sexta-feira, 13 de março de 2015

Cartas da Corte - As Máscaras da Psique


O Valete de ouros, do
Visconti-Sforza tarot.
Elas compõem o conjunto dos arcanos menores e representam uma dificuldade para quem está se iniciando na linguagem simbólica do tarot. Como interpretá-las? As Cartas da Corte podem representar nossas posturas diante dos grandes acontecimentos arquetípicos simbolizados pelos 22 arcanos maiores. Em outro momento podem representar pessoas com quem contatamos em nossa rotina e que representam as qualidades que temos dificuldade de incorporar em nossas vidas! E podem ainda representar acontecimentos práticos, como as quarenta cartas numerados dos quatro naipes nos arcanos menores. A dúvida então permanece: como encarar seu aparecimento numa leitura? Qualquer professor ou leitor sincero de tarot dirá que não há outro meio de distinguir a definição de um símbolo a não ser intuitivamente! Os sistemas de leitura podem ajudar caso as cartas da corte apareçam, por exemplo, nas casas de ar ou água numa mandala astrológica. Sabemos, porém, que isso tem variáveis bem significativas. Já identifiquei pessoas sendo representadas nas casas IX. X e XII... No trabalho com uma linguagem simbólica tão propensa a sugerir infinitamente quanto o tarot qualquer emprego de artifícios técnicos terá limitações. A ideia de que uma técnica de leitura pode ser desenvolvida e funcionar sempre, como ocorre com a leitura do mapa astrológico, é bem difundida por ser comercialmente interessante. Ela vende cursos, atrai alunos! Deparei-me dias desses com um anúncio na internet que dizia que não era preciso ser sensitivo para ler o tarot, bastava ter boa vontade! Como sempre reafirmo que todos nós podemos aprender a desenhar, mas ninguém como Da Vinci. Todos nós podemos escrever versos, mas ninguém como Dante! Haverá, é claro, aqueles que dirão que não têm essa pretensão... A eles digo: já viram aqueles programas de calouros musicais? Onde candidatos fazem quase chorar os jurados com suas vozes esganiçadas nas primeiras eliminatórias e, ao serem rejeitados e confrontados com o fato óbvio de que não possuem nenhum talento, caem aos prantos dizendo: “Mas esta é minha vida! Nasci para fazer isso!”? Pois é, durma-se com um barulho desses! Os aprendizes de sistemas simbólicos são assim também. Dois bons termômetros para testar essa capacidade é a prática com as pessoas, e o retorno que elas lhe trazem, e a sua capacidade ir ampliando o significado dos arcanos não só racional e intelectualmente, mas também através de suas percepções intuitivas. Nunca deixe de ler sobre tarot, mas nunca deixe de ouvir sua Voz Interior, esse é meu conselho!
O Rei (Homem) de copas,
do Voyager tarot.
Voltando para as cartas da corte, eu costumo sempre encará-las como uma postura do indivíduo sobre uma situação, mas esse é só um começo. Sua posição no jogo, sua interação com os demais arcanos, e meus “saltos” intuitivos me dirão se é outra coisa ou algo mais! Na antiga ordem inglesa Golden Dawn eles associaram as Cartas da Corte aos quatro elementos. E assim, Reis foram associados ao elemento Ar, as Rainhas ao elemento Água, os Cavaleiros ao Fogo e os Valetes, ou Pajens ao elemento Terra. Porém, como cada um desses personagens da corte aparecem em todos os quatro naipes haverá uma interação simbólica muito interessante dos elementos entre si. Já explorei esta relação simbólica no artigo Arcanos Menores - Os Mensageiros da Alma, mas é sempre bom rever e refrescar a memória não é?

- Rei de paus = Ar do fogo. Rei de copas = Ar da água. Rei de espadas = ar do ar. Rei de ouros = Ar da terra. 

- Rainha de paus = Água do fogo. Rainha de copas = Água da água. Rainha de espadas = Água do ar. Rainha de ouros = Água da terra. 

- Cavaleiro de paus = Fogo do fogo. Cavaleiro de copas = Fogo da água. Cavaleiro de espadas = Fogo do ar. Cavaleiro de ouros = Fogo da terra. 

- Valete de paus = Terra do fogo. Valete de copas = Terra da água. Valete de espadas = Terra do ar. Valete de ouros = Terra da terra. 

Ilustração medieval sobre os quatro
símbolos alquímicos dos elementos.


Esta relação, que também envolve ciclos astrológicos que não explanarei aqui neste texto, fará com que cada arcano da Corte seja regido por um ou dois elementos. O Rei de paus, por exemplo, é o Ar do Fogo, ou seja, o pensamento (Ar) expansivo (Fogo). Inteligente, ativo, franco, direto, autoconfiante. Regido por dois elementos masculinos, Ar e Fogo, que enaltecem essas suas qualidades. Falta-lhe, porém, a Água e a Terra, e isto fortalece suas deficiências.  A falta de Água o torna pouco sensível à subjetividade emocional dos outros, do tipo que diz: “Pare com isso, é frescura!”. A falta de Terra o faz desconhecer limites, o que é muito bom para que ele cresça e se desenvolva por um lado, mas por outro lado o torna intransigente e arrogante. Assim acontecerá com todas as demais Cartas da Corte e seus respectivos elementos regentes.


As Cartas da Corte do baralho espanhol.

Quatro cartas terão apenas um elemento regente. São elas o Rei de espadas (Ar do Ar), a Rainha de copas (Água da Água), o Cavaleiro de paus (Fogo do Fogo) e o Valete de ouros. (Terra da Terra). Nesses casos as qualidades do elemento em questão ficarão muito exaltadas. Mas as deficiências aumentam. Se tomarmos como exemplo o Valete de ouros, teremos a Terra da Terra, com profundidade, cautela, seriedade, capacidade de desenvolvimento e aprendizado, por um lado, mas com falta de agilidade mental e rapidez (Ar), criatividade e impetuosidade (Fogo), e a carência de uma sensibilidade mais profunda para ver um propósito maior nos seus investimentos (Água). A relação com os elementos e a compreensão dos seus significados tornarão esse entendimento mais fluente, por isso releia o texto sobre os arcanos menores clicando no link do título que aparece mais acima.

                     O que O Louco Faz Aí?

