segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Tarot e Cabala - Arcanos Menores

Este meu artigo foi publicado no Clube do Tarot em 2009
 como uma síntese dos significados do simbolismo
 do Tarot e da Cabala combinados.
Espero que gostem...

Foi Éliphas Lévi quem no século XIX, em seu livro Dogma e Ritual de Alta Magia, relacionou pela primeira vez esses dois maravilhosos sistemas de conhecimento espiritual. Chegou a alegar, inclusive, que um seria incompreensível sem o outro. Mas o que é a cabala? Também chamada de kabbalah, qabalah e muitas outras grafias. Cabala é um esquema simbólico que preserva em si as relações entre o homem e Deus. Já foi um dos fundamentos da religião judaica, sendo depois incorporada durante a renascença, pelos estudiosos europeus, que se mostravam grandemente entusiasmados com todo e qualquer tipo de estudo espiritual religioso ou oculto. Nascia assim a cabala esotérica que passou a ser de domínio universal. Nessa mesma época ascendia também na Europa o esoterismo cristão, motivado pelo mesmo movimento.
A cabala deriva da palavra hebraica kibel, que quer dizer receber, acolher. Simboliza a tradição oral transmitida de boca a ouvido, aos patriarcas judeus e depois a todos os homens. A estrutura principal cabalística são as sephiroth, que em hebraico significa números, e o singular sephirah, é número. Elas representam as emanações de Deus neste mundo. Originam-se umas das outras e sucedem-se umas às outras. Cada uma possui um símbolo, uma cor, e um nome divino. Os nomes todos reunidos para os místicos judeus, são o santo nome de Deus. O estudo da relação da cabala com o tarot pode ser muito enriquecedor tanto para tarólogos tanto quanto para cabalistas. Talvez Éliphas Lévi tenha exagerado na sua explanação sobre a relação dos dois sistemas, mas é mesmo muito impressionante como certos símbolos e nomes das sephiroth cabem perfeitamente bem na relação com os arcanos do tarot. Vejamos:

Joseph ben Abraham Gikatilla. 
Augsburg, Johann Miller, 1516.

1. KETHER – COROA

Cor: Branco

Títulos: A fonte de energia do infinito invisível. A inspiração daquilo que não existe. A origem daquilo que existe. De onde viemos e para onde voltaremos.

Arcanos: Os quatro Ases.
Ás de Paus – Início vigoroso, força criativa e fertilizadora, impacto transformador.
Ás de Copas – Sentimento transbordante, canalização de forças espirituais superiores, doação, amor potencial.
Ás de Espadas – Inspiração da verdade, clareza, perfeição sem mácula, encontro da verdade.
Ás de Ouros – Expressão do potencial interno, manifestação de dons no mundo prático, expansão de si mesmo.

Símbolos: Coroa, Ponto, Suástica (Símbolo do poder solar).

2. CHOKMAH – SABEDORIA

Cor: Cinza.

Títulos: O Pai celestial. O desejo de poder. Fluxo da energia dinâmica. O grande estimulador. O primeiro positivo.

Arcanos: os quatro Dois e os quatro Reis.
2 de Paus – Domínio, exploração de possibilidades, vontade de crescer, prontidão para agir.
2 de Copas – Amor, atração, complementação de qualidades, amistosidade, sintonia.
2 de Espadas – Divisão da consciência, dúvida, indecisão, falta de fé; busca pela paz.
2 de Ouros – Mudança, adaptação às circunstâncias sem perder valores importantes, flexibilidade.
• Rei de Paus – Líder, comanda com vigor e alegria, movimento vigoroso para o progresso, fogoso e sedutor.
• Rei de Copas – Amigo, conselheiro, curador, terapeuta, vasculha o seu interior em busca das suas sombras para transmutá-las.
• Rei de Espadas – Estrategista, intelectual, administrador, a capacidade da mente de estabelecer esquemas e cumpri-los.
• Rei de Ouros – O grande realizador, sintetiza os outros elementos, tem uma visão holística da vida.

Símbolos: O falo, a linha, o yod (primeira letra hebraica).

