maior de como a energia vital opera no universo e em todos os seres vivos. Todos nós que recebemos a sintonia com a energia reiki temos a possibilidade de nos desenvolvermos como curadores e espiritualistas, mas poucos o farão e isso é inegável!
A facilidade, tanto de aplicação quanto de transmissão, 
tornou o reiki extremamente popular.
Com tudo isso me parece mais do claro que um praticante de reiki que tenha se dedicado a usar a energia vital a tempo suficiente não pode, e nem deveria ser comparado a “uma vizinha que também se iniciou em reiki” e está sempre disposta a ajudar os amigos quando solicitada e muito menos ter de ouvir dos mais incultos quanto a temas da energia sutil ou espiritual quando esses lhe perguntam: “Mas você trabalha só com reiki?”. Pessoalmente, quando eu conheci o reiki, eu já tinha me iniciado em outras técnicas de cura e já era tarólogo há dez anos. Nem por isso eu acredito que quem tenha se dedicado ou desenvolvido exclusivamente o reiki esteja de alguma forma bitolado em seus conhecimentos. Ter contato com a energia vital universal por tempo integral está longe de ser uma experiência vulgar! E só pensa isso quem não entendeu nada do reiki enquanto uma atividade mística e espiritual, ou que cedeu ao movimento obsessivo da mente moderna de se encher de títulos, diplomas ou certificados para atestar a própria capacitação. Não há capacitação maior do que a oferecida pelo tempo e pela troca humana que o reiki proporciona. Não há um pedaço de papel que forme um curador, apenas egos apoiados em nomes e burocracia.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Tarot & o Karma

O Karma é uma palavra de origem sânscrita que fisicamente representa a ação e metafisicamente a lei da retribuição universal. Assim sendo a teoria do Karma é perfeitamente compatível com a terceira lei do movimento de Newton que diz que: "Toda a ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário". Podemos simplificar dizendo que todas as nossas ações retornam a nós, independentemente de termos melhorado nesse meio tempo! Vale sempre lembrar, entretanto, que o Karma não é uma punição e muito menos uma recompensa. É a consequência natural de nossas ações.

 O karma é uma lei de coesão 
universal e transcendente


Todas as ações de cunho coesivo e harmonizador formam aquilo que poderíamos chamar de Karma positivo e todas as ações de caráter destrutivo ou desarmonizador formam o Karma negativo. Buda nos ensina que nem um nem outro são favoráveis a evolução da consciência humana, pois enquanto criamos Karma, seja positivo ou negativo, continuamos presos a dualidade que gera todos os conflitos sem nunca nos libertarmos da roda de Samsara, ou o eterno ciclo encarnatório de nascer, viver, morrer. A libertação desse ciclo se dá através da compreensão do sentido intrínseco do Karma e a não identificação com o seu retorno e efeitos, sejam eles positivos ou negativos. O Karma retorna sempre, o que não significa que qualquer pessoa irá se deparar com seus resultados apenas numa outra vida, o fluxo Kármico opera constantemente! Seus efeitos são repassados para uma outra encarnação apenas em ocasião da morte. Fazendo uma comparação rude, é como o intervalo de uma telenovela, entram os comerciais e assim que a novela recomeça tem de partir exatamente de onde parou na trama! O Karma pode ser tanto individual quanto coletivo, como no caso de uma família ou de uma nação.
A lei do Karma seria uma versão sutil  de uma outra teoria das ciências naturais, a do evolucionismo de Charles Darwin, e assim como uma espécie melhora os seus genes para a que a próxima geração se adapte e sobreviva, a alma também aprende e evolui no campo espiritual para que a consciência que nunca morre se beneficie e também evolua.
Não pretendo aqui fazer mais do que uma síntese dos significados espirituais do Karma, esse tema não caberia numa explanação tão breve quanto essa. No fim desse artigo sugiro uma bibliografia que pode orientar melhor iniciantes em temas esotéricos, ou leigos mesmo, a se instruir melhor sobre esse assunto tão fascinante.

O Tarot e o Karma

Como o Karma se apresentaria no tarot? Uma leitura pode revelar uma situação de cunho Kármico? E, principalmente, qual a validade desse reconhecimento na vida comum? Bem, vamos por partes:


 A Lua, arcano XVIII, no tarot de Marselha, à esquerda. 
O mesmo arcano no Osho Zen Tarot - Vidas Passadas.

O arcano XVIII, A Lua, tem sido apontado como o arcano do Karma. Sua imagem mostra em termos simbólicos seus significados. Tomando como base o tarot de Marselha vemos um tanque com água  (Símbolo da psique) de onde sai uma lagosta, que é um crustáceo! Os crustáceos são uns dos seres mais antigos a viver no planeta. A lagosta está prestes a vir à tona, como vivências muito antigas que retornam em um dado momento. Do lado de fora dois lobos (ou cães) uivam e o uivo, hoje se sabe, é um chamado para unir a matilha. Algo muito antigo convoca nossa atenção e não pode ser ignorado. Ignorar seu chamado só traria mais sofrimento. O uivo também é um emblema do medo que os predadores noturnos, como o lobo, geraram no inconsciente  coletivo da humanidade. Medo, e as fobias em geral, é também um dos significados do arcano de A Lua. O medo sempre aparece de algum modo quando temos de nos confrontar com os aspectos não resolvidos da vida. Ao fundo vemos duas torres muito antigas aludindo à memória dos tempos inserida na alma. Ao alto uma lua crescente (A figura mostra como a lua aparece nessa fase no hemisfério norte),  tem gotas de energia sendo retiradas da terra, ou seja, o foco da consciência está indo para dentro, para o mundo interior. A Lua  associa-se ao assim chamado “Mergulho na noite escura da alma”, um momento onde as referências do mundo racional são perdidas. Um sentimento muito comum nesse arcano é o da angústia, palavra de origem latina que significa “caminho estreito”. É interessante notar que entre os dois animais no centro da imagem há um caminho estreito por onde o crustáceo irá passar.

A Justiça, arcano VIII, regendo todas as leis.

Quanto à validade de uma revelação dessas, bem eu penso ser fundamental qualquer informação que possa ampliar o campo de visão de uma pessoa sobre a situação que ela está enfrentando. Sem falar de que dentro de uma abordagem terapêutica do tarot é sempre válido saber a profundidade do que estamos tratando. Isso só se aplica, é claro, quando o leitor não está contaminado com as considerações negativas que certas doutrinas espirituais acabaram por reinterpretar o significado do Karma, dando-lhe uma conotação fatalista e sombria muito parecida com a do Deus severo e punidor da doutrina judaico-cristã.

O que há para ler:
Um Estudo Sobre o Karma, De Annie Besant.
Editora Pensamento.

O Caminho do Mago - Uma Visão Contemporânea do Tarot,
De Veet Vivarta. 
Editora Francisco Alves.

Intuição, De Osho.
Editora Cultrix.