O Louco, um membro
desgarrado da corte.
Do 1 JJ Swiss tarot.
É interessante notar que dentro das cortes medievais a figura do bobo integrava a corte como um serviçal do rei, mas no tarot ele está entre os arcanos maiores, o que denota a complexidade do seu arquétipo. Ele representa o próprio viajante ao longo dos arcanos maiores, e por que não dizer também dos menores! Uma grande, mas pouco comentada contribuição para a interpretação dos arcanos menores do tarot, foi dada por Juliet Sharman-Burke e Liz Greene em seu Tarot Mitológico. Elas mostram neste baralho que a viagem de O Louco continua ao representar uma sequência de acontecimentos no simbolismo das cartas de naipe. Assim, cada naipe conta a aventura de um herói grego. Paus conta a história de Jasão, copas o mito de Eros e Psique, espadas a tragédia da Casa de Atreu, e do herói Orestes. Ouros, por fim conta o mito do maior inventor do mundo, Dédalo. As personagens das Cartas da Corte são outros heróis míticos que de alguma forma estão relacionados ao mito principal dos arcanos menores. O Rainha de copas, por exemplo, é Helena de Troia, prometida à Paris pela deusa Afrodite que é também a iniciadora de toda a trama ocorrida neste naipe, e assim por diante. Vemos deste modo que existe uma viagem arquetípica pelo simbolismo dos arcanos menores, e que O Louco transita por entre esses mundos como a própria consciência tem a propriedade de acessar dimensões que o corpo não pode, mas que no plano espiritual pode ser definida como uma jornada de evolução!

Sobre essa viagem leia: A Viagem da Alma nos Arcanos Menores... 

O texto abaixo foi publicado no Clube do Tarot em Novembro de 2008, e complementa bem o texto acima. E não, não deu pra ser mais criativo no título!
Cartas da Corte 
- As Máscaras da Alma -

Entre os setenta e oito arcanos do tarot há um delicado equilíbrio entre os três níveis de seu corpo simbólico que deve ser entendido e respeitado para que seu máximo potencial de análise, diagnóstico psíquico, ou predição seja aproveitado.

O Rei (Pai) de espadas (vento),
do Tarot of The Spirit.
O primeiro conjunto de arcanos (Mistério ou segredo em latim) tem vinte e dois trunfos e simbolizam os grandes estágios de desenvolvimento tanto espiritual quanto psicológico. Seu simbolismo complexo e profundo alude às vivências humanas de maior significância e poder transformador: Morte, paternidade, amor, sexo, ego, lutas, conquistas, decisões, ruínas, etc. O segundo nível de símbolos são as dezesseis cartas da corte, elas são as máscaras que nós homens usamos para enfrentar esses grandes acontecimentos. Seriam as múltiplas personas (Máscaras em grego) das quais nos utilizamos em diferentes momentos da vida. Isso pode ser verificado no seguinte questionamento: Você é a mesma pessoa no convívio familiar e profissional? Claro que não! Usamos uma faceta doce e amorosa quando estamos apaixonados, que não é a mesma quando temos de falar com um funcionário sobre uma atuação sua que nos contrariou. Se na primeira situação usamos uma Rainha de paus, amorosa quente e sensual, na segunda usamos um Rei de espadas, firme e objetivo exercendo a sua liderança.
Por fim há as quarenta cartas dos arcanos menores numerados de um a dez nos quatro naipes (Há uma tese que diz que essa palavra vem do árabe e sua tradução é mensageiro). Esses últimos revelam o impacto deixado na vida prática pela combinação de eventos mais a atuação pessoal.


Arcanos maiores e menores interagem
livre e intensamente na leitura.

Um exemplo pode ilustrar melhor esse fato. Digamos que a carta de A Morte revele uma perda muito dolorosa na vida profissional, um ciclo terminou num local de trabalho que a pessoa em questão amava muito e nenhum novo começo se apresenta. Contudo essa pessoa agiu como um Rei de paus, extremamente otimista agradeceu as homenagens que recebeu, despediu-se dos colegas e, com certeza agiu assim porque sentiu naquele momento que se lamentar poderia ser piegas e a típica atitude de um fracassado! Como consequência essa pessoa passou a viver um Cinco de copas, lamentado o passado, mas sempre apegada a ele fazendo com que a vida presente se tornasse insípida e sem nenhum prazer. É evidente que as cartas não saem nessa sequência, mas esse exemplo demonstra bem a interação dos símbolos tarológicos em suas respectivas funções.
Existem ainda outras funções das cartas da corte, elas podem, por exemplo, representar pessoas que se relacionam com o cliente, amigos, pais, irmãos, colegas, amantes... Uma outra visão desses arcanos, aplicada principalmente por quem se utiliza do tarot apenas como um instrumento de cartomancia, vê na corte acontecimentos análogos aos naipes que pertencem bem como ao seu perfil psicológico. Vamos mais uma vez nos utilizarmos do Rei de espadas, que no início desse artigo mostrou sua faceta firme e autoritária, ele pode também revelar a assinatura de contratos ou acordos. Vemos aqui a combinação do elemento ar, cujo representante esotérico no tarot é o naipe de espadas e que tem como atributos a palavra escrita ou falada, a razão, a lógica, e o esclarecimento, com a figura do rei, forte, importante e decisivo.


As cartas do naipe de ouros do baralho espanhol.

Com certeza você deve estar pensando que as coisas ficaram complicadas agora. Bem, a interpretação dos arcanos tem lá o seu grau de complexidade. Essa dificuldade pode ser atenuada pelo sistema de leitura escolhido, as posições dentro do contexto do jogo definirão do que as cartas da corte estão falando afinal.
A abordagem da qual você se utilizará para aplicar as cartas também será de grande ajuda. Vale lembrar que o tarot serve tanto os propósitos de elevação da consciência e reflexão dos acontecimentos dentro de uma perspectiva de desenvolvimento e evolução, quanto para uma sondagem puramente factual e prática sobre os eventos do passado e do futuro para resoluções bem materiais. Por fim a intuição é o guia decisivo e insubstituível que distinguirá mais precisamente a função do arcano da corte e sua interação com os demais símbolos tarológicos.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Os Reis do Tarot

Pais e Líderes...

