sábado, 8 de junho de 2013

Tarologia é Superstição?...

Nesta última sexta-feira, dia 07/06/2013, a Rede Globo de televisão apresentou um especial do programa jornalístico Globo Repórter sobre superstições e pessoas que vivem segundo essas crenças! Até aí ok, apesar de que, convenhamos, uma consciência supersticiosa não tem absolutamente NADA a ver um verdadeiro desenvolvimento espiritual. A espiritualidade tem por objetivo elevar o homem a um nível superior de experiência onde o intelectual e o transcendente atuem de modo conjunto elevando a personalidade a um nível supraconsciente que seria o verdadeiro estado místico. Porém, associar tarot e astrologia a atividades de crendice supersticiosa foi mais que desrespeitoso, foi pejorativo!
Tanto o estudo quanto a prática de interpretação dos arcanos do tarot quanto dos símbolos astrológicos não dependem de quem se consulta crer ou não em suas mensagens e indicações. Com certeza, precisa sim de uma mente aberta e sem preconceitos para chegar até a mesa do tarólogo ou do astrólogo, uma vez lá os oráculos falam por si mesmos. Qualquer um dos dois sistemas serve sim para fazer previsões sobre o futuro, indicar períodos mais favoráveis para essa ou aquela ação e aconselhar sobre qual a melhor estratégia a seguir dentro de uma contenda específica que o cliente esteja enfrentado. Contudo não se restringe apenas a isso, embora nenhuma das duas profissionais entrevistadas tenham mencionado o assunto, tanto o tarot quanto a astrologia podem explicar de modo profundo, dentro de uma perspectiva tanto psicológica quanto filosófica e espiritual, a verdadeira essência do que se está vivenciando. Coisas como: “Por que estou passando por isso?”, “Como isso serve ao meu crescimento?”, “Como atraí essa situação para minha vida?...” e essa talvez seja a maior riqueza desses sistemas simbólicos oraculares!
O olhar sóbrio e profundo 
tem o preço da solidão.
Já não bastasse os séculos de ignorância e reducionismo racional que o conhecimento oculto sofreu, soma-se agora a vulgarização de sua prática. O que carrega em si tanto o triunfo do conhecimento científico moderno quanto seu desprezo sobre aquilo tudo que não pode “ser comprovado cientificamente”. Sempre que ouço essa expressão fico pensando se as pessoas que a repetem se dão em conta de que é quase como afirmar que o que não possui aval científico não existe mesmo que esteja ali, bem debaixo do nosso nariz! É irritante testemunhar isso? Claro! Mas de modo algum deve desanimar aqueles que viram para além dos muros da obviedade corriqueira do conhecimento popular, e sim instigar a intensificar sua atividade para disseminar a cultura silenciosamente revolucionária e progressista da Nova Era. 

Assista ao programa: Globo Repórter/superstições

sábado, 1 de junho de 2013

Tarot & Psicologia

A Parceria entre 
Tarólogos e Psicólogos

Tenho insistido para tirar do tarot a linguagem psicológica excessiva que se instaurou sobre ele nos últimos tempos e penso que este é um trabalho que deve ser feito. O estudo da tarologia pode sim ajudar muito no processo de desenvolvimento pessoal e até auxiliar o trabalho psicológico ao acessar através dos símbolos temas que podem demorar muito para vir à tona nas sessões de terapia. Sim, isso dá uma boa parceria, porém o que tenho dito é que nenhum pode substituir o outro! E que se há um ponto em que sua linguagem converge, há outros em que ela também diverge. O ponto mais divergente, sem dúvida, é o que trata da sondagem das probabilidades futuras. Enquanto o tratamento psicológico se detém no agora, ou no passado, a tarologia permite um olhar sobre o amanhã não como um destino infalível, mas como um panorama do porvir levando sempre em consideração as atuações e escolhas que estão sendo feitas hoje, auxiliando assim a considerar as melhores possibilidades de ação. Isso claro, quando o tarólogo age com responsabilidade em relação a sua atividade e entende qual é de fato seu papel junto a cada pessoa que o procura!
O 4 de paus, do Osho Zen tarot, 
a combinação de esforços por 
um objetivo em comum.
Muitas vezes tive a oportunidade de trabalhar em parceria com psicólogos que recomendavam seus clientes a vir consultar as cartas comigo com a expressa recomendação de gravar as consultas. Assim as sessões poderiam ser ouvidas depois conjuntamente pelo paciente e seu terapeuta para que as questões levantadas fossem trabalhadas. A grande vantagem do tarot enquanto sistema simbólico oracular é a de relacionar as coisas de um dado período de tempo da vida de quem se consulta interligando os fatos e captando suas influências e interações mútuas. Certa vez uma cliente veio até mim para eu ler o tarot e os arcanos revelaram que ela era uma pessoa com grande avidez de conhecimento, o que ela confirmou dizendo que tinha quase uma compulsão por cursos de todo o tipo, de bordado a regressão de vidas passadas!...  A leitura ressaltou uma combinação entre valete de ouros e 3 de espadas, indicando que ela recorria a esse expediente para passar o maior tempo possível fora de casa e não confrontar com coisas que a incomodavam, tanto em sua relação de casamento quanto na vida familiar. Ela me olhou um tanto surpresa e disse que as coisas no âmbito íntimo estavam “mais ou menos” e que ela entendia que essa sua busca por tanto conhecimento se dava por uma necessidade de achar sua verdadeira vocação de alma, coisa que segundo ela, ainda não ocorrera. 
O guia interno se expressa através 
dos símbolos arquetípicos do tarot.

