quinta-feira, 25 de junho de 2015

Instruções aos Neófitos

Dicas para Quem Está se Iniciando 
no Estudo do Tarot

Deparei-me com as sugestões abaixo visitando o blog da taróloga americana Mary K. Greer. Tomei a liberdade de "editar" algumas dessas sugestões, que me pareceram fora de propósito ou exageradas, e deixei aquelas que eu mesmo pude experimentar e comprovar a eficácia através do tempo! Espero que apreciem e façam bom proveito:

As Regras para se Estudar o Tarot
• Não há regras. Todas as regras são feitas para serem quebradas.
• Você pode ouvir e ler muito sobre o tarot, e tomar conhecimento de muitas coisas contraditórias. Ouça, leia, discuta, tente, e decida por si mesmo o que lhe serve. Ninguém sabe como você vai ler ou trabalhar com as cartas, exceto você.
A Aprendizagem do Tarot
• Quanto mais você souber, mais opções você terá.
• Leia livros, muitos livros.
• Não há nada de errado com os livros. O conhecimento adquirido a partir deles lhe dará um fantástico ponto de partida, e pode ajudá-lo a ter uma leitura com mais confiança.
• Tente ler uma carta primeiro antes de procurar seu significado nos livros. Você vai se surpreender com o quanto da essência do simbolismo você recebe intuitivamente.



• Conheça a suas cartas, puxe uma por dia e ou repasse por seu baralho carta por carta, e tome nota sobre cada uma delas. Escreva seus pensamentos e sentimentos sobre cada arcano em um diário.
• Aprenda o básico da história do tarot e seu simbolismo.
• Aprenda as correspondências astrológicas e elementares. Eles condicionam a mente a pensar associativamente e fazer conexões extraordinárias.
• Escolha um sistema de leitura e fique com ele tempo suficiente para obter a compreensão de suas ramificações simbólicas. Você só vai confundir a si mesmo se tentar muitas variações de métodos de leitura.
• Os arcanos são feitos de micro símbolos dentro de um macro símbolo. Cada um dos símbolos que compõem os arcanos podem abrir informações detalhadas, pertinentes e poderosas.
• Conheça o que as cores, números, e símbolos podem representar simbolicamente.



• Tire uma carta diária do seu baralho e deixe-a falar com você. Pergunte a si mesmo sobre as questões de sua vida.
• Faça tudo em voz alta, mesmo que você esteja apenas lendo para si mesmo.
• Associe de 1 a 3 palavras chave para cada carta.
• Leia as cartas visualmente, você é o livro.
• Seja amigo do seu baralho, ele consiste de 78 personalidades com quem você precisa se relacionar e conhecer bem.
• Torne-se amigo de suas cartas! Durma com elas, brinque com elas.
• As pessoas têm muitas camadas e assim são as “personalidades” de suas cartas.
• Ajuda se relacionar as cartas com pessoas e eventos que você conhece.
• Dê atenção especial aos arcanos que não parecem simpáticos a você.
• Leia as cartas diariamente para alguém: para si e para os outros. Mantenha um diário de seu trabalho de tarot, incluindo leituras periódicas.



• Você não pode aprender sem realmente praticar a leitura...  Pratique, pratique, e pratique. Leia para amigos, ou para estranhos sempre que tiver a oportunidade.
• Ao longo do seu dia, mantenha as cartas em sua mente. Veja como as diferentes experiências do seu dia a dia lembram os diferentes aspectos de vivências dos arcanos.
• Saiba tudo sobre o conhecimento de outras pessoas também! Há toneladas de livros, aulas, eventos on-line, e conferências que podem enriquecer a sua perspectiva.
• Atualize-se constantemente. Trabalhe espiritualmente em si mesmo o tempo todo. Continue crescendo e nunca ache que já sabe tudo!
• A leitura é uma fatia da jornada da vida de uma pessoa. É uma história.
• Tarot é uma bússola intuitiva, então esqueça a ideia de "ler o futuro”.
• Tarot é um espelho.
• Tarot é como a arte: Não é a interpretação feita por críticos de arte e o raciocínio por trás de uma obra-prima versus como ela faz você se sentir pessoalmente. É importante ver os dois lados.
• Interpretação é Conhecimento + Intuição.
• Lembre-se sempre de que os oráculos como o tarot, e outros, são pedaços de papelão com fotos sobre eles. A informação mágica, a sabedoria, está em você, não nas cartas.
• Você é o tarot! As cartas não são nada sem você. Elas são as janelas para o seu saber interior que já está todo aí dentro.
Baralhos
• Escolha um que você se sinta muito atraído, quer seja por sua beleza, quer seja por sua expressividade.



• Escolha um baralho com que se sinta bem. Ou que você se sinta confortável com seu simbolismo. Certifique-se que ressoa com você no que diz respeito à arte e mitos (e sua visão de mundo).
• Comece com um baralho que ressoe com você e conviva com ele por um bom tempo (um ano pelo menos), antes de passar para outros (e isso se sentir necessidade).
• Lembre-se o tempo todo: Mesmo que você já tenha um baralho favorito, confira outros, seus simbolismos e interpretações, e compare-os.
• Obtenha pelo menos um baralho "tradicional" e pesquise sobre seu simbolismo.
Sistemas de Leitura
• Comece com sequências menores.
• Comece com um método de uma ou de três cartas simples. Sistemas como a Cruz Celta geralmente são um exagero para iniciantes.
• Você pode criar seus próprios métodos de leitura adaptados, bem como usar os tradicionais.
Preparação para uma Leitura
• Lave as mãos antes de tocar nas cartas.
• Centralize-se antes de uma leitura.
• Proteja-se primeiro antes de uma consulta, acenda uma vela e, em seguida, peça a proteção e orientação sobre a leitura, convidando os seus guias para ajudar a tornar mais clara a sua interpretação e para manter as entidades inferiores a distância.
Ética
• As pessoas confiam em você com seus segredos. Mantenha-se digno dessa confiança.
• Leia para pessoa que você está na sua frente. Não fique tentado a ler sobre o marido dela, ou os irmãos, namorado, chefe etc, a menos que eles também estejam sentados na sua frente. Seja ético.
Consulta ao Tarot
• Não fazer a mesma pergunta muitas e muitas vezes. Se você descobrir que se tornou tão viciado em tarot que não pode fazer nada sem antes consultar as cartas, faça uma pausa.
• Use as cartas para ajudar você a entender mais sobre si mesmo. Elas revelam o que você já sabe, mas que por algum motivo não está conseguindo ver.