Os Reis do baralho clássico;
o Rei de ouros do tarot
de Marselha.
Os Reis do tarot, também chamados de Príncipes, Xamãs, Pais e Homens nos baralhos mais modernos, são a personificação do masculino interior e do arquétipo do pai dentro de cada um de nós! O masculino interior é a parte da consciência que vê o mundo sob uma perspectiva objetiva, clara, racional e organizada. Na perspectiva deles a existência é um caos a ser compreendido, explicado e organizado! O que torna sua expressão afetiva um tanto contida, ou “seca”, e sua atuação um tanto quanto tensa, quando não direta, em assuntos íntimos. Os Reis do tarot incorporam a qualidade da liderança, uma qualidade muito desenvolvida nos homens ou na parte masculina da psique feminina, que C.G. Jung denominou de Animus. Na ancestralidade da raça humana os primeiros grupos de pessoas eram nômades que se estabeleciam por um tempo dentro de uma determinada região. As mulheres cuidavam da terra e da prole, e os homens exploravam o terreno, seguiam as manadas, e caçavam. Assim aprendemos muito sobre as funções alimentares e medicinais das plantas observando o que o rebanho comia, e o que evitava comer. Nesse período de nossa história o líder tribal acumulava as funções de chefe, guerreiro e xamã. Como líder guiava os caçadores, e dividia estrategicamente o grupo e as funções de cada um para o ataque. Como guerreiro enfrentava feras muitas vezes mais poderosas que ele para sobreviver, e como xamã saudava o grande espírito da manada e da floresta pedindo proteção antes da caçada, e aplicava medicamentos aos feridos e doentes em combate. Mais adiante essas funções foram naturalmente divididas, tamanha a profundidade e complexidade de suas atribuições. Muitos dos deuses e heróis ancestrais representam tais qualidades e eram representados em todas as culturas do passado. Líderes e pais criadores como Zeus na Grécia, Tupã para o povo Tupi-Guarani da América do Sul, e Olorun para a cultura Iorubana. Guerreiros e caçadores como Marte para os romanos, Órion para os gregos, Ogum, Xangô e Oxóssi para os africanos, e Thor e Tyr para os nórdicos. E feiticeiros e clarividentes, como os gregos Apolo, Asclépio, Quíron e Orfeu. Thoth egípcio, e Oxumaré e Ossãe africanos.
O Imperador, pai ou irmão mais
velho de todos os Reis dos arcanos
menores. The Emperor, do Thoth tarot,
de Aleister Crowley e Frieda Harris.
Psicologicamente o pai representa o líder secular na família, não dentro de um conceito machista de dominação patriarcal autoritária, mas como uma figura que aponta para as necessidades práticas do grupo, pois sua visão tende a ser mais objetiva nesse sentido. Assim como as mães são, ou deveriam ser, as lideranças emotivas e nutridoras da família. Em muitas novelas do passado o pai aparecia quase como um vilão por querer tirar o filho debaixo da asa da mãe e “jogá-lo” no mundo! Isso somado ao temor que as teorias psicanalíticas incutiram na sociedade de criar crianças traumatizadas, fez com que a função do homem fosse sendo minimizada até quase a exclusão total. O que vemos hoje é uma geração parasitária, geralmente mantida em lares sem uma figura masculina atuante, que não tem noção de limites, e nem senso de realidade. Muitos desses jovens formam uma nova onda social de pessoas que não querem nem estudar e nem trabalhar! Ou seja, desconectados do sentido prático de existir. A transformação da sociedade foi mais do que necessária, a dominação masculina aconteceu por uma exigência tribal de definir clãs e territórios, e como era preciso se ter certeza de que a prole que herdaria os bens do clã e da tribo era mesmo de seu líder patriarcal, a mulher teve de ser subjugada e tida como propriedade masculina. Assim definia-se e defendia-se o patrimônio daquele pai ou líder. A própria palavra patrimônio deriva do pai. Com certeza as mulheres não podiam mais continuar nessa posição, e uma reforma era mais do que necessária por um lado; por outro lado houve uma demonização das qualidades masculinas, como se nada que tivesse origem nas funções ancestrais do masculino pudesse ser positivo. O resultado disso nos tempos atuais são homens adoecidos que se dividem entre uma passividade extrema, e alguns até se excitam com a inversão de papéis sexuais, enquanto outros descambam para uma profunda violência contra as mulheres e entre si mesmos que parece ter origem num ressentimento sem fim. O ressentimento de sua castração social e psicológica.
O pai chegou a ser tratado como uma figura dispensável nos anos 80 do século XX com a adoção da ideia de “produção independente” das mulheres, como mais um degrau na sua emancipação. O modelo paterno será o molde do masculino interior para os meninos e o modelo de parceiro para as meninas. Modelos esses que serão reproduzidos e acatados, ou rechaçados conforme cada indivíduo. A importância de sua presença, entretanto, é inquestionável!
É urgente resgatar o papel masculino
do sagrado ancestral.
Os Reis do tarot reproduzem os atributos do arcano maior de O Imperador, dos quais são os descendentes, como filhos ou irmãos mais jovens. Como ele são práticos, realistas, firmes, disciplinados e conscientes de sua função dentro do grupo familiar, ou de um grupo de trabalho ou desenvolvimento em qualquer âmbito. Ao extrapolarem suas funções podem virar tiranos controladores ou tipos bem distantes e indiferentes afetivamente. O masculino tem similaridades com os elementos secos (ar e fogo), sendo que o primeiro incita, direciona e estimula o segundo. Por isso reis são o ar e os cavaleiros o fogo no tarot. A alteração feita por Crowley de colocar os Cavaleiros na posição de Reis e rebaixar os Reis à posição de Príncipes se deve à relação feita por ele, e outros membros da Golden Dawn, entre as quatro figuras da corte e as quatro letras do nome sagrado de Deus, o Tetragrammaton. Com isso mudaram também sua correspondência Elemental. Na época acreditava-se que o tarot tinha sua origem na Cabala, e portanto, achavam legítimo alterarem certos aspectos do seu simbolismo em função da ordem cabalística. Assim Crowley alterou a ordem da corte em seu Thoth tarot e Waite trocou a posição de A Justiça e de A Força na sequência dos arcanos maiores em seu Rider-Waite. Hoje sabemos que tais alterações não se justificam e a relação tarot/cabala é mais por analogia simbólica do que por ligação ancestral de fato. Assim cada Rei será o ar de cada naipe, também por este elemento reger o uso da razão, da lógica e do pensamento científico, e influenciará o elemento correspondente a cada naipe. Rei de paus, ar do fogo (pensamento expansivo). Rei de copas, ar da água (pensamento profundo). Rei de espadas, ar do ar (pensamento elevado ou abstrato). E o Rei de ouros, ar da terra (pensamento organizado).