Quase dois anos se passaram e ela voltou dizendo que desde o dia de nosso encontro ficou com aquilo na cabeça até que acabou por admitir para si mesma que o que o tarot tinha revelado era a mais pura verdade! Decidiu então colocar as coisas às claras com o marido numa conversa franca, e para sua surpresa ouviu da parte dele coisas que nunca pensou que ouviria. Ou seja, o que ela pensou que estava “mais ou menos” estava na verdade bem pra menos. Sinto que se ela estivesse fazendo algum trabalho terapêutico desde o primeiro dia em que me consultou e depois trabalhasse aquela revelação com seu terapeuta tudo teria sido bem diferente! Com certeza escolheria um momento e um modo melhor de abordar o assunto com seu parceiro. Refletiria melhor sobre o que de fato a incomodava e suas origens... Vi isso funcionar com outros casos em que trabalhei nessas parcerias entre oráculo e terapia de modo muito mais do que satisfatório!
O tarot permite uma sondagem 
do mundo interior de um modo intuitivo, 
lúdico e profundo ao mesmo tempo.
Quando uma pessoa me procura eu costumo avaliar bem se ela precisa iniciar um tratamento complementar como reiki e florais, com que eu também trabalho, ou se precisa de um tratamento mais convencional ou racionalizado como costumam ser as psicoterapias. Algumas pessoas necessitam de abordagens mais direcionadas mentalmente para encontram seu equilíbrio interno, como o caso que citei a pouco. Outras, no entanto precisam de trabalhos mais sutis como o que é feito através dos símbolos e das energias como do reiki e dos florais. Por isso não há o risco de ninguém estar perdendo cliente para ninguém! Há espaço para ambas as perspectivas e que podem inclusive colaborar entre si com indicações mútuas para o benefício de todos, e principalmente, daquele que está em tratamento. Tive a oportunidade de comprovar isso trabalhando intensamente com três psicólogos, que também eram meus clientes, durante um mesmo período de aproximadamente seis anos. Acho que essa possibilidade de intercâmbio e trabalho conjunto tarólogo-psicólogo se deu comigo por dois motivos básicos: esses profissionais notaram minha necessidade de extrair o máximo do trabalho com os símbolos tarológicos. eu não tento fazer psicologia, apenas leio as cartas, relaciono os acontecimentos do modo como eles se apresentam e tento mostrar isso da forma mais clara e simples possível ao meu cliente visando seu desenvolvimento.
Com o tempo ficou evidente para mim que tarot e psicologia não são totalmente excludentes, mas sim duas perspectivas diferenciadas de uma mesma matéria: a alma humana!

O Diabo - Arcano XV


Título Esotérico – O Senhor dos Portões da Matéria; o Descendente das Forças do Tempo (O domínio das duas forças que aprisionam a alma humana: a ilusão da posse e a passagem do tempo que remete à finitude da vida).

Analogia Astrológica – Capricórnio (O 10º signo) representa a lenta subida rumo às alturas do próprio desenvolvimento e progresso. Por ser um signo terreno muito desse progresso poderá se dar apenas em âmbito material e financeiro até que aprenda o valor do ser essencial. Capricórnio pode ser ambicioso para além da conta, obstinado, frio, soberbo, impiedoso e implacável! Apaixonado pelo poder tem dificuldade em se deixar levar.

Analogia Numerológica – O homem consciente de si (1), vive livremente seus talentos e instintos (5) na busca por um lugar na comunidade a que pertence (6). Como 1 e 5 são masculinos e dados a todo tipo de exploração, são capazes de fazer de tudo para se sentirem inseridos no que há de melhor na sociedade a que pertencem ou ambicionam pertencer. Este é outro aspecto do 6, a elite social. Muitas vezes disfarçado pelo verniz das convenções sociais.

O Arcano – Um ser demoníaco e hermafrodito com asas de morcego aparece de pé sobre um pedestal com a forma de um cálice. Essa criatura tem aos seus pés duas figuras, uma masculina e outra feminina, amarrados por uma espécie de coleira no pescoço que os liga ao pedestal. Ao que parece estão ou satisfeitos ou inconscientes de sua situação... Ou as duas coisas! Eles usam tocas vermelhas de onde saem pequenos chifres negros e seu líder usa uma estranha toca amarela de onde se projetam grandes chifres de veado, ele tem também um cinto vermelho à cintura! Em algumas edições do tarot de Marselha (ver Marselha-Hadar e Camoin) pode se ver com clareza que o que a criatura segura com a mão esquerda é uma tocha, e não uma espada como aparenta em outras versões deste baralho. Seus pés e mãos têm a forma ameaçadora de garras. Sua mão direita está espalmada, num gesto de afirmação e ou saudação.