• Não tente prever, ou desvendar os meandros do destino (você pode fazer isso mais tarde, se desejar).
• Use as cartas para tudo... Vidas passadas, canalização e assim por diante.
• Não tenha medo de combinar modalidades: astrologia, leitura de aura, etc.
• Mantenha o foco nas cartas, não acrescente mais nada até que você tenha obtido tudo o que puder a partir das informações que já estão a sua frente.
A Leitura das Cartas
• A principal coisa é... Apenas no início, se você cometer erros, aprenda com eles!
• Em princípio firme a intenção de que você só vai ler as cartas na posição vertical até que você absorva bem o significado de todos os arcanos. A interpretação das cartas invertidas será mais fácil quando você souber mais profundamente sobre os seus significados verticais.
• Mantenha uma "cola", no caso de você ficar preso em um significado de uma carta. Não tenha medo de procurar um significado em um livro. Apenas uma palavra ou frase pode ser o suficiente para estimular você para contar o resto da história.
• Preconceitos ou ideias fixas sobre o que cada carta significa podem bloquear a sua capacidade de interpretação.
• Seguir o primeiro pensamento é melhor, e mantenha a leitura simples, lembre-se de que está lendo uma história através dos símbolos.



• Use todos os seus sentidos para associar aos arcanos imagens, palavras, músicas, sentimentos. Em seguida, conte uma história com eles.
• Tente não ver qualquer carta apenas como positiva ou negativa, deixe as imagens “falarem” mais amplamente com você.
• Não insista com o cliente que você está certo, nem se desculpe por estar errado.
• Não edite a si mesmo. O que primeiro vem à sua mente provavelmente é o certo.
• Não use a primeira palavra que vem à sua mente, pois isso pode impactar negativamente a pessoa para quem está lendo. Filtre tudo através do amor (um "filtro de amor"), ou seja, o que tiver de dizer diga de uma forma que seja construtiva. A Primeira premissa é a de não chocar ou agredir. Antes de falar, considere o lema "O amor é sempre a reação apropriada”. E nunca force uma pessoa a ir aonde ela não quer ir, ou compreender algo que no momento ela não tem condições.
Predições
• As previsões devem ser feitas com muito cuidado. Elas podem se tornar realidade, porque as pessoas colocam sua crença, suas emoções e energia para a previsão.
• EVITE prever morte, doença, desastres, divórcios... Via de regra, não acrescentam nada ao processo evolutivo do indivíduo! Exceto se o cliente quiser saber, mas não se constranja em se recusar a ver isso caso não aprecie esse tipo de abordagem! Lembre-se: O trabalho é seu!
Fé e Confiança
• Sempre confie em sua intuição.
• Ocasionalmente alguma nova percepção virá para você durante uma leitura, e que não tem nada a ver com o que você conhece ou já estudou. Confie nela. Diga o que você vê, mesmo que isso não faça muito sentido para você.



• Se você vê algo, diga. Pode ser a resposta exata versus o "livro do fulano de tal” como resposta.
• A visão é um dom, use-a com confiança, fé e integridade.
• Confie em seu primeiro pensamento. Você pode procurar o significado de acordo com a tradição mais tarde, se quiser.
• Confie no que você está dizendo, e não se o consulente pensa que isso é "certo" ou "errado". Com certeza é o que o consulente precisa ouvir.
• Tenha fé nas cartas. Só porque você pode não entender o que está sendo mostrado, não significa que não haja uma razão. Relaxe, respire e o entendimento virá para você.
• Não há problema em errar no começo.
• Não se leve tão a sério.
Na Consulta
• Não tome a arrogância ou a agressão das pessoas para si. Geralmente é apenas medo. 
 • Pense sobre o que a outra pessoa precisa e não sobre como você está fazendo.
• Não ceda à tentação de dizer às pessoas o que você acha que elas querem ouvir.
• Não deixe que as outras pessoas "controlem" suas leituras. Confie em si mesmo e lembre-se de que você não tem nada a provar.
• Sim, o consulente sabe sobre si mesmo melhor do que você. Mas você sabe sobre as cartas melhor do que ele ou ela.



• Lembre-se de que você está ali para ajudar o cliente a encontrar sua própria verdade através de um relacionamento entre você, o cliente e as cartas!
• Não leia para a mesma pessoa, para a mesma questão, mais de uma vez em uma lunação (período de um mês ou até mais!). As coisas levam tempo para se desenvolver.
Sobre sua Singularidade
• Conhece a ti mesmo! Faça disso um lema e busque recursos para isso como terapias, meditação, consultas a outros profissionais, etc.
• Cada leitor de tarot é único e traz os seus próprios conceitos e talentos à leitura. Seja você mesmo.
• O tarot se comunica de maneiras diferentes para pessoas diferentes. Preste atenção para as formas específicas com que o tarot comunica ideias para você.

domingo, 7 de junho de 2015

Símbolos Reiki... Quando Usar?