3. BINAH – COMPREENSÃO

Cor: Preto.

Títulos: Mãe suprema. O desejo de criar. Organizadora e compensadora. O grande mar.

Arcanos: os quatro Três e as quatro Rainhas.
• 3 de Paus – O encontro com o novo, exploração de novos caminhos, movimento e mudança.
• 3 de Copas – Celebração, entusiasmo com os primeiros resultados obtidos numa empreitada, abundância.
• 3 de Espadas – Dor, separação, conflito entre mente e coração, dever e querer, escolha dolorosa.
• 3 de Ouros – Trabalho, progresso direcionado segundo a própria orientação e vontade.
• Rainha de Paus – Acolhedora, nutridora, calor humano nas relações e atividades de um modo geral, fazedora de ninhos.
• Rainha de Copas – Sensitiva, boa ouvinte, acolhe e compreende as dores alheias, profunda sintonia com as coisas da alma.
• Rainha de Espadas – Capacidade de separar o objetivo do subjetivo, clareza mental e de propósito, grande autonomia.
• Rainha de Ouros – Sensualidade, sintonia com as coisas do corpo e da matéria, deleite sensorial e material.

Símbolos: Yoni (a vagina arquetípica da grande mãe), o triângulo, a taça, o planeta Saturno.

4. CHESED – MISERICÓRDIA

Cor: Azul.

Títulos: O construtor. Pai amoroso que é rei. Receptáculo dos poderes. Estrutura de manifestação.

Arcanos: Os quatro Quatro.
• 4 de Paus – Ação conjunta por um objetivo, junção de forças internas ou externas, ação harmoniosa.
• 4 de Copas – Interiorização, momento de subtrair as influências externas, momento calmo, serenidade.
• 4 de Espadas – Parada para recuperação de forças, postergação de decisões, suspensão do fluxo natural dos acontecimentos, retiro.
• 4 de Ouros – Estabilidade material, construção de bases firmes e bem estruturadas, segurança, estabilidade.

Símbolos: A pirâmide, o quadrado, o cetro, o Planeta Júpiter.

5. GEBURAH – FORÇA

Cor: Vermelho.

Títulos: O destruidor. Rei guerreiro. Capacidade de julgamento. Clarificador, Eliminador do inútil.

Arcanos: os quatro Cinco.
• 5 de Paus – Conflito, litígios de todo tipo, desconforto ou desagrado, frustração do ego.
• 5 de Copas – Apego ao passado, trauma, perda do prazer, desapontamento.
• 5 de Espadas – Comparação do ego, espírito de derrota, inveja, balanço negativo da própria vida.
• 5 de Ouros – Perda financeira, sentir-se excluído, carência, sentimento de menos valia e não merecimento.

Símbolos: O pentágono, espada, lança, açoite, o planeta Marte.

6. TIPHARET – BELEZA

Cor: Amarelo.

Títulos: Consciência do Eu Superior e dos grandes Mestres. A visão da harmonia das coisas. Cura e redenção. Os reis elementares.

Arcanos: os quatro Seis e os quatro Cavaleiros.
• 6 de Paus – Vitória, autoconfiança, fama, brilho, reconhecimento dos méritos pessoais por si mesmo ou pelos outros.
• 6 de Copas – Visão de uma vida ideal embasado num molde do passado, saudade, romantismo, idealização do futuro ou da vida como um todo.
• 6 de Espadas – Estar sobrecarregado pelas opiniões e expectativas sociais, responsabilidade assumida por outrem.
• 6 de Ouros – Capacidade de auxiliar ao próximo, ou fazer concessões o tempo todo por medo da reação dos outros.
• Cavaleiro de Paus – Mudança, desejo de melhorar algo ou tira-lhe o melhor; intensidade, desejo incontrolável.
• Cavaleiro de Copas – Dedicação, confiança, lançar-se por inteiro num empreendimento, apaixonar-se por algo ou alguém, a fé.
• Cavaleiro de Espadas – Guerreiro, avanço implacável sobre a meta, determinação, agressividade.
• Cavaleiro de Ouros – Trabalhador incansável, disciplina para se fazer ou realizar algo, seriedade, trabalho árduo mas profícuo.