Vamos agora aos seus significados simbólicos:

O Rei de varas, do
Morgan-Greer tarot.
Rei de paus – Ar do fogo, a onda de calor que se desprende de uma grande explosão. Disposição para conquistar. Liderança. Representa bem o líder sindical ou comunitário, o promotor de justiça, um advogado com ideais. Um administrador intuitivo, ou um empreendedor com uma visão singular de como “mover” as coisas. Um líder incentivador, aquele que ergue a multidão e a incentiva a fazer algo. Cativante, envolvente, sedutor, caloroso ou inspirador. É o defensor do mais fraco, mas prefere ensinar a pescar a dar o peixe. Proteção e expansão. Provedor, executor, realiza o que pensa, mas não planeja muito. Tem o poder de ser e fazer o que quiser pela simples mas intensa confiança em si mesmo. É forte, másculo e empreendedor. Sabe se tornar o centro dos acontecimentos e das atenções. Representa uma saída vigorosa para a luz da vida. Homem fogoso, forte, viril. Justo, ou justiceiro se estiver aspectado negativamente. Como pode também ser um tipo com dificuldade de empatia com as personalidades mais frágeis.


O Rei da água, do
Osho Zen tarot.
Rei de copas – O ar da água. O vento que levanta as ondas, agita as profundezas e traz à tona o que o mar engoliu. O terapeuta, xamã, curador, amigo ou conselheiro. É um ouvinte sensível e um orientador lúcido. Ele vê as emoções humanas com profundidade e precisão, mas com distanciamento. Uma pessoa confiável com uma profunda visão de mundo e da própria vida. Seu não envolvimento o faz perceber com clareza os aspectos frágeis da psique humana. O arcano sugere o resgate de alguma parte suprimida do ser e suscita uma cura interior. É o reconhecimento das partes doentes da alma e a necessidade de curá-las com compaixão. Negativamente este arcano esconde atrás de sua postura distante e controlada de não envolvimento o temor de ser ferido ou magoado de algum modo ao se abrir, e oculta suas próprias emoções. O temor à intimidade é sua maior deficiência a ser superada.


Ulisses, o Rei de espadas,
do tarot Mitológico.
Rei de espadas – Ar do ar. As poderosas e geladas correntes de ar das grandes altitudes. O líder autoritário. Forte, frio e controlador. Sabe sempre o que fazer em cada situação. Representa bem o juiz, o médico cirurgião, um Mestre acadêmico, o militar de alta patente. Não acessa seus instintos, nem seus sentimentos e fragilidade. Cria esquemas para controlar uma situação e exercer o poder. Lógica, raciocínio. Um planejador metódico e sistemático. Um administrador inteligente e estratégico, possui uma mente clara e organizada que o faz se tornar uma autoridade nas atividades as quais se dedica. Negativamente é um controlador compulsivo, tudo tem de ser “previsto”. Um manipulador. Por não responder, ou acessar, aos seus instintos básicos perde a espontaneidade e torna-se frio. Desprovido de calor humano não tem interesse em aprofundar vínculos de relacionamento amoroso, tornando-se assim um melhor companheiro casual, ou um amigo distante.


O Pai da terra, do
Tarot of The Spirit.
Rei de ouros – O ar da terra. O vento que poliniza a plantação e espalha a riqueza da terra. O engenheiro da terra, o empreendedor. Representa o engenheiro, o agrônomo, o economista, o corretor imobiliário e o contador. Aquele que conhece os mistérios do mundo material e sabe manejá-los para o seu progresso e o progresso de todos que desfrutam de sua proteção. O mantenedor, o líder empreendedor. Ele é a expressão da abundância, e entende que isso não representa somente acúmulo de dinheiro, e sim viver a vida plenamente em todas as suas manifestações, no corpo e na alma. Quer ver a riqueza da vida distribuída entre todos e para todos. O ser e a consciência holística. Negativamente pode perverter isso tudo e se tornar um materialista que só se preocupa em juntar dinheiro e ganhar cada vez mais e mais. Um provedor que manipula e ou oprime os que dele dependem. Ou um tipo cínico que vê a vida como um grande negócio, onde ninguém dá nada sem um benefício imediato, real e palpável. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

As Rainhas do Tarot

Mães e Sensitivas...

As Rainhas do baralho
clássico; A Rainha de espadas
do Visconti-Sforza tarot.
As Rainhas do tarot, também chamadas de Sacerdotisas, Mães e Mulheres nos baralhos mais modernos, são a personificação do feminino interior e do arquétipo da mãe dentro de nós! Foi Jung quem disse que todo homem vive o seu feminino projetado nas mulheres que ele escolhe. Essa porção feminina chamada Anima é que é a responsável por escolher a parceira dele, ou seja, seleciona uma representante física para a emanação do feminino interior em cada homem! Como acontece com as mulheres e seu Animus interior. As vivências com a mãe moldam, em grande parte, nos homens a relação com as mulheres. Nas mulheres essa relação define sua própria feminilidade. Na grande maioria dos casos por repetição ou negação. A construção de uma identidade própria e, portanto de um feminino interior autêntico, só é obtido por homens e mulheres mediante um trabalho de transformação interior! O aspecto feminino da psique é aquele que se relaciona com o mundo dentro de uma perspectiva emocional. Que estabelece e cria vínculos, nutre-os e aprofunda-se neles! A perspectiva do feminino é sempre interior, sensível e imaginativa.
A ciência mostrou que além do corpo o cérebro tem um sexo próprio. É mais comum ver homens com mentes masculinas e mulheres com mentes femininas como descrevemos a pouco. Entretanto há muitos casos de “inversão”, basta ver a grande quantidade de homens artistas, místicos, inventivos e imensamente sensíveis e afetivos. Da mesma forma que há inúmeras mulheres no universo científico, acadêmico e militar! Essa “inversão” no gênero do sexo cerebral, por assim dizer, não reflete de modo algum a orientação sexual de uma pessoa.
A Imperatriz, mãe ou irmã
mais velha de todas as Rainhas
dos naipes. The Empress,
do Tarot of The Spirit,