Os símbolos reiki canalizam a energia ki
universal para partes específicas do ser.
Por mais que se repita como é difícil desfazer a crença de que os símbolos do reiki não o tornam mais forte, mas sim apenas direcionam a energia ki para partes específicas do ser! No nível II de reiki são transmitidos três símbolos que atuam no corpo físico, no corpo mental/emocional, e no corpo espiritual. Esses símbolos acabam sendo conhecidos por esses nomes por aqueles que preservam, assim como eu, o sigilo reiki proposto por Mikao Usui. O símbolo da cura física, o símbolo da cura mental/emocional e o símbolo da cura espiritualUsamos estas imagens, que funcionam como Yantras (imagens que curam), quando realizamos a cura à distância, ou em casos bem específicos, como num acidente com queda, queimaduras, ou cortes, onde se usa o símbolo da cura física para aliviar a dor e estimular a cicatrização aplicando-o direto no local da lesão! Em crises de pânico, fobias, depressão, confusão mental, insônia, etc, aplicamos o símbolo da cura mental/emocional, por ser o mais apropriado para esses casos. Quando não estamos presentes, e precisamos atender alguém, abrimos os trabalhos de cura utilizando o símbolo da cura espiritual. Ele rompe com as fronteiras tempo/espaço e permite que a energia reiki chegue até a pessoa a ser tratada, e permite também o envio da energia através dos outros símbolos, potencializando sua utilização. Muitos Mestres reiki dizem também que este símbolo ao ser enviado elimina energias intrusas, miasmas energéticos, e forças obsessoras que se encontram no ambiente em que está a pessoa a ser tratada. 
Sim, você deve estar pensando, mas e no tratamento presencial não me utilizo de nenhum símbolo? Você os utilizará quando for necessário dentro dos exemplos citados. Caso seu cliente reclame que não tem conseguido dormir, ou tem sofrido de dores de cabeça, ou qualquer outra situação aguda que tenha se apresentado! E repetindo o que já se fala na maioria dos seminários de iniciação em reiki pelo mundo afora: Os símbolos não tornam o reiki mais forte, intenso ou eficiente! O que determina a intensidade da energia ki recebida é a própria pessoa em tratamento. Vale também lembrar que isso não é uma decisão racional de quem recebe a cura reiki. Na maioria das vezes é um processo subconsciente. As pessoas se ligam às suas doenças por muitos motivos. Muitas vezes não conseguem superar as emoções que originaram os distúrbios ou enfermidades. Outras vezes essa crise, ou doença, serve como um sinal ou apelo para que a pessoa evolua em algum aspecto da sua vida. Para que aprenda algo importante para sua evolução pessoal. É muito dito, mas pouco compreendido, que crises são oportunidades de crescimento. Em muitos casos os sintomas desaparecem concomitantemente ao processo de absorção do aprendizado interior, mas isso não é uma regra. Lembre-se disso! Então, respondendo à pergunta anterior: Não, você não precisa se utilizar dos símbolos reiki num tratamento presencial! É claro que não se trata de uma proibição, mas de uma recomendação que pode ajudar você a transformar o momento da aplicação reiki também num momento de meditação e maior sintonização com seu cliente! A conexão/transmissão da energia ki através do toque pode criar uma onda de relaxamento intenso para ambos! Explore isso como um recurso tanto meditativo (para ambos) quanto curativo!

A energia reiki circula de modo homogêneo por todo o sistema
físico e sutil durante o tempo de aplicação.

A utilização dos símbolos reiki é bem importante em momentos em que temos de fazer uma aplicação rápida, como em emergências, ou em situações em que não dispomos de muito tempo ou espaço para um tratamento completo! Uma aluna minha de tarot, que também é reikiana, conta que certa vez foi a uma festa na empresa de seu marido, e que lá encontrou uma velha conhecida que havia tido um espasmo muscular no rosto devido a um choque térmico ao sair do banho. Imediatamente ela pensou que o reiki poderia ajudar. Levou essa pessoa até um canto afastado, segurou em sua mão e disse para ela se concentrar enquanto lhe passava reiki. Apesar de desconhecer do que se tratava a mulher aceitou sua ajuda, e na hora de receber a transmissão da energia ki ela fechou os olhos. Minha aluna fez o mesmo. Foram pouco mais de cinco minutos de aplicação, quando as duas voltaram a abrir os olhos o rosto da mulher havia se recuperado quase que totalmente do espasmo, O olho tinha aberto e parado de lacrimejar, a boca, que parecia deslocada, havia se endireitado quase que por completo! Mesmo sem saber exatamente que tratamento era aquele, ela quis receber mais aplicações e com muito entusiasmo! São em situações deste tipo que os símbolos reiki podem, e devem, ser utilizados.
Importante salientar mais uma vez o que também se repete muitas e muitas vezes em seminários reiki pelo mundo a fora: Reiki é uma energia inteligente! As posições em que colocamos as mãos servem mais para o relaxamento, o aconchego e a meditação propriamente ditos. Como no relato acima vemos que uma pessoa receberá toda a energia reiki de que precisa, por menor que seja o tempo de aplicação, e não importando onde se localize o desconforto ou a enfermidade. E muito menos o local onde colocamos as mãos para efetuar a transmissão da energia ki.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Tarólogo: Profissão ou Missão?

As diferenças entre um caminho 
em que se coloca todo o coração, 
e outro em que se depositam 
apenas as ânsias do ego!


Tem me chamado muito a atenção o fato de grande parte das pessoas que procuram meus cursos para se iniciarem no tarot falarem logo em trabalhar profissionalmente com ele, antes mesmo de saber se são capazes de desenvolver algo para si mesmo através dos arcanos. De transformarem essa experiência em algo verdadeiro e profundo para si! É costume nos cursos, tanto de astrologia quanto de numerologia, que antes de ler o mapa de outras pessoas, se estude profundamente o próprio mapa! Estranhamente alguns agem com relação ao tarot como se ele fosse um instrumento antes para os outros do que para si mesmo! A linguagem simbólica do tarot é um caminho metafórico de desenvolvimento pessoal, tanto prático e psicológico, quanto espiritual. Antes de usá-lo para tentar mergulhar no outro, sugiro que mergulhemos em nós mesmos. Você não pode levar o outro em segurança a onde você mesmo nunca esteve! Os tipos carreiristas sempre parecem bem intencionados, mas mentem para si próprios. Logo farão o mesmo para o resto do mundo. Pessoalmente eu nunca vi o tarot como um trabalho, ou profissão. Ele sempre foi, e ainda é, antes de tudo um instrumento de expansão da consciência, crescimento, reflexão e de fascínio, que representa em suas imagens todos os conhecimentos espirituais que adquiri numa caminhada que se iniciou aos quatorze anos de idade! Viver do tarot foi um modo de poder focar mais nesta caminhada, e de compartilhar o que amadureci ao longo dela com as pessoas que se interessassem pelo o que eu tinha para oferecer! Simples assim. E seguir neste caminho foi algo muito estimulado por muitas dessas pessoas, que mais tarde vieram a serem meus clientes, alunos e amigos.
Este artigo que se segue foi publicado no Clube do Tarot em maio de 2008, e me parece cada vez mais atual e necessário de ser lido.