Significado – O Diabo está personificado na figura de Lúcifer, o portador da luz. Vem daí seu primeiro significado, o de trazer em si o brilho do desfrute do mundo material e dos instintos. E de fato não há nada de errado em se viver os instintos, somos seres tanto divinos quanto animais! O problema é quando servimos a eles exclusivamente. Outra palavra associada a ele é Satã, que em hebraico quer dizer adversário. Ele instigaria os homens à competição e a dominação uns dos outros. A palavra Diabo vem do latim e tem o significado de caluniador, simbolizando que é o senhor dos ardis e das intrigas; e também um perito em dissimular a verdade. Por fim, Demônio, outra palavra associado ao Diabo-Lúcifer, vem do grego Deimos, nome de um dos filhos do deus da guerra Ares, cujo significado é medo. As asas de morcego indicam que ele se move pelas sombras da alma humana em suas fantasias de poder, conquista e êxtase! O morcego é um animal que tem causado terror no inconsciente da humanidade por milhares de anos! Evoca o medo do que está pulsando no fundo da escuridão da “caverna”, que é a nossa alma. A tocha em sua mão direita, ao lado da figura masculina, é o fogo do desejo que não se apaga. E se fosse uma espada? Ainda assim seria um símbolo muito adequado, pois a espada é o arauto da luta pelo poder e da disposição em se empregar a violência. Sua mão direita espalmada, ao lado da figura feminina, com um gesto receptivo seduz ao observador a seguir seu caminho, e a possível afirmação que ele sustenta é: Nada há para além do mundo físico! Por isso sua toca amarela, cor associada à inteligência, ele tem argumentos para manter sua tese. Os chifres são os símbolos da percepção ampla, mas no caso dele é só intelectual. Lembremos que ele está intimamente ligado ao morcego, um animal cego que não suporta a luz. A luz está comumente associada à divindade e ao espírito, ou seja, ele não consegue ver além do mundo concreto. As duas criaturas aos seus pés estão limitadas por sua percepção curta, os pequenos chifres, e unicamente ligados a seus instintos inferiores, as tocas vermelhas. Não conhecem outra realidade por isso consideram sua condição “normal”, ou até mesmo se culpam por tudo o que vivem, como pessoas que se criam em ambientes abusivos de todo tipo. O pedestal em forma de cálice lembra o naipe de copas, que rege os sentimentos mais profundos e puros... Nos domínio deste arcano XV toda a pureza foi subvertida a correntes emotivas da mais baixa e primitiva vibração.

O Diabo no Osho Zen tarot.
Divinação – Ambição desmedida, cobiça, inveja, intrigas, fofocas e ardis conspiratórios de toda a sorte. Inimigos. Competitividade, materialismo, niilismo e apego a tudo o que considere seu por direito. Consumismo exacerbado, valorização excessiva dos aspectos extrínsecos das coisas como aparência, forma, preço, origem, marca. Acumulador de bens e recursos para se afirmar e se sentir seguro. Rege todos os vícios compulsivos, como sexo, comida, jogatina, videogame etc, como uma espécie de hipertrofia de um aspecto da personalidade em prol das demais. Como o cara que é uma máquina sexual, mas não consegue se ligar afetivamente a ninguém, ou que desenvolveu intensamente o intelecto e ignora a espiritualidade por não caber na concretude dos seus conceitos limitados. O abusador, em todos os sentidos. O pervertido que tenta normalizar sua conduta, o “tarado”. Fetichista, dominador e dominado. Sádico, cruel, manipulador. O subversivo, aquele que instiga no outro o seu pior ou mais primitivo. Sabe lidar com o mundo material e concreto como um todo, porém não é nem ético, nem justo. Usura, roubo. Negócios escusos. O amedrontador. Positivamente evoca o deus grego Pã, arauto das brincadeiras com os próprios instintos. Viver a vida de modo lúdico, deixar de lado os condicionamentos que engessam nossa personalidade com o lado excessivamente sóbrio da vida! Assumir seus próprios desejos, como alguém que “sai do armário”, ou assume suas reais intenções, paixões e ambições sem constrangimento. Também é a intensidade das paixões que incendeiam e que podem ser a porta de entrada de um grande amor. Basta ver que a soma do número do arcano de O Diabo, 15, resulta no número do arcano de Os Amantes, 6. Que se por um lado pode significar a perversão daqueles sentimentos pueris, e da ambiguidade da vida (e nesse caso poderíamos dizer que Os Amantes viraram os escravos do demônio), por outro lado pode representar um estágio mais bruto antes do desabrochar de sentimentos mais puros. Como disse sabiamente o mestre indiano Osho: “O sexo é a semente, o amor é a flor, compaixão é a fragrância”.


Personagem do CinemaCalígula personagem que dá nome ao filme de 1979 dirigido por Tinto Brass e interpretado por Malcolm MacDowell. Trata-se da história do mais cruel e louco imperador romano da história. O monarca é um homem atormentado por suas paixões nunca saciadas, pelo amor incestuoso por sua irmã Drusilla, sua imensa paranoia e pela desconfiança dos próprios deuses e do mundo espiritual! Não crendo nas deidades romanas começa a cultuar a deusa egípcia Ísis. Teme imensamente a morte por não ter nenhuma confiança no mundo espiritual, vindo daí seu culto a Ísis, uma das protetoras das almas dos mortos na outra vida. O jovem Calígula é fascinado pelo poder de seu avô Tiberius e ambiciona mais que tudo ser seu sucessor, chegando a matá-lo por isso. Sua afirmação no poder de forma violenta, seus caprichos incompreensíveis, e lascívia absurda, o tornam mais do que odiado e culminam com o seu assassinato.

*A Torre - Arcano XVI


Título Esotérico – O Senhor das Hostes do Poderoso (As forças coesivas do universo e da psique em constante confronto e ajustamento).

Analogia Astrológica - Marte (regente de Áries e co-regente de Escorpião) simboliza ação, movimento, força, impulso para realizar ou destruir. A energia ígnea que vive dentro de cada um de nós. A força que usamos para abrir nossos caminhos pela vida. Intensidade, libido, agressividade. É o arquétipo do guerreiro dentro da psique, aquele que desperta nossas forças interiores e as dirige conscientemente para a conquista de nossos objetivos.