de Pamela Eakins.
Nos primórdios dos tempos cabia as mulheres o cuidado da prole e da terra. Assim a agricultura foi desenvolvida pelas mulheres, e a confecção de utensílios domésticos e de pães, por exemplo, era função feminina. Provavelmente que por esse motivo muitas deidades femininas ancestrais evocavam a agricultura, a fertilidade, a abundância e a riqueza. Entre elas Gaia, Reia e Deméter na antiga Grécia, Oxum na cultura Iorubana, Pachamama nas tribos Incas andinas, e a Mulher do Milho (ou Mãe do Milho) dos povos nativos da América do Norte, como os Cheyenne e os Cherokee, entre outras. O feminino ficou marcado pela ideia de nutrição, crescimento, fertilidade e, claro, abundância. Um evidente atributo materno, como o do arcano de A Imperatriz, das quais todas as Rainhas dos arcanos menores são as filhas ou irmãs mais novas e, como tais, refletem seus melhores e piores atributos. Como disse anteriormente a afetividade amorosa e a “maternação” dos relacionamentos não é exclusividade do gênero feminino, embora mais abundante nele.
No tarot as Rainhas são aquelas que desfrutam da vida e dos seus dons naturais, sem romper com seus papéis de cuidadoras. Devemos lembrar, entretanto, que cada Rainha cuida conforme os atributos do seu naipe de origem. Paus mais com uma afetividade mais intensa e prestativa, copas com uma afetividade mais profunda e acalentadora, espadas de modo mais racional, verbal, organizado e mental, e ouros de modo mais físico, prático e objetivo. As Rainhas são representadas pelo elemento água, a fonte doadora e mantenedora da vida. Cada uma delas é a água correspondente ao elemento do naipe ao qual pertence. A Rainha de paus será a água do fogo (sentimento intenso), a de copas a água da água (sentimento profundo), a de espadas a água do ar (sentimento interiorizado) e, finalmente, a de ouros a água da terra (o sentimento expresso no mundo físico).

Vamos agora aos seus significados simbólicos:


A Sacerdotisa de paus,
do Motherpeace tarot.
Rainha de paus – A água do fogo. A água morna dos banhos do bebê, ou dos casais apaixonados. A água que cozinha os alimentos para a tribo ou a família. Terna, amorosa e muito sensual, ama a família e o lar, bem como os amigos, e sente que deve protegê-los e defendê-los, ainda que não lhe peçam ajuda. Unir, compartilhar, acarinhar. Dedicação cuidadosa, gestos conciliadores e amorosos. Gentileza. É a construtora de ninhos, acolhedora. Doação generosa. Sensualidade penetrante. Disposição e capacidade de lutar pelas pessoas que ama. Compartilha o que tem de melhor, pois acredita que a vida é uma troca e quanto mais se dá mais tem para doar! A administradora, a líder comunitária, a assistente social, cuidadora, enfermeira, parteira ou doula. Não guarda nem segredos nem vantagens, assim como seu Rei, crê no seu poder pessoal. A sua sombra é a passionalidade e a intromissão no espaço alheio, embora com desejo de ajudar.

A Mulher de copas,
do Voyager tarot.
Rainha de copas – A água da água. As profundezas abissais do mar. Profunda, mediúnica e sensível. Percebe as emoções alheias e as acolhe sem julgamento. Abertura de coração. Compreensiva no real sentido da palavra. Sua capacidade de amar inclui o perdão e a misericórdia. Sente com profundidade, possui empatia emocional e até mesmo psíquica. Não opõe resistência às demandas externas. Sua identificação com as emoções alheias, por outro lado, a faz ficar confusa quanto a sua própria identidade, e nubla a capacidade de reconhecer seus desejos verdadeiros. Podendo, viver como uma eterna projeção dos outros. Sentimentos simbióticos, viver o outro e esquecer-se de si. Fragilidade emocional. Representa a bruxa, a paranormal, a poetisa, a música, uma artista de performance profunda.

A Rainha de espadas,
do Rider-Waite tarot.
Rainha de espadas – A água do ar. Um lago que seca sob os ventos de um deserto. A mente lúcida que não se permite levar pela subjetividade das emoções. A capacidade de colocar em palavras, e de modo inteligível, coisas abstratas ou muito complexas! Define prioridades, separa o certo do errado, o coerente do incoerente. Bom senso, e grande senso de justiça. O senso de dever que se coloca acima do de prazer. Nenhum sentimento sobrepõe o pensamento. Rege profissões tais como a pedagogia, a literatura e a filosofia. Por outro lado é crítica, julgadora, e exigente em demasia (exigências muitas vezes impossíveis de se cumprir). Possui um senso de valores muito estreito. Falta flexibilidade, o que faz surgir o preconceito e a moralidade conservadora.

A Rainha de arco-íris,
do Osho Zen tarot.
Rainha de ouros – A água da terra. A nascente de um rio que no decorrer do seu leito nutre florestas e campos. A consciência do corpo e dos sentidos. Usufrui a beleza e os prazeres da vida com responsabilidade e consciência. Ama, nutre e cuida com o mesmo zelo da Rainha de paus, mas sem os mesmos excessos. Cuidados com a saúde e o bem estar físico e material, tanto seu quanto dos que ama. Incorpora o moderno conceito de “qualidade de vida”. Nutrição, dietas, estética, culinária, artesanato e artes plásticas em geral, massagens, yôga, relaxamento e todas as profissões relacionadas. Ama as coisas belas e de boa qualidade. É toda a relação com o aspecto prazeroso, sensorial e material da vida sem culpa. A sua sombra é a da perdulária descontrolada, a sensualista vulgar, possessiva nos afetos, materialista e superficial. O tipo que ama as badalações caras, uma alpinista social.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Os Cavaleiros do Tarot

A ação expansiva...