Tarólogo: Profissão ou Missão?

É muito comum que aqueles que se interessem por desenvolver o tarot acabem por ser solicitados ou mesmo que se automotivem a usar as cartas para outros. Basta alguém saber que você está lendo ou estudando o tarot experimentalmente que logo surgem os primeiros interessados em conhecer as suas habilidades.
Isso é natural e muito útil, pois pode auxiliar o leitor a treinar a sua intuição, bem como os seus conhecimentos sobre tarologia. Com a prática, e alguma auto-observação, o estudante perceberá que as mensagens lidas para outros servem, e muito, para o seu próprio crescimento interior, além de que ele mesmo possui uma peculiaridade no modo de ler, que consegue obter uma informação com mais precisão do que as outras, ou ainda, que sua leitura possui um viés próprio, uma assinatura.

O Eremita, A evolução da experiência.
Tarot of The New Vision, by Pietro Alligo.

*A prática mostrará a ele se sua leitura é mais analítica (baseada totalmente no conteúdo teórico de tudo o que você leu ou estudou e na sua habilidade mental para reuni-las na leitura), intuitiva (quando a sua intuição der saltos inexplicáveis e precisos, muito além daquilo que foi lido ou estudado por você), psíquica (quando imagens mentais – vidência – afloram com o auxílio dos arcanos, apesar de haver pouca ou nenhuma formação teórica), ou mais sensitiva (quando a inspiração combina conhecimento do tarot com a capacidade de captar mensagens do inconsciente de quem se consulta). Com o tempo essa assinatura aliada a sua habilidade psíquica mais desenvolvida o caracterizará como tarólogo e o auxiliará a formar o seu público.
Para algumas pessoas esse público crescerá de tal modo que viver desse trabalho, ou tê-lo como complemento de uma renda, será a consequência natural desse processo. O que vemos até aqui é o desabrochar de uma missão! Palavra que parece boba, fora de moda neste mundo obcecado por teorias, formatações e credenciais. A missão, contudo, não deveria ser encarada desse modo, ela é o encontro da consciência com o propósito intrínseco da alma.
Cumprir uma missão independe de a relação com essa atividade ser profissional ou não! Alguém que vive uma missão cresce com o seu caminho, não o tem apenas como um meio de ganhar dinheiro, mas como uma forma de desenvolver sua espiritualidade, compreender a vida e dar a sua contribuição para ela. Viver ou não com exclusividade desse ofício não importa, o que importa é realizá-lo com a máxima dedicação, como um sacerdócio, o que poderá ou não incluir pagamento em dinheiro. Para os que cobram o dinheiro é uma forma de estabelecer uma troca por um tempo que foi dedicado. Para os que se recusam a cobrar, o pagamento é a troca humana e o alargamento da percepção de mundo que o tarot nos proporciona. Não existe de fato um modo correto ou errado de estabelecer essa relação com o tempo e o dinheiro, depende de uma série de fatores pessoais e intransferíveis, e cada um deve refletir sobre o seu próprio caso.

O Perigo


Para quem fez alguns cursos, com aqueles que lhe apontaram como os “melhores” professores, com certificado e tudo o mais, e leu os melhores livros e participou dos melhores seminários... Bem, para esses parece mais do que claro que estão prontos para se tornar profissionais, abrir suas tendinhas e colocar em prática tudo o que estudaram e que, inclusive, pagaram para isso, com a melhor das intenções, é claro!
O problema desse tipo de leitor é que ele se esqueceu de que um tarólogo não é apenas um interpretador de símbolos, mas que é, sobretudo, um espiritualista, que por definição é alguém que tenta fluir com a existência observando os sinais da vida, sacando o que lhe é requisitado para que ele cumpra o seu papel na grande dança cósmica ao invés de se impor, muitas vezes por puro capricho do ego, ou como uma válvula de escape dos próprios problemas. Como disse Santo Agostinho: Misticismo é o conhecimento de Deus pela própria experiência.
Esse é o tipo que se pergunta primeiro se o “mercado” é favorável, se dá para viver disso, e se não der, logo se perguntará como optimizar essa possibilidade. Alguns acabam virando mercadores que muito rapidamente passam a classificar e pasteurizar o seu produto para melhor comercializá-lo, que lutam por um curso credenciado de tarot, garantindo sempre que é para melhor servir os que se interessam em consultá-lo ou estudá-lo, ou que é uma forma de respeitar e proteger esse belo manancial do conhecimento humano... Isso lembrou alguém?... É, tá cheio disso não é mesmo? Não significa ser contra a profissionalização, mas a favor da liberdade de descoberta pessoal que a prática tarológica proporciona.
Lembremos o arcano de O Louco, o caminhante que sai desse mundo abandonado as regras do sistema, o sublime transgressor, que renuncia a tudo o que sabe para percorrer a estrada única do seu desenvolvimento interior. A viagem dele pelos arcanos maiores é a nossa jornada pela vida. Quando termina a jornada, completamente iluminado, ele o faz do mesmo modo, livre, sem apegos às coisas desse mundo, sem nenhuma necessidade de autoafirmação ou auto-validação que venha de outros. Nem mesmo o cão que, no tarot clássico, rasga sua calça e parece querer detê-lo, símbolo da domesticação e da subserviência, é capaz de perturbá-lo. Nenhuma promessa de segurança é capaz de ludibriá-lo, pois ele sabe que a iluminação não é a consequência de um plano, e que qualquer caminho que realmente vale a pena percorrer não oferece garantias. As garantias vêm de sistemas mortos.