Analogia Numerológica – O 1 individual e inovador confronta-se com o 6 social e conservador causando um conflito inevitável! Desse conflito nasce um novo caminho ou perspectiva mais profunda e refinada que a anterior (7). O 7 é a cifra da profundidade e do refinamento que nasce do confronto de forças antagônicas. Sua soma deriva de números discordantes psicologicamente. O 1+6, 2 (agregador) +5 (desagregador), 3 (expansivo) +4 (comedido).

O Arcano – Uma torre medieval é fulminada por um raio que se assemelha a uma labareda, e a própria labareda se assemelha a uma pena nas cores dourado e vermelho, cores tradicionalmente associadas ao elemento fogo. O cume da torre lembra a uma coroa, assim como as construções similares de sua época. As faíscas que se projetam da explosão são nas cores vermelho, azul e branco. Dois homens parecem ter sido golpeados pelo choque, um a frente e o outro atrás da construção. A torre possui três janelas na forma de um triângulo com a ponta para cima, um antigo símbolo alquímico do fogo.

Significado – As torres da antiguidade possuíam inúmeras funções, como defesa dos castelos, presídios, mirantes, faróis para orientação, ou com fins religiosos como os zigurates babilônicos, os minaretes islâmicos ou as torres das igrejas católicas, que ao mesmo tempo em que representavam as alturas de Deus, traziam em si o sino da igreja que evocava os fiéis para as missas. A Torre é a primeira edificação humana a aparecer completa nos arcanos maiores do tarot, e tanto em termos físicos quanto simbólicos, como vimos, elas são o arauto da  segurança, proteção e orientação. A segurança e a estabilidade foram rompidas subitamente, há terror e desorientação na imagem da carta como um todo. Na história bíblica da Torre de Babel diz-se que ela prolongou-se solo adentro, unindo assim o céu, a terra e  mundo subterrâneo. E exatamente esse é o simbolismo das três janelas da Torre, as três formas de percepção humana: supraconsciente, consciente e inconsciente. As três cores das faíscas dizem o mesmo, que em crises dessa dimensão vemos esses planos serem também abalados. Nossas emoções inconscientes são remexidas (faíscas azuis), nosso reconhecimento da realidade (faíscas vermelhas), e nossa conexão com um plano maior (faíscas brancas).
Os dois homens retratados na imagem aludem a um líder, ou rei como é representado em alguns baralhos, e que aparece na frente. O outro é alguém que fica nos bastidores, como um conselheiro ou serviçal, que aparece atrás da torre. Indicando tanto que a crise afeta fracos e poderosos, quanto que seus efeitos podem ser pequenos ou realmente devastadores! O cume em forma de coroa simboliza a ligação com o plano divino, mas também à cabeça como sede da consciência e, portanto, preocupação e desorientação. O raio é um símbolo de algo superior e fora de nosso controle que intercede violentamente. O fogo ao qual ele se assemelha é um elemento purificador e clareador indicando que a crise permitirá que erros sejam revelados e corrigidos, o que só dependerá de como lidaremos com ela. A pena, outra forma que parece se encaixar bem na representação deste raio, é símbolo do saber e da justiça. Durante muito tempo leis  e sentenças eram assinadas com penas, o que no arcano denota que uma correção está sendo feita em algum nível na situação em que a crise se instaurou. O que fica mais evidente ao somarmos os dígitos do número do arcano de A Torre, 16, e obtemos o número do arcano de O Carro, o 7. Ou seja, a crise aponta para uma nova direção ou começo e talvez até um avanço! Positivamente o arcano simboliza libertação, pois era também um cárcere! A libertação pode ser real ou psicológica, a fuga ou o rompimento com alguma estrutura, pessoa ou situação opressiva. Historicamente podemos citar o exemplo da queda da Bastilha em 14 de julho de 1789, onde a libertação dos prisioneiros daquela fortaleza representou a libertação do próprio povo francês da opressão de seus monarcas.

A Torre no Osho Zen tarot.
Divinação – Quedas, acidentes, rupturas súbitas, separações dramáticas e inesperadas. Desastres de toda a sorte, brigas, confrontos desagradáveis. Dissolução de grupos, equipes, parcerias, sociedades, amizades, uniões amorosas etc. Desentendimentos de todo tipo, mas sempre repentinos e explosivos. Entretanto pode não representar um fim definitivo, pois a estrutura da torre não é destruída completamente, e mesmo que fosse ela é a representação de algo que pode ser construído novamente e com novas bases. Crises causadas sempre por motivos concretos e bem factuais. Ruína, falência, crises materiais grandes ou mesmo de pequena e média monta. Demissão. Ter “o tapete puxado” dentro do trabalho ou grupo de atividade. Levar um susto, uma surpresa desagradável. Preocupação, mente superocupada e cheia de pensamentos repetitivos sobre seus problemas. Insônia, ansiedade, impaciência, irritação. De dores de cabeça a enxaquecas crônicas. As crises representadas por este arcano geralmente ocorrem dentro de uma área específica da vida, mas que acaba por abalar a estrutura das demais. Positivamente é uma libertação ou inspiração súbita que ilumina para uma solução ou saída de uma crise ou contenda.

Personagem do Cinema – Doug Roberts, interpretado por Paul Newman, do filme Inferno na Torre de 1974. Doug é um arquiteto que descobre no dia da inauguração do prédio que projetou, e que será o mais alto do mundo, que as especificações para a instalação elétrica não foram seguidas e que o prédio está sujeito a curtos-circuitos. Não demora muito para ocorrer um incêndio que coloca a vida de todos os presentes à inauguração em risco. O pânico das pessoas aliado ao problema técnico de socorro dos bombeiros torna o sonho de Doug o seu pior pesadelo, o pesadelo de toda uma multidão e da cidade de São Francisco.