Símbolos: A rosa-cruz, a cruz da cavalaria, o cubo, o Sol.

7. NETZACH – VITÓRIA

Cor: Verde.

Títulos: Amor, Sentimentos e instintos. A mente grupal. A natureza. As artes.

Arcanos: os quatro Sete.
• 7 de Paus – Vencer os próprios limites, ansiedade, quer mostrar o próprio valor, estresse.
• 7 de Copas – Ser assoberbado pelos próprios instintos, fantasias, confusão emocional, total falta de clareza.
• 7 de Espadas – Dissimulação, falsidade, usar ”máscaras” ou subterfúgios para ser aceito socialmente.
• 7 de Ouros – Demora, respeito ao tempo natural, paciência, prudência. O avanço pode levar ao fracasso.

Símbolos: O cinto, a rosa, a lâmpada, o planeta Vênus.


8. HOD - ESPLENDOR

Cor: Laranja

Títulos: A razão. A mente individual. Sistemas, a magia e a ciência. Ponto de contato com os Mestres. Linguagem e imagens visuais.

Arcanos: os quatro Oito.
• 8 de Paus – Esclarecimento, alívio de tensões, abertura da mente, mudança de paradigmas, mudança física, viagem.
• 8 de Copas – Abandono do velho e estagnado em busca do mais puro e elevado, despedida, abandono.
• 8 de Espadas – A mente autocrítica, culpa, confronto dos valores externos com os internos.
• 8 de Ouros – O trabalho minucioso, humildade fruto de maturidade espiritual ou resignação covarde.

Símbolos: Nomes e versículos, o avental do mago, o planeta Mercúrio.

9. YESOD - O ALICERCE

Cor: Violeta.

Títulos: A luz astral. O depósito de imagens. As energias cíclicas subjacentes à matéria.

Arcanos: os quatro Nove.
• 9 de Paus – Uma grande força despendida, exaustão, empenho para manter algo conquistado com muito esforço; trabalho sem sentido.
• 9 de Copas – Felicidade material, satisfação dos desejos, ócio, descanso; preguiça, acomodação.
• 9 de Espadas – Sofrimento, autocobrança, sofrimento doloroso e intransferível; aprendizado obtido com a dor.
• 9 de Ouros – Amadurecimento, aprender com as experiências e vivências, atingir o topo do próprio potencial, ganho, auto-suficiência.

Símbolos: O perfume, as sandálias que se usa no templo, a Lua.

10. MALKUTH – O REINADO

Cor: Amarelo limão, verde oliva, castanho avermelhado, e preto.

Títulos: A terra em que caminhamos. Kether inferior. O complemento. A mãe inferior.

Arcanos: os quatro Dez e os quatro Valetes (Princesas ou Pajens).

• 10 de Paus – Assumir grande responsabilidade, opressão das necessidades pessoais em prol de uma meta.
• 10 de Copas – Encontro da saciedade, sentimento de harmonia, sentir-se integrado a algo, grupo, família, empresa, etc.
• 10 de Espadas – Fim de um estágio da consciência para atingir outro, a morte dos valores do ego.
• 10 de Ouros – Assumir-se como coautor da própria vida, cumprimento da obra a que se propôs.
• Valete de Paus – Alegria, espontaneidade, ação criativa que empolga; inconsequência, imaturidade.
• Valete de Copas – Desejo de servir ao próximo, gentileza, delicadeza, sensibilidade artística ou espiritual.
• Valete de Espadas – Abarcar muitas ideias ao mesmo tempo, inovador no pensamento; confusão mental, excessos mentais.
• Valete de Ouros – Aprofundamento numa questão, estudo, aprendizado que reverte em ganho, crescimento.

Símbolos: O altar de dois cubos sobrepostos, a cruz grega (de braços iguais), o círculo, o triângulo e o último heh do nome sagrado de Deus.