O Louco, o aspecto transgressor do espírito.
Osho Zen Tarot, by Ma Deva Padma
.

O que importa como somos classificados pelo ministério do trabalho? Do que valeu para qualquer classe de profissionais no mundo essa classificação, ou a garantia de direitos das associações ou sindicatos, a não ser, é claro, para criar uma massa não pensante, mesquinha e materialista? Os tarólogos que cumprem uma missão com o tarot vivem livremente nesse mundo desde o século XVIII.
Os profissionais que se organizam em qualquer tipo de movimento para regulamentar uma atividade o fazem para garantir, antes de mais nada, o exercício controlado de um trabalho para fins comerciais! Aqueles que se reúnem para definir códigos de ética não assumem, que no mesmo instante em que a ética tem de ser oficializada ela já morreu! O que pode fazer um curso credenciado a não ser formatar generalizadamente o conhecimento e destruir uma miríade de possibilidades de potenciais criativos e espirituais?

O Caminho


Para os que se interessam em desenvolver o tarot como uma prática espiritual, oracular e meditativa para si e para os outros eu já havia deixado a sugestão de alguns questionamentos no meu artigo O Papel Espiritual do Tarólogo, onde procurei instigar a pergunta mais importante que qualquer aspirante ao tarot deve se fazer: Por que eu quero fazer isso? O que me motiva mais profundamente a praticar o tarot? Para descobrir isso deixe o tempo atuar sobre você e o trabalho que você está criando, observe como se sente e qual é a demanda de trabalho que você tem. Como as pessoas recebem o que você comunica através do tarot? Que tempo demoram para retornar a consultá-lo? Observe as habilidades que a lida com os arcanos afloraram em você. E, sobretudo, reflita se a relação com o dinheiro, e sua inevitável flutuação numa atividade autônoma, o deixam tenso a ponto de atrapalhar o equilíbrio da sua relação com o trabalho tarológico.
Lembre que não há desvantagem nenhuma em se ter uma outra atividade complementar ao ofício com o tarot, em querer ter uma base de estabilidade financeira para fazer com relaxamento e dedicação uma atividade profunda como a tarologia. O único caminho que vale a pena ser seguido é aquele que vem de dentro, que nos eleva, nos ilumina e que nesse processo nos permite compartilhar nosso caminho e nossas experiências com outros. Se nossas vivências e estudos iluminam alguém mais, além de nós mesmos, então essa é a verdadeira realização.


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Sobre as Mesas de Cartomante



No artigo anterior Sobre as Salas de Cartomante, acho que fui demasiado displicente ao nomear genericamente os símbolos e artefatos mágicos, terapêuticos e energéticos das salas de cartomante de “apetrechos”. Como se eu desprezasse ou não soubesse de sua relevância! Então, antes de qualquer coisa, quero declarar que sim, eu me utilizo de alguns desses apetrechos! Na minha mesa de atendimento há um símbolo hindu cuja função é equilibrar e sintonizar os chakras tanto meus quanto do cliente e criar uma sintonia entre nós! Também tenho pedras programadas como manda a prática terapêutica da cristaloterapia, só não as tenho em cima de minha mesa. Da mesma forma como possuo um discreto altar onde medito todos os dias antes de começar a atender! Eu apenas não foco tanto nessas coisas como muitos dos meus colegas, e acho importante salientar que a leitura do tarot funciona mesmo sem nada disso. Já expliquei aqui num dos meus artigos que os rituais, sejam eles simples ou bem elaborados, são mais para o tarólogo do que para o tarot! Nós é que precisamos limpar nossas mentes das influências externas, como casa, relacionamentos etc. O tarot funciona de qualquer modo, mas como depende do entendimento e do canal do leitor para expressar suas revelações, este precisa estar bem “limpo”, centrado e sintonizado!
Geralmente esses objetos são utilizados com a intenção de justamente ajudar o leitor a se centrar, ampliar seus potenciais intuitivos e ou mediúnicos, como também proteger a ele e ao ambiente das energias emocionais e psíquicas densas que o cliente emana durante as sessões de leitura. Afinal, ninguém procura uma consulta ao tarot por estar se sentindo leve ou bem resolvido com suas questões, não é mesmo? Mesmo quando se trata de uma consulta com objetivos de autoconhecimento, os aspectos não funcionais debatidos na sessão mexem com emoções profundas e não resolvidas, e isso gera sempre alguma tensão. Defendo a ideia de que esses símbolos arquetípicos podem ser usados discretamente, mas como deixei bem claro naquele artigo, isso é uma preferência minha, e não uma verdade absoluta!


Mas o que são? Quais suas funções? Muitos dos símbolos usados nas mesas de cartomante são de cunho espiritual, como artefatos do xamanismo, da wicca, ou da umbanda. Outras vezes são símbolos radiestésicos que trabalham as questões levantadas agora a pouco, como defesa psíquica, sintonia intuitiva etc! Plantas vivas, sementes e até os ramos de certas árvores também são usados. Como a Nova Era possui uma miríade de orientações e mesclas espirituais de diversas origens, não seria possível enumerar tudo o que se pode encontrar. Podemos, porém, explicar os mais comuns. Vamos a eles:

Velas – Por representar o elemento fogo são purificadores energéticos naturais, e sua imensa força arquetípica como símbolos de poder, permitem com que se direcione ao subconsciente intenções específicas para as consultas daquele dia.

Incensos – Antes do surgimento das primeiras velas os incensos eram as mais perfeitas oferendas dadas às divindades, sobretudo no antigo Egito e Índia. Além disso, o perfume é conhecido nas tradições ancestrais como um dissipador de miasmas energéticos.

Cristais – Os cristais também podem ser programados para as mais variadas aplicações mediúnicas e terapêuticas. Podendo servir à defesa psíquica, a ampliação do canal intuitivo e da visão interior, centramento tanto do leitor quanto do consulente, e cura.