* Sobre o nome A Casa de Deus também atribuído a este 
arcano, há um belo texto de Jean-Claude Flornoy 
no Clube do Tarot Confira!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Encontro com As Deusas


Os escritores norte-americanos Roger J. Woolger e sua esposa Jennifer Barker Woolger escreveram o livro A Deusa Interior, uma apurada pesquisa sobre os seis arquétipos femininos essenciais presentes na psique tanto de mulheres quanto de homens. Outros livros relacionando mitologia e psicologia foram escritos antes e depois, como He, She e We de Robert A. Johnson e Os Deuses e o Homem de Jean Shinoda Bolen. Considero a simplicidade e a praticidade do livro do casal Woolger muito mais tocante! 
A obra ainda oferece um questionário que possibilita ao leitor avaliar com qual face do feminino interior ele (a) está mais conectado. A obra possui, entretanto, duas falhas fundamentais, em minha opinião, que são: primeiro que os autores não dão sugestões de como restaurar terapeuticamente a potência de uma deusa que por ventura não apareça no seu mapa das deusas, segunda ele mesmos chamam. O segundo erro, muito comum nos autores da América, é o excesso de identificação com os arquétipos de sua cultura. A deusa Hera vem a ser o caso mais típico! Ela aparece com uma das vilãs das minisséries de tevê, suas qualidades de administradora e política quase são suprimidas em sua totalidade! As constatações do casal Woolger se referem às observações feitas por eles em suas pacientes de consultório. A definição de seis arquétipos básicos da psique me pareceu muito precisa e logo passei a utilizá-la nos meus próprios clientes. 
Com o tempo modelei um curso de oito encontros onde apresento as seis deusas com suas respectivas personalidades, sombra e a “chaga”, ou deficiência que deve ser elaborada dentro da personalidade de cada uma. Tomei o cuidado de ampliar os aspectos úteis e luminosos da deusa Hera, e de apresentar um guia para o desenvolvimento das qualidades arquetípicas das deusas que não aparecem no mapa da psique. Uma harmonia entre as seis forças arquetípicas é fundamental! A falta de um indica o não desenvolvimento de um aspecto da vida.
Apresento aqui um breve histórico das deusas, suas características principais e algumas de suas filhas e filhos amadurecidos:


Brigitte Bardot
Afrodite: Nascida do sêmen do pênis decepado de Cronos teve um casamento arranjado com Hefestos o deus ferreiro, mas teve muitos amantes, como o deus da guerra Ares e o jovem e belo Adônis. É a deusa que rege os romances tanto quanto a sexualidade humana, a sedução e coisas afins como moda, beleza, e o mundo das celebridades. Desde cedo se sente atraída pelos homens e eles por ela. De todas as deusas essa vem a ser a que tem mais dificuldade de integrar as outras qualidades em si, devido a isso envelhecer é particularmente complicado para ela. Sua chaga é a solidão.

Uma Afrodite que amadureceuBrigitte Bardot, quando a juventude e o status de sex symbol acabou ela incorporou a porção Ártemis de sua alma e se tornou uma defensora dos direitos dos animais. Entre os homens filhos dessa deusa, podemos destacar Giuliano Gemma, galã dos westerns italianos, quando se afastou do cinema se dedicou às artes plásticas e virou um consagrado escultor.

Simone de Beauvoir
Athena: nascida da cabeça do deus supremo Zeus, ela não teve infância, pois que foi concebida adulta. Era a deusa da civilização, das artes e das ciências. Seu culto marca o fim da fase agrícola da cultura grega. Essa deusa rege o mundo acadêmico e desde cedo possui afinidade com o mundo intelectual dos homens se sentindo pouco à vontade com as brincadeiras das meninas e com o papel tradicional das mulheres. Sua vivacidade intelectual a destaca logo cedo nos estudos, mas complica sua vida íntima. Athena era uma deusa virgem. Sua chaga é a ausência do seu corpo e dos seus instintos.

Uma Athena que amadureceuSimone de Beauvoir, intelectual existencialista francesa que foi uma das pioneiras do movimento feminista, autora do livro O Segundo Sexo. Teve um longo e polêmico relacionamento com o filósofo Sartre. O próprio Sartre também é um belo exemplo de homem filho de Athena, foi um aguerrido defensor dos direitos humanos, ficou conhecido por defender a obra do seu amigo e também escritor Jean Genet, que era um polêmico poeta e romancista homossexual assumido na França da década de 50.



Benazir Bhutto
Hera: esposa e irmã de Zeus dividiu com ele os domínios dos céus. Protegia o casamento, mas ficou mais conhecida por tramar e perseguir contra os filhos bastardos do seu marido. Diz a lenda que ela tinha sete templos por toda a Grécia, mas que Hércules, um dos filhos ilegítimos do seu marido, destruiu todos! A deusa Hera interior é uma administradora nata, possui muitas ideias e planos de vida. Seu mundo interior é tão rico que uma vida não basta para cumprir tudo o que ela ambiciona. E isso pode ser a fonte de suas frustrações, quando ela começa a apontar para o marido e ou os filhos para que concretizem aquilo que ela não pode. Sua chaga é justamente a vida não vivida.