Bibliografia: 
- Dion Fortune, A Cabala Mística. Editora Pensamento.
- Charles Fielding, A Cabala Prática. Editora Pensamento.
- Francisco V. Lorenz, Cabala. Editora Pensamento.
- Perle Epstein, Cabala - O Caminho da Mística Judaica. Editora Pensamento.
- Robert Wang, O Tarot Cabalístico. Editora Pensamento.
- Hellyette Malta Rossi, Kabalah - O Caminho da Flecha. F.E.E.U - Porto Alegre.
- Galcy Rolim Corrêa, Cabala. F.E.E.U - Porto Alegre.
- William What, Mistérios Revelados da Cabala. F.E.E.U - Porto Alegre.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A Cruz Celta Astrológica


Conhecer todos os significados e possíveis desdobramentos das posições do sistema que utilizamos é tão importante quanto conhecer profundamente o significado dos arcanos em suas muitas perspectivas. E mais uma vez pensando sobre as possíveis relações das dez posições originais da Cruz Celta com outros símbolos arquetípicos, me aproximo do simbolismo astrológico dos planetas. Já apresentei aqui as correlações entre as posições e os principais personagens míticos presentes em todas as mitologias, bem como em quase todos os contos de fadas memoráveis. Foi dessa reflexão que eu extraí a presente analogia, a estrutura da Cruz Celta e sua ligação com a simbologia dos planetas. Antes, porém, vamos entender melhor o que são os planetas e suas expressões.
Podemos começar dizendo que Sol e Lua não são planetas, o primeiro é uma estrela, e o segundo um satélite, mas são chamados de luminares, um emana luz e o outro a reflete, no entanto para efeitos de estudo do mapa astrológico natal eles têm o mesmo valor que os demais astros, e também são chamados de planetas. Os planetas pessoais são Mercúrio, Vênus, e Marte, eles são mais rápidos e representam as atuações do ego e da vontade na busca pelo que denominamos de nossas conquistas, e nos dão características bem específicas na personalidade. Júpiter e Saturno, são mais lentos e chamados de planetas sociais, pois que mostram nossa atuação no mundo, socialmente, e no modo como nos apresentamos, consciente e inconscientemente ao mesmo tempo. E, por fim, os três últimos planetas são conhecidos como transpessoais e, numa linguagem mais astrológica, de “transaturninos”, por estarem depois da órbita de Saturno no sistema solar. Eles são ainda mais lentos! Urano demora 84 anos para dar uma volta completa no zodíaco, e fica por cerca de 7 anos em cada signo. Netuno demora cerca de 164 anos para dar a mesma volta, e permanece cerca de 14 anos em cada signo zodiacal. Por fim Plutão demora em média 248 para contornar o sol e, por ter uma órbita irregular, se demora entre 12 a 32 anos em sua passagem por cada signo. Esses planetas atuam na nossa capacidade de transcendência e transformação, ou seja de ir além do que do que conhecemos ou do que se apresenta. Por serem tão lentos marcam toda a humanidade ao transitarem nos céus, e a toda uma geração que nasce com eles em seus mapas. 


A astrologia, relaciona o homem ao Universo na busca
por um significado cósmico para nossa existência!

Eu, por exemplo, e todos os que nasceram entre 1956 e 1970 somos filhos da geração de Netuno em Escorpião, que trouxe a cultura do Paz & Amor dos hippies, do sexo livre, das experiências de estados alterados de consciência para tanger outros planos e colher sabedoria, que aproximou a cultura do oriente do ocidente, e que resgatou a sabedoria de antigos sistemas simbólicos como o tarot e a astrologia, que agora eu cruzo nesse artigo como já o fiz em outros! Influência que como podemos ver mexeu com toda a vida na Terra quando Netuno passou por ali, e marcou profundamente os que nasceram com ele em suas cartas natais... Vide o meu caso!
É importante dizer também que os planetas diferem dos signos, eles são as energias que impulsionam e moldam as características que cada signo representa. Um exemplo é de que alguém com Marte em Áries terá características de agressividade e impulsividade bem mais acentuadas do que alguém que tiver esse mesmo planeta em Touro! O primeiro signo lida com a energia belicosa de Marte de uma forma mais explosiva, por assim dizer. Já os que possuem esse mesmo planeta com a influência taurina o farão de uma forma mais persistente e resistente do que agressiva. A energia marciana é expandida pelas características de um signo, e contida pelas características do outro.
A seguir apresento a relação entre os dez planetas e as dez posições originais da Cruz Celta, tanto em sua forma tradicional, como na adaptação feita por mim e que denominei de Jogo do Espelho. Verão que não me afasto tanto das origens, considero que as ampliei. Ao fim de cada explanação coloquei um pequeno texto com o objetivo de conectar a presente relação entre os planetas e as posições deste método de leitura com os personagens míticos que listo no artigo A Cruz Celta do Encantamento. O link para quem quiser ler (ou reler) este texto na íntegra está ao pé da página, bem como outros que considerei pertinente mostrar!