Alguns símbolos com que também podemos nos deparar em salas e nas mesas de cartomantes.

Pentagrama – Simboliza os poderes da terra, a revelação da verdade e a proteção da grande Deusa-Mãe dos ritos pagãos. Para os pitagóricos era o símbolo do ideal de perfeição humana. em perfeita saúde e conhecimento. Para os hebreus o símbolo dos cinco livros do Torá, o Pentateuco, a lei revelada por Deus.

Olho de Hórus – Seria o olho esquerdo perdido por Hórus na sua batalha contra o Deus do caos Seth. O novo olho possuía o dom de um poder supremo, proteção e capacidade de ver tudo para além das aparências, da distância e do tempo, como ocorre com aqueles que possuem a sua “terceira visão” aberta. Sendo essa a sua função simbólica para os que se orientam pela tradição mágica dos egípcios.

O Athame – Uma faca com lâmina dupla, mas não amoladas, que serve para dirigir energias tanto quanto para definir o espaço de trabalho mágico, traz proteção. Seu simbolismo está ligado à lua e é comumente utilizado por seguidores da religião Wicca.

O Caldeirão – Muito cartomantes seguidores da tradição da Deusa usam um pequeno caldeirão de três pernas, simbolizando as três faces da Deusa-Mãe, sobre a mesa junto com seu athame. Nele se pode queimar pedidos, ou fazer pequenas fogueiras com intenções rituais antes ou depois dos atendimentos.



Como disse nada disso substitui a interação leitor-oráculo, mas pode facilitar o fluxo e a interação das energias do inconsciente entre leitor e cliente. Não me utilizo de nenhum deles, mas reconheço seu valor tanto simbólico e psicológico, quanto energético e mágico. Como pode se observar os três primeiros objetos citados são de aplicação mais ampla, e não dependem de nenhuma orientação místico-religiosa. Os dois que se seguem não necessariamente, mas os dois últimos com certeza!
Sinto que numa leitura de tarot uma certa aplicação de símbolos poderosos da ancestralidade profundamente arraigados no nosso inconsciente coletivo pode ajudar sim, mas eu prefiro me apoiar, sobretudo, na minha presença divina, na convicção do meu propósito e missão, e na minha total confiança na linguagem e nas revelações do tarot! E, para ser sincero, tem funcionado muito bem nas últimas duas décadas e meia.

Namastê!

terça-feira, 14 de abril de 2015

Sobre as Salas de Cartomante


Diante da observação de uma aluna que disse que minha sala de atendimento era "bem masculina" e nada "mística", comecei a refletir o motivo de eu tê-la transformado assim. Eu a considero um ambiente agradável, e meus clientes também o acham, por outro lado sei que ela é destituída da aparência de grande parte das salas tradicionais, por assim dizer, das cartomantes. Não há fumaça de incenso pairando pelo ar, nem almoçadas nas cadeiras para recostar os clientes, pequenas mesas redondas, e muito menos velas, pedras ou bolas de cristal em cima da mesa de consulta, ou ainda mini caldeirões para queimar energias negativas antes e depois das leituras, como o fazem alguns cartomantes wiccanos. Minha sala de fato parece mesmo um escritório! Na minha mesa (grande e retangular) de um lado fica um aparelho de telefone e uma secretária eletrônica, do outro minha agenda, alguns blocos de anotações, canetas, uma caixa rúnica e um exemplar do I Ching para minhas orientações pessoais. Somente nas leituras de tarot é que eu uso sobre ela um pano violeta feito no tear para deitar as cartas em cima durante a interpretação, e o meu baralho de tarot propriamente dito. Nos atendimentos de numerologia e astrologia nem isso eu uso!


Eu sempre evitei esta exposição de acessórios por considerar que minhas crenças e práticas quer sejam espirituais, ou simplesmente meditativas, são minhas e de mais ninguém! Além de acreditar que isso poderia gerar ou temor ou muita resistência por parte de quem viesse a se consultar comigo, embora saiba que ambas as atitudes sejam fruto do mais puro preconceito, que invariavelmente é apoiado na mais pura ignorância sobre o assunto! Muitas vezes o preconceito das pessoas as impedem de chegar até um consultor desses. Por outro lado creio muito firmemente que nós devemos ser o que somos e que só chegará a nós quem tem de vir e ouvir o que tem de ouvir através do que amadurecemos ao longo de nossa caminhada. Ou seja, pessoas que se coadunam com tudo o que criamos com nossa experiência ao longo da vida. E lembro-me da sala de atendimento da minha já falecida tia Lourdes, com uma pequena mesa onde suas cartas de baralho Lenormand ficavam ao lado de uma sineta que ela tocava enquanto orava para abrir o trabalho de leitura. Ou da mesa com cristais e símbolos egípcios de minha querida amiga e Mestra Laura. Eu me sentia, e sinto, muito aconchegado nesses ambientes. 
Fui procurar na internet as salas de cartomante mundo afora e me deparei com o mais variado tipo de argumento para que cada um atendesse no ambiente em que atende. Desde a vibração energética, aos preceitos de culto religioso e espiritual que cada um professa. 
Por fim concluí que minha sala é do que jeito que é porque gosto de ambientes claros e de aparência limpa e organizada, e também porque sou discreto com minha vida espiritual como sou com minha vida privada. Não são temas de domínio universal e sim de cunho privado e prefiro que continuem assim, muito embora apoie integralmente os que pensam o contrário a seguir suas convicções. Nossos ambientes de trabalho refletem o que somos, não tem jeito! Além do que, a vida sem a expressão de sua pluralidade é que não faz o menor sentido!