Uma Hera que amadureceuBenazir Bhutto primeira mulher a ocupar o cargo de premiê do Paquistão, um país muçulmano de tradições fortemente machistas! Sofreu um golpe que a destituiu do governo e em 2007, quando tentava voltar ao país, foi assassinada num atentado assumido mais tarde pela Al-Qaeda! Gandhi, um típico filho de Hera, foi primeiro ministro da Índia e um líder pacificador que libertou seu país do domínio britânico sem pegar em armas, mas acabou assassinado por permitir a divisão do terrítório indiano com os muçulmanos, o que deu origem ao Paqusitão.


Zilda Arns
Deméter: deusa da agricultura e irmã de Zeus, possuía uma única filha sequestrada por Hades, deus do submundo, que se apaixonara por ela. Na luta pela posse da filha e com intervenção do deus Hermes, foi definido que a jovem Perséfone, a filha de Deméter, ficaria um quarto do ano com o marido, época em que sua mãe criava então o inverno. No verão estavam juntas e a primavera e o outono marcavam sua chegada e ou partida. A mulher Deméter é mãe em essência. Adora cuidar de tudo e de todos que pareçam pequenos ou frágeis. Não possui a ambição de suas outras três irmãs, gosta do ambiente doméstico e tudo o que se relaciona com ele. Coisas como a culinária, a decoração, artesanato a recreação infantil, etc. Sua chaga é justamente a maternidade perdida ou não vivida. Não lida bem com o esvaziamento do ninho quando os filhos saem de casa e frustra-se violentamente se não puder ser mãe.

Uma Deméter que amadureceuZilda Arns, pediatra e sanitarista dedicou sua vida a cuidar de crianças pobres e em precárias condições de vida e higiene. Desenvolveu uma metodologia própria de multiplicação de conhecimento entre as famílias carentes como uma forma de combater a multiplicação de doenças e a marginalidade entre as crianças. O médico norte amerciano Patch Adams é um bom exemplo de um filho de Deméter, sua filosofia de trabalho com a medicina inclui o amor e o riso e costuma dizer que o melhor método para curar os próprios problemas é dedicar-se a cuidar do próximo.



Dian Fossey
Ártemis: deusa das florestas e dos animais selvagens era filha de Zeus e Era. Pediu ao pai que nunca se casasse porque viu o sofrimento de sua mãe no parto do seu irmão Apolo, e seu pai concedeu-lhe esse pedido. As filhas de Ártemis, assim como sua mãe, gostam de ficar sozinhas com seus pensamentos, amam a vida ao ar livre, a natureza, os animais e a liberdade como um todo. Não teme o trabalho duro e uma vida de certa forma rude por assim dizer... Não se sentem bem localizadas na cidade e acham a vida urbana estressante. Esse deslocamento diante do mundo civilizado é justamente o que constitui a sua chaga... O não reconhecimento do seu papel no mundo!

Uma Ártemis que amadureceuDian Fossey, naturalista americana que dedicou a vida a estudar e observar a vida dos gorilas da montanha em Ruanda. Graças ao seu trabalho, pesquisa e denúncias à comunidade internacional é que foi possível saber como esses animais raros viviam e também sobre ameaça que sofriam por parte dos caçadores! Os mesmos caçadores que mataram Dian. Sua morte serviu, ironicamente, para a criação de leis de proteção aos gorilas. Jacques Cousteau, oceanógrafo francês que pesqusisou e defendeu a preservação da vida marinha e incitou os filhos a continuarem seu trabalho. É um outro belo exemplo masculino da deusa Ártemis interior.


Emma Kunz
Perséfone: filha de Deméter era uma koré, ou menina, quando foi levado ao submundo, mas ao retornar tornou-se a rainha das sombras, uma peça importante para a manutenção da vida. Ela incorpora o mistério da existência e do ciclo das estações. Uma intermediária entre mundo concreto dos vivos e o mundo espiritual dos mortos. Essa deusa encarna o arquétipo da bruxa, da vidente, cartomante, curandeira ou sensitiva que conhece os desígnios do tempo e do destino. É atraída pelo mistério, o simbolismo, a história e tudo o que leve ao entendimento da alma humana. Percebe tudo com muita profundidade, o que a faz sensível demais, ao ponto de entrar em conflito com o mundo terreno das impurezas e instintos básicos. O que pode levá-la a desvios escapistas. Sua chaga é justamente a alma infantil que não quer crescer nem perder contato com o mundo ideal de suas visões.

Uma Perséfone que amadureceuEmma Kunz, médium, curadora e artista plástica suíça, curou muitas pessoas com ervas e minérios apenas entrando em “contato” com a essência deles e das pessoas que a procuravam. Suas curas se tornaram quase lendárias e as pessoas tratadas nunca tiverem reincidência dos males que originalmente as havia levado até Emma. Hoje existe um instituto que leva o seu nome e que se localiza na casa em que viveu. Entre os filhos homens de Perséfone podemos destacar Chico Xavier, consagrado médium brasileiro reconhecido internacionalmente por suas psicografias que revelavam detalhes impressionantes da vida de pessoas falecidas que ele nunca conheceu! Dedicou sua vida a fazer a caridade aos menos favorecidos e levou conforto à milhares de famílias.

A Estrela - Arcano XVII


Título Esotérico – A Filha do Firmamento. Aquela que Habita Entre as Águas (A consciência que habita entre o divino e o mundano e que cresce quando há uma interação entre ambos).

Analogia Astrológica – Aquário (O 11º signo). O signo do espírito comunitário e da convivência fraterna entre os homens. Corresponde a saída da humanidade da visão egoísta e sectarista do “meu” para a consciência abrangente do “nosso”. É por excelência o signo da renovação e das ideias revolucionárias. Ama a liberdade e o novo e tudo o que se refere a regras, limitações e tradições convencionadas o aborrece!