Os cavaleiros do tarot, também conhecidos como Filhos, Irmãos, Sábios ou Visionários, nos baralhos mais modernos, são a representação do guerreiro dentro de cada um nós! Nos tempos atuais o papel do guerreiro tem sido resgatado para além da imagem do “fazedor da guerra”, mas também como aquele agente interior que nos faz levantar todas as manhãs para enfrentar a batalha do dia a dia. Revestimos-nos do guerreiro interior ao enfrentar uma vaga de emprego, ou num teste probatório de admissão num curso, ou ao enfrentarmos uma enfermidade, ou a enfermidade de alguém muito chegado. O guerreiro nos acompanha até no simples ato de ir trabalhar, e atender as demandas que nossa atividade exige! É bem verdade, que essa energia mal dirigida acarreta coisas como competitividade, confrontos e beligerância também. Na Idade Média os cavaleiros eram os protetores do reino e dos valores de sua comunidade. Em tempos mais remotos o rei também deveria ser um bom guerreiro e estrategista, além de monarca. Nos campos de batalha ele comandava e incitava seus homens à batalha. Com o passar do tempo a função de rei e de guerreiro foi bifurcada, e a este último coube o papel de protetor do reino e de conquistador de novos territórios. Sua ação seria, portanto, expansiva. No tarot essa disposição física para lutar, crescer e vencer está representada no simbolismo do cavalo, um animal belo e poderoso que era utilizado tanto para viagens, quanto para transporte de cargas, esportes e combates. Seu vigor muscular e elegância harmonizam-se perfeitamente bem com a figura arquetípica altiva, forte e vitoriosa dos cavaleiros antigos. E é justo o cavalo a ponte de ligação entre todos os cavaleiros dos arcanos menores com o primeiro cavaleiro do tarot, o jovem príncipe guerreiro de O Carro, dos quais descendem os guerreiros de cada naipe. Considero O Carro o pai ou o irmão mais velho de todos eles, aos quais ele empresta suas qualidades de determinação planejada ou simplesmente aguerrida, e a sua ânsia por vitória no combate.
Os Cavaleiros do baralho
clássico; O Cavaleiro de
copas do 1 JJ Swisss tarot.
Foi na Idade Média também que surgiu os altos ideais da cavalaria, como honra, coragem, generosidade e lealdade! Além do amor cortês para com todas as damas e donzelas. Daí a proximidade das palavras cavaleiro, e cavalheiro. O primeiro o originador dos ideais de dignidade e gentileza, e o outro como um seguidor desses ideais. O cavalheirismo, ao contrário do papel do guerreiro, tem sido questionado. Os seus críticos dizem que é uma postura machista que coloca a mulher como inferior ou incapaz. Outros ainda alegam que ao obterem espaço por direitos iguais as mulheres se tornaram competidoras dos homens na vida e, portanto, dar-lhes vantagens através de atos cavalheirescos seria uma burrice! Mesmo aqueles que defendem que o cavalheirismo tornou-se mais abrangente, ao estender sua gentileza e generosidade também aos mais fracos, mais velhos e as crianças, são confrontados com a questão: e quem acolhe e cuida do cavalheiro? Ou seja, esse é um papel e uma função pesada para os homem atual, mas que por outro lado o deixa sem uma função na sociedade que assinale positivamente sua masculinidade. Essa questão será solucionada quando os homens modernos resgatarem também a confiança uns nos outros que os antigos cavaleiros medievais tinham em seus irmãos, e se apoiarem mútua e amorosamente. Assim o cavalheirismo ganhará uma conotação mais ampla, indo além do trato entre os gêneros, e assumindo um papel mais cósmico de cuidado e gentileza para com toda a vida!


A Ordem dos Templários.

Os ideais da cavalaria formaram igualmente a base humana dentro de todas as guerras modernas, ao definirem o modo como os soldados adversários deveriam ser tratados, tanto no ocidente quanto no oriente. Basta ver a nobre imagem dos Cavaleiros Templários na Europa, e a ordem dos guerreiros Samurais no Japão. O idealismo, o sentido de missão, e busca pelo mais elevado são, aliás, a marca dos Cavaleiros do tarot. Como também o é a sua entrega à sua missão, e o desejo de fazer bem feito e dentro dos princípios da ética, da honra, e da dignidade.
Apesar de sua identidade original ser toda pertencente ao gênero masculino, e se coadunar mais com esse gênero, a verdade é que todos nós possuímos um guerreiro interior. Todos nós temos sonhos e ambições, e a vontade de torná-los reais! Ao serem destituídos de seus elevados ideais de realização os Cavaleiros podem se tornar agressivos, obsessivos, e até destrutivos. Como o eram seus análogos medievais em suas sangrentas batalhas; haja visto o horror que foram as Cruzadas, também chamadas de Guerra Santa. Cada Cavaleiro do tarot é representado pelo elemento fogo, que ao ser redefinido pelo elemento de cada naipe ao qual pertence, tem sua personalidade e ação moldadas segundo este elemento. O cavaleiro de paus seria então o fogo do fogo (pura ação e movimento), o de copas o fogo da água (a ação emotiva ou devocional), o de espadas o fogo do ar (a ação segundo um plano ou meta), e o de ouros o fogo da terra (a ação planejada e laboriosa para construir alguma coisa).

Vamos aos seus significados simbólicos:


Belerofonte, o Cavaleiro de paus,
do tarot Mitológico.
Cavaleiro de paus: O fogo do fogo. A intensidade de uma queimada. A ação intensa num determinado foco; uma ação com o objetivo de mudar, intensificar, ou melhorar uma coisa ou situação. Tem a intenção de tornar as coisas mais “elevadas”. Quer brilhar e viver a vida intensamente. Ama a ideia de sucesso e evolução em todos os seus sentidos. Possui uma personalidade envolvente e arrebatadora. Gosta de focar-se para realizar qualquer coisa. Aprecia a mudança e acredita com firmeza que tudo sempre pode melhorar, e que nada é impossível! Sua atenção está permanentemente voltada para as qualidades e temas luminosos desta vida. É um positivista. Sua sombra é a do jovem bruto, apressado e impaciente com o ritmo dos outros. Os detalhes o enervam! Pode ser também ansioso, exibido, egoísta, arrogante, e um sedutor compulsivo e sem vínculos mais profundos.