Leia também: Sobre as Mesas de Cartomante 

sexta-feira, 13 de março de 2015

Cartas da Corte - As Máscaras da Psique


O Valete de ouros, do
Visconti-Sforza tarot.
Elas compõem o conjunto dos arcanos menores e representam uma dificuldade para quem está se iniciando na linguagem simbólica do tarot. Como interpretá-las? As Cartas da Corte podem representar nossas posturas diante dos grandes acontecimentos arquetípicos simbolizados pelos 22 arcanos maiores. Em outro momento podem representar pessoas com quem contatamos em nossa rotina e que representam as qualidades que temos dificuldade de incorporar em nossas vidas! E podem ainda representar acontecimentos práticos, como as quarenta cartas numerados dos quatro naipes nos arcanos menores. A dúvida então permanece: como encarar seu aparecimento numa leitura? Qualquer professor ou leitor sincero de tarot dirá que não há outro meio de distinguir a definição de um símbolo a não ser intuitivamente! Os sistemas de leitura podem ajudar caso as cartas da corte apareçam, por exemplo, nas casas de ar ou água numa mandala astrológica. Sabemos, porém, que isso tem variáveis bem significativas. Já identifiquei pessoas sendo representadas nas casas IX. X e XII... No trabalho com uma linguagem simbólica tão propensa a sugerir infinitamente quanto o tarot qualquer emprego de artifícios técnicos terá limitações. A ideia de que uma técnica de leitura pode ser desenvolvida e funcionar sempre, como ocorre com a leitura do mapa astrológico, é bem difundida por ser comercialmente interessante. Ela vende cursos, atrai alunos! Deparei-me dias desses com um anúncio na internet que dizia que não era preciso ser sensitivo para ler o tarot, bastava ter boa vontade! Como sempre reafirmo que todos nós podemos aprender a desenhar, mas ninguém como Da Vinci. Todos nós podemos escrever versos, mas ninguém como Dante! Haverá, é claro, aqueles que dirão que não têm essa pretensão... A eles digo: já viram aqueles programas de calouros musicais? Onde candidatos fazem quase chorar os jurados com suas vozes esganiçadas nas primeiras eliminatórias e, ao serem rejeitados e confrontados com o fato óbvio de que não possuem nenhum talento, caem aos prantos dizendo: “Mas esta é minha vida! Nasci para fazer isso!”? Pois é, durma-se com um barulho desses! Os aprendizes de sistemas simbólicos são assim também. Dois bons termômetros para testar essa capacidade é a prática com as pessoas, e o retorno que elas lhe trazem, e a sua capacidade ir ampliando o significado dos arcanos não só racional e intelectualmente, mas também através de suas percepções intuitivas. Nunca deixe de ler sobre tarot, mas nunca deixe de ouvir sua Voz Interior, esse é meu conselho!
O Rei (Homem) de copas,
do Voyager tarot.
Voltando para as cartas da corte, eu costumo sempre encará-las como uma postura do indivíduo sobre uma situação, mas esse é só um começo. Sua posição no jogo, sua interação com os demais arcanos, e meus “saltos” intuitivos me dirão se é outra coisa ou algo mais! Na antiga ordem inglesa Golden Dawn eles associaram as Cartas da Corte aos quatro elementos. E assim, Reis foram associados ao elemento Ar, as Rainhas ao elemento Água, os Cavaleiros ao Fogo e os Valetes, ou Pajens ao elemento Terra. Porém, como cada um desses personagens da corte aparecem em todos os quatro naipes haverá uma interação simbólica muito interessante dos elementos entre si. Já explorei esta relação simbólica no artigo Arcanos Menores - Os Mensageiros da Alma, mas é sempre bom rever e refrescar a memória não é?

- Rei de paus = Ar do fogo. Rei de copas = Ar da água. Rei de espadas = ar do ar. Rei de ouros = Ar da terra. 

- Rainha de paus = Água do fogo. Rainha de copas = Água da água. Rainha de espadas = Água do ar. Rainha de ouros = Água da terra. 

- Cavaleiro de paus = Fogo do fogo. Cavaleiro de copas = Fogo da água. Cavaleiro de espadas = Fogo do ar. Cavaleiro de ouros = Fogo da terra. 

- Valete de paus = Terra do fogo. Valete de copas = Terra da água. Valete de espadas = Terra do ar. Valete de ouros = Terra da terra. 

Ilustração medieval sobre os quatro
símbolos alquímicos dos elementos.


Esta relação, que também envolve ciclos astrológicos que não explanarei aqui neste texto, fará com que cada arcano da Corte seja regido por um ou dois elementos. O Rei de paus, por exemplo, é o Ar do Fogo, ou seja, o pensamento (Ar) expansivo (Fogo). Inteligente, ativo, franco, direto, autoconfiante. Regido por dois elementos masculinos, Ar e Fogo, que enaltecem essas suas qualidades. Falta-lhe, porém, a Água e a Terra, e isto fortalece suas deficiências.  A falta de Água o torna pouco sensível à subjetividade emocional dos outros, do tipo que diz: “Pare com isso, é frescura!”. A falta de Terra o faz desconhecer limites, o que é muito bom para que ele cresça e se desenvolva por um lado, mas por outro lado o torna intransigente e arrogante. Assim acontecerá com todas as demais Cartas da Corte e seus respectivos elementos regentes.


As Cartas da Corte do baralho espanhol.

Quatro cartas terão apenas um elemento regente. São elas o Rei de espadas (Ar do Ar), a Rainha de copas (Água da Água), o Cavaleiro de paus (Fogo do Fogo) e o Valete de ouros. (Terra da Terra). Nesses casos as qualidades do elemento em questão ficarão muito exaltadas. Mas as deficiências aumentam. Se tomarmos como exemplo o Valete de ouros, teremos a Terra da Terra, com profundidade, cautela, seriedade, capacidade de desenvolvimento e aprendizado, por um lado, mas com falta de agilidade mental e rapidez (Ar), criatividade e impetuosidade (Fogo), e a carência de uma sensibilidade mais profunda para ver um propósito maior nos seus investimentos (Água). A relação com os elementos e a compreensão dos seus significados tornarão esse entendimento mais fluente, por isso releia o texto sobre os arcanos menores clicando no link do título que aparece mais acima.

                     O que O Louco Faz Aí?