Analogia Numerológica – O indivíduo consciente (1) mergulhando em si mesmo ou nos conhecimentos ocultos (7) descobre o bem de uma verdade maior (8). O 8 é o número da conquista do equilíbrio pessoal e das verdades transcendentes. Sua forma lembra a leminiscata, símbolo matemático do infinito. O conhecimento da verdade centra a consciência e confere poder e autoridade pessoal.

O Arcano – Uma mulher nua está numa paisagem que tanto pode ser a entrada da manhã quanto o fim do dia, onde as estrelas ainda aparecem no céu enquanto a luz solar irradia fracamente. A sua volta há oito estrelas, sete pequenas estrelas circundam uma maior e esta paira sobre sua cabeça. A mulher despeja misteriosamente um vaso na terra e outro na água, sua face é serena e parece totalmente atenta ao que faz. Ao fundo vemos duas árvores e numa delas, a que está à sua direita e à esquerda do espectador, há um pássaro (que parece um colibri) sobre suas folhagens.

Significado – A nudez é um antigo símbolo de entrega, despojamento e do reconhecimento e aceitação da verdade! Podemos imaginar que a presente donzela estava presa no alto da torre do arcano anterior que tem o mesmo nome, A Torre XVI. Agora, livre da limitação das paredes do seu claustro, ela contempla uma realidade maior e percebe que faz parte dela. Os vasos derramados sobre a água e a terra simultaneamente simbolizam a purificação e a renovação das emoções e do corpo físico depois desta libertação. As árvores são comumente representações da ligação entre o céu e a terra, ou entre Deus e os homens. Os pássaros são o símbolo da liberdade e da elevação. O colibri é um animal típico das Américas, e nas culturas indígenas ele é o símbolo da alma dos guerreiros que ascendem aos deuses após sua morte.  A contemplação das estrelas nos lembra da ligação misteriosa que o homem tem com o espaço e que suscita questões existenciais sobre sua origem e destino. Estar de joelhos sobre a terra, porém, nos remete a lembrança de que somos seres físicos e de que este mundo é nosso campo de desenvolvimento. Esse arcano revela muito mais do que uma conscientização da relação entre o macro e o microcosmo, mas uma interação entre esses dois mundos! Essa nudez em meio aos astros do sidéreo representa uma abertura ao porvir e à vida como um todo, de homens à animais e plantas, de seres terrestres à extraterrestres, e também a meditação como uma forma de experienciar o transcendente através da via interior. Compreendemos à partir deste arcano que somos todos um, e a fusão com esse “todo” é uma aspiração que faz parte de sua essência. O que só se realizará de fato no arcano XXI, O Mundo. Na Estrela é que atingimos a compreensão de que o que afeta o meu semelhante, animal ou humano e o mundo ao redor, logo me afetará também. Do mesmo modo torna-se aqui mais acessível a ideia de que há energias não físicas que podem afetar e até mesmo moldar o mundo material. A presença das sete estrelas é uma referência aos sete planetas da astrologia medieval e sua influência sobre os ciclos da vida humana. A estrela maior é a luz de uma nova percepção que traz esperança para o amanhã!

A Estrela no Osho Zen tarot.
Divinação – Paz, tranquilidade, luz, esperança, reflexões sobre o futuro individual ou das gerações vindouras. Convivência pacífica com uma comunidade. Encontrar grupos ou pessoa com quem se tenha afinação intelectual ou espiritual. Reunião entre pessoas, congressos, festas, shows, agremiações, associações, sindicatos, sociedades secretas, sociedades alternativas etc. Estar junto à natureza, campo ou praia. Interesse em ecologia, direitos humanos, direito dos animais, e também em astronomia, astrologia, radiestesia, ufologia e naturismo. A prática da meditação em todas as suas formas, para desnudar-se da mente e entrar no silêncio interior ampliando a própria consciência. Ritos junto à natureza. Wicca, xamanismo. Receptividade ampla às pessoas e tendências, o que por outro lado traduz-se em vulnerabilidade. É também a inocência, pureza, simplicidade, humildade, liberalismo, despojamento do ego! O ser comunitário que pensa no bem estar de todos ou num bem maior acessível ao coletivo. De modo geral os pontos energéticos do planeta e as sociedades alternativas que neles habitam são regidos por este arcano, de Findhorn (Escócia, UK) à Alto Paraíso (Goiás, Brasil), ou Sedona (Arizona, USA).

Personagem do Cinema – Jake Sully, interpretado por Sam Worthington, do filme Avatar de 2009. Ele é selecionado para substituir seu irmão gêmeo que faleceu no programa Avatar. É enviado para Pandora, uma lua de um planeta extraterrestre, onde vivem os Na’Vi, seres humanoides azulados de três metros de altura que vivem em perfeita harmonia com a natureza de Pandora. Os humanos chegam com intenções predatórias e belicosas que ameaçam a vida natural dos Na’Vi. Jake tem uma epifania com relação ao povo azulado e seu modo simples e respeitoso de conviver com a natureza. Isso se intensifica ao conhecer e se apaixonar Neytiri, interpretada por Zoë Saldaña, uma feroz guerreira Na’Vi, fato que o faz querer viver entre eles.

A Lua - Arcano XVIII


Título Esotérico – O Regente do Fluxo e do Refluxo. O Descendente dos Filhos do Poderoso (A influência cambiante das energias subjacentes à matéria e ao mundo psíquico).