A Cruz Celta com sua formação simples... Cada posição
guarda em si uma vastidão de correlações arquetípicas.

Posição 1 – Sol

A vontade pessoal, solar e egoica, que carrega a noção de quem eu sou e de quem quero ser. As forças vitais envolvidas num processo específico de interesse ou atuação. A essência através da qual outras formas de consciência se manifestam. O guia para o nosso propósito principal de vida... Atributos do Sol astrológico que combinam muito bem com a primeira posição da Cruz Celta que representa o mundo interior no momento na minha versão desse sistema de leitura. Na versão original é chamada de a situação do momento.

Na versão mitológica:
O Rei, o soberano que outorga leis e diz para onde as coisas se encaminham naquele momento.

Posição 2 – Plutão

É o planeta da ação transformadora, o influxo das correntes interiores do ser que se elevam e moldam a realidade a partir do que é emanado de dentro. Um astro de grande abertura para as forças superiores do espírito, mas que também pode simbolizar a negação do mesmo, e a fixação nos aspectos mais brutos da consciência, como o apego, o egoísmo e o controle. Na Cruz Celta tradicional é essa a posição que cruza a carta 1, apoiando-a ou restringido-a. Eu a chamo de as ações, e elas podem vir ao encontro, ou se opor, ao que o mundo interior apresenta ou requer.

Na versão mitológica:
A Rainha, aquela a quem o rei ama, e que o apoia ou que conspira contra ele de alguma forma.

Posição 3 – Lua

Símbolo da sensibilidade profunda e da percepção intuitiva de verdades não reconhecidas, em princípio, pela mente racional/consciente. Este é o astro mais próximo da Terra e o regente do inconsciente coletivo, que se expressa através dos símbolos como os arcanos do tarot, os números, etc. Simboliza os sentimentos e as intuições mais profundas da alma. Na tradição é a posição da base, como algo que é pressentido sobre o momento. Eu a chamo de o apelo do ser interno, como as intuições sobre o momento que devem ser ouvidas. O guia sábio da consciência.

Na versão mitológica:
A casa do mago conselheiro, a cabana do sábio dentro da floresta escura (o si mesmo), onde o rei se dirige para se aconselhar.

Posição 4 – Saturno

O planeta das restrições e dos obstáculos que surgem como um desafio à mente consciente de superar a si mesmo. Os limites incrustados na personalidade, pela cultura social ou a formação familiar, que se revelam nos embates da alma para atingir sua realização, características bem saturninas que expressam bem a essência dessa posição que na Cruz Celta original representa o passado (a origem de todos os condicionamentos), e que eu chamo de desafios e obstáculos, não importando se desta vida (infância, juventude, etc) ou de outras vidas (encarnações).

Na versão mitológica:
A toca do dragão, o lugar dos desafios que limitam os poderes do rei, e que devem ser superados.

O heroico Lancelot, um dos personagens míticos
mas lembrados nas Lendas do Rei Arthur. Um

representante fiel do arquétipo do guerreiro!

Posição 5 – Júpiter

Simboliza a ânsia do ego para conhecer muitas coisas, expandir seu mundo e experimentar a si mesmo. É o grande captador e explorador das oportunidades que a vida oferece. Seu glifo é o oposto do de Saturno, simbolizando a libertação das limitações de quem quer crescer e prosperar livremente, e em todos os sentidos. Na tradição é a posição do consciente, do que é reconhecido da situação. Eu a chamo de objetivos conscientes e a vida material, e representa as direções tomadas na vida material/financeira e de como isso aparece para o mundo.

Na versão mitológica:
O reino, a síntese de tudo o que se possui no momento, e de como podemos ou iremos prosperar.  

Posição 6 – Urano

É o planeta da renovação e do rompimento com tudo o que é obsoleto. Representa também a força da comunidade, dos grupos, e dos amigos que sustentam ou desmantelam com as suas influências os objetivos pessoais para o futuro. É o planeta da família no sentido mais amplo e universal, e dos amigos que se apresentam como Mestres por seus exemplos de vida. Na Cruz Celta original essa é a posição do futuro próximo, e que eu adaptei para o significado de objetivos futuros e vida social, que envolve tanto amigos quanto família e suas influências no momento.

Na versão mitológica:
Os súditos, os que seguem o rei apoiando-o em seus planos ou restringindo as suas atuações.

Posição 7 – Marte

O planeta da afirmação de si mesmo, do ego e da vontade, acima do espírito. É a força da agressividade não só no sentido de violência, mas do modo como nos colocamos diante dos desafios e das demandas que se apresentam. O belicoso planeta Marte representa o modo com que nos apresentamos diante do mundo, e de que recursos (internos e externos) nós lançamos mão para as lutas diárias. É a personalidade que se afirma. Na tradição é a relação do cliente com a situação, e que eu renominei para a personalidade.

Na versão mitológica:
O jovem guerreiro, aquela porção da personalidade que se ergue para enfrentar a situação.

Posição 8 – Vênus

É o planeta da valorização do amor e da beleza, e da capacidade de atrair, seduzir e encantar de todas as formas. Simboliza também as aspirações mais elevadas do espírito, bem como a inspiração artística que o outro e o mundo ao redor nos trazem. Corresponde bem, a meu ver, ao significado original dessa posição na Cruz Celta onde é vista como o meio ambiente, ou seja, as coisas e pessoas que cercam o consulente no momento. Chamo esta posição de relações íntimas e a expressão do afeto, que combina os atributos venusianos com os do significado original.

Na versão mitológica:
A casa da donzela, ou a casa do amor, onde o amor se expressa na trama do momento, e o modo como se apresenta.

Posição 9 – Mercúrio

Planeta que leva o nome do antigo mensageiro dos deuses, e que rege as funções elementares do intelecto, como a fala, a escrita, e todas as formas de comunicação que estão sob sua égide. O ensino e o aprendizado também são regidos por ele que assinala a ânsia da mente em aprender, e partir para o próximo estágio levando consigo o que apreendeu de sua lição. Na origem essa posição é a dos medos e esperanças, o que combina bem com o idealismo mercuriano e o seu medo de perdê-lo! Renominei para o aprendizado, visando a absorção da consciência das lições do momento, o que impulsionará seu crescimento.

Na versão mitológica:
O mensageiro, algo a ser observado e apreendido para vencer a crise que se apresenta (o dragão).

Posição 10 – Netuno

Com o nome do deus dos mares romano, Netuno simboliza a dissolução das crenças do ego para que a consciência perceba a sua conexão com um plano maior das coisas, da vida ou mesmo de Deus. É o planeta onde todos os caminhos se encontram, e onde a conexão entre tudo se faz, mas só uns poucos místicos recebem essa visão! Na tradição é a posição do desfecho, da resposta à questão. Eu a renominei como a síntese, ou seja, a ideia ou o contexto intrínseco que une o sentido de todas as vivências, e ao ser absorvida supera as crises e dá significado ao momento.

Na versão mitológica:
O encantamento, é a magia ou a maldição que envolve o momento, e que deve ser abraçada ou desfeita.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Que Tipo de Tarólogo Você É?

O tarot e as múltiplas formas de percepção de
suas imagens arquetípicas...

Em seu livro O Tarot – Uma História Crítica, Cynthia Giles cita outra autora, Mary K. Greer, em seu livro Tarot Mirrors em que identifica quatro processos fundamentais numa de leitura do tarot sugerindo que cada leitor recorrerá a dois ou três deles em mais ou menos grau, geralmente com o predomínio de um deles, que são:
Analítico: Análise das correspondências entre símbolos e significados para determinar a sua relevância.
Psíquico: Uso intuitivo da “visão” interior e de “sentimentos” sensoriais sutis para conhecer as coisas.
Terapêutico: Ajuda o consulente a descobrir os significados, opções e objetivos pessoais.
Mágico: Afirma a habilidade do consulente de criar o que ele considera de valor.
Segundo Greer o leitor analítico seria o mais dependente das cartas utilizando-as como se fosse uma linguagem simbólica ou um alfabeto psíquico. O leitor terapêutico também tem uma estreita relação com as cartas, mas as utiliza como uma forma de entabular um diálogo com o cliente, algo como: “O que esta carta lembra a você?”. Os leitores psíquicos são os que menos se utilizam das cartas diretamente, e costumam se utilizar do processo de embaralhamento e de distribuição das cartas como um meio pelo qual acessam seu próprio psiquismo interior. Já o leitor que se utiliza do método mágico usa as cartas no que Giles chamou de um meio parcial, porque sua organização é colocada sob um ponto de vista específico, onde as cartas são selecionadas e arrumadas em termos de revelar oportunidades de mudança e crescimento. Por essa visão de Greer eu seria um leitor predominantemente analítico e mágico... Esses modos de se ver a leitura do tarot são todos psicológicos e intimamente ligados aos quatro tipos básicos da psicologia junguiana. O método analítico corresponderia ao tipo pensamento, o método psíquico ao tipo sensibilidade, o terapêutico ao tipo intuição e o método mágico ao tipo sensação. Bem, com todo o respeito ao trabalho de Greer e mais ainda ao de Giles, acho que essas breves relações não explicam quase nada e pouco têm a ver conosco, habitantes do Hemisfério Sul deste planeta, tão influenciado pelo sensível elemento água. A partir disso fiz uma relação dos quatro métodos de leitura que considero mais consistentes com tudo que vi e conheci através de colegas e, sobretudo, de alunos que se entregaram em leituras para outras pessoas na minha presença durante as práticas em grupos de estudo ou em casos que me trouxeram devidamente apontados em suas agendas ou cadernos de estudo! A própria Giles diz que o estilo de leitura está muito além de uma questão de escolha ou de personalidade como sugere Greer, já que o tarot possui um inegável componente metafísico que torna sua aplicação algo para além do controle da vontade humana. O que concordo plenamente.
Apresento a seguir uma avaliação minha dos quatro métodos possíveis de leitura do tarot segundo minha própria experiência como leitor e professor, e também como estudante em troca permanente com outros tarólogos:


Cada intérprete do simbolismo dos arcanos possui uma
"assinatura" própria no modo como traduz suas mensagens,
e isso se dá de modo muito fluente, e com frequência

fora do controle do próprio leitor...

1º O Tipo Analítico (Elemento Ar): Esse é o tal que enterra a cara nos livros, que sabe citar autores e datas de publicação, e que defende com argumentações bem fundamentadas as abordagens do tarot, em suas muitas e possíveis aplicações. O leitor analítico desconfia da própria intuição, pois considera o processo psíquico instável e altamente influenciado pelo ambiente que cerca o próprio leitor, como as oscilações da vida pessoal e familiar, a movimentação e o humor de pessoas ao redor dele, etc. Ele confia nos seus estudos, e faz deles seu principal suporte nas leituras. Por possuir uma intensa carga mental, é bem comum que as sessões de leitura do tarot sejam bem desgastantes para eles, geralmente falam demais, exemplificam, e fazem muitas e inúmeras recomendações, desde as terapêuticas às literárias. Não é incomum também que eles tenham a tendência a tornar as leituras algo “controlável”, trabalhando com significados bem definidos dos arcanos e refletindo, por exemplo, sobre as possíveis interpretações dos significados de cada arcano em determinada posição de um sistema de jogo de sua preferência! Sua análise depende totalmente de sua interação com as cartas.

2º O Tipo Psíquico (Elemento Água): Esse costuma ser o que mais impressiona as pessoas por conseguir “ver coisas” que não são necessariamente sugeridas pelo simbolismo das cartas como nomes, datas precisas de acontecimentos, descrições físicas exatas de pessoas, etc. O tipo psíquico possui pouca relação ou conhecimento do simbolismo do tarot, as suas imagens arquetípicas servem apenas para despertar nesse leitor o seu psiquismo interno, e talentos mediúnicos como clarividência e ou clariaudiência, alguns até amparados por entidades espirituais. As leituras psíquicas costumam girar em torno de coisas e fatos exteriores ao consulente, como pessoas do seu meio comum de convivência, no trabalho, na família, amigos, e também viagens, propostas, promoções... É muito comum também que esse tipo de leitor não se atenha muito ao que cada pessoa pode fazer para mudar sua situação, muitos parecem crer com sua experiência e observação que as coisas simplesmente acontecem, e que cabe a nós tirar o melhor de cada evento... Tem aqueles que se utilizam de recursos mágicos, místicos e ou mesmo espirituais para tentar auxiliar seus clientes a passar pelo que lhes reserva o futuro. Coisas como orações, magias e rituais de todo tipo.


3º O Tipo Intuitivo (Elemento Fogo): Assim como o tipo analítico o intuitivo tira todo o seu processo de análise da relação com as cartas, menos de uma perspectiva racional e mais de uma interação com o cliente, e na observação das reações deste aos arcanos e suas respostas emocionais a eles. Nesse processo não é nada incomum que o significado das cartas deem “saltos” de abrangência para esse leitor. Para ele o simbolismo das cartas é plástico, e se molda a cada experiência de leitura conforme cada pessoa que se consulta com ele. Suas sessões de tarot se parecem muito com uma consulta a um psicoterapeuta ou a um filósofo espiritualista. A sua atenção muito comumente está voltada para que o cliente veja a sua experiência sob outro enfoque ou perspectiva, geralmente mais interior e psicológica, e que cresça com ela. É bem pouco interessado em previsões sobre o futuro. O tipo intuitivo de intérprete do tarot geralmente é simpático a práticas terapêuticas de autotransformação intensa, como Regressão de Memória, Meditação Dinâmica, Renascimento, Constelação Familiar, entre outras! Isso quando ele mesmo não se torna um terapeuta dessas técnicas holísticas.

4º O Tipo Sensitivo (Elemento Terra): Esse também se utiliza das cartas com uma perspectiva de crescimento ou desenvolvimento. Dentro dos sistemas de disposição de leitura que escolhem sempre há posições do jogo que simbolizam aconselhamento, aprendizado, desafios, crescimento, etc. De modo geral ele não exclui os eventos práticos da vida comum, e nem descarta a aplicabilidade da divinação. Percebem que na interação com os eventos mundanos revelam-se potenciais de grande relevância para o processo evolutivo de cada pessoa. Mesclam intuitivamente com mais frequência o trabalho oracular ao terapêutico, mas sempre visando uma aplicação prática das revelações feitas através das cartas do tarot. Podemos dizer, comparativamente, que este leitor está menos interessado nas influências culturais e do passado sobre a psique do consulente do que o tipo intuitivo, e menos focado nos eventos do futuro que o leitor psíquico. Sua análise parece mais dirigida para o agora e as possibilidades de atuação e transformação desse período de tempo na vida de cada indivíduo, baseado numa forte crença interior da possibilidade de se mudar a realidade através da compreensão dos eventos e da atuação sobre eles.

Olhando para essa relação eu me identifico fortemente com alguns aspectos do tipo analítico, como em sua pesquisa e definição do simbolismo dos arcanos. Encontro-me totalmente identificado com o tipo sensitivo, e com o leitor intuitivo apenas na abordagem terapêutica dos arcanos. Atualmente não possuo nada, ou muito pouco, de um leitor psíquico... E você, que tipo de tarólogo você é?