O Louco, um membro
desgarrado da corte.
Do 1 JJ Swiss tarot.
É interessante notar que dentro das cortes medievais a figura do bobo integrava a corte como um serviçal do rei, mas no tarot ele está entre os arcanos maiores, o que denota a complexidade do seu arquétipo. Ele representa o próprio viajante ao longo dos arcanos maiores, e por que não dizer também dos menores! Uma grande, mas pouco comentada contribuição para a interpretação dos arcanos menores do tarot, foi dada por Juliet Sharman-Burke e Liz Greene em seu Tarot Mitológico. Elas mostram neste baralho que a viagem de O Louco continua ao representar uma sequência de acontecimentos no simbolismo das cartas de naipe. Assim, cada naipe conta a aventura de um herói grego. Paus conta a história de Jasão, copas o mito de Eros e Psique, espadas a tragédia da Casa de Atreu, e do herói Orestes. Ouros, por fim conta o mito do maior inventor do mundo, Dédalo. As personagens das Cartas da Corte são outros heróis míticos que de alguma forma estão relacionados ao mito principal dos arcanos menores. O Rainha de copas, por exemplo, é Helena de Troia, prometida à Paris pela deusa Afrodite que é também a iniciadora de toda a trama ocorrida neste naipe, e assim por diante. Vemos deste modo que existe uma viagem arquetípica pelo simbolismo dos arcanos menores, e que O Louco transita por entre esses mundos como a própria consciência tem a propriedade de acessar dimensões que o corpo não pode, mas que no plano espiritual pode ser definida como uma jornada de evolução!

Sobre essa viagem leia: A Viagem da Alma nos Arcanos Menores... 

O texto abaixo foi publicado no Clube do Tarot em Novembro de 2008, e complementa bem o texto acima. E não, não deu pra ser mais criativo no título!
Cartas da Corte 
- As Máscaras da Alma -

Entre os setenta e oito arcanos do tarot há um delicado equilíbrio entre os três níveis de seu corpo simbólico que deve ser entendido e respeitado para que seu máximo potencial de análise, diagnóstico psíquico, ou predição seja aproveitado.

O Rei (Pai) de espadas (vento),
do Tarot of The Spirit.
O primeiro conjunto de arcanos (Mistério ou segredo em latim) tem vinte e dois trunfos e simbolizam os grandes estágios de desenvolvimento tanto espiritual quanto psicológico. Seu simbolismo complexo e profundo alude às vivências humanas de maior significância e poder transformador: Morte, paternidade, amor, sexo, ego, lutas, conquistas, decisões, ruínas, etc. O segundo nível de símbolos são as dezesseis cartas da corte, elas são as máscaras que nós homens usamos para enfrentar esses grandes acontecimentos. Seriam as múltiplas personas (Máscaras em grego) das quais nos utilizamos em diferentes momentos da vida. Isso pode ser verificado no seguinte questionamento: Você é a mesma pessoa no convívio familiar e profissional? Claro que não! Usamos uma faceta doce e amorosa quando estamos apaixonados, que não é a mesma quando temos de falar com um funcionário sobre uma atuação sua que nos contrariou. Se na primeira situação usamos uma Rainha de paus, amorosa quente e sensual, na segunda usamos um Rei de espadas, firme e objetivo exercendo a sua liderança.
Por fim há as quarenta cartas dos arcanos menores numerados de um a dez nos quatro naipes (Há uma tese que diz que essa palavra vem do árabe e sua tradução é mensageiro). Esses últimos revelam o impacto deixado na vida prática pela combinação de eventos mais a atuação pessoal.


Arcanos maiores e menores interagem
livre e intensamente na leitura.

Um exemplo pode ilustrar melhor esse fato. Digamos que a carta de A Morte revele uma perda muito dolorosa na vida profissional, um ciclo terminou num local de trabalho que a pessoa em questão amava muito e nenhum novo começo se apresenta. Contudo essa pessoa agiu como um Rei de paus, extremamente otimista agradeceu as homenagens que recebeu, despediu-se dos colegas e, com certeza agiu assim porque sentiu naquele momento que se lamentar poderia ser piegas e a típica atitude de um fracassado! Como consequência essa pessoa passou a viver um Cinco de copas, lamentado o passado, mas sempre apegada a ele fazendo com que a vida presente se tornasse insípida e sem nenhum prazer. É evidente que as cartas não saem nessa sequência, mas esse exemplo demonstra bem a interação dos símbolos tarológicos em suas respectivas funções.
Existem ainda outras funções das cartas da corte, elas podem, por exemplo, representar pessoas que se relacionam com o cliente, amigos, pais, irmãos, colegas, amantes... Uma outra visão desses arcanos, aplicada principalmente por quem se utiliza do tarot apenas como um instrumento de cartomancia, vê na corte acontecimentos análogos aos naipes que pertencem bem como ao seu perfil psicológico. Vamos mais uma vez nos utilizarmos do Rei de espadas, que no início desse artigo mostrou sua faceta firme e autoritária, ele pode também revelar a assinatura de contratos ou acordos. Vemos aqui a combinação do elemento ar, cujo representante esotérico no tarot é o naipe de espadas e que tem como atributos a palavra escrita ou falada, a razão, a lógica, e o esclarecimento, com a figura do rei, forte, importante e decisivo.


As cartas do naipe de ouros do baralho espanhol.

Com certeza você deve estar pensando que as coisas ficaram complicadas agora. Bem, a interpretação dos arcanos tem lá o seu grau de complexidade. Essa dificuldade pode ser atenuada pelo sistema de leitura escolhido, as posições dentro do contexto do jogo definirão do que as cartas da corte estão falando afinal.
A abordagem da qual você se utilizará para aplicar as cartas também será de grande ajuda. Vale lembrar que o tarot serve tanto os propósitos de elevação da consciência e reflexão dos acontecimentos dentro de uma perspectiva de desenvolvimento e evolução, quanto para uma sondagem puramente factual e prática sobre os eventos do passado e do futuro para resoluções bem materiais. Por fim a intuição é o guia decisivo e insubstituível que distinguirá mais precisamente a função do arcano da corte e sua interação com os demais símbolos tarológicos.