Analogia Astrológica – Peixes (O 12º signo) – O signo do contato com o sagrado ou o aspecto misterioso da vida. Representa a dissolução dos apegos egoístas que impedem a alma de abrir sua percepção para as realidades espirituais superiores. A sensibilidade aos fluxos não materiais da existência. A manifestação do inconsciente, tanto sombria quanto luminosa.

Analogia Numerológica – O indivíduo (1) em busca da verdade (8), mergulha num oceano de possibilidades e de e múltiplas verdades que requerem minuciosa investigação (9). O 9 é o número da busca pela sabedoria invulgar e do conhecimento oculto, que é o segredo da vida que percorre tanto a via científica quanto espiritual.

Arcano – Duas bestas (lobos ou cães) uivam para a lua. A face da lua é feminina e apresenta-se perfilada dentro de um círculo azul de tom profundo. Raios de emanação energética saem da terra em direção ao astro, eles estão nas cores amarelo, azul e vermelho. Ao fundo duas torres aparecem. Elas são amarelas como toda a paisagem terrestre. Mais na frente um tanque azul, com águas que se mostram tranquilas, revela uma lagosta que está prestes a deixá-lo e se aventurar por entre um caminho estreito que passa pelos dois animais em primeiro plano.

Significado – Desde tempos imemoriais a Lua é o símbolo das coisas cambiantes e misteriosas, como o ciclo menstrual feminino e as marés. Sua mutabilidade aparente a fez ser associada ao mistério e as coisas ocultas e sem explicação evidente, e este é o significado da face perfilada, símbolo de uma realidade que não se mostra por inteiro. A magia e o uso de cerimônias inspiradas em seus ciclos são a base de muitos cultos antigos. Esse astro foi sempre tido como uma espécie de portal de comunicação entre o mundo físico e o não físico, dada a sua tendência a aparecer e desaparecer no céu. Sua influência sobre a Terra e seus habitantes é considerada fascinante e alvo de todo o tipo de investigação e superstição. Os raios de energia saindo da terra em direção a ela são os representantes desta influência encantadora que afeta o mundo intelectual (inspiração artística e imaginação) as gotas em amarelo, emocional (divagações, humores e romance) gotas em azul, e energético (momentos de alta ou de baixa na disposição física), as gotas de energia em vermelho.
As pessoas instáveis são comumente chamadas de lunáticas, ou aluadas. O plantio e a colheita dos povos antigos também eram associados à Lua, bem como a fertilidade humana. Muitas vezes chamada de a testemunha do tempo, a Lua é o arauto da memória. Os animais uivando logo abaixo são o símbolo dos instintos atávicos sendo despertados. No passado o uivo de lobos e cães causava medo, e medo é justamente um dos atributos deste arcano. Hoje se sabe que na maioria das vezes o uivo é usado para reunir a matilha, ou algum membro desgarrado. O que também cabe no simbolismo de A Lua. Este seria o chamamento de algum aspecto obscuro e desconhecido da psique, que por isso pode gerar temor, medo, angústia e muito desconforto. A lagosta, um crustáceo muito antigo no planeta, parece estar obedecendo a este chamado e vai emergir das águas, outro elemento profundamente ligado tanto a Lua quanto aos sentimentos humanos e à imaginação. As torres representam justamente as edificações construídas com o tempo, as crenças e os temores arraigados que constroem muito mais de nossa personalidade do que podemos supor ou admitir. Daí a importância do autoconhecimento!

A Lua no Osho Zen tarot.
Divinação – A manifestação do inconsciente, medo, fobia, angústia, incertezas, confusão emocional, mediunidade espontânea e um tanto fora de controle. Coisas que não foram bem resolvidas nesta ou em outras vidas. O Karma. Sentimentos e sensações obscuras que causam estranhamento ou desconforto. Traumas profundamente introjetados no subconsciente. Falta de perspectiva. Devaneios que causam ainda mais aflição. Fantasioso ou supersticioso, ou os dois! Magia de todo o tipo, e manifestações de psiquismo ou do sobrenatural. Pode representar também o vício em rituais e filosofias mágicas que não necessariamente levam à evolução da consciência. Aponta para questões de fertilidade e gravidez, mas sempre de modo enigmático ou problemático. Gravidez de risco, gestação ou parto difícil, ou desconhecimento do fato de se estar grávida. Dependendo da leitura pode também indicar problemas de fecundidade. Ligação kármica com os pais. Oscilação de humor. Positivamente ela é a inspiração, a imaginação criativa, mas muito amplificada e desfocada, o que dificulta a concretização. Sentimentos e sensibilidade profunda à interação com as pessoas e o meio ambiente. Em termos psicológicos é a “esponja” que absorve as emanações densas dos outros e os dejetos residuais das energias obscuras deixadas nos ambientes.

Personagem do Cinema – Grace, interpretada por Nicole Kidman no Filme Os Outros de 2001. A personagem é uma mulher que vive isolada na ilha de Jersey com seus dois filhos à espera do marido que foi lutar na 2ª Guerra Mundial, e que secretamente ela teme que não volte. Ela é uma mulher angustiada pelos cuidados constantes com os filhos que sofrem de uma doença rara que os impede de se expor à luz solar. Os educa de forma rígida, e a rotina da casa tem muitas normas a serem obedecidas. Coisas bizarras acontecem, ruídos pelos cômodos e estranhas manifestações físicas como cortinas que desaparecem e o piano que toca “sozinho”. Entre Grace e os filhos há um segredo obscuro que paira o tempo todo na história e que ela prefere ou ignorar, ou fingir que não ocorreu. Esse segredo guarda toda a essência assustadora da trama. O filme faz referência ao limbo, que seria o local onde ficam as almas entre o céu e o inferno.