O Cavaleiro de copas, do Thoth tarot.
Cavaleiro de copas: O fogo da água. O vapor sobre a superfície de rios, lagos e mares vulcânicos que se eleva aos céus. O buscador do sonho, o guerreiro do coração. Aquele que se lança de cabeça em algo sem garantias de segurança. Segue sem titubear os ditames do seu coração. Sua ação não é temperada por coisas como bom senso ou crítica, apenas confiança no apelo interior. Representa a total dedicação amorosa a algo ou alguém sem expectativas ou cobranças, só a confiança nos sentimentos. Crê sinceramente no caminho que escolheu. Um visionário. Ama devotadamente, quer seja uma pessoa, uma causa, um ideal ou atividade. É o ato de apaixonar-se! O jovem galanteador. O místico no seu sentido mais puro, aquele que busca uma comunhão com Deus, ou o Transcendente. Sua sombra é justo a incompreensão que pode gerar entre os que o rodeiam, e que podem desacreditá-lo totalmente taxando-o de bobalhão e sonhador.

O Cavaleiro de nuvens, do
Osho Zen tarot.
Cavaleiro de espadas: O fogo do ar. O vento seco que devasta tudo. O grande conquistador. A mente focada nas conquistas objetivadas pela razão. O conquistador determinado e combativo; a obstinação interior. Vencer pelo poder e com toda a garra. Aquele que não desiste até a meta ser alcançada, e não poupa esforços, e até mesmo consequências, se ele exceder suas funções. A sua cobiça e competitividade podem desumanizá-lo, tornando-o cruel e violento. Sua sombra é daquele que vê tudo e todos como adversários em potencial, possíveis obstáculos às suas conquistas. O caráter defensivo. O ego que tenta afirmar-se através das suas conquistas. Raiva, animosidade, beligerância. O destruidor, aquele que vence esmagando o outro. O soldado de elite, o ninja, o boxeador e o lutador perito em artes marciais.

O Sábio dos mundos, do
Voyager tarot.
Cavaleiro de ouros: O fogo da terra. O calor e a luz que vivificam toda a natureza. O trabalhador disciplinado, perseverante, solitário, prático e realista. Aquele que constrói com as próprias mãos e esforço. Criar bases sólidas e estáveis para sustentar a vida. Disciplina. Trabalho árduo para tornar realidade uma meta. Ser dirigido por um senso prático e realista de sobrevivência. Persistência. Molda suas ambições com valores como a ética, a justiça e o bom senso. Aquele que possui uma relação de devoção com o trabalho que executa. Possui altos ideais sobre si mesmo e as atividades às quais se dedica. É o tipo confiável e confiante. Sua meta é a excelência! Sua sombra é a do viciado em trabalho. Um tipo tosco que sofre com a falta de uma visão mais ampla, ou de instrução e sutileza. Diminuição da força física, percepção súbita dos próprios limites. A aposentadoria forçada. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Os Valetes do Tarot

Crescendo e Aprendendo...

Os Valetes do baralho clássico;
o Valete de paus do Oswald
Wirth tarot.
Os Valetes, também chamados de Pajens, ou Princesas, Crianças e Irmãs nos baralhos mais modernos, são os representantes da infância e do espírito aventureiro e inquiridor em cada um de nós. Eles são munidos da curiosidade natural do ser humano e também são os portadores do novo em nossas vidas. O novo representado pelos Valetes difere das outras cartas de mudança como O Louco (uma experiência inusitada e repentina que se apresenta tanto interna quanto externamente), A Roda da Fortuna (viradas radicais de 180º, muitas vezes inexplicáveis), O Enforcado (uma mudança de perspectiva interior que muda a relação com o mundo exterior), A Morte (uma mudança profunda e definitiva que tanto ocorre interna quanto externamente), ou A Torre (uma mudança abrupta e sempre desestruturadora em princípio, embora possa trazer clareza depois). Difere também dos quatro Ases (de paus, copas, espadas e ouros), eles representam um início vigoroso que sincroniza movimentos internos e externos numa mesma direção! Ou o Três de paus, que denota um caminho novo e radicalmente diferente das experiências que se apresentaram até então. Muito embora este arcano apresente uma situação ou acontecimento iminente. Os Valetes são o símbolo das mudanças que precisam ser cultivadas, consideradas e atendidas para que possam ocorrer. Assim como crianças só se criam e se desenvolvem mediante os cuidados dos pais! Os Valetes são sempre bem mais brandos, são mudanças em estado ainda embrionário.
Um bom exemplo foi de uma cliente que teve o Valete de paus marcando sua situação profissional, e parecia que uma proposta nova de grande possibilidade criativa havia surgido para ela causando grande entusiasmo. O que ela confirmou dizendo que havia recebido o convite de um grande hospital do nosso estado que tinha proposto que ela assumisse a criação de um centro de análises e diagnósticos clínicos, que seria inaugurado num grande shopping da capital. Era uma iniciativa inédita deste e de qualquer hospital da nossa região! Ela se sentiu evidentemente envaidecida pela proposta, totalmente embasada na sua experiência de trabalho numa clinica de diagnóstico por imagens por quase vinte anos. O cuidado a ser tomado aqui é que eles estavam com pressa e contatando também outros profissionais da área administrativa. Havia um prazo para a sua resposta. Ela teria de considerar com igual atenção a sua disposição física, já que sofria de uma doença autoimune que na ocasião a estava atormentando! Queria muito a vaga, mas tinha de considerar se teria condições de levar até o fim a empreitada, e por isso veio consultar o tarot. Gosto desta história porque tudo nela se refere mesmo ao Valete de paus: o surgimento do novo com suas considerações, a possibilidade criativa, e a necessidade de boa disposição física para realizar o que esse Valete nos traz.
O Louco, pai ou irmão mais velho
de todos os Valetes. The Fool,
do Osho Zen tarot, de
Ma Deva Padma. 
A criança em seu estado puro, intelectualmente aberto e curioso ao mundo externo, é o símbolo dos Valetes do tarot. Em termos divinatórios, tanto podem ser as boas novas a serem melhor exploradas, quanto crianças, ou pessoas de espírito jovial e criativo próximas ao consulente. Ao representarem uma personalidade estas serão sempre abertas às novas possibilidades, criações, sentimentos, ideias e pensamentos, oportunidades de investimento e aprendizado, e sempre muito energéticas e vibrantes nas qualidades representadas por seus naipes. Em termos psicológicos os Valetes representam nossa criança interior, a responsável por nossos rompantes de espontaneidade, humor, criatividade, generosidade e inocência por um lado, mas que por outro lado pode representar negativamente o Puer Aeternus. O aspecto da psique que se recusa a crescer e quer se manter sempre jovem e alheio às responsabilidades, compromissos, ponderações e vínculos da vida adulta. Por esse motivo considero todos os Valetes do tarot como os irmãos mais novos ou os filhos do arcano de O Louco, no melhor e no pior de suas expressões!
Na relação com a Cabala eles são associados à Malkut, o mundo físico onde a criação depois de manifesta começa sua subida pela Árvore da Vida em busca da Casa do Pai. Por isso espiritualmente os Valetes são o arauto da alma humana sempre em busca de evolução e do mais alto! São os eternos aprendizes da existência. Os Valetes eram os servos ou aprendizes dos senhores medievais, e de fato servir e aprender são atributos típicos desses quatro nobres arcanos do tarot. É sempre importante lembrar que eles preservam as características dos seus naipes, assim como todos os outros arcanos menores. Por estarem associados à Malkut na Cabala, os magos da antiga ordem inglesa Golden Dawn atribuíram-lhes a metáfora da semente, e associaram a eles o elemento terra. Assim cada Valete é a terra de cada elemento a que representa. O Valete de paus é a terra (ele mesmo) do fogo (que é paus, o naipe a que ele pertence). O Valete de copas é a terra (também ele mesmo) da água (que corresponde a copas, o seu naipe) e assim por diante!
Vamos aos seus significados simbólicos mais marcantes:

O Valete de fogo, do Osho Zen tarot.
Valete de paus: A terra do fogo. Simboliza a terra incandescida com as cores da primavera depois do longo inverno. É a criança alegre, criativa, encantadora e brincalhona que se diverte tanto só quanto acompanhada. Ama fazer coisas novas e criativas, inventa suas próprias brincadeiras. Brincar, quebrar esquemas usuais. Alegre, independente, irrequieto, e ousado, mas nada pretensioso. Tem grandes ideias, mas não se apega a elas. Com um corpo cheio de energia ama divertir-se e movimentar-se como em exercícios físicos e competições esportivas, ou também artes cênicas, e dança! Gosta e precisa expressar-se criativamente. Aprecia Jogos lúdicos para relaxar e não esquenta a cabeça, mantendo um espírito sempre positivo. No seu aspecto mais obscuro não leva as coisas a sério, brinca com tudo! Não suporta regras, restrições, horários, padrões e nem patrões. É infantil, irresponsável e inconsequente.

A Princesa de copas, do Thoth tarot.
Valete de copas: A terra da água. Simboliza a terra macia do fundo dos lagos, rios e mares, receptiva e acolhedora ao que faz peso sobre ela. É a criança meiga, afetiva, sociável, simpática e carinhosa. Possui pureza de sentimentos e total fidelidade ao que sente, é transparente e segue sempre seu coração. Gosta de conhecer pessoas, lugares e culturas diferentes. Quer sempre ampliar o círculo de relações e conhecimento, e por isso possui grande abertura ao próximo. Gosta e precisa relacionar-se com gente! O que pode torná-lo muito codependente dos seus relacionamentos. Aprecia servir ao próximo, ser prestativo o alegra. É maleável, gentil, e sua disposição em ajudar não vê distinção entre as pessoas em si e entre elas e os seres da natureza! Por outro lado sua maleabilidade excessiva o torna pouco estruturado, inconsistente e não comprometido com suas causas e relacionamentos. O que pode torná-lo um bajulador ou seguidor sem propósitos internos definidos, volúvel em seus sentimentos. O que popularmente chamamos de “coração vagabundo”!

A Filha de espadas, do Motherpeace tarot.
Valete de espadas: A terra do ar. Simboliza a terra que voa com a ventania na forma de poeira, flexibilizando-se, mas também sem nunca poder se tornar concreta como requer sua natureza! É a criança curiosa e hiperativa que tem os olhos sempre atentos aos movimentos novos e aos assuntos dos adultos. Sempre disposta a aprender pergunta sobre tudo o tempo todo, mas não fixa a atenção. É capaz de conhecer muitas coisas diferentes, e concatená-las ao mesmo tempo. Grande agilidade mental. Tudo o interessa! Abarca novas ideias e amplia os conceitos já conhecidos de modo inovador. Sua sombra é a mente que conecta várias coisas ao mesmo tempo, mas que não realiza nada de fato. A congestão e a confusão mental, a argumentação excessiva da mente, os pensamentos circulares. A tensão mental, e a preocupação incessante. Das simples dores de cabeça às enxaquecas persistentes. Insônia. Falta de direção e de planos de vida objetivos. Em casos extremos é a típica personalidade com o TDHA (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade).

A Irmã da terra, do
Tarot of The Spirit.
Valete de ouros: A terra da terra. Simboliza a terra que guarda em si as sementes de futuras germinações, florestas, árvores, flores e frutos! Representa a criança que cedo percebe as necessidades dos pais ou do meio onde vive, e começa a agir no sentido de auxiliá-los ou minimizar seu sofrimento. O bom aluno, dedicado, estudioso, compenetrado, o CDF. O filho comportado que ajuda a mãe na cozinha e ou o pai na oficina. Que sonha estudar e crescer para ajudar os pais ou a família no futuro. Aprender com o novo, investigar, aprofundar. Estudar para evoluir e transformar as oportunidades em trabalho e lucro. Desenvolvimento gradual. Germinador das novas oportunidades, investidor de novos empreendimentos. O explorador cauteloso das novas possibilidades e de todas as oportunidades a serem trabalhadas, e não desprezadas num primeiro momento. Aquele que especula novas formas de investimento e progresso. Fase inicial de crescimento. Fertilidade. Pode indicar gravidez. Sob muitas formas é o estudante ávido por conhecimento e evolução. Alguém que vê no saber o caminho mais seguro para o progresso em todos os sentidos! Negativamente simboliza a ânsia compulsiva por novos aprendizados ou investimentos, mas já sem propósito ou